Para as viciadas(os) de plantão

Já que esta semana eu estou falando sobre vício em Jane Austen e até alguns leitores do blog confessaram ter o mesmo ‘problema’ que eu, resolvi declarar: estou numa fase completamente dependente de capas de livros da Austen!! Haja visitas à livrarias físicas e virtuais e também haja dinheiro para alimentar o vício!
Há alguns meses eu fiz um post sobre os livros baratinhos da Editora Wordsworth que estavam sendo vendidos pela Livraria da Travessa. Na época eu fiquei curiosa e empolgada para comprar porque eu não tinha a coleção dos livros de Austen com ilustrações do Hugh Thomson. Na época fiquei na dúvida se compraria ou não, pois não há uma Livraria da Travessa aqui em Belo Horizonte. Quer dizer, existe uma livraria com este mesmo nome, mas não pertence à rede carioca.

Quando estive no Rio de Janeiro no final de novembro pude visitar a livraria e logo bati os olhos nos exemplares da Wordsworth! Eu comprei 5, com exceção de Orgulho e Preconceito que estava em falta! Mas ao chegar em casa, realizei a compra on-line e o livro demorou umas três semanas entre importação e entrega em minha residência.

Abaixo, um dos sinais de vício em Austen: paixão pelos livros e diferentes capas!!

Não bastasse eu já ter os livros principais de Austen de duas editoras (Dover e Wordsworth), na semana passada visitei o site da Travessa novamente para procurar um outro livro e dei de cara com a seguinte promoção:

Os livros da Collector’s Library em promoção: edição de colecionador! Os livros estão em promoção por R$ 22,04 (cada), mas este não é o detalhe principal! Veja se não dá pra ficar maluca:

– Os livros são em versão pocket (10 x 15 cm), tão mimosos e fofinhos!!!

– Capa dura em tecido vermelho com letras douradas, as laterais das páginas também são douradas.

– Contém os desenhos de Hugh Thomson!

– Os livros foram impressos em uma papel melhor e ainda contam com uma capa protetora muito bonitinha!

Vejam com seus próprios olhos!


Agora me diga, não dá para ficar maluca(o) por livrinhos tão lindos!?

Sorteio de DVDs

Por indicação da Ana Maria descobri que o site Le Figaro Madame está sorteando os dvds: Emma (1997), Abadia de Northanger (2007) e Mansfield Park (2007). Para participar do sorteio você deve responder à três perguntas fáceis no site (que está em francês). Se não souber responder às perguntas faça uma busca no wikipedia.org, com certeza ajudará! Para finalizar sua participação e concorrer ao sorteio, você deve preencher um cadastro nos moldes que existem por ai na net. Qualquer dúvida podem me perguntar! No mais, boa sorte para todos!!!

Alguns leitores podem se perguntar porque eu sugiro um DVD logo em francês. Bom, primeiro é porque eu estou com planos de aprender francês este ano e segundo, porque as capas são lindas!!

Você é viciada em Austen?

Hoje eu vou falar de um assunto que todos nós já percebemos em nosso cotidiano de fãs: somos viciados em Jane Austen! Recentemente conheci a autora Laurie Viera Rigler através de seu site Jane Austen Addict. Laurie escreveu o livro ‘Confessions of a Jane Austen Addict’ (tradução livre: Confissões de uma viciada em Jane Austen). Laurie gentilmente me autorizou traduzir o texto ‘Signs of Addiction‘ – Sinais de Vício.
Sou viciada em Jane Austen – Sinais do vício

* Você se reconhece em alguma destas situações? Se afirmativo, então é hora de revelar!

* Você se esquece de pegar as roupas na lavanderia, mas consegue recitar de cor e salteado a carta do Capitão Wentworth’s para Anne Eliot.
* Seus amigos carregam fotos dos filhos e outras coisas significantes na carteira, enquanto no seu celular tem uma imagem do Colin Firth como Mr. Darcy (ou Matthew MacFadyen, dependendo do seu gosto pessoal).
* Se sua casa está em chamas, você deixa para trás o álbum de fotos da família e seu computador, mas salva sua bonequinha da Jane Austen, a camiseta do Mr. Darcy e o mapa de Bath.
* Enquanto seus amigos fantasiavam sobre o possível vencedor da Copa de 2006, o seu desejo era estar no encontro anual da Jane Austen Society em Tuscon. Contextualizando para as fãs do Brasil: enquanto seus amigos fantasiavam sobre a copa de 2006, você não via a hora de encontrar suas amigas virtuais no próximo orkontro regional.
* Você está com coisas atrasadas no trabalho, escola, organização da casa (complete o espaço em branco de acordo com a sua situação) porque gasta mais da metade do dia visitando os fóruns sobre Jane Austen discutindo se Fanny Price é o exemplo de moral em Mansfield Park ou se é mais chata personagem da história literária.
* Você gasta a outra metade do seu dia nos fóruns discutindo quem é o Mr. Darcy mais bonitão: Colin Firth ou Matthew MacFadyen.
* O ideal de riqueza dos seus amigos é uma casa nas montanhas de Hollywood. Você daria tudo pela primeira edição de Orgulho e Preconceito ou pelo menos uma edição de capa em couro. Falando sério… qualquer uma de nós ficaria feliz da vida com a coleção da Cambridge.
* Você está em uma multidão, numa boate irritante e alguém lhe convida para dançar, você logo responde: “num lugar como esse, seria insuportável” (referência à fala de Mr. Darcy: “At an assembly such as this, it would be insupportable”).
* Você é propenso a fazer citações de romances e filmes, na maioria das vezes fora do contexto (veja citação acima).
* Para seus amigos fazer alguma atividade física significa caminhar ou praticar yoga. Para você é fazer aulas de dança típica da Inglaterra. Quer dizer, se pudesse arrumaria alguém para ir junto com você!

* Sua melhor amiga pensa que você está de brincadeira, apesar de ter visto a última versão de Orgulho e Preconceito duas vezes. Ela, diferente de você, não tem nenhum problema para separar ficção da realidade.

* O seu amado lhe diz que encontraria sua marca favorita facilmente na lojinha mais próxima (com certeza ele não acertará) e acha um absurdo ter que andar de loja em loja porque acha desagradável.

* Você tem apelidos secretos baseados nos personagens de Austen para pessoas importantes em sua vida. Até batiza os animais de estimação em homenagem a um dos personagens. O seu chefe, por exemplo, é o Sr. Noris (referência a tia de Fanny em Mansfield Park). A gata de Laurie se chama Georgiana, em homenagem à irmã de Darcy. Seu marido é o Capitão Harville sempre que ele resolve mexer na caixa de ferramentas, constrói uma prateleira ou pendura um quadro. (E ainda por cima, ele tem que referir-se desse modo também, apesar de nunca ter lido persuasão).
* Você julga os atores e suas respectivas atuações nas adaptações para o cinema e TV dos livros de Austen. Por exemplo, Laurie achou bastante desagradável lembrar-se de Persuasão (1995) quando viu o Ciaran Hinds fazer o papel de um pedófilo na série Prime Suspect series. Captain Wentworth nunca faria tal coisa, ela fez uma tempestade em um copo d’água e logo desligou o DVD. Que vergonha!!
*Por favor, envie seus sinais de vício em Jane Austen! Postarei os meus favoritos aqui no blog! Mas espere, tem mais… amanhã farei um post sobre o artigo de Jeanne Kiefer.
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Este post é de direito autoral de Adriana Sales Zardini e Laurie Veira Rigler, se for citar a tradução favor linkar este blog e/ou fazer citação, como abaixo:
ZARDINI, A.S.; RIGLER, L. V. Sou viciada em Jane Austen. Disponível em: www.janeaustenclub.blogspot.com Acessado em: (coloque a data)

Novas Versões em Português

Agora há pouco tive uma surpresa agradável ao receber a notícia de minha amiga Lilia dos Anjos de que a Editora Landmark está a todo vapor para publicar os outros livros de Jane Austen em português do Brasil. E pensar que tudo isso começou porque comentei com Lilia sobre uma edição de um livros das irmãs Bronte da editora Wordsworth e ela acabou encontrando uma edição bilíngue da editora Landmark.
Agradeço muito pela dica Lilia! De modo que este post é mais teu do que meu!!
Voltando ao que realmente interessa! As novas edições!

Recentemente a Editora Landmark publicou edições bilíngues de Orgulho e Preconceito e Persuasão.


FUTUROS LANÇAMENTOS
Na página da editora já estão disponíveis as capas e resumos dos novos livros traduzidos. No entanto, não há indicação de quem fez a tradução nem cita quando será o lançamento.

A Abadia de Northanger

Resumo da Editora Landmark:

“A ABADIA DE NORTHANGER” acompanha a trajetória de Catherine Morland, sua família e amigos, quando de sua visita ao balneário de Bath, na Inglaterra, local sempre freqüentado por Austen e sua própria família. Em sua estadia, Catherine passa seus dias visitando seus mais novos amigos e freqüentando bailes na cidade e acaba por se envolver com dois jovens da cidade, John Thorpe e Henry Tillney que a envolve com seu conhecimento de literatura e história. O pai de Henry, general Tillney, a convida para visitar uma de suas propriedades, a Abadia de Northanger. Catherine que na história está lendo o romance gótico, “Os Mistérios de Udolpho”, de Ann Radcliffe, fica fascinada com a perspectiva de ingressar em um ambiente antigo, fantástico e sombrio. A Abadia de Northanger representa toda a capacidade de Jane Austen em se fazer a critica social de seu tempo, bem como a de realizar a análise moral de seus personagens. Com o seu costumeiro e agradável senso de humor, a autora critica os romances góticos e seus excessos que tangenciam o ridículo, e introduz sua história em um cenário cotidiano e plausível.

O Parque de Mansfield

Resumo da Editora Landmark:

Por mais de dois séculos o livro tem dividido os leitores: por um lado, “O PARQUE DE MANSFIELD” é o trabalho mais autobiográfico de Austen, refletindo o mundo de pretendentes religiosos e proprietários de terra, das caçadoras de maridos, dos esnobes e dos tolos do interior – no qual a escritora viveu e procurou o amor – o texto parece entrar em choque com a costumeira descrição das heroínas criadas por Austen, uma vez que a personagem de Fanny Price, que no romance é surpreendentemente contida e passiva, tem aturdido por décadas os críticos literários e os fãs de Austen. As questões sociais também são amplamente discutidas em “O PARQUE DE MANSFIELD”: sugere-se pela crítica especializada que o título se refere ao julgamento de Mansfield, a decisão inglesa legal e histórica tomada pelo chefe da Justiça Lorde Mansfield, segundo a qual foram estabelecidos os primeiros limites quando à escravidão na Inglaterra. No romance, Fanny surpreende sua família adotiva, os Bertrams, ao levantar a questão sobre o envolvimento deles com a escravidão. As cartas de Jane Austen escritas na época nos informam de que ela tinha se apaixonado por Thomas Clarkson, o abolicionista mais popular da época, o que justificaria o envolvimento da autora com estas questões sociais. Austen, como os seus personagens, cresceu em uma zona rural na Inglaterra entre a classe abastada e religiosos cujos hábitos e negócios ela observava com perfeição e, às vezes, com uma honestidade brutal e reveladora. A sua memorável linguagem, a sua sagacidade satírica, o seu delicado senso de humor e as suas complexas caracterizações de luta moral no coração das famílias, além das alianças românticas, contribuem para o estilo de Austen, que não envelhece, e o resistente microcosmo da natureza humana que ela aborda. O tema que mais prevalece na obra de Austen permanece relevante na nossa época: a necessidade de homens e mulheres de encontrarem a sua identidade e de fazerem as suas próprias escolhas – ainda que a sociedade, por sua natureza, tente fazer deles seres dependentes, sem força e preconceituosos.

***

Nota: Só não agradei do título acima ser: O parque de Mansfield!! 🙂

Como Mansfield park é uma designação para toda a propriedade dos Bertram, acho que não foi apropriado chamar de parque (pois em inglês o significado destes nomes de propriedades é diferente). Dá a impressão que o livro fala de um belo parque.

Passatempo de Férias

Como as férias estão no finalzinho, ou seja, acabou-se o que era doce… vou indicar alguns passatempos para diversão e quem sabe até aprender inglês (quem sabe?).
Recentemente eu descobri uma página na internet com alguns criptogramas de Persuasão. Ao todo são 24 criptogramas de algumas passagens do livro Persuasão. Eu testei o primeiro e achei uma distração muito interessante, já que ao tentar acertar as letras o usuário pode conhecer novas palavras em inglês, além de recordar as passagens dos livros. Creio que mesmo que não se considera letrado na língua inglesa deve tentar pois além da curiosidade em ser resolver o criptograma, existem duas dicas: lhe mostra uma palavra no início da frase e outra no final.

Abaixo uma reprodução do criptograma concluído:

Tradução da passagem acima por Isabel Sequeira*:

“Acontece, por vezes, que uma mulher é mais bonita aos 29 anos do que dez anos antes; e, de um modo geral, se não se sofreu de doença ou ansiedade, é uma idade em que pouco encanto se perdeu.”

* Siqueira, Isabel; Austen, Jane. Persuasão. Publicações Europa-América, Lda. Portugal: 1999.

Outro passatempo que encontrei foi no site da JASA (Jane Austen Society of Australia): palavras cruzadas, também em inglês. Encontrei palavras-cruzadas de Razão e Sensibilidade, Orgulho e Prenconceito, Abadia de Northanger, Mansfield Park e Emma. e As ilustrações abaixo, estão linkadas diretamente ao site da JASA. Ao visitar o site, aproveite para observar que a imagem de Jane Austen pisca o olho! 🙂

Você conhece o Kindle?

O Kindle ou Amazon Kindle é um leitor de e-books, foi lançado em novembro de 2007 nos Estados Unidos pela Amazon.com. O Kindle, ainda sem nome aqui no Brasil, pode ser chamado de um leitor de textos digitais e se assemelha ao formato de um livro, pois seu display (tela) é similar à página de um livro. A proposta é diminuir os preços dos livros, oferecendo um download no próprio site da amazon, pois o cliente paga pelo download e imediatamente pode ler os livros, evitando assim as despesas de entrega e principalmente do corte de árvores. Outro ponto positivo é que o cliente também pode comprar e baixar revistas, jornais e ler outras midias digitais – blogs, sites, etc. O chato da notícia é que o kindle não é para qualquer um: 359,00 dólares no site. Veja aqui alguns vídeos sobre o produto.

A amazon oferece a obra completa de Jane Austen (8 volumes) por menos de 1 dólar: Love and Friendship, Lady Susan, Northanger Abbey, Sense and Sensibility, Pride and Prejudice, Mansfield Park, Emma, and Persuasion.

O site oferece mais de 207 mil itens relacionados ao kindle, desde estojos, capas, revistas, jornais e é claro: livros (dos clássicos até os atuais).

Curiosamente a amazon oferece os dois modelos de estojo abaixo com o nome de Jane Austen.

A figura da esquerda em batik azul e a da direita com sapinhos (o que será que deu na pessoa ao associar sapinhos com Jane)!! Confesso que gostei mais de um modelo em couro vermelho. E também da opção de adesivo de florzinhas rosas para proteger o kindle. 🙂

Hollywood sem beijo

Por Genilda Azerêdo*

Orgulho e Preconceito – Hollywood sem beijo**

Sempre que uma nova adaptação de Jane Austen aparece – e esta é a oitava de 1995 para cá – somos induzidos a (mais uma vez) questionar o que há em seus romances, publicados entre 1811 e 1817, que ainda pode atrair a atenção do espectador do século XXI. No caso desta mais recente adaptação, Orgulho e Preconceito, baseada no romance homônimo, a expectativa talvez ainda tenha sido maior, uma vez que se trata do romance mais lido e amado da autora.A própria Jane Austen referiu-se a Elizabeth Bennet, a protagonista do romance, como “uma criatura adorável, como jamais aparecera na literatura (…)”. E confessou: “Não sei como serei capaz de tolerar aqueles que não gostem dela”. De fato, Elizabeth é a mais famosa das protagonistas de Austen, uma personagem que combina inteligência e senso de humor, sensibilidade, vivacidade e rebeldia. Como se sabe, todas as narrativas de Austen constituem pretextos para que suas protagonistas amadureçam emocionalmente, passem de um estado de ignorância a um estado de consciência e conhecimento. No caso de Orgulho e Preconceito, no entanto, tem-se, de início, a impressão (o que não se concretiza), que Lizzy já é madura o suficiente, tornando tal processo esvaziado de função. De modo geral, é o personagem masculino central aquele que contribui para este crescimento emocional e afetivo da heroína. Porém, neste romance, é interessante ver como o processo de conscientização e amadurecimento se dá de forma dupla: ambos Lizzy e Darcy não só vivenciam um processo de aprendizagem, mas gradualmente ensinam um ao outro. Talvez este aspecto seja responsável por fazer deste o mais famoso par amoroso de Austen. E não fosse por outros aspectos do romance, que faz um registro dos costumes e valores da sociedade pré-vitoriana, e uma crítica social contundente à dependência que aquela mulher tinha do casamento, como único meio de sobrevivência (material e emocional), bem como aos efeitos decorrentes dos conflitos entre classes sociais, da hipocrisia e da aparência, só a história de Lizzy e Darcy já justificaria uma adaptação.O título do romance já se oferece como primeira possibilidade de compreensão da narrativa: se Darcy é imediatamente considerado por todos como orgulhoso e arrogante, Lizzy (embora se considere lúcida) não se contém em seus pré-julgamentos em relação a ele. Mas a associação não se dá deste modo único: Lizzy também tem seu orgulho abalado (lembremo-nos de uma fala sua, quando diz, “eu poderia até perdoar sua vaidade, se ele não tivesse ferido a minha”); por outro lado, o pré-conceito inicial que Darcy tem em relação à família de Lizzy vai aos poucos se materializando, de modo que o “orgulho” e o “preconceito” do título não ocupam posições estáveis, mas ambíguas. Na verdade, estabilidade é uma palavra que não combina com Jane Austen. Embora suas narrativas sejam “limitadas” a um universo principalmente feminino e doméstico, e suas temáticas focalizem a importância do casamento como único meio de sobrevivência e estabilidade para a mulher, a questão é tratada de forma tensa, a ponto de fazer com que Lizzy recuse a proposta de casamento de Mr. Collins e a primeira proposta de Darcy, algo até certo ponto inconcebível, quando pensamos na realidade de penúria que a espera. Ou seja, ao mesmo tempo em que a narrativa revela a centralidade do casamento e a importância de uma vida familiar estável naquele tipo de sociedade, ela também mostra representações variadas de casamento, além de sugerir que algo maior – além da conveniência e sobrevivência material – deve fundamentar a escolha e a decisão, ao menos, dos pares centrais.Orgulho e Preconceito já foi adaptado anteriormente, inclusive mais de uma vez. Como filme, há uma versão de 1940. Como série da BBC/A&E, foi adaptado em 1979 e em 1995 (esta, embora série, foi filmada em película). Esta mais recente adaptação (2005; dir. Joe Wright, com roteiro de Deborah Moggach) traz uma diferença bastante significativa em relação às outras adaptações de Austen: uma ênfase maior na visualidade do meio rural (animais e trabalhadores rurais são mostrados), com o propósito de não apenas situar a história no countryside inglês pré-industrial, mas de indiciar esse meio como contexto comercial e econômico daquele grupo social.No início do filme, acompanhamos Elizabeth (que caminha com um livro na mão) pelos arredores da casa, e depois pelo seu interior. À medida que nos familiarizamos com sua casa e sua família, já nos damos conta da cumplicidade existente entre ela e Jane, de um lado, e entre ela e o pai, de outro. Esta cumplicidade é relevante para traçar limites entre duas formas de se relacionar com o mundo: uma altamente pragmática, que visa uma sobrevivência imediata (representada principalmente pela mãe e pelas filhas mais novas); outra mais racional e equilibrada, porque também fundamentada na sensibilidade.A cumplicidade entre essas duas irmãs mais velhas será dramatizada no decorrer do filme, como, por exemplo, numa cena no quarto, mais especificamente na cama, antes de dormirem, em que apenas seus rostos ficam à mostra, e elas conversam como confidentes e grandes companheiras. Essa amizade de irmãs, neste filme, se coaduna com o tratamento da questão não só em Razão e Sensibilidade (uma narrativa essencialmente de irmãs), mas também na adaptação de Mansfield Park (com o título, no Brasil, de Palácio das Ilusões).

Ao contrário de outras adaptações de Austen, em Orgulho e Preconceito as músicas e as danças são festivas e alegres, algo que se alinha com certa leveza da narrativa (em oposição, por exemplo, às narrativas de Razão e Sensibilidade, Persuasão ou Palácio das Ilusões). O ritmo da música (e, conseqüentemente, da dança), no entanto, muda quando Lizzy e Darcy dançam. O contraste com as danças anteriores fica explícito. O ritmo mais lento possibilita que conversem; a câmera se demora nos dois, já que precisam ser revelados (não só um ao outro, mas ao espectador). Por um momento, inclusive, cria-se a ilusão de que apenas os dois rodopiam no salão, o que mostra a função da dança como ritual erótico.De modo geral, ainda que em determinados momentos haja exagero (Mr. Collins, por exemplo, soa caricatural), o filme consegue refletir temáticas relevantes da narrativa de Austen; consegue, ainda, em determinadas cenas, uma tonalidade de humor e ironia característica da autora.

No entanto, na tentativa de atrair um público ávido por histórias de amor (e a narrativa romântica é mais facilmente adaptável – ou transferível para a tela – que a crítica social, principalmente quando consideramos o estilo altamente irônico de Austen), esta adaptação também acaba por se definir como “hollywoodiana”, principalmente no tratamento que dá à relação entre Lizzy e Darcy.Para ilustrar a ênfase na relação romântica, tomemos como exemplo as duas cenas em que Darcy se declara a Lizzy. Em Austen, é comum o narrador fazer uso de narração sumária, ou do discurso indireto, exatamente como estratégias para a criação de um distanciamento, para a quebra ou diluição da emoção, em momentos de grande densidade dramática. É o caso no que diz respeito ao desenvolvimento gradual da relação afetiva entre Lizzy e Darcy. Mas não só isso. No romance, na primeira vez em que Darcy declara seu amor a Lizzy, eles estão dentro de casa. No filme, como era de se esperar, há não só a dramatização do diálogo (“showing” em vez de “telling”) e o deslocamento espacial, na medida em que a cena acontece ao ar livre, mas também a utilização de um contexto de trovões e chuva forte, além de uma música que adensa a carga (melo)dramática da situação, o que acaba culminando num imenso clichê romântico.A segunda cena, quando os mal-entendidos entre eles já foram esclarecidos, e Darcy novamente renova seu sentimento por Lizzy, também chama a atenção em termos de construção visual. Aqui, como no romance, o encontro se dá ao ar livre. No entanto, diferentemente do romance, o encontro entre eles se dá de madrugada, algo impensável para aquele contexto pré-vitoriano, principalmente quando consideramos os personagens envolvidos (protagonistas, e, portanto, guiados por certas regras de conduta e racionalidade). É claro que, mais uma vez, a utilização desse espaço acentua a carga dramática (tornando-a romântica) da situação e cria um deslocamento em relação ao contexto de Austen.

A fotografia nesta cena – marcadamente escura, nebulosa, uma escuridão inclusive acentuada pelas vestimentas escuras de ambos – acaba por remeter a um contexto posterior, vitoriano, sendo bem mais adequada aos arroubos e romantismo das irmãs Brontës, por exemplo, que a contenção de Austen. Esses recortes servem para mostrar a escolha ideológica por trás da adaptação. Se, como diz Dudley Andrew, “adaptação é apropriação de significado de um texto anterior” (e um texto pode ter significados variados, ficando a critério do cineasta e roteirista dar maior visibilidade a um ou a outro), fica evidente que a escolha empreendida, neste caso, tentou conciliar a crítica social de Austen à história pessoal de Lizzy e Darcy; porém, ao romantizar (principalmente em termos visuais) a narrativa privada, o filme perdeu a chance de, por exemplo, aprofundar as relações inseparáveis entre o público e o privado em Austen. No entanto, talvez como certo consolo, o final do filme acaba por resgatar, mais uma vez, a tonalidade contida de Austen, através da ausência do beijo e da conclusão do filme sem a cena do(s) casamento(s). De modo que talvez a melhor definição para esta adaptação seja “Hollywood sem beijo”.
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* A prof. Dra. Genilda Azerêdo é professora do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas da Universidade Federal da Paraíba, onde atua nos cursos de Graduação e Pós-Graduação em Letras. É mestre em Literatura Anglo Americana (Dissertação sobre Virginia Wolf) e Doutroa em Literaturas de Língua Inglesa (com tese sobre as relações entre literatura e cinema, especificamente as adaptações de Obras de Jane Auten).

** Este artigo foi gentilmente cedido pela amiga Genilda Azerêdo, tendo sido publicado inicialmente em revista acadêmica e no blog Correio das Artes. Originalmente, o artigo não possui as imagens acima, sendo de minha responsabilidade adição das mesmas.
*** Posteriormente publicarei mais sobre as pesquisas e trabalho de Genilda Azerêdo, aguardem!

Nova Coleção da Cambridge

A Editora Cambridge lançará agora no início do ano uma nova coleção de livros de capa dura da Jane Austen: The Cambridge Edition of the Works of Jane Austen 9 volume HB set.
Serão 9 livros com comentários dos mais respeitados acadêmicos como Peter Sabor, Barbara Benedict, Dorothy McMillan, Jane Todd, Linda Bree, Richard Cronin e John Wiltshire.
Esta versão moderna, composta por 9 volumes: os seis livros publicados (Sense and Sensibility, Pride and Prejudice, Mansfield Park, Emma, Northanger Abbey and Persuasion), acompanhados de por dois manuscritos de Jane, escritos em sua adolescência. Cada livro é editado por renomados estudiosos de Austen e inclui informações a respeito das circunstâncias de criação e publicação dos trabalhos, assim como as críticas recebidas na época, além de notas textuais e explicativas. O conjunto de livros oferece também artigos sobre a vida, trabalho e sobre a época de Jane.

Conteúdo

– Juvenília editado por Peter Sabor;

– Northanger Abbey editado por Barbara Benedict and Deirdre Le Faye;

– Sense and Sensibility editado por Edward Copeland;
– Pride and Prejudice editado por John Wiltshire;
– Emma editado por Richard Cronin and Dorothy McMillan;

– Persuasion editado por Janet Todd and Antje Blank;

– Manuscritos editados por Janet Todd and Linda Bree;

– Jane Austen em contexto editado por Janet Todd.

Após todas essas novidades … infelizmente tenho que lhes dizer que os livros apesar não lançados oficialmente, no site da Cambridge está por 800,00 dólares ou 475,00 libras (já com desconto no site da amazon.uk). A previsão de lançamento segundo o site da amazon.uk é para 31 de janeiro.

Não coloquei a capa aqui neste post porque a capa que está no site é a antiga.

Falando de Cambridge, aproveito o post para agradecer ao meu amigo Marcelo – representante da Cambridge em Minas Gerais pela linda agenda (com citações diárias no rodapé).

And so this is Christmas

Blackmore`s night – We wish you a merry christmas
http://www.mp3tube.net/play.swf?id=29475d5f0949cda7feca337cb616949b

O Natal só foi proclamado feriando nacional na Inglaterra após 1834 – dezessete anos depois da morte de Jane. Porém, durante a vida de Jane já havia uma observância da data e as pessoas costumavam saudar umas às outras com desejos alegres e afetuosos, repletos de rituais, supertições e idas à Igreja. No entanto, o natal celebrado por Jane e seus contemporâneos em nada se parece com o que vivemos: correria e tumulto em lojas, pois na época não havia o apelo comercial para a data.

(Texto traduzido e modificado após minha leitura no site: Jane Austen no Reino Unido)

Eu fiz uma busca em 6 livros da Jane e encontrei em todos citações sobre a data:

“… This is quite the season indeed for friendly meetings. At Christmas every body invites their friends about them, and people think little of even the worst weather. I was snowed up at a friend’s house once for a week. Nothing could be pleasanter. I went for only one night, and could not get away till that very day se’nnight.” Chapter XIII – EMMA

“A verdade é que esta é a estação do ano mais adequada para as reuniões amistosas. No Natal todo mundo convida a seus amigos e a gente não se preocupa muito com o tempo, embora seja muito frio. Estava nevando e fiquei sitiado na casa de um amigo por uma semana. Nada poderia ser mais agradável. Eu fui para permanecer por uma noite, e não pude sair por sete dias seguidos.”
“… Luckily the visit happened in the Christmas holidays, when she could directly look for comfort to her cousin Edmund; and he told her such charming things of what William was to do, and be hereafter, in consequence of his profession, as made her gradually admit that the separation might have some use. Edmund’s friendship never failed her…” Chapter II – MANSFIELD PARK
“… Felizmente isto se deu justamente nas férias de Natal, de forma que Fanny pôde encontrar consolo junto ao primo Edmund; e ele lhe falou com tanta simpatia de William, das coisas formidáveis que ele iria fazer em razão da profissão que abraçara, que finalmente ela se convenceu de que a separação só poderia lhe ser útil. A amizade de Edmund por ela foi sempre sincera…”

“… The very first day that Morland came to us last Christmas–the very first momentI beheld him–my heart was irrecoverably gone…” Chapter XV – Northanger Abbey

No Natal passado, no dia em que o Morland veio à nossa casa, assim que o vi, o meu coração ficou irremediàvelmente perdido de amor.
“… They had left Louisa beginning to sit up; but her head, though clear, was exceedingly weak, and her nerves susceptible to the highest extreme of tenderness; and though she might be pronounced to be altogether doing very well, it was still impossible to say when she might be able to bear the removal home; and her father and mother, who must return in time to receive their younger children for the Christmas holidays, had hardly a hope of being allowed to bring her with them…” Chapter XIV – PERSUASION
Quando vieram embora, Louisa já se sentava, mas a sua cabeça, embora lúcida, estava extremamente fraca, e os seus nervos demasiado sensíveis; e, embora se pudesse dizer que, de um modo geral, a recuperação decorria muito bem, ainda era impossível dizer quando estaria em condições de suportar a viagem de regresso a casa; e o pai e mãe, que tinham de voltar a tempo de receber os filhos mais novos para as férias de Natal, acalentavam poucas esperanças de a trazerem com eles.
“… I sincerely hope your Christmas in Hertfordshire may abound in the gaieties which that season generally brings, and that your beaux will be so numerous as to prevent your feeling the loss of the three of whom we shall deprive you …” Chapter XXI – Pride and Prejudice
Desejo-lhe sinceramente que o Natal em Hertfordshire seja cheio de alegrias próprias que esta estação geralmente traz, e que não lhe faltem admiradores, para que não sinta a ausência dos três que lhe privamos.
“… I remember last Christmas at a little hop at the park, he danced from eight o’clock till four, without once sitting down …” Chapter IX – Sense and Sensibility
Lembro-me de que no Natal passado, em ocasião de um pequeno baile no parque, ele dançou das oito horas da noite até as quatro da manhã, sem sentar-se nem uma vez sequer.
Como eu não poderia deixar de registrar aqui:
Muito obrigada à todos os leitores e visitantes deste blog! Feliz Natal e plenas realizações em 2009!!
E como eu não terminar esse post sem uma brincadeira, segue abaixo o meu desejo de natal:

Personagens – Jane Austen para crianças – Parte 2

Dando continuidade aos dois últimos posts, hoje eu publico os personagens de Mansfield Park.

Sinopse:

Na tenra idade de 10 anos, Fanny Price se muda de sua humilde casa para viver com os primos ricos em Mansfield Park. Viver com essa família orgulhosa é só o primeiro de muitos desafios que ela terá que enfrentar. Será que Fanny, sem estudos e experiência, conseguirá respeito e amor? Ou a rancorosa Mrs Norris colocará todos contra Fanny? Quando jogos, bailes e propostas de casamento mudam a opinião de Fanny. Ela será forte o bastante para fazer o que é certo? Quando ciúmes, dever e galanteios desafiam o coração de Fanny. Ela conseguirá encontrar o verdadeiro amor?

Fanny Price é uma convidada solitária e assustada na casa de seu tio. Será que ela é fraca ou conseguirá demonstrar uma surpreendente força interior?

Edmund Bertram é o primo mais afetuoso de Fanny. Será que ele conseguirá fazê-la feliz? Ou ele destruirá a felicidade de Fanny para sempre?

Julia e Maria Bertram são as lindas e orgulhosas filhas de Sir Thomas. Será que elas conseguirão honrar ou envergonhar a si próprias e sua família?

Mrs. Norris é a amarga tia de Fanny e está determinada a colocar Fanny em seu devido lugar. Qual será o dano que ela causará interferindo na vida dos outros?

Sir Thomas Bertram é rico, orgulho e bastante assustador. Embora ame seus filhos, será que ele realmente os conhece?

Henry Crawford é um terrível paquerador e possui um coração perigosamente gelado. Quem ele partirá o coração? Com certeza não será o dele.

Mary Crawford é bonita, alegre e determinada a se casar bem. O quanto será que ela poderá enganar Edmund? Será que ela exercerá forte influência sobre ele?