Sanditon, novo podcast

Sabe a nova minissérie de Sanditon, exibida no canal ITV? Pois é, já vimos os primeiros dois episódios e resolvemos conversar sobre o que achamos da adaptação até agora. E a conversa rendeu… Mais de uma hora de episódio, mas garantimos que o papo tá bem legal!
Participação de Moira Bianchi (escritora e autora do blog Moira Bianchi), Valéria Fernandes (historiadora e autora do blog Shoujo Café), Adriana Sales (pesquisadora e fundadora da Jane Austen Sociedade do Brasil – JASBRA) e Thaís Brito (jornalista e autora do blog Fantástico Mundo de Jane Austen).

Quer mandar um oi pra gente? Estamos no instagram: @cafecomjaneausten. Também no e-mail cafecomjaneausten@gmail.com.

Trilha sonora: Advent Chamber Orchestra – Handel – Entrance to the Queen of Sheba for Two Oboes Strings and Continuo Allegro (Disponível em freemusicarchive.org)

*** Links dos conteúdos comentados na discussão ***
Minissérie – Sanditon (2019): https://imdb.to/2lHSzSw
Post – Um Resumo de Sanditon: https://bit.ly/2k2WqsY
Post – Sanditon, um resumo de capítulos: https://bit.ly/2lHSw9i
Post – Sanditon, os personagens da minissérie: https://bit.ly/2kxioEN

*** Algumas outras produções do roteirista Andrew Davies ***
Minissérie – Orgulho e Preconceito (1995): https://imdb.to/2kyaVoY
Minissérie – Filhas e Esposas (1999): https://imdb.to/2lJO1en
Minissérie – Daniel Deronda (2002): https://imdb.to/2lD7FsA
Minissérie – Razão e Sensibilidade (2008): https://imdb.to/2k0ADSG

*** Nossas dicas ***
Revista (em inglês) – Persuasions Online #38, Número 2 – Edição especial sobre Sanditon: https://bit.ly/2kA5ANN
Artigo (em inglês) – Is Sidney Parker the Intended Hero of Sanditon?, de David Bell: https://bit.ly/2k8tb8g
Livro – Nove Vezes Orgulho e Preconceito, de Moira Bianchi: https://bit.ly/32zbrEe
Mangá – Rosa de Versalhes vol. 1, de Riyoko Ikeda: https://amzn.to/2m4fRlY
Futura adaptação (estreia em 17/setembro) – Websérie Rational Creatures (Persuasão): https://bit.ly/2svxiyK
Futura adaptação (sem data definida) – Filme The Janeites, baseado no poema de Rudyard Kipling: https://bit.ly/2kAqI6L

**** Onde nos encontrar ****
Grupo no Facebook – Jane Austen Society of Brazil: https://bit.ly/2kArhgT
Jane Austen Brasil
Blog: janeaustenbrasil.com.br
Instagram: @janeaustenbrasil
Moira Bianchi
Blog: www.moirabianchi.com
Instagram: @moirabianchi
Fantástico Mundo de Jane Austen
Tumblr: mundojaneausten.tumblr.com
Instagram: @mundojaneausten
Shoujo Café
Blog: www.shoujo-cafe.com
Instagram: @shoujofan

The Janeites – o filme

The acordo com o site IndieGoGo

Uma adaptação da história “The Janeites” escrita por Rudyard Kipling. O filme está em desenvolvimento há dois e ainda não há data de lançamento!

Quando eu souber mais informações divulgarei aqui para vocês!

Se desejarem conhecer o conto de Rudyard Kipling “The Janeites

O conto foi publicado em 1924 e está disponível aqui. E uma publicação da Jane Austen Society com explicações mais completas podem ser lidas aqui.

Sanditon – resumo

Prezados leitores,

A Moira Bianchi decidiu fazer um resumo de Sanditon – romance inacabado de Jane Austen – e tenho o prazer de compartilhar com vocês. O livro já tem traduções aqui no Brasil, porém, a iniciativa da Moira é dar um help aos leitores que ainda não conhecem a obra e querem acompanhar nossas discussões no grupo do Facebook e assistirem à série da ITV.

Para baixar o arquivo em pdf clique aqui.

Sanditon: sexo, nudez e escravidão em seriado de TV baseado em Jane Austen

Post original do blog Shoujo Café

A BBC publicou uma matéria com esse título que dei ao post sobre o seriado baseado em Sanditon, obra inacabada de Jane Austen, que está para estrear no canal ITV.  O centro do artigo é Andrew Davies, que assina o roteiro da série.  Para quem não sabe, ou lembra quem é Davies, ele assinou a adaptação de Orgulho & Preconceito de 1995, que quebrou a internet na época quando Mr. Darcy, interpretado por Colin Firth, mergulhou no lago e desfilou com sua camisa molhada.  Não foi a única cena de fanservice de Darcy/Firth em O&P 1995, mas é a que o pessoal sempre cita.

A mocinha que deveria estar de 
cabelo preso, mas não está… Mau sinal.

Pois bem, ao que parece Davies decidiu colocar pimenta em Sanditon.  Provavelmente, ele e a BBC foram meio sensacionalistas na matéria para chamar atenção para a série que está para estrear.  Pois bem, Davies disse que  “Eu tento agradar a mim mesmo quando escrevo estas coisas, sexualizar isso vem naturalmente. Se não estiver lá, eu acho que vamos colocar algumas [cenas de sexo?], eu gosto de escrever e eu gosto de assistir.”  Sei lá, parece que ele está falando de pornografia, não é mesmo?

Andrew Davies ficou um velhinho sinistro.

Segundo a matéria, teremos três personagens masculinas tomando banho nuas na praia e a protagonista, Charlotte (Rose Williams), irá encontrar um casal transando na floresta.  Há, também, Miss Lambe (Crystal Clarke), uma herdeira vinda das Índias Ocidentais cuja mãe era uma escrava.  Imagino que através dela se discutirá o tema da escravidão. No original, Miss Lambe era mestiça, não é invenção da série, só imaginei que iriam colocar uma atriz com a pele mais clara para ressaltar esse fato e, não, inegavelmente negra.  E não estou reclamando, preciso ver o resultado.

Miss Lambe será indiscutivelmente negra.

Davies prossegue falando que a produção é um trabalho de equipe e outros participantes da produção comentam sobre ousadia, desejo, luxúria e que as pessoas de outras épocas não eram muito diferentes de nós.  Sobre a nudez masculina na série, temos o seguinte: “Por muito tempo, foi normal que as mulheres expusessem seus corpos e isso é algo para o qual estamos acostumados culturalmente. Então, para que haja uma discussão agora… a mudança é necessária. É interessante que o foco esteja nos homens se despindo quando as mulheres fizeram isso por tanto tempo”, disse Rose Williams aos repórteres (*usei a matéria do The Telegraph que tinha a fala completa*).  Não vejo nada de positivo em mudar o foco da objetificação, não vejo mesmo.  “Há mais nudez masculina nos dias de hoje porque a nudez feminina pode ser uma área contenciosa”, admite Davies.  Imagino que a série seja inócua, mas não fosse minha experiência com esse tipo de produção, eu ficaria com medo.  Espero que realmente tenhamos as coisas em medidas certas.

A onda agora é tirar a roupa dos mocinhos?  
Eu curto, mas tem que ter um contexto, OK?

Quando Jane Austen faleceu, em 1817, ela estava escrevendo Sanditon, que só contou com 12 capítulos.  Tudo o que vier depois disso, é invenção da produção.  Houve gente que decidiu concluir o livro, a versão mais famosa é a de Marie Dobbs, sob o pseudônimo de “Another Lady”, publicada em 1975.  Andrew Davis tem muita experiência, além de Orgulho & Preconceito, ele tem no currículo  Middlemarch (1994), Vanity Fair (1998), Wives and Daughters (1999), The Way We Live Now (2001), Daniel Deronda (2002), Tipping the Velvet (2002), Sense and Sensibility (2008) etc.   Não estou criticando sexo ou sensualidade em filmes e seriados, não estou dizendo que “Jane Austen está se revirando no túmulo” e nada do gênero.  Estou mais acreditando que se trata de uma abordagem sensacionalista mesmo.  Aliás, o The Guardian reproduz as mesmas falas, também.

Jane Austen por Tempero Drag

A Rita do canal Tempero Drag, além de ser engrassadíssima, acabou publicando vídeos sobre mulheres importantes em várias áreas do conhecimento, incluindo nossa querida Austen! Parabéns pela iniciativa Tempero Drag!!!

Primeiras cenas de Sanditon – romance inacabado de Jane Austen

A Masterpiece/PBS acaba de divulgar as primeiras cenas de Sanditon (romance inacabado), escrito por Jane Austen! Estamos todos empolgados por esse lançamento!! Os atores Rose Williams como Charlotte Heywood, Theo James como Sidney Parker and Anne Reid como Lady Denham.

Theo James faz o papel de Sidney, um homem inconstante. Homem já feito, acha que suas responsabilidades para com sua família em Sanditon é apenas um fardo. Porém, quando conhece Charlotte, ele começa a de se descobrir e, finalmente, confiar novamente em si e nos outros.

Rose Williams é Charlotte, uma moça animada com as promessas de aventuras que Sanditon oferece. É também muito entusiasmada com as mudanças prometidas para o século XIX e está pronta para uma nova vida. É uma heroina Austeneana bem moderna!

Anne Reid vai interpretar a Lady Denham, que se elevou socialmente por meio do casamento e esperar ser tratada com muita deferência.

Fonte: Masterpiece/PBS

Jane Austen na UFMG

Vocês querem #janeausten na #ufmg ? Então se organizem! Hoje, dia 21 de maio a partir das 14:00 no auditório Sonia Viegas na LETRAS /UFMG! #janeaustenbrasil #jasbra #janeaustensocietyofbrazil #janeaustensociedadedobrasil #theaustenleague

Chamada para publicações na Revista LiterAusten

Prezados,

está aberta a chamada para publicações na quinta edição da Revista LiterAusten. Vejam as normas abaixo:

Literausten

O tema da quarta edição da LiterAusten é centrado no Universo Austen! 
Qualquer temática que seja relacionada à escritora e suas obras é bem vinda! 

Prazo final: 30 de junho de 2019

Normas para Publicação

1. Número de páginas
Para apresentação do trabalho, que abarcará 15 minutos, sugerimos produzir um texto de, no máximo, 6 páginas. Para a publicação na revista, o tamanho máximo é de até 15 páginas (com referências).

2. Apresentação
Papel tamanho A4 (21 cm X 29,7 cm), com margens superior e esquerda de 3 cm e direita e inferior de 2 cm. A fonte deverá ser TIMES, tamanho 12, espaçamento 1,5, parágrafo justificado com recuo de 1,5 cm e entrelinha 1,5. O arquivo não pode ter marcas de formatação (estilo, tabulações) nem numeração de páginas. Para citações: fonte TIMES, tamanho 10, espaçamento SIMPLES entrelinhas.

3. Estrutura
Título do artigo: em maiúsculas e em negrito, centralizado no alto da primeira página, em espaçamento 1,5 entrelinhas, tamanho 14.
Nome do autor: por extenso, 1 linha abaixo do título, alinhado à direita, com mesmo tamanho e fonte do texto e com asterisco para a nota de rodapé onde deverá ser inserido o mini-currículo.
Mini-currículo: em nota de rodapé, puxada do sobrenome do autor, na qual constem titulação, instituição de origem, cidade e estado e o endereço eletrônico do autor.
Corpo do texto: duas linhas abaixo do nome do autor, entrelinhas 1,5, fonte tamanho 12, justificado, adentramento de 1,5. Subtítulos devem ser alinhados à margem esquerda.
Notas: devem ser colocadas ao pé da página e numeradas sequencialmente.

4. Citações
Devem seguir a NBR 10520 da ABNT (disponível aqui) no sistema AUTOR-DATA.

    Em citações textuais, o autor deve ser citado entre parênteses, exclusivamente pelo sobrenome, separado por vírgula da data de publicação: (SOUZA, 2006). As citações de obras de um mesmo autor, publicadas no mesmo ano, devem vir discriminadas por letras minúsculas após a data, sem espaço: (GIVÓN, 2002a, 2002b). Se o autor estiver citado no texto, apenas a data virá entre parênteses: Souza (2006) admite mais de uma forma…
Obras com até três autores, todos devem ter seus sobrenomes indicados, separados por ponto-e-vírgula (MARTELLOTA; FURTADO; MEDIANEIRA, 2003). Se houver mais de três, indica-se o primeiro sobrenome, seguido de et. al. (MATEUS et al., 1985).
Em citações diretas, a(s) página(s) deverá(ão) seguir a data, após a vírgula e a indicação “p.”: (SOUZA, 2006, p.102). Se o trecho corresponder a um intervalo de páginas, separa-se a inicial da final com hífen: (NEVES, 20006, p.102-110).
A citação direta, de até três linhas, deve estar inserida em um parágrafo comum do texto, entre aspas duplas. As aspas simples serão usadas para indicar citação no interior da citação.
A citação direta, com mais de três linhas, deve constituir parágrafo autônomo, justificado, sem aspas, destacado com recuo de 4 cm da margem esquerda, em fonte TIMES, normal (NÃO UTILIZA-SE ITÁLICO), tamanho 10, espaço simples. Destaques em citações devem ser feitos em itálico e, após o número de página da referência, deve-se usar a expressão [grifo nosso] entre colchetes.
As citações em línguas estrangeiras devem ser traduzidas no corpo do texto com remissão à nota de rodapé em que será transcrito o trecho original. Não há necessidade de indicar que a autoria da tradução é do(s) autor(es) do artigo.

5. Referências
Alinhadas à esquerda, SEM JUSTIFICAÇÃO, sem recuo de parágrafo. Deverão ser organizadas a partir dos sobrenomes dos autores (dispostos em ordem alfabética) e, no caso de um mesmo autor, na sequência cronológica de publicação dos trabalhos citados, duas linhas após o texto ou os agradecimentos. As referências a obras traduzidas devem trazer a indicação dos créditos de tradução. O destaque do título deve ser feito em NEGRITO. As referências devem seguir rigorosamente as normas da ABNT, NBR 6023 (disponível aqui).

E-mail para envio do artigo: adrianajasbra@gmail.com


ATENÇÃO:  
NOS RESERVAMOS O DIREITO DE NÃO PUBLICAR OS TEXTOS QUE NÃO SEGUIREM
AS NORMAS AQUI EXPLICITADAS.

A fé de Jane Austen

O post abaixo foi publicado no site Voltemos ao Evangelho.

O trecho abaixo foi retirado com permissão do livro 8 Mulheres de Fé, de Michael Haykin, Editora Fiel.

Jane “demonstra uma reserva anglicana quanto às afeições religiosas”, e é muito interessada no cristianismo como formador da moral. Assim, não causa surpresa o fato de que Jane não fosse protestante. De fato, em 1809, Jane foi bem clara, ao se referir a um romance de Hannah More, dizendo à sua irmã, Cassandra: “Não gosto dos protestantes”. Em 1814, porém, sua atitude mudou. Conforme ela disse à sobrinha Fanny Knight (1793–1882): “Não estou, de modo algum, convencida de que não devêssemos ser todos protestantes. Estou certa de que aqueles que o são, de mente e sentimento, devem sentir-se mais felizes e seguros”. Observa-se que seu romance Mansfield Park, concluído não muito tempo depois desse comentário a Fanny Knight, revela clara “simpatia pelo protestantismo”. Essa simpatia estava especialmente centrada na crença que Jane e os evangélicos tinham em comum: “Os cristãos devem estar de pé e trabalhando no mundo”. Por exemplo, Mansfield Park aborda um tema caro ao coração de muitos evangélicos no final do século XVIII: a abolição do comércio de escravos. Jane pôde, assim, escrever, no outono de 1814, em uma carta enviada a uma amiga, Martha Lloyd (1765–1843), que a sua esperança nos estágios finais da Guerra de 1812 era: “Se seremos arruinados, isso não pode ser evitado, mas deposito minha esperança de coisas melhores em um pedido de proteção do céu, como uma nação religiosa, uma nação que, apesar de tanto mal, avança na religião, o que não posso acreditar que os americanos tenham”. É claro que os protestantes haviam figurado, com bastante proeminência, na onda de avivamento religioso que varreu a Grã-Bretanha cerca de vinte anos antes, um avivamento que havia assistido à vitória evangélica na abolição do comércio de escravos. Uma posição de vantagem para observar a fé de Jane é analisar uma das três orações que foram atribuídas a ela e que provavelmente datam de sua vida após a morte do pai dela, em 1805, embora existam dúvidas acerca da autenticidade de duas delas. A terceira segue como veremos e realmente parece ter sido escrita por Jane:

Dê-nos graça, poderoso Pai, tanto de orarmos como de merecermos ser ouvidos; de nos dirigirmos a ti com nossos corações e também com nossos lábios. Tu estás presente em todo lugar, de ti nenhum segredo pode ser escondido. Que o conhecimento disso nos ensine a fixar nossos pensamentos em ti, com reverência e a devoção de que não oramos em vão.

Olhe com misericórdia para os pecados que cometemos nesses dias e, com misericórdia, faça-nos senti-los, para que nosso arrependimento seja sincero, e nossas resoluções firmes de nos empenhar em não cometê-los no futuro. Ensina-nos a entender a pecaminosidade de nosso próprio coração, e trazer ao teu conhecimento cada falha de temperamento e cada mau hábito no qual temos incidido em prejuízo de nossos companheiros e no perigo de nossas próprias almas. Que possamos agora, e em cada noite, considerar como passamos o dia, quais têm sido nossos pensamentos, palavras e ações predominantes e até que ponto podemos nos inocentar do mal. Pensamos em ti de maneira irreverente, desobedecemos a teus mandamentos, negligenciamos alguma obrigação conhecida ou causamos dor a qualquer ser humano por vontade própria? Inclina-nos a fazer essas perguntas ao nosso coração, ó, Deus, e livra-nos de enganar a nós mesmos pelo poder ou a vaidade.

Dê-nos um senso de gratidão pelas bênçãos em que vivemos, dos muitos consolos de tua parte; que não mereçamos perdê-las por descontentamento ou indiferença.

Seja gracioso com nossas necessidades e nos guarde, e também a tudo que amamos, do mal nesta noite. Que os doentes e aflitos sejam, agora e sempre, cuidados por ti; e, de coração, oramos pela segurança de todo aquele que viaja pela terra ou pelo mar, para o conforto e a proteção do órfão e da viúva, e que tua piedade seja mostrada sobre todos os cativos e prisioneiros. Acima de todas as outras bênçãos, ó, Deus, por nós mesmos e por nossos irmãos, imploramos a ti que acelere nosso senso de tua misericórdia na redenção do mundo, do valor daquela santa religião na qual fomos criados, e que nós, por nossa própria negligência, não joguemos fora a salvação que nos tem dado, nem sejamos cristãos apenas no nome. Ouça-nos, Deus poderoso, pelo nome daquele que nos redimiu, e ensina-nos assim a orar:

Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal.

Pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém.

A linguagem dessa oração é claramente retirada do Livro Comum de Orações, que era tão familiar a Jane. É expressa na primeira pessoa do plural e não se trata de arte literária; é uma oração simples, sem adorno, a Deus, para ser feita por um grupo de crentes em um contexto familiar, provavelmente o próprio círculo familiar de Jane. Nessa oração, ela está profundamente preocupada em não machucar o próximo, tema comum em seus romances. Como Irene Collins afirma, “os personagens de Jane que experimentam a verdadeira felicidade são aqueles que pensam nos outros”. Emma Woodhouse comenta sobre o personagem do sr. Weston em Emma: “Benevolência geral, e não amizade geral, torna um homem o que ele deve ser”. No mesmo romance, é a preocupação do sr. Knightley com o pai de Emma e a senhorita Bates que se ergue como modelo de Jane para o verdadeiro comportamento cristão.

A nota da sinceridade de coração também corre ao longo da oração: “Dê-nos graça, Pai poderoso, para nos aproximar de ti com nossos corações”, e ela ora por “misericórdia”, para que possa “sentir” seus pecados “profundamente” e que seu “arrependimento seja sincero”. Um comentário escrito por Jane em 1814 na parte de trás de um dos sermões de seu irmão James e que recentemente veio a lume sugere que a sinceridade religiosa era intensamente valorizada por Jane: “Os homens podem adquirir o hábito de repetir as palavras de nossas orações mecanicamente, talvez sem entendê-las por completo – certamente sem sentir, em plenitude, sua força e seu significado”. E, ligado a esse desejo por sinceridade, está o desejo por autoconhecimento, a libertação do autoengano.

Somente no final da oração, porém, é que ouvimos uma nota e um tom especificamente cristãos, pois Jane pede a Deus que ela possa continuar a valorizar a salvação e “aquela santa religião na qual [ela havia] sido criada”, um clamor que é feito especificamente “em nome daquele que nos redimiu”. E, com um fervor que se iguala ao de qualquer evangélico, Jane pede a Deus que “acelere nosso senso de tua misericórdia na redenção do mundo”. Como Bruce Stovel observa, esses sentimentos nos dizem que “Jane Austen tinha uma fé [cristã] religiosa profunda e sincera”. E esses são sentimentos que foram endossados de coração por todas as mulheres que vimos nesta obra.

Por: Michael Haykin. © Editora Fiel. Website: editorafiel.com.br. Trecho retirado com permissão do livro: 8 Mulheres de Fé.

Original: A fé de Jane Austen. © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados.

Clássicos de Jane Austen na UFRN

O curso de Biblioteconomia do Centro de Ciências Sociais Aplicadas  (CCSA), da UFRN, executará o projeto de extensão Clube da Leitura para estudos e discussão sobre os clássicos de Jane Austen, a partir desta terça-feira (30), das 18h30 às 20h, na sala B2 do Setor de Aulas I, Campus Central da Universidade.

Aberto ao público, a participação no clube é gratuita, e as inscrições podem ser realizadas pelo SIGAA ou diretamente no local. A primeira reunião terá a presença da escritora Ana Claudia Trigueiro que falará sobre literatura inglesa. Em seguida será realizada uma roda de conversa sobre a experiência individual de cada leitor com as produções de Jane Austen com foco inicial na obra “Orgulho e Preconceito”.

Os encontros acontecerão todos os meses se estendendo até o dia 18 de novembro buscando se adaptar aos formatos e necessidades dos participantes, sendo flexível tanto em formato quando em datas, podendo ser adaptados às necessidades do grupo ao longo dos meses.

Confira abaixo o calendário completo dos encontros:
30 de Abril de 2019: Discussão sobre Orgulho e Preconceito;
29 de Maio de 2019: Discussão sobre Razão e Sensibilidade;
25 de Junho de 2019: Discussão sobre Mansfield Park;
27 de agosto de 2019: Discussão sobre Emma;
30 de setembro de 2019: Discussão sobre Northanger Abbey;
28 de outubro de 2019: Discussão sobre Persuasão;
18 de novembro de 2019: Discussão sobre Lady Susan.

Fonte: CCSA UFRN