Como Jane Austen se tornou uma fonte inesgotável de adaptações no cinema e na TV

Olhar mordaz sobre as relações humanas continua a atravessar gerações
Por Kelly Miyashiro e Adriana Sales

A inglesa Jane Austen tinha 35 anos quando conseguiu, enfim, publicar seu primeiro romance, Razão e Sensibilidade, em 1811. Por ser mulher, não era levada a sério pelos editores da época — quem negoci…

Leia mais em: https://veja.abril.com.br/cultura/como-jane-austen-se-tornou-uma-fonte-inesgotavel-de-adaptacoes-no-cinema-e-na-tv/

Leia mais em: https://veja.abril.com.br/cultura/como-jane-austen-se-tornou-uma-fonte-inesgotavel-de-adaptacoes-no-cinema-e-na-tv/

Por que ver o novo “Razão e Sensibilidade”

Eu tive o prazer de conceder uma entrevista sobre as adaptações de Jane Austen ao jornalista Ticiano Osório (Jornal Zero Hora – RS). O artigo também contou com a entrevista do tradutor e acadêmico Rodrigo Breunig. Publicação 26/10/2026

Quem ama também tem boletos: por que ver o novo “Razão e Sensibilidade”
Filme com Daisy Edgar-Jones que adapta clássico de Jane Austen (1775-1817) entra em cartaz na quinta-feira (29).

Leia entrevista com Adriana Sales e Rodrigo Breunig, especialistas na obra da escritora

Daisy Edgar-Jones estrela “Razão e Sensibilidade” (2026), filme dirigido por Georgia Oakley. Universal Pictures / Divulgação

Jane Austen (1775-1817) deixou ao mundo apenas seis romances, mas sua obra já rendeu mais de 80 adaptações, modernizações ou reinvenções no cinema, na TV e no streaming. A lista inclui filmes indicados ao Oscar, como Razão e Sensibilidade (1995) e Orgulho e Preconceito (2005), a comédia romântica adolescente As Patricinhas de Beverly Hills (1995), que faz uma releitura contemporânea de Emma (1815), e o bizarro Orgulho e Preconceito e Zumbis (2016), além da série Sanditon (2019-2023), baseada em um livro inacabado da autora inglesa.

Nesta quinta-feira (29), estreia nos cinemas brasileiros a mais recente versão de um romance de Austen: Razão e Sensibilidade (Sense and Sensibility, 2026), dirigido pela inglesa Georgia Oakley, a mesma de Blue Jean (2022). Com roteiro de Diana Reid, a trama acompanha a decadência financeira da família Dashwood logo após a morte repentina do patriarca, que deixa toda a herança e as propriedades para o filho do seu primeiro casamento, John (papel de Tom Brooke, o agente Coe do seriado Slow Horses).

Desamparadas, a viúva Sra. Dashwood (encarnada por Caitríona Balfe, protagonista da série Outlander) e suas três filhas são forçadas a abandonar a luxuosa propriedade em Sussex para viver de forma muito modesta em um chalé distante no condado de Devonshire, cedido caridosamente por um parente.

Esmé Creed-Miles interpreta Marianne Dashwood no novo “Razão e Sensibilidade”. Universal Pictures / Divulgação

As três filhas são Elinor, que tem 19 anos no início da história, Marianne, 17, e Margaret, 13. Vista em Fresh (2022), Twisters (2024) e na minissérie Normal People (2020), Daisy Edgar-Jones interpreta a mais velha. Esmé Creed-Miles, que protagonizou a série Hanna (2019-2021), faz a irmã do meio. E Bodhi Rae Breathnach dá vida à caçula.

No contexto descrito por Jane Austen, o casamento não é apenas uma escolha romântica, mas a única salvação financeira para mulheres como Elinor e Marianne, que precisam lidar com as complexidades do cortejo na Inglaterra do início do século 19. A falta de dote e de uma fortuna familiar diminui drasticamente as chances de matrimônio das duas, transformando a busca pelo amor em um desafio de sobrevivência social.

Universal Pictures / Divulgação

O conflito dramático se dá na oposição entre Elinor, que representa a racionalidade, e Marianne, a sensibilidade. A primeira é tão pragmática e prudente que trai seus próprios sentimentos em relação a Edward Ferrars, personagem de George MacKay, de 1917 (2019) e Munique: No Limite da Guerra (2021).

A segunda se entrega completamente às emoções quando conhece Willoughby (papel de Frank Dillane), sujeito visto com maus olhos pelo Coronel Brandon (interpretado por Herbert Nordrum, de A Pior Pessoa do Mundo), que tem afeição genuína pela vivacidade de Marianne.

Novo “Razão e Sensibilidade” prioriza a iluminação natural mesmo nos interiores. Universal Pictures / Divulgação

A diretora Georgia Oakley reconta essa história conhecida com um olhar melancólico que prioriza, na direção de fotografia de Arnaud Potier, a iluminação natural das paisagens e dos interiores. O tom mais realista acentua os aspectos cruéis da jornada empreendida pelas irmãs Dashwood.

Ao mesmo passo, ainda que não faltem diálogos saborosos mesmo quando amargos, a prosa espirituosa e irônica de Jane Austen abre espaço à introspecção, ao sensorial, ao silêncio. Os não ditos pesam mais do que as palavras, e para tanto é fundamental a contenção emocional da atuação de Daisy Edgar-Jones. Não raro, a câmera se dedica a observar as microexpressões do rosto da atriz. A montagem assinada por Izabella Curry permite constituir pequenos quadros em movimento que são emoldurados pela trilha sonora minimalista composta por Roger Goula.

“Cada geração encontra algo diferente em Austen”

Elinor (papel de Daisy Edgar-Jones) e Marianne (Esmé Creed-Miles) em “Razão e Sensibilidade”. Universal Pictures / Divulgação

Para falar com mais propriedade sobre Jane Austen e Razão e Sensibilidade, entrevistei dois especialistas: a mineira Adriana Sales e o gaúcho Rodrigo Breunig.

Doutora em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Adriana especializou-se em Austen pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, e está fazendo pós-doutorado na UFRGS, com foco na recepção das obras da escritora inglesa no Brasil. Traduziu três romances — Mansfield Park, Razão e Sensibilidade e Emma — e é a fundadora da Jane Austen Sociedade do Brasil.

Breunig é mestre em literatura brasileira pela UFRGS e já traduziu para a L&PM sete livros de Jane Austen: Razão e Sentimento (título adotado pela editora), A Abadia de Northanger, Emma, Mansfield Park, Amor e Amizade & Outras Histórias, Lady Susan e os inacabados Os Watson e Sanditon. Também assina a tradução da biografia A Verdadeira Jane Austen, de Paula Byrne, e escreveu O Livro dos Leitores Imaginários, no qual “adapta” — as aspas são dele próprio — um trecho de A Abadia de Northanger para o cinema.

1) Em algum lugar do mundo, tem sempre alguém adaptando Jane Austen para o cinema, a TV ou o streaming. O que explica a permanência da sua obra?

Adriana Sales: Acho que, antes de tudo, Jane Austen continua sendo lida e adaptada porque sabia contar boas histórias e criar personagens com os quais temos alguma afinidade. Embora seus livros tenham sido escritos há mais de 200 anos, ela aborda questões que continuam presentes: o amor, o dinheiro, as relações familiares, as expectativas sociais e a dificuldade de conciliar o que desejamos com aquilo que esperam de nós. Além disso, Austen era uma observadora extraordinária do comportamento humano. Com humor, ironia e muita sensibilidade, ela mostrava as contradições das pessoas e da sociedade em que viviam. Seus romances não falam apenas de casamentos e histórias de amor, mas também das poucas possibilidades de escolha que as mulheres tinham naquela época. Cada geração encontra algo diferente em seus livros. E é isso que torna as adaptações tão interessantes: elas não precisam simplesmente reproduzir o que Austen escreveu, mas podem mostrar como essas histórias conversam com o mundo de hoje. A obra permanece viva justamente porque permite novas leituras, sem perder sua força original.

Rodrigo Breunig: Adoro Jane Austen pela voz inconfundível, pelas frases longas, pelo discernimento da observação do mundo e pela ironia incrivelmente inteligente. Ela permanece porque seus romances são catedrais literárias que pedem releitura. Só não relê quem se contenta em saber quem casou com quem. Claro, existem catedrais literárias que não permanecem como Jane Austen, mas é difícil construir uma catedral engraçada e leve. Acho que o cinema e a TV não se cansam nunca dela por causa do quem-casou-com-quem, dos finais felizes e da engrenagem mágica dos diálogos, que são os melhores da história do romance inglês.

Austen não está dizendo que uma está certa e a outra, errada. Uma das grandes questões do livro é: precisamos escolher entre razão e emoção? Ou precisamos aprender a conviver com as duas coisas?

ADRIANA SALES
Fundadora da Jane Austen Sociedade do Brasil

2) O que Razão e Sensibilidade tem a dizer para nossos tempos e a sociedade de hoje?

Adriana Sales: Bem, creio que muito mais do que pode parecer à primeira vista! O romance acompanha duas irmãs, Elinor e Marianne Dashwood, que lidam de maneiras diferentes com os sentimentos, o amor e as dificuldades da vida. Elinor procura agir com prudência e controlar as emoções; Marianne é mais impulsiva e acredita intensamente naquilo que sente. Mas Austen não está simplesmente dizendo que uma está certa e a outra, errada. Para mim, uma das grandes questões do livro é justamente essa: precisamos escolher entre razão e emoção? Ou precisamos aprender a conviver com as duas coisas? O romance também continua atual porque mostra como o dinheiro e a posição social interferem nas relações pessoais. As mulheres da família Dashwood enfrentam uma situação de vulnerabilidade econômica e têm poucas possibilidades de construir uma vida independente. O casamento, naquele contexto, não era apenas uma questão de amor, já que podia determinar o futuro financeiro e social de uma mulher. Essa dimensão continua interessante para o leitor de hoje, porque nos faz pensar sobre a autonomia feminina, a dependência econômica e as pressões sociais que influenciam nossas escolhas. As circunstâncias mudaram, evidentemente, mas ainda precisamos negociar nossos desejos com as expectativas dos outros. E Austen tem muito a nos dizer sobre isso.

Rodrigo Breunig: Entre outras coisas, Razão e Sensibilidade nos diz que dinheiro não traz felicidade, mas traz conforto, que é mais importante do que felicidade. O primeiro diálogo do livro, no segundo capítulo, é uma longa conversa sobre dinheiro. Digamos que você fosse a filha única de um homem rico: você não podia contar com a herança, que passava ao herdeiro homem mais próximo, por mais distante que fosse. Era casar bem ou passar mal. Nesse universo do livro, os homens em maior ou menor destaque são todos rentistas, e os únicos que trabalham pra ganhar a vida são os criados, que naturalmente ganham mal. E as criadas inglesas ganhavam até cinco vezes menos que os criados. Criadas chegavam a ganhar cinco libras por ano (algo como R$ 300 por mês). No penúltimo capítulo, o dinheiro traz o final feliz: lemos que “nenhum dos dois estava tão apaixonado a ponto de pensar que 350 libras por ano (algo como R$ 20 mil por mês) lhes propiciariam os confortos da vida”.

Razão e Sensibilidade nos diz que dinheiro não traz felicidade, mas traz conforto, que é mais importante do que felicidade.
RODRIGO BREUNIG
Tradutor de sete livros de Jane Austen

3) O que não pode faltar em uma adaptação de Razão e Sensibilidade? E que mudanças ou omissões poderiam ser problemáticas?

Adriana Sales: Espero que a adaptação compreenda a complexidade das personagens e não transforme o romance apenas em uma história de amor com figurinos bonitos e cenários de época. A ambientação é importante, claro, mas não pode ser mais importante do que aquilo que a história tem a dizer. Adaptar Jane Austen não significa apenas conquistar novas gerações que ainda não leram seus livros. É fundamental estabelecer um diálogo entre o texto original, a linguagem da adaptação e o público a que ela se destina, respeitando a obra, mas também encontrando maneiras de torná-la significativa para os espectadores de hoje. Elinor e Marianne precisam ser retratadas como mulheres complexas, com suas contradições, fragilidades e qualidades. Seria um equívoco apresentar Elinor como uma mulher fria, que não sente, e Marianne como alguém que simplesmente não sabe controlar as próprias emoções. As duas têm muito a aprender, e nenhuma delas representa, sozinha, a maneira correta de viver. Também considero importante a crítica social presente no romance, especialmente a relação entre dinheiro, casamento e liberdade de escolha das mulheres. Se esses elementos forem deixados de lado, corremos o risco de transformar uma narrativa que questiona as convenções sociais em uma história que apenas celebra o romance e o final feliz. Isso não significa que uma adaptação precise ser fiel em todos os detalhes. O cinema e a televisão têm suas próprias linguagens, sendo as mudanças quase que inevitáveis e muitas vezes enriquecedoras.

Rodrigo Breunig: Espero alguma infidelidade. Para o meu gosto, as melhores adaptações de grandes obras literárias costumam ser as infiéis. Então acho que só não podem faltar as duas maneiras de amar: uma irmã expõe o peito ao sofrimento, a outra se protege.

Columbia / Divulgação
Emma Thompson e Kate Winslet em “Razão e Sensibilidade” (1995), de Ang Lee. Columbia / Divulgação

4) Qual é a sua adaptação favorita de algum livro de Jane Austen e por quê?

Adriana Sales: Tenho um carinho especial pelo filme Razão e Sensibilidade, de 1995, por ter sido a primeira adaptação de Jane Austen a que assisti. A forma como o diretor Ang Lee e a atriz e roteirista Emma Thompson conseguiram transformar o romance em cinema sem simplificar suas personagens é um diferencial. É uma adaptação que posso rever e continuar descobrindo detalhes sobre as relações familiares, os sentimentos e as convenções sociais que orientam as escolhas das protagonistas. É um filme que consegue equilibrar o respeito ao romance original com escolhas próprias da linguagem cinematográfica. Gosto particularmente da maneira como o filme constrói a relação entre as duas irmãs. Ele não reduz Elinor à razão nem Marianne à emoção, mostra que, por trás das diferenças, existe um vínculo afetivo muito forte. A interpretação de Emma Thompson dá espaço aos sentimentos de Elinor, mesmo quando ela tenta escondê-los, e Kate Winslet transmite a intensidade e o idealismo de Marianne. Outro aspecto interessante é a maneira como o filme apresenta os personagens masculinos. Edward Ferrars (Hugh Grant) e o Coronel Brandon (Alan Rickman) ganham uma sensibilidade que nem sempre é tão evidente no romance. Eles demonstram afeto, insegurança e vulnerabilidade, o que amplia nossa compreensão dessas personagens. Mas também gosto muito da minissérie Razão e Sensibilidade, produzida pela BBC em 2008. Por ter mais tempo para desenvolver a narrativa, ela explora com cuidado as dificuldades enfrentadas pelas irmãs Dashwood, inclusive a precariedade econômica em que passam a viver. Os figurinos e os espaços domésticos ajudam a perceber que a situação financeira da família não é apenas um detalhe da trama: interfere diretamente nas possibilidades de vida das personagens. Acho interessante comparar as duas versões porque elas mostram que uma mesma obra pode gerar interpretações diferentes, sem que uma necessariamente invalide a outra. E não posso deixar de mencionar, Orgulho e Preconceito (2005), dirigido por Joe Wright, com Keira Knightley e Matthew Macfadyen. Mesmo 20 anos após seu lançamento, o filme continua conquistando públicos de diferentes gerações, o que demonstra a força da história e sua capacidade de se renovar aos olhos dos espectadores.

Rodrigo Breunig: Palácio das Ilusões (1999), versão da diretora Patricia Rozema para Mansfield Park. É um filme infiel. Aparece o sangue da escravidão. No romance, a protagonista é frágil, incapaz de levantar a voz, resignada com seu próprio suplício. O crítico Lionel Trilling escreveu certa vez: “Ninguém, creio eu, jamais julgou ser possível gostar da heroína de Mansfield Park”. No filme, é tão impossível não gostar de Fanny Price (papel de Frances O’Connor) quanto é impossível não gostar de Jane Austen.

Quando a experiência feminina atravessa os séculos

No dia 2 de setembro, tive a oportunidade de participar de uma reportagem da CBN Cultura dedicada à chegada ao Brasil de Os Diários de Emma M. Lion, série de romances históricos que acompanha a trajetória de uma jovem mulher na Londres vitoriana do século XIX.

A reportagem parte de uma questão particularmente instigante para os estudos literários: por que narrativas ambientadas em outros períodos históricos continuam despertando tanto interesse entre leitores contemporâneos? A meu ver, uma das respostas está justamente na possibilidade de reconhecer, nessas narrativas, experiências femininas que atravessam diferentes contextos históricos.

Emma M. Lion é apresentada como uma jovem independente, espirituosa e determinada, que precisa enfrentar relações de poder, limitações econômicas e expectativas sociais impostas às mulheres. A série utiliza o diário como forma narrativa e acompanha o cotidiano da personagem em uma sociedade profundamente marcada pelas convenções de gênero. Os dois primeiros volumes chegaram às livrarias brasileiras em setembro de 2026, traduzidos por Beatriz S. S. Cunha.

Minha participação na reportagem está relacionada a uma questão que também atravessa minha trajetória acadêmica: o interesse pelas representações da experiência feminina, pela literatura de autoria feminina e pelos processos de circulação, recepção e atualização de narrativas produzidas em diferentes momentos históricos.

Nesse sentido, Os Diários de Emma M. Lion podem ser compreendidos como parte de um fenômeno cultural mais amplo: o diálogo contemporâneo com a literatura e com o imaginário do século XIX. A Londres vitoriana, os bailes, as convenções sociais, as relações familiares e as restrições impostas às mulheres constituem elementos históricos, mas são reorganizados por uma narrativa contemporânea capaz de estabelecer novas conexões com os leitores atuais.

É justamente essa aproximação entre passado e presente que considero particularmente significativa. Ao representar uma jovem mulher do século XIX para leitores do século XXI, a narrativa não apenas recupera um determinado contexto histórico; ela também permite que questões relacionadas à autonomia, à identidade, à independência econômica e às expectativas sociais sobre as mulheres sejam revisitadas sob uma perspectiva contemporânea.

Essa dinâmica encontra um paralelo importante nos estudos de Jane Austen e de outras escritoras do século XIX. A permanência dessas autoras na cultura contemporânea demonstra que a literatura não permanece estática: ela é continuamente reinterpretada, traduzida, adaptada, publicada em novos formatos e apropriada por diferentes comunidades de leitores.

É nesse processo que a experiência feminina atravessa os séculos.

Para Adriana Sales, doutora em Estudos Linguísticos, pesquisadora e tradutora da obra de Jane Austen, a personagem criada por Beth Brower representa a permanência e as novas interpretações de Austen até os dias atuais.

‘Questões como herança, propriedade, dinheiro e casamento constituem, em Austen, dimensões indissociáveis da experiência feminina, e é justamente nesse aspecto que Emma M. Lion encontra uma importante interlocução. A diferença está menos na existência dessas questões do que na maneira como elas podem ser formuladas em um contexto posterior, como o da Londres de 1883, quando novas possibilidades de representação da autonomia feminina já estavam em circulação. Assim, considero mais adequado compreender Emma não como uma ruptura com Austen, mas como uma atualização de questões que sua obra já havia colocado em cena.’

Participar dessa reportagem da CBN foi, portanto, uma oportunidade de refletir não apenas sobre uma nova publicação, mas sobre a própria permanência da literatura de autoria feminina e sobre a capacidade que determinadas narrativas têm de estabelecer conversas entre mulheres de diferentes épocas.

Agradeço à equipe da CBN Cultura pelo convite e pela oportunidade de contribuir para essa discussão sobre literatura, história, mulheres e recepção literária.

Leia a reportagem completa: “A experiência feminina atravessa séculos: Os Diários de Emma M. Lion chegam ao Brasil”, publicada pela CBN em 2 de setembro de 2026.

https://cbn.globo.com/cultura/noticia/2026/09/02/a-experiencia-feminina-atravessa-seculos-os-diarios-de-emma-m-lion-chegam-ao-brasil.ghtml

A Recepção de Jane Austen no Brasil: Edições Brasileiras, Traduções e Paratextos

Como Jane Austen chegou ao Brasil? Quem traduziu seus romances? O que as capas, os prefácios e os projetos editoriais revelam sobre a forma como aprendemos a ler e interpretar sua obra?

Em breve, estarão abertas as inscrições para o Curso Livre “A Recepção de Jane Austen no Brasil: Edições Brasileiras, Traduções e Paratextos”, ministrado pela Profa. Dra. Adriana dos Santos Sales (CEFET-MG / UFRGS), no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRGS.

Ao longo de oito encontros, vamos investigar:
📖 a história das traduções brasileiras;
📚 as diferentes edições publicadas no país;
🎨 capas, projetos gráficos e paratextos editoriais;
🌍 a circulação internacional da obra de Jane Austen;
🔎 como o mercado editorial contribuiu para construir a imagem da autora entre os leitores brasileiros.

O curso é destinado a estudantes, pesquisadores, professores e a todos que desejam conhecer Jane Austen para além dos romances, compreendendo a trajetória editorial que fez dela uma das escritoras mais lidas do mundo.

📅 Aulas: terças-feiras, de 1º de setembro a 20 de outubro de 2026, às 19:00

💻 Modalidade on-line.

✨ As inscrições serão abertas em breve.
Acompanhe este perfil e não perca a oportunidade de participar!

#JaneAusten#JaneAustenBrasil#RecepçãoLiterária#EstudosLiterários#TraduçãoLiterária#Paratextos#HistóriaDoLivro#UFRGS#CEFETMG#LiteraturaInglesa#CursoLivre#Pesquisa

Chamada para Comunicações em evento acadêmico

Estão abertas inscrições para o envio de resumos para o 11o Seminário Nacional e 5o Seminário Internacional de Língua e Literatura da Universidade de Passo Fundo, a ser realizado entre os dias 7 a 9 de outubro, no formato híbrido.

Para enviar seu resumo para o nosso Simpósio Temático, é necessário baixar o template e enviar para as coordeandoras do simpósio drixales@gmail.com e biancarossato@ifsul.edu.br.

SIMPÓSIO 11- GÊNERO, REPRESENTAÇÃO E INTERMIDIALIDADE NAS
ADAPTAÇÕES DA LITERATURA EM LÍNGUA INGLESA


Prof. Dra. Adriana dos Santos Sales (Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas
Gerais – CEFET-MG e Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS)
drixsales@gmail.com
Prof. Dra. Bianca Deon Rossato (Instituto Federal Sul-rio-grandense – IFSul)
biancarossato@ifsul.edu.br


Resumo: As adaptações de obras literárias para o cinema, a televisão e as plataformas
de streaming constituem um campo fértil para a investigação das transformações
culturais, sociais e políticas que atravessam diferentes épocas e meios de produção
narrativa. Longe de serem compreendidas apenas como reproduções de textos-fonte, as
adaptações podem ser entendidas como processos de recriação, tradução cultural e
ressignificação, capazes de evidenciar disputas em torno de gênero, identidade, classe,
raça e sexualidade. Este simpósio temático propõe reunir trabalhos que investiguem
adaptações de obras da literatura em língua inglesa sob a perspectiva dos estudos de
adaptação, dos estudos feministas e das abordagens interseccionais. Interessa-nos
discutir como personagens, narrativas e imaginários literários são reinterpretados em
produções audiovisuais contemporâneas, bem como analisar os modos pelos quais tais
adaptações negociam questões relacionadas à representação feminina, às identidades
dissidentes e às estruturas de poder presentes nos textos originais e em seus contextos
de recepção. A sessão acolhe pesquisas fundamentadas em teóricos dos estudos de
adaptação, tais como Linda Hutcheon, Julie Sanders, Robert Stam e Henry Jenkins,
assim como em contribuições dos estudos feministas e de gênero, incluindo Susan
Fraiman, Claudia L. Johnson, Sandra Gilbert e Susan Gubar, Mary Poovey, Rosalind
Gill, entre outras(os) pesquisadoras(es) que investigam literatura, cultura, mídia e
representações identitárias. A proposta busca promover um espaço de diálogo
interdisciplinar sobre as múltiplas formas pelas quais a literatura em língua inglesa
continua a produzir sentidos na contemporaneidade por meio de suas adaptações,
contribuindo para reflexões acerca dos devires identitários, das vozes plurais e dos
letramentos culturais que constituem o tema central do evento.


Palavras-chave: Literatura em língua inglesa. Intermidialidade. Gênero.

De livros raros em sebos a best-sellers: O amadurecimento das editoras brasileiras na publicação de Jane Auste

Segunda entrevista que concedi ao portal Ifronteira no dia 18 de julho, data de morte de Jane Austen.

Clique aqui para o ler o artigo completo ou leia o texto abaixo.

Mais do que romances açucarados, obras de Jane Austen refletem a sobrevivência feminina da classe média no século XIX

No dia 18 de julho, data de morte de Jane Austen, foi publicada uma entrevista que concedi ao Portal IFronteira

Para ler a matéria completa, clique aqui. Ou, vejo texto abaixo:

Análise de edições brasileiras – Austen, Christie e Ernaux

A Universidade Estadual de Minas Gerais acaba de publicar os Anais do Colóquio Design e Memória: sentidos e experiências em construção

Eu tive o prazer de apresentar minhas pesquisas junto às outras pesquisadoras sobre Análise de Edições de três autoras: Jane Austen, Agatha Christie e Annie Ernaux.

Design Editorial E Memória Literária: A Trajetória Das Edições De Jane Austen No Brasil – Adriana Sales

Paratextos E Design Gráfico-Análises De Duas Coleções De Agatha Christie No Brasil – Adriana dos Santos Sales e Lília dos Anjos Afonso

Estratégias De Design Editorial: Análise De Duas Coleções De Annie Ernaux Em Língua Portuguesa – Adriana dos Santos Sales e Samira Eduarda Soares Ribeiro

O Caderno de Resumos do Seminário de Mostra de Pesquisa de Literatura Inglesa da UFRGS / CEFET-MG já está disponível

Já está disponível o Caderno de Resumos do Seminário de Mostra de Pesquisa de Literatura Inglesa da UFRGS / CEFET-MG, que será realizado nos dias 1º e 2 de julho. A publicação reúne os trabalhos que serão apresentados por estudantes de graduação e pós-graduação de diversas instituições brasileiras, oferecendo um panorama das pesquisas em desenvolvimento nas áreas de Literaturas de Língua Inglesa, Estudos Comparados, Tradução e campos afins.

O seminário contará com oito sessões temáticas, dedicadas a diferentes autores, obras e perspectivas críticas, evidenciando a diversidade de abordagens e a expressiva produção acadêmica nos estudos literários contemporâneos. O caderno constitui, assim, um importante instrumento de divulgação científica, permitindo que o público conheça antecipadamente as pesquisas e acompanhe os debates que serão promovidos durante o evento.

As atividades serão transmitidas pelo canal da Jane Austen Society of Brazil no YouTube, ampliando o acesso às discussões e favorecendo o intercâmbio entre pesquisadores de diferentes regiões do país.

As inscrições para ouvintes permanecem abertas. Convidamos toda a comunidade acadêmica e o público interessado a consultar o caderno de resumos, acompanhar as apresentações e participar deste espaço de diálogo e compartilhamento de pesquisas.

📄 Acesse o Caderno de Resumos: aqui
📝 Inscrições para ouvintes: aqui
▶️ Transmissão pelo YouTube: aqui

ERRATA: Programação do Seminário de Mostra de Pesquisa de Literatura Inglesa da UFRGS / CEFET-MG está disponível!

Nos dias 1º e 2 de julho, o Seminário de Mostra de Pesquisa de Literatura Inglesa da UFRGS / CEFET-MG reunirá estudantes de graduação e pós-graduação de diversas instituições brasileiras para compartilhar pesquisas nas áreas de Literaturas de Língua Inglesa, Estudos Comparados, Tradução e áreas afins. O evento será transmitido pelo canal do YouTube da Jane Austen Society of Brazil e contará com oito sessões temáticas, abrangendo autores, obras e perspectivas críticas que demonstram a vitalidade dos estudos literários contemporâneos.

Destaques da programação

Sala 1 – Shelley e Brontë: Espaço, Gótico e Feminilidade
Pesquisas sobre o gótico feminino, monstruosidade, espaço doméstico, alteridade e representações do sofrimento feminino nas obras de Mary Shelley e das irmãs Brontë.

Sala 2 – Espaço, Identidade e Representação na Literatura de Língua Inglesa
Debates sobre autoria feminina medieval, masculinidades, simbolismos do espaço doméstico e relações entre cidade, identidade e pertencimento.

Sala 3 – Recepção, Adaptação e Reescrita
Discussões sobre recepção literária, adaptações, memória cultural, oralidade, resistência e novas formas de reimaginar personagens e autores do cânone.

Sala 4 – Estudos Brontë I: Leitura, Reescrita e Gótico
Reflexões sobre práticas de leitura no século XIX, intertextualidade e reescritas contemporâneas do universo bronteano.

Sala 5 – Estudos Brontë II: Tradução, Clássicos e Violência de Gênero
Apresentações que articulam tradução, estudos clássicos, psicanálise e debates sobre violência de gênero nas obras das irmãs Brontë.

Sala 6 – Literatura, Raça e Formação Social
Pesquisas que abordam infância, memória, trauma, segregação racial e processos de formação identitária em diferentes contextos culturais.

Sala 7 – Shakespeare e Refigurações Literárias
Sessão dedicada às permanências e recriações da obra shakespeariana, explorando personagens como Ofélia e Desdêmona, além da recepção crítica de Shakespeare.

Sala 8 – Literatura Contemporânea e Estudos Culturais
Encerrando o seminário, esta sessão reúne trabalhos sobre Oscar Wilde, Toni Morrison, Octavia Butler, J. D. Salinger e representações de gênero na literatura contemporânea.

O seminário reafirma a importância da pesquisa em Literatura Inglesa ao promover o diálogo entre diferentes instituições, perspectivas teóricas e objetos de estudo.

Inscrições para ouvintes

As inscrições para ouvintes continuam abertas e podem ser realizadas pelo formulário:

https://forms.gle/2VjPunbhUW7SU54p9

Participe e acompanhe dois dias de intensos debates sobre literatura, cultura e pesquisa acadêmica!