Por que ver o novo “Razão e Sensibilidade”

Eu tive o prazer de conceder uma entrevista sobre as adaptações de Jane Austen ao jornalista Ticiano Osório (Jornal Zero Hora – RS). O artigo também contou com a entrevista do tradutor e acadêmico Rodrigo Breunig. Publicação 26/10/2026

Quem ama também tem boletos: por que ver o novo “Razão e Sensibilidade”
Filme com Daisy Edgar-Jones que adapta clássico de Jane Austen (1775-1817) entra em cartaz na quinta-feira (29).

Leia entrevista com Adriana Sales e Rodrigo Breunig, especialistas na obra da escritora

Daisy Edgar-Jones estrela “Razão e Sensibilidade” (2026), filme dirigido por Georgia Oakley. Universal Pictures / Divulgação

Jane Austen (1775-1817) deixou ao mundo apenas seis romances, mas sua obra já rendeu mais de 80 adaptações, modernizações ou reinvenções no cinema, na TV e no streaming. A lista inclui filmes indicados ao Oscar, como Razão e Sensibilidade (1995) e Orgulho e Preconceito (2005), a comédia romântica adolescente As Patricinhas de Beverly Hills (1995), que faz uma releitura contemporânea de Emma (1815), e o bizarro Orgulho e Preconceito e Zumbis (2016), além da série Sanditon (2019-2023), baseada em um livro inacabado da autora inglesa.

Nesta quinta-feira (29), estreia nos cinemas brasileiros a mais recente versão de um romance de Austen: Razão e Sensibilidade (Sense and Sensibility, 2026), dirigido pela inglesa Georgia Oakley, a mesma de Blue Jean (2022). Com roteiro de Diana Reid, a trama acompanha a decadência financeira da família Dashwood logo após a morte repentina do patriarca, que deixa toda a herança e as propriedades para o filho do seu primeiro casamento, John (papel de Tom Brooke, o agente Coe do seriado Slow Horses).

Desamparadas, a viúva Sra. Dashwood (encarnada por Caitríona Balfe, protagonista da série Outlander) e suas três filhas são forçadas a abandonar a luxuosa propriedade em Sussex para viver de forma muito modesta em um chalé distante no condado de Devonshire, cedido caridosamente por um parente.

Esmé Creed-Miles interpreta Marianne Dashwood no novo “Razão e Sensibilidade”. Universal Pictures / Divulgação

As três filhas são Elinor, que tem 19 anos no início da história, Marianne, 17, e Margaret, 13. Vista em Fresh (2022), Twisters (2024) e na minissérie Normal People (2020), Daisy Edgar-Jones interpreta a mais velha. Esmé Creed-Miles, que protagonizou a série Hanna (2019-2021), faz a irmã do meio. E Bodhi Rae Breathnach dá vida à caçula.

No contexto descrito por Jane Austen, o casamento não é apenas uma escolha romântica, mas a única salvação financeira para mulheres como Elinor e Marianne, que precisam lidar com as complexidades do cortejo na Inglaterra do início do século 19. A falta de dote e de uma fortuna familiar diminui drasticamente as chances de matrimônio das duas, transformando a busca pelo amor em um desafio de sobrevivência social.

Universal Pictures / Divulgação

O conflito dramático se dá na oposição entre Elinor, que representa a racionalidade, e Marianne, a sensibilidade. A primeira é tão pragmática e prudente que trai seus próprios sentimentos em relação a Edward Ferrars, personagem de George MacKay, de 1917 (2019) e Munique: No Limite da Guerra (2021).

A segunda se entrega completamente às emoções quando conhece Willoughby (papel de Frank Dillane), sujeito visto com maus olhos pelo Coronel Brandon (interpretado por Herbert Nordrum, de A Pior Pessoa do Mundo), que tem afeição genuína pela vivacidade de Marianne.

Novo “Razão e Sensibilidade” prioriza a iluminação natural mesmo nos interiores. Universal Pictures / Divulgação

A diretora Georgia Oakley reconta essa história conhecida com um olhar melancólico que prioriza, na direção de fotografia de Arnaud Potier, a iluminação natural das paisagens e dos interiores. O tom mais realista acentua os aspectos cruéis da jornada empreendida pelas irmãs Dashwood.

Ao mesmo passo, ainda que não faltem diálogos saborosos mesmo quando amargos, a prosa espirituosa e irônica de Jane Austen abre espaço à introspecção, ao sensorial, ao silêncio. Os não ditos pesam mais do que as palavras, e para tanto é fundamental a contenção emocional da atuação de Daisy Edgar-Jones. Não raro, a câmera se dedica a observar as microexpressões do rosto da atriz. A montagem assinada por Izabella Curry permite constituir pequenos quadros em movimento que são emoldurados pela trilha sonora minimalista composta por Roger Goula.

“Cada geração encontra algo diferente em Austen”

Elinor (papel de Daisy Edgar-Jones) e Marianne (Esmé Creed-Miles) em “Razão e Sensibilidade”. Universal Pictures / Divulgação

Para falar com mais propriedade sobre Jane Austen e Razão e Sensibilidade, entrevistei dois especialistas: a mineira Adriana Sales e o gaúcho Rodrigo Breunig.

Doutora em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Adriana especializou-se em Austen pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, e está fazendo pós-doutorado na UFRGS, com foco na recepção das obras da escritora inglesa no Brasil. Traduziu três romances — Mansfield Park, Razão e Sensibilidade e Emma — e é a fundadora da Jane Austen Sociedade do Brasil.

Breunig é mestre em literatura brasileira pela UFRGS e já traduziu para a L&PM sete livros de Jane Austen: Razão e Sentimento (título adotado pela editora), A Abadia de Northanger, Emma, Mansfield Park, Amor e Amizade & Outras Histórias, Lady Susan e os inacabados Os Watson e Sanditon. Também assina a tradução da biografia A Verdadeira Jane Austen, de Paula Byrne, e escreveu O Livro dos Leitores Imaginários, no qual “adapta” — as aspas são dele próprio — um trecho de A Abadia de Northanger para o cinema.

1) Em algum lugar do mundo, tem sempre alguém adaptando Jane Austen para o cinema, a TV ou o streaming. O que explica a permanência da sua obra?

Adriana Sales: Acho que, antes de tudo, Jane Austen continua sendo lida e adaptada porque sabia contar boas histórias e criar personagens com os quais temos alguma afinidade. Embora seus livros tenham sido escritos há mais de 200 anos, ela aborda questões que continuam presentes: o amor, o dinheiro, as relações familiares, as expectativas sociais e a dificuldade de conciliar o que desejamos com aquilo que esperam de nós. Além disso, Austen era uma observadora extraordinária do comportamento humano. Com humor, ironia e muita sensibilidade, ela mostrava as contradições das pessoas e da sociedade em que viviam. Seus romances não falam apenas de casamentos e histórias de amor, mas também das poucas possibilidades de escolha que as mulheres tinham naquela época. Cada geração encontra algo diferente em seus livros. E é isso que torna as adaptações tão interessantes: elas não precisam simplesmente reproduzir o que Austen escreveu, mas podem mostrar como essas histórias conversam com o mundo de hoje. A obra permanece viva justamente porque permite novas leituras, sem perder sua força original.

Rodrigo Breunig: Adoro Jane Austen pela voz inconfundível, pelas frases longas, pelo discernimento da observação do mundo e pela ironia incrivelmente inteligente. Ela permanece porque seus romances são catedrais literárias que pedem releitura. Só não relê quem se contenta em saber quem casou com quem. Claro, existem catedrais literárias que não permanecem como Jane Austen, mas é difícil construir uma catedral engraçada e leve. Acho que o cinema e a TV não se cansam nunca dela por causa do quem-casou-com-quem, dos finais felizes e da engrenagem mágica dos diálogos, que são os melhores da história do romance inglês.

Austen não está dizendo que uma está certa e a outra, errada. Uma das grandes questões do livro é: precisamos escolher entre razão e emoção? Ou precisamos aprender a conviver com as duas coisas?

ADRIANA SALES
Fundadora da Jane Austen Sociedade do Brasil

2) O que Razão e Sensibilidade tem a dizer para nossos tempos e a sociedade de hoje?

Adriana Sales: Bem, creio que muito mais do que pode parecer à primeira vista! O romance acompanha duas irmãs, Elinor e Marianne Dashwood, que lidam de maneiras diferentes com os sentimentos, o amor e as dificuldades da vida. Elinor procura agir com prudência e controlar as emoções; Marianne é mais impulsiva e acredita intensamente naquilo que sente. Mas Austen não está simplesmente dizendo que uma está certa e a outra, errada. Para mim, uma das grandes questões do livro é justamente essa: precisamos escolher entre razão e emoção? Ou precisamos aprender a conviver com as duas coisas? O romance também continua atual porque mostra como o dinheiro e a posição social interferem nas relações pessoais. As mulheres da família Dashwood enfrentam uma situação de vulnerabilidade econômica e têm poucas possibilidades de construir uma vida independente. O casamento, naquele contexto, não era apenas uma questão de amor, já que podia determinar o futuro financeiro e social de uma mulher. Essa dimensão continua interessante para o leitor de hoje, porque nos faz pensar sobre a autonomia feminina, a dependência econômica e as pressões sociais que influenciam nossas escolhas. As circunstâncias mudaram, evidentemente, mas ainda precisamos negociar nossos desejos com as expectativas dos outros. E Austen tem muito a nos dizer sobre isso.

Rodrigo Breunig: Entre outras coisas, Razão e Sensibilidade nos diz que dinheiro não traz felicidade, mas traz conforto, que é mais importante do que felicidade. O primeiro diálogo do livro, no segundo capítulo, é uma longa conversa sobre dinheiro. Digamos que você fosse a filha única de um homem rico: você não podia contar com a herança, que passava ao herdeiro homem mais próximo, por mais distante que fosse. Era casar bem ou passar mal. Nesse universo do livro, os homens em maior ou menor destaque são todos rentistas, e os únicos que trabalham pra ganhar a vida são os criados, que naturalmente ganham mal. E as criadas inglesas ganhavam até cinco vezes menos que os criados. Criadas chegavam a ganhar cinco libras por ano (algo como R$ 300 por mês). No penúltimo capítulo, o dinheiro traz o final feliz: lemos que “nenhum dos dois estava tão apaixonado a ponto de pensar que 350 libras por ano (algo como R$ 20 mil por mês) lhes propiciariam os confortos da vida”.

Razão e Sensibilidade nos diz que dinheiro não traz felicidade, mas traz conforto, que é mais importante do que felicidade.
RODRIGO BREUNIG
Tradutor de sete livros de Jane Austen

3) O que não pode faltar em uma adaptação de Razão e Sensibilidade? E que mudanças ou omissões poderiam ser problemáticas?

Adriana Sales: Espero que a adaptação compreenda a complexidade das personagens e não transforme o romance apenas em uma história de amor com figurinos bonitos e cenários de época. A ambientação é importante, claro, mas não pode ser mais importante do que aquilo que a história tem a dizer. Adaptar Jane Austen não significa apenas conquistar novas gerações que ainda não leram seus livros. É fundamental estabelecer um diálogo entre o texto original, a linguagem da adaptação e o público a que ela se destina, respeitando a obra, mas também encontrando maneiras de torná-la significativa para os espectadores de hoje. Elinor e Marianne precisam ser retratadas como mulheres complexas, com suas contradições, fragilidades e qualidades. Seria um equívoco apresentar Elinor como uma mulher fria, que não sente, e Marianne como alguém que simplesmente não sabe controlar as próprias emoções. As duas têm muito a aprender, e nenhuma delas representa, sozinha, a maneira correta de viver. Também considero importante a crítica social presente no romance, especialmente a relação entre dinheiro, casamento e liberdade de escolha das mulheres. Se esses elementos forem deixados de lado, corremos o risco de transformar uma narrativa que questiona as convenções sociais em uma história que apenas celebra o romance e o final feliz. Isso não significa que uma adaptação precise ser fiel em todos os detalhes. O cinema e a televisão têm suas próprias linguagens, sendo as mudanças quase que inevitáveis e muitas vezes enriquecedoras.

Rodrigo Breunig: Espero alguma infidelidade. Para o meu gosto, as melhores adaptações de grandes obras literárias costumam ser as infiéis. Então acho que só não podem faltar as duas maneiras de amar: uma irmã expõe o peito ao sofrimento, a outra se protege.

Columbia / Divulgação
Emma Thompson e Kate Winslet em “Razão e Sensibilidade” (1995), de Ang Lee. Columbia / Divulgação

4) Qual é a sua adaptação favorita de algum livro de Jane Austen e por quê?

Adriana Sales: Tenho um carinho especial pelo filme Razão e Sensibilidade, de 1995, por ter sido a primeira adaptação de Jane Austen a que assisti. A forma como o diretor Ang Lee e a atriz e roteirista Emma Thompson conseguiram transformar o romance em cinema sem simplificar suas personagens é um diferencial. É uma adaptação que posso rever e continuar descobrindo detalhes sobre as relações familiares, os sentimentos e as convenções sociais que orientam as escolhas das protagonistas. É um filme que consegue equilibrar o respeito ao romance original com escolhas próprias da linguagem cinematográfica. Gosto particularmente da maneira como o filme constrói a relação entre as duas irmãs. Ele não reduz Elinor à razão nem Marianne à emoção, mostra que, por trás das diferenças, existe um vínculo afetivo muito forte. A interpretação de Emma Thompson dá espaço aos sentimentos de Elinor, mesmo quando ela tenta escondê-los, e Kate Winslet transmite a intensidade e o idealismo de Marianne. Outro aspecto interessante é a maneira como o filme apresenta os personagens masculinos. Edward Ferrars (Hugh Grant) e o Coronel Brandon (Alan Rickman) ganham uma sensibilidade que nem sempre é tão evidente no romance. Eles demonstram afeto, insegurança e vulnerabilidade, o que amplia nossa compreensão dessas personagens. Mas também gosto muito da minissérie Razão e Sensibilidade, produzida pela BBC em 2008. Por ter mais tempo para desenvolver a narrativa, ela explora com cuidado as dificuldades enfrentadas pelas irmãs Dashwood, inclusive a precariedade econômica em que passam a viver. Os figurinos e os espaços domésticos ajudam a perceber que a situação financeira da família não é apenas um detalhe da trama: interfere diretamente nas possibilidades de vida das personagens. Acho interessante comparar as duas versões porque elas mostram que uma mesma obra pode gerar interpretações diferentes, sem que uma necessariamente invalide a outra. E não posso deixar de mencionar, Orgulho e Preconceito (2005), dirigido por Joe Wright, com Keira Knightley e Matthew Macfadyen. Mesmo 20 anos após seu lançamento, o filme continua conquistando públicos de diferentes gerações, o que demonstra a força da história e sua capacidade de se renovar aos olhos dos espectadores.

Rodrigo Breunig: Palácio das Ilusões (1999), versão da diretora Patricia Rozema para Mansfield Park. É um filme infiel. Aparece o sangue da escravidão. No romance, a protagonista é frágil, incapaz de levantar a voz, resignada com seu próprio suplício. O crítico Lionel Trilling escreveu certa vez: “Ninguém, creio eu, jamais julgou ser possível gostar da heroína de Mansfield Park”. No filme, é tão impossível não gostar de Fanny Price (papel de Frances O’Connor) quanto é impossível não gostar de Jane Austen.

Jane Austen: 250 anos da porta para dentro

Entrevista publicada originalmente na Revista Pernambuco.

Entrevista com a Adriana Sales (presidente da JASBRA)

Texto: LauraMachado

Ilustração: Greg

16 de Dezembro de 2025

A romancista nasceu no ano de 1775 e durante a vida publicou obras que relatavam com precisão a vida e costumes da classe média inglesa.

Durante os doze meses do ano a pequena vila de Chawton, no sudoeste da Inglaterra, recebe viajantes de todo o mundo que desejam, essencialmente, visitar uma antiga casa de estilo gregoriano. É certeza que muitas casas como aquela estão espalhadas pelo país, mas o que atrai o público àquela locação em específico diz respeito a uma longínqua moradora. Ninguém menos que Jane Austen.

Nascida a 250 anos – no dia 16 de dezembro de 1775 – na cidade de Winchester, Jane foi a penúltima de oito irmãos. Seu pai, George Austen, estudou na prestigiosa St. John’s College, em Oxford, e veio a se tornar reverendo na cidade de Steventon, onde a família Austen viveu até o patriarca se aposentar. A mãe de Jane, Cassandra Leigh, vinha de uma família de boa condição financeira. Foi descrita como uma mulher esperta, que já escrevia versinhos aos seis anos de idade. Da união de George e Cassandra, nasceram James, George, Edward, Henry, Cassandra, Francis, Jane e Charles.

Únicas meninas entre os tantos filhos homens, Jane e Cassandra criaram, ainda na infância, uma ligação que duraria a vida toda. Juntas, estudaram em um internato só para garotas, tiveram aulas de piano e de

desenho e, ao longo da vida, trocaram uma quantidade substancial de cartas. Nenhuma delas se casou. Quando Jane faleceu, aos 41 anos, em

1817, as irmãs morava juntas, exatamente na casa de Chawton.

A “Casa de Jane Austen”, como foi batizada, funciona atualmente como um museu da vida da romancista. Repleto de edições iniciais de suas obras, joias, obras de arte e móveis (incluindo a pequena mesinha, na qual Jane escreveu seus romances, afirmam os biógrafos), remonta o estilo de vida inglês e, é claro, de Jane. O lugar onde ela viveu seus últimos anos, junto a mãe, a irmã e uma amiga da família, é porta de entrada para entender sua realidade e suas obras.

OS ROMANCES DE AUSTEN

A família Austen muito valorizava o conhecimento. Como consequência disso, Jane Austen teve contato com os livros desde cedo. Ainda que não seja possível determinar quando começou a escrever, sabe-se que ela criava histórias desde jovem e, na vida adulta, se dedicou efetivamente à escrita e publicação de romances.

No ano de 1811, Henry Austen passou a auxiliar a irmã quase como um agente literário e conseguiu um acordo para que a obra Razão e sensibilidade fosse publicada pelo editor Thomas Egerton. Sob o pseudônimo de “A Lady”, ou “Uma senhorita”, o livro foi bem recebido, com a primeira tiragem vendendo completamente em cerca de dois anos.

Em 1813, foi a vez de Orgulho e preconceito ser publicada pela mesma editora, assim como uma nova edição de Razão e sensibilidade. A partir desse momento, Jane consolidou-se como escritora no mercado editorial, ainda que não fosse um dos grandes nomes da literatura.

De acordo com a doutora em Estudos Linguísticos e fundadora do Jane Austen Sociedade do Brasil, Adriana Sales, a autora de Razão e sensibilidade passou a assinar os próprios livros apenas depois de um pedido vindo direto do príncipe regente George IV. Adriana explicou à revista Pernambuco que o príncipe havia lido as obras de Austen e chegou a convidá-la para um chá, quando diretamente sugeriu que em sua próxima publicação, ela a dedicasse a si. “Os pesquisadores dizem

que Jane Austen colocou a contragosto, porque não concordava com a gastança e as coisas que o príncipe fazia, mas no quarto livro ela assina

com seu nome e tem certa notoriedade, ainda que não seja como a fama que tem hoje”, contou.

A fama que Jane acumulou com o passar dos anos, inclusive, muito se dá pela forma verossímil como ela relata as relações sociais de seu tempo. De maneira geral, todos os seus livros – Razão e sensibilidade, Orgulho e preconceito, Mansfield Park, Emma, A Abadia de Northanger e Persuasão são as obras finalizadas e publicadas em vida pela autora, que também escreveu Sanditon, Lady Susan e Os Watsons – acompanham uma protagonista feminina que vive uma história de amor. Acreditar, contudo, que a literatura de Austen se resume ao romance é uma visão superficial.

Em entrevista à revista Cult em 2017, a pesquisadora e autora do livro J ane Austen, the secret radical, Helena Kelly, afirmou: “As pessoas não estão erradas em considerá-la uma grande autora de histórias de amor – mesmo que algumas de suas tramas sejam um pouco perturbadoras para os dias atuais, como casamentos entre primos ou homens apaixonados por meninas de 13 anos. Mas acredito que os romances de Austen podem ser políticos e românticos, essas duas características não são excludentes”.

Talvez uma pessoa sem conhecimento sobre os livros de Jane Austen pegue um exemplar de Orgulho e Preconceito, por exemplo, esperando se encantar com as provocações que levam ao amor entre Elizabeth Bennet e Mrs. Darcy e, provavelmente, esse objetivo será atingido. Para além de uma boa narrativa de paixão, naquelas páginas a escritora tratou com perspicácia sobre a realidade das mulheres do século XIX, que só eram vistas como parte integral da sociedade ao se casarem. O casamento, como um todo, é uma instituição que recebe alfinetadas por meio de seus personagens em todas as suas histórias.

A frase de abertura de Orgulho e preconceito é um exemplo da sagacidade de Austen sobre o meio em que vive: “É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro, possuidor de uma grande fortuna, deve estar em busca de uma esposa”.

Através de histórias que se concentram em narrar conversas entre personagens e essencialmente mostrar retratos de vida dos

personagens, Jane foi capaz de criar textos em que as convenções sociais são postas em questão. Como uma mulher solteira vivendo no interior da Inglaterra do século XIX, ela se debruçou sobre o que vivia e observava ao seu redor. A vida particular foi seu objeto de pesquisa durante a carreira na literatura e foram as sutilezas desse trabalho que lhe conferiram o reconhecimento que possui hoje.

“A Jane Austen seguia a cartilha do tempo em que viveu, então podemos chamá-la de conservadora, porém ela organizou mentalmente e transbordou em forma de escrita, um olhar muito aguçado para o comportamento humano. Ela inova e rompe as barreiras da cultura e dos costumes da sua época ao escrever sobre o cotidiano, sobre a vida das pessoas comuns, principalmente da porta para dentro de casa”, evidencia Adriana Sales.

Em Persuasão, a narrativa de Austen acompanha Anne Elliot, que foi pedida em casamento por Frederick Wentworth, um oficial da Marinha com condição social inferior. Mesmo o amando e desejando unir-se a ele, decide recusar o convite e escutar os conselhos de seu pai. Oito anos depois, eles voltam a se encontrar e, desta vez, o pai de Anne está perdendo a fortuna, enquanto Wentworth subiu de patente e acumulou riquezas. Nessa obra, a escritora encara a hierarquia social inglesa e questiona diretamente os conselhos dos mais velhos (representado pelo pai de Anne, um homem orgulhoso e vaidoso que acredita ser o dono da razão).

Ao criar o personagem de Frederick Wentworth, Jane mostrava estar antenada com o mundo ao seu redor, como bem descreve a tradutora e jornalista Julia Romeu no prefácio de Persuasão, parte da coleção Mulheres na Literatura da Folha de S. Paulo:

“O declínio financeiro de um baronete e a ascensão social de um oficial da Marinha é um tema quase revolucionário para um livro de Jane Austen. Na época que Persuasão foi escrito, a ideia de que todos os homens são iguais surgira recentemente, e era muito difícil se movimentar pelas rígidas classes que dividiam a sociedade inglesa. […]

Mesmo de seu cantinho sossegado, Jane Austen não podia deixar de ouvir os ecos da revolução americana e da Revolução Francesa”.

Outra obra considerada madura e importante a ser analisada é Mansfield Park. Publicada pela primeira vez em 1814, a narrativa se concentra na personagem Fanny Price, que é descrita por leitores como a protagonista mais fraca e “apagada” de Jane. Mesmo assim, esse romance traz o tema da escravidão como questão importante.

“Notei referências muito frequentes e óbvias à escravidão em Mansfield Park. Qualquer pessoa que soubesse ler na época sabia que Lord Mansfield era presidente do Supremo Tribunal inglês, e que contribuiu imensamente para a abolição do tráfico de escravos. Seria impossível não fazer a ligação. Além disso, a Sra. Norris, vilã da história, teve o nome inspirado em Robert Norris, um infame traficante de escravos. Eu já estava convencida de que havia ligações com o tema no romance, e muitos críticos já haviam apontado isso, mas quando eu me foquei em encontrar essas referências, me pareceu clara a crítica de Austen à escravidão”, compartilhou Helena Kelly à Cult.

JANE AUSTEN HOJE

Mesmo tendo escrito sobre a realidade de famílias da Inglaterra do século XIX, as narrativas criadas por Austen conquistaram admiradores ao redor do mundo. No Brasil não foi diferente.

Adriana Sales, por exemplo, se apaixonou pelos livros durante a graduação em Letras na UFMG, e trilhou uma carreira entrelaçada com o estudo sobre a escritora. Tanto seu doutorado quanto o pós-doutorado (que está em curso) buscam analisar aspectos da obra de Jane Austen.

Adriana também participa de eventos sobre a escritora, realiza exposições e encontros com leitores pelo Brasil, já traduziu alguns de seus livros e administra desde 2008 a página “J ane Austen Brasil”.

“Eu acredito que acontece um movimento cíclico de interesse com escritores que viveram há mais de 200 anos. Com a criação da Casa de Jane Austen, em 1940, começou a existir uma peregrinação em volta desses lugares e no meio dos anos 1990 os livros começaram a ser adaptados. Isso criou mais interesse pelas obras”, explica Sales. “Foi

justamente quando eu criei o blog que as pessoas começaram a ter interesse novamente, e aí a gente já tinha internet para conectar

pessoas de várias partes do mundo. O mercado editorial brasileiro começou a seguir também esse padrão, publicar novas traduções. Hoje, se eu não me engano, temos mais ou menos 20 tradutores de Orgulho e Preconceito”, acrescenta.

Aos 24 anos, a designer Carol Duarte é uma das jovens leitoras de Jane Austen. Mesmo com mais de 200 separando ambas, ela explica que se tornou admiradora da obra justamente por se identificar com os personagens.

“A obra de Jane Austen fala sobre sentimentos, conflitos e escolhas que ainda fazem parte da nossa vida. Além disso, o olhar crítico e irônico dela sobre a sociedade da época também se mantém bastante atual. Os personagens são humanos, imperfeitos e muito relacionáveis, o que faz com que a gente crie uma conexão com eles. É como se, em cada livro, a gente se reconhecesse um pouco”, avalia.

Além dos livros, Carol também é fã das adaptações para o cinema de Orgulho e preconceito (2005) e Emma (2020), obras amadas por muitos e que várias vezes foram portas de entrada para a obra literária de Jane Austen.

Estrelado pelos atores britânicos Keira Knightley e Matthew Macfadyen, Orgulho e preconceito pode ser considerada uma das adaptações de maior sucesso dos anos 2000. Recontando a história de Elizabeth e Darcy nas telonas, uma geração inteira de adolescentes e jovens adultos se encantou com o romance publicado em 1813. É prova concreta de que, ainda que escrito a tantos anos, as relações sociais entre personagens se perpetuaram e seguem, ao menos em parte, atuais.

Entre o conservador e o progressista, está Jane Austen. Em seus escritos não pregou mudanças ou revoluções de ideias, não protestou em praça pública ou criou personagens completamente disruptivos das morais e costumes de seu tempo. O que Jane fez, e aí está seu mérito, foi revelar com bastante precisão, como a vida privada acontecia. Como se utilizasse uma lupa, escancarou as portas das casas de seus vizinhos a fim de contar histórias que fossem verossímeis e enxergou a verdadeira face das relações.

Emma, Elizabeth, Anne, Catherine, Elinor, Marianne e Fanny são protagonistas que representam de maneira fiel o que significa ser uma mulher na Inglaterra do século XIX, fadada a respeitar os desejos do pai, esperar um pedido para dançar e lutar a fim de conquistar um marido, já que apenas assim poderia viver uma vida sem julgamentos.

Talvez o seu ato mais revolucionário, de fato, tenha sido o de escrever. Assim como suas heroínas, Jane Austen viveu em um tempo em que a educação formal era negada às meninas e que o trabalho era algo imperdoável. Jane ter se tornado escritora não foi motivo de orgulho para a família, que mesmo possuindo uma visão mais aberta às intelectualidades, seguia os moldes da época.

Em um trecho de Mansfield Park, Austen escreveu: “Dê a uma garota uma educação e a apresente adequadamente ao mundo, e é muito provável que ela tenha os meios para se dar bem, sem depender de mais ninguém”.

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Celebrando os 250 anos de Jane Austen de Norte a Sul do Brasil – 9º Encontro Nacional da JASBRA

A Jane Austen Sociedade do Brasil (JASBRA) tem a satisfação de anunciar o 9º Encontro Nacional, em celebração aos 250 anos de nascimento de Jane Austen. O evento ocorrerá entre os dias 15 e 17 de dezembro de 2025 e reunirá pesquisadores do Brasil e do exterior em uma programação abrangente dedicada ao estudo e à apreciação da obra austeniana.

Ao longo dos três dias, serão realizadas palestras, mesas-redondas e debates, distribuídos nos três turnos, com transmissão integral pelo canal oficial da JASBRA no YouTube. Trata-se de uma oportunidade singular para o público acompanhar discussões atualizadas sobre literatura, crítica, recepção e diálogos contemporâneos com o legado de Jane Austen.

O evento é organizado por Adriana Sales (JASBRA / CEFET-MG) e Sandra Maggio (UFRGS), com o apoio institucional do CEFET-MG e da UFRGS.

Em breve, disponibilizaremos uma prévia da programação e, posteriormente, a programação completa, juntamente com a abertura das inscrições para ouvintes.

A JASBRA convida o público a participar deste encontro nacional e a celebrar, conosco, a perenidade da obra de Jane Austen e sua presença viva na cultura brasileira — de Norte a Sul do país.

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Circuito nacional de comemorações pelos 250 anos de Jane Austen

Um dos eventos em comemoração a uma das autoras mais marcantes da literatura inglesa, vai ser realizado neste sábado na capital do Brasil

Post original AQUI

A comemoração dos 250 anos de Jane Austen é relevante para leitores de todo o mundo, inclusive para os brasileiros. Segundo Adriana dos Santos Sales, presidente da Jane Austen Sociedade do Brasil (Jane Austen Society of Brazil), o país conta com inúmeras pesquisas sobre a autora inglesa e uma quantidade crescente de fãs. Para celebrar a vida e a obra de Jane, que nasceu em 16 de dezembro de 1775, foram organizados chás comemorativos em 21 cidades, incluindo o evento em Brasília, neste sábado, na Confeitaria Mineira, localizada no Noroeste.

A ideia inicial era realizar o encontro somente em Belo Horizonte (Minas Gerais), como afirmou Adriana, que além de presidente da sociedade, também é professora do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG). Mas, à medida que ela foi divulgando o chá, as pessoas começaram a se movimentar e pediram que o evento chegasse a outras cidades. “E essa descentralização só foi pensada justamente porque nem todo mundo pode viajar para um único lugar onde aconteceria um evento”, destacou. Por isso, ela buscou reunir participantes em cada região.

O evento no Distrito Federal será um dos primeiros dessa série comemorativa. A organização no DF é feita pela doutoranda Marcela Faria e pela servidora pública Jane Andrade. “Eu acredito que Brasília seja um ponto central do país, por ser a capital, e também uma cidade com pessoas bastante interessadas em literatura”, comentou. Ela observou que existem movimentos literários na região, como grupos de leitura em livrarias e discussões semanais para todos os gostos. O chá previsto para sábado vem agregar a esse cenário. “É um evento que vai trazer à tona esse interesse de participar novamente dos grupos de leitura, dos grupos de amigas. Eu tenho amigas que fiz por causa da Jane Austen há 20 anos, desde o filme de 2005”, considerou.

Ela acrescentou que Brasília, assim como outras cidades que receberão o evento, já está com as inscrições esgotadas devido ao grande número de interessados. A programação contará com um encontro de fãs e uma breve apresentação sobre quem foi Jane Austen, conduzida por Marcela. As atividades previstas incluem bate-papos com perguntas simples, como “qual é o seu livro favorito?”, “personagem favorito?”, entre outras. Como o evento ocorrerá em uma casa de chás, o espaço oferecerá comidas durante o encontro.

Para ela, a literatura, de modo geral, abre portas para outros universos, autores e livros. Além disso, Adriana acredita que essa movimentação de acadêmicos, leitores e admiradores das obras atemporais de Jane Austen gera novas amizades em favor da literatura. “Comemorar Jane Austen não é apenas celebrar um símbolo da literatura inglesa, mas também um símbolo de resistência, de uma mulher que pensa por si só”, apontou.

Palestras sobre a autora

Adriana contou que também será realizado o 9º Encontro “250 anos de Jane Austen – De Norte a Sul” — que acontecerá de 15 a 17 de dezembro de forma online, para todo o Brasil. Serão três dias de palestras nos turnos da manhã, tarde e noite, com pesquisadores brasileiros e alguns internacionais. “É um evento gratuito para celebrar a vida e a obra de Jane Austen e será exibido no canal Jane Austen Sociedade do Brasil no YouTube.” AQUI.

Chamada de resumos para GT – Jane Austen no Brasil: leitura, tradução e circulação de textos

Convite especial para pesquisadoras e pesquisadores!

O GT 21 – Jane Austen no Brasil: leitura, tradução e circulação de textos está com envio de resumos aberto até 27/10 aqui neste link.

O grupo integra o XIV Seminário Nacional sobre Ensino de Língua Materna, Estrangeira e de Literaturas (SELIMEL) e propõe discutir como a obra de Jane Austen circula, é traduzida, adaptada e reinterpretada no contexto brasileiro — da crítica acadêmica às mídias contemporâneas, passando por leitores, tradutores e criadores.

As coordenadoras do GT são:
– Adriana Sales (JASBRA / CEFET-MG)
– Bianca Rossato (IFSUL – Gravataí)
– Lilia dos Anjos (PMJP – SEDEC)

Envio de resumos até 27/10
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Venha fazer parte dessa conversa sobre Austen no Brasil, suas traduções, leituras e reinvenções! 💕

Resumo do GT 21 – Jane Austen no Brasil: leitura, tradução e circulação de textos

A presença de Jane Austen no Brasil oferece um rico campo para analisar obras literárias que se adaptam e circulam em contextos culturais distintos do original. Desde as primeiras traduções na década de 1940 até versões contemporâneas, a recepção de Austen evidencia não apenas o apreço por sua crítica social e ironia, mas também a relevância de seus textos para debates sobre gênero e classe na sociedade. As traduções brasileiras buscam conciliar fidelidade linguística e adequação cultural, produzindo textos que dialogam com leitores locais, demonstrando o papel ativo da tradução na mediação entre culturas e a criação de novas experiências de leitura.

Além da tradução, a produção cultural inspirada em Austen no Brasil revela múltiplas formas de circulação de seus textos. A transposição de Orgulho e Preconceito para o cordel e de Razão e Sensibilidade para os quadrinhos, exemplificam a adaptação da narrativa clássica a suportes culturais locais, transformando o romance em uma experiência oral e visual, enquanto adaptações teatrais e musicais reinterpretam suas histórias para o palco, explorando a dimensão performativa da literatura. Por sua vez, a telenovela Orgulho e Paixão demonstra a capacidade de Austen de atravessar mídias, conectando enredos do século XIX a temas contemporâneos, reafirmando a relevância de seus romances na cultura popular e midiática brasileira.

A circulação de Austen também se manifesta no crescimento da crítica acadêmica, que investiga a modernidade de seus textos, sua influência em diferentes formas de circulação na cultura popular e a maneira como seus temas — o papel das mulheres, casamento, mobilidade social e relações de poder — ressoam globalmente. Esse processo evidencia práticas leitoras diversificadas, em que o público brasileiro não apenas consome traduções e adaptações, mas participa da reinvenção desses textos, contribuindo para a produção de significados novos e contextualmente situados.

Assim, a trajetória de Jane Austen no Brasil exemplifica como textos literários circulam entre diferentes suportes, desde livros impressos até mídias digitais e performativas, e como práticas leitoras se articulam com processos de tradução, adaptação e apropriação cultural. A análise desse fenômeno permite compreender a literatura como um campo dinâmico de produção e circulação, em que a obra de uma autora se transforma em objeto de estudo, entretenimento e inspiração criativa em um contexto não anglófono, destacando a dimensão global da circulação literária contemporânea.

Dessa forma, a experiência brasileira com a autora ilustra a articulação entre leitura, produção, tradução e circulação de textos literários e não literários em múltiplos suportes, reforçando a pertinência de estudar práticas leitoras e adaptação cultural como parte integrante da recepção literária transnacional.

Nesse horizonte, convidamos trabalhos que investiguem diferentes aspectos da presença de Jane Austen no Brasil, considerando práticas de leitura, traduções, adaptações e recriações em variados suportes. O objetivo é ampliar o debate sobre como sua obra continua a inspirar práticas leitoras, experiências estéticas e processos criativos, reafirmando a atualidade e a força de seus textos na cultura literária e midiática contemporânea.

Palavras-chave: Jane Austen; Traduções literárias; Adaptações culturais; Práticas leitoras; Circulação de textos; Recepção literária no Brasil.

Exposição 250 anos de Jane Austen em Belo Horizonte

A exposição “250 anos de Jane Austen” celebra o legado da escritora inglesa que marcou a literatura mundial. As primeiras edições brasileiras de Jane Austen são o ponto de partida da mostra, que convida o público a mergulhar no universo da autora. Reunido ao longo de 25 anos pela professora Adriana Sales, o acervo apresenta preciosidades, como edições raras, versões em línguas estrangeiras (espanhol, francês, italiano e alemão) e belas edições especiais em inglês. A mostra também apresenta diferentes formas de recriação da obra de Austen, como quadrinhos, fanfictions e literatura de cordel, além de estudos acadêmicos que destacam sua atualidade. Para os fãs de cinema e cultura pop, há ainda filmes em DVD, bonecas e acessórios que aproximam a escritora de novas gerações. A curadoria é assinada por Adriana dos Santos Sales, presidente da Jane Austen Sociedade do Brasil, docente do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais. A exposição acontece de 8 de setembro a 30 de outubro de 2025 na Biblioteca Pública Luiz de Bessa na Praça da Liberdade, 21 – em Belo Horizonte, confirmando a permanência e o legado da autora.

Exposição celebra os 250 anos de Jane Austen em Belo Horizonte

Por Cristiane Gabriela Cirilo para o blog Revista Jovem Geek

A Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, abre suas portas para uma viagem no tempo e na literatura com a exposição “250 anos de Jane Austen”. 

A mostra ficará em cartaz até 30 de outubro de 2025 e promete encantar tanto os fãs de longa data da autora quanto aqueles que estão descobrindo suas histórias agora.

Organizada e curada por Adriana dos Santos Sales, presidente da Jane Austen Sociedade do Brasil, a exposição celebra o legado duradouro da escritora britânica, famosa por obras como Orgulho e Preconceito, Razão e Sensibilidade e Emma. O acervo foi reunido ao longo de 25 anos pela professora Adriana e traz itens de valor inestimável, como edições raras, livros traduzidos para espanhol, francês, italiano e alemão, além de belas edições especiais em inglês.

A mostra também apresenta também diferentes formas de recriação da obra de Austen, incluindo quadrinhos, fanfictions, literatura de cordel e estudos acadêmicos que reforçam a relevância de sua escrita para os debates atuais sobre sociedade, costumes e relações humanas.

Para quem ama cinema e cultura pop, a exposição reserva um espaço especial com DVDs de adaptações cinematográficas, bonecas e acessórios que mostram como o universo de Jane Austen segue conquistando novas gerações.

A entrada é gratuita, e a organização espera receber tanto admiradores apaixonados quanto curiosos que desejam conhecer mais sobre a autora que influenciou gerações de escritores, cineastas e fãs ao redor do mundo.

A Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa fica localizada na Praça da Liberdade, 21 – Savassi, Belo Horizonte – MG.

O telefone para contato é o (31) 2128-8230.

Comemoração dos 115 anos do CEFET-MG: Exibição do filme “Orgulho e Preconceito”

Em comemoração aos 115 anos do CEFET-MG, teremos eventos artístico-culturais, como palestras, oficinas, apresentações e outras ações preparadas para esse momento e que serão divulgadas ao longo da semana. Considerando isso, gostaríamos de convidar a comunidade acadêmica da instituição para participar da seguinte exibição do filme “Orgulho e Preconceito”, seguida de debate sobre a obra, que acontecerá no Campus Nova Suíça:

Data: 09/09, terça-feira.

Horário: 09h.

Local: Miniauditório do prédio administrativo, no subsolo.

Mediação do debate: Profa. Adriana dos Santos Sales (DELTEC), presidente da Jane Austen Sociedade do Brasil.

Sobre o filme “Orgulho e Preconceito”, adaptação do livro de mesmo nome de Jane Austen: Inglaterra, 1797. As cinco irmãs Bennet – Elizabeth (Keira Knightley), Jane (Rosamund Pike), Lydia (Jena Malone), Mary (Talulah Riley) e Kitty (Carey Mulligan) – foram criadas por uma mãe (Brenda Blethyn) que tinha fixação em lhes encontrar maridos que garantissem seu futuro. Porém Elizabeth deseja ter uma vida mais ampla do que apenas se dedicar ao marido, sendo apoiada pelo pai (Donald Sutherland). Quando o sr. Bingley (Simon Woods), um solteiro rico, passa a morar em uma mansão vizinha, as irmãs logo ficam agitadas. Jane logo parece que conquistará o coração do novo vizinho, enquanto que Elizabeth conhece o bonito e esnobe sr. Darcy (Matthew Macfadyen). Os encontros entre Elizabeth e Darcy passam a ser cada vez mais constantes, apesar deles sempre discutirem.

Participe e venha celebrar conosco os 115 anos desta história!

Com a colaboração da Coordenação de Arte e Cultura (ARTC/DEDC) quanto à programação cultural, o evento de 115 anos tem a organização geral da Secretaria de Comunicação Social do CEFET-MG.

Texto: Lavínia Lucas, estudante de Letras e estagiária da DEDC.

Jane Austen Vive – homanagem ao legado da escritora

📚✨ Jane Austen vive — 250 anos de seu legado
🕊️ Em memória de Jane Austen

No dia 18 de julho, data de falecimento de Jane Austen, convidamos você para um evento online especial em homenagem a essa autora que atravessa séculos com sua ironia, sensibilidade e crítica social.

Três pesquisadoras brasileiras irão conversar sobre os caminhos de sua escrita e sua presença na cultura contemporânea:

👩‍🏫 Adriana Sales (CEFET-MG)
👩‍🏫 Natália Barcellos (UNESP)
👩‍🏫 Sandra Maggio (UFRGS)

📅 Data: 18 de julho
⏰ Horário: 11:00 (BRT)
📍 Transmissão online — (Canal no Youtube) link AQUI!

Venha refletir conosco sobre o legado literário de Jane Austen e celebrar seus 250 anos de impacto na literatura e na vida dos leitores. 💬📖

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250 anos de Jane Austen movimenta turismo na Inglaterra…

Cidades realizam eventos para celebração da escritora com bailes, exposições, festas e debates…

Artigo publicado originalmente no site Poder360

By Julia Amoêdo

Em 16 de dezembro de 2025 serão comemorados os 250 anos do nascimento da escritora Jane Austen (1775-1817), famosa por livros como “Orgulho e Preconceito” e “Persuasão”. Ao longo do ano, a data será celebrada com exibições, festas e bailes em cidades do Reino Unido por onde a autora passou ou sobre as quais escreveu.  Um dos eventos mais famosos é o Jane Austen Festival, em Bath, cidade em que ela viveu. Anualmente, fãs se reúnem para a “parada regencial”, em que todos se vestem com roupas de época e passeiam pelas ruas da cidade. No dia 13 de setembro, 2.000 pessoas participarão da caminhada. … (continue a leitura aqui).

Ou leia a partir dos prints abaixo: