Edmund Bertram e Fanny Price – Bicentenário de Mansfield Park

O que vocês acham dos personagens principais 
de Mansfield Park?
Leia abaixo um breve estudo que realizei em 2010 na ocasião do lançamento da minha tradução Mansfield Park – Editora Landmark.

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Bicentenário de Mansfield Park!

Neste mês de maio, Mansfield Park comemora 200 anos! Mesmo um pouco atrasada começarei uma série de posts em comemoração ao livro!

Nós da JASBRA faríamos um Encontro Nacional aqui em Belo Horizonte agora em maio, porém, por causa da Copa e diversos impedimentos, decidimos realizar o encontro no segundo semestre. Data e local a serem confirmados! Aguardem!

Domingos – Michel Sued – Mansfield Park e a doce e adorável Fanny Price

Hoje é dia da Coluna de Domingo: Jane Austen e os Rapazes. O objetivo é oferecer aos leitores deste blog uma visão masculina das obras de Austen.

Com vocês: Michel Sued (JASBRA-PE)

Tive o prazer de conhecer o Michel, em 2011 no III Encontro Nacional da JASBRA e reencontrá-lo este ano aqui em BH.

Mansfield Park e a doce e adorável Fanny Price

Após um dia inteiro de trabalho, enfrentava um trânsito intenso para chegar à minha casa, onde me arrumava e corria para o treino. Somente quando o corpo já despejara incontáveis gotas de suor na incansável busca pelo aprimoramento do condicionamento físico era que retornava à minha residência, tomava um banho e relaxava o corpo para então sentar-me sobre a cama e ir sofrer, a cada página, com as desventuras da doce e adorável protagonista de Mansfield Park. Essa era a minha rotina diária no período em que me demorei, sofri e me deliciei com a sucessão de acontecimentos que se passavam no interior da propriedade de Sir Thomas Bertram!
Como é fácil se deduzir a partir dessas linhas iniciais, não obstante a perplexidade que essa revelação por vezes possa causar em tantas pessoas que participam de nosso grupo, Mansfield Park se tornou o meu livro preferido do universo literário de Jane Austen, assim como Fanny Price, a heroína a quem inicialmente lancei apenas um olhar de compaixão, no decorrer da consumação das páginas, conseguiu despertar outros tantos nobres sentimentos em meu coração!
 Ao contrário do que ocorre em Orgulho & Preconceito, o mais famoso romance de Austen, em que a heroína Elizabeth Bennet movimenta o enredo por meio de suas palavras e ações, fruto de uma personalidade vivaz; em Mansfield Park, a heroína Fanny Price parece assistir passivamente a história que se passa com ela própria. Mas vejam bem: PARECE! É sempre muito oportuno ressaltar que Fanny, ainda criança, fora levada de sua humilde residência para morar com seus parentes ricos, onde sofreu toda a sorte de constrangimentos e humilhações, fazendo-a ter sempre em mente a sua condição desfavorável e de flagrante vulnerabilidade. Contudo, a doce e adorável Fanny teve pulso para se negar a participar da peça teatral que julgava inadequada, mesmo diante dos clamores e chantagens emocionais de seus parentes para que ela participasse. Além disso, por duas vezes, recusou o pedido de casamento proposto por Henry Crawford, a despeito da evidente vantagem que isso lhe propiciaria, mas que contrariava os desejos recônditos de seu coração, há muito já pertencente a seu primo Edmund.
   Parafraseando Adriana Sales Zardini, ao desviarmos o nosso olhar de Lizzy Bennet para Fanny Price, faz-se necessário “que troquemos as nossas lentes!” Não se pode esperar ou exigir um comportamento de Fanny semelhante ao de Lizzy, uma vez que a situação de cada uma das heroínas, bem como as circunstâncias que permeiam as respectivas histórias são bem distintas! Contra os implacáveis e impiedosos críticos do comportamento excessivamente tímido de Fanny Price, invoco a clássica lição de Aristóteles acerca do tratamento isonômico: “tratar igualmente os iguais, e desigualmente os desiguais, na medida de suas desigualdades!”
   De qualquer modo, em Mansfield Park é uma outra beleza do caráter humano que se põe em relevo! Curti certa vez um post do Facebook que trazia uma acepção do vocábulo resiliência – capacidade de suportar grandes sofrimentos e pressões, preservando-se o equilíbrio emocional. A meu ver, Mansfield Park é um romance que trata sobre a resiliência e a pureza de coração de sua jovem heroína. Fanny Price sabe suportar pacientemente todo desdém, humilhação e negligência, sem que isso a tornasse uma pessoa amarga e vingativa. Aos leitores é conferido o direito de inflamar o peito de indignação diante das injustiças cometidas contra a heroína ao longo da história, assim como vibrar com um ar de triunfo quando Sir Bertram se apercebe das negligências e maus-tratos para com sua sobrinha e intervém em seu favor, mas não a Fanny Price, que refuta esse sentimento de justificado triunfo e é capaz de poupar seus algozes de verdadeiras acusações.
  Por fim, sei que a defesa que faço de minha doce e querida Fanny Price não será facilmente aceita por muitas das pessoas que integram o Jane Austen Sociedade do Brasil e há de ser tema de infindáveis e acalorados debates em nossos encontros. Que assim seja! É isso que torna nossas discussões ainda mais divertidas e interessantes!

***
Para quem não conhece o poema de Michel em homenagem à Fanny, veja o post aqui


Conheça os outros posts das Colunas de Domingos.

Quintas – Cartas para Madame Austen

Hoje é dia da Coluna das quintas-feiras: Cartas para Madame Austen! 

A coluna de hoje está especial porque conta com a participação de Fanny Price! Isso mesmo,    as cartinhas da quinta edição foram todas escrita por Fanny. Além disso, temos uma nova integrante na equipe de edição: Lady Eliza se junta a Lady Sophie e Lady Emily! Espero que gostem! Madame Austen 
Cartas para madame austen edição 05 abril de 2013 from Adriana Zardini

Veja como funciona: o/a leitor(a) poderá enviar suas dúvidas amorosas, do dia-a-dia, do trabalho… enfim, tudo que você sempre quis perguntar a Austen ou a uma de seus personagens e nunca teve coragem de fazê-lo! 
Como fazer para participar: Suas cartas (digitais, é claro) poderão ser postadas anonimamente através deste formulário. Não é necessário deixar seu nome real, você poderá criar um nome fictício ou incorporar um dos personagens de Austen! Tudo isso é para nos divertimos com os conselhos de Madame Austen! Ser for muito difícil de responder, Madame Austen usará sua bola de cristal para prever seu futuro! 🙂 

E você, gostou da ideia? Participe! 
Envie suas cartas aqui! Totalmente confidencial!

Leia aqui as outras publicações desta coluna.

Declaração a Fanny Price

Clube do Livro, 16 de setembro de 2012 – Mansfield Park


O tempo, o espaço e até mesmo o plano existencial nos separam
Mas o amor transcende a tudo
E nada obstante, eu, mero leitor, em pleno Século XXI, das obras de Jane Austen
Encontro-me sob os efeitos de avassaladora paixão por Fanny Price
A doce e querida protagonista do romance Mansfield Park!
Dirão que é loucura!
Loucura? Só porque com ela danço e sinto os seus braços
Em linhas do livro que só eu mesmo vejo?
Só por jurar saber do sabor dos seus beijos?
Ora, caríssimos, o amor – esta força insolente
Que brota do âmago de nossos corações – é, de fato,
Uma loucura! Isso, entre nós, é praticamente um consenso!
Então por que me negar mergulhar nessa insanidade
E amar loucamente a minha doce e querida Fanny?
Permitam-me suspirar com seus doces olhos claros,
Sua amabilidade de gestos, sua irretocável retidão de caráter,
Sua pureza de sentimentos e seus inigualáveis sorrisos!
Deixem-me que chore por todos aqueles que não enxergam
Os óbvios encantos de seu maravilhoso ser!

Michel Sued

Clube de luta de Jane Austen

Encontrei este vídeo muito engraçado chamado Jane Austen Fight Club (Clube de luta de Jane Austen) onde Fanny Price, Lizzy Bennet, Emma, Marianne e Elinor Dashwood acabam resolvendo tudo com tapas e socos. Trata-se de um vídeo fake com o objetivo de divertir os fãs de Austen, com o slogan: We were no longer “good society” . . .
Gostei muito de Fanny tomando a iniciativa no vídeo! 🙂 Senti falta de Anne Elliot e Catharine Morlland!

Mansfield Park – análise dos personagens

Hoje apresento uma pequena introdução que fiz para a edição de Mansfield Park, versão bilingue, publicada pela Editora Landmark. Para ler o texto, é só clicar no arquivo abaixo e ampliar a tela se necessário.
O texto é curtinho, mas faço algumas considerações sobre Edmund Bertram e Fanny Price (personagens principais). Espero que gostem!

Bonecas de Porcelana

Pessoal, finalmente consegui comprar a primeira boneca da coleção da Planeta Deagostini: Madame Bovary (7,99 reais – preço de lançamento). Eu comprei para ver a qualidade da boneca e poder avaliar se vou encomendar com o jornaleiro as edições com as personagens de Austen. Para maiores detalhes sobre as personagens, leia o post que fiz no dia 01/11/2009. O encarte vem com a boneca e uma revista explicando a origem das bonecas de porcelana, como são feitas, algumas descrições sobre as roupas, e mais algumas páginas sobre personagem da capa. Atenção porque a coleção sai nas bancas de 15 em 15 dias. A primeira custa 7,99, a segunda sai por 14,99 e a partir dai as outras custam 24,99. Mas como são publicações quinzenais dá para colecionar.
A Madame Bovary é uma linda boneca! Muito bonitinha, e os detalhes de sua roupa, cabelos, chapéu, bolsinha, tudo é bem delicado. Tirei a foto abaixo para vocês comprovarem! Vale à pena! Porém, por questão de falta de espaço, vou tentar comprar apenas as heroínas de Austen.

Frase de efeito

Uma citação de Mansfield Park:

“I cannot think well of a man who sports with any woman’s feelings; and there may often be a great deal more suffered than a stander-by can judge of. “

Henry Crawford e Fanny Price

Seria apenas o personagem pensando ou Austen usando o personagem para mandar uma mensagem direta?

Você é viciada em Austen?

Hoje eu vou falar de um assunto que todos nós já percebemos em nosso cotidiano de fãs: somos viciados em Jane Austen! Recentemente conheci a autora Laurie Viera Rigler através de seu site Jane Austen Addict. Laurie escreveu o livro ‘Confessions of a Jane Austen Addict’ (tradução livre: Confissões de uma viciada em Jane Austen). Laurie gentilmente me autorizou traduzir o texto ‘Signs of Addiction‘ – Sinais de Vício.
Sou viciada em Jane Austen – Sinais do vício

* Você se reconhece em alguma destas situações? Se afirmativo, então é hora de revelar!

* Você se esquece de pegar as roupas na lavanderia, mas consegue recitar de cor e salteado a carta do Capitão Wentworth’s para Anne Eliot.
* Seus amigos carregam fotos dos filhos e outras coisas significantes na carteira, enquanto no seu celular tem uma imagem do Colin Firth como Mr. Darcy (ou Matthew MacFadyen, dependendo do seu gosto pessoal).
* Se sua casa está em chamas, você deixa para trás o álbum de fotos da família e seu computador, mas salva sua bonequinha da Jane Austen, a camiseta do Mr. Darcy e o mapa de Bath.
* Enquanto seus amigos fantasiavam sobre o possível vencedor da Copa de 2006, o seu desejo era estar no encontro anual da Jane Austen Society em Tuscon. Contextualizando para as fãs do Brasil: enquanto seus amigos fantasiavam sobre a copa de 2006, você não via a hora de encontrar suas amigas virtuais no próximo orkontro regional.
* Você está com coisas atrasadas no trabalho, escola, organização da casa (complete o espaço em branco de acordo com a sua situação) porque gasta mais da metade do dia visitando os fóruns sobre Jane Austen discutindo se Fanny Price é o exemplo de moral em Mansfield Park ou se é mais chata personagem da história literária.
* Você gasta a outra metade do seu dia nos fóruns discutindo quem é o Mr. Darcy mais bonitão: Colin Firth ou Matthew MacFadyen.
* O ideal de riqueza dos seus amigos é uma casa nas montanhas de Hollywood. Você daria tudo pela primeira edição de Orgulho e Preconceito ou pelo menos uma edição de capa em couro. Falando sério… qualquer uma de nós ficaria feliz da vida com a coleção da Cambridge.
* Você está em uma multidão, numa boate irritante e alguém lhe convida para dançar, você logo responde: “num lugar como esse, seria insuportável” (referência à fala de Mr. Darcy: “At an assembly such as this, it would be insupportable”).
* Você é propenso a fazer citações de romances e filmes, na maioria das vezes fora do contexto (veja citação acima).
* Para seus amigos fazer alguma atividade física significa caminhar ou praticar yoga. Para você é fazer aulas de dança típica da Inglaterra. Quer dizer, se pudesse arrumaria alguém para ir junto com você!

* Sua melhor amiga pensa que você está de brincadeira, apesar de ter visto a última versão de Orgulho e Preconceito duas vezes. Ela, diferente de você, não tem nenhum problema para separar ficção da realidade.

* O seu amado lhe diz que encontraria sua marca favorita facilmente na lojinha mais próxima (com certeza ele não acertará) e acha um absurdo ter que andar de loja em loja porque acha desagradável.

* Você tem apelidos secretos baseados nos personagens de Austen para pessoas importantes em sua vida. Até batiza os animais de estimação em homenagem a um dos personagens. O seu chefe, por exemplo, é o Sr. Noris (referência a tia de Fanny em Mansfield Park). A gata de Laurie se chama Georgiana, em homenagem à irmã de Darcy. Seu marido é o Capitão Harville sempre que ele resolve mexer na caixa de ferramentas, constrói uma prateleira ou pendura um quadro. (E ainda por cima, ele tem que referir-se desse modo também, apesar de nunca ter lido persuasão).
* Você julga os atores e suas respectivas atuações nas adaptações para o cinema e TV dos livros de Austen. Por exemplo, Laurie achou bastante desagradável lembrar-se de Persuasão (1995) quando viu o Ciaran Hinds fazer o papel de um pedófilo na série Prime Suspect series. Captain Wentworth nunca faria tal coisa, ela fez uma tempestade em um copo d’água e logo desligou o DVD. Que vergonha!!
*Por favor, envie seus sinais de vício em Jane Austen! Postarei os meus favoritos aqui no blog! Mas espere, tem mais… amanhã farei um post sobre o artigo de Jeanne Kiefer.
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Este post é de direito autoral de Adriana Sales Zardini e Laurie Veira Rigler, se for citar a tradução favor linkar este blog e/ou fazer citação, como abaixo:
ZARDINI, A.S.; RIGLER, L. V. Sou viciada em Jane Austen. Disponível em: www.janeaustenclub.blogspot.com Acessado em: (coloque a data)