Edmund Bertram e Fanny Price – Bicentenário de Mansfield Park

O que vocês acham dos personagens principais 
de Mansfield Park?
Leia abaixo um breve estudo que realizei em 2010 na ocasião do lançamento da minha tradução Mansfield Park – Editora Landmark.

14 thoughts on “Edmund Bertram e Fanny Price – Bicentenário de Mansfield Park

  1. Renata Ribeiro Oliveira 27/05/2014 / 10:51 AM

    Sinceramente, eu não gosto muito de Mansfield. Acho que a ligação entre Edmund e Fanny era sobre ter um parente que se importasse com você, que o apoiasse. Apesar dos sentimentos de Fanny por Edmund aparecerem desde o começo, não concordei com a realização da união entre eles no final. Amo Jane Austen, li todos os livros, mas acho que esse casal foi forçado.

    Em comparação com o casamento de Marianne e Coronel Brandon, sabemos que ela se casou pelo conforto, ter um homem que a amava. Mas Jane Austen demonstrou (pelo menos foi o que eu percebi) que ela não era apaixonada por ele e sim, por Willoughby. Em Mansfield, deveria ter sido transmitida a mesma emoção. Mas parece que Edmund teve uma epifania e sempre quis se casar com Fanny. Não concordei com essa parte.

    (Desculpe-me pelo desabafo!kkk)

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  2. luciennemachado12 27/05/2014 / 1:49 PM

    Excelente análise! Concordo sobre os personagens tb.
    Acredito que por isso mesmo, não haver a heroína, o mocinho apaixonante, que costumam, muias vezes, não gostarem de MP, como os outros livros de Austen.
    Parece mesmo que poderemos ter boas discussões sobre MP na obra de JA!

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  3. Natalia 27/05/2014 / 9:17 PM

    Eu gosto muito da Fanny, acho que ela é uma das personagens mais fortes de Austen,ela tem firmeza de caráter e uma sensibilidade incrível, uma heroína com força moral, porém extremamente carinhosa e carente a distribuir este carinho.
    Por isso o apego ao Edmund, que sempre (até a chegada da Mary Crawford) lhe ofereceu este carinho.
    Este, por sua vez, enfraquece o romance. Ele não possui um decimo da firmeza de caráter da Fanny, ele destoa com a grandeza dela, o tornando quase um desmerecedor da protagonista.
    Segue-se a isso uma falta de crescimento por parte da personagem, que passa a enxergar a prima após uma decepção de um ideal criado pela sua imaginação e alimentado pela própria Mary.Enquanto a pequena Fanny passa de uma jovem “criada” para, como a Adrina disse, aquela com a opinião mais respeitada por toda familia.
    Quanto ao restante,é um dos livros que mais traz uma discução moral e o que deixa mais em evidência o resultado dos casamentos, arranjados ou por impulso, todos os personagens sofrem as consequências de casamentos mal fadados, como a propria Fanny, os Bertram (criados por pais ausentes), Mrs Norris, os irmãos Crawford e por fim até a Maria.

    Mansfield Park é o livro que eu menos amo, adoro a Fanny, gosto da discussão moral, porém o Edmund me decepciona, que para um herói de Austen, ele é um pouco fraco.

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  4. FLAVIA LIMA 28/05/2014 / 12:26 PM

    Concordo com a Natália. Vejo Fanny como uma das personagens mais fortes, considerando sua condição de vida. Foi entregue a tia,era quase uma empregada, não tinha para onde ou quem voltar. Não era do “sul nem do norte”, e nessa condição poucas opções lhe restavam. Edmund deixa mais a desejar. O que ressalta, nessa obra, é o fato de que não existe um personagem de fato inteligente, como Lyzzy ou Elinor.
    Contudo, admito que não é o seu melhor trabalho. Talvez por não nos atender romanticamente, como a amiga Lucienne citou.

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  5. Tainá Parente 29/05/2014 / 8:20 PM

    Acho que sou uma das poucas pessoas que ama Mansfiel Park como obra. Tenho verdadeira admiração pela Fanny, como tenho pela Elinor, embora eu não goste tanto assim de Razão e Sensibilidade – pois a Marianne me cansa. Mas gosto de Mansfield Park exatamente pelo que você descreveu, todo os valores morais discutidos no livro, sobre família, relacionamento e depravação moral. É um livro muito filosófico mesmo. Em defesa do Edmund, ele é aquele rapaz bom que confundiu empolgação com verdadeiro amor, mas que aos poucos vai reconhendo isso, graças ao seu bom caráter. Geralmente o erro de julgamento é das heroínas, mas no caso de Mansfield Park é o mocinho que tem o erro de julgamento e gosto disso. Gosto de ver a heroína firme aos seus princípios e na minha opinião, a gente descobrir a fortaleza que é Fanny aos poucos, assim como a sua beleza é o mais empolgante do livro. Acho que a evolução disso no livro é meio que também a observação dos personagens sobre ela. Particularmente acredito que as melhores pessoas são assim. Não vemos toda sua beleza imediatamente.

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  6. Tatiane Krempser 06/06/2014 / 4:34 PM

    Eu gosto de Mansfield, embora não seja um dos meus livros preferidos da Jane.

    Também gosto da Fanny, vejo inúmeras qualidades nela (como as meninas disseram, ela tem firmeza de caráter, não abre mão de seus valores, daquilo que acredita), mas ela é um tanto quanto apagadinha. Ok!!! Eu sei que ela é uma heroína diferente da Elizabeth, Emma e etc. Mas vejam a Anne, por exemplo, também é diferente, não tem aquele vigor das outras heroínas, mas eu a amo imensamente.

    Mas o que eu não me conformo no livro, como bem disse a Natália, é o Edmund. Também o considero fraco e acho que a Jane poderia ter dado um outro rumo ao livro, se a 'mudança' do Mr. Crawford fosse verdadeira e, ao final, o Henry e a Fanny ficassem juntos.

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  7. Natalia 10/06/2014 / 12:06 PM

    A Tainá até me fez ver melhor a posição do Edmund. De fato ele faz o julgamento errôneo de caráter, diferente dos demais romances de Austen.
    Mas está contra o Edmund os demais heróis de Jane. Enquanto Edmund se desvia totalmente o carinho que tinha pela prima para o “primeiro rabo de saia” que passa a sua frente, esquecendo até do bem estar da Fanny. Mr. Darcy, apesar do julgamento de caráter da família Bennet (inclusive da Jane) mantem respeito a família, não esquecendo seu dever de cavalheiro. O cap. Frederick Wentworth também passa por um julgamento de caráter errôneo, no entanto, acredito quando digo no geral, amamos ele. Devido ao julgamento se advir de um trauma passado e ele, apesar de tudo, possui uma firmeza de caráter e uma constância na sua visão.
    Concordo com a Adriana, o Edmund é o menos atraente dos heróis,na minha visão, porque não sofreu ou mudou pelo amor da Fanny. Ao perceber seu erro com a Mary Crawford, a fanny estava o esperando de braços abertos.

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  8. Magda Queiroz 10/06/2014 / 4:55 PM

    Olá pessoal. Eu realmente gosto de Mansfield Park. Acho que mostra bem como as pessoas podem fazer escolhas quanto a vida. Acho a Fanny espetacular. Ela sabe o quer da vida e não abre mão disso. Ser tão fiel a seus princípios nos dias de hoje não é bem aceito pelas pessoas. Ela dá um show. Quanto a Edmund parece que ele só acordou realmente pra vida quando começou a madurecer. Apesar de ser um homem sensível era muito imaturo.

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  9. Nay La 12/06/2014 / 2:25 PM

    A grande “sacada” do livro é o fato da personalidade e do próprio Edmund serem ofuscados. Ele ensinou muito a Fanny, e no momento de maior fraqueza dele, ele é retratado nela. Por ser uma mulher e sem nenhuma condição financeira,ela luta com suas únicas armas: a fé, e a força proveniente de um caratér firme, ambas aprendidas com o “herói” que em quase todo o livro parece prestes a sucumbir ao mundanismo de Mary.

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  10. Inês Santana 30/06/2014 / 3:25 AM

    Eu gosto muito de Mansfield Park, aliás não consigo não gostar de nenhum trabalho de Jane Austen. Apesar de ser apaixonada pela leveza e a comicidade de Northanger Abbey, p.ex., a complexidade de Mansfield Park me encanta, Fanny com certeza não é minha heroína predileta, sou mais Lizzy Bennet, mas com certeza para mim Edmund é o pior herói de Miss Austen. Para um pároco acho que ele tem péssimo julgamento das situações e das pessoas e demonstra muita fraqueza quando se apaixona por Mary, porém acho o livro ótimo apesar dos personagens. O que não gosto mesmo é do final, não me conveci que ele se apaixonou por Fanny e ela merecia mais do que ser um premio de consolação e muitas vezes me pergunto se realmente ela o amava ou simplesmente acreditava que sim devido à gratidão e à falta de outros homens ao eu redor, afinal ela começou a ver Henry de um modo diferente quando a visitou na casa dos pais. Sou daquelas que queria ver Fanny e Henry juntos, tenho certeza que ele teria conserto com o casamento, bastaria nossa amada autora permitir. Li em um texto de um dos sobrinhos de Jane Austen que Edmund e Mr.knightley eram os heróis prediletos dela, que eram perfeitos cavaleiros. Mr. knightley é o meu predileto também, sem dúvidas, mas Edmund pode de ter um bom coração, mas poderia ter um pouco mais de personalidade.

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    • chrissy 09/05/2016 / 7:10 PM

      Eu sinto exatamente isso, ele não se apaixonou por ela. Edmund se conformou apenas com sua ” sorte” de ver o carater de Mary Crawford ser revelado antes dele falar demais ou se comprometer demais e procurou consolo na prima que ele ‘ educou” e ” moldou” nos princiios que mais admirava, não é romantico, não é apaixonado ou sequer empolgante, é apenas conveniente ao segundo filho, que idealizava o mundo, que já era cheio de certos e errados e não aguentou a realidade, em alguns momentos alias eu adoro como a Mary Crawford da um gancho de esquerda nos idealismos dele e mostra que existe algo diferente, o mundo real, pessoas reais e ele não pode impor o que é certo e errado; E torcia pros dois ficarem juntos, porque achei que tb teria um bom desenvolvimento. Os dois cresceriam muito e em aspectos lindos, é quase um livro sobre o conformismos dos limites que cada um se impoe, de como o status quo não pode e não deve ser quebrado.

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  11. Suellen 17/06/2015 / 3:52 PM

    Meio que não concordo muito com isso. Claro que, como praticamente todas as leitoras, fiquei desapontada com a falta de paixão de Edmund por Fanny, especialmente no final. Entretanto, temos que considerar a sociedade da época. Como li uma vez em um comentário aqui do site mesmo, Jane decidiu ser muito sincera na concepção dos personagens de Mansfield Park. Edmund é um cara normal, nada idealizado, com qualidades imensas, mas com defeitos terríveis. A visão do casamento na sociedade tinha mais a ver com conveniência do que com paixão. Isso é mostrado de maneira mais verídica em Mansfield Park do que em todas as outras obras da autora. Claro que é mais interessante, bonito e legal ver a paixão ressentida de Anne e Wenthworth ou as diferenças e semelhanças de Darcy e Lizzie… Ou o amor quase que instantâneo de Elinor e Edward.Porém, pelo menos para mim, parece bem claro que a situação de Fanny era mais comum que a das outras. Era o óbvio a se acontecer. Prima pobre mas bem educada, apaixonada e de bom caráter seria a única alternativa razoável para Edmund, principalmente depois da decepção com a Crawnford. Com todos os seus escrúpulos, era isso ou ficar solteiro. Dentro do contexto da época e do romance, Edmund fez o que pode para se reerguer. Fanny não era o amor de sua vida, mas era a única pessoa do mundo em que ele confiava para levar uma vida tranquila, sendo aquilo que ele sempre quis ser. Não era paixão, mas ainda assim era amor, um amor certo, tranquilo e confiável. Diferente de tudo o que ele viveu, e consequentemente sofreu com a outra. Me parece bem plausivel. Não muito romântico, mas perfeitamente aceitável.
    Bjbj e amo o site!

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  12. Adriana Sales 26/06/2015 / 12:17 AM

    Seja bem vinda!!

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