Estereótipos literários: Austen como pioneira do chic lit?

Olá leitores!

Recordo que há alguns anos, uma amiga muito inocentemente me questionou: “Aqui, estes livros da Jane Austen que você gosta de ler, são no estilo daqueles romances de banca, certo? Tipo… Sabrina, Bárbara, Samantha?”

Confesso que naquele fatídico momento, me deu uma vontade louca de dar um murro na cara dela, mas como ela é uma amiga muito especial e devido ao carinho que dedico à nossa amizade, sorri de volta e respondi delicadamente (entre os dentes, é claro!) que ela estava redondamente enganada.

Em referência ainda, aos estereótipos literários que as pessoas insistem em conferir à obra de Austen, o blog Baiana da Baviera trouxe um artigo interessante, o qual recomendamos a leitura e reflexão. O título da referida publicação já é instigante:

Jane Austen: mãe do chic lit?

O conteúdo explora que, apesar das obras austenianas agradarem predominantemente o universo feminino – assim como a maior parte do estilo chic lit o faz -, ainda assim seus livros se destacam por abordar temas delicados àquela época, como a negligência aos direitos civis das mulheres, a falta de poder de escolha feminina quanto aos relacionamentos amorosos, choques nos encontros entre classes, escândalos familiares, entre outros tópicos relevantes que versam as tramas construídas por Austen.

Particularmente, creio que Austen não deve ser classificada num gênero chic lit. Longe de ser um preconceito ao estilo ou não observância da suposição de que ela pudesse desejar sua obra emergindo um alcance popular à época. Acima disso, me valho da plena convicção de que Austen sempre quis dizer muito mais em seus contextos imaginários do que insistem em reparar, a maior parte daqueles que adoram esteriotipar sua obra. Austen caprichava nos diálogos, lançava mão de uma linguagem clara e clássica e ironizava como nenhum outro escritor fora capaz de fazer até hoje.

Jane Austen é sim um cânone literário, ao passo que o chic lit volta sua ambição à prateleira comercializável e não à moldura clássica.

Sorry chic lit, mas em Austen, você é apenas uma referência e não um enquadramento.

Jane Sorridente

Marcelle Vieira Salles

Edição 37 Persuasions on-line

A edição de Persuasions on-line (publicação semestral da JASNA) está disponível para leitura on-line. Os artigos são quase todos relacionados  ao Bicentenário de Publicação de Emma!

persuasions

Vejam abaixo os títulos dos artigos, e para leitura clique aqui na página da JASNA.

“The Encouragement I Received”: Emma and the Language of Sexual Assault
Celia A. Easton

“Could He Even Have Seen into Her Heart”: Mr. Knightley’s Development of Sympathy
Michele Larrow

Emma’s “Serious Spirit”: How Miss Woodhouse Faces the Issues Raised in Mansfield Park and Becomes Jane Austen’s Most Complex Heroine
Anna Morton

“Small, Trifling Presents”: Giving and Receiving in Emma
Linda Zionkowski

Oysters and Alderneys: Emma and the Animal Economy
Susan Jones

Epistolary Culture in Emma: Secrets and Social Transgressions
L. Bao Bui

Divas in the Drawing Room, or Italian Opera Comes to Highbury
Jeffrey A. Nigro
Andrea Cawelti

Mrs. Elton’s Pearls: Simulating Superiority in Jane Austen’s Emma
Carrie Wright

Multimedia Emma: Three Adaptations
Linda Troost
Sayre Greenfield

Jane Austen’s Emma at 200: From English Village to Global Appeal
Gillian Dow

MISCELLANY

Discerning Voice through Austen Said: Free Indirect Discourse, Coding, and Interpretive (Un)Certainty
Laura Moneyham White
Carmen Smith

“The Bells Rang and Every Body Smiled”: Jane Austen’s “Courtship Novels”
Gillian Dooley

Courtship and Financial Interest in Northanger Abbey
Kelly Coyne

Curious Distinctions in Sense and Sensibility
Ethan Smilie

“If Art Could Tell”: A Miltonic Reading of Pride and Prejudice
James M. Scott

Looking for Mr. Darcy: The Role of the Viewer in Creating a Cultural Icon
Henriette-Juliane Seeliger

Replacing Jane: Fandom and Fidelity in Dan Zeff’s Lost in Austen
Paige Pinto

Fanny Price Goes to the Opera: Jonathan Dove and Alasdair Middleton’s Mansfield Park
Douglas Murray

Austen at the Ends of the Earth: The Near and the Far in Persuasion
Katherine Voyles

Jane Austen Bibliography, 2015
Deborah Barnum

Por que Jane Austen era feminista?

A leitora Alexandra Duarte nos presenteia hoje com suas reflexões a respeito de Jane Austen e feminismo. E vocês leitores, o que acham desta perspectiva?

O artigo está disponível para download, basta clicar na imagem abaixo.

 

Orgulho e preconceito: os 200 anos de um livro arrebatador

O Milton Ribeiro publicou em seu blog (30 de agosto) um artigo escrito por Nikelen Witter sobre os 200 anos do livro Orgulho e Preconceito! Os dois até mencionaram a JASBRA! 🙂

Confira o post completo aqui.

Costume Chronicles

Eu já postei algumas traduções de artigos desta webzine no Meu Cantinho Literário. Agora, venho partilhar o documento que fiz, agrupando todas as traduções. A maioria dos artigos aborda Jane Austen e suas obras, por isso achei legal partilhar com vocês, mas todo o conteúdo vale uma lida. Eu gosto do jeito como as pessoas que escrevem abordam os temas.