Manuscritos de Jane Austen

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Outro dia uma pessoa me pediu auxílio para pesquisar os manuscritos de Jane Austen e percebi que não havia divulgado aqui no blog. Portanto, eis aqui o projeto que colocou na Internet os manuscritos de ficção de Jane Austen.

Em 2009 a Morgan Library realizou uma exposição lá em Nova York.

Este ano, como parte das homenagens aos 200 anos de morte de Jane Austen, a Biblioteca Britânica também está com uma exposição “Jane Austen Among Family and Friends” – desde 10 de janeiro até 19 de fevereiro de 2017.

Uma Janeite amiga, a Luciana Campelo, esteve em Londres agora em janeiro e comprovou de perto a exposição. Segundo Luciana, “a exposição é uma fantástica oportunidade de ficar bem pertinho das cartas de Jane Austen!” “Foi muito emocionante“, acrescenta.

 

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Encontrados fragmentos escondidos de Jane Austen que podem estar ligados à Mansfield Park

De acordo com informações da BBC News. Assista ao vídeo abaixo:




Segundo o site Literatortura:

Conservadores do Museu da Jane Austen, em Chawton, na Inglaterra, encontraram um trecho inédito supostamente escrito pelo punho da autora. Nunca antes descoberto, o manuscrito passou 150 anos preso a uma carta para Jane Austen de seu sobrinho, o reverendo James Austen-Leigh, dentro de uma primeira edição das memórias da escritora.



Um grupo de pesquisadores da West Dean College, conseguindo desgrudar o fragmento, decifrou as seguintes palavras: “…grande propriedade preservada – onde quer que seja… queria ser  absolvido do Supersticioso… do Papismo… onde quer que novos estivessem para ser… compostos a fim de preencher e conectar os Serviços… com um espírito verdadeiro.”.
Já na frente do texto, um sermão de Austen-Leigh, lia-se: “Os homens podem cairem um hábito de repetir as palavras de nossas Orações de cor, talvez sem entendê-las completamente – com certeza sem sentir completamente sua força e significado integrais.”.
Apesar de confusos, para especialistas, os fragmentos ecoariam uma passagem do capítulo 34 de “Mansfield Park”na qual as personagens de Henry Crawford, Fanny Price e Edmund Bertram discutem o sermão deste último, e talvez até elucidem a indagação de Crawford: “Muitas vezes fico pensando como a oração deve ser lida, e desejando poder lê-la eu mesmo.”.Levanta-se também a hipótese de que a própria Jane, além de influenciado as ideias da família, tenha escrito os sermões do sobrinho, que, tsc, tsc, escreveu: “Essa é a escrita, mas não as palavras, da autora Jane Austen, minha tia” – nem me fale da violação de propriedade intelectual.
Pertençam a quem pertençam, as palavras serão expostas ainda este ano na Casa-Museu Jane Austen, última morada da famosa escritora.
Veja uma publicação da BBC aqui.

Manuscrito de Jane Austen é vendido por US$ 1,6 milhão em leilão

 Imagem do manuscrito retirada da página Jane Austen Fiction Manuscriptsclique aqui para poder visualizá-lo melhor e ler a transcrição com as respectivas correções feitas por Austen.
Fonte: O Globo
LONDRES – Um manuscrito incompleto de Jane Austen foi vendido num leilão de US$ 1,6 milhão, segundo a Sotheby. O rascunho de “The Watsons” alcançou um valor três vezes maior do que o esperado. Jane Austen publicou seis romances, entre eles “Orgulho e Preconceito”, e morreu em 1817, aos 41 anos.
A obra incompleta é um dos manuscritos de Austen para um romance mais antigos que se conhece. Ele foi provavelmente escrito em 1804, mas não chegou a ser publicado enquanto a autora era viva.
O manuscrito conta a história de quatro irmãs, filhas de um clérigo viúvo. A Sotheby informou que esse é o único grande manuscrito da autora ainda em mãos privadas.
Leia mais sobre esse assunto aqui

Jane Austen não sabia escrever?

Após ler várias vezes as mensagens do google alerta e também após receber um aviso por e-mail das amigas Raquel Oliveira e Luciana Campelo, resolvi escrever sobre uma notícia que a mídia (inclusive brasileira) resolveu espalhar na internet como se fosse o achado do século. 
Vejam as manchetes das nossas digníssimas mídias brasileiras, que só copiaram o que saiu na AFP (Fonte de notícias internacionais):
Este é o pior, pois utiliza uma imagem da PBS (rede de TV), como se fosse a faculdade de Oxford ou algo parecido…. – Escritora Jane Austen era péssima em ortografia”, diz especialista de Oxford (Correio do Povo)

Manchetes internacionais:

Jane Austen’s notes ‘messy’ (Stuff da Nova Zelândia)

Pride, prejudice and poor punctuation (The Guardian do Reino Unido)

Este último ao menos citou os exemplos da fala da pesquisadora que estudou mais de 1000 manuscritos de Austen. Farei meu comentário a seguir. Porém, eu gostaria de falar um pouco sobre a função da pesquisa acadêmica antes!

Em defesa da pesquisa acadêmica

Muitas pessoas, acham que as pesquisas acadêmicas são unanimidades e fatos consumados. Ora, a ciência não é exata! Quando uma pesquisadora da Faculdade de Letras, em 1998, pesquisou a utilização de cê e ocê pelos mineiros da capital, ela apenas estava fazendo um levantamento dos usos destas palavras para substituir a palavra você. Jânia Marinho chegou a conclusão de que muitos universitários usavam ‘cê’ (Cê vai lá em casa hoje), enquanto as pessoas com um nível escolar inferior usavam mais ‘ocê’ (Ocê é de Belo Horizonte?). Nem por isso a pesquisadora quis dizer que quem usava/usa estas variações de palavras é analfabeto ou iletrado. A pesquisa serviu para clarear algumas coisas, mas sequer afirmar que todos os unviersitários dizem assim ou assado. Entendem agora, qual é o objetivo de uma pesquisa acadêmica? É mostrar a realidade daquele determinado momento, espaço pesquisado. A pesquisa acadêmica não faz generalizações se se concentra apenas em um grupo pesquisado.
Para conhecer uma pesquisa de doutorado de Edenize Ponzo Peres, orientada por Júnia Marinho, a respeito ‘O Uso de Você, Ocê e Cê em Belo Horizonte: Um Estudo em Tempo Aparente e em Tempo Real’ clique aqui – no banco de dados de teses e dissertações da UFMG.
O trabalho de Kathryn Sutherland
A pesquisa da Professora Kathryn Sutherland da Faculdade de Língua e Literatura da Universidade de Oxford. Para quem não conhece Kathryn, ela é autora de Jane Austen’s Textual Lives (2005)
Leia aqui uma resenha do livro, escrita por Laurie Kaplan para o JASNA News em 2007.
Leia aqui o artigo completa da Oxford University: Austen’s famous style may not be hers after all
Discussão sobre a pesquisa de Kathryn
Abaixo, vocês poderão ler alguns trechos que traduzi do artigo publicado pela Oxford University.
A verdade universalmente reconhecida – A prosa polida de Emma e Persuasão foi produto da intervenção de um editor, descobre uma pesquisadora da Universidade de Oxford.
Minha pergunta: alguém, mesmo nos tempos de Austen, publica um livro sem revisão ou sem autorização do editor?

A pesquisa de Kathryn Sutherland foi baseada em um estudo de 1100 páginas manuscritas por Jane Austen, ainda não publicadas.Estes manuscritos fazem parte da herança que Cassandra Austen (irmã da escritora) deixou em 1845. A professora Sutherland afirmou: “É amplamente difundido que Austen tinha um estilo perfeito – seu irmão Henry, em uma fase muito conhecida, disse, em 1818: “Tudo foi editado por Austen” e muitos estudiosos compartilham esta visão ainda hoje. Após a leitura dos manuscritos, Kathyn pode perceber que toda essa perefeição na existia. “Pude perceber muitos erros, correções e até manchas. Ela passou por cima de muitas regras de escrita da língua inglesa. Especialmente em Emma e Persuasão, podemos ver que a pontuação tão cuidadosa não estava presente nos manuscritos.”
Minha pergunta: Estão acusando Austen de escrever manuscritos e deixá-los com marcas de correção e sujeiras de tinta? Ora, naquela época o papel custava caro, não se faziam bolas de papel e simplesmente as jogavam no lixo só porque erraram uma linha do texto. E se este manuscrito conter apenas a primeira de algumas versões? Só eu sei o quanto sofri  ao traduzir Mansfield Park, porque recebi a versão de 1814 (só fiquei sabendo disso após o livro ser publicado), sendo que a atual corrigida e modificada por Jane Austen e Chapman é a de 1816.  

A professora Sutherland acrescenta: “Isto sugere que alguém esteve bastante envolvido no processo de edição que houve até a versão final (a impressa) dos livros. Além de cartas entre o John Murray II (dono da editora) e o editor William Gifford, onde o John salientava a necessidade de correção nos escritos de Austen. John Murray II, que também publicou obras de Byron, publicou os livros de Austen nos últimos dois anos da carreira de apenas 7 anos de livros publicados de Austen, tendo publicado: Emma, a segunda edição de Mansfield Park (1816) e Persuasão. A professora Sutherland explica: “Razão e Sensibilidade, Orgulho e Preconceito e a primeira edição de Mansfield Park (1814) não foram publicações de Murray e foram previamente vistas por alguns críticos como exemplos de péssima escrita – na realidade, o estilo de escrita destes romances ficam muito próximos dos manuscritos de Austen!”
Ao estudar os manuscritos não publicados de Austen pela primeira vez, ofereceu uma oportunidade para a Professora Sutherland ficar mais íntima dos talentos da escritora. Sutherland diz: “os manuscritos de Austen revelam que ela era uma escritora inovadora e que gostava de experimentar, constantemente tentando novas coisas, demonstrando que ela era muito melhor em diálogos e conversas do que no estilo descritivo“. “Além de tudo, ela é uma romancista cujo siginificantes efeitos podem ser observados em diálogos e representações dramáticas dos personagens através da fala. Os manuscritos estão sem parágrafos, fazendo com diferentes falas se misturem umas às outras; palavras sublinhadas e uso aleatório de letras maiúsculas nos dão a direção de que são palavras ou frasese que deveriam ser falas.”… “Certamente estes manuscritos mostram uma outra face de Austen, bem diferente da que vimos e lemos nos livros publicados.”
Isto então a torna menos gênio do que é?” – pergunta a professora Kathryn e em seguida ela mesmo responde: “Eu creio que não, de fato, isso a torna ainda mais interessante, e muito mais moderna e inventiva do que pensávamos.” “O estilo de austen é muito mais íntimo e relaxado, tende mais para o lado da conversa.” … “Sua pontuação é muito mais desleixada, muito parecida com a que os nossos alunos fazem e insistimos para que eles não o façam.”…. “Jane usava letras maiúsculas e sublinhava palavras que ela achava importante, de uma maneira que nos aproxima mais da linguagem falada do que a da impressa.”
A Edição Digital de Jane Austen publica on-line os Manuscritos da Ficção de Austen, até então não publicados, e disponibiliza gratuitamente para qualquer pesquisador ou pessoa interessada.
Minha pergunta: Onde nossos queridos jornalistas de plantão estavam onde apenas republicaram uma notícia pela metade? Isso só demonstra que eles nem sequer tentaram entender o estudo sobre Austen, apenas retransmitiram, ou, se estivessem no Twitter, apenas retuitaram sem sequer levar à sério a questão.
Austen seria aprovada se vivesse no século XXI?
Certamente não… nem ela, nem os reis da Europa ou estudiosos do século XIX. E se pensarmos no ENEM? Também não, pelo simples fato de que esta prova não é só uma prova de múltipla escolha, cobra também uma redação. O aluno que pretende fazer Enem deve estar preparado para responder questões contemporâneas e multdisciplinares e não apenas questões gramatiqueiras. As questões desta prova não são objetivas, são perguntas elaboradas que exigem reflexão e raciocínio, assuntos que não são ensinados em nossas escolas, pois nossos alunos estão ‘programados’ para responder questões simples e as respostas são facilmente decoradas pela leitura de livros.  
A minha indignação é sobre como as pessoas fazem muito barulho por nada! O estudo da professora Kathryn Sutherland em nada desqualifica a obra de Austen, pelo contrário, mostra que para se chegar à um livro publicado é preciso muita revisão. Além disso, a maioria das pessoas em 1817 eram analfabetas ou não possuíam letramento o suficiente para ler livros; então os livros de Austen eram lidos em voz alta, por aqueles que podiam ler (vemos isso nos filmes e séries de tv), sendo assim, para a maioria de seus fãs daquela época, a ortografia não era importante.

*Leia aqui o texto indignado de Vic Sanborn (Jane Austen’s World) sobre esta questão.
** Também estamos discutindo o assunto lá no Fórum JASBRA.
*** O link para os manuscritos estão disponíveis aqui (post publicado em maio deste ano)

Manuscritos de Jane Austen na Internet

Queridos leitores, quero lhes pedir desculpas por ficar tanto tempo sem postar notícias aqui no blog. Explico: estive no Rio de Janeiro, de 27 a 29 de maio, para o Seminário Lingnet da UFRJ e praticamente fiquei sem conexão com a internet. O seminário foi muito produto e promete contar maiores detalhes em um outro post, ok?
A dica de hoje é um sobre um post que a Biblioteca Florestan Fernandes da Ciências Humanas da USP publicou:
Quem pesquisa literatura inglesa ou mesmo a presença de mulheres na literatura pode agora contar com uma fonte interessante: o site Jane Austen Fiction’s Manuscripts, que oferece acesso gratuito aos escritos originais desta proeminente autora inglesa.
Pelo site, é possível a consulta aos manuscritos no formato de fac-símile puro (como um arquivo de imagem), no formato texto, que apresenta a imagem do original mais uma transcrição do que está escrito na página em destaque, e também a nota explicativa sobre o arquivo visualizado.

Quero aproveitar a oportunidade e agradecer ao blog da USP por divulgar o link da JASBRA por lá.

Nova Coleção da Cambridge

A Editora Cambridge lançará agora no início do ano uma nova coleção de livros de capa dura da Jane Austen: The Cambridge Edition of the Works of Jane Austen 9 volume HB set.
Serão 9 livros com comentários dos mais respeitados acadêmicos como Peter Sabor, Barbara Benedict, Dorothy McMillan, Jane Todd, Linda Bree, Richard Cronin e John Wiltshire.
Esta versão moderna, composta por 9 volumes: os seis livros publicados (Sense and Sensibility, Pride and Prejudice, Mansfield Park, Emma, Northanger Abbey and Persuasion), acompanhados de por dois manuscritos de Jane, escritos em sua adolescência. Cada livro é editado por renomados estudiosos de Austen e inclui informações a respeito das circunstâncias de criação e publicação dos trabalhos, assim como as críticas recebidas na época, além de notas textuais e explicativas. O conjunto de livros oferece também artigos sobre a vida, trabalho e sobre a época de Jane.

Conteúdo

– Juvenília editado por Peter Sabor;

– Northanger Abbey editado por Barbara Benedict and Deirdre Le Faye;

– Sense and Sensibility editado por Edward Copeland;
– Pride and Prejudice editado por John Wiltshire;
– Emma editado por Richard Cronin and Dorothy McMillan;

– Persuasion editado por Janet Todd and Antje Blank;

– Manuscritos editados por Janet Todd and Linda Bree;

– Jane Austen em contexto editado por Janet Todd.

Após todas essas novidades … infelizmente tenho que lhes dizer que os livros apesar não lançados oficialmente, no site da Cambridge está por 800,00 dólares ou 475,00 libras (já com desconto no site da amazon.uk). A previsão de lançamento segundo o site da amazon.uk é para 31 de janeiro.

Não coloquei a capa aqui neste post porque a capa que está no site é a antiga.

Falando de Cambridge, aproveito o post para agradecer ao meu amigo Marcelo – representante da Cambridge em Minas Gerais pela linda agenda (com citações diárias no rodapé).