Dois séculos sem Jane Austen – Rádio UFMG Educativa

O mercado editorial sempre foi muito limitado para as escritoras. Hoje em dia temos mais mulheres escrevendo, publicando e aparecendo no universo da literatura, mas esse espaço é recente. Agora imagine a situação há mais de dois séculos atrás? Pois foi nesse contexto hostil à participação feminina que deflorou uma das escritoras mais influentes da história, a inglesa Jane Austen. Autora de clássicos como Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade, suas obras marcaram um novo tipo de romance. E neste mês, lembramos os 200 anos de morte de Jane Austen.

Ouça a entrevista com a Presidente da JASBRA, sigla para Jane Austen sociedade do Brasil, Adriana Sales, que também é doutoranda em estudos linguísticos pela UFMG. Tamanho: 13,70 MB

A entrevista foi ao ar em 28/07/2017 no programa Universo Literário. Ouça aqui.

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Jane Austen na Rádio UFMG Educativa

Prezados leitores, estou bastante afastada do blog nesses últimos devido aos compromissos em homenagem à Jane Austen no Rio de Janeiro. Em breve eu publicarei as imagens e impressões aqui no blog, ok?

Eu estou publicando esse post para avisar que recebi um convite da Rádio UFMG Educativa para conceder uma entrevista a respeito de Jane Austen, na próxima segunda-feira, dia 24 de julho de 2017 às 09:15 da manhã. Por motivos de falhas técnias, a entrevista foi transferida para o dia 28 de julho e está disponível aqui para baixar ou escutar on-line.

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Para escutar a rádio clique aqui. Posteriormente eu colocarei aqui o link para quem não puder escutar o programa em tempo real.

Escola de Veterinária e UFMG

Achei tão bonitinho e gentil a atitude do responsável pela nova logomarca da Escola de Veterinária da UFMG, que resolvi publicar aqui no blog. Eles citam e usam a fonte Jane Austen ao criar e apresentar a nova identidade visual da faculdade! Vejam os detalhes aqui neste post.

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Jane Austen é Pop – Mulheres em Letras na UFMG

Hoje a partir de 15:45, Adriana Sales (Presidente da Jasbra) fará uma palestra na UFMG, com o título “Jane Austen é Pop”. A apresentação deste trabalho tem como objetivo fazer uma discussão a respeito das produções para o cinema e televisão, assim como os desdobramentos nas redes sociais, inclusive Youtube, que transformou Jane Austen em cultura pop.

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Jane Austen no Intermídia 2017

Prezados leitores,

amanhã começará na Universidade Federal de Minas Gerais o Intermídia 2017, clique aqui para maiores informações.

No dia 11, quinta-feira, farei a apresentação de um trabalho sobre ‘A popularização de Jane Austen nas Redes Sociais’ – horário: 08 às 09:30

O trabalho faz parte das minhas pesquisas de Doutorado em Estudos Linguísticos na Faculdade de Letras, UFMG.

Intermidia 2017

Mulheres em Letras e Jane Austen

O V Colóquio Mulheres em Letras acontecerá esta semana entre os dias 18 a 20 de abril na Faculdade de Letras – UFMG. A escritora homenageada este ano é a Lygia Fagundes Telles. 

Como o grupo de pesquisa também tem uma linha de pesquisa sobre representanções de gênero, alguns membros da JASBRA decidiram inscrever trabalhos para apresentação neste colóquio. As duas apresentações acontecerá no dia 18 de abril (confiram abaixo) na Faculdade de Letras: 
16:00h às 17:30h – Sessões simultâneas de comunicações 

Mesa 8: Representações de gênero

Local: sala 3051C –  Coordenação: Maria do Socorro Vieira Coelho (UFMG/Unimontes)

– As relações de gênero na obra Jeannette, de Amélia Beviláqua – Adelino Frazão (UESPI)

– Jane Austen, escritora conservadora ou liberal – ou os dois? – Adriana Zardini (CEFET-MG)

– A criação de personagens masculinas sob a ótica feminina em Orgulho e preconceito, de Jane Austen – Amílcar Figueroa Peres dos Santos (CEFET-MG)

– A representação do feminino no poema ‘A mulher adormecida’, de Cecília Meireles – Roberta Donega Silva (UNESP)

– Figurações do feminino na poética de Cecília Meireles – Nathalia de Aguiar Ferreira Campos (UFMG)

Para conferir a programação completa, clique aqui.

Clique aqui para maiores informações sobre inscrições para ouvintes e participações em mini-cursos.

O universo feminino nas obras de Jane Austen

Com o corre-corre do meu dia-a-dia acabei me esquecendo de divulgar um artigo que escrevi para Revista Em Tese da Pós Graduação em Estudos Literários da UFMG. Participei de um congresso Chamado Mulheres em Letras e após a minha apresentação, fui convidada a escrever um artigo para a revista.
Entre os pontos que merece destaque neste artigo estão: o papel da mulher na sociedade, no casamento e dentro do seio familiar, os direitos da mulher e por fim, Jane Austen e o feminismo.

Abaixo, o arquivo gratuito para download:

Jane Austen será homenageada na UFMG

O grupo de estudos literários ‘Mulheres em Letras‘ da Universidade Federal de Minas Gerais realizará o I Encontro Nacional e III Colóquio Mulheres em Letras, entre os dias 5 a 7 de maio/2011. Sob o nome de ‘Escritoras de ontem e de hoje’ o encontro fará diversas homenagens à escritoras de várias gerações, entre elas nossa querida Jane Austen. O evento é aberto à todos interessados em literatura de autoria feminina.
Para quem deseja conhecer um pouco mais sobre o grupo de estudos ‘Mulheres em Letras‘,  visita o site aqui. É possível ler os jornais publicados pelo grupo, entre outros assuntos.
Além de Austen, as homenageadas são: Elisa Lispector (irmã de Clarice), Dinah Silveira de Queiroz (além de escritora, foi tradutora, inclusive de Razão e Sensibilidade), Elizabeth Bishop e Teresa Margarida da Silva Orta. Confira detalhes sobre as homenageadas aqui.
A homenagem à Jane Austen será feita por mim, Adriana Zardini,  e Elaine Rodrigues (membro da JASBRA e professora de Inglês e Literaturas Americana-Inglesa) em uma seção de mesa redonda.
Além disso, foram convidadas diversas escritoras para debates e palestras. Entre elas: Lya Luft, Vera Casa Nova, Lúcia Castello Branco, Ruth Silviano Brandão, Cristiane Sobral, Leda Maria Martins e Carola Saavedra. Veja aqui maiores detalhes.
A programação completa poderá ser acessada aqui, e para aqueles que desejam participar do evento como ouvintes o valor é R$ 10,00 (pelos três dias), clique aqui e faça sua inscrição.
Local do evento: Faculdade de Letras da UFMG, Campus Pampulha em Belo Horizonte.

Jane Austen não sabia escrever?

Após ler várias vezes as mensagens do google alerta e também após receber um aviso por e-mail das amigas Raquel Oliveira e Luciana Campelo, resolvi escrever sobre uma notícia que a mídia (inclusive brasileira) resolveu espalhar na internet como se fosse o achado do século. 
Vejam as manchetes das nossas digníssimas mídias brasileiras, que só copiaram o que saiu na AFP (Fonte de notícias internacionais):
Este é o pior, pois utiliza uma imagem da PBS (rede de TV), como se fosse a faculdade de Oxford ou algo parecido…. – Escritora Jane Austen era péssima em ortografia”, diz especialista de Oxford (Correio do Povo)

Manchetes internacionais:

Jane Austen’s notes ‘messy’ (Stuff da Nova Zelândia)

Pride, prejudice and poor punctuation (The Guardian do Reino Unido)

Este último ao menos citou os exemplos da fala da pesquisadora que estudou mais de 1000 manuscritos de Austen. Farei meu comentário a seguir. Porém, eu gostaria de falar um pouco sobre a função da pesquisa acadêmica antes!

Em defesa da pesquisa acadêmica

Muitas pessoas, acham que as pesquisas acadêmicas são unanimidades e fatos consumados. Ora, a ciência não é exata! Quando uma pesquisadora da Faculdade de Letras, em 1998, pesquisou a utilização de cê e ocê pelos mineiros da capital, ela apenas estava fazendo um levantamento dos usos destas palavras para substituir a palavra você. Jânia Marinho chegou a conclusão de que muitos universitários usavam ‘cê’ (Cê vai lá em casa hoje), enquanto as pessoas com um nível escolar inferior usavam mais ‘ocê’ (Ocê é de Belo Horizonte?). Nem por isso a pesquisadora quis dizer que quem usava/usa estas variações de palavras é analfabeto ou iletrado. A pesquisa serviu para clarear algumas coisas, mas sequer afirmar que todos os unviersitários dizem assim ou assado. Entendem agora, qual é o objetivo de uma pesquisa acadêmica? É mostrar a realidade daquele determinado momento, espaço pesquisado. A pesquisa acadêmica não faz generalizações se se concentra apenas em um grupo pesquisado.
Para conhecer uma pesquisa de doutorado de Edenize Ponzo Peres, orientada por Júnia Marinho, a respeito ‘O Uso de Você, Ocê e Cê em Belo Horizonte: Um Estudo em Tempo Aparente e em Tempo Real’ clique aqui – no banco de dados de teses e dissertações da UFMG.
O trabalho de Kathryn Sutherland
A pesquisa da Professora Kathryn Sutherland da Faculdade de Língua e Literatura da Universidade de Oxford. Para quem não conhece Kathryn, ela é autora de Jane Austen’s Textual Lives (2005)
Leia aqui uma resenha do livro, escrita por Laurie Kaplan para o JASNA News em 2007.
Leia aqui o artigo completa da Oxford University: Austen’s famous style may not be hers after all
Discussão sobre a pesquisa de Kathryn
Abaixo, vocês poderão ler alguns trechos que traduzi do artigo publicado pela Oxford University.
A verdade universalmente reconhecida – A prosa polida de Emma e Persuasão foi produto da intervenção de um editor, descobre uma pesquisadora da Universidade de Oxford.
Minha pergunta: alguém, mesmo nos tempos de Austen, publica um livro sem revisão ou sem autorização do editor?

A pesquisa de Kathryn Sutherland foi baseada em um estudo de 1100 páginas manuscritas por Jane Austen, ainda não publicadas.Estes manuscritos fazem parte da herança que Cassandra Austen (irmã da escritora) deixou em 1845. A professora Sutherland afirmou: “É amplamente difundido que Austen tinha um estilo perfeito – seu irmão Henry, em uma fase muito conhecida, disse, em 1818: “Tudo foi editado por Austen” e muitos estudiosos compartilham esta visão ainda hoje. Após a leitura dos manuscritos, Kathyn pode perceber que toda essa perefeição na existia. “Pude perceber muitos erros, correções e até manchas. Ela passou por cima de muitas regras de escrita da língua inglesa. Especialmente em Emma e Persuasão, podemos ver que a pontuação tão cuidadosa não estava presente nos manuscritos.”
Minha pergunta: Estão acusando Austen de escrever manuscritos e deixá-los com marcas de correção e sujeiras de tinta? Ora, naquela época o papel custava caro, não se faziam bolas de papel e simplesmente as jogavam no lixo só porque erraram uma linha do texto. E se este manuscrito conter apenas a primeira de algumas versões? Só eu sei o quanto sofri  ao traduzir Mansfield Park, porque recebi a versão de 1814 (só fiquei sabendo disso após o livro ser publicado), sendo que a atual corrigida e modificada por Jane Austen e Chapman é a de 1816.  

A professora Sutherland acrescenta: “Isto sugere que alguém esteve bastante envolvido no processo de edição que houve até a versão final (a impressa) dos livros. Além de cartas entre o John Murray II (dono da editora) e o editor William Gifford, onde o John salientava a necessidade de correção nos escritos de Austen. John Murray II, que também publicou obras de Byron, publicou os livros de Austen nos últimos dois anos da carreira de apenas 7 anos de livros publicados de Austen, tendo publicado: Emma, a segunda edição de Mansfield Park (1816) e Persuasão. A professora Sutherland explica: “Razão e Sensibilidade, Orgulho e Preconceito e a primeira edição de Mansfield Park (1814) não foram publicações de Murray e foram previamente vistas por alguns críticos como exemplos de péssima escrita – na realidade, o estilo de escrita destes romances ficam muito próximos dos manuscritos de Austen!”
Ao estudar os manuscritos não publicados de Austen pela primeira vez, ofereceu uma oportunidade para a Professora Sutherland ficar mais íntima dos talentos da escritora. Sutherland diz: “os manuscritos de Austen revelam que ela era uma escritora inovadora e que gostava de experimentar, constantemente tentando novas coisas, demonstrando que ela era muito melhor em diálogos e conversas do que no estilo descritivo“. “Além de tudo, ela é uma romancista cujo siginificantes efeitos podem ser observados em diálogos e representações dramáticas dos personagens através da fala. Os manuscritos estão sem parágrafos, fazendo com diferentes falas se misturem umas às outras; palavras sublinhadas e uso aleatório de letras maiúsculas nos dão a direção de que são palavras ou frasese que deveriam ser falas.”… “Certamente estes manuscritos mostram uma outra face de Austen, bem diferente da que vimos e lemos nos livros publicados.”
Isto então a torna menos gênio do que é?” – pergunta a professora Kathryn e em seguida ela mesmo responde: “Eu creio que não, de fato, isso a torna ainda mais interessante, e muito mais moderna e inventiva do que pensávamos.” “O estilo de austen é muito mais íntimo e relaxado, tende mais para o lado da conversa.” … “Sua pontuação é muito mais desleixada, muito parecida com a que os nossos alunos fazem e insistimos para que eles não o façam.”…. “Jane usava letras maiúsculas e sublinhava palavras que ela achava importante, de uma maneira que nos aproxima mais da linguagem falada do que a da impressa.”
A Edição Digital de Jane Austen publica on-line os Manuscritos da Ficção de Austen, até então não publicados, e disponibiliza gratuitamente para qualquer pesquisador ou pessoa interessada.
Minha pergunta: Onde nossos queridos jornalistas de plantão estavam onde apenas republicaram uma notícia pela metade? Isso só demonstra que eles nem sequer tentaram entender o estudo sobre Austen, apenas retransmitiram, ou, se estivessem no Twitter, apenas retuitaram sem sequer levar à sério a questão.
Austen seria aprovada se vivesse no século XXI?
Certamente não… nem ela, nem os reis da Europa ou estudiosos do século XIX. E se pensarmos no ENEM? Também não, pelo simples fato de que esta prova não é só uma prova de múltipla escolha, cobra também uma redação. O aluno que pretende fazer Enem deve estar preparado para responder questões contemporâneas e multdisciplinares e não apenas questões gramatiqueiras. As questões desta prova não são objetivas, são perguntas elaboradas que exigem reflexão e raciocínio, assuntos que não são ensinados em nossas escolas, pois nossos alunos estão ‘programados’ para responder questões simples e as respostas são facilmente decoradas pela leitura de livros.  
A minha indignação é sobre como as pessoas fazem muito barulho por nada! O estudo da professora Kathryn Sutherland em nada desqualifica a obra de Austen, pelo contrário, mostra que para se chegar à um livro publicado é preciso muita revisão. Além disso, a maioria das pessoas em 1817 eram analfabetas ou não possuíam letramento o suficiente para ler livros; então os livros de Austen eram lidos em voz alta, por aqueles que podiam ler (vemos isso nos filmes e séries de tv), sendo assim, para a maioria de seus fãs daquela época, a ortografia não era importante.

*Leia aqui o texto indignado de Vic Sanborn (Jane Austen’s World) sobre esta questão.
** Também estamos discutindo o assunto lá no Fórum JASBRA.
*** O link para os manuscritos estão disponíveis aqui (post publicado em maio deste ano)