Jane Austen é mais atual do que você imagina

Tive o prazer de falar sobre Jane Austen para o portal Protagonista!! Minhas contribuições estão ao longo do texto:

Os ensinamentos que a romancista do século XIX deixou no mundo, por meio de ótimas histórias e grandes protagonistas, serão sempre lembrados como revolucionários.

* O texto abaixo é um recorte da matéria publicada pelo Portal Protagonista, para ler o texto completo clique aqui.

Adriana Sales Zardini é Docente do CEFET-MG, possui Doutorado em Estudos Linguísticos pela Faculdade de Letras, UFMG. Além disso, é editora da Revista Literausten, participa do Podcast Café com Jane Austen, é presidente da Jane Austen Sociedade do Brasil desde 2009, escreve no blog Jane Austen Brasil desde 2008, é autora de diversos capítulos de livros e artigos sobre a escritora, além de ter traduzido Emma, Mansfield Park e Razão e Sensibilidade. Atualmente é membro da JASNA (Jane Austen Society of North America) e JASA (Jane Austen Society of Australia). A mesma relata que “Jane Austen recebeu uma educação simples em internatos, mas foi na casa dos pais que recebeu a instrução mais valiosa. Austen é filha do Reverendo George Austen, conhecido por seus sermões e, principalmente, por receber alunos que desejam se preparar para os estudos universitários. Assim, Jane tinha à sua disposição uma vasta biblioteca. Foi ali entre os livros que a escritora ‘colheu’ inspiração para tantas histórias maravilhosas como as que ela escreveu. Na época de Austen, não era comum uma moça escrever livros, muito menos com o objetivo de ganhar dinheiro. A família de Jane pertencia à ‘gentry class’, pessoas educadas, porém sem título de nobreza ou grandes heranças.”

“Austen muito provavelmente desejava apenas expressar suas opiniões e visão do mundo ao escrever. A importância de Austen na literatura universal é marcada, principalmente, pela escolha de temáticas simples, porém, que são factíveis em qualquer sociedade, inclusive no Brasil. O olhar certeiro de Austen para questões do foro íntimo é o que a escritora traz de revolucionário em suas obras. Naquela época, as mulheres viviam quase que exclusivamente para o lar. Eram raros os casos de mulheres com educação formal e que tinham como objetivo o trabalho fora de casa”, descreve Adriana Sales.

“Austen muito provavelmente desejava apenas expressar suas opiniões e visão do mundo ao escrever. A importância de Austen na literatura universal é marcada, principalmente, pela escolha de temáticas simples, porém, que são factíveis em qualquer sociedade, inclusive no Brasil. O olhar certeiro de Austen para questões do foro íntimo é o que a escritora traz de revolucionário em suas obras. Naquela época, as mulheres viviam quase que exclusivamente para o lar. Eram raros os casos de mulheres com educação formal e que tinham como objetivo o trabalho fora de casa”, descreve Adriana Sales.

Segundo Adriana Sales, “O universo feminino é apresentado em diversas nuances. Desde as mocinhas que nasceram em famílias ricas até as que passam por situações vexatórias por serem pobres. Ao descrever os hábitos e comportamentos da sociedade em que viveu, Austen nos dá um panorama sobre como era ser mulher naquele período. Se fizermos uma leitura mais detalhada de suas obras, podemos perceber inúmeros exemplos de regras de etiqueta, comportamento em público e privado, formas de se vestir e se arrumar, protocolos para fazer e receber visitas, cotidiano da vida rural da classe média inglesa, entre outros.”

“Sobre as personagens femininas, cada uma tem sua função em ‘abrir’ os olhos do leitor para questões que mereciam ser discutidas naquela época e continuam atuais até hoje.”, diz Adriana Sales. “As heroínas de Austen se mostram revolucionárias por terem um comportamento diferente, não rebelde, do que era esperado para mocinhas naquela época. Isso, por si só, já traz uma importância enorme para esse hall de personagens Austeneanas. Em graus diferentes, elas não se conformaram em viver a vida estabelecida para mulheres daquela época. Obviamente, Austen não é uma escritora feminista, o termo nem existia naquela época. Porém, podemos considerar as discussões presentes em seus livros como discussões acaloradas sobre a posição da mulher na sociedade no século XIX.” 

Adriana Sales relata como Jane Austen influenciou em sua vida, carreira e em como ela ajudou outros fãs a se encontrarem e terem referências: “Eu comecei a ler Austen na graduação em Letras e quando fui estudar nos Estados Unidos comprei todos os livros da autora. Durante a minha graduação pude assistir várias adaptações das obras de Austen, algumas inclusive no cinema, como Emma (1995). Eu fui me envolvendo com Austen aos poucos, até que em 2005 assisti uma nova adaptação de Orgulho e Preconceito para o cinema e ao chegar em casa já fui entrando no Orkut para ver se havia uma comunidade brasileira do livro/filme. Ao longo da minha participação nesse grupo no Orkut, que em 2005 já possuía mais de 10 mil membros, percebi que as pessoas tinham muita dificuldade de encontrar informações sobre Austen em língua portuguesa. Assim, em fevereiro de 2008, criei o primeiro blog/site referência sobre a escritora com o objetivo de divulgar a vida e obra de Austen, além de atualizar os leitores sobre notícias e lançamentos de adaptações e livros traduzidos.”

“No ano seguinte, em 2009, eu e mais algumas amigas fundamos a Jane Austen Society of Brazil, primeira sociedade da escritora em língua latina, com o propósito de organizar eventos e publicações semelhantes às que ocorrem na Inglaterra, Estados Unidos, Canadá e Austrália. Até o momento, já traduzi três obras de Austen: Mansfield Park, Sense and Sensibility e Emma. Nossa sociedade já realizou inúmeros eventos, inclusive em outros estados do Brasil, para reunir leitores e fãs. Nesses eventos, temos roda de leitura, exibição de filmes ou séries de TV, apresentação de pesquisas e artigos científicos, entre outros. Nosso trabalho é reconhecido pelas Jane Austen Societies ao redor do mundo e, constantemente, somos convidados para eventos em outros países ou on-line.”

Ela continua: “Desde 2017, publicamos a Revista Literausten, primeira revista acadêmica totalmente dedicada à escritora, cujo objetivo é promover a discussão e divulgação dos trabalhos e pesquisas acerca de Austen aqui no Brasil. Atualmente, por causa da pandemia, estamos realizando lives no nosso perfil no Instagram (@janeaustenbrasil) e depois publicamos também no Youtube (Jane Austen Sociedade do Brasil). Vamos completar, agora em outubro, nossa 60ª live, que faz parte do projeto #janeaustenlives, cujo objetivo é entrevistar pesquisadores que fazem ou já concluíram pesquisas sobre os mais variados assuntos relativos à Austen e suas obras. Além disso, temos também um projeto chamado #RelendoAusten que proporciona a leitura coletiva e discussão das obras de Austen.”

Além dos projetos de leitura, Adriana possui uma trajetória de 12 anos de dedicação exclusiva ao universo da autora e diz ter “muita satisfação em falar da escritora e suas obras”. Como acadêmica, ela diz sempre encontrar um ‘jeitinho’ de falar Austen em suas aulas. “Em 2011, realizei um curso na Universidade de Oxford sobre Jane Austen e em 2018 defendi minha tese de doutorado sobre o universo dos fãs Austeneanos aqui no Brasil.”

“O olhar para tantas questões sociais que a cercavam possibilitou a Austen escrever histórias fascinantes e que, aos olhos de hoje, podem ser consideradas revolucionárias. Como o caso das discussões a respeito da mulher não ter direito aos estudos ou à herança do pai, apenas por pertencer ao sexo feminino; mulheres escolherem se casar quando houvesse sentimento entre os parceiros, e não apensar uma ‘transação comercial’ entre as famílias; entre outros. Austen inova por trazer os assuntos do privado para o enredo de seus livros. Mostra que as discussões entre mulheres e homens, a vida em sociedade e experiências de pessoas ‘comuns’ valia a pena ser escrito e lido. Essas histórias continuam ‘vivas’ até hoje por serem universais, ou seja, podemos conhecer uma história de vida ou pessoa na vida real que possuem características presentes nas obras de Austen.”, conta Adriana Sales.

“Orgulho e Preconceito” pode não ser tão romântico quanto você lembra

Entrevista para a Gaúcha Zero Hora sobre as adaptações para o cinema e a televisão de Orgulho e Preconceito.

Link para o jornal aqui.

Canal Jane Austen Sociedade do Brasil no Youtube

Prezados leitores, até o momento, nossas publicações no Youtube estão em playlists separadas por assuntos:

#janeaustenlives

Entrevistas

Podcasts

Encontro Jasbra 2017

Jane Austen na UniTV Belo Horizonte

Unitv BH
Divulgação do programa sobre Jane Austen

Entre os dias 2 a 4 de junho realizamos o VI Encontro Nacional da JASBRA (no Memorial Minas Gerais Vale) e fomos entrevistados pela equipe de jornalismo da UNI-BH. Muitos de nossos membros foram entrevistados e enriqueceram nosso conhecimento! Espero que gostem!

 

Globo News Literatura sobre Jane Austen

O canal Globo News já lançou o vídeo da nova temporada de programas sobre literatura! Obviamente Jane Austen não poderia faltar! No último dia 16 de julho, estive no Rio de Janeiro para o chá com Jane Austen na confeitaria Colombo. Foi evento maravilhoso e divertido. Além disso, contou com a participação da equipe de jornalismo do programa Globo News Literatura! Concedi uma entrevista para o programa e espero ansiosa pela exibição!

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Bastidores das gravações programa Globo News Literatura sobre Jane Austen e seu clube de fãs

Assim que eu ficar sabendo sobre a data do programa aviso aqui no blog para vocês!

 

 

Dois séculos sem Jane Austen – Rádio UFMG Educativa

O mercado editorial sempre foi muito limitado para as escritoras. Hoje em dia temos mais mulheres escrevendo, publicando e aparecendo no universo da literatura, mas esse espaço é recente. Agora imagine a situação há mais de dois séculos atrás? Pois foi nesse contexto hostil à participação feminina que deflorou uma das escritoras mais influentes da história, a inglesa Jane Austen. Autora de clássicos como Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade, suas obras marcaram um novo tipo de romance. E neste mês, lembramos os 200 anos de morte de Jane Austen.

Ouça a entrevista com a Presidente da JASBRA, sigla para Jane Austen sociedade do Brasil, Adriana Sales, que também é doutoranda em estudos linguísticos pela UFMG. Tamanho: 13,70 MB

A entrevista foi ao ar em 28/07/2017 no programa Universo Literário. Ouça aqui.

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Entrevista para o WordPress

Há alguns dias, recebi um convite do Edney Souza (Blog Interney) para falar um pouco sobre o blog Jane Austen Brasil para o WordPress em português. Agora há pouco recebi a notícia de que a entrevista já está no ar e vocês podem conferir neste link ou clicando na imagem abaixo. Reforço o agradecimento ao Edney pelo convite e agradeço imensamente à todos os leitores deste blog que são o motivo de tudo isso existir! Afinal, quando este blog surgiu, não havia quase nada sobre Jane Austen em português. E foi isso o que me motivou a criar o blog! Viva Jane Austen Brasil! E viva Jane Austen por seu legado maravilhoso!

Entrevista wordpress

Para fins de registro, eu também salvei uma versão em pdf para ficar arquivada aqui no blog.

Entrevista para o WordPress em português via Edney Interney Souza

Entrevista com Fernanda Abreu – tradutora de Persuasão e duas outras estórias

A entrevista abaixo foi originalmente publicada no site da Editora Zahar.


Fernanda Abreu, tradutora e responsável por parte das notas da edição.
Qual o maior desafio de traduzir esse clássico do século de XIX?
O estilo Austen é capaz de passar vários parágrafos descrevendo a simples entrada de alguém em um recinto, enumerando cada detalhe, cada sensação, cada movimento. Isso torna o seu texto muito rico, mas também um pouco prolixo, dependendo do trecho: é tudo exaustivamente descrito, explicado, dissecado, e ainda com uma pontuação que muitas vezes parece estranha aos olhos do leitor contemporâneo. Como transpor para o português o máximo desse estilo sem comprometer a fluidez da tradução, considerando que inglês e português são línguas com ritmos tão diferentes? Esse foi o maior desafio. A recriação do contexto da época, inclusive nos diálogos, também foi uma preocupação constante. Além da edição em inglês que serviu de original, da Penguin, a tradução francesa de André Belamich ajudou bastante a encontrar a melhor solução para os trechos mais delicados.

E em relação às notas? Que detalhes foram destacados?
“Persuasão” é um romance bem “limpo”, intimista, sem muitas referências a fatos reais ou personagens históricos. Consequentemente, poucas notas se fizeram necessárias. Tomei cuidado para não ultrapassar a tênue fronteira entre notas e explicação de texto. O critério foi incluir notas que auxiliassem na compreensão do texto pelo leitor e enriquecessem a leitura, ou seja, para explicar referências específicas à cultura e aos costumes ingleses da época, bem como referências históricas e geográficas. Usei como referência as edições anotadas de língua inglesa e francesa.

A obra é seguida de duas novelas inéditas em português, o que destacaria nesses dois textos?
Gostei imensamente de “Lady Susan”. Austen se aventura no romance epistolar (ou melhor, no “conto epistolar”) com muita ironia e uma narrativa bem amarrada, que prende a atenção do leitor. Sua protagonista não fica nada a dever à Mme. de Merteuil de Laclos, e no final eu já não sabia por quem torcer, se por ela, pelas pobres “vítimas” da sua perfídia, ou pelos íntegros personagens que passam o conto inteiro tentando desmascará-la. Terminadas a leitura e tradução do conto, logo depois de “Persuasão”, fiquei com a impressão de que Austen tinha pego o sr. Elliot e a sra. Clay de “Persuasão”, misturado bem, e obtido como resultado Lady Susan (mas sei que não foi assim, pois o conto é possivelmente anterior ao romance). “Jack e Alice” também é bastante irônico, além um tanto fantasioso. Foi interessante descobrir uma história tão farcesca escrita por uma autora cujos romances principais são tão realistas, e também constatar que, mesmo muito jovem, ela já era dona de um olhar arguto e de um fino humor para descrever as interações sociais inglesas de sua época.

A Sensibilidade de Ivo Barroso

Olá pessoal, meu nome é Elaine Rodrigues. Sou uma das janeites do Rio de Janeiro. E sou jasbrete desde a fundação da Jasbra, em 2009. 
Recentemente estive num evento, uma sessão de bate-papo e autógrafos, onde o tradutor Ivo Barroso lançava sua 3ª edição da obra “O Corvo e suas traduções” pela editora Leya. A noite era da poesia de Allan Poe, mas eu não me contive: tive que me lembrar da prosa de Jane Austen, já que ele, o Ivo, foi um dos responsáveis pela sua obra ser lida aqui no Brasil. 
Ivo Barroso (1929 -) é poeta e tradutor. Traduziu da nossa querida escritora, Emma e Sense & Sensibilty. E não apenas a traduz, como também é admirador e estudioso de suas obras. Escreveu prefácios para Orgulho e Preconceito, Persuasão e Abadia de Northanger da L&PM Pocket, com consistente pesquisa e eloquente concisão, que parecem ser bem mais que só prefácios. É possível ver também sua admiração por Austen em sua defesa apaixonada no que diz respeito à atual e crescente gama de follow-ups e mashups da autora. Ele critica o oportunismo e a impropriedade de algumas publicações que tentam imitar, sequenciar ou mesmo fazer referência às tramas austenianas. 

Vejam os prefácios da L&PM e outros artigos no blog do Ivo.

 

Bom, quanto ao meu encontro com o tradutor, foi muito rápido, mas bem importante pra uma janeite curiosa como eu. Ainda na fila dos autógrafos, meti na cabeça que iria tirar uma dúvida: sempre quis saber por que a tradução dele de Sense and Sensibility, assim como a da Dinah Silveira de Queiroz em 1940, para a Livraria José Olympio Editora, distinguia-se das outras. Como sabem, ele traduz como Razão e Sentimento (Nova Fronteira, 1982). Essa foi a primeira edição que li da obra, peguei na biblioteca da minha escola, e já havia visto o filme de 1995 com a Emma Thompson, então estranhei o título. Mas, deixando de falácias e indo ao que interessa, eis aí minha “entrevista” 😉 com Ivo Barroso na íntegra: 
Elaine: Ivo, eu sei que a noite é do Poe, mas eu tenho uma curiosidade sobre um outro trabalho seu. O senhor traduziu Sense & Sensibility de Jane Austen como Razão e Sentimento. Tem algum motivo em especial para ter usado o termo ‘sentimento’ e não o ‘sensibilidade’, como em geral os outros tradutores da obra fazem? 
Ivo: Sensibility na época de Austen tinha um cunho mais psicológico: referia-se ao estado de quem era sentimental, de quem se guiava apenas pelos sentimentos. Hoje é usado mais genericamente, mas no tempo dela era assim. Depois veio o filme com a Emma Thompson e colocaram sensibilidade, aí todos usaram assim.
Elaine: (cara de quem descobriu a pólvora)
Elaine: Ééé, o senhor gosta do livro? (dããã)
Ivo: Se eu gosto?! Eu traduzi o livro. (sorriso de velhinho fofotinha um cunho mais psicológico: referia-se ao estado de quem era sentimental, de quem se guiava apenas pelos sentimentos. Hoje é usado mais genericamente, mas no tempo dela era assim. Depois veio o filme com a Emma Thompson e colocaram sensibilidade, aí todos usaram assim.
Elaine: (cara de quem descobriu a pólvora)
Elaine: Ééé, o senhor gosta do livro? (dããã)
Ivo: Se eu gosto?! Eu traduzi o livro. (sorriso de velhinho fofotinha um cunho mais psicológico: referia-se ao estado de quem era sentimental, de quem se guiava apenas pelos sentimentos. Hoje é usado mais genericamente, mas no tempo dela era assim. Depois veio o filme com a Emma Thompson e colocaram sensibilidade, aí todos usaram assim.
Elaine: (cara de quem descobriu a pólvora)
Elaine: Ééé, o senhor gosta do livro? (dããã)
Ivo: Se eu gosto?! Eu traduzi o livro. (sorriso de velhinho fofo
tinha um cunho mais psicológicotinha um cunho mais psicológico: referia-se ao estado de quem era sentimental, de quem se guiava apenas pelos sentimentos. Hoje é usado mais genericamente, mas no tempo dela era assim. Depois veio o filme com a Emma Thompson e colocaram sensibilidade, aí todos usaram assim.
Elaine: (cara de quem descobriu a pólvora)
Elaine: Ééé, o senhor gosta do livro? (dããã)
Ivo: Se eu gosto?! Eu traduzi o livro. (sorriso de velhinho fofo
, referia-se à qualidade daquela pessoa que tem bons sentimentos, que é sensível. Hoje é usado mais genericamente, mas no tempo dela era assim. Depois veio o filme com a Emma Thompson e colocaram sensibilidade, aí todos usaram assim.Hoje é usado mais genericamente, como estado de quem é sentimental, de quem se deixa levar pelos arroubos do sentimento, mas no tempo dela era assim. Depois veio o filme com a Emma Thompson e colocaram “sensibilidade”, aí todos usaram essa forma.
Elaine: Hummmm.. Errr… E o senhor gosta desse livro de Austen? (dããã ;p)
Ivo: Se eu gosto?! Eu traduzi o livro! (sorriso de velhinho fofo)
Há mais detalhes da explicação de Ivo para a tradução do título em seu blogue, inclusive ele explica porque não mateve a aliteração do inglês (Sense-Sensibility) como os portugueses “tentaram” fazer com seu Sensibilidade e Bom Senso. 
Bom, não é bem uma entrevista, mas matou minha curiosidade e talvez interesse a vocês que tanto gostam de S&S.
Abs!
Elaine
Vejam aí o autógrafo que recebi (o livro era pra minha irmã, mas pedi pra ele incluir meu nome e dividiremos a preciosidade). 
 Ivo Barroso publicou um post a respeito da edição comemorativa de Razão e Sentimento, clique aqui e leia o artigo completo.

Entrevista para o site Na Savassi

O Bruno Fonseca, do site Na Savassi (região aqui de Belo Horizonte) me entrevistou ontem por telefone e publicou hoje no site!

Tradutora de Jane Austen realiza palestra na Praça da Liberdade nesta sexta

Autora de obras mundialmente famosas como Orgulho e Preconceito, que ganhou ainda mais popularidade com o filme de Joe Wrigh,t de 2005, Jane Austen é tema de palestra nesta sexta (23), na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, na Praça da Liberdade.
O naSavassi conversou com a presidente da Jane Austen Sociedade do Brasil, Adriana Sales Zardini, que irá realizar a palestra. A professora de inglês e também tradutora de obras de Jane Austen conta qual a relação da escritora inglesa com a realidade das mulheres da época e porque seus livros permanecem tão atuais.
Interessado? As inscrições para a palestra, que acontece às 15h, podem ser feitas pelo telefone (31) 3269-1232 ou no e-mail referencia.sub@cultura.mg.gov.br.
O tema da palestra é a questão social da mulher com base nas obras de Jane Austen. Que questão social é essa? O que os livros trazem da realidade das mulheres?
Se você acompanhar a situação das personagens nas obras da Jane Austen você percebe retratos da época e da realidade das mulheres naquela sociedade. Quando ela escreveu, a palavra feminismo sequer existia, mas ela pode ser considerada uma das primeiras feministas a partir do momento que dá visibilidade à situação da mulher, ainda que não seja rebelde, ela simplesmente vê o cotidiano e construir os personagens.
Retrato de Jane Austen em aquarela feito pela irmã, 
Cassandra Austen, em 1810.
Ela também sofreu com a situação das mulheres na época?
Claro, ela sofreu com o preconceito e teve de publicar seus dois primeiros livros com assinatura By a lady (por uma mulher). Jane era filha de um pastor que, apesar da família não ser rica, considerava vergonhoso uma mulher trabalhar. Só depois que ela alcançou  popularidade passou a publicar com o próprio nome. Para você ter uma ideia, mesmo com o sucesso que alcançou durante a vida, na base da sua lápide está escrito “filha do reverendo”. Só depois de muitos anos que incluíram uma dedicatória em ouro.
Por que ela alcançou esse sucesso se havia outras mulheres escritoras? O que Jane Austen tem de especial?
Ela rompe com o estilo de literatura que mantinha a figura do personagem “herói faz-tudo”. A Jane desconstrói essa figura e cria personagens às vezes orgulhosos e antipáticos ou então desinteressantes, um anti-herói. Você se pergunta: “poxa, esse é o personagem principal?” Além disso, ela pega de três a quatro famílias do interior da Inglaterra e monta todo o mote da história com esses personagens. Mas o mais especial, na minha opinião, é que ela fala de coisas que viveu, que presenciou.
Museu de Jane Austen em Chawton, na Inglaterra, na casa onde a escritora passou
 seus últimos anos de vida.
Por que as mulheres e também os homens ainda se interessam pelas obras de Jane Austen? O que permanece atual?
Independentemente da sociedade – brasileira, inglesa, francesa – e da época, as pessoas têm características que a gente reconhece no dia-a-dia. Quem nunca teve uma tia fofoqueira ou uma pessoa da família que quer casar os filhos com bons partidos?
Qual livro você recomenda como primeira leitura para quem nunca leu Jane Austen? E depois?
Primeiro o Orgulho e Preconceito, por causa da popularidade, fácil acesso e também pelas versões em filme e na série de TV de 1995 que eu considero insubstituível. Depois Emma, que é uma história divertida, vivaz. Em seguida, Abadia de Northanger, com uma personagem adolescente. Persuasão seria o quarto e depois Mansfield Park e Razão e Sensibilidade por último, pois são livros mais pesados de uma Jane Austen mais séria.
Qual o seu preferido?
O que mais gosto é Persuasão, pois é um livro sobre espera. A personagem se apaixona muito jovem, mas é induzida a não se casar porque é um rapaz pobre. É uma espera muito longa até quando eles se reencontra e o que me chama atenção são as sutilezas na narrativa e a preciosidade da carta que o personagem principal escreve.
Imagem do filme Orgulho e Preconceito, de 2005, 
com Keira Knightley no papel da protagonista.
Jane Austen é uma literatura difícil?
Não é difícil, mas ajuda muito ter uma edição com boas notas de rodapé porque ajudam a contextualizar com os valores da sociedade da época. Por exemplo, o tipo de carruagem, quantas rodas tinha, já diz do nível financeiro do personagem.
Você traduziu livros da Jane Austen. Quais?
Traduzi Mansfield Park e Razão e Sensibilidade fiel, pela editora Landmark e está em processo de revisão para ser lançado até maio o Emma, pela Martin Claret.
Como funciona a Jane Austen Sociedade do Brasil? Como participar?
A sociedade tem regionais em vários estados: Rio Grande do Sul, Pernambuco, Paraíba, Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal, Amazonas, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Em Minas, são cerca de 10 a 15 membros, nos encontramos a cada dois meses em média, geralmente na Savassi. As pessoas têm de 15 a 70 anos. Em janeiro de 2013 iremos receber em Minas um encontro nacional comemorando os 200 anos de lançamento de Orgulho e Preconceito. Temos um e-mail adriana@jasbra.com.br e o site http://www.janeaustenbrasil.com.br/.