WORKSHOP: O fandom digital trouxe Jane Austen de volta para o futuro

Participarei da 24a Jornada de letras da Ufscar!
Palestrante: Adriana Sales Zardini (UFMG/CEFET-MG)
Mediadora: Maria Luiza Ribeiro Buzian (UFSCar)

Em tempos de pandemia, a fandom digital da autora inglesa Jane Austen impulsionou via internet, uma gama de lives acerca da vida e obra da escritora e além disso, a leitura de seus romances pelo formato “bookclub”.

DATA: 28/10/2020 (quarta-feira) às 17h
INSCRIÇÃO: ESGOTADA
TRANSMISSÃO: via Youtube (o link será divulgado no dia e também encaminhado por e-mail aos inscritos).

Jane Austen é mais atual do que você imagina

Tive o prazer de falar sobre Jane Austen para o portal Protagonista!! Minhas contribuições estão ao longo do texto:

Os ensinamentos que a romancista do século XIX deixou no mundo, por meio de ótimas histórias e grandes protagonistas, serão sempre lembrados como revolucionários.

* O texto abaixo é um recorte da matéria publicada pelo Portal Protagonista, para ler o texto completo clique aqui.

Adriana Sales Zardini é Docente do CEFET-MG, possui Doutorado em Estudos Linguísticos pela Faculdade de Letras, UFMG. Além disso, é editora da Revista Literausten, participa do Podcast Café com Jane Austen, é presidente da Jane Austen Sociedade do Brasil desde 2009, escreve no blog Jane Austen Brasil desde 2008, é autora de diversos capítulos de livros e artigos sobre a escritora, além de ter traduzido Emma, Mansfield Park e Razão e Sensibilidade. Atualmente é membro da JASNA (Jane Austen Society of North America) e JASA (Jane Austen Society of Australia). A mesma relata que “Jane Austen recebeu uma educação simples em internatos, mas foi na casa dos pais que recebeu a instrução mais valiosa. Austen é filha do Reverendo George Austen, conhecido por seus sermões e, principalmente, por receber alunos que desejam se preparar para os estudos universitários. Assim, Jane tinha à sua disposição uma vasta biblioteca. Foi ali entre os livros que a escritora ‘colheu’ inspiração para tantas histórias maravilhosas como as que ela escreveu. Na época de Austen, não era comum uma moça escrever livros, muito menos com o objetivo de ganhar dinheiro. A família de Jane pertencia à ‘gentry class’, pessoas educadas, porém sem título de nobreza ou grandes heranças.”

“Austen muito provavelmente desejava apenas expressar suas opiniões e visão do mundo ao escrever. A importância de Austen na literatura universal é marcada, principalmente, pela escolha de temáticas simples, porém, que são factíveis em qualquer sociedade, inclusive no Brasil. O olhar certeiro de Austen para questões do foro íntimo é o que a escritora traz de revolucionário em suas obras. Naquela época, as mulheres viviam quase que exclusivamente para o lar. Eram raros os casos de mulheres com educação formal e que tinham como objetivo o trabalho fora de casa”, descreve Adriana Sales.

“Austen muito provavelmente desejava apenas expressar suas opiniões e visão do mundo ao escrever. A importância de Austen na literatura universal é marcada, principalmente, pela escolha de temáticas simples, porém, que são factíveis em qualquer sociedade, inclusive no Brasil. O olhar certeiro de Austen para questões do foro íntimo é o que a escritora traz de revolucionário em suas obras. Naquela época, as mulheres viviam quase que exclusivamente para o lar. Eram raros os casos de mulheres com educação formal e que tinham como objetivo o trabalho fora de casa”, descreve Adriana Sales.

Segundo Adriana Sales, “O universo feminino é apresentado em diversas nuances. Desde as mocinhas que nasceram em famílias ricas até as que passam por situações vexatórias por serem pobres. Ao descrever os hábitos e comportamentos da sociedade em que viveu, Austen nos dá um panorama sobre como era ser mulher naquele período. Se fizermos uma leitura mais detalhada de suas obras, podemos perceber inúmeros exemplos de regras de etiqueta, comportamento em público e privado, formas de se vestir e se arrumar, protocolos para fazer e receber visitas, cotidiano da vida rural da classe média inglesa, entre outros.”

“Sobre as personagens femininas, cada uma tem sua função em ‘abrir’ os olhos do leitor para questões que mereciam ser discutidas naquela época e continuam atuais até hoje.”, diz Adriana Sales. “As heroínas de Austen se mostram revolucionárias por terem um comportamento diferente, não rebelde, do que era esperado para mocinhas naquela época. Isso, por si só, já traz uma importância enorme para esse hall de personagens Austeneanas. Em graus diferentes, elas não se conformaram em viver a vida estabelecida para mulheres daquela época. Obviamente, Austen não é uma escritora feminista, o termo nem existia naquela época. Porém, podemos considerar as discussões presentes em seus livros como discussões acaloradas sobre a posição da mulher na sociedade no século XIX.” 

Adriana Sales relata como Jane Austen influenciou em sua vida, carreira e em como ela ajudou outros fãs a se encontrarem e terem referências: “Eu comecei a ler Austen na graduação em Letras e quando fui estudar nos Estados Unidos comprei todos os livros da autora. Durante a minha graduação pude assistir várias adaptações das obras de Austen, algumas inclusive no cinema, como Emma (1995). Eu fui me envolvendo com Austen aos poucos, até que em 2005 assisti uma nova adaptação de Orgulho e Preconceito para o cinema e ao chegar em casa já fui entrando no Orkut para ver se havia uma comunidade brasileira do livro/filme. Ao longo da minha participação nesse grupo no Orkut, que em 2005 já possuía mais de 10 mil membros, percebi que as pessoas tinham muita dificuldade de encontrar informações sobre Austen em língua portuguesa. Assim, em fevereiro de 2008, criei o primeiro blog/site referência sobre a escritora com o objetivo de divulgar a vida e obra de Austen, além de atualizar os leitores sobre notícias e lançamentos de adaptações e livros traduzidos.”

“No ano seguinte, em 2009, eu e mais algumas amigas fundamos a Jane Austen Society of Brazil, primeira sociedade da escritora em língua latina, com o propósito de organizar eventos e publicações semelhantes às que ocorrem na Inglaterra, Estados Unidos, Canadá e Austrália. Até o momento, já traduzi três obras de Austen: Mansfield Park, Sense and Sensibility e Emma. Nossa sociedade já realizou inúmeros eventos, inclusive em outros estados do Brasil, para reunir leitores e fãs. Nesses eventos, temos roda de leitura, exibição de filmes ou séries de TV, apresentação de pesquisas e artigos científicos, entre outros. Nosso trabalho é reconhecido pelas Jane Austen Societies ao redor do mundo e, constantemente, somos convidados para eventos em outros países ou on-line.”

Ela continua: “Desde 2017, publicamos a Revista Literausten, primeira revista acadêmica totalmente dedicada à escritora, cujo objetivo é promover a discussão e divulgação dos trabalhos e pesquisas acerca de Austen aqui no Brasil. Atualmente, por causa da pandemia, estamos realizando lives no nosso perfil no Instagram (@janeaustenbrasil) e depois publicamos também no Youtube (Jane Austen Sociedade do Brasil). Vamos completar, agora em outubro, nossa 60ª live, que faz parte do projeto #janeaustenlives, cujo objetivo é entrevistar pesquisadores que fazem ou já concluíram pesquisas sobre os mais variados assuntos relativos à Austen e suas obras. Além disso, temos também um projeto chamado #RelendoAusten que proporciona a leitura coletiva e discussão das obras de Austen.”

Além dos projetos de leitura, Adriana possui uma trajetória de 12 anos de dedicação exclusiva ao universo da autora e diz ter “muita satisfação em falar da escritora e suas obras”. Como acadêmica, ela diz sempre encontrar um ‘jeitinho’ de falar Austen em suas aulas. “Em 2011, realizei um curso na Universidade de Oxford sobre Jane Austen e em 2018 defendi minha tese de doutorado sobre o universo dos fãs Austeneanos aqui no Brasil.”

“O olhar para tantas questões sociais que a cercavam possibilitou a Austen escrever histórias fascinantes e que, aos olhos de hoje, podem ser consideradas revolucionárias. Como o caso das discussões a respeito da mulher não ter direito aos estudos ou à herança do pai, apenas por pertencer ao sexo feminino; mulheres escolherem se casar quando houvesse sentimento entre os parceiros, e não apensar uma ‘transação comercial’ entre as famílias; entre outros. Austen inova por trazer os assuntos do privado para o enredo de seus livros. Mostra que as discussões entre mulheres e homens, a vida em sociedade e experiências de pessoas ‘comuns’ valia a pena ser escrito e lido. Essas histórias continuam ‘vivas’ até hoje por serem universais, ou seja, podemos conhecer uma história de vida ou pessoa na vida real que possuem características presentes nas obras de Austen.”, conta Adriana Sales.

Encontro de fãs de Jane Austen no Rio de Janeiro

Jane AutenA Editora Nova Fronteira me fez outro convite irrecusável: falar de Jane Austen para quem gosta de Jane Austen! 🙂

No próximo dia 17 de Julho às 19 horas, Livraria da Travessa do Shopping Leblon no Rio de Janeiro, acontecerá um Encontro de fãs de Jane Austen promovido pela editora para lançamento de seu Box ‘As grandes obras de Jane Austen‘. Confira aqui os detalhes desta coleção maravilhosa! Para confirmar sua presença, clique aqui.

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Veja abaixo o release da editora:

A Nova Fronteira acaba de lançar o box especial “Grandes Obras de Jane Austen” em comemoração ao bicentenário da autora. O Encontro de Fãs busca reunir os leitores e adoradores de Austen.

O evento será mediado por esta que vos fala (Adriana Sales), especialista na obra da autora.

 

Encontro de fãs de Jane Austen em Belo Horizonte

A Editora Nova Fronteira me fez um convite irrecusável: falar de Jane Austen para quem gosta de Jane Austen! 🙂

No próximo dia 30 de junho às 19 horas, Livraria Leitura do Shopping Cidade em Belo Horizonte, acontecerá um Encontro de fãs de Jane Austen promovido pela editora para lançamento de seu Box ‘As grandes obras de Jane Austen‘. Confira aqui os detalhes desta coleção maravilhosa! Para confirmar sua presença, clique aqui.

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Veja abaixo o release da editora:

A Nova Fronteira acaba de lançar o box especial “Grandes Obras de Jane Austen” em comemoração ao bicentenário da autora. O Encontro de Fãs busca reunir os leitores e adoradores de Austen.

O evento será mediado por esta que vos fala (Adriana Sales), especialista na obra da autora.

• Quiz
• Sorteio
• Encenação
• Leitura de textos

Austenite ou Janeite?

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Na semana passada, eu proferi a palestra de encerramento do VI Encontro Nacional da Jane Austen Sociedade do Brasil e tive a oportunidade de usar os dois termos para designar os fãs de Jane Austen. Entretanto, após uma conversa com outros membros da JASBRA, decidi escrever este post para esclarecimentos quanto aos dois termos.

O termo ‘Janeite‘ foi cunhado por  George Saintsbury, em 1894 em um prefácio de Orgulho e Preconceito. O termo se refere à um devoto admirador de Austen, suas obras e tudo o que está relacionado à sua vida e época em que a escritora viveu.

O termo ‘Austenite‘ cunhado em 1903, se refere também aos devotos fãs e aos estudiosos da vida e obras de Austen*, conforme afirma Gross (2008).

Para Hayes (2004), os termos ‘Janeite‘ e ‘Austenite‘ representam dois discursos distintos. Janeite “tende a ser informal, íntimo e pessoal em relação aos dramas sentimentais e sociais” escritos por Austen. Enquanto Austenite é “formal, intelectual e objetivo na explicação de suas narrativas irônicas, morais e sutis que constituem uma análise social e moral” das obras. Lynch (2000, p. 14) nos chama a atenção para o fato de que ‘Janeite‘ parece algo mais íntimo, uma situação onde escritora e fã possuem o mesmo nome próprio. Entretanto, o termo Janeite automaticamente destaca o gênero da escritora e implica que seus leitores são do mesmo sexo, ou seja, são todas mulheres. Além disso, um outro termo bastante usado em inglês, o ‘Janeiteism‘ parece ser usado para simplificar a questão de que os “romances de Austen propiciam espaços culturais onde nós possamos todas ser garotas juntas” (Lynch: 2000, p. 14). Sendo assim, para incluir leitores de ambos os sexos, acredito que a opção para a língua portuguesa aqui no Brasil seja o termo ‘Austeniano‘, visto que ambos homens e mulheres podem ser chamados por essa alcunha, ao contrário do termo ‘Janetes‘ que está mais relacionado à um grupo feminino, visto que não há variação masculina para o nome Jane, na minha concepção.

Aqui no Brasil, ainda não menção nos dicionários que consultei. Fiz um levantamento a respeito de pesquisas acadêmicas e descobri que em algumas monografias os autores utilizam o temo ‘AUSTENIANO‘. A mesma grafia também foi observada em publicações na Itália e Espanha. Na Espanha, Sánchez entitula os fãs de Austen como ‘los Austenitas‘ e discorre sobre a recepção de Austen na Espanha, assim como as adaptações para a televisão espanhola e publicações em jornais, revistas e traduções dos livros da autora.

Ainda a respeito dos termos relacionados aos leitores, fãs e estudiosos de Austen, Yaffe (2013) destaca: Jane Addiction, Austen Powers, Austenmania, Austenesque, entre outros.

 

Para citar este post:

SALES, A. D. Austenite ou Janeite? Jane Austen Brasil, 2017. Disponível em: https://janeaustenbrasil.com.br/2017/06/08/janeite-ou-austenite/.

* De acordo com o site Wiktionary

Referências:

HAYES, M. Trubetzkoy, Austen and the evolution of cutlure. In: BATTAGLIA, B.; SAGLIA, D. (Ed.) Re-drawing Austen: picturesque travels in Austenland. Napoli: Ligouri Editore, 2004.

GROSS, U. M. What Happens next: Jane Austen’s fans and their sequels to Pride and Prejudice. Thesis of Master of Arts in English.  Georgetown University. 2008. Disponível online: https://repository.library.georgetown.edu/bitstream/handle/10822/553009/grossUrsula.pdf. Acesso em: 07 de junho de 2017.

LYNCH, D. (Ed.) Janeites – Austen’s Disciples and Devotees. Princeton: Princeton University Press, 2000.

SÁNCHEZ, M. C. R. Historia de los Austenitas. Málaga: Kindle Edition. 2015.

YAFFE, D. Among the Janeites – a jorney through the world of Jane Austen Fandom. New York: Houghton Mifflin Harcourt Publishing Company, 2013.

10 razões para você perseguir Jane Austen

A Laurell Ann do AustenProse publicou ontem um delicioso post de Alyssa Palazzo sobre as 10 razões para você perseguir Jane Austen! confiram o texto aqui.
Só discordo com Alyssa em um ponto: na categoria de herois “Mr. Darcy, Mr. Knightley, and Edmund Bertram are the sexiest male protagonists of all time”, ela deveria ter incluído o Cap. Wentworth nesta lista! 🙂

Lucky Girl – Garota de Sorte

Eu conheci a Tess Fitton (Inglesa que mora em Londres) há pouco tempo. Porém, foi com grande entusiamo que deparei com algumas de suas fotos no Facebook! Dá para acreditar que a moça conheçou e até tirou fotos com o Colin Firth? Oh my God! Aqui está uma moça de sorte! 🙂
I met Tess Fitton (from London) a few days ago. But, I saw her photos on Facebook with great entusiasm! Can you believe this girl met and took photos with Colin Firth? Oh my God! Here’s a luck girl! 🙂
Tess e Colin no lançamento de Gênova
St trinians premiere
Lançamento de:  The first In Prison My Whole Life

Assustadoramente Fanáticos

É… decididamente somos fanáticos por Jane Austen! Na semana passada A Revista Time publicou uma lista dos grupos mais fanáticos, e entre eles obviamente se encontram os/as Janeites!

Crédito da foto: Tracy A. Woodward / The Washington Post / Getty Images

Texto em inglês de Allie Townsend:

Devoted to the works of Jane Austen, fans of the 19th century English romance novelist fittingly call themselves Janeites. A movement dating back to the late 1890s, Janeitism was, strangely, a shared enthusiasm among men for Austen’s body of work. (A short story featuring a group of World War I–era soldiers who form a secret Janeite society was published in author Rudyard Kipling’s Debits and Credits in 1926.) However, the embodiment of modern Janeitism belongs to groups of fans whose loyalty has blossomed from literary fandom into practicing admiration. Now, Janeites are known not only for their passion for Austen’s books, but for their enthusiasm for (and attempted visitation of) her world. Fans regularly stage dramatic readings, throw lavish period-style costume balls and embark on Jane Austen–inspired pilgrimages to places described in her novels or frequented by the author during her lifetime.

Fã Milionária Promove um Baile

No site da emissora inglesa BBC está disponível o vídeo em que entrevistaram a Sandy Lerner, a milionária co-fundadora da Cisco Systems, que alugou a propriedade Chawton House, dos seus donos os Knight (nome sugestivo, não?), por 100 anos, com a intenção de restaurar a mansão e transformá-la em uma biblioteca especializada em escritoras.
A entrevista aconteceu durante o baile de gala em Chawton House, dado pela milionária, no último dia 3 de julho, em comemoração ao bicentenário da chegada da escritora Jane Austen no povoado.
Dentre os convidados, dois, em especial, abrilhantaram ainda mais o evento, sendo eles os interpretes do famoso casal literário, Mr. Darcy e Elizabeth Bennet, da série de 1980 da BBC: David Rintoul e Elizabeth Garvie. Quem nos dera participar de tal baile! Só podemos elogiar a iniciativa de Sandy Lerner, pois está usando seu dinheiro em prol da cultura e da sociedade.

Elizabeth Garvie (Lizzy Bennet – 1980)

David Rintoul (Mr. Darcy – 1980)
Para assistir o vídeo, clique aqui.
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Contribuiu com este post: Pollyana Coura