Jane Austen não sabia escrever?

Após ler várias vezes as mensagens do google alerta e também após receber um aviso por e-mail das amigas Raquel Oliveira e Luciana Campelo, resolvi escrever sobre uma notícia que a mídia (inclusive brasileira) resolveu espalhar na internet como se fosse o achado do século. 
Vejam as manchetes das nossas digníssimas mídias brasileiras, que só copiaram o que saiu na AFP (Fonte de notícias internacionais):
Este é o pior, pois utiliza uma imagem da PBS (rede de TV), como se fosse a faculdade de Oxford ou algo parecido…. – Escritora Jane Austen era péssima em ortografia”, diz especialista de Oxford (Correio do Povo)

Manchetes internacionais:

Jane Austen’s notes ‘messy’ (Stuff da Nova Zelândia)

Pride, prejudice and poor punctuation (The Guardian do Reino Unido)

Este último ao menos citou os exemplos da fala da pesquisadora que estudou mais de 1000 manuscritos de Austen. Farei meu comentário a seguir. Porém, eu gostaria de falar um pouco sobre a função da pesquisa acadêmica antes!

Em defesa da pesquisa acadêmica

Muitas pessoas, acham que as pesquisas acadêmicas são unanimidades e fatos consumados. Ora, a ciência não é exata! Quando uma pesquisadora da Faculdade de Letras, em 1998, pesquisou a utilização de cê e ocê pelos mineiros da capital, ela apenas estava fazendo um levantamento dos usos destas palavras para substituir a palavra você. Jânia Marinho chegou a conclusão de que muitos universitários usavam ‘cê’ (Cê vai lá em casa hoje), enquanto as pessoas com um nível escolar inferior usavam mais ‘ocê’ (Ocê é de Belo Horizonte?). Nem por isso a pesquisadora quis dizer que quem usava/usa estas variações de palavras é analfabeto ou iletrado. A pesquisa serviu para clarear algumas coisas, mas sequer afirmar que todos os unviersitários dizem assim ou assado. Entendem agora, qual é o objetivo de uma pesquisa acadêmica? É mostrar a realidade daquele determinado momento, espaço pesquisado. A pesquisa acadêmica não faz generalizações se se concentra apenas em um grupo pesquisado.
Para conhecer uma pesquisa de doutorado de Edenize Ponzo Peres, orientada por Júnia Marinho, a respeito ‘O Uso de Você, Ocê e Cê em Belo Horizonte: Um Estudo em Tempo Aparente e em Tempo Real’ clique aqui – no banco de dados de teses e dissertações da UFMG.
O trabalho de Kathryn Sutherland
A pesquisa da Professora Kathryn Sutherland da Faculdade de Língua e Literatura da Universidade de Oxford. Para quem não conhece Kathryn, ela é autora de Jane Austen’s Textual Lives (2005)
Leia aqui uma resenha do livro, escrita por Laurie Kaplan para o JASNA News em 2007.
Leia aqui o artigo completa da Oxford University: Austen’s famous style may not be hers after all
Discussão sobre a pesquisa de Kathryn
Abaixo, vocês poderão ler alguns trechos que traduzi do artigo publicado pela Oxford University.
A verdade universalmente reconhecida – A prosa polida de Emma e Persuasão foi produto da intervenção de um editor, descobre uma pesquisadora da Universidade de Oxford.
Minha pergunta: alguém, mesmo nos tempos de Austen, publica um livro sem revisão ou sem autorização do editor?

A pesquisa de Kathryn Sutherland foi baseada em um estudo de 1100 páginas manuscritas por Jane Austen, ainda não publicadas.Estes manuscritos fazem parte da herança que Cassandra Austen (irmã da escritora) deixou em 1845. A professora Sutherland afirmou: “É amplamente difundido que Austen tinha um estilo perfeito – seu irmão Henry, em uma fase muito conhecida, disse, em 1818: “Tudo foi editado por Austen” e muitos estudiosos compartilham esta visão ainda hoje. Após a leitura dos manuscritos, Kathyn pode perceber que toda essa perefeição na existia. “Pude perceber muitos erros, correções e até manchas. Ela passou por cima de muitas regras de escrita da língua inglesa. Especialmente em Emma e Persuasão, podemos ver que a pontuação tão cuidadosa não estava presente nos manuscritos.”
Minha pergunta: Estão acusando Austen de escrever manuscritos e deixá-los com marcas de correção e sujeiras de tinta? Ora, naquela época o papel custava caro, não se faziam bolas de papel e simplesmente as jogavam no lixo só porque erraram uma linha do texto. E se este manuscrito conter apenas a primeira de algumas versões? Só eu sei o quanto sofri  ao traduzir Mansfield Park, porque recebi a versão de 1814 (só fiquei sabendo disso após o livro ser publicado), sendo que a atual corrigida e modificada por Jane Austen e Chapman é a de 1816.  

A professora Sutherland acrescenta: “Isto sugere que alguém esteve bastante envolvido no processo de edição que houve até a versão final (a impressa) dos livros. Além de cartas entre o John Murray II (dono da editora) e o editor William Gifford, onde o John salientava a necessidade de correção nos escritos de Austen. John Murray II, que também publicou obras de Byron, publicou os livros de Austen nos últimos dois anos da carreira de apenas 7 anos de livros publicados de Austen, tendo publicado: Emma, a segunda edição de Mansfield Park (1816) e Persuasão. A professora Sutherland explica: “Razão e Sensibilidade, Orgulho e Preconceito e a primeira edição de Mansfield Park (1814) não foram publicações de Murray e foram previamente vistas por alguns críticos como exemplos de péssima escrita – na realidade, o estilo de escrita destes romances ficam muito próximos dos manuscritos de Austen!”
Ao estudar os manuscritos não publicados de Austen pela primeira vez, ofereceu uma oportunidade para a Professora Sutherland ficar mais íntima dos talentos da escritora. Sutherland diz: “os manuscritos de Austen revelam que ela era uma escritora inovadora e que gostava de experimentar, constantemente tentando novas coisas, demonstrando que ela era muito melhor em diálogos e conversas do que no estilo descritivo“. “Além de tudo, ela é uma romancista cujo siginificantes efeitos podem ser observados em diálogos e representações dramáticas dos personagens através da fala. Os manuscritos estão sem parágrafos, fazendo com diferentes falas se misturem umas às outras; palavras sublinhadas e uso aleatório de letras maiúsculas nos dão a direção de que são palavras ou frasese que deveriam ser falas.”… “Certamente estes manuscritos mostram uma outra face de Austen, bem diferente da que vimos e lemos nos livros publicados.”
Isto então a torna menos gênio do que é?” – pergunta a professora Kathryn e em seguida ela mesmo responde: “Eu creio que não, de fato, isso a torna ainda mais interessante, e muito mais moderna e inventiva do que pensávamos.” “O estilo de austen é muito mais íntimo e relaxado, tende mais para o lado da conversa.” … “Sua pontuação é muito mais desleixada, muito parecida com a que os nossos alunos fazem e insistimos para que eles não o façam.”…. “Jane usava letras maiúsculas e sublinhava palavras que ela achava importante, de uma maneira que nos aproxima mais da linguagem falada do que a da impressa.”
A Edição Digital de Jane Austen publica on-line os Manuscritos da Ficção de Austen, até então não publicados, e disponibiliza gratuitamente para qualquer pesquisador ou pessoa interessada.
Minha pergunta: Onde nossos queridos jornalistas de plantão estavam onde apenas republicaram uma notícia pela metade? Isso só demonstra que eles nem sequer tentaram entender o estudo sobre Austen, apenas retransmitiram, ou, se estivessem no Twitter, apenas retuitaram sem sequer levar à sério a questão.
Austen seria aprovada se vivesse no século XXI?
Certamente não… nem ela, nem os reis da Europa ou estudiosos do século XIX. E se pensarmos no ENEM? Também não, pelo simples fato de que esta prova não é só uma prova de múltipla escolha, cobra também uma redação. O aluno que pretende fazer Enem deve estar preparado para responder questões contemporâneas e multdisciplinares e não apenas questões gramatiqueiras. As questões desta prova não são objetivas, são perguntas elaboradas que exigem reflexão e raciocínio, assuntos que não são ensinados em nossas escolas, pois nossos alunos estão ‘programados’ para responder questões simples e as respostas são facilmente decoradas pela leitura de livros.  
A minha indignação é sobre como as pessoas fazem muito barulho por nada! O estudo da professora Kathryn Sutherland em nada desqualifica a obra de Austen, pelo contrário, mostra que para se chegar à um livro publicado é preciso muita revisão. Além disso, a maioria das pessoas em 1817 eram analfabetas ou não possuíam letramento o suficiente para ler livros; então os livros de Austen eram lidos em voz alta, por aqueles que podiam ler (vemos isso nos filmes e séries de tv), sendo assim, para a maioria de seus fãs daquela época, a ortografia não era importante.

*Leia aqui o texto indignado de Vic Sanborn (Jane Austen’s World) sobre esta questão.
** Também estamos discutindo o assunto lá no Fórum JASBRA.
*** O link para os manuscritos estão disponíveis aqui (post publicado em maio deste ano)

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27 thoughts on “Jane Austen não sabia escrever?

  1. Aline Martins 24/10/2010 / 8:32 PM

    Muito bom Adriana!
    adorei… e ainda mais a reflexão sobre revisão, que sabemos que SIM, já acontecia, mesmo na época de Shakespeare!

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  2. Shoujofan 24/10/2010 / 8:34 PM

    Só xingando… A nossa grande imprensa, na média, é detestável.

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  3. Lília 24/10/2010 / 8:42 PM

    Oi Adri…

    Desde de manhã estou remoendo essa história absurda… Usam Austen e um estudo para dar ibope, o que é lamentável… mas logo tudo isso cai no esquecimento e Austen continuará firme e forte na lembrança dos leitores! 😉

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  4. Adriana Zardini 24/10/2010 / 8:47 PM

    Aline, não é possível que acreditavam/acreditam que uma pessoa é capaz de revisão seu próprio texto e deixá-lo sem máculas para a impressão! Se fosse assim, não existiriam de 2 a 3 revisores por livro.

    Valéria, a mídia está à mercê do que rende. Ou seja, se um assunto como este faz com que leitores visitem seus sites, e consequentemente vendem produtos, eles publicam sem ao menos colocar uma reflexão.

    Lília, o brilhantismo de Austen prevalecerá!

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  5. Sofia S. Botelho 24/10/2010 / 8:58 PM

    Excelente, Adriana.
    Realmente, é lamentável que nossos jornalistas não tenham observado a questão em sua totalidade e tenham apenas reproduzido notícias publicadas em outros jornais.

    Realmente, não acredito que essa seja uma descoberta inovadora porque todos sabemos que qualquer livro passa por uma revisão e edição antes de sua publicação.. Também não traz qualquer descrédito à Jane Austen. Aliás, em uma época onde livros eram escritos à mão em papéis caros, não me admira que haja rasuras e erros. Isso é absolutamente natural!

    Também gostei muito do texto de Vic Sanborn no Jane Austen's World.

    Mas todos sabemos que não importa o que digam para atraírem leitores, o grande talento e a grandeza de Austen estarão sempre presentes na literatura.

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  6. Adriana Zardini 24/10/2010 / 9:06 PM

    Eu fico pensando aqui Sofia…
    o Guimarães Rosa inventava/reinventava palavras em seus livros, muitas se assemelham às palavras faladas por pessoas simples do interior de Minas. Imagina se alguém resolve dizer que nosso querido escritor e diplomata brasileiro era iletrado?

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  7. Adriana Zardini 24/10/2010 / 9:08 PM

    Anônimo disse: Muito me admira (ou nem tanto assim) é como as pessoas, nos nossos dias, escrevem tanto e texto de péssima qualidade e não há uma crítica tão ferrenha como esta feita a JA.
    Muitos inclusive ganham prêmios…
    Outra reflexão, não devemos fazer uma leitura tento o pensamento na época em que a obra foi escrita, revisada e publicada e não uma visão de hoje, século XXI.
    Repito suas palavras, ADri… “o brilhantismo de Austen prevalecerá!”

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  8. Cláudia Cristino 24/10/2010 / 9:08 PM

    Mais uma coisinha ou duas…
    Parabéns, novamente, ADri, por sua postagem e suas observações…

    Por isso, que nossas discussões deveriam ter um tom acadêmico…

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  9. Cláudia Cristino 24/10/2010 / 9:09 PM

    Saiu meu comentário como anônimo, mas fui eu a autora…
    Desculpem-me!!!!

    Repetindo…
    Muito me admira (ou nem tanto assim) é como as pessoas, nos nossos dias, escrevem tanto e texto de péssima qualidade e não há uma crítica tão ferrenha como esta feita a JA.
    Muitos inclusive ganham prêmios…
    Outra reflexão, não devemos fazer uma leitura tento o pensamento na época em que a obra foi escrita, revisada e publicada e não uma visão de hoje, século XXI.
    Repito suas palavras, ADri… “o brilhantismo de Austen prevalecerá!”

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  10. Adriana Zardini 24/10/2010 / 9:10 PM

    Prezado Anônimo, infelizmente por um erro do blogger, sua mensagem quase foi deletado. Eu repliquei o que você escreveu acima. Como vc me chamou de Adri, creio que deve ser uma conhecida não é mesmo?

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  11. janeaustensworld 24/10/2010 / 10:03 PM

    Excellent thoughts and expressions, Adriana, and spot on! I have linked your article to mine!

    Vic

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  12. Adriana Zardini 24/10/2010 / 10:05 PM

    Cláudia, agora que você se apresentou, entendi que foi uma amiga a me chamar de Adri!

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  13. Natallie 25/10/2010 / 10:18 AM

    Quando comecei a ler esse post, não entendi nada. Só agora com seu comentário, Adriana, é que captei o tom da história. Realmente, as pessoas fazem muito barulho por nada. Pior: ainda utilizam um trabalho acadêmico sério pra isso. Lamentável.

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  14. Natallie 25/10/2010 / 10:18 AM

    Quando comecei a ler esse post, não entendi nada. Só agora com seu comentário, Adriana, é que captei o tom da história. Realmente, as pessoas fazem muito barulho por nada. Pior: ainda utilizam um trabalho acadêmico sério pra isso. Lamentável.

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  15. paularyana 25/10/2010 / 6:11 PM

    Ótimo post! é por causa de textos seus como esse que sempre dou uma passadinha por aqui… Parabéns, Dri!!
    Paula Aryana

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  16. Bruna Tavares 25/10/2010 / 6:34 PM

    Ótima defesa Adriana! Como alguém poderia escrever uma livro inteiro a mão sem rasura? Ao ler sua postagem lembrei da cena de “Amor e Inocência” em que ela recorta as palavras que não gosta. Para mim, isso só torna a personalidade dela mais interessante.

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  17. Adriana Zardini 25/10/2010 / 6:39 PM

    Natallie, certamente houve uma intenção de polemizar o assunto, não é mesmo?Não do caso Brasil, eu nem sei se realmente queria discutir a falta de letramento de Austen.

    Paula, você está sumida menina!

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  18. Ana Maria 25/10/2010 / 9:07 PM

    Excelente postagem, Adri.

    Francamente, as pessoas querem é tirar uma casquinha de Jane Austen para vender jornal.

    Adorei os seus comentários, muito bom. As pessoas vivem agora com ferramentas de Word e pensam que se errar é só deletar e escrever de novo. Simples assim.

    A Historiografia classifica este tipo de análise como Anacronismo, ou seja, quando se lê o passado com os olhos do presente, sem se levar em conta contextos políticos, sociais, econômicos e culturais e diria até, ortográficos…

    Ai, quem me deras escrever como Jane Austen…

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  19. Ana Maria 25/10/2010 / 9:08 PM

    Excelente postagem, Adri.

    Francamente, as pessoas querem é tirar uma casquinha de Jane Austen para vender jornal.

    Adorei os seus comentários, muito bom. As pessoas vivem agora com ferramentas de Word e pensam que se errar é só deletar e escrever de novo. Simples assim.

    A Historiografia classifica este tipo de análise como Anacronismo, ou seja, quando se lê o passado com os olhos do presente, sem se levar em conta contextos políticos, sociais, econômicos e culturais e diria até, ortográficos…

    Ai, quem me deras escrever como Jane Austen…

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  20. Adriana Zardini 26/10/2010 / 8:05 AM

    Ana, você é quem deu um show: “quando se lê o passado com os olhos do presente, sem se levar em conta contextos políticos, sociais, econômicos e culturais e diria até, ortográficos… “

    Adorei este comentário!

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  21. Luciana Viter 26/10/2010 / 8:58 PM

    Excelente artigo, Adriana, parabéns!

    É preciso entender os manuscritos que ela deixou como um processo de produção, com todas as variáveis citadas envolvidas…

    Mas dá notícia, não é, aí o pessoal passa adiante!

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  22. Adriana Zardini 26/10/2010 / 9:17 PM

    Lu Viter, é verdade… estes manuscritos são partes de um processo… isólar partes e generalizar é que não dá!

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  23. Tamara Camilo 29/11/2010 / 11:40 AM

    Qual escritor que nasce sabendo escrever perfeitamente e não tem um processo de construção do seu estilo de escrita obedecendo todas as normas gramaticais?
    A experiência é uma grande aliada do tempo…

    Austen ainda continua sendo a melhor escritora que já li. E com esta pesquisa fica claro que mesmo os melhores, tem um processo de aprendizagem não tão rápido.
    Notícia que mudou meu lado de ver Austen, mudou para melhor, fez-me senti-la mais humana e com um potencial mias incrível.

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