Resenha – Conversas Sobre Jane Austen em Bagdá

A Gazeta de Longbourn apresenta: mais uma resenha fresquinha da Luciana Darce (representante da JASBRA-PE): Conversas Sobre Jane Austen em Bagdá 

“Fiquei chocada em saber que você e o Ali cresceram sendo acordados com o canto dos pássaros e agora estão cercados por carros bomba e sirenes. As lembranças são tão delicadas que deveriam ser trazidas à tona sempre, especialmente quando elas têm significados para vocês.”

O título do livro é talvez algo enganoso, uma vez que não há assim tantas referências a Austen, mas não se preocupe: se você teve sensibilidade para a ficção de Austen, essa obra – bastante real – certamente te conquistará. Conversas sobre Jane Austen em Bagdá reúne a correspondência por email de uma jornalista britânica, Bee Rowlatt e uma professora iraquiana, May Witwit ao longo de três anos logo após as primeiras eleições no Iraque pós-invasão. Bee primeiro conhece May quando a entrevista para um programa sobre as expectativas em torno da eleição. Logo eles começam a trocar mensagens outras, sobre suas vidas, família, problemas pessoais e, no caso de May, o cotidiano em uma zona de conflito. A amizade que termina por uni-las me faz pensar na proximidade das irmãs Dashwood ou das irmãs Bennet mais velhas. May é uma professora universitária que ensina literatura inglesa (e é aqui que entra Austen, mas apenas de relance) e direitos humanos (o que ela mesma considera uma ironia) numa faculdade para mulheres. De família xiita, casou-se com um sunita e por conta disso acaba sofrendo o preconceito de todos os lados possíveis – não bastasse ser mulher numa sociedade extremamente machista e professora, numa época e lugar em que informação e cultura estão sendo perseguidos, ela ainda recebe o desprezo da própria família e da família do marido, passando a conviver particularmente com o pesadelo das perseguições das milícias aos sunitas. Isso para não falar que ela já foi casada anteriormente, o primeiro marido era um alcoólatra, ela se separou, casou com ele de novo, sofreu o pão que o diabo amassou e terminou viúva. Considerando tudo, é quase surpreendente que May tenha não apenas sobrevivido, mas também tido coragem para contar sua história. Quando seu nome aparece numa lista de morte condenando professores, é a gota d’água para May, que com a ajuda de Bee, tenta enfrentar a burocracia e a corrupção absurdas para conseguir um visto e sair do Iraque. Li esse livro de uma sentada só – e quase teria virado a noite para conseguir terminá-lo. A história de May e Bee é inspiradora, por vezes cheias de um humor, em outras verdadeiramente angustiante: enquanto mais e mais obstáculos surgem no caminho de May, é impossível não partilhar do sentimento de impotência de Bee diante dos fatos. Perseguição, ameaças de morte, erros na embaixada e travessias perigosas contrastam com o prosaico de se preocupar com a falta de energia para secar os cabelos ou problemas mecânicos com o carro. Conversas sobre Jane Austen em Bagdá é um livro emocionante, que fala muito ao nosso senso de solidariedade e humanidade – ele é um livro, sobretudo, humano. E é também um livro sobre uma amizade como poucas – na ficção ou fora dela.

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Livro gratuito na Amazon

Por indicação da amiga Maria Grazia acabo de baixar para o meu IPad o livro digital All Road Lead to Austen, totalmente de graça!

 Meu livrinho devidamente baixado! Iupiii!!

Para baixar o livro, basta ir até o site da amazon e clicar para o download. É necessário ter uma conta no site e um dispositivo eletrônico como o Kindle ou Ipad para poder ler o livro. Porém, é possível baixar uma versão gratuita do kindle para PC. Veja instruções no site. 
Em maio passado eu fiz um post sobre o lançamento deste livro, clique aqui e conheça um pouco mais sobre ele. 
Conheça aqui a lista dos 100 tops gratuitos da Amazon (alguns ainda disponíveis para dowload gratuito).

Todos os caminhos levam a Austen

Acabo de ver no site Jane Austen na Holanda uma indicação de um livro que me chamou a atenção: All Roads Lead to Austen (Todos os caminhos levam a Austen), escrito por Amy Elizabeth Smith. O livro está à venda na Amazon por $ 10,08. Inclusive você poderá ler algumas páginas no site da Amazon, clique aqui. O lançamento do livro está previsto para 1o de junho!

Com uma mala cheia de livros de Jane Austen, Amy Smith viajou pela América do Sul. Ao visitar seis países ela fez amizade com taxistas, professores, poetas e políticos. Conversou com eles a respeito de Jane Austen. Afinal, Jane Austen é tão universal quanto pensamos? Amy escreveu o livro Todos os caminhos levam a Austen (ainda sem tradução no Brasil) contando um pouco de suas aventuras. A autora e professora de redação e literatura na Universidade do Pacífico em Steckton, Estados Unitos. Durante um período de férias prolongadas visitou a Guatemala, México, Equador, Chile, Paraguai e Argentina para conversar com outras pessoas sobre sua escritora favorita.

Para conhecer um pouco mais sobre o livro, clique aqui ou leia em português traduzido pelo google. Para maiores informações vocês também podem acessar a página da autora no facebook.

Dez perguntas sobre Jane Austen

Em um artigo publicado no Jornal The Guardian, e a  amiga Valéria do Shoujo Café publicou um post a respeito. Como disse a Eveline Gomes, só de ler o post da Valéria já deu vontade de comprar o livro, que está à venda na Amazon.
Reproduzo abaixo o post da Valéria Fernandes.
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Tudo que você sempre quis saber sobre Jane Austen
Hoje me deparei com uma matéria do The Guardian chamada “Ten questions on Jane Austen” ou “Dez perguntas sobre Jane Austen”. Trata-se de mais que uma resenha, mas de um resumo muito interessante de dez das 20 perguntas que o autor John Mullan se propõe a responder em seu livro What Matters in Jane Austen?: Twenty Crucial Puzzles Solved (O que importa em Jane Austen: 20 Quebra-Cabeças Crucias Resolvidos). Fui até o Amazon e o resumo do livro é o seguinte:

Há algum sexo em Austen? Como os personagens se tratam e por que? Qual é a forma certa e errada de propor casamento? Quais personagens importantes de Auste nunca falam? Em What Matters in Austen, John Mullan mostra que você pode apreciar melhor o brilhantismo de Jane Austen prestando atenção às peculiaridades intrigantes e complexidades da sua ficção – perguntando e respondendo algumas perguntas muito específicas sobre o que acontece em seus romances, ele mostra a sua diabólica genialidade.

O legal é que o autor trabalha em cima do texto, das entrelinhas e sugestões que a autora faz para responder 20 questões curiosas. O The Guardian selecionou dez delas: Quem casou com um homem mais jovem?, Quem disse “Eu detesto dinheiro”?, Qual o nome de batismo da Sr.ª Bennet?, Por que o Sr. Perry está comprando uma carruagem?, Quem está vestindo luto?, Onde Wickham e Georgiana Darcy tiveram um encontro amoroso?, Quem casou por sexo?, Qual a ocupação do Capitão Benwick em Persuasão?, Quem teve a corte mais curta e bem sucedida?, Qual romance tem seu enredo dependente do clima?
 
 

A matéria do The Guardian é longa, eu queria ter tempo e paciência para traduzir tudo, mas já incluí o livro de John Mullan na minha lista futura de compras (*deixa o dólar cair*). É fantástico perceber só pela leitura do artigo do jornal o quanto Austen fala sobre sexo, por exemplo, mar (*Ramsgate é onde Wikham tenta seduzir Georgiana*) conjura perigos (*Austen perdeu um irmão no mar*) e o abandono aos prazeres sexuais. Isso pode ser par ao mal, como no caso da irmã de Darcy, salva na última hora, ou para o bem, como no caso de Emma, que nunca tinha visto o mar e vai passar sua lua de mel no litoral. Há também toda a discussão sobre casar por sexo, sugerida nas entrelinhas. Quem casou por sexo? Sr. Bennet, claro, e paga caro por isso, mas, também, Robert Ferrars e Sr. Palmer (Razão e Sensibilidade), além de Sr. Elton que é descrito como “um homem jovem vivendo sozinho e não gostando disso”. Segundo o artigo, tal colocação já conjurava vários sentidos perfeitamente compreensíveis pelos leitores, especialmente os homens solteiros. Mas Austen deixava a dica: todas as suas personagens que casam por sexo e são mostradas na maturidade, carregam uma cota de amargura e arrependimento, só que casamento é para toda a vida…
Há outros aspectos interessantes do artigo, como apontar que o clima é fundamental à trama de Emma ou que em Northanger Abbey todos parecem ter pressa. Quem casa com um homem mais jovem é Charlotte Lucas, que desesperada aos 27 anos, agarra o Sr. Collins. A questão do primeiro nome é particularmente deliciosa, pois pela reação das personagens de Austen, era mostra de excesso de intimidade e de falta de educação. Mr. Elton trata a esposa por seu nome, “Augusta”, e isso o torna motivo de riso e reprovação silenciosa, porque tudo é feito com falsa naturalidade. Já o Almirante Croft, em Persuasão, chama excepcionalmente a esposa pelo nome (*Sophy*), mas o faz de forma tão sincera e amorosa que causa invela “boa” nas mulheres ao redor. E, claro, a pobre Elinor acredita que Willoughby e Marianne estão noivos, porque o ouve chamando sua irmã pelo nome de batismo. Nós nunca saberemos, por exemplo, o nome da Sr.ª Bennet…

Enfim, poucas vezes um artigo me vendeu tão bem um livro. Se a versão digital estivesse disponível (*o amazona UK, só vende versão Kindle para o Reino Unido*), eu iria pedir o livro imediatamente, mas tudo ao seu tempo. Quem souber inglês, não deixe de ler o artigo que é muito, muito bom, e vai encantar todas as fãs de Austen.

 

Jane Austen teria sido envenenada…

Durante o feriado prologando eu acabei lendo algumas notícias que falavam a respeito de um possível envenenamento de Austen. O arsênico teria sido a causa de sua morte. No entanto, como eu estava em Recife por causa do III Encontro Nacional da JASBRA, não possível escrever o post. Hoje, eu encontrei um texto em português sobre o lançamento do livro: The Mysterious Death of Miss Austen
 
Jane Austen, a famosa romancista britânica terá sido morta por envenenamento, quer devido a uma má prescrição médica, quer por intenções homicidas.
Quem o afirma é Lindsay Ashford, escritora de romances policiais. Segundo ela, a morte de Austen terá sido devido à ingestão prolongada de arsénico. Tudo começou quando Ashford foi morar para uma casa alugada que pertenceu ao irmão de Austen.
Lá, a novelista policial terá lido uma série de papéis de Jane Austen, de entre os quais uma carta que a mesma escreveu à sua sobrinha Fanny Knight, dizendo que teve a pele do rosto manchada de “negro, branco e de todas as cores erradas”.
Lindsday Ashford, que tem licenciatura em criminologia, associou os sintomas que Jane descreveu na carta, aos sintomas que são apresentados por envenenamento por arsénico.  “Depois de todas as minhas pesquisas acho que lhe foi prescrito um medicamento que continha arsénico. Quando se olha para a lista de sintomas dela (Austen) e se compara com os sintomas que o arsénico traz, há uma correlação incrível” afirmou a romancista em declarações ao jornal Herald Sun.
Ahsford acabou por esquecer tal hipótese durante uns tempos, até que ao se encontrar um uma grande fã de Jane Austen, esta perguntou-lhe se vira um caracol de cabelo que estava exposto pela sua casa. Aí descobriu que um casal americano (Henry e Alberta Burke), tinham comprado o dito caracol e que Henry, intrigado com a doença de Austen efetuou testes toxicológicos ao cabelo da escritora. Os resultados mostraram-se positivos e antes de morrer, Henry terá contado à fã com a qual Lindsay falou.
Jane Austen, famosa por romances como “Sensibilidade e Bom Senso”, “Orgulho e Preconceito”, “Emma”, “O Parque de Mansfield”, “Persuasão”, entre outros viveu uma vida tranquila na Inglaterra rural. Em 1816 o seu estado de saúde começou a mostrar-se fraco. A escritora ignorou esses sintomas, continuando a trabalhar nas suas histórias. Contudo a sua saúde foi-se deteriorando progressivamente ao ponto de ter que ficar acamada. Foi levada em Maio de 1817 a Whinchester para receber tratamento médico, no entanto sem sucesso. Austen morreu a 18 de Julho de 1817 com apenas 41 anos de idade.
Houve quem dissesse que a morte foi devido à doença de Addison, outros afirmam que foi o linfoma de Hodgkin. A morte por tubérculos bovina também faz parte das hipóteses.
Esta nova hipótese vem acrescentar uma nova teoria à morte prematura da famosa romancista. Se tal teoria se provar verdadeira, o arsénico em questão poderá sido receitado por um médico, visto que costumava prescrever-se para o remediar de várias moléstias. Caso o arsénico tenha sido utilizado com intenções homicidas, somente as pessoas com as quais a escritora habitava tê-la-ão assassinado (neste caso terá sido ou  a sua mãe, ou a sua irmã Cassandra, ou Martha Lloyd uma velha amiga de família).
“The Mysterious Death of Miss Austen” foi o romance lançado por Lindsay Ashford em Londres há algumas semanas atrás, no qual explica a sua teoria com base nos seus testemunhos e nos trabalhos de pesquisa que efetuou sobre o caso.

Fonte: academia.comunicamos.org
Leia aqui o texto em inglês.

Morre Elizabeth Jenkins (1905 – 2010)

Elizabeth Jenkins, escritora e biógrafa morre aos 104 anos de idade. Elizabeth foi umas das fundadoras da Jane Austen Society, além de contribuir para a compra de Chawton Cottage para que se tornasse o Museu que é hoje: Jane Auten House Museum. Você poderá ler o abituário de Elizabeth Jenkins no site do Jornal Telegarph.
Esta é a capa da biografia sobre Jane Austen. Segundo alguns leitores e fãs de Austen, é a melhor biografia sobre a autora já escrita! A imagem abaixo pertence ao site AustenOnly.
Read a similar post at AustenOnly.

Jane Austen and Children

Jane Austen e as crianças é um novo livro, lançado no início do mês!

O Autor/The Author:
Escrito por David Selwyn, também autor de Jane Austen e lazer (Jane Austen and Leisure) e editor do livro Jane Austen Poemas Reunidos e Versos da Família Austen (Jane Austen Collected Poems and verse of the Austen Family).  
David Selwyn is the author of Jane Austen and Leisure and the editor of Jane Austen Collected Poems and verse of the Austen Family, The Complete Poems of James Austen, Fugitive Pieces: The poems of James Edward Austen-Leigh and, with Maggie Lane, Jane Austen: A Celebration.

Descrição do livro/Product Description:

O título explore uma função importante que as crianças têm nos livros de Jane Austen e oferece insights para que possamos entender os personagens adultos.  Jane Austen não é normalmente associada às crianças, principalmente por ela não ter tido filhos. Porém, há mais crianças em seus livros do que podemos imaginar. A própria Jane veio de uma família grande, com muitos sobrinhos e sobrinhas. Jane era boa com as crianças e muito popular entre elas. Portanto, é muito natural que a autor incluísse crianças em seus livros.  O livro explora: crianças vistas ou não vistas (algumas mortas); crianças como modelos de comportamento; bondade e maldade; crianças como objetos e afeição, diversão, ciúmes, ressentimento, etc…; crianças como desculpas; entre outros. O livro lança luz sobre um assunto bastante ignorado do trabalho de Jane Austen e a época em que ela viveu.
This title explores the surprisingly important part that children play in the novels of Jane Austen and the contribution they make to understanding her adult characters. Jane Austen is not usually associated with children – especially since she had none of her own. But there are in fact more children in her novels than one might at first think. She herself was from a sizeable family, with numerous nephews and nieces. She was, by all accounts, good with children and popular with them. It was therefore natural for her to include them in her novels, even if sometimes offstage. This book, by one of the world’s leading authorities on Austen, looks at both the real and the literary children in her life – children seen and unseen (and dead); children as models of behaviour, good and bad; as objects of affection, amusement, usefulness, pity, regret, jealousy, resentment; children in the way; children as excuses; and, children as heirs. In the process, it casts fascinating light on a hitherto largely ignored aspect of her work and the age in which she lived.

Detalhes/Details:
Páginas/Pages: 256

Preço/Price: $ 26.56 (dólares/dollars)

Onde Comprar/Where to buy: amazon.com
Leia um trecho da obra/Look inside: aqui/here

Os outros livros de David Selwyn:

A fama de Jane Austen

Jane’s Fame (A Fama de Jane)


Como Jane Austen virou uma estrela?
(por Elizabeth Toohey*, publicado no site do The Christian Science Moniktor em 9 de Abril de 2010)
Por que o mundo está obcecado com Jane Austen? O que há em sua vida e seus romances que a transformaram de uma escritora regencial de renome limitado em uma indústria de chalé? A resposta, como os romances de Austen, é ilusoriamente simples, mascarando uma complexa rede de fatores, da publicidade feita por sua família à falta de informação verificável que torna tão fácil para nós projetarmos nossas fantasias sobre ela.
Em Jane’s Fame: How Jane Austen Conquered the World (“A Fama de Jane: Como Jane Austen Conquistou o Mundo”), com seu subtítulo apenas parcialmente irônico, Claire Harman traça o fenômeno que é “Jane.” Nem crítica literária nem biografia, “Jane’s Fame” rastreia a imagem de Austen como uma romancista que tinha dificuldade de ser publicada e estava aberta a diversas críticas àquela rara combinação de autora cultuada e canonizada, associada a tanto Shakespeare quanto zumbis. (Harman nos indica uma divertida montagem no YouTube de cenas românticas de adaptações cinematográficas de Austen acompanhadas de “It’s Raining Men”, facilmente achada no Google.)
A primeira tomada de Austen veio de seu sobrinho, James Edward Austen-Leigh, que coloca sua tia no papel da mulher vitoriana ideal – modesta, sem ambição e certamente não inclinada a deixar que sua escrita interferisse com seus “deveres domésticos.” Foi em “Memoir of Jane Austen” (“Memórias de Jane Austen”) de Austen-Leigh que a imagem da literatura de Jane como um “pouquinho de marfim” começou, criando uma associação de “pequenez” com os romances que tratam de uma vida própria, aderindo à própria Austen, que, ironicamente, era provavelmente alta.
A relutância inicial da família em revelar a verdadeira face de Jane Austen ao público forneceu a perfeita atmosfera de mistério para especulação nas gerações seguintes.
Embora seu foco seja nas histórias que outros contaram sobre Austen, Harman tem sua própria história para contar também. A Austen de Harman não é nem amável nem retraída, mas uma atiçadora de chamas – uma metáfora evocada por sua conduta e seus modos, de acordo com uma visitante contemporânea de sua casa. Pense em alta, forte e “formidável,” não, pequena e amável.
Austen-Leigh é um conveniente testa de ferro e Harman claramente aprecia citar suas inexatidões apenas para derrubá-las. Austen, ela argumenta, era mais determinada e empresarial do que a tia ofuscada e virginal em que Austen-Leigh quer nos levar a acreditar. Harman também enfatiza a natureza literária da casa que estimulava sua ambição. O irmão mais velho de Austen, que publicou um periódico literário de curta duração, foi um poeta aspirante e considerado o escritor da família por sua mãe. Seu primo era próximo à romancista Fanny Burney d’Arblay e essa proximidade pode ter influenciado Austen tanto artisticamente quanto em sua iniciativa de vender seus romances. Do mesmo modo, a arte de Austen não surgiu sem esforço, mas através de extensivos rascunhos e revisões, envolvendo pedaços de papel com novo texto anexados a um rascunho anterior, “uma versão do século XIX de cortar e colar.” A ausência de marcos históricos ou controvérsias políticas em seus romances, antes de ser uma deficiência, pode ser devida a um medo de ficar ultrapassada, tão consciente que era Austen de seu público-alvo e tão frustrada pelo longo atraso na publicação de Abadia de Northanger, seu primeiro trabalho e o que mais tinha a ver com o momento.
Tais atrasos, embora desanimadores, podem ter ajudado Austen a afiar sua inovação estilística. “Quanto mais tempo Austen permanecia sem publicação,” Harman coloca, “mais ela se tornava experimental e mais liberdade ela se dava para movimentos audaciosos e brilhantes.” Sem um público leitor além de seus íntimos, Austen permanecia livre para desenvolver sua voz distinta.
Figuras literárias importantes que se seguiram tendiam a cair em campos que ou depreciavam ou enalteciam Austen – Mark Twain entre os primeiros (mas, afinal, de quem ele gostava?), e os evidentes herdeiros dela, James, Forster e Woolf, entre os últimos. Mas a imagem de soldados da Primeira Guerra Mundial lendo Austen nas trincheiras, ou de Churchill recorrendo a Orgulho e Preconceito para conforto enquanto acamado com gripe nos dias mais sombrios de 1943, vividamente mostram a posição de Austen como uma pedra angular da cultura britânica.
Harman aponta o apelo universal de Austen também, como comprovado pelo anarquista parisiense Félix Fénéon, que leu Abadia de Northanger durante a prisão e ficou tão encantado com sua crítica de classe que traduziu o livro para o francês, assim tornando-se o primeiro crítico marxista de Austen.
Harman completa seu livro analisando a Austen-mania corrente em nossa cultura gerada pela proliferação das adaptações cinematográficas. Sendo a mais proeminente idéia transmitida por “Jane’s Fame” a de que esses filmes biográficos, introduções e seqüências refletem mais em nós mesmos do que na própria Austen, pode-se apenas supor o que as futuras gerações vão inferir de Orgulho e Preconceito e Zumbis ou Mr. Darcy, Vampire, sobre o início do século XXI.
* Elizabeth Toohey leciona Estudos Femininos e Literatura Americana Pós-Guerra no Principia College em Elsah, Ill.
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Texto original em inglês, retirado do site: http://www.csmonitor.com/
Traduzido e cedido gentilmente por Mariana Fonseca

Sorteio de Razão e Sensibilidade

Acabo de conhecer o blog da Mychelle (The MY Island) e descobri que além de muito bonito, ela está fazendo um sorteio do livro Razão e Sensibilidade! Essa é uma boa oportunidade para quem não tem o livro ter a chance de ganhá-lo. Para participar do sorteio clique aqui.
Em tempo… no início do ano eu divulguei o lançamento de Razão e Sensibilidade, publicado pela Editora Martin Claret, tradução de Roberto Leal Ferreira, e houve um grande rebuliço porque a imagem da capa era nada mais nada menos que a Charllotte Bronte! Lembra-se Elaine?
Há alguns dias estive em uma livraria aqui em Belo Horizonte e descobri que uma segunda edição da Marting Claret foi lançada com outra capa, duas moças, supostamente Elinor e Marianne:
Descobri que essa capa já havia sido usada pela Editora Random House, na capa do livro: Cassandra’s Sister de Veronica Bennett (12,50 dólares na Amazon). A capa supostamente mostra Jane Austen (com a pena na mão) e sua irmã Cassandra. Vejam como tentaram fazer uma franjinha igual ao retrato de Austen e os olhinhos amendoados!

Lançamentos para 2010

Amigos, favor pedir aos familiares para esconderem os cartões de crédito, pois já estão previstos três livros a respeito de Jane para o ano que vem:
A truth universally acknowledged – 33 reasons why we can’t stop reading Jane Austen (320 páginas) – previsão de lançamento: 03 de junho de 2010 (Editora Particular Books). Livro editado por Susannah Carson a mesma editora de A Truth Universally Acknowledged: 33 Great Writers on Why We Read Jane Austen   já mencionado aqui no blog e publiquei também uma tradução da entrevista com Susannah Carson.

The Jane Austen Companion to Life (64 páginas), previsão de lançamento: março de 2010 (Editora Sourcebooks)
I was Jane Austen best friend (320 páginas), previsão de lançamento: 05 de março de 2010. Autor: Cora Harrison. Ilustrações de Susan Hellard. Editora: Children’s Books