Manuscritos de Jane Austen

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Outro dia uma pessoa me pediu auxílio para pesquisar os manuscritos de Jane Austen e percebi que não havia divulgado aqui no blog. Portanto, eis aqui o projeto que colocou na Internet os manuscritos de ficção de Jane Austen.

Em 2009 a Morgan Library realizou uma exposição lá em Nova York.

Este ano, como parte das homenagens aos 200 anos de morte de Jane Austen, a Biblioteca Britânica também está com uma exposição “Jane Austen Among Family and Friends” – desde 10 de janeiro até 19 de fevereiro de 2017.

Uma Janeite amiga, a Luciana Campelo, esteve em Londres agora em janeiro e comprovou de perto a exposição. Segundo Luciana, “a exposição é uma fantástica oportunidade de ficar bem pertinho das cartas de Jane Austen!” “Foi muito emocionante“, acrescenta.

 

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Manuscritos de ‘The Watsons’ à venda

Um manuscrito raro da obra inacabada ‘The Watsons’ será leiloado na Sotherby em Londres! O valor estimado é de 200.000 a 300.000 libras e será leiloado no dia 14 de julho de 2011!
A cópia acima pode ser vista na The Morgan Library
Jane começou a escrever ‘The Watsons’ por volta de 1803, enquanto morava em Bath.

Maiore detalhes (em inglês):
The Guardian
Austen Prose
Jane Austen in Vermont

O Retrato de Mrs. Q

O retrato de Mrs. Q

A capa da mais recente tradução do livro Persuasão, lançado pela editora Martin Claret (que Adriana Zardini comentou aqui), chamou a nossa atenção. Trata-se de um retrato intitulado Mrs. Q ou Portrait of a Lady (desenho de J.F.M. Huet-Villiers e gravura do poeta inglês William Blake), exibido esse ano no Morgan Library and Museum de Nova York, como parte da exposição A Woman’s Wit: Jane Austen’s Life and Legacy. A pintura – que representa Mrs. Harriet Quentin, esposa de um certo Coronel Quentin e amante do então Príncipe de Gales – desperta a curiosidade pelo fato de ter sido considerada por Jane Austen como a imagem mais próxima que ela tinha em mente da personagem Jane Bennet, de Orgulho e Preconceito. Em 24 de maio de 1813, Jane, hospedada na casa do seu irmão Henry, em Londres, escreveu para sua irmã Cassandra:


Henry e eu fomos à Exposição em Spring Gardens. Não é considerada uma boa coleção, mas gostei muito – particularmente (por favor, conte a Fanny) de um retrato da Sra. Bingley, muito parecido com ela. Tive ainda a esperança em encontrar um de sua irmã, mas não havia nenhuma Sra. Darcy, talvez eu a encontre na Grande Exposição, para a qual devemos ir, se tivermos tempo (…) O retrato da Sra. Bingley é exatamente igual a ela: tamanho, formato do rosto, as feições e a suavidade; nunca vi tamanha semelhança. Ela usa um vestido branco, com ornamentos verdes, o que me convence daquilo que eu sempre presumi, que verde era a cor que lhe caía melhor. Ouso dizer que a Sra. D. ficaria melhor de amarelo.

Lady Nelthorpe (miniatura de C.J. Robertson)

No entanto, Deirdre Le Faye, especialista em Jane Austen, em seu livro Jane Jane Austen’s Letters, afima que apesar de Mrs. Q ser provavelmente o retrato ao qual Jane se referia, outras opções não devem ser descartadas, como as miniaturas do pintor Charles John Robertson (uma delas pode ser vista acima) exibidas na mesma exposição. Quanto à heroína de Persuasão, Anne Eliot, Jane parece não ter deixado nenhuma indicação de qual retrato se aproximaria mais daquilo que ela imaginava.

Vídeos da exposição no Morgan Library (PBS)

Hoje destaco mais dois vídeos que a rede de televisão norte-americana PBS postou no You Tube. Com intenção de promover a estreia de Emma nos Estados Unidos, foram produzidos até agora três vídeos relacionados à exposição que ocorre no Morgan Library & Museum (o outro vídeo pode ser visto aqui). Ambos destacam a importância de Jane Austen e ainda mostram ótimas imagens da exposição que vai até o dia 14 de março.

Austen no Modern Library & Museum

Retrato idealizado de Jane Austen (anônimo do século XIX)
Art Tattler é uma página que apresenta imagens das principais exposições que ocorrem nos museus dos Estados Unidos. Há, inclusive, uma parte dedicada ao Morgan Library & Museum, onde ocorre atualmente a exposição A Woman’s Wit: Jane Austen’s Life and Legacy, já comentada aqui no blog. Abaixo, algumas imagens que selecionei da exposição:

Cena de Orgulho e Preconceito, por Isabel Bishop (1902-1988)
Retrato de Mrs. Q, pintado pelo poeta inglês William Blake (1757-1827). Quando Jane Austen viu o retrato em Londres, disse que era exatamente assim que imaginava Jane, a irmã de Elizabeth Bennet em Orgulho e Preconceito
Carta de Jane para sua irmã Cassandra, datada de 2 de junho de 1799

Carta de Jane para Cassandra, em 2 de junho de 1799

Carta de Jane para Cassandra, com data de 8-9 de fevereiro de 1807. Repare que, para economizar papel, Jane escrevia verticalmente por cima do que já havia escrito.

Escrita pela própria Jane Austen em 1817, a lista acima mostra os lucros obtidos através de seus romances

Carta de Cassanda para a sobrinha Fanny Knight falando sobre a morte de Jane, datada de 20 de julho de 1817: “Perdi um tesouro, uma irmã e amiga como nunca mais voltarei a ter”

Vídeo Jane Austen’s Letters (PBS)

O canal PBS colocou no You Tube um vídeo onde Clara Drummond, curadora assistente de manuscritos históricos e literários do Morgan Library & Museum, aparece explicando a técnica utilizada por Jane Austen ao escrever suas cartas. É interessante observar o quanto Jane aproveitava cada centímetro do papel, pois o mesmo era considerado artigo de luxo na época.

Austen Power

Michael J. Fressola fala da exposição no The Morgan Library & Museum (veja aqui o post que fiz) em um artigo para um jornal de Staten Island (um dos grades boroughs de Nova York). O artigo começa assim: A economia deve melhorar, a campanha no Afganistão deve dar resultados, a tecnologia verde (ou preocupação com o planeta) deve conter as mudanças climáticas, as redes de televisão devem sobrevivem. Quem sabe…
Mas de uma coisa estou certo: teremos mais Jane Austen no futuro. Mais e mais… Austen, assim como Dickens e Shakespeare e outros autores, são um recurso renovável sem fim.
Seus livros ainda são comprados, lidos e amados. Parecem ser indispensáveis para o cinema e a televisão contemporâneos: eles são refeitos, revisados e estão sempre lançando novas versões.
Michael menciona que nos últimos quinze anos, desde Razão e Sensibilidade (1995) são realizados filmes e séries com bastatne êxito, inclusive até cita a versão indiana Bride and Prejudice.
Além dos filmes e séries para tv, Michael também menciona os mash-ups: Pride and Prejudice and Zombies, Sense and Sensibility with Sea-monsters e os sucessos como The Jane Austen Book Club, Bridget Jones’s Diary.
Falando de fatos mais concretos, Michael sugere uma visita ao the Morgan Library & Museum para todos verem de perto as cartas e manuscritos de Austen.  Diz também que mesmo nos domingos à tarde e nos dias chuvosos (considerados dias incomuns para uma visita) encontramos a galeria do Morgan cheia de admiradores de Austen, de todas as idades, gêneros e raças.
As paredes estão cheias de ilustrações e quadrinhos, mapas e edições raras dos livros de Austen. Além de ilustrações hilárias de Isabel Bishop (prometo fazer um post sobre ela).  Michael encerra o artigo falando das maravilhas da exposição e deixa uma pergunta: Quem você convidaria para uma festa se a convidada de honra fosse Jane Austen? O autor sugere que de um leque de oportunidades Freud seria uma idéia interessante! Mas concorda que Fran Leibowitz é a melhor resposta – ela tentaria ficar com Jane só para ela! E você o que acha?
Um pouco mais sobre a exposição da The Morgan Library:
Créditos das fotos: Annie Sciacca – NYnews

O homem que descobriu os segredos de Jane Austen

Mike Pride diz que conseguiu viver quase 40 anos sem ler qualquer livro de Jane Austen. Toda vez que a PBS ou os estúdios de Hollywood fizeram a ressurreição de Emma Woodhouse ou de Elinor e Marianne Dashwood, ele sabia que sua esposa teria que assistí-las. Normalmente quando havia uma previsão de um novo filme, Monique (a esposa de Mike) relia o livro no qual o filme se baseava. Monique conhecia os textos e falas de cor e salteado, porém sempre parecia descobrir alguma qualidade mais profunda nos personagens cada vez que os lia.

No mês passado, ele resolveu descobrir por que Monique gosta tanto de Auten. “Provavelmente, jamais gostarei de Austen como minha esposa, mas já li e gostei muito de Razão e Sensbilidade e agora estou lendo Orgulho e Preconceito: – diz Mike.
Mas por que agora?
Mike diz que tem que agradecer a J. P. Morgan! Sim, o banqueiro J. P. Morgan que comprou as três bíblias de Gutemberg. O mesmo Morgan que lotou suas prateleiras com obras primas da Renacença, além de ser dono do manuscrito de A Christmas Carol, de Charles Dickens. Morgan também adquiriu uma boa parcela das cartas de Jane Austen. As cartas estão em exposição até dia 14 de março na Morgan Library, em Nova York.
Obviamente, quando Mike soube da exposição logo pensou que teria que levar Monique. Mas encontrou lá, algo que chamou muito sua atenção: a correspondência de terceiros. Segundo Mike, ele adora ler as correspondência das pessoas. Ainda segundo Mike, Austen foi uma escritora de cartas fantástica, e boa parte das cartas que pertencem à Morgan são cartas trocadas entre Austen e sua irmã Cassandra. Embora as cartas estejam disponíveis em livros, existe algo de mágico ao vê-las ao vivo e em cores. A exposição ocupa uma galeria, mas gastamos mais de duas horas observando as cartas, e nos divertimos a cada minuto. Uma dos cantos foi escurecido para que fosse possível projetar um filme na parede, e foi isso que o convenceu de que a hora de ler Austen havia chegado.
Os comentaristas do filme são críticos literários, escritores e artistas que amam o trabalho de Austen. Pelo menos dois deles são homens, incluindo o primeiro a fazer seu discurso: Cornell West. Ele falou de Austen num tom quase como se fosse uma reverência, e lamentou por tê-la conhecido tão tarde, quando era estudante de graduação.
Mike se diz um novato no mundo de Austen, mas diz o que pensa do trabalho da escritora: Austen entende o ser humano. Ela sabe que as pessoas agem de acordo com o que elas pensam e dizem que são. Ainda segundo Mike, podemos entender o modo como os personagens principais de Austen agem porque ela os apresenta através de contrastes. Ao mencionar uma passagem de Razão e Sensibilidade, Austen não se contem a apenas relatar que Marianne ficou silenciosa, e acrescenta: “era impossível para ela dizer o que não sentia…” Que percepção astuta! Após ter assistido três versões de Razão e Sensibilidade, Mike ainda se sente paralisado pelo poder de criatividade de Austen!

Mike, diz que apesar de Austen ter morrido há 192 anos, hoje a consideramos como uma proto-feminista, pois mostrou o como era a sociedade Inglesa, especialmente para as mulheres. Talvez seja uma das razões pelas quais sua esposa e milhões de outras mulheres amam seus livros. Ele se sente contente, pois após esses anos, conseguiu abandonar a idéia de Austen não era para ele,  pelo simples fato de Austen é considerada uma escritora para mulheres. Mike, termina seu o texto dizendo: “eu estou lendo Austen agora, e me sinto como se tivesse ouvido um segredo que não me era permitido ouvir. Na verdade, é claro, é um segredo que eu guardo para mim”.

* O texto acima foi traduzido e adaptado a partir de um artigo do Concord Monitor.

***
1) Saiba mais sobre a exposição na Morgan Library aqui.
2) Um post muito interessante sobre os homens que lêem Austen no século XXI, escrito por Vic no Jane Austen World  – o crédito da imagem acima não foi informado, tendo sido copiado da página do Jane Austen World.

Exposição em Nova York

Quem tiver a oportunidade de visitar, lá em Nova York, a exposição da The Morgan Library, não perca tempo! A exposição é sobre a nossa querida Jane: Jane Austen’s Life and Legacy (Jane Austen vida e legado). Em exposição desde o dia 06 de novembro até 14 de março de 2010.

 O post de hoje é uma sugestão da Poliana! thanks dear!

Só de assistir a exibição on line da exposição na Morgan Library, já se percebe ser uma experiência única entrar em contato com o universo de Austen, mais ainda poder ver de perto seus manuscritos, ler suas cartas pessoais, conhecer, enfim, seus pensamentos e como ela percebia o mundo ao seu redor.

Como bem observou um dos entrevistados, no vídeo dedicado à exposição, até mesmo uma lista de compras de Austen deve ser interessante de ler, pois mesmo suas cartas pessoais, seus comentários, conselhos, pensamentos, tudo o que ela escrevia, à irmã Cassandra e à sobrinha Fanny, em especial, eram de uma profundidade e uma perspicácia quanto ao comportamento e sentimentos humanos que mereceriam ser publicados, tal qual uma obra literária propriamente dita. E isso o que mais me impressionou, ao assistir on line a exposição.

Também, não há quem não ressalte a inteligência e a elegância de Austen, o que se pode ver até mesmo por sua caligrafia.

É de tirar o fôlego, enfim. E só digo que gostaria imensamente de ter sido um dos privilegiados que puderam efetivamente pegar os manuscritos de Jane e lê-los, para sentir – usando as palavras de um desses privilegiados – a experiência de escrevê-los, transportando-se, pois, para o corpo, a visão e a percepção de Austen.

Assista ao vídeo The Divine Jane – reflections on Austen:
 

A exibição online é dividida em três seções:
1) O filme acima
2) Um facsimile de Lady Susan
3) Algumas imagens
A programação até março é intensa, e só morando em Ny para poder acompanhar. Devo comentar, com um pouco de raiva: Porque esse tipo de exibição não ocorreu enquanto eu estudava lá? 😦
Programação:
Gallery Talk – A Woman’s Wit: Jane Austen’s Life and Legacy

Friday, November 20, 7 p.m.

Family Program – Winter Family Day Celebration
Sunday, December 6, 2–5 p.m.

Lecture – A preview of MASTERPIECE Classic’s Emma
Wednesday, January 20, 2010, 6:30 p.m.

Film – Pride and Prejudice
Sunday, January 24, 2010, 2 p.m.

Lecture – From Gothic to Graphic: Adapting Jane Austen Novels
Tuesday, January 26, 2010, 6:30 p.m.

Reading Jane Austen
Pride and Prejudice – Wednesday, January 27, 2010, 3–4:30 p.m.
Emma – Wednesday, February 10, 2010
Persuasion – Wednesday, February 24, 2010

Film
Sense and Sensibility – Friday, February 12, 2010, 7 p.m.

Gallery Talk
A Woman’s Wit: Jane Austen’s Life and Legacy
Friday, February 26, 2010, 7 p.m.