Jane Austen por Tempero Drag

A Rita do canal Tempero Drag, além de ser engrassadíssima, acabou publicando vídeos sobre mulheres importantes em várias áreas do conhecimento, incluindo nossa querida Austen! Parabéns pela iniciativa Tempero Drag!!!

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Divagações sobre Mr. Darcy

Prezados Leitores, apenas para retificar: o post abaixo  é de autoria de Luciana Darce (JASBRA-PE)! 

Mr. Darcy, a princípio, fora quase com relutância que lhe admitira uma certa beleza; no baile olhara para ela sem admiração, e na vez seguinte olhou-a apenas para criticar, Porém, mal ele se certificara a si e aos amigos da quase inexistência de um traço bonito naquele rosto, quando começou a achá-la invulgarmente inteligente pela bonita expressão de seus olhos negros. Embora seu olho crítico tivesse detectado mais de uma falha de simetria na forma de seu corpo, era forçado a reconhecer-lhe uma figura pura e agradável; e, apesar de considerar seus modos muito aquém dos do mundo elegante, cativaram-no por sua graciosidade simples.

Ao contrário de muitos fãs fanáticos de Austen, Orgulho e Preconceito não é meu romance favorito da autora (eu continuo adorando-o, mas não é meu favorito). Como já discutimos amplamente em algum lugar lá pelo Coruja, meu coração pertence ao Capitão Wentworth… Eu tenho uma certa birra com Darcy por conta daquela primeira declaração. A verdade é que naquele momento, ele não é muito diferente de Mr. Collins – tanto Darcy quanto Collins se aproximam de Elizabeth com a certeza absoluta de que seu pedido será aceito. Afinal, que outras perspectivas ela tem? Não apenas eles tomam o pedido formal como apenas uma norma de etiqueta a ser cumprida como ambos não questionam se Lizzie gosta ou não deles. Sério, prestem atenção na cena em Rosings. Darcy fala…

“Em vão tenho lutado comigo mesmo; nada consegui. Meus sentimentos não podem ser reprimidos e preciso que me permita dizer-lhe que eu a admiro e amo ardentemente”


Ele não se pergunta se Lizzie pode amá-lo. Em vez disso, impõe os seus sentimentos e não duvido que ele não se importaria, nesse momento, se ela tivesse aceitado se casar com ele simplesmente porque ele é um bom partido. Talvez por isso o reencontro dos dois em Pemberley tenha tanto impacto, porque daquela feita é óbvio o quanto ele deseja o afeto e aprovação dela. Ele não tem, a princípio, esperança de que ela de repente decida que está loucamente apaixonada por ele (e creio que mesmo o orgulho e o medo aja aqui um pouco para segurá-lo diante da possibilidade de uma nova rejeição), mas isso não o impede de procurar a boa opinião dela.


E esse é o grande ponto do Darcy, essa mudança pela qual ele passa, não necessariamente para conquistar a garota (mas também por isso), mas porque ele é capaz de enxergar e admitir seus erros e é absurdamente difícil fazer isso. É difícil assumir que você errou, que você não agiu da melhor maneira possível. E ele não apenas assume isso como busca por todos os meios possíveis, se não consertar, ao menos tentar fazê-lo. Mais até do que o que ele faz pela Lizzie, surpreende-me a coragem que ele teve de assumir para Bingley o papel dele na separação do amigo e de Jane Bennet. Aqui ele corre um risco muito grande, de perder a amizade de Bingley (uma coisa real, em contraste com a possibilidade abstrata de algum afeto da parte de Elizabeth) e mesmo assim ele assume sua culpa. Particularmente, eu acho isso fantástico. Aliás, esse é o fator principal para que eu goste tanto do Wentworth – a capacidade de admitir que estava errado e saber pedir desculpas. A diferença entre os dois é que o capitão foi profundamente magoado no passado pela Anne, enquanto Darcy começa achando que é o rei da cocada preta (o que ele é, mas não precisa ser um cretino sobre isso). Enfim… mesmo quando é um cretino, Mr. Darcy é ainda incrivelmente passional e talvez por isso a gente acabe… ‘ignorando’ certas atitudes dele. E, claro, uma vez que você pense como vai ser a relação dele com a Lizzie após o final do livro – quando você imagina o cuidado, o carinho e também a paixão que ele dedica à mulher, é difícil dizer que estando no lugar dela, teríamos também dito não àquele primeiro pedido. Eu acredito que eu diria não, mas quando você está lendo pela segunda, terceira, décima vez o romance e sabe exatamente o que o homem será capaz de fazer por ela mais tarde, talvez não seja possível dissociar as imagens de Darcy pré e pós Rosings. E vocês? Quais são suas divagações sobre Mr. Darcy?

Exposição em Nova York

Quem tiver a oportunidade de visitar, lá em Nova York, a exposição da The Morgan Library, não perca tempo! A exposição é sobre a nossa querida Jane: Jane Austen’s Life and Legacy (Jane Austen vida e legado). Em exposição desde o dia 06 de novembro até 14 de março de 2010.

 O post de hoje é uma sugestão da Poliana! thanks dear!

Só de assistir a exibição on line da exposição na Morgan Library, já se percebe ser uma experiência única entrar em contato com o universo de Austen, mais ainda poder ver de perto seus manuscritos, ler suas cartas pessoais, conhecer, enfim, seus pensamentos e como ela percebia o mundo ao seu redor.

Como bem observou um dos entrevistados, no vídeo dedicado à exposição, até mesmo uma lista de compras de Austen deve ser interessante de ler, pois mesmo suas cartas pessoais, seus comentários, conselhos, pensamentos, tudo o que ela escrevia, à irmã Cassandra e à sobrinha Fanny, em especial, eram de uma profundidade e uma perspicácia quanto ao comportamento e sentimentos humanos que mereceriam ser publicados, tal qual uma obra literária propriamente dita. E isso o que mais me impressionou, ao assistir on line a exposição.

Também, não há quem não ressalte a inteligência e a elegância de Austen, o que se pode ver até mesmo por sua caligrafia.

É de tirar o fôlego, enfim. E só digo que gostaria imensamente de ter sido um dos privilegiados que puderam efetivamente pegar os manuscritos de Jane e lê-los, para sentir – usando as palavras de um desses privilegiados – a experiência de escrevê-los, transportando-se, pois, para o corpo, a visão e a percepção de Austen.

Assista ao vídeo The Divine Jane – reflections on Austen:
 

A exibição online é dividida em três seções:
1) O filme acima
2) Um facsimile de Lady Susan
3) Algumas imagens
A programação até março é intensa, e só morando em Ny para poder acompanhar. Devo comentar, com um pouco de raiva: Porque esse tipo de exibição não ocorreu enquanto eu estudava lá? 😦
Programação:
Gallery Talk – A Woman’s Wit: Jane Austen’s Life and Legacy

Friday, November 20, 7 p.m.

Family Program – Winter Family Day Celebration
Sunday, December 6, 2–5 p.m.

Lecture – A preview of MASTERPIECE Classic’s Emma
Wednesday, January 20, 2010, 6:30 p.m.

Film – Pride and Prejudice
Sunday, January 24, 2010, 2 p.m.

Lecture – From Gothic to Graphic: Adapting Jane Austen Novels
Tuesday, January 26, 2010, 6:30 p.m.

Reading Jane Austen
Pride and Prejudice – Wednesday, January 27, 2010, 3–4:30 p.m.
Emma – Wednesday, February 10, 2010
Persuasion – Wednesday, February 24, 2010

Film
Sense and Sensibility – Friday, February 12, 2010, 7 p.m.

Gallery Talk
A Woman’s Wit: Jane Austen’s Life and Legacy
Friday, February 26, 2010, 7 p.m.

Conversa entre autoras

Imaginando Personanges – seis conversas sobre escritoras. O livro organizado por Rebecca Swift, traduzido por Roberto Muggiati, traz conversas entre A. S. Byatt e Ingês Sodré. As autoras ‘conversam’ sobre livros variados e aprofundam suas observações e discussões de maneira muito agradável e inteligente.O texto tem um formato no estilo de bate-papo (chat).

As obras discutidas são:
– Mansfield Park (Jane Austen)
– Villette (Charlotte Bronte)
– Daniel Deronda (George Eliot)
– A casa do Professor (Willa Cather)
– Uma rosa informal (Iris Murdoch)
– Amada (Toni Morrison)

Traz também um capítulo sober sonhos e ficções e ainda uma seção a respeito das fontes consultadas por essas autoras.
Até hoje eu só li Mansfield Park porque os outros livros ainda não tive a oportunidade de ler e achei que não seria interessante ler a discussão sem conhecê-los. Em relação ao livro de Austen, a minha impressão ao ler os comentários de Byatt e Sodré foi que os personagens ganham ainda mais vida através da discussão das duas. O livro é uma excelente fonte de recursos que auxiliam na interpretação dos livros citados acima. Sabe quando falam de pessoas que são nossos velhos conhecidos? Foi assim que me senti ao ler esse livro, Fanny, Edmund e os demais personagens de Mansfield Park são analisados e discutidos de uma maneira tão interessante que às vezes passou pela minha cabeça a seguinte frase: ‘como eu não havia pensado nisso antes?’
Creio que para quem gosta de literarutra e mais ainda de Austen, esse livro é uma ótima sugestão!

Detalhes:
Título: Imaginando Personagens
Número de páginas: 348
Editora: Civilização Brasileira
Edição: 2002
Valor: 43,00 (Livraria Cultura, Livraria da Travessa e Submarino) – novos
          14,00 a 35,00 (Estante Virtual) – usados