Lançamento: Cartas de Jane Austen

cartas

A Editora Martin Claret confirmou mais um lançamento de tradução de Jane Austen. Desta vez, será uma edição uma coletânea de cartas escritas pela escritora em uma edição de luxo com acabamento especial.

A previsão de lançamento é para o segundo semestre. Os textos são traduzidos pela minha amiga Renata Cristina Colasante, doutoranda em Estudos Literários em Inglês pela Universidade de São Paulo (USP).

As cartas escritas por Jane eram destinadas à familiares e amigos. Segundo especialistas, a escritora enviou mais de três mil correspondências, porém grande parte foram queimadas por sua irmã para preservar a intimidade da família. Apenas 150 sobreviveram à queima de arquivos.

Jane Austen Her Life and Letters

Por indicação da Rita Watts publico aqui mais uma edição contendo as cartas de Austen uma biografia: Jane Austen – her Life and letters. Está à venda na Amazon.com por 9,99 dólares.

The Illustrated Letters of Jane Austen

Está à venda na Estante Virtual um livro muito bonito e interessante! The Illustrated Letters of Jane Austen, editado por  Penelope Hughes-Hallett e por apenas 25 reais! Clique aqui para comprá-lo.

Before her death, Cassandra Austen burned many, maybe even most, of her sister’s letters; she would not have approved such a book! The letters that survived the bonfire were given to various nieces and nephews. The third edition of the lettersis the standard source of reference for Austen articles published by jasna. Extensive bibliography; useful explanatory notes to the individual letters; handy appendices, which explain the persons and places associated with Austen.

Em memória de Jane Austen

Em 18 de julho de 1817, Jane Austen morre em plena produção intelectual.

Sua irmã, Cassandra, escreveu uma carta para Fanny (Miss Knight, sobrinho de Austen) – abaixo um pequeno trecho da carta, a carta completa você encontra em Republic of Pemberley:

“I have lost a treasure, such a Sister, such a friend as never can have been surpassed,- She was the sun of my life, the gilder of every pleasure, the soother of every sorrow, I had not a thought concealed from her, & it is as if I had lost a part of myself…”
“Perdi um tesouro, uma irmã, uma amiga assim nunca deveria ter nos deixado. Ela foi o sol da minha vida, abrilhantava todos os prazeres, era o consolo para todo tipo de sofrimento, não sei se conseguirei viver sem ela, é como se tivesse perdido uma parte de mim…”

A placa acima foi colocada pelo sobrinho de Austen,  James Edward Austen-Leigh, em 1870 e diz o seguinte:
Jane Austen 

… Known to many by her writings,
endeared to her family
by the varied charms of her characters
and ennobled by her Christian faith and piety
was born at Steventon in the County of Hants.
December 16 1775
and buried in the Cathedral
July 18 1817.
“She openeth her mouth with wisdom
and in her tongue is the law of kindness.”

As cartas de Austen foram compiladas em um livro, por Deidre Le Faye, clique aqui para comprá-lo (R$ 58,00 na Livraria Cultura).

Letters, ed. by Deidre Le Faye [3rd ed, 1997], From Cassandra to Fanny Knight, 20 July 1817, p. 343;
Leia mais sobre o assunto no post da amiga Deb do Jane Austen in Vermont.
As imagens acima fazem parte da viagem de meu amigo Alfred à Inglaterra. Leia os posts aqui e aqui. Para ler os posts a respeito relacionados a Winchester, clique aqui.

Nova edicão de Jane Austen’s Letters

Uma nova edição do livro Jane Austen’s Letters (Deirdre Le Faye) está com lançamento previsto para outubro deste ano. Esta quarta edição da Oxford University Press será em capa dura e terá 688 páginas e terá o seguinte conteúdo:
Acknowledgements

Preface to Fourth Edition
List of Letters
Jane Austen’s Letters

Abbreviations and Citations
Notes
General Notes on the Letters
Bibliography
Biographical Index

Topographical Index

Subject Index
General Index
Além de trazer uma transcrição completa e acurada das cartas de Austen, esta quarta será publicada em comemoração aos 200 anos de Razão e Sensibilidade.
Vocês devem conhecer este livro com outro capa, a terceira edição que tenho aqui em casa é esta aqui:

As Cartas de Jane Austen

“Não há nada que eu tenha lido naquelas cartas que possa ser interessante para o público. Elas são bem escritas, devem ter algum interesse para quem as recebeu, mas elas contêm detalhes de momentos de vida doméstica e familiar, sendo que raras vezes ela [Jane Austen] expressa sua própria opinião. Por isso, para estranhos elas podem não revelar o que se passava pela sua mente – eles não vão sentir que a conhecem melhor por terem lido suas cartas”.

Assim escreveu Caroline, sobrinha de Jane Austen, ao irmão James Edward Austen-Leigh, quando este estava escrevendo a biografia de sua tia, Memoir of Jane Austen. Assim como sua irmã, Austen-Leigh também não se mostra muito entusiasmado, e alerta seus leitores para que “não esperem muito” das cartas, pois estas tratam apenas de “detalhes da vida doméstica”. Segundo a especialista Carol Houlihan Flynn, apenas recentemente os estudiosos começaram a enxergar nas correspondências de Jane Austen algo mais do que simples descrições do dia-a-dia, e passaram a considerá-las como um importante recurso para compreender os costumes do meio em que Austen viveu, assim como para entender melhor suas obras.

Um grave problema que envolve as cartas de Jane reside no fato de sua irmã Cassandra ter destruído parte das cartas e ter subtraído trechos das correspondências remanescentes. Segundo a estudiosa Deirdre Le Faye, Cassandra assim procedeu para proteger a memória de sua irmã e de sua família, pois provavelmente Jane descrevia em detalhes sintomas de doenças, como quando a Sra. Austen adoeceu na ausência de Cassandra, ficando aos cuidados de Jane; por isso, o trecho de uma carta do ano 1798 foi cortado. Outro motivo plausível seria o fato de Jane fazer críticas a outros membros da família, pois em uma carta datada de outubro de 1813, Jane escreve: “Como me referi aos meus sobrinhos com um pouco de amargura na minha última…” O restante do trecho foi suprimido, e Jane segue elogiando os sobrinhos por terem comungado no dia anterior. A última carta a que Jane se refere não sobreviveu, pois Cassandra provavelmente quis poupar os sobrinhos da crítica feita pela tia.

Segundo Le Faye, as correspondências eram como telefonemas trocados entre as irmãs, ou seja, “apressadas e elípticas, uma mantendo a outra informada dos acontecimentos domésticos e ocasionalmente fazendo comentários sobre as novidades do dia, tanto locais como nacionais”. Le Faye dá ainda maiores detalhes de como Jane e Cassandra costumavam se corresponder:

“Quando as irmãs estavam separadas, escreviam uma para a outra a cada três ou quatro dias – uma carta começava imediatamente após a anterior ser enviada. Há sempre, primeiro, uma carta de Jane contando a Cassandra sobre o trajeto de casa até o destino; em seguida, uma série de cartas falando a respeito dos acontecimentos do dia no lugar visitado, e uma ou mais cartas falando dos preparativos para o retorno ao lar. Se Cassandra é quem viaja, então a primeira carta é de Jane dizendo que espera que a irmã tenha feito uma boa viagem; na sequência, Jane conta como vai a vida em casa; e as últimas cartas falam de Jane esperando que a irmã tenha um retorno rápido e confortável”.

As cartas de Jane Austen ainda não se encontram traduzidas para o português, mas há edições em inglês, como a famosa Letters of Jane Austen (Brabourne Edition) – primeira edição das cartas de Jane Austen, de 1884, organizada por Lord Brabourne, filho da sobrinha de Jane, Fanny Knight – lançada pela Cambridge Library Collection. A Brabourne Edition também pode ser lida na página The Republic of Pemberley. Outra importante edição é a Jane Austen’s Letters, organizada por Deirdre Le Faye. Há ainda a seleção de cartas da Oxford World’s Classics e várias outras.

Para escrever o presente post, além de ter utilizado como fonte bibliográfica a referida edição de Deirdre Le Faye, utilizei também o artigo The Letters, de Carol Houlihan Flynn, publicado no livro The Cambridge Companion to Jane Austen.

Vídeo Jane Austen’s Letters (PBS)

O canal PBS colocou no You Tube um vídeo onde Clara Drummond, curadora assistente de manuscritos históricos e literários do Morgan Library & Museum, aparece explicando a técnica utilizada por Jane Austen ao escrever suas cartas. É interessante observar o quanto Jane aproveitava cada centímetro do papel, pois o mesmo era considerado artigo de luxo na época.

O homem que descobriu os segredos de Jane Austen

Mike Pride diz que conseguiu viver quase 40 anos sem ler qualquer livro de Jane Austen. Toda vez que a PBS ou os estúdios de Hollywood fizeram a ressurreição de Emma Woodhouse ou de Elinor e Marianne Dashwood, ele sabia que sua esposa teria que assistí-las. Normalmente quando havia uma previsão de um novo filme, Monique (a esposa de Mike) relia o livro no qual o filme se baseava. Monique conhecia os textos e falas de cor e salteado, porém sempre parecia descobrir alguma qualidade mais profunda nos personagens cada vez que os lia.

No mês passado, ele resolveu descobrir por que Monique gosta tanto de Auten. “Provavelmente, jamais gostarei de Austen como minha esposa, mas já li e gostei muito de Razão e Sensbilidade e agora estou lendo Orgulho e Preconceito: – diz Mike.
Mas por que agora?
Mike diz que tem que agradecer a J. P. Morgan! Sim, o banqueiro J. P. Morgan que comprou as três bíblias de Gutemberg. O mesmo Morgan que lotou suas prateleiras com obras primas da Renacença, além de ser dono do manuscrito de A Christmas Carol, de Charles Dickens. Morgan também adquiriu uma boa parcela das cartas de Jane Austen. As cartas estão em exposição até dia 14 de março na Morgan Library, em Nova York.
Obviamente, quando Mike soube da exposição logo pensou que teria que levar Monique. Mas encontrou lá, algo que chamou muito sua atenção: a correspondência de terceiros. Segundo Mike, ele adora ler as correspondência das pessoas. Ainda segundo Mike, Austen foi uma escritora de cartas fantástica, e boa parte das cartas que pertencem à Morgan são cartas trocadas entre Austen e sua irmã Cassandra. Embora as cartas estejam disponíveis em livros, existe algo de mágico ao vê-las ao vivo e em cores. A exposição ocupa uma galeria, mas gastamos mais de duas horas observando as cartas, e nos divertimos a cada minuto. Uma dos cantos foi escurecido para que fosse possível projetar um filme na parede, e foi isso que o convenceu de que a hora de ler Austen havia chegado.
Os comentaristas do filme são críticos literários, escritores e artistas que amam o trabalho de Austen. Pelo menos dois deles são homens, incluindo o primeiro a fazer seu discurso: Cornell West. Ele falou de Austen num tom quase como se fosse uma reverência, e lamentou por tê-la conhecido tão tarde, quando era estudante de graduação.
Mike se diz um novato no mundo de Austen, mas diz o que pensa do trabalho da escritora: Austen entende o ser humano. Ela sabe que as pessoas agem de acordo com o que elas pensam e dizem que são. Ainda segundo Mike, podemos entender o modo como os personagens principais de Austen agem porque ela os apresenta através de contrastes. Ao mencionar uma passagem de Razão e Sensibilidade, Austen não se contem a apenas relatar que Marianne ficou silenciosa, e acrescenta: “era impossível para ela dizer o que não sentia…” Que percepção astuta! Após ter assistido três versões de Razão e Sensibilidade, Mike ainda se sente paralisado pelo poder de criatividade de Austen!

Mike, diz que apesar de Austen ter morrido há 192 anos, hoje a consideramos como uma proto-feminista, pois mostrou o como era a sociedade Inglesa, especialmente para as mulheres. Talvez seja uma das razões pelas quais sua esposa e milhões de outras mulheres amam seus livros. Ele se sente contente, pois após esses anos, conseguiu abandonar a idéia de Austen não era para ele,  pelo simples fato de Austen é considerada uma escritora para mulheres. Mike, termina seu o texto dizendo: “eu estou lendo Austen agora, e me sinto como se tivesse ouvido um segredo que não me era permitido ouvir. Na verdade, é claro, é um segredo que eu guardo para mim”.

* O texto acima foi traduzido e adaptado a partir de um artigo do Concord Monitor.

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1) Saiba mais sobre a exposição na Morgan Library aqui.
2) Um post muito interessante sobre os homens que lêem Austen no século XXI, escrito por Vic no Jane Austen World  – o crédito da imagem acima não foi informado, tendo sido copiado da página do Jane Austen World.

Loja Virtual da Biblioteca Britânica

A Biblioteca Briânica também possui uma lojinha virtual onde podemos comprar diversos livros e outros objetos relacionados a Austen. Vejam como são lindos esses livros abaixo:

Emma e Persuasão

Cartas de Jane Austen
Agendas e diário
Vida no campo – silhuetas feitas pelo sobrinho Jane: James Edward Austen-Leigh
Cartão postal e caneca com as ilustrações de James Edward.

As três preces de Jane Austen – parte 2

Hoje continuo discutindo um pouco mais sobre as preces de Jane Austen.
Ao ler suas três preces, percebemos o uso de uma linguagem e expressão de sentimentos convencionalmente ortodoxos, isto é, de acordo com a doutrina proferida em sua época. As três preces são típicas de alguém que morava em um pequena vila rural inglesa do século XIX e que era guiada por um pai pastor.
Em breve farei um post traduzindo partes ou integralmente estas preces. Por hora, lhes digo de forma resumida que as preces de Austen imploram por misericórdia, caridade, graça, generosidade, entre outros assuntos. Todos esses pedidos estão canalizados para que as pessoas alcançassem instrução vinda de Deus, e se redimissem dos seus pecados.

O bracelete acima está à venda por 65,95 dólares em uma loja virtual chamada: Aquinas & More Catholics Goods.

Um pequeno trecho da terceira prece de Jane foi gravado neste bracelete: “Teach us.. that we may feel the importance of every day, of every hour, as it passes.” (Pray III by Jane Austen)

Tradução: “Nos ensine.. que devemos perceber a importância de cada dia, cada hora, à medida que o tempo passa.” (Prece III – Jane Austen)

No original a frase completa escrita por Jane está assim:

“Teach us almighty father, to consider this solemn truth, as we should do, that we may feel the importance of every day, and every hour as it passes…”

Criada em um lar cristão, Jane não era formada em teologia, mas todos os ensinamentos que aprendeu com o pai e irmãos pastores foram importantes para que ela desenvolvesse um profundo conhecimento e respeito pelo cristianismo e valores cristãos. Como mencionei no post anterior, Jane era religiosa e tinha muita fé. Adorava os sermões do Bispo de Londres, Thomas Sherlock, como se observa nesta passagem em uma de suas cartas: “I am very fond of Sherlock’s Sermons, prefer them to almost any“. Tradução: “Tenho bastante afeição pelos sermões de Sherlock, prefiro estes do que qualquer outro”.

Concluo este post testificando a religiosidade de Austen, com com uma citação de Helen Lefroy, uma parenta indireta de Jane Austen:

“Throughout her life Jane Austen had been guided by Christian principles, and she accepted the church’s teaching without question. Her faith is implicit in all her writing: the virtues of a disciplined life, a caring relationship between husband and wife, and their duty to give children a moral and loving upbringing, are reflected in her letters and in her novels [and of course in her prayers]. At her death she expected to appear before God and be judged.” (Lefroy, 1997: p.75)

Tradução: “Ao longo de sua vida, Jane Austen foi guiada por princípios Cristãos, e ela aceitou os ensinamentos da Igreja sem questionamentos. Sua fé está implícita em todos seus escritos: as virtudes de uma vida disciplinada, uma relação atenciosa entre o marido e esposa, e o dever dos pais para que as crianças tenham uma educação moral e amorosa, estão refletidos em suas cartas e romances [e claro em suas orações dela]. Quando morreu esperava estar na presença de Deus e ser julgada.”

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Nota: encontrei pouca coisa sobre a Helen Lefroy: uma foto que pertence ao JASNA (ela é a senhora de cabelos grisalhos).

Referência:

LEFROY, Helen. Jane Austen. Thrupp, Stroud, Goucestershire: Sutton Publishing, 1997.