Projeto que une povos: Jane Austen Quilt

Olá queridos leitores!

Ainda como parte das comemorações referentes ao bicentenário da morte de Austen, foi lançado um projeto internacional para construção de uma manta, inspirada na colcha de retalhos feita por Jane, sua mãe e sua irmã.

quilt_Austen

Durante todo este projeto especial, uma gama diversificada de grupos comunitários irão trabalhar na produção da colcha. Cada retalho da manta será concebido individualmente e criado por representantes de mais de quarenta grupos comunitários em todo o mundo, incluindo associações na América do Norte, Austrália e Brasil, bem como perto da casa (múseu) da romancista inglesa, na vila de Chawton Cottage, em Hampshire. Cada bloco vai explorar um tema diferente, que, quando combinados, formam um mosaico de histórias que narram a vida de Jane Austen.

Jane Austen Quilt

Vejam mais sobre este maravilhoso projeto no website:

Jane Austen Quilt

Jane Austen’s House Museum

Em memória de Jane Austen

Em 18 de julho de 1817, Jane Austen morre em plena produção intelectual.

Sua irmã, Cassandra, escreveu uma carta para Fanny (Miss Knight, sobrinho de Austen) – abaixo um pequeno trecho da carta, a carta completa você encontra em Republic of Pemberley:

“I have lost a treasure, such a Sister, such a friend as never can have been surpassed,- She was the sun of my life, the gilder of every pleasure, the soother of every sorrow, I had not a thought concealed from her, & it is as if I had lost a part of myself…”
“Perdi um tesouro, uma irmã, uma amiga assim nunca deveria ter nos deixado. Ela foi o sol da minha vida, abrilhantava todos os prazeres, era o consolo para todo tipo de sofrimento, não sei se conseguirei viver sem ela, é como se tivesse perdido uma parte de mim…”

A placa acima foi colocada pelo sobrinho de Austen,  James Edward Austen-Leigh, em 1870 e diz o seguinte:
Jane Austen 

… Known to many by her writings,
endeared to her family
by the varied charms of her characters
and ennobled by her Christian faith and piety
was born at Steventon in the County of Hants.
December 16 1775
and buried in the Cathedral
July 18 1817.
“She openeth her mouth with wisdom
and in her tongue is the law of kindness.”

As cartas de Austen foram compiladas em um livro, por Deidre Le Faye, clique aqui para comprá-lo (R$ 58,00 na Livraria Cultura).

Letters, ed. by Deidre Le Faye [3rd ed, 1997], From Cassandra to Fanny Knight, 20 July 1817, p. 343;
Leia mais sobre o assunto no post da amiga Deb do Jane Austen in Vermont.
As imagens acima fazem parte da viagem de meu amigo Alfred à Inglaterra. Leia os posts aqui e aqui. Para ler os posts a respeito relacionados a Winchester, clique aqui.

As muitas faces de Jane Austen

Ontem eu fiz um post sobre a pintura de Mrs. Shurlock e sua filhinha Ann. Apesar das semelhanças, não existe nenhuma prova de que as duas fossem parentes, mesmo que distante. Resolvi enumerar e apresentar as diversas imagens de Jane Austen encontradas na internet. Assim como a descrição do sobrinho de Austen, James Austen-Leigh, abaixo:

“ full round cheeks, with mouth and nose small and well formed, light hazel eyes, and brown hair forming natural curls close round her face.”

Caroline Austen, sobrinha de Austen, também faz uma descrição muito parecida com a de James:

“As to my aunt’s personal appearance, hers was the first face I can remember thinking pretty. Her face was rather round than long, she had a bright, but not a pink colour­ a clear brown complexion, and very good hazel eyes. Her hair, a darkish brown, curled naturally, it was in short curls around her face. She always wore a cap.”

Existem inúmeros ‘retratos’ da autora, alguns são bastante precisos, outros nem tanto. Infelizmente, apenas um deles, a aquarela de Cassandra Austen (irmã de Jane) foi autenticada.

As aquarelas de Cassandra

Para a decepção de algumas pessoas, esta aquarela de Cassandra é considerada a mais precisa dos contornos e caracterísitcas do rosto de Jane. Estima-se que o retrato foi pintada em 1810, quando Jane tinha 35 anos. Pode não ser uma maravilha da arte moderna, e não pode ser considerado irreal apesar do comentário de Anna Lefroy (sobrinha de Jane) de que a imagem é ‘bastante diferente’ de sua tia.  Desde então, fãs tentam encontrar uma nova alternativa. A aquarela, um pouco mais que uma carta de baralho, faz parte da coleção da National Portrait Gallery, em Londres.
Outra aquarela, assinada por C.E.A, com a data de 1804, é a de uma jovem de costas, olhando a paisagem. Embora o rosto não seja visível, Anna Lefroy disse que tratava-se de uma aquarela pintada por Cassandra, em um de seus passeios, num dia quente.

As siluetas

Embora seja impossível provar que são de Jane Austen, as siluetas são talvez as imagens de Austen mais conhecidas hoje em dia. Em 1944, a silueta de uma jovem mulher foi encontrada na segunda edição de Mansfield Park com uma mensagem: L’aimable Jane, escrita à mão. Presumindo que nenhuma outra Jnae poderia ser chamada assim, já que se tratava de um livro da autora, foi considerada como uma imagem muito parecida com a escritora, embora seja uma prova muito fraca.

Esta outra, também ambígua, é considerada como um auto-retrato de Jane, feito por volta de 1815.

A aquarela de Clarke
Esta aquarela do século XIX, também é considerada uma pintura de Jane Austen, feita em torno de 1815 e descoberta na “Liber Amicorum” (Friendship Book) pertencente ao Rev. Rev. James Stanier Clarke, o bibliotecário do Príncipe Regente (que se tornou Rei George IV da Grã-Bretanha e Irlanda). Embora amador, Clarke era um pintor competente e Jane o considerou seu amigo na última carta que ela escreveu em 1816. Embora Clarke não possa ser identificado como o autor, fisionomistas estudaram a aquarela de Cassandra e identificaram como sendo a mesma pessoa que aparece na aquarela de Clarke.

O retrato de Rice

Os membros da família Rice são descendentes de Edward Austen (irmão da escritora). O retrato passou pelas mãos de vários membros da família, sendo que originalmente pertencia à Francis Austen, um tio rico e bemfeitor do pai de Jane. De acordo com a tradição familiar, o pintura é um retrato de uma  Jane Austen, mas não o retrato de Jane Austen. O problema é que alguns especialistas acreditam que o vestido não poderia ser vestido antes de 1805, quando Jane tinha em torno de 30 anos, sendo que a pintura retrata uma jovem adolescente. Então, um comiê especial da Jane Austen Society, em parecia com R. W. Chapman (um estudioso de Austen) recomendaram que as tradições familiares deveriam ser deixadas de lado.
Os desenhos vitorianos

O retrato em preto e branco (1) tantas vezes visto é uma adaptação da aquarela de Cassandra (1810). Trata-se de uma gravação em aço feita pelo famoso Lizars baseada no desenho (2)  de Mr. Andrews of Maidnhead. Originalmente, foi usada como frontispício do livro ‘A Memoir of Jane Austen’ escrito por James Edward Austen-Leigh, e publicado em 1870 por Richard Bentley.

O artista evidentemente tentou melhorar o semblante de Jane, provavelmente para torná-la mais atraente ao público Vitoriano, porém a versã ofinal tem pouca semelhança com a aquarela de Cassandra e não dá a impressão de uma mulher de 35 anos de idade.

Adaptações Modernas

Uma pintura recente de Tom Clifford tentou levar em consideração a aquarela de Cassandra, assim como os relatos do semblate de Jane. O artista decidiu colocar Jane no jardim de sua casa em Chawton, em Hampshire.
Uma outra pintura mostra Jane na cidade de Bath, quando a escritora morou nesta cidade em 1804. A pintura mostra uma Jane contemplativa, olhando para os prédios da Royal Crescent.
Em 2002, o Jane Austen Centre revelou o retrato mais recente da autora. A artista, Melissa Dring, fez cursos sobre pinturas de retratos na The Royal Academy Schools em Londres e também um curso de arte forense no FBI, em Washington, Estados Unidos. David Baldock, diretor do Jane Austen Centre em Bath, pediu que Melissa fizesse um novo retrato da escritora, e que tivesse os traços da autora por volta de 1801-1806.
Outros artistas tentaram captar a vitalidade e brilho de Austen. Jane Odiwe, criou vários desenhos da autora. Um retrato, pertencente ao Effusions of Fancy mostra um jovem mulher.
Seu mais novo retrato, baseado na pintura de Rice, possui traços da aquarela feita por Cassandra.
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Texto adaptado do original, publicado na Austen Centre’s Magazine, disponível on-line.

Happy Birthday Jane!

Hoje é aniversário de Jane! Temos muito o que agradecer a essa fabulosa escritora que muito bem retratou sua época, os costumes e rotinas das pessoas!
Jane Austen nasceu no dia 16 de dezembro, no comecinho da noite, na casa da paróquia de Steventon, Hampshire. Não houve necessidade de um médico, já que era raro chamar um naquela época e também porque o médico mais próximo  estava a 7 milhas de distância. Os pais de Jane ficaram muito felizes por terem uma segunda filha, o que seria um presente para Cassandra (a única irmã de Austen) e seria sua companhia. A bebê Jane foi logo batizada por seu pai, como todas as crianças da família. Fariam a cerimônia na igreja mais tarde, quando tempo estivesse melhor. A mãe de Austen não deveria colocar os pés fora da cama por cerca de duas semanas. Quando as crianças finalmente foram autorizadas a entrarem no quarto onde Jane se encontrava, viram que o bebê tinha um rostinho redondo, bochechinhas gordas e negros olhos! Todos concordaram que ela se parecia com Henry, um dos irmãos.
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Tradução e adaptação de Adriana Zardini baseada no texto de Claire Tomalin,
retirado do livro Jane Austen – A Life, páginas 3, 4 e 5.
Leia também: O batismo de Jane

As três preces de Jane Austen – parte 1

Estive lendo sobre as preces de Jane Austen e o reflexo de sua crença em seus livros, hoje falarei um pouco mais sobre isso.

Não se sabe se Jane escreveu apenas estas três preces, no entanto, estas são as que sobreviveram ao longo dos anos. Segundo Stovel (1994), estas preces tem sido ignoradas e aparentemente não são alvo de interesse das pessoas interessadas em Austen. As três preces sobreviveram através dos manuscritos escritos por Cassandra Austen (irmã de Jane) com o título “Preces compostas por minha querida irmã Jane”. Ainda Segundo Stovel (1994), apesar das preces terem sido escritas por Jane, foram realizadas cópias em duas épocas diferentes, pelos irmãos e irmã de Austen.

Jane Austen era uma Cristã Anglicana muito devota e estas preces e devoção se desdobram em seus livros e personagens – sobre este assunto farei um post mais adiante.

De um modo geral as preces de Jane foram escritas para leitura coletiva, nas reuniões familiares. Podendo ser consideradas como preces de Igreja, ou seja, preces escritas para serem lidas no púlpito da igreja. Isto fica evidente nas palavras escolhidas por Jane: terceira pessoa do plural. Ainda de acordo com Stovel (1994) Jane Austen tinha uma sincera e profunda fé e a religião fazia parte da vida diária de sua família. Resumidamente, as preces de Austen são um chamado para o auto-conhecimento e auto-evolução em concordância com doutrinas bíblicas e divinas.

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STOVEL, Bruce. A nation improving in religion: Jane Austen’s prayers and their place in her life and art. In: Persuasions, number 16. Jane Austen Society of North America: USA, 1994.