Terças: Indicações de Livros – Jane Austen, a life

Conversando com uma amiga outro dia comentei a biografia de Jane Austen, escrita por Claire Tomalin: Jane Austen, a life. Creio que é um excelente ponto de partida para quem deseja conhecer um pouco mais sobre a vida e obra de Jane Austen.
A minha edição é de 1997, comprei em 2008, portanto não sei dizer quanto custou. No site da Amazon está por 12,72 (versão brochura).
A minha edição é com capa dura e jaquetão. Veja abaixo:

Happy Birthday Jane!

Hoje é aniversário de Jane! Temos muito o que agradecer a essa fabulosa escritora que muito bem retratou sua época, os costumes e rotinas das pessoas!
Jane Austen nasceu no dia 16 de dezembro, no comecinho da noite, na casa da paróquia de Steventon, Hampshire. Não houve necessidade de um médico, já que era raro chamar um naquela época e também porque o médico mais próximo  estava a 7 milhas de distância. Os pais de Jane ficaram muito felizes por terem uma segunda filha, o que seria um presente para Cassandra (a única irmã de Austen) e seria sua companhia. A bebê Jane foi logo batizada por seu pai, como todas as crianças da família. Fariam a cerimônia na igreja mais tarde, quando tempo estivesse melhor. A mãe de Austen não deveria colocar os pés fora da cama por cerca de duas semanas. Quando as crianças finalmente foram autorizadas a entrarem no quarto onde Jane se encontrava, viram que o bebê tinha um rostinho redondo, bochechinhas gordas e negros olhos! Todos concordaram que ela se parecia com Henry, um dos irmãos.
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Tradução e adaptação de Adriana Zardini baseada no texto de Claire Tomalin,
retirado do livro Jane Austen – A Life, páginas 3, 4 e 5.
Leia também: O batismo de Jane

O que realmente matou Jane Austen?

Texto traduzido e gentilmente cedido por Valéria Fernandes do Shoujo-Cafe

O que realmente matou Jane Austen?
Por Richard Allen Greene, CNN
Londres, Inglaterra (CNN) – É uma verdade universalmente reconhecida – ou quase – que Jane Austen, a autora de “Orgulho e Preconceito,” morreu de uma rara doença chamada mal de Addison, que tira do corpo a capacidade de produzir hormônios fundamentais. Katherine White não acredita nisso.
White, ela mesma portadora do mal de Addison, estudou as próprias cartas de Austen e as de seus parentes e amigos, e concluiu que os sintomas chave não batem com aqueles conhecidos da doença. A doença – uma falência das supra-renais – era desconhecida nos dias de Austen, tendo primeiro sido identificada quarenta anos depois da sua morte aos 41 anos em 1817.
Foi um médico chamado Zachary Cope quem primeiro propôs que o mal de Addison tinha matado Austen – uma novelista muito amada e cujas comédias de costumes continuam vendendo vigorosamente e inspirando filmes como aqueles com Keira Knightley, Donald Sutherland, Kate Winslet e Hugh Grant. (Para não mencionar as homenagens como a inspirada em Bollywood “Bride and Prejudice” e o inesperado bestseller deste ano “Pride and Prejudice ans Zombies”.)
O artigo de Cope, publicado no British Medical Journal de 1964, atraiu a atenção de White cerca de dois anos atrás. “Quando eu li o sumário que Zachary Cope tinha feito dos sintomas, eu pensei, bem, não está correto,” White contou para a CNN.
Ela concentrou sua atenção em um comentário que Austen fez em uma carta para um amigo menos de dois meses antes de sua morte: “Minha cabeça está sempre clara, e eu raramente sinto alguma dor.” Isto não é o que as vítimas do mal de Addison costumam dizer normalmente, White diz. “As pessoas costumam ter dores de cabeça intensas e sentem-se como se estivessem com uma ressaca infernal,” ela diz.
Santa Elizabeth da Trindade, que morreu de Addison em 1906, comparou seu próprio sofrimento com o da crucificação, White observou. Pacientes também costumam ter dificuldade em lembrar palavras, e costumam ter dificuldades para falar, insônia e confusão mental. Austen, ao contrário, ditou um poema cômico de 24 linhas para sua irmã menos de 48 horas antes de morrer.
White não é a primeira a questionar a teoria de que o mal de Addison teria matado Austen. A biógrafa britânica Claire Tomalin sugeriu em 1997 que um linfoma era o culpado. White também considera esta teoria improvável. Ela suspeita que a resposta é muito mais simples: tuberculose.
Tomalin “estava ainda pensando em doenças do primeiro mundo. Ela sugeriu linfoma por conselho dos médicos,” White argumenta. “Se você pensa sobre a tuberculose, que era comum nos dias de Jane Austen, estatisticamente falando, a causa da morte mais razoável era a tuberculose contraída através de leite não pausterizado do que uma condição obscura como o linfoma,” White diz.
O biógrafo de Austen, John Halperin, não tem certeza do que matou Austen – mas o que quer que seja, ela afetou sua escrita conforme sua vida foi chegando ao fim, ele diz. Seu último romance completo, “Persuasão,” é “bem mais triste e madura do que qualquer uma das outras,” ele diz. “Nós temos a sensação de que decisões adiadas nunca retornam. Este sentimento é muito claro em “Persuação”.” O tom é muito triste, mesmo que a heroína se case com o homem que ela ama no final,” Halperin diz. Na verdade, as anotações de Austen mostram que ela considerou um outro final, no qual a heroína não se casava com o homem amado.
Halperin acredita que Austen morreu do mal de Addison, ele disse, embora ele aponte que sua biografia, “The Life of Jane Austen,” foi publicada em 1984, e que desde então houve muito avanço nas pesquisas sobre a doença. White, que é cientista social, não médica, é a coordenadora do Addison’s Disease Self-Help Group um grupo de apoio clínico no Reino Unido. Ela publicou um artigo esta semana no jornal de Medical Humanities expondo o seu caso.
O artigo, “Jane Austen and Addison’s Disease: an unconvincing diagnosis,” admite que alguns dos sintomas de Austen eram consistentes com insuficiência adrenal, e salienta que não pode conhecer todas as dores de Austen, porque sua irmã Cassandra editou ou destruiu muitas das cartas de Jane. Mas Kenneth Burman, um especialista em endocrinologia no Washington Hospital Center em Washington, acha que os argumentos de White são plausíveis.
Assim como White, ele especula que Austen pode ter sofrido por anos de alguma doença que afetou suas supra-renais, mas que a causa da morte era outra. “É possível que ela sofresse de uma insuficiência crônica nas supra-renais e que a causa de sua morte foi uma infecção secundária como a tuberculose,” ele diz.
Ele também duvida que Austen tinha um linfoma, que tende a produzir aumento dos gânglios linfáticos no pescoço, inchaço no estômago por causa do aumento do fígado e baço, e as ânsias de sal – nenhum dos quais foram documentados em dias de final de Austen. “Eu concordo completamente” que é simplesmente estatisticamente mais provável que a romancista tenha tido tuberculose do que linfoma, ele disse. Mas, ele é cauteloso, nós nunca saberemos ao certo.
“Diagnóstico retrospectivo é sempre muito especulativo,” ele disse. “É impossível saber com certeza.” Ou como a própria Austen escreveu, “Raramente, muito raramente, a verdade completa se dá a conhecer a qualquer ser humano, é raro que alguma coisa não esteja um pouco disfarçada, ou equivocada.”

Biógrafos de Jane Austen seguem com dúvidas

A notícia já tinha saído Jornal de Guardian e hoje foi traduzida pelo Jornal Estadão:

Novos dados levam a crer que a autora de Orgulho e Preconceito tenha morrido com um linfoma, e não de problemas renais decorrentes do Mal de Addison
Em suas tramas sedutoramente cômicas, Jane Austen costumava ridicularizar os personagens que viviam preocupados com sua saúde. Portanto, a romancista ficaria perplexa – mas talvez achasse divertido – ao descobrir que, quase 200 anos após a sua morte, a natureza exata da misteriosa doença que a acometeu no final acabou se tornando objeto de uma fascinação literária permanente.Uma recente análise dos sintomas que ela apresentou, divulgada neste início de dezembro, sugeriu que a autora de Orgulho e Preconceito pode ter morrido prematuramente de tuberculose transmitida pelo gado. O que se afirma é que um exame da correspondência e das lembranças da sua família provam que ela não foi, como supunham médicos especialistas, vítima do mal de Addison (atrofia da glândula supre-renal). A vida privada de Jane Austen ainda intriga seus leitores modernos, enquanto médicos e biógrafos há mais de 40 anos discutem a causa precisa da sua morte, em 1817. Escrevendo na revista inglesa Medical Humanities, Katherine White, do grupo de autoajuda de doentes que sofrem do mal de Addison, ofereceu algumas evidências com o fim de liquidar com uma das mais amplamente aceitas teorias médicas sobre a morte de Jane Austen. “Jane Austen morreu aos 41 anos, deixando seu sétimo romance, Sanditon, inacabado”, diz ela. “Embora Jane tenha sobrevivido a muitos dos seus pares na Inglaterra no período da Regência (quatro das suas cunhadas morreram por causa de complicações pós-parto), a causa da morte de Jane continua aberta a especulações póstumas.”Na sua juventude e em grande parte da vida adulta, Jane Austen tinha uma constituição relativamente robusta. Ainda adolescente, escreveu seu primeiro romance cômico, satírico, Love and Friendship (Amor e Amizade), em que os protagonistas zombam constantemente da sua compassiva debilidade emocional. Em maio de 1817, Jane foi para Winchester, Hampshire, sul da Inglaterra, em busca de auxilio médico, mas morreu na cidade dois meses depois. Como lembra um dos muitos websites literários dedicados à sua vida e obra, “Jane Austen morreu na madrugada de sexta-feira de 18 de julho de 1817, a cabeça recostada num travesseiro no regaço de Cassandra; sua irmã manteve-se de vigília ao seu lado durante toda a noite.”Katherine White escreve que “em 1964, o médico Sir Zachary Cope propôs que o mal de Addison tuberculoso poderia explicar sua deterioração, que a deixava prostrada no leito, o seu tom da pele insólito, seus ataques de bílis, as dores reumáticas e a ausência de sinais mais específicos da doença”. Por outro lado, em 1997, Claire Tomalin, que faz parte do grupo mais recente de biógrafos de Jane Austen, sugeriu que um linfoma se ajustaria mais aos sintomas reportados da romancista. Katherine White concorda que o diagnóstico do médico Zachary Cope pode estar correto mas observa que “muitas pessoas que sofrem do mal de Addison costumam ficar mentalmente confusas, sentem dores generalizadas, perdem peso e apetite. Nenhum desses sintomas aparecem nas cartas de Jane Austen”. Tradução de Terezinha Martino

As três peças de Jane Austen

Apesar do pai de Jane ter sido um pastor, isso não impediu que seus filhos pudessem conhecer as peças teatrais da época. Jane chegou a escrever três textos que podem ser chamadas de peças teatrais. Os irmãos de Austen talvez tenham começado a gostar de teatro quando viveram em Oxford, resultando numa série de atuações domésticas no período de 1782 a 1790. De acordo com Claire Tomalin, as peças fizeram parte da educação de Jane e Cassandra. Além disso, a leitura de peças era algo absolutamente normal na casa de Jane, tornando-se um dos passatempos prediletos da família: ler em voz alta e até mesmo improvisar um pequeno teatro em casa. A verdade é que desde a infância, Jane lia peças, analisava os personagens e certamente os reproduzia em suas primeiras experiências como escritora.

Os escritos da juvenília de Austen incluem três paródias escritas em forma de pequenas peças: ‘The Visit’, ‘The Mystery’ e ‘The First Act of a Comedy’ (textos ainda sem tradução para o português). Encontrei as três peças no livro Catherine and other writings abaixo:


‘The Visit’ (uma comédia em dois atos), assim como as outras duas, foi escrita nos moldes de uma peça, com indicações e instruções para os movimentos dos atores. A mini-peça foi dedicada ao Reverendo James Austen (irmão da escritora) e consiste apenas de quatro páginas. Os personagens são: Sir Arthur Hampton, Lady Hampton, Lord Fitzgerald, Miss Fitzgerald, Stanly, Sophy Hampton, Willoughby (sobrinho de Sir Arthur) e Cloe Willoughby.

‘The Mystery’ (uma comédia inacabada), possui apenas duas páginas e foi dedicada ao pai de Austen, o Reverendo George Austen. Os personagens são: Coronel Elliott, Fanny Elliott, Sir Edward Spangle, Mrs. Humbug, o velho Humbug, o jovem Humbug, Daphne e Corydon.

Em ‘The First Act of a Comedy’ Jane faz uma paródia de uma burletta (opereta cômica). Os personagens são: Popgun, Maria, Charles, Pistoletta, Postilion, Hostess (anfitriã), coro de Ploughboys e Strephon, Cook and Chloe.
Em outros textos de Austen é possível ver a influência do teatro em sua vida. Em Mansfield Park, por exemplo, Jane cita diversas peças ao longo do livro e, de fato, assistiu algumas dessas peças.

Uma boa dica para conhecer mais sobre a relação de Austen com o teatro, indico o livro: Jane Austen and the Theatre.

O Batismo de Jane Austen

Voltando ao tema religiosidade e Jane Austen, hoje apresento um pouco mais das minhas descobertas!
Como sabemos, Jane nasceu em 16 de Dezembro de 1775 em Hampshire e seu pai era pastor em Steventon. Abaixo, uma imagem do livro de registros:

Jane foi batizada somente alguns meses após seu nascimento porque as mães daquela época mal saíam dos quartos no primeiro mês de vida do bebê. No caso do nascimento de Jane Austen, por ser dezembro um mês frio e especificamente este mês no ano de 1775 foi surpreendemente frio, os pais da bebê Jane resolveram batizá-laem casa mesmo. Somente em 05 abril do ano seguinte é que levaram a pequena criança para o bastimo na igreja (Tomalin, 1997).
Abaixo uma cópia do registro feito em Hampshire, pertecente a Winchester, Ref. 71M82/PR2.

Transcrição da imagem acima: “Jane Daughter of the Revd Mr George Austen Rector of this Parish, & Cassandra his wife was Privately Baptizd Decr 17th 1775 Rec’d into the Church April 5th 1776”

Tradução: “Jane filha do Reverendo Mr George Austen, pastor desta congregação, & Cassandra sua esposa, foi batizada em casa em 17 de dezembro de 1775 e nesta Igreja em 5 de abril de 1776.”

O trecho acima foi escrito no livro de registros da congregação/paróquia de Steventon, pelo Reverendo George Austen. Este livro de registro contém os batismo (1737-1812), casamentos (1738-1753) e enterros (1738-1812). Neste livro estão incluídos os batismos de Jane Austen e seus irmãos.
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TOMALIN, Claire. Jane Austen – A life. Alfred A. Knopf: New York, 1997.