Live 46 – Orgulho e Preconceito Encontra Norte e Sul: Jane Austen e Elizabeth Gaskell e o final feliz

Nossa próxima #janeaustelives será no dia 17 de julho às 20:00, no perfil @janeaustenbrasil do Instagram. Nossa convidada é a Deborah Mondadori Simionato (UFRGS) e vamos falar sobre duas escritoras que amamos: Jane Austen e Elizabeth Gaskell.

Bio: Deborah é mestra e doutora em Literaturas de Língua Inglesa pela UFRGS, e defendeu sua tese de doutorado em março desse ano. Sua graduação foi em Psicologia pela mesma universidade, mas o amor pela literatura falou mais alto, e há alguns anos ela se dedica aos estudos de literatura inglesa produzida no século XIX. Faz parte do corpo editorial dos periódicos acadêmicos PHILIA e Cadernos do IL. O foco de sua pesquisa é o espaço da mulher no século XIX e como ele é representado em romances de autoras como Jane Austen, Charlotte Brontë e Elizabeth Gaskell. Ela mora em Londres e uma de suas atividades favoritas é passear pelo Reino Unido visitando as casas e locais relacionados com as seus escritores favoritos.

Licença de casamento de Anna Austen e Benjamin Lefroy

O blog do Museu Jane Austen (casa onde a escritora viveu em seus últimos anos de vida) está com uma exposição, geralmente não exibida com frequência: os documentos de parentes de Austen.
O item em exibição é a licença de casamento de Anna Austen (sobrinha da escritora) e Benjamin Lefroy.
Esta é a licença de casamento de Anna Austen Lefroy e Benjamin.
Anna Austen era filha de James Austen e sua primeira esposa, Anne Matthews. James era o irmão mais velho de Jane Austen. Anna se casou com Benjamin Lefroy no dia 08 de novembro de 1814, que era o filho mais novo do grande amigo de Jane Austen, a Sra. Lefroy eo reverendo Isaac-Peter-George Lefroy.
Após a Lei de Casamento de Sir Hardwick, em 1753, (também conhecida como “um ato para a melhor prevenção da clandestinidade matrimonial”) para que um casamento fosse considerado legal e válido deveria ser realizado em uma igreja logo após a publicação das proclamas ou da obtenção de uma licença.
Para ler o texto completo (com tradução para o português), escrito pela amiga Julie Wakefield, clique aqui.

As três peças de Jane Austen

Apesar do pai de Jane ter sido um pastor, isso não impediu que seus filhos pudessem conhecer as peças teatrais da época. Jane chegou a escrever três textos que podem ser chamadas de peças teatrais. Os irmãos de Austen talvez tenham começado a gostar de teatro quando viveram em Oxford, resultando numa série de atuações domésticas no período de 1782 a 1790. De acordo com Claire Tomalin, as peças fizeram parte da educação de Jane e Cassandra. Além disso, a leitura de peças era algo absolutamente normal na casa de Jane, tornando-se um dos passatempos prediletos da família: ler em voz alta e até mesmo improvisar um pequeno teatro em casa. A verdade é que desde a infância, Jane lia peças, analisava os personagens e certamente os reproduzia em suas primeiras experiências como escritora.

Os escritos da juvenília de Austen incluem três paródias escritas em forma de pequenas peças: ‘The Visit’, ‘The Mystery’ e ‘The First Act of a Comedy’ (textos ainda sem tradução para o português). Encontrei as três peças no livro Catherine and other writings abaixo:


‘The Visit’ (uma comédia em dois atos), assim como as outras duas, foi escrita nos moldes de uma peça, com indicações e instruções para os movimentos dos atores. A mini-peça foi dedicada ao Reverendo James Austen (irmão da escritora) e consiste apenas de quatro páginas. Os personagens são: Sir Arthur Hampton, Lady Hampton, Lord Fitzgerald, Miss Fitzgerald, Stanly, Sophy Hampton, Willoughby (sobrinho de Sir Arthur) e Cloe Willoughby.

‘The Mystery’ (uma comédia inacabada), possui apenas duas páginas e foi dedicada ao pai de Austen, o Reverendo George Austen. Os personagens são: Coronel Elliott, Fanny Elliott, Sir Edward Spangle, Mrs. Humbug, o velho Humbug, o jovem Humbug, Daphne e Corydon.

Em ‘The First Act of a Comedy’ Jane faz uma paródia de uma burletta (opereta cômica). Os personagens são: Popgun, Maria, Charles, Pistoletta, Postilion, Hostess (anfitriã), coro de Ploughboys e Strephon, Cook and Chloe.
Em outros textos de Austen é possível ver a influência do teatro em sua vida. Em Mansfield Park, por exemplo, Jane cita diversas peças ao longo do livro e, de fato, assistiu algumas dessas peças.

Uma boa dica para conhecer mais sobre a relação de Austen com o teatro, indico o livro: Jane Austen and the Theatre.