Em memória de Jane Austen

Em 18 de julho de 1817, Jane Austen morre em plena produção intelectual.

Sua irmã, Cassandra, escreveu uma carta para Fanny (Miss Knight, sobrinho de Austen) – abaixo um pequeno trecho da carta, a carta completa você encontra em Republic of Pemberley:

“I have lost a treasure, such a Sister, such a friend as never can have been surpassed,- She was the sun of my life, the gilder of every pleasure, the soother of every sorrow, I had not a thought concealed from her, & it is as if I had lost a part of myself…”
“Perdi um tesouro, uma irmã, uma amiga assim nunca deveria ter nos deixado. Ela foi o sol da minha vida, abrilhantava todos os prazeres, era o consolo para todo tipo de sofrimento, não sei se conseguirei viver sem ela, é como se tivesse perdido uma parte de mim…”

A placa acima foi colocada pelo sobrinho de Austen,  James Edward Austen-Leigh, em 1870 e diz o seguinte:
Jane Austen 

… Known to many by her writings,
endeared to her family
by the varied charms of her characters
and ennobled by her Christian faith and piety
was born at Steventon in the County of Hants.
December 16 1775
and buried in the Cathedral
July 18 1817.
“She openeth her mouth with wisdom
and in her tongue is the law of kindness.”

As cartas de Austen foram compiladas em um livro, por Deidre Le Faye, clique aqui para comprá-lo (R$ 58,00 na Livraria Cultura).

Letters, ed. by Deidre Le Faye [3rd ed, 1997], From Cassandra to Fanny Knight, 20 July 1817, p. 343;
Leia mais sobre o assunto no post da amiga Deb do Jane Austen in Vermont.
As imagens acima fazem parte da viagem de meu amigo Alfred à Inglaterra. Leia os posts aqui e aqui. Para ler os posts a respeito relacionados a Winchester, clique aqui.

Jane Austen e Medicina

Médica e fã de Jane Austen, Cheryl Kinney,  revelará como nossa amada escritora conseguiu transmitir, em suas histórias, um conhecimento acima da média a respeito de saúde e doenças típicas do período da Regência. Obstetra e ginecologista Cheryl Kinney, que mora em Dallas (EUA) é uma ávida fã de Jane Austen. De fato, MD, é um ávido fã da autora Jane Austen. De fato, ela viaja pelo país fazendo palestras sobre como Austen escreveu a respeito de saúde e doenças de sua época.
A entrevista foi conduzida por Dr. Sound Medicina Kathy Miller sobre Jane Austen e os males sofridos por seus personanges. O programa faz parte das publicações do site Sound Medicine da Universidade de Indiana e está disponível para download, basta clicar aqui.
Infelizmente o programa é em inglês, a doutora faz interessantes observações sobre o olhar perspicaz de Austen em relação à saúde do século XIX e doenças típicas de sua época. Cheryl também destaca algumas doenças e doentes presentes na obra de Austen. Muito interessante!

O que realmente matou Jane Austen?

Texto traduzido e gentilmente cedido por Valéria Fernandes do Shoujo-Cafe

O que realmente matou Jane Austen?
Por Richard Allen Greene, CNN
Londres, Inglaterra (CNN) – É uma verdade universalmente reconhecida – ou quase – que Jane Austen, a autora de “Orgulho e Preconceito,” morreu de uma rara doença chamada mal de Addison, que tira do corpo a capacidade de produzir hormônios fundamentais. Katherine White não acredita nisso.
White, ela mesma portadora do mal de Addison, estudou as próprias cartas de Austen e as de seus parentes e amigos, e concluiu que os sintomas chave não batem com aqueles conhecidos da doença. A doença – uma falência das supra-renais – era desconhecida nos dias de Austen, tendo primeiro sido identificada quarenta anos depois da sua morte aos 41 anos em 1817.
Foi um médico chamado Zachary Cope quem primeiro propôs que o mal de Addison tinha matado Austen – uma novelista muito amada e cujas comédias de costumes continuam vendendo vigorosamente e inspirando filmes como aqueles com Keira Knightley, Donald Sutherland, Kate Winslet e Hugh Grant. (Para não mencionar as homenagens como a inspirada em Bollywood “Bride and Prejudice” e o inesperado bestseller deste ano “Pride and Prejudice ans Zombies”.)
O artigo de Cope, publicado no British Medical Journal de 1964, atraiu a atenção de White cerca de dois anos atrás. “Quando eu li o sumário que Zachary Cope tinha feito dos sintomas, eu pensei, bem, não está correto,” White contou para a CNN.
Ela concentrou sua atenção em um comentário que Austen fez em uma carta para um amigo menos de dois meses antes de sua morte: “Minha cabeça está sempre clara, e eu raramente sinto alguma dor.” Isto não é o que as vítimas do mal de Addison costumam dizer normalmente, White diz. “As pessoas costumam ter dores de cabeça intensas e sentem-se como se estivessem com uma ressaca infernal,” ela diz.
Santa Elizabeth da Trindade, que morreu de Addison em 1906, comparou seu próprio sofrimento com o da crucificação, White observou. Pacientes também costumam ter dificuldade em lembrar palavras, e costumam ter dificuldades para falar, insônia e confusão mental. Austen, ao contrário, ditou um poema cômico de 24 linhas para sua irmã menos de 48 horas antes de morrer.
White não é a primeira a questionar a teoria de que o mal de Addison teria matado Austen. A biógrafa britânica Claire Tomalin sugeriu em 1997 que um linfoma era o culpado. White também considera esta teoria improvável. Ela suspeita que a resposta é muito mais simples: tuberculose.
Tomalin “estava ainda pensando em doenças do primeiro mundo. Ela sugeriu linfoma por conselho dos médicos,” White argumenta. “Se você pensa sobre a tuberculose, que era comum nos dias de Jane Austen, estatisticamente falando, a causa da morte mais razoável era a tuberculose contraída através de leite não pausterizado do que uma condição obscura como o linfoma,” White diz.
O biógrafo de Austen, John Halperin, não tem certeza do que matou Austen – mas o que quer que seja, ela afetou sua escrita conforme sua vida foi chegando ao fim, ele diz. Seu último romance completo, “Persuasão,” é “bem mais triste e madura do que qualquer uma das outras,” ele diz. “Nós temos a sensação de que decisões adiadas nunca retornam. Este sentimento é muito claro em “Persuação”.” O tom é muito triste, mesmo que a heroína se case com o homem que ela ama no final,” Halperin diz. Na verdade, as anotações de Austen mostram que ela considerou um outro final, no qual a heroína não se casava com o homem amado.
Halperin acredita que Austen morreu do mal de Addison, ele disse, embora ele aponte que sua biografia, “The Life of Jane Austen,” foi publicada em 1984, e que desde então houve muito avanço nas pesquisas sobre a doença. White, que é cientista social, não médica, é a coordenadora do Addison’s Disease Self-Help Group um grupo de apoio clínico no Reino Unido. Ela publicou um artigo esta semana no jornal de Medical Humanities expondo o seu caso.
O artigo, “Jane Austen and Addison’s Disease: an unconvincing diagnosis,” admite que alguns dos sintomas de Austen eram consistentes com insuficiência adrenal, e salienta que não pode conhecer todas as dores de Austen, porque sua irmã Cassandra editou ou destruiu muitas das cartas de Jane. Mas Kenneth Burman, um especialista em endocrinologia no Washington Hospital Center em Washington, acha que os argumentos de White são plausíveis.
Assim como White, ele especula que Austen pode ter sofrido por anos de alguma doença que afetou suas supra-renais, mas que a causa da morte era outra. “É possível que ela sofresse de uma insuficiência crônica nas supra-renais e que a causa de sua morte foi uma infecção secundária como a tuberculose,” ele diz.
Ele também duvida que Austen tinha um linfoma, que tende a produzir aumento dos gânglios linfáticos no pescoço, inchaço no estômago por causa do aumento do fígado e baço, e as ânsias de sal – nenhum dos quais foram documentados em dias de final de Austen. “Eu concordo completamente” que é simplesmente estatisticamente mais provável que a romancista tenha tido tuberculose do que linfoma, ele disse. Mas, ele é cauteloso, nós nunca saberemos ao certo.
“Diagnóstico retrospectivo é sempre muito especulativo,” ele disse. “É impossível saber com certeza.” Ou como a própria Austen escreveu, “Raramente, muito raramente, a verdade completa se dá a conhecer a qualquer ser humano, é raro que alguma coisa não esteja um pouco disfarçada, ou equivocada.”