Retrato da “Lydia original” é adquirido pelo Jane Austen’s House Museum

Texto originalmente traduzido e publicado por Marcela Santos Brigida (UERJ) no blog Literatura Inglesa.

Um retrato recém-descoberto de uma mulher que pode ter inspirado uma das personagens mais famosas de Jane Austen foi adquirido por um museu dedicado à obra e à vida da autora.

Retrato de Mary Pearson – supostamente a mulher que inspirou Lydia Bennet em Orgulho e Preconceito – foi adquirido pelo Jane Austen House Museum. | Foto: Jane Austen’s House

Mary Pearson foi noiva do irmão de Austen, Henry, por um breve período e acredita-se que ela tenha inspirado a construção de Lydia Bennett em Orgulho e Preconceito.

Na terça-feira (7), o Jane Austen’s House Museum, em Chawton, Hampshire, na Inglaterra, anunciou ter adquirido o único retrato conhecido de Pearson, objeto que lança nova luz sobre certos aspectos da biografia de Austen e do entendimento da autora sobre o casamento na sociedade em que vivia e sobre a qual escreveu em seus romances.

Sophie Reynolds, administradora de coleções e interpretações do museu, declarou que o retrato em miniatura, produzido por William Wood, é “um objeto belo e muito delicado” por si só, mas que também carrega “uma história maravilhosa”.

Austen conhecia Pearson razoavelmente bem porque a jovem foi noiva de seu irmão favorito. Henry, assim como George Wickham, era um membro da Milícia.

Mary e Henry ficaram noivos às pressas e as cartas do romancista revelam a dúvida de Austen quanto à continuidade do relacionamento. Ao escrever para sua irmã Cassandra em setembro de 1796, Austen observou: “Se a senhorita Pearson voltar comigo, peço que tome o cuidado de não esperar muita beleza.”

Henry, de fato, rompeu o noivado de forma pouco cerimoniosa após alguns meses. Por algum tempo, as duas mulheres mantiveram contato e Austen teve a tarefa de devolver todas as cartas que Pearson escreveu a seu irmão.

Acredita-se que o retrato recém-adquirido tenha feito parte da tentativa de Pearson de voltar ao mercado de casamentos após o fim do noivado.

Paralelamente, Austen estava escrevendo seu romance First Impressions, mais tarde renomeado como Pride and Prejudice.

“Há uma teoria de que ela teria sido a inspiração para Lydia Bennet e há semelhanças impressionantes entre as personagens”, disse Reynolds.

Lydia, descrita como uma garota de 15 anos “voluntariosa e descuidada”, ansiosa para encontrar um marido antes mesmo de suas irmãs mais velhas se casarem, desenvolve um vínculo romântico com Mr. Wickham e a fuga do casal quase arruína o nome da família Bennet, resgatada por Mr. Darcy. Fitzwilliam rastreou a dupla e assegurou que George e Lydia efetivamente se casassem antes que um escândalo se instaurasse.

Pearson, por sua vez, permaneceu solteira por duas décadas após o noivado com o irmão de Austen.

“Lydia é uma personagem fantástica”, disse Reynolds. “Ela fica muito feliz com o fato de se casar primeiro, ela acredita que seja um verdadeiro triunfo. É muito fácil para a nossa sociedade ver essa obsessão pelo casamento como um tipo de problema, mas naquela época era absolutamente o que você precisava fazer.”

A miniatura foi comprada de Philip Mold pelo museu com apoio de fundos do Beecroft Bequest e do Art Fund. A obra chegou ao destino esta semana, mas não pode ser visitada ainda por causa do lockdown no Reino Unido (devido à pandemia do COVID-19), então vídeos curtos de novas aquisições foram postados no canal do museu no YouTube.

Os itens recém-adquiridos incluem retratos da família Digweed, que estavam entre os vizinhos mais próximos da família Austen em Steventon, Hampshire, e um leque moderno criado por Aafke Brouwer com uma representação de Colin Firth como Mr. Darcy.

O retrato, por sua vez, é uma aquisição importante, segundo Reynolds. “Aqui no museu, temos um grande interesse ​​em preencher as lacunas da vida de Jane Austen e oferecer objetos visuais para os visitantes compreenderem a estética do mundo dela é muito útil.”

“Todos gostamos de pensar em quem inspirou qual personagem. Sempre tem muita gente escrevendo novas teorias.”

Com informações do The Guardian.

Ajude o projeto e ganhe um kit exclusivo de marcadores e outras fofuras!

Vocês se lembram que em abril eu publiquei um projeto Kickstarter do Bicentenário de Orgulho e Preconceito? Desta vez, é um projeto similiar, mas as ilustrações de cartões postais e  dos marcadores de livro são da Jess Purser. Esse projeto é maravilhoso. 
Confira aqui os detalhes completos e ajude Jess! Você pode optar por doar qualquer valor a partir de 1£ ou doar e receber os kits.  O projeto se chama Jane Austen Couples Postcard e as doações são fixas (em libras: 1, 5, 10, 25, 50 ou mais) e cada opção possui benefícios (brindes) diferentes). Leia cuidadosamente os detalhes aqui.
Se doar menos de 10£ você receberá um kit com cartões postais (12 no total, sendo 2 imagens de cada livro).

Se o projeto alcançar mais de 200£ de doações, Jess promete enviar para cada pessoa um kit com os marcadores de livros abaixo:

Eu já conhecia o trabalho de Jess Purser no Etsy – Castle on the Hill – e estou muito tentanda a ajudar a artista e, é claro, receber essas belezuras! 

Happy International Women’s day

This is a bilingual post. Este é um post bilíngue.

Happy International Women’s day! Feliz dia Internacional das Mulheres!
Este vídeo é uma verdadeira obra de arte digital! Preste atenção como o foco do olhar não se perde… Ao visitar o site Leslie’s Artgallery encontrei este vídeo. Porém, ele também está disponível no youtube, como vocês podem ver abaixo.
This video is a digital masterpiece! Pay attention, the women’s eyes never loose their focus… I found this video while I was visiting a side called Leslie’s Artgallery. But, it’s available on youtube, as you can see below.

As muitas faces de Jane Austen

Ontem eu fiz um post sobre a pintura de Mrs. Shurlock e sua filhinha Ann. Apesar das semelhanças, não existe nenhuma prova de que as duas fossem parentes, mesmo que distante. Resolvi enumerar e apresentar as diversas imagens de Jane Austen encontradas na internet. Assim como a descrição do sobrinho de Austen, James Austen-Leigh, abaixo:

“ full round cheeks, with mouth and nose small and well formed, light hazel eyes, and brown hair forming natural curls close round her face.”

Caroline Austen, sobrinha de Austen, também faz uma descrição muito parecida com a de James:

“As to my aunt’s personal appearance, hers was the first face I can remember thinking pretty. Her face was rather round than long, she had a bright, but not a pink colour­ a clear brown complexion, and very good hazel eyes. Her hair, a darkish brown, curled naturally, it was in short curls around her face. She always wore a cap.”

Existem inúmeros ‘retratos’ da autora, alguns são bastante precisos, outros nem tanto. Infelizmente, apenas um deles, a aquarela de Cassandra Austen (irmã de Jane) foi autenticada.

As aquarelas de Cassandra

Para a decepção de algumas pessoas, esta aquarela de Cassandra é considerada a mais precisa dos contornos e caracterísitcas do rosto de Jane. Estima-se que o retrato foi pintada em 1810, quando Jane tinha 35 anos. Pode não ser uma maravilha da arte moderna, e não pode ser considerado irreal apesar do comentário de Anna Lefroy (sobrinha de Jane) de que a imagem é ‘bastante diferente’ de sua tia.  Desde então, fãs tentam encontrar uma nova alternativa. A aquarela, um pouco mais que uma carta de baralho, faz parte da coleção da National Portrait Gallery, em Londres.
Outra aquarela, assinada por C.E.A, com a data de 1804, é a de uma jovem de costas, olhando a paisagem. Embora o rosto não seja visível, Anna Lefroy disse que tratava-se de uma aquarela pintada por Cassandra, em um de seus passeios, num dia quente.

As siluetas

Embora seja impossível provar que são de Jane Austen, as siluetas são talvez as imagens de Austen mais conhecidas hoje em dia. Em 1944, a silueta de uma jovem mulher foi encontrada na segunda edição de Mansfield Park com uma mensagem: L’aimable Jane, escrita à mão. Presumindo que nenhuma outra Jnae poderia ser chamada assim, já que se tratava de um livro da autora, foi considerada como uma imagem muito parecida com a escritora, embora seja uma prova muito fraca.

Esta outra, também ambígua, é considerada como um auto-retrato de Jane, feito por volta de 1815.

A aquarela de Clarke
Esta aquarela do século XIX, também é considerada uma pintura de Jane Austen, feita em torno de 1815 e descoberta na “Liber Amicorum” (Friendship Book) pertencente ao Rev. Rev. James Stanier Clarke, o bibliotecário do Príncipe Regente (que se tornou Rei George IV da Grã-Bretanha e Irlanda). Embora amador, Clarke era um pintor competente e Jane o considerou seu amigo na última carta que ela escreveu em 1816. Embora Clarke não possa ser identificado como o autor, fisionomistas estudaram a aquarela de Cassandra e identificaram como sendo a mesma pessoa que aparece na aquarela de Clarke.

O retrato de Rice

Os membros da família Rice são descendentes de Edward Austen (irmão da escritora). O retrato passou pelas mãos de vários membros da família, sendo que originalmente pertencia à Francis Austen, um tio rico e bemfeitor do pai de Jane. De acordo com a tradição familiar, o pintura é um retrato de uma  Jane Austen, mas não o retrato de Jane Austen. O problema é que alguns especialistas acreditam que o vestido não poderia ser vestido antes de 1805, quando Jane tinha em torno de 30 anos, sendo que a pintura retrata uma jovem adolescente. Então, um comiê especial da Jane Austen Society, em parecia com R. W. Chapman (um estudioso de Austen) recomendaram que as tradições familiares deveriam ser deixadas de lado.
Os desenhos vitorianos

O retrato em preto e branco (1) tantas vezes visto é uma adaptação da aquarela de Cassandra (1810). Trata-se de uma gravação em aço feita pelo famoso Lizars baseada no desenho (2)  de Mr. Andrews of Maidnhead. Originalmente, foi usada como frontispício do livro ‘A Memoir of Jane Austen’ escrito por James Edward Austen-Leigh, e publicado em 1870 por Richard Bentley.

O artista evidentemente tentou melhorar o semblante de Jane, provavelmente para torná-la mais atraente ao público Vitoriano, porém a versã ofinal tem pouca semelhança com a aquarela de Cassandra e não dá a impressão de uma mulher de 35 anos de idade.

Adaptações Modernas

Uma pintura recente de Tom Clifford tentou levar em consideração a aquarela de Cassandra, assim como os relatos do semblate de Jane. O artista decidiu colocar Jane no jardim de sua casa em Chawton, em Hampshire.
Uma outra pintura mostra Jane na cidade de Bath, quando a escritora morou nesta cidade em 1804. A pintura mostra uma Jane contemplativa, olhando para os prédios da Royal Crescent.
Em 2002, o Jane Austen Centre revelou o retrato mais recente da autora. A artista, Melissa Dring, fez cursos sobre pinturas de retratos na The Royal Academy Schools em Londres e também um curso de arte forense no FBI, em Washington, Estados Unidos. David Baldock, diretor do Jane Austen Centre em Bath, pediu que Melissa fizesse um novo retrato da escritora, e que tivesse os traços da autora por volta de 1801-1806.
Outros artistas tentaram captar a vitalidade e brilho de Austen. Jane Odiwe, criou vários desenhos da autora. Um retrato, pertencente ao Effusions of Fancy mostra um jovem mulher.
Seu mais novo retrato, baseado na pintura de Rice, possui traços da aquarela feita por Cassandra.
*****
Texto adaptado do original, publicado na Austen Centre’s Magazine, disponível on-line.

Regência – pintura de uma mãe com um bebê

Por indicação da Vic do Jane Austen World conheci esta pintura abaixo. Trata-se de uma pintura de Mrs. Robert Shurlock e sua filha Ann.

Em seu post, Vic informa que Mrs. Robert Shurlock (Hernietta Ann Jane Russell – antes de se casar) nasceu no mesmo ano que Jane Austen em 1775. E se Jane Austen tivesse se casado e dado a luz à uma criança em 1801, será que ela ficaria charmosa como Mrs. Shurlock e sua filhinha Ann como aparecem na pintura? Tanto Jane quanto Mrs. Shurlock tinham 36 anos de idade naquela época. Dá até para imaginar que Mrs. Shurlock poderia ser parente de austen se levarmos em consideração uma descrição de Jane Austen, feita por seu sobrinho James Austen-Leigh. De acordo com James:
“Jane tinha bochechas redondas, nariz e boca pequenos e bem delineados, olhos castanhos claros, cabelos castanhos com cachinhos que formavam uma espécie de moldura em seu rosto”.
“ full round cheeks, with mouth and nose small and well formed, light hazel eyes, and brown hair forming natural curls close round her face.”

E você, o que acha? Há semelhanças entre Austen e Mrs. Shurlock?

As pinturas de Franz Xavier Winterhalter

Conversando com a Luísa Rodrigues, descobri que as mocinhas nas capas da Editora Best Seller (empresa do Grupo Editorial Record) fazem parte de uma pintura maior chamada: A imperatriz Eugênia rodeada de suas damas de honra (1855), obra do pintor alemão Franz Xaver Winterhalter (20 de abril de 1805 — 8 de julho de 1873).
Apesar dos vestidos serem posteriores ao período da regência inglesa e pertecerem a damas de outra nacionalidade, na minha opinião, essas são as capas mais bonitas publicadas até hoje no Brasil.
Mas o que chamou a minha atenção foi ter descoberto que as pinturas não eram distintas, faziam parte de uma pintura maior! Ah, como é linda! Vejam só:
Para vizualizar em tamanho maior clique na imagem ou para visualizar em formato (1,346 × 931 pixels) clique aqui.
Abaixo algumas pinturas maravilhosas do Winterhalter que encontrei no Artknowledgenews e no Wikimedia – são de encher os olhos!
Detalhes em sombra e claridade: perfeição!
Os detalhes e o brilho do tecido parecem saltar aos olhos!
***
Como a Best Seller não relançou os livros: A Abadia de Northanger, Persuasão e Mansfield Park (porque neste caso, o direito de publicação foi vendido para uma livraria e aparentemente eles não desejam republicá-la – vide post sobre a tradução de Raquel de Queiróz) – vou propor aqui uma brincadeira! Sobraram três mocinhas que não foram utilizadas nas edições anteriores. Que tal brincar de nomear cada uma delas como sendo as heroínas dos livros não publicados? Para participar, é só escolher pela cor do vestido (rosa, amarelo e verde) e adicionar o nome do personagem na frente. Abaixo, minha sugestão:
Vestido verde: Anne Elliot (Persuasão) – escolhi esse porque é meu livro favorito, e também dos três restantes é o vestido mais bonito!
Vestido amarelho: Fanny Price (Mansfield Park) – Fanny é iluminada como o sol, suporta o tranco daquela família Bertram! 🙂 só acho que daria um trabalhão tentar fazer o restante do vestido, já que ele não existe na pintura original, porque ficou escondido.
Vestido rosa: Catherine Morlland (A Abadia de Northanger) – Porque toda adolescente já gostou de rosa! O rosto deveria ser suavizado com photoshop para parecer uma jovem de 17 anos.
E você? o que acha?