Em primeiro mão: Jane Austen by Editora Zahar

Acabo de receber a edição de Persuasão e mais duas outras novelas (Alice e Jack, Lady Susan) publicada pela Editora Zahar! Vejam como é linda! Eu gostaria de agradecer Priscila Correa por gentilmente me enviar esta cópia! Vou poder reler a juvenília de Austen escrita por mãos brasileiras! MUITO OBRIGADA! 
O marcador de livros faz parte dos mimos que fiz para o Encontro da JASBRA-MG no próximo sábado.
Aguardem o próximo sorteio do blog pois será o sorteio deste livro maravilhoso!
Confiram os detalhes abaixo:
Capa dura! Vejam como é linda a contracapa!

Detalhes desta edição: Tradução de Fernanda Abreu, Notas de Fernanda Abreu e Juliana Romeiro, Apresentação do Prof. Dr. Ricardo Lísias. Eu li rapidamente a introdução e pude constatar o excelente trabalho de Ricardo Lísias. Além disso, as notas de rodapé (presentes em centenas de páginas) oferecem ótimas explicações e contextualizam o texto de Austen.

Verso da capa, vejam como é lindo este papel! Nota 10 para a Editora Zahar!

Nota: o marcador de livros faz parte do meu acervo pessoal, comprei em Chawton House Museum.
Para fazer a pré-compra deste livro, leia meu post anterior. Estará à venda a partir de 16 de abril, porém em algumas livrarias virtuais há um prazo para a entrega de cerca de 10 dias.

Aventuras pela Inglaterra de Jane Austen: Lyme Park

Prezados leitores, com vocês mais um post da Deborah Simionato! Obrigada Deborah por nos alegrar com tantos posts maravilhosos!

O Colin Firth foi meu primeiro Darcy – Mark Darcy, eu deveria dizer. Sendo assim, não poderia deixar de visitar a Pemberley dele, da série de 1995, Lyme Park. Já era final de dezembro e eu sabia que a casa estaria fechada, mas não liguei muito para esse detalhe, afinal, o que foi usado na série foi o exterior da casa e ver essa parte já bastava. A previsão do tempo dizia que neve estava a caminho e acho que foi esse detalhe que fez com que eu decidisse ir no dia que eu fui. Nunca tinha visto neve, então, se de fato nevasse e eu estivesse em Pemberley, well, ia ser duplamente lindo!
Já do trem pude ver sinais de neve na paisagem, e quanto mais para o norte o trem ia, mais branca ficava a vista do mundo do lado de fora.
Depois de uma troca de trens – não há um trem direto de Londres a Disley, cidade onde fica Lyme Park, por isso é necessário parar na estação de Stockport e de lá, pegar um trem para Disley -, eu estava pronta para encontrar o Mr. Darcy… Quero dizer, Lyme Park
A neve cobria o chão e eu já estava empolgada por estar vendo neve pela primeira vez, esquecendo a dificuldade de dar um passo com firmeza em um caminho tão escorregadio. Depois de quase um quilometro caminhando, vi uma placa que iluminou ainda mais o dia cinzento – eu estava entrando em Lyme Park!
Da entrada da propriedade, até a casa em si, acho que caminhei pelo menos mais um outro quilômetro. A distância pareceu mais curta do que realmente era, principalmente com a neve ao meu redor e a paisagem toda branca. Nunca tinha visto nada igual – a não ser, talvez, em filmes ou séries e, no momento, eu estava vivendo uma dessas séries.
Finalmente cheguei até a casa. Devo confessar que a primeira impressão foi “ah, o Darcy do Colin não era tão rico quanto o Darcy do Matthew – Chatsworth é maior que Lyme Park”. Apesar de ainda achar que Chatsworth é realmente mais bonita do que Lyme Park, essa Pemberley de 1995 é maravilhosa mesmo assim. E com a neve, então! Eu estava encantada.
Quando eu estava atingindo a parte de trás do lago, de onde temos a primeira visão de Pemberley em Orgulho & Preconceito (1995), começou a nevar. Muito. Eu estava lutando contra a neve para conseguir tirar fotos e, ao mesmo tempo, dando pulinhos de felicidade por ter visto neve, pela primeira vez na vida, em Pemberley. Ahh, a primeira vez a gente nunca esquece!
Vocês lembram o caminho no qual a Elizabeth e o Darcy andam, junto com os Gardiners, quando eles se encontram em Pemberley? Andei por ele! – sim, eu sei que eu me empolgo com coisa insignificantes, mas eu sou assim.
Apesar de estar molhada até a alma, eu estava radiante de felicidade. Vocês conseguem imaginar o Darcy e a Elizabeth sentados em frente a uma lareira, vendo a neve cair? (sendo uma fã assumida de JAFF, não pude evitar pensar nisso!)
A saída da casa se dá pelo mesmo local em que se entra e (de novo minha imaginação entrando em cena) eu não pude deixar de pensar em carruagens entrando por aquele portão, talvez os Bingleys, em uma de suas frequentes visitas aos Darcys…
Infelizmente, devido à quantidade absurda de neve que caia, eu não pude explorar os jardins como eu gostaria, e devido à época do ano (a maioria dessas casas fecha durante o inverno), não pude conhecer o interior da casa. Ainda quero voltar lá. Sem dúvida uma segunda, terceira, quarta, visita vale a pena. Lyme Park me transportou para dentro de Orgulho & Preconceito, e nenhum lugar que tem esse efeito na gente pode ser ruim.
Para mais informações sobre Lyme Park: http://www.nationaltrust.org.uk/lyme-park/
Até semana que vem,

Textos e imagens originalmente publicados no blog da Samantha Fernandes: Improvement of Mind

Feliz Páscoa! Happy Easter!

Prezados leitores e amigos desejo à todos uma Feliz Páscoa! 

Este post é de 2009, mas acho interessante publicá-lo nesta data!

A imagem acima foi uma criação minha e da minha filha, ainda quando o blog se chamava Jane Austen Club.

De acordo com a revista do Jane Austen Centre, a páscoa na época de Jane Austen (incluindo os 40 dias seguidos – ascenção de Cristo) eram uma época para viajar e visitar a família. Como nessa época do ano é primavera no hemisfério norte, certamente é uma época mais propícia para que as famílias daquela época pudesse viajar em estradas secas e o clima estaria mais agradável. Todo tipo de referência à páscoa em seus livros e suas cartas involve viagens. Ainda segundo a revista do Jane Austen Centre, a passagem mais conhecida é quando Mr. Darcy chega em Rosings Park para visitar sua tia, Lady Catherine DuBourgh (Pride and Prejudice).
Enquanto observamos as citações de páscoa na obra de Jane, é interessante destacar que para a família Austen e os ingleses da época o período era celebrado com bastante discrição com um jantar em família seguido de meditação. Bastante diferente do que vemos hoje em dia, com a exploração da mídia e toneladas de chocolate sendo vendidos.

*****
De acordo com alguns colegas da comunidade: Perguntas sobre Anglicanismo, a páscoa na Igreja Católica é bem parecida com a da Igreja Católica:

De acordo com o Rodrigo, os anglicanos brasileiros seguem “o calendário litúrgico da Quinta-feira em memória à Última Ceia, com o lava-pés, retirada dos adornos do altar, recolha do símbolo do Divino Espírito Santo…também a Sexta-feira da paixão, a vigília pascoal, e o Domingo da Ressurreição, claro, que o lado do Natal são as datas em funções das quais o calendário é organizado. A seqüência de todos os domingos do ano eclesiástico depende da data da Páscoa.Entre o Domingo da Ressurreição e o Pentecostes, celebra-se como se fosse uma festa só“.

*****

Abaixo algumas passagens dos livros de Austen que citam a páscoa – agradeço à minha amiga Lília dos Anjos pela pesquisa:

Razão e Sensibilidade, na ocasião em que “… os Palmer iriam voltar para Cleveland em fins de março, antes dos feriados da Páscoa…” (Razão e Sensibilidade, capítulo III).
Emma: “-Não sei, querida… mas é que faz tanto tempo que não vieram! A última vez foi por Páscoa, e só por muito poucos dias… que o senhor John Knightley seja advogado é um grande inconveniente… Pobre Isabella! Que triste é que tenha que estar separada de todos nós! E que pena terá quando vier e não encontre aqui à senhorita Taylor!” (Emma, capítulo IX).
Orgulho e Preconceito: “Deste modo tranquilo passaram os primeiros quinze dias da sua visita. Aproximava-se a Páscoa e a semana que a precedia traria uma pessoa a Rosings; e, numa família tão pequena, tal acréscimo não deixava de ser importante” (Orgulho e Preconceito, capítulo XXX).
Mansfield Park: “Setecentas libras por ano é uma bela renda para um irmão mais moço; e como ele continuará a viver na casa dos pais, tal renda se destinará por completo para seus “menus plaisirs”; e um sermão no Natal e um na Páscoa, creio eu, será toda a soma de seus sacrifícios” (Mansfield Park, capítulo XXIII).
Nota: Mansfield Park é o livro que mais cita a páscoa!
***
Texto escrito com a colaboração de Lília dos Anjos.
*****
Acima de todas as coisas, acredito que este é o momento ideal para reflexões, orações e mudanças! Um bom renovo na vida de todos vocês! Boa páscoa!

Emma pode virar um musical

Crédito da imagem: pastemagazine 
De acordo com o site Variety, o livro Emma poderá se transformado em um musical hip hop, com o nome de Emme. A produção será da Screen Gems ambientará o musical em uma escola. A produção deverá ter creca de 15 números musicais. O roteiro foi escrito por Tyger Williams.
Em tempo, Emma já foi adaptado para uma versão escolar em “As patricinhas de Bervely Hills” – leia aqui um pouco mais sobre esta adaptação para o cinema.

Gazeta de Longbourn apresenta: Mr. Knightley"s Diary

I had lunch at my club, with Routledge. As we finished our meal, I found him watching me curiously.

‘Well?’ he said.

‘Well?’ I asked.

‘Out with it.’

‘Out with what?’

‘Whatever it is that is bothering you,’ he said. ‘It must be something important, for you have not listened to a word I have said. You have answered me in an abstracted manner, and nothing you have said has made sense.’

‘Nothing is bothering me,’ I answered testily.

‘You might as well make up your mind to tell me, because I will hound you until you do. I am tired of looking at your long face and hearing your sighs! It is not like you.’

‘I do not sigh!’ I protested.

‘I distinctly heard you as you ate your beef. You sighed.’

I gave a deep sigh – then was angry with myself.

‘Hah!’ said Routledge. ‘There you are! It is as I said! You sighed. Well?’

I could not hide it from him any longer, nor did I wish to, for I needed to unburden myself.

‘You were right.’ I said.

‘About?’

‘About Emma. Everything you said was true. I am in love with her. I cannot think why I did not see it sooner. I have been blind. She is the very woman for me.’

‘At last! I have been waiting for you to see it for months. Well, when are you going to marry her?’

‘Never. I have missed my chance. She is going to marry Frank Churchill.’

‘Is she indeed?’ he asked in surprise. ‘What makes you think so?’

‘There is an understanding between them. From things she has said – things she has done – I asked her if she knew his mind on a certain subject, and she said she was convinced of it. In short, I thought he seemed to be casting glances at Jane Fairfax, some time ago, but Emma said she was sure of him. It was an intimate matter, one that would not have been spoken of if there had not been an engagement.’

‘And so they have announced their betrothal.’

‘I am expecting it any day, although it may be delayed as Mrs Churchill has just died.’

‘Then, if it is as certain as you say, you had better marry Jane Fairfax instead.’

‘I have already thought about it, but I cannot do it.’

‘Why not? She is an attractive young woman, well bred, agreeable and in need of a home.’

‘I cannot marry her for those reasons. Befriend her, help her – yes, But marry her? No.’

‘Then you had best see to your repairs at the Abbey, for it seems your nephew will inherit it, after all.’

Todas as regionais da JASBRA fizeram ou vão fazer encontros do Clube do Livro esse mês para discutir Emma. Assim, nada melhor que aproveitar a ocasião e os empréstimos da Adriana para resenhar este mês o diário do excelentíssimo Mr. Knightley, o cavaleiro em armadura brilhante de Emma.

Aposto que muitos fãs de Austen por aqui já conhecem o trabalho da Amanda Grange. Já li muitos elogios ao seu Mr. Darcy’s Diary e comentários menos empolgados para sua continuação vampírica de Orgulho e Preconceito. – já li os dois e concordo com ambas as opiniões: no primeiro, ela foi bastante fiel e gostosa de ler, no segundo, é meio óbvio que ela não tem muita prática com o mundo do sobrenatural e a forma como ela trabalha o mito do vampiro é meio que bastante bizarra.

O caso é que, curiosamente, meio mundo conhece da versão de Grange para Orgulho e Preconceito, mas nem todo mundo sabe que ela escreveu diários para quase todos os heróis de Austen (e um para o Wickham) – Mr. Knightley sendo um deles, claro.

Não há muito o que falar sobre o plot, porque é bastante óbvio do título – trata-se do diário mantido por Mr. Knightley durante os eventos de Emma. Dito isso, devo observar que um dos motivos do personagem estar no meu top 3 heróis austenianos decorre da leitura desse livro (eu já o tinha visto antes da Dri emprestar).

Grange não sai do tom ditado por Austen em nenhum momento, mas ao revelar os pensamentos de Knightley para nós, ela o faz de maneira apaixonantemente honesta. E essa é uma característica marcante do senhor de Donwell Abbey – ele é honesto, sincero em tudo aquilo que faz e isso se reflete mesmo em sua realização do que sente por Emma e sua posterior declaração (confesso que fico sempre me segurando na cadeira nesse momento e quase saio pulando de emoção quando ele solta aquele “se te amasse menos, talvez fosse capaz de falar mais sobre o assunto”).

Sério, Austen escreve as melhores cenas de declaração, não? Incrível como depois de ler e reler inúmeras vezes esses livros, continuo sempre na ansiosa expectativa delas…

Seja como for, Grange retrata nesse livro aquilo que há de melhor no cavalheiro em questão – e se vocês ainda têm alguma dúvida sobre o porquê de Emma ter se apaixonado por ele, recomendo fortemente dar uma lida neste livro e veremos se vocês serão capazes de resistir ao charme de Mr. Knightley.

* Lu Darce (JASBRA-PE) está presentemente encantada com Mr. Knightley “se eu te amasse menos seria capaz de falar mais sobre isso”. Tanto que está até sem palavras. Mais silêncios como esse, vocês podem encontrar em Coruja em Teto de Zinco Quente.

Pride & Prejudice: Understanding Context

“Uma revista interativa sobre o contexto de Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, elaborada por estudantes avançados de inglês da HSC.”
Essa é a definição desta pequena publicação sobre Jane Austen. Mais um excelente achado no Issuu.

Tudo culpa de Jane Austen

A Keggy do blog Poetry Therapy escreveu um poema culpando Jane Austen! Interessante é pensar o quanto Jane Austen se assombraria com a inúmeras habilidades que temos/tivemos que desenvolver/aprimorar enquanto moças de século XXI.

Ilustração de Ann Kronheimer – ilustradora de livros de Jane Austen para crianças. 
Leia os posts completos aqui.

I BLAME IT ALL ON JANE AUSTEN

I BLAME IT ALL ON JANE AUSTEN
IN HER FAMOUS NOVEL, ‘PRIDE AND PREJUDICE’
WHICH WE READ AS YOUNG, IMPRESSIONABLE GIRLS
THOSE MANY YEARS AGO
SHE TOLD OF THE TRAITS THAT
AN ‘ACCOMPLISHED LADY’ WAS EXPECTED TO HAVE –
‘A WOMAN MUST HAVE A THOROUGH KNOWLEDGE
OF MUSIC, SINGING, DRAWING, DANCING
AND MODERN LANGUAGES
TO DESERVE THE WORD’
‘ALL THIS SHE MUST POSSESS
TOGETHER WITH THE IMPROVEMENT OF HER MIND
BY EXTENSIVE READING’
SO I TOOK UP THE PIANO
AND PRACTISED EVERY DAY
(WELL EVERY SO OFTEN)
I SANG – IN THE SHOWER
I DREW – THE CURTAINS EVERY NIGHT
AND I DANCED – AT THE LOCAL DISCO
I READ EXTENSIVELY – ALL THE MAGAZINES IN THE DOCTOR’S WAITING ROOM
AND I SWORE EVERY NOW AND AGAIN – IF YOU’LL PARDON MY FRENCH !
BUT THAT WAS NOT ENOUGH
I STILL WASN’T ACCOMPLISHED
SO I TOOK UP WATERSKIING,
WINDSURFING AND SAILING,
MOUNTAIN BIKING AND SCUBA DIVING
BUT THAT WASN’T ENOUGH
SO I WENT TO YOGA CLASSES,
PRACTISED TAI CHI,
LIFTED WEIGHTS IN THE GYM
AND PLAYED SQUASH
STILL NOT ACCOMPLISHED ENOUGH
SO I LEARNED TO RIDE A MOTORCYCLE,
JOINED A RIFLE AND PISTOL CLUB,
SHOT AT TARGETS
(AND HIT THEM SOMETIMES..)
TOOK UP LONG DISTANCE WALKING,
CLIMBED MOUNTAINS, WENT CROSS-COUNTRY SKIING,
TOOK UP PHOTOGRAPHY AND POETRY,
LEARNT JAPANESE
BUT IT WAS ALL TOO MUCH
SO I STAYED HOME
DID SOME DRAWING
PLAYED THE PIANO
SANG ALONG TO THE RADIO
DANCED ROUND THE ROOM
AND READ MY LIBRARY BOOKS
I BLAME IT ALL ON JANE AUSTEN…

As ilustrações de Cecil Doughty

Hoje descobri meio que por acaso algumas ilustrações baseadas nos livros de Austen. O artista é o Cecil Doughty e suas ilustrações fazem parte da Revista Look and Learn, que ilustraram um guia para autores e seus livros: Quando Jane Austen veio para o chá (When Jane Austen came to tea). As imagens abaixo foram publicadas em 3 de outubro de 1964.
Vejam que bela ilustração de Fanny Price e Edmund Bertran (ao fundo)!
Ilustração de Marianne Dashwood e John Willoughby do livro Razão e Sensibilidade.
Ilustração da cena onde Emma está desenhando e sendo observada por Mr. Elton.

Catherine Morland e Mr. Tilney

Apesar de não levar o nome de Cecil Doughty, a ilustração faz parte da mesma publicação da revista, inclusive está na mesma página.

Curiosamente a revista não faz menção à Persuasão! É uma pena… as ilustrações de Cecil são muito bonitas! Fiquei curiosa para ver uma imagem de Anne Elliot e o Capitão Wentworth!

Conheça um pouco do trabalho de Cecil aqui.

Sorteio: Emma (edição em inglês com imagens)

Para comemorar o mês inteiro dedicado à Emma, desta vez farei um sorteio de uma edição de EMMA publicado pela Wordsworth Classics. Para participar do sorteio é necessário deixar o nome completo e endereço de e-mail (serão deletados os posts duplicados e o posts que não atendam os requisitos). Vocês podem participar até 14 de abril. O sorteio será no dia 15 de abril. Boa sorte!

Veja abaixo os detalhes do livro:

– Edição com ilustrações de Hugh Thomson

– Introdução de Nicola Bradbury da Universidade de Reading

– Imagem da capa: Gaston Bouy (Illustration Study of a Young Woman in a Satin Evening Dress)

Conheça um pouco o trabalho de Gaston:

Realismo e Burguesia em Jane Austen: Persuasão

Olá pessoal, o texto abaixo foi publicado anteriormente no blog Literatura Etc. Como estamos em meio a uma pequena discussão lá na comunidade da JASBRA no Facebook decidi publicá-lo aqui também.

Escrito pela inglesa Jane Austen e publicado postumamente em 1818, Persuasão foi o último romance da escritora e, embora tenha sido escrito muito antes do advento da escola realista, pode-se captar em sua obra muitas das características do realismo.


Advinda da sociedade burguesa da época, é comum encontrarmos em seus romances um retrato e uma crítica à burguesia e seus valores, de onde surgem os temas principais de Persuasão. Na sociedade burguesa, era muito difícil que alguém mudasse de classe social, sendo que os menos privilegiados viviam à margem da sociedade, sem possibilidade de alcançar uma posição social mais elevada.

Uma das poucas soluções para se conseguir uma elevação de classes era através do matrimonio com alguém da alta sociedade. Embora as famílias abastadas não aceitassem que seus filhos se casassem com pessoas de classe inferior, muitos eram os golpes.

A persuasão também é uma temática bastante presente no livro – a ponto de o romance levar este título – e na burguesia retratada, pois muitas vezes as pessoas eram aconselhadas e até forçadas a deixarem seus valores e sentimentos de lado para representar um papel imposto pela sociedade. Anne é uma personagem que sofre com isso, acabando por trocar suas convicções pela sugestão de sua madrinha. Assim é que ela acaba desistindo do casamento com Wentworth. 
Deveria ter feito uma distinção – replicou Anne – Não deveria ter suspeitado de mim, agora; o caso é tão diferente, minha idade, outra. Se errei uma vez ao ceder à persuasão, lembre-se de que foi por esta ser exercida em favor da segurança, e não do risco. Quando me submeti, pensei que era este o meu dever; mas nenhum dever poderia ser chamado em auxílio no caso. Ao me casar com um homem indiferente a mim, incorreria em todos os riscos, e violaria todos os deveres. (AUSTEN, 2007, p. 289)

A partir dessa reflexão de Anne somos levados a avaliar a importância e a força da persuasão, se ela seria uma força negativa ou positiva agindo no romance e na vida das personagens. Esses temas, trabalhados como foram por Jane Austen em Persuasão, dão créditos de realidade ao texto, pois fazem parte dos valores das pessoas que viviam na época. São temas e tramas da vida real trazidas à literatura.


Outras coisas que não deixam a deseja no romance são as descrições. característica muto comum do realismo, as descrições de Jane Austen beiram a perfeição:
E como não houvesse nada para se admirar, o olhar do visitante se voltava para a invejável localização da cidade, a rua principal quase se precipitando na água, o passeio ao Cobb, suas antigas maravilhas e novos melhoramentos, com a linda linha de rochedos estendendo-se para leste da cidade. E seria um estranho visitante quem não visse encantos nas redondezas de Lyme, nem tivesse vontade de conhecê-la melhor! As paisagens nas suas redondezas, Charmouth, com suas terras altas e grandes extensões de campos, e ainda a suave baía retirada, emoldurada por escuros penhascos, onde fragmentos de rochas baixas, entre a areia, tornam-na o local mais propício para observar o fluxo da maré e sentar-se em incansável contemplação; as diferentes variedades de árvores da alegre vila de Up Lyme, e, principalmente, de Pinny, com suas verdes ravinas por entre tochas românticas, onde esparsas árvores de floresta e hortas luxuriantes indicam que muitas gerações se passaram desde a primeira queda parcial do rochedo preparasse o campo nesse aspecto, onde surge um cenário tão maravilhoso e adorável, que bem pode igualar qualquer paisagem da tão famosa ilha de Wight: esses lugares devem ser visitados e revisitados, para se compreender o valor de Lyme. (Idem, p. 125, 126)