O Mistério dos Diários Varonis – análises sobre os livros de Amanda Grange

Esse texto maravilhoso da Luciana Darce foi escrito e publicado originalmente no blog Coruja em Teto de Zinco Quente!

Participei essa semana de uma segunda live no canal do Jane Austen Brasil no Instagram (sobre a primeira vocês podem ler/ver aqui), tendo sido convidada a falar um pouco da série de diários dos heróis austenianos escrita por Amanda Grange. Alguns anos atrás, resenhei todos os seis volumes (vou deixar o link para as resenhas no final desse post, bem como o vídeo da live da vez) e, desde então, a Grange publicou alguns outros títulos, várias releituras de Orgulho e Preconceito incluindo aí o diário de Wickham e uma versão em que Mr. Darcy é um vampiro.

Em uma entrevista que encontrei no AustenBlog, Grange diz que a ideia para escrever Mr. Darcy’s Diary – publicado originalmente em 2005 e o único dos títulos que chegou a sair aqui no Brasil – veio de uma de suas releituras do romance original e reflexões sobre como a história não tinha perdido sua atualidade em duzentos anos, faltando apenas pontos de vista alternativos ao da heroína. Não havia planos para escrever uma série, mas a coisa acabou acontecendo; afinal, ela basicamente acertou um filão de ouro quando se lançou nessa aventura. Praticamente todo leitor de Austen quer mais livros (não contando a Juvenilia e os contos inacabados, são só seis romances) e certamente adoraria ver “o outro lado da moeda” das narrativas.

Grange já publicara alguns romances passados nos tempos da regência, tinha já alguma pesquisa e conhecimento de contexto histórico, que foi utilizado para criar a história de fundo dos heróis, nem sempre presente nos originais. A narrativa tem uma linguagem convincente – você consegue ‘ouvir’ a voz dos personagens, acreditar que está às voltas com um diário escrito naquele período – e há uma boa continuidade com os originais. Pesquisando para a apresentação, vi que algumas pessoas reclamaram que não era muito crível uma pessoa escrever entradas no diário relembrando e esmiuçando cada diálogo que teve ao longo do dia. Contudo, quem já leu algum livro de fato escrito na época e nesse mesmo formato, reconhecerá o formato como característico: Evelina e Pamela estão aí para prová-lo. Podemos até estranhar, mas não é algo que está distante da forma como se escrevia no período em que a própria Austen viveu.

Antes de adentrar o mérito dos livros, tenho algumas notas rápidas a fazer. Eu imagino que se eu sair perguntando por aí hoje que tipo de pessoa mantém diários hoje em dia, são grandes as chances que a maioria responda “adolescentes”. Há exceções (olá, rainha Elizabeth), mas por uma ou outra razão, quer seja tempo, quer seja a necessidade de encontrar formas de se expressar, a adolescência nos parece a época certa para manter um diário. Minha hipotética pesquisa também chegaria à provável conclusão que a esmagadora maioria dos possuidores de diários são do sexo feminino. Pessoalmente, quando me falam de diários, o primeiro nome que me vem à cabeça é Anne Frank, e talvez isso tenha a ver com essa imagem estereotipada de mocinha escrevendo diário que persiste por aí.

É curioso que em suas origens, os diários estão bem longe do estereótipo moderno que temos: talvez o mais antigo exemplo do gênero na cultura ocidental são as meditações do imperador romano Marco Aurélio (aquele mesmo do filme O Gladiador). Viajantes e filósofos orientais, como Lio Ao na China do século IX e Ahmed Ibn Banna, de Marrocos no século XI também deixaram seus diários para a posteridade. No período medieval, muitos doutores teólogos mantinham diários para registrar seus pensamentos e experiências espirituais – as Confissões de Santo Agostinho fazem essa mesma linha, sendo considerada a primeira autobiografia escrita no Ocidente.

Talvez a essa altura seja bom lembrar que papel não era uma coisa tão barata ou fácil de conseguir – podemos apontar a própria Austen como exemplo dessa realidade; quem viu uma página escrita por ela sabe que ela não desperdiçava um espaço em branco, escrevendo até entre linhas, primeiro numa direção do papel, depois na outra. Assim é que ter papel para escrever aleatoriedades sobre sua própria vida é coisa de quem tinha tempo, dinheiro… ou era, por ofício, escritor.

Entre os séculos XVIII e XIX que os níveis de alfabetização aumentaram, o custo do papel caiu e os diários começaram a se popularizar. Inclusive, muita gente publicou seus diários pessoais, que se tornaram importantes documentos históricos para entender a sociedade de antanho.

É mais ou menos por essa época que se passam os romances de Austen. Historicamente, portanto, não é estranho que nossos heróis mantenham diários. Dos seis protagonistas trazidos por Amanda Grange, temos três homens de posses, donos de terras (Darcy, Brandon e Knightley), dois filhos de famílias ricas, encaminhados como clérigos (Bertram e Tilney) e um capitão da marinha que, por sua função, certamente mantinha um diário do dia-a-dia no navio (Wentworth). Eles têm a educação para valorizar a ideia de um diário; o patrimônio para justificar tal tipo de despesa e, com exceção do Wentworth que de fato tem de fazer sua própria fortuna, todos possuem o tempo para desenvolver aquele ócio criativo de que ouvimos falar.

É por essa razão que o título dessa palestra é “o mistério dos diários varonis” (ok, não, a razão principal é que estava revendo a série Sherlock quando a Dri me pediu um título para a apresentação). Escrever diários é uma atividade reflexiva, que demanda tempo, em que o escritor do diário investe muito de si. Isso não parece combinar com a figura do Herói – decidido, ativo, senhor de si – e nossas noções sobre masculinidade. Um diário é, supostamente, um retrato da face mais íntima de seu autor, de suas dúvidas e questionamentos. Escrever um diário te coloca numa posição de vulnerabilidade – independente de você sair ou não confessando todos os seus segredos para o papel. Então, que a Grange tenha escolhido dar voz aos heróis austenianos pelo recurso de diários pode parecer um mistério à primeira vista, mas não é.

Para além das questões práticas, os padrões de masculinidade da época são diferentes; estamos quase que no início da Era Romântica e do grande advento da classe burguesa – há uma valorização da educação, urbanidade, sofisticação e sentimentalismo. O que estou tentando explicar dando tantas voltas é que no contexto da época e do caráter dos personagens, que todos eles mantenham diários faz sentido. Que eles revelem suas dúvidas, o coração por baixo da casaca, também. Os heróis da Austen são sólidos, generosos e, sim, permitem-se ser vulneráveis – cada uma das declarações que eles fazem demonstram isso – e talvez por isso mesmo eles sejam tão fascinantes. Foi por entender isso que Amanda Grange conseguiu fazer sua série funcionar tão bem.

Pessoalmente, uma das coisas que mais valorizo num romance – o que faz com que eu realmente me encante com uma história – é a capacidade que os personagens têm de impactar o senso de identidade do outro. Não é a ideia do “você me completa” ou coisa parecida, mas sim de que “eu sou a melhor versão de mim mesmo quando estou ao seu lado”. Através do relacionamento – e não digo apenas amoroso – o personagem amadurece, sua forma de ver o mundo cresce. Austen sabe utilizar essa mecânica muito bem, praticamente todos os seus protagonistas fazem essa jornada.

Orgulho e Preconceito é um ótimo exemplo disso. Lizzie ganha um melhor entendimento de si mesma por influência de Mr. Darcy; e o mesmo acontece a ele; a versão da Grange para esse processo é excelente, gosto muito de ver Darcy ir da indignação com o não da moça para a compreensão de sua própria arrogância e seus erros. O Diário de Mr. Darcy é, ironicamente, o único da série que não resenhei previamente, mas fica aqui meu selo de aprovação. No entanto, devo complementar dizendo que a trilogia Fitzwilliam Darcy, Gentleman da Pamela Aidan é a melhor releitura não apenas do Darcy, mas de todas as releituras dos romances austenianos que já li.

Meus favoritos da Grange são os diários de Mr. Knightley, Henry Tilney e Edmund Bertram. Destaco particularmente o do Bertram, que me fez ter uma visão bem mais favorável do herói de Mansfield Park, mudou algumas coisas da minha interpretação. Por outro lado, tive algumas ressalvas a fazer para a versão da história do Capitão Wentworth e do Coronel Brandon. Minha impressão nesses dois é que, quanto mais a Grange se distancia do material original – no caso, a criação de um passado, um inteiro background que é apenas delineado por Austen – mais complicado se torna manter a autenticidade da voz dos personagens. Não é impossível fazê-lo: Susan Kaye conseguiu me convencer na voz do capitão em sua duologia. Grange, contudo, consegue recapturar a atenção quando os eventos de ambos os diários alcançam o início de Persuasão e Razão e Sensibilidade, respectivamente.

Não me estenderei muito mais, porque acho que já escrevi aqui mais do que falei na live (e eu falei muito…) e vocês podem ir direto para as resenhas de cada livro para saber sobre cada um individualmente. Mas vamos à conclusão ou passarei o dia aqui…

Leitores puritanos de Austen podem torcer o nariz para essas releituras. Por um lado, concordo com o ponto de vista que ler Austen apenas para suspirar pelos cantos em razão do romantismo é desperdiçar a profundidade, a elegância, o rico comentário social, a genialidade imbuída em cada uma dessas narrativas. Por outro, não existem leituras erradas e ninguém tem de se meter e julgar o que as pessoas querem ler. E às vezes, de verdade, o que precisamos é de uma dose de açúcar direto na veia.

Grange responde a essa necessidade. Ela não tem aqui nenhuma pretensão mais ambiciosa que brindar o leitor com uma narrativa leve, divertida, apaixonante. Você não precisa mergulhar de cabeça no contexto histórico-social-político-e-o-que-mais-vier-pela-frente para desfrutar dessas leituras. Livros podem ser um refúgio, um lugar de conforto, um escape da realidade. Considerando o que temos acompanhado nas notícias nos últimos tempos, escapar para Pemberley me parece bem oportuno.

Termino hoje lembrando que, num dos ensaios de seu Sobre Histórias, C. S. Lewis parafraseia Tolkien para dizer que as pessoas mais preocupadas com a ideia de fuga, e mais hostis a ela, são os carcereiros. Então lembrem-se disso quando alguém disser que seu gosto literário é um escape da realidade. E leia o que te der na telha.

Série Jane Austen Heroes, por Amanda Grange
Mr. Knightley’s Diary
Captain Wentworth’s Diary
Edmund Bertram’s Diary
Colonel Brandon’s Diary
Henry Tilney’s Diary

Visualizar(abrir em uma nova aba)

Trilogia Fitzwilliam Darcy, Gentleman, por Pamela Aidan
An Assembly Such as This
Duty and Desire
These Three Remain

Duologia Frederick Wentworth, Captain, por Susan Kaye
None But You
For You Alone

Emma Approved – Adaptação Modernizada do livro Emma de Austen

Ao abrir minha página do youtube, hoje pela manhã, vi algumas indicações de vídeos. E entre as indicações estava o “Emma Approved” com legandas em português! Que maravilha, não acham? A Larissa Siriani está legendando a série para nós! Thanks a lot, my dear! 



Emma Approved é uma websérie dos mesmos criadores de “The Lizzie Bennet Diaries”, que traz uma adaptação modernizada do livro “Emma”, de Jane Austen.
Canal oficial: Pemberley Digital
E a página no Facebook, que por sinal adorei: Knightley Disapproved
Hoje à tarde, já tenho planos de incentivar uma certa garotinha de 11 anos de idade a terminar de ler Emma… Explico! Minha filha se interessou por Emma, ao assistir “As Patrícinhas de Bervely Hills”, em seguida pegou o livro que traduzi para ler! 🙂 Orgulho total, né? 
Agora, ao assistir esses episódios moderninhos, acho que vai ser um bom motivo para ela terminar o livro! 

Domingos – Toni Weydmann – Em defesa de Mr. Knightley

Hoje é dia da Coluna de Domingo: Jane Austen e os Rapazes. O objetivo é oferecer aos leitores deste blog uma visão masculina das obras de Austen.

Com vocês: Toni Weydmann
Mr. Knightley é muito mais real que o Mr. Darcy
Desafiado a escrever sobre o meu livro favorito da autoria de Jane Austen, me propus a escrever sobre EMMA, não que seja o meu preferido (todos são ótimos), mas foi o último que li e tenho ele bem vivo na memória. A leitura de EMMA me proporcionou vivenciar algumas histórias muito gostosas de acompanhar e de fácil identificação, provando que JA era uma grande conhecedora do comportamento humano, e continua atual até os dias de hoje.
Depois de ler EMMA, descobri o meu personagem masculino favorito na obra de JA (o feminino continua sendo Lizzy Bennet sem concorrencia). As fãs de Mr. Darcy que me desculpem, mas Mr. Knightley me parece, no seu conceito, bem mais real do que Mr. Darcy, e antes que vocês queiram me linchar pela minha afirmação, me permitam defender a minha opinião.
Percebi na figura de Mr. Knightley alguém com um carater aprovado (isso é algo muito em pauta nos livros de JA) em todo o seu círculo social, bem como em todas as classes sociais distintas da época. Reconhecido cavalheiro, com valores bem definidos e opiniões firmes, protagonizando com Emma uma situação muito atual, onde uma amizade verdadeira acaba se transformando em amor. Podemos ver os estúdios de Hollywood retratando recentemente esse tema em filmes como “O Casamento do Meu Melhor Amigo” e “O Melhor Amigo da Noiva”, e a leirura de Emma nos mostra o amadurecimento e a manifestação deste sentimento enrrustido entre Emma e Mr. Knightley. Já dizia Willian Hazlitt: ” Antipatias violentas são sempre suspeitas e traem uma afinidade secreta”, e a maneira veemente como Mr. Knightley criticava Emma (sempre com muita propriedade) camuflavam os seus reais sentimentos para com ela.

Então, de uma maneira prática e para encurtar o assundo, aprendi com a leitura de EMMA que um grande e verdadeiro amor, precisa ser o resultado de uma amizade sincera entre duas pessoas, que possam divergir entre elas e mesmo assim nutrirem uma admiração mútua um pelo outro. Que uma pessoa pode ser “perfeita” para muitos, mas não para nós. Que “orgulho e preconceito” (não resisti rsrsrs) acerca de algumas pessoas e situações, podem nos privar de usufluir de ótimas amizades e momentos.

Conheça os outros posts das Colunas de Domingos.

Sextas – Jane Austen Irônica – Emma e Mr. Knightley

Hoje é dia da Coluna das sextas-feiras: Jane Austen Irônica!

A imagem acima faz parte de uma resposta à uma cartinha enviada para a coluna Cartas para Jane Austen!

Conheça aqui os outros posts desta coluna Jane Austen Irônica.


Caso queira participar
envie-nos suas ideias: adriana@jasbra.com.br 

Emma – uma declaração de amor!

Outro dia a Poliana Cristina me fez uma homenagem indireta ao escrever algumas opiniões sobre o livro Emma, pois acabou publicando uma imagem do livro que traduzi e ficou perfeita! 
Capítulo 30 – Emma (Editora Martin Claret) – tradução de Adriana Zardini
Poliana escreveu:

Da voz de Mr. Knightley transbordam a genialidade e agudeza de espírito da querida Jane. Para quê tratados sociológicos se Austen nos deu “Emma”? Sem contar que é divertidíssimo acompanhar o raciocínio rápido e a espirituosidade de Miss Woodhouse. Adoraria tê-la como amiga.
A propósito: Mr. Knightley lendo com Emma a carta de Frank Churchill é provavelmente um dos momentos mais deliciosos já escritos na literatura mundial. Não é na declaração de Mr. Knightley a Emma que ele ganha meu coração. É quando ele diz sobre Frank: “Que novela este homem escreve!” ;D
“Emma”, de Jane Austen (tradução de Adriana Sales Zardini).
Se você não conhece a nova coleção da Martin Claret – dei palpites nas capas dos livros e escrevi os resumos das contra-capas) – clique aqui

Coluna – Guia do Romance parte 1

Prezados leitores, hoje é dia de lhes apresentar a Coluna dos domingos: Coluna Guia do Romance! 

A ideia surgiu quando li uma série de livros e posts sobre dicas de Jane Austen sobre romance. Então resolvi traduzir os posts publicados da Sparknotes, chamada Jane Austen Dating School. 
Guia do Romance 1 – Emma Woodhouse sabe como tratar um homem*
By: enthusiasm&austen  


Após uma semana muito tumultuada, comecei a refletir sobre meu próximo post e a única coisa que consegui pensar foi em Emma Woodhouse! Bem, devo confessar que Emma é único romance de Austen que nunca consegui terminar. (pausa para você ir ali tomar uma água) Bem, no último final de semana eu tive uma pausa de vinte minutos e decidi remediar a situação. 
Aparentemente a estimável Miss Woodhouse gosta da ideia de conhecer melhor as pessoas, e se vocês já leram este livro sabem o quanto ela é fabulosa ao demonstrar extrema confiança em si mesma! E, enquanto tivemos uma ‘conversinha’ hoje, ela confirmou uma de minhas teorias: confiança representa 80,67% do seu poder de atração. Emma também me ‘contou’ que a melhor maneira de colocar seu plano em prática são: seja gentil, bonita e deixe se  preocupar! Porque você é gentil, bonita e não precisa de ninguém para lhe dizer isso. Então seja a atriz principal de sua história! Cause uma explosão entre os seus amigos! Converse com outros rapazes! Você nunca sabe o que te espera mais a frente! Quem sabe? Talvez você não esteja em Orgulho e Preconceito, talvez o Mr. Darcy não seja o seu tipo. Talvez você seja mais parecida com Emma, talvez tudo o que você precise saber é que eventualmente, você terá um Mr. Knightley, que a ama mesmo quando você está terrível – e ainda lhe prepara bolos. (O quê? Mr. Knightley fez isso sim. Você leu uma versão extendida ou algo parecido?)
* Adaptação da tradução: Adriana Zardini

E vocês, prezados leitores, o que acharam destes conselhos? 

Gazeta de Longbourn apresenta: Mr. Knightley"s Diary

I had lunch at my club, with Routledge. As we finished our meal, I found him watching me curiously.

‘Well?’ he said.

‘Well?’ I asked.

‘Out with it.’

‘Out with what?’

‘Whatever it is that is bothering you,’ he said. ‘It must be something important, for you have not listened to a word I have said. You have answered me in an abstracted manner, and nothing you have said has made sense.’

‘Nothing is bothering me,’ I answered testily.

‘You might as well make up your mind to tell me, because I will hound you until you do. I am tired of looking at your long face and hearing your sighs! It is not like you.’

‘I do not sigh!’ I protested.

‘I distinctly heard you as you ate your beef. You sighed.’

I gave a deep sigh – then was angry with myself.

‘Hah!’ said Routledge. ‘There you are! It is as I said! You sighed. Well?’

I could not hide it from him any longer, nor did I wish to, for I needed to unburden myself.

‘You were right.’ I said.

‘About?’

‘About Emma. Everything you said was true. I am in love with her. I cannot think why I did not see it sooner. I have been blind. She is the very woman for me.’

‘At last! I have been waiting for you to see it for months. Well, when are you going to marry her?’

‘Never. I have missed my chance. She is going to marry Frank Churchill.’

‘Is she indeed?’ he asked in surprise. ‘What makes you think so?’

‘There is an understanding between them. From things she has said – things she has done – I asked her if she knew his mind on a certain subject, and she said she was convinced of it. In short, I thought he seemed to be casting glances at Jane Fairfax, some time ago, but Emma said she was sure of him. It was an intimate matter, one that would not have been spoken of if there had not been an engagement.’

‘And so they have announced their betrothal.’

‘I am expecting it any day, although it may be delayed as Mrs Churchill has just died.’

‘Then, if it is as certain as you say, you had better marry Jane Fairfax instead.’

‘I have already thought about it, but I cannot do it.’

‘Why not? She is an attractive young woman, well bred, agreeable and in need of a home.’

‘I cannot marry her for those reasons. Befriend her, help her – yes, But marry her? No.’

‘Then you had best see to your repairs at the Abbey, for it seems your nephew will inherit it, after all.’

Todas as regionais da JASBRA fizeram ou vão fazer encontros do Clube do Livro esse mês para discutir Emma. Assim, nada melhor que aproveitar a ocasião e os empréstimos da Adriana para resenhar este mês o diário do excelentíssimo Mr. Knightley, o cavaleiro em armadura brilhante de Emma.

Aposto que muitos fãs de Austen por aqui já conhecem o trabalho da Amanda Grange. Já li muitos elogios ao seu Mr. Darcy’s Diary e comentários menos empolgados para sua continuação vampírica de Orgulho e Preconceito. – já li os dois e concordo com ambas as opiniões: no primeiro, ela foi bastante fiel e gostosa de ler, no segundo, é meio óbvio que ela não tem muita prática com o mundo do sobrenatural e a forma como ela trabalha o mito do vampiro é meio que bastante bizarra.

O caso é que, curiosamente, meio mundo conhece da versão de Grange para Orgulho e Preconceito, mas nem todo mundo sabe que ela escreveu diários para quase todos os heróis de Austen (e um para o Wickham) – Mr. Knightley sendo um deles, claro.

Não há muito o que falar sobre o plot, porque é bastante óbvio do título – trata-se do diário mantido por Mr. Knightley durante os eventos de Emma. Dito isso, devo observar que um dos motivos do personagem estar no meu top 3 heróis austenianos decorre da leitura desse livro (eu já o tinha visto antes da Dri emprestar).

Grange não sai do tom ditado por Austen em nenhum momento, mas ao revelar os pensamentos de Knightley para nós, ela o faz de maneira apaixonantemente honesta. E essa é uma característica marcante do senhor de Donwell Abbey – ele é honesto, sincero em tudo aquilo que faz e isso se reflete mesmo em sua realização do que sente por Emma e sua posterior declaração (confesso que fico sempre me segurando na cadeira nesse momento e quase saio pulando de emoção quando ele solta aquele “se te amasse menos, talvez fosse capaz de falar mais sobre o assunto”).

Sério, Austen escreve as melhores cenas de declaração, não? Incrível como depois de ler e reler inúmeras vezes esses livros, continuo sempre na ansiosa expectativa delas…

Seja como for, Grange retrata nesse livro aquilo que há de melhor no cavalheiro em questão – e se vocês ainda têm alguma dúvida sobre o porquê de Emma ter se apaixonado por ele, recomendo fortemente dar uma lida neste livro e veremos se vocês serão capazes de resistir ao charme de Mr. Knightley.

* Lu Darce (JASBRA-PE) está presentemente encantada com Mr. Knightley “se eu te amasse menos seria capaz de falar mais sobre isso”. Tanto que está até sem palavras. Mais silêncios como esse, vocês podem encontrar em Coruja em Teto de Zinco Quente.

Um doce de rapaz

Mr. Darcy é um doce de rapaz! Dá muito o que pensar não é mesmo? 🙂 Brincadeiras à parte, abre esse post com um lançamento do Jane Austen Centre! Docinhos: Gorgeous Darcy clotted cream Fudge – um confeito preparado com açúcar, manteiga e leite. Valor: 3,00 libras.
Outro lançamento do site é o livro The Importance of Being Emma, baseado no texto original de Austen, traz também um Mr. Knigthtley irresistível. Valor: 7,99 libras.

Emma 2009 – algumas opiniões

Ontem eu terminei de assistir os 4 episódios de Emma 2009. Confesso que fiquei com o pé atrás em relação à escolha do J.L. Miller como Mr. Knightley, mas a partir do terceiro episódio creio que depois da dança no baile, ele me conquistou. Passei a encará-lo como Mr. Knightley, apesar da série ser muito corrida.

Segundo a Valéria, a série é boa, pecou pela omissão do “Brother and sister? No, indeed.” Em sua opinião “é o que dá o tom à interpretação do Mr. Knightley. Além disso, não colocaram Emma tentando falar o nome dele… A única que traz é a série de 1972“.
Mais adiante publicarei minhas impressõe sobre Emma, primeiro preciso fazer um screencap de uma cena que me encantou.
Quem nos visitou hoje também foi a Vic do Jane Austen World e deixou suas impressões sobre Emma 2009:
“The 3rd and 4th episodes made up for the first two episodes, which people liked less. This is a good adaptation, but the script uses very little of Jane Austen’s dialogue. I began to like Jonny Lee Miller in the 3rd episode, and I began to like Romola Garai in Episode 4. Michael Gambon is not given enough scenes and I found his Mr. Woodhouse too forceful. All and all, I give this series three stars out of four“.
“O terceiro e quarto episódios foram melhores que os dois primeiros (os quais as pessoas gostaram menos). Esta é uma boa adaptação, porém o script usa muito pouco dos diálogos de Jane Austen. Eu comecei a gostar de Jonny Lee Miller a partir do terceiro episódios, e comecei a gostar de Romola Garai no quarto episódio. Michael Gambon não participa de muitas cenas e achei que ele como Mr. Woodhouse foi muito forçado. Dou 3 estrelas em 4 para esta série.”
***
Para retribuir a visita de Vic, fui ao Jane Austen World e descobri que ela está muito feliz porque o blog é um sucesso e já está prestes a alcançar 1 milhão de visitas! Parabéns querida! Para festejar, Vic deciciu dar alguns presentinhos para quem deixar um recadinho por lá. Janeites brasileiras não se preocupem, ela promete enviar um presentinho (um livro) para os fãs de Austen de outros países. Lembre-se é apenas um livro para os fãs fora dos EUA, mas vale à pena tentar e prestigir a amiga Vic.