O Mistério dos Diários Varonis – análises sobre os livros de Amanda Grange

Esse texto maravilhoso da Luciana Darce foi escrito e publicado originalmente no blog Coruja em Teto de Zinco Quente!

Participei essa semana de uma segunda live no canal do Jane Austen Brasil no Instagram (sobre a primeira vocês podem ler/ver aqui), tendo sido convidada a falar um pouco da série de diários dos heróis austenianos escrita por Amanda Grange. Alguns anos atrás, resenhei todos os seis volumes (vou deixar o link para as resenhas no final desse post, bem como o vídeo da live da vez) e, desde então, a Grange publicou alguns outros títulos, várias releituras de Orgulho e Preconceito incluindo aí o diário de Wickham e uma versão em que Mr. Darcy é um vampiro.

Em uma entrevista que encontrei no AustenBlog, Grange diz que a ideia para escrever Mr. Darcy’s Diary – publicado originalmente em 2005 e o único dos títulos que chegou a sair aqui no Brasil – veio de uma de suas releituras do romance original e reflexões sobre como a história não tinha perdido sua atualidade em duzentos anos, faltando apenas pontos de vista alternativos ao da heroína. Não havia planos para escrever uma série, mas a coisa acabou acontecendo; afinal, ela basicamente acertou um filão de ouro quando se lançou nessa aventura. Praticamente todo leitor de Austen quer mais livros (não contando a Juvenilia e os contos inacabados, são só seis romances) e certamente adoraria ver “o outro lado da moeda” das narrativas.

Grange já publicara alguns romances passados nos tempos da regência, tinha já alguma pesquisa e conhecimento de contexto histórico, que foi utilizado para criar a história de fundo dos heróis, nem sempre presente nos originais. A narrativa tem uma linguagem convincente – você consegue ‘ouvir’ a voz dos personagens, acreditar que está às voltas com um diário escrito naquele período – e há uma boa continuidade com os originais. Pesquisando para a apresentação, vi que algumas pessoas reclamaram que não era muito crível uma pessoa escrever entradas no diário relembrando e esmiuçando cada diálogo que teve ao longo do dia. Contudo, quem já leu algum livro de fato escrito na época e nesse mesmo formato, reconhecerá o formato como característico: Evelina e Pamela estão aí para prová-lo. Podemos até estranhar, mas não é algo que está distante da forma como se escrevia no período em que a própria Austen viveu.

Antes de adentrar o mérito dos livros, tenho algumas notas rápidas a fazer. Eu imagino que se eu sair perguntando por aí hoje que tipo de pessoa mantém diários hoje em dia, são grandes as chances que a maioria responda “adolescentes”. Há exceções (olá, rainha Elizabeth), mas por uma ou outra razão, quer seja tempo, quer seja a necessidade de encontrar formas de se expressar, a adolescência nos parece a época certa para manter um diário. Minha hipotética pesquisa também chegaria à provável conclusão que a esmagadora maioria dos possuidores de diários são do sexo feminino. Pessoalmente, quando me falam de diários, o primeiro nome que me vem à cabeça é Anne Frank, e talvez isso tenha a ver com essa imagem estereotipada de mocinha escrevendo diário que persiste por aí.

É curioso que em suas origens, os diários estão bem longe do estereótipo moderno que temos: talvez o mais antigo exemplo do gênero na cultura ocidental são as meditações do imperador romano Marco Aurélio (aquele mesmo do filme O Gladiador). Viajantes e filósofos orientais, como Lio Ao na China do século IX e Ahmed Ibn Banna, de Marrocos no século XI também deixaram seus diários para a posteridade. No período medieval, muitos doutores teólogos mantinham diários para registrar seus pensamentos e experiências espirituais – as Confissões de Santo Agostinho fazem essa mesma linha, sendo considerada a primeira autobiografia escrita no Ocidente.

Talvez a essa altura seja bom lembrar que papel não era uma coisa tão barata ou fácil de conseguir – podemos apontar a própria Austen como exemplo dessa realidade; quem viu uma página escrita por ela sabe que ela não desperdiçava um espaço em branco, escrevendo até entre linhas, primeiro numa direção do papel, depois na outra. Assim é que ter papel para escrever aleatoriedades sobre sua própria vida é coisa de quem tinha tempo, dinheiro… ou era, por ofício, escritor.

Entre os séculos XVIII e XIX que os níveis de alfabetização aumentaram, o custo do papel caiu e os diários começaram a se popularizar. Inclusive, muita gente publicou seus diários pessoais, que se tornaram importantes documentos históricos para entender a sociedade de antanho.

É mais ou menos por essa época que se passam os romances de Austen. Historicamente, portanto, não é estranho que nossos heróis mantenham diários. Dos seis protagonistas trazidos por Amanda Grange, temos três homens de posses, donos de terras (Darcy, Brandon e Knightley), dois filhos de famílias ricas, encaminhados como clérigos (Bertram e Tilney) e um capitão da marinha que, por sua função, certamente mantinha um diário do dia-a-dia no navio (Wentworth). Eles têm a educação para valorizar a ideia de um diário; o patrimônio para justificar tal tipo de despesa e, com exceção do Wentworth que de fato tem de fazer sua própria fortuna, todos possuem o tempo para desenvolver aquele ócio criativo de que ouvimos falar.

É por essa razão que o título dessa palestra é “o mistério dos diários varonis” (ok, não, a razão principal é que estava revendo a série Sherlock quando a Dri me pediu um título para a apresentação). Escrever diários é uma atividade reflexiva, que demanda tempo, em que o escritor do diário investe muito de si. Isso não parece combinar com a figura do Herói – decidido, ativo, senhor de si – e nossas noções sobre masculinidade. Um diário é, supostamente, um retrato da face mais íntima de seu autor, de suas dúvidas e questionamentos. Escrever um diário te coloca numa posição de vulnerabilidade – independente de você sair ou não confessando todos os seus segredos para o papel. Então, que a Grange tenha escolhido dar voz aos heróis austenianos pelo recurso de diários pode parecer um mistério à primeira vista, mas não é.

Para além das questões práticas, os padrões de masculinidade da época são diferentes; estamos quase que no início da Era Romântica e do grande advento da classe burguesa – há uma valorização da educação, urbanidade, sofisticação e sentimentalismo. O que estou tentando explicar dando tantas voltas é que no contexto da época e do caráter dos personagens, que todos eles mantenham diários faz sentido. Que eles revelem suas dúvidas, o coração por baixo da casaca, também. Os heróis da Austen são sólidos, generosos e, sim, permitem-se ser vulneráveis – cada uma das declarações que eles fazem demonstram isso – e talvez por isso mesmo eles sejam tão fascinantes. Foi por entender isso que Amanda Grange conseguiu fazer sua série funcionar tão bem.

Pessoalmente, uma das coisas que mais valorizo num romance – o que faz com que eu realmente me encante com uma história – é a capacidade que os personagens têm de impactar o senso de identidade do outro. Não é a ideia do “você me completa” ou coisa parecida, mas sim de que “eu sou a melhor versão de mim mesmo quando estou ao seu lado”. Através do relacionamento – e não digo apenas amoroso – o personagem amadurece, sua forma de ver o mundo cresce. Austen sabe utilizar essa mecânica muito bem, praticamente todos os seus protagonistas fazem essa jornada.

Orgulho e Preconceito é um ótimo exemplo disso. Lizzie ganha um melhor entendimento de si mesma por influência de Mr. Darcy; e o mesmo acontece a ele; a versão da Grange para esse processo é excelente, gosto muito de ver Darcy ir da indignação com o não da moça para a compreensão de sua própria arrogância e seus erros. O Diário de Mr. Darcy é, ironicamente, o único da série que não resenhei previamente, mas fica aqui meu selo de aprovação. No entanto, devo complementar dizendo que a trilogia Fitzwilliam Darcy, Gentleman da Pamela Aidan é a melhor releitura não apenas do Darcy, mas de todas as releituras dos romances austenianos que já li.

Meus favoritos da Grange são os diários de Mr. Knightley, Henry Tilney e Edmund Bertram. Destaco particularmente o do Bertram, que me fez ter uma visão bem mais favorável do herói de Mansfield Park, mudou algumas coisas da minha interpretação. Por outro lado, tive algumas ressalvas a fazer para a versão da história do Capitão Wentworth e do Coronel Brandon. Minha impressão nesses dois é que, quanto mais a Grange se distancia do material original – no caso, a criação de um passado, um inteiro background que é apenas delineado por Austen – mais complicado se torna manter a autenticidade da voz dos personagens. Não é impossível fazê-lo: Susan Kaye conseguiu me convencer na voz do capitão em sua duologia. Grange, contudo, consegue recapturar a atenção quando os eventos de ambos os diários alcançam o início de Persuasão e Razão e Sensibilidade, respectivamente.

Não me estenderei muito mais, porque acho que já escrevi aqui mais do que falei na live (e eu falei muito…) e vocês podem ir direto para as resenhas de cada livro para saber sobre cada um individualmente. Mas vamos à conclusão ou passarei o dia aqui…

Leitores puritanos de Austen podem torcer o nariz para essas releituras. Por um lado, concordo com o ponto de vista que ler Austen apenas para suspirar pelos cantos em razão do romantismo é desperdiçar a profundidade, a elegância, o rico comentário social, a genialidade imbuída em cada uma dessas narrativas. Por outro, não existem leituras erradas e ninguém tem de se meter e julgar o que as pessoas querem ler. E às vezes, de verdade, o que precisamos é de uma dose de açúcar direto na veia.

Grange responde a essa necessidade. Ela não tem aqui nenhuma pretensão mais ambiciosa que brindar o leitor com uma narrativa leve, divertida, apaixonante. Você não precisa mergulhar de cabeça no contexto histórico-social-político-e-o-que-mais-vier-pela-frente para desfrutar dessas leituras. Livros podem ser um refúgio, um lugar de conforto, um escape da realidade. Considerando o que temos acompanhado nas notícias nos últimos tempos, escapar para Pemberley me parece bem oportuno.

Termino hoje lembrando que, num dos ensaios de seu Sobre Histórias, C. S. Lewis parafraseia Tolkien para dizer que as pessoas mais preocupadas com a ideia de fuga, e mais hostis a ela, são os carcereiros. Então lembrem-se disso quando alguém disser que seu gosto literário é um escape da realidade. E leia o que te der na telha.

Série Jane Austen Heroes, por Amanda Grange
Mr. Knightley’s Diary
Captain Wentworth’s Diary
Edmund Bertram’s Diary
Colonel Brandon’s Diary
Henry Tilney’s Diary

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Trilogia Fitzwilliam Darcy, Gentleman, por Pamela Aidan
An Assembly Such as This
Duty and Desire
These Three Remain

Duologia Frederick Wentworth, Captain, por Susan Kaye
None But You
For You Alone

Live 20 – O Mistério dos Diários Varonis

Nossa próxima live, dia 13 de maio às 20:00, será com a Luciana Darce! As lives acontecem sempre no nosso perfil @janeaustenbrasil no Instagram. Luciana fará um passeio pelos diários dos personagens masculinos de Jane Austen! Inclusive, a Luciana já fez resenhas desses livros aqui no blog, confira!

Luciana Darce é autora do blog Coruja em Teto de Zinco Quente, leitora desde que se entende por gente, gosta de fazer conexões inusitadas entre seus assuntos literários favoritos e caçar referências obscuras por aí. Mantém o blog Coruja em Teto de Zinco Quente desde 2009 e é mediadora do Clube do Livro de Bolso, que discute clássicos de vários gêneros (tendo nascido para falar de Austen) desde 2010.

Projeto de Leitura Coletiva no Espírito Santo

A Elizabete Finco me enviou um e-mail informando sobre um projeto que estão realizando no Espírito Santo: Projeto Leitura Coletiva! O objetivo do grupo é  incentivar leitura entre os capixabas.

reading

SEGUE RELATO DA ELIZABETE:

através do blog clube do farol (www.clubedofarol.com) e do projeto amigo livro es (https://www.facebook.com/amigolivroes/), elaboramos o projeto de um encontro presencial temático de: romances histórico, época e contemporâneo. como a editora pedrazul é capixaba e nos enviou alguns livros para o evento, achamos por bem fazer uma leitura coletiva. como um dos livros enviados foi o “o diário de mr. darcy”, eu através do meu blog clube do farol comecei o projeto dessa leitura incluindo orgulho e preconceito e após essa o diário. segue em anexo o cronograma o projeto e algumas informações.

Abaixo SEGUE O ANÚNCIO E DETALHES DO PROJETO:

orgulho e preconceito tem inspirado um grande número de sequências nos dias de hoje, mas o diário de mr. darcy é a mais bem-sucedida das que incidem sobre o rico e orgulhoso cavalheiro. então, como faremos um chá literário em maio o clube do farol, em parceria com o amigo livro, traz a vocês o projeto de leituras coletivas!
serão dois livros onde entraremos no mundo de jane austen começando com uma releitura de seu clássico personagem e continuando com a obra da própria austen.
o projeto “chá literário” está sendo planejado com muito amor e carinho, para todos os tipos de leitores e/ou apreciadores das obras de jane austen, sejam os iniciantes ou os veteranos. será ótimo contar com a companhia de todos nos próximos dois meses!
organização:

blog: clube do farol
redes sociais:

https://www.facebook.com/clubedofarol

https://www.instagram.com/clubedofarol/

hashtags #chaliterario #somostodospedrazul #mrdarcy #janeausten #clubedofarol

CRONOGRAMA PREVISTO:

LEITURA DE “ORGULHO E PRECONCEITO”

 sinopse: orgulho e preconceito é uma comédia de costumes em que jane austen mostra os perigos do julgamento à primeira vista e evoca as amizades, fofocas e vaidades da classe média provinciana.

19/03 a 24/03 – leitura do capítulo 1 ao capítulo 12
25/03 – primeiro debate
26/03 a 31/03 – leitura do capitulo 13 ao capítulo 25 01/04 – segundo debate
02/04 a 07/04 – leitura do capítulo 26 ao capítulo 38
08/04 – terceiro debate 09/04 a 14/04 – leitura do capítulo 39 ao capítulo 51 15/04 – quarto debate
16/04 a 21/04 – leitura do capítulo 52 ao capítulo 61
22/04 – debate de encerramento

LEITURA DE “O DIÁRIO DE MR. DARCY”

sinopse: o único lugar em que mr. darcy poderia compartilhar seus sentimentos mais íntimos era nas páginas do seu diário. o diário de mr. darcy, portanto, apresenta a história do improvável namoro entre elizabeth bennet e fitzwilliam darcy do ponto de vista dele. esta graciosa continuação de orgulho e preconceito, de jane austen, enfoca os conflitos do cavalheiro e as dificuldades do seu relutante relacionamento, da rejeição inicial à luta desesperada para conquistar o coração de elizabeth.
primeiro debate

23/04 a 28/04 – leitura do capítulo i ao capítulo v
29/04 – primeiro debate
30/04 a 05/05 – leitura do capítulo vi ao capítulo xiii
06/05 – segundo debate
07/05 a 11/05 – leitura do capítulo xiv ao capítulo xviii
encerramento
12/05 – encerramento no amigo livro

Mr. Darcy’s diary (Amanda Grange)


Natallie Chagas nos apresenta uma resenha do livro Mr. Darcy’s Diary. Thanks Girl!

Título: Mr. Darcy’s diary
Autora: Amanda Grange
Editora Sourcebooks, 320p.

Darcy consegue impedir sua irmã Georgiana de fugir com Mr. Wickham. Após esse infeliz acontecimento, ele parte para Netherfield com o amigo Mr. Bingley. No baile de Meryton, ele conhece a família Bennet. Sem demonstrar interesse por Elizabeth Bennet, ele passa a admirar a moça quando eles convivem brevemente em Netherfield, por ocasião da doença de Jane Bennet. Após um breve período de tempo, em que Mr. Darcy não consegue esquecer os belos olhos de Elizabeth, eles se encontram em Rosings e Darcy faz o desastroso pedido de casamento. Aturdido com a recusa da moça, ele passa a reconsiderar seus valores e sonha em ter Elizabeth como esposa, mesmo que ele considere isso impossível. Até sua querida tia Lady Catherine de Bourgh se intrometer. Finalmente, Darcy e Lizzie se casam e partem para Pemberley.

The Mr. Darcy’s diary. Quando li o título desse livro, minha curiosidade foi ao auge. O que poderia ser mais interessante do que tudo que li em Orgulho e Preconceito do ponto de vista de Mr. Darcy????? Adorei o livro inteiro.
A convivência dos dois, como tudo o mais, é retratado fielmente por Darcy em seu diário. É muito bom poder ver mais do estilo de escrita dele em suas cartas, principalmente NA carta. Ah, a carta… Os autores de sequels se preocupam bastante com a redação da carta que ele escreve para Elizabeth justificando suas atitudes. Ao mesmo tempo em que ele escreve, o leitor percebe a agonia de Darcy durante a escrita de cada parte. E o fato do livro ser um diário só tornou essa parte mais interessante, porque em outras sequels, nós vemos indiretamente seu tormento. Sempre achei que nessa carta ele abria seu coração como se estivesse escrevendo algo que só ele fosse ler (como um diário). Então, o livro expressa seus pensamentos e a carta se torna uma extensão dele (do diário).
Outro fato que gostei bastante foi o Coronel Fitzwilliam abrindo seus olhos logo no dia seguinte ao pedido, fazendo Darcy pensar no modo totalmente errado que fez sua proposta, o que abre outra brecha. Nunca pensei, lendo O&P, que o Coronel soubesse do acontecimento em Rosings. Mas Amanda Grange consegui me fazer pensar que isso ocorreria, dado o testemunho que o coronel pode dar acerca do que Darcy escreveu na carta.
Outro fato que recomenda muito esse livro: Anne, prima de Darcy e sua “prometida”, finalmente toma uma atitude frente às imposições da mãe. Lady Catherine simplesmente tem que aceitar que sua filha, longe de ser uma jovem doente, também ama e tem vontade própria. O desfecho para ela e para o Coronel Fitzwilliam não foi o que eu imaginava, mas mesmo assim adorei.
De modo geral, esse livro é muito recomendado. Poder conhecer os mais íntimos pensamentos de Darcy e seus sentimentos em relação aos seus amigos, sua família e principalmente a Elizabeth Bennet me fizeram amá-lo cada vez mais. E consolidou sua posição em primeiro lugar na minha lista de heróis austenianos (e literários).

Title: Mr. Darcy’s diary
Author:
Amanda Grange
Sourcebooks, 320p.

Darcy manages to prevent his sister Georgiana to get away with Mr.Wickham. After this unfortunate event, he goes to Netherfield with his friend Mr. Bingley. In Meryton ball, he knows the Bennet family. Showing no interest in Elizabeth Bennet, he begins to admire the girl when they live briefly in Netherfield, when Jane Bennet’s gets sick. After a brief period of time, in which Mr. Darcy can not forget the beautiful eyes of Elizabeth, they are at Rosings and Darcy makes a disastrous marriage proposal. Stunned by the refusal of the girl, he begins to reconsider their values and dreams of having Elizabeth as his wife, even though he considers it impossible. Until his beloved aunt Lady Catherine de Bourgh to intrude. Finally, Darcy and Lizzie get married and leave for Pemberley.


The Mr. Darcy’s Diary. When I read the title of this book, my curiosity was at its height. What could be more interesting than anything I’ve seen in Pride and Prejudice from the perspective of Mr. Darcy??? I loved the whole book.

The coexistence of the two, like everything else, is faithfully portrayed by Darcy in his diary. It’s great to see more of his writing style in his letters, especially in THAT letter. Ah, the letter … The authors of sequels are concerned enough with the wording of the letter he wrote to Elizabeth justifying their actions. While she writes, the reader realizes the agony of Darcy during the writing of each party. And the fact that the book is a diary only made this most interesting, because in other sequels, indirectly we see his torment. I always thought that in this letter he opened his heart as if he were writing something that only he were to read (like a diary). So, the book expresses his thoughts and the letter becomes an extension of it (the diary).

Another fact that I really liked was Colonel Fitzwilliam opening Darcy’s eyes the next day to the request, making Darcy think about the totally wrong way he made his proposal, which opens another loophole. I never thought, reading P&P, that Colonel knew of the event in Rosings. But Amanda Grange managed to make me think that this would happen, given the testimony that the colonel can give about what Darcy wrote in the letter.
Another factor that strongly recommends this book: Anne, Darcy’s “promised” cousin, finally takes a stand against the impositions of her mother. Lady Catherine simply have to accept that her daughter, far from being a ill young lady, also loves and willingly. The outcome for her and Colonel Fitzwilliam was not what I expected, but still loved it.
Overall, this book is highly recommended. Get to know the most inner thoughts of Darcy and his feelings toward his friends, his family and especially Elizabeth Bennet made me love him even more. It consolidated its first position on my list of Jane Austen’s (and literary) heroes.

Captain Wentworth’s diary (Amanda Grange)

Olá todo mundo! Meu nome é Natallie Chagas. Paraense, leitora inveterada, dona do blog Meu Cantinho Literário, leio de tudo um pouco. Apaixonada por Jane Austen faz algum tempo, tento transmitir essa paixão pela autora Pará afora. Como minha primeira contribuição ao blog, escolhi a resenha do livro Captain Wentworth’s diary. O motivo? Bom, leiam e vocês vão saber 🙂

Título: Captain Wentworth’s diary
Autora: Amanda Grange
Editora Berkeley Trade, 304p.

Anne, always Anne. 

 O jovem Frederick Wentworth conhece Anne Elliot em uma pequena reunião. Ele primeiro pensa que ela é dama de companhia de Elizabeth Elliot, mas logo descobre seu engano. Primeiro com a intenção de flertar com Anne (sem dúvida, penalizado com a situação da moça desconsiderada pelo pai e pela irmã), mas o jeito delicado de Anne o encanta. Encontros casuais fazem com que a afeição por ela cresça a cada dia. Nesse meio tempo, Lady Russel começa a perceber a (e desgostar da) atenção que Wentworth dá a Anne sempre que eles estão no mesmo local. Mesmo ciente desse fato, o então comandante resolve não desistir de Anne. Então, ele a pede em casamento. Anne aceita e seu pai consente (em termos não muitos amigáveis). A felicidade é enorme, até a moça cancelar tudo. Graças à Lady Russel. Wentworth a confronta, mesmo magoado. Ele parte. 
Anos depois, agora já capitão, Wentworth recebe um convite da irmã para se hospedar na casa dela, antiga propriedade de Sir Elliot. Suas lembranças afloram, e mesmo tentando parecer indiferente ao destino de Anne, ele não consegue segurar sua curiosidade. Ele fica feliz ao descobrir quem realmente é Mrs. Musgrove. Finalmente, eles se encontram novamente, mas tudo que Wentworth pode sentir é desgosto, pois Anne não demonstra mais ter todo o brilho que um dia ele conheceu. Vendo a constante desatenção sofrida pela moça, ele tem vontade de defendê-la. Mesmo conversando com outros e sendo requisitado por todos, sua atenção permanece com Anne. Wentworth começa a perceber que continua dedicando a moça os mesmos sentimentos de antes. Mais do que isso, seus sentimentos agora também são contraditórios: raiva, frustração, esperança. E ciúmes, muito ciúmes. Até finalmente perceber que Anne nunca saiu de sua cabeça e que ele continua querendo-a como esposa. 

Me surpreendi quando ele primeiramente pensou em Anne como um simples flerte. Mesmo que ele estivesse penalizado pela pouca consideração que o pai e a irmã tinham dela, fiquei com raiva porque isso não parecia um bom motivo para flertar (ato que eu considero, ao ler as novelas de Austen, como um homem querendo se divertir à custa dos sentimentos de uma jovem) e acabei me lembrando de Wickham e Willoughby. 
Outra coisa que me irritou terrivelmente foi Lady Russel. Mesmo que suas intenções tenham sido as melhores, já que Anne era muito jovem, não consigo deixar de pensar nos motivos que a levaram a aconselhar Anne a não se casar. No confronto que se segue, adoro a menção à inconstância de sentimentos femininos e masculinos, discussão em Persuasão que eu me derreto todas as vezes que leio. Outro ponto alto: Wentworth estava desesperançado com a inconstância de Anne e queria se apaixonar por uma jovem determinada. Achando que fosse encontrar isso em Louisa Musgrove, mais tarde percebe que uma determinação incansável pode não ser, afinal de contas, uma grande qualidade. Como se não precisasse de mais nada para ele direcionar seu pensamento para Anne. Também gostei de Amanda ter mantido Wentworth como o homem determinado e com os sentimentos intensos (os quais só temos real consciência na carta) que Jane Austen nos presenteia. Um livro muito bom, uma leitura maravilhosa. Muito recomendado.