Captain Wentworth’s diary (Amanda Grange)

Olá todo mundo! Meu nome é Natallie Chagas. Paraense, leitora inveterada, dona do blog Meu Cantinho Literário, leio de tudo um pouco. Apaixonada por Jane Austen faz algum tempo, tento transmitir essa paixão pela autora Pará afora. Como minha primeira contribuição ao blog, escolhi a resenha do livro Captain Wentworth’s diary. O motivo? Bom, leiam e vocês vão saber 🙂

Título: Captain Wentworth’s diary
Autora: Amanda Grange
Editora Berkeley Trade, 304p.

Anne, always Anne. 

 O jovem Frederick Wentworth conhece Anne Elliot em uma pequena reunião. Ele primeiro pensa que ela é dama de companhia de Elizabeth Elliot, mas logo descobre seu engano. Primeiro com a intenção de flertar com Anne (sem dúvida, penalizado com a situação da moça desconsiderada pelo pai e pela irmã), mas o jeito delicado de Anne o encanta. Encontros casuais fazem com que a afeição por ela cresça a cada dia. Nesse meio tempo, Lady Russel começa a perceber a (e desgostar da) atenção que Wentworth dá a Anne sempre que eles estão no mesmo local. Mesmo ciente desse fato, o então comandante resolve não desistir de Anne. Então, ele a pede em casamento. Anne aceita e seu pai consente (em termos não muitos amigáveis). A felicidade é enorme, até a moça cancelar tudo. Graças à Lady Russel. Wentworth a confronta, mesmo magoado. Ele parte. 
Anos depois, agora já capitão, Wentworth recebe um convite da irmã para se hospedar na casa dela, antiga propriedade de Sir Elliot. Suas lembranças afloram, e mesmo tentando parecer indiferente ao destino de Anne, ele não consegue segurar sua curiosidade. Ele fica feliz ao descobrir quem realmente é Mrs. Musgrove. Finalmente, eles se encontram novamente, mas tudo que Wentworth pode sentir é desgosto, pois Anne não demonstra mais ter todo o brilho que um dia ele conheceu. Vendo a constante desatenção sofrida pela moça, ele tem vontade de defendê-la. Mesmo conversando com outros e sendo requisitado por todos, sua atenção permanece com Anne. Wentworth começa a perceber que continua dedicando a moça os mesmos sentimentos de antes. Mais do que isso, seus sentimentos agora também são contraditórios: raiva, frustração, esperança. E ciúmes, muito ciúmes. Até finalmente perceber que Anne nunca saiu de sua cabeça e que ele continua querendo-a como esposa. 

Me surpreendi quando ele primeiramente pensou em Anne como um simples flerte. Mesmo que ele estivesse penalizado pela pouca consideração que o pai e a irmã tinham dela, fiquei com raiva porque isso não parecia um bom motivo para flertar (ato que eu considero, ao ler as novelas de Austen, como um homem querendo se divertir à custa dos sentimentos de uma jovem) e acabei me lembrando de Wickham e Willoughby. 
Outra coisa que me irritou terrivelmente foi Lady Russel. Mesmo que suas intenções tenham sido as melhores, já que Anne era muito jovem, não consigo deixar de pensar nos motivos que a levaram a aconselhar Anne a não se casar. No confronto que se segue, adoro a menção à inconstância de sentimentos femininos e masculinos, discussão em Persuasão que eu me derreto todas as vezes que leio. Outro ponto alto: Wentworth estava desesperançado com a inconstância de Anne e queria se apaixonar por uma jovem determinada. Achando que fosse encontrar isso em Louisa Musgrove, mais tarde percebe que uma determinação incansável pode não ser, afinal de contas, uma grande qualidade. Como se não precisasse de mais nada para ele direcionar seu pensamento para Anne. Também gostei de Amanda ter mantido Wentworth como o homem determinado e com os sentimentos intensos (os quais só temos real consciência na carta) que Jane Austen nos presenteia. Um livro muito bom, uma leitura maravilhosa. Muito recomendado.
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7 thoughts on “Captain Wentworth’s diary (Amanda Grange)

  1. Vânia 02/04/2012 / 4:03 PM

    Meu Deus! Que história intensa e delicada… Amei a sinopse e, apesar de ter certas ressalvas com relação a livros considerados continuações de clássicos, este entrou pra minha lista de livros a ler.
    Obrigadapor compartilhá-lo conosco.
    Bjão.

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  2. luciennemachado12 02/04/2012 / 4:33 PM

    Persuasão(?)…um livro que adoro exatamente pela intensidade das discussões ali presentes,essa quanto aos sentimentos, femininos e masculinos é boa demais!! Sem falar na maravilhosa, a”Carta”… 🙂 Muito bom o post Natallie! Obrigada pela dica!

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  3. Madalena 02/04/2012 / 4:55 PM

    Nós podemos ver como Jane Austen é atemporal. As atitudes de suas personagens podem acontecer nos dias de hoje. O fato de Wentworth flertar c/ Anne Elliot lembra muito o “ficar” da moçada hoje em dia. Ele quer se divertir c/ela mas não quer nada sério.É isso que eu gosto nos livros de Jane Austen, não parece que vc está lendo algo que foi escrito a 200 anos atras mas que ela pegou exemplos da nosssa sociedade moderna. Acho que está aí a receita do sucesso dos seus livros.Gostei muito da resenha. Ainda não li o livro só vi o filme do anos 90. Mas pretendo fazê-lo, com certeza

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  4. Adriana Zardini 02/04/2012 / 8:13 PM

    Meninas, após a resenha da Natallie deu mais vontade ainda de ler os livros da Amanda. Pena que os meus estão emprestados… Estão com a Luciana Darce! 😦

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  5. Marcia Belloube 02/04/2012 / 10:04 PM

    O que me fascinou em Persuasão foi, justamente, essa determinação do Wentworth… e suas intensas discussões…. Esse livro com certeza já está na minha lista…..
    Natallie adorei sua resenha….

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  6. Cláudia Cristino 03/04/2012 / 11:43 AM

    Já tem a versão traduzida?

    Excelente resenha. Fiquei emocionada, afinal é o meu livro preferido de Jane.
    Obrigada,Natallie!

    Bjox

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  7. Natallie 06/04/2012 / 12:51 PM

    Ai, Claúdia. Quem dera esse livro já tivesse sido publicado aqui no Brasil. Aliás, esses e os outros da Amanda Grange. Adoro esses diários e ando me coçando pra ler o do Coronel Brandon. Alguém pode imaginar seus pensamentos na primeira vez que viu Marianne, sua falta de esperança e desespero quando achava que ela ia casar com Willoughby???? Eu morro só de pensar nisso.
    Eu tenho ainda os diários de Wickham e Knightley pra ler, mas não sei se quero. Wickham por óbvias razões e Knightley não me chama tanta a atenção.
    Valeu pelos comentários, meninas 🙂

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