Bonequinhas da Austen

Após encontrar essa linda bonequinha da Austen no Flickr resolvi pesquisar mais sobre o assunto e descobri que algumas pessoas gastam em torno de 140 dólares no site da Whoopassenterprises para levar esta fofura para casa. Não encontrei nada sobre a Greenwood (fabricante da boneca – segunda figura abaixo). De todas as que já vi da Jane, essa é a mais lindinha (até mais que a minha action figure)!

Photo by Megan :

Eu já tinha visto outras por ai, mas esperei para juntá-las em um único post, pois na minha opinão as outras são um tanto sem graça (clique em cada figura para direcionar ao site):

*Images used with no copyright intetions.

No site acima também tem bonequinhos do Darcy, Lizzie e irmãs Bennet.

Lindas bibliotecas do mundo

Sabe aquele tipo de imagem que te transporta para um lugar mágico? Creio que as bibliotecas são assim! Eu encontrei no Curious Expeditions uma série de fotos de bibliotecas do mundo inteiro! Me deleitei com tantas imagens lindas de bibliotecas da Itália, Inglaterra, Portugal, Estados Unidos, entre tantas outras. Imagine quantas preciosidades escondidas entre as prateleiras? Todas as imagens do site são lindas e dignas de uma viagem imaginária por tantos corredores, prateleiras e livros maravilhosos.
Para quem quer conhecer mais existe para venda um livro chamado As mais lindas bibliotecas do mundo (figura abaixo):

Ao ver as fotos, como não poderia deixar de estar lá, deparei-me com a imagem da NYPL (New York Public Library). Logo me lembro da big apple, lugar onde fui muito feliz!! Morei em New York no primeiro semestre de 2001 , para fazer uma extensão universitária na CUNY – The City University of New York, e confesso que mesmo tendo vivido lá por tão pouco tempo, eu considero também meu lar! Nos filmes, reportagens que falam sobre Nova York, o coraçãozinho fica apertado de saudades.

Do alto do World Trade Center – junho de 2001

Voltando ao assunto da biblioteca de Nova York, apesar ter conhecido um pouco da obra da Jane Austen durante a minha graduação em Letras eu somente adquiri meus seus livros quando visitei a Biblioteca Pública de NY e visitei a lojinha que existe por lá. A biblioteca é maravilhosa e possui um acervo enorme, sem contar que a existem diversas delas espalhadas pela cidade.

Na lojinha da NYPL havia muitas coisas legais, o que me chamou atenção foi o preço dos livros em brochura (paperback) – entre 1,00 a 5,00 dólares. Logo pude encontrar três livros de Jane Austen: Emma, Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade. Infelizmente naquela época eu não disponia de tanto tempo livre para ler outros livros que não fossem os indicados pela universidade e quando visitava as bibliotecas meu foco eram os livros acadêmicos. Abaixo, a imagem dos livros e minha carteirinha da biblioteca (detalhe: nem deve mais poder ser usada).

Para matar as saudades de NY City, peguei uma a caixa de lembranças: cartões da cidade, revistas, cartões do metrô, tickets de museus, e a SACOLA da Biblioteca! Isso mesmo, a doidinha aqui acabou guardando a sacola da lojinha da biblioteca! 🙂

Aniversário de Orgulho e Preconceito

O livro mais famoso de Jane Austen faz 196 anos hoje! Em 28 de janeiro de 1813, Orgulho e Preconceito foi publicado pela primeira vez, sendo que os manuscritos foram escritos entre 1796 e 1797 com o título de First Impressions.

O livro recebeu críticas favorais logo no início de 1813 pela British Critic e Critical Review. Já em 1819 Henry Crabb Robinson disse: “… é um dos mais excelentes trabalhos de nossas romancistas” e Sir Walter Scott, descreveu o livro como “… um romance muito bem escrito de Jane Austen… Essa jovem moça teve o talento para descrever os sentimentos e personagens de uma vida comum, o que para mim foi o mais interessante que já encontrei”. Entretanto, Charlotte Brontë escreveu uma nota crítica para George Henry Lewes, onde a escritora (contemporânea de Austen) disse que o livro era uma decepção.

Primeira edição de Pride and Prejudice (1813)

Atualmente, o livro tem recebido críticas bastante positivas e novos leitores a cada dia. Em 2003, a BBC realizou uma pesquisa chamada “UK’s Best-Loved Book” (O livro mais amado do Reino Unido) onde Orgulho e Preconceito ficou em segundo lugar, atrás de Senhor dos Anéis. E em 2008 em uma pesquisa com mais de 15 mil leitores australianos, Orgulho e Preconceito ficou em primeiro lugar na lista dos 101 melhores livros já escritos.

Fonte: Wikipedia

As edições abaixo estão sendo vendidas no Jane Austen Centre pela bagatela de 425 a 625 Libras, pois trata-se de edições publicadas no final do século XIX.


No Brasil, você pode comprar edições em inglês do século XIX, inclusive com as ilustrações de Hugh Tomson com preços entre 10,90 a 27,90 reais. No entanto, é preciso fazer uma reserva dos livros, pois devido à crise econômica muitas livrarias estão preferindo importar os livros somente por reserva.

Jane Austen no Rio de Janeiro

É claro que se trata de uma brincadeira, mas dá para imaginar uma dama como Austen visitando o Rio do século XIX?

Jane Austen na Confeitaria Colombo

Como eu não viajei nestas férias por causa do término do mestrado, e fiquei a ver navios … Publico aqui as fotos do último Orkontro que fui no Rio de Janeiro, em novembro do ano passado, para matar as saudades!
A imagem à esquerda, uma montagem de Austen em frente à Praia de Ipanema.
Aqui ao lado direito, uma montagem de Austen posando em frente à um anúncio no Hotel no Arpoador.
Na foto ao lado, Jane fazendo pose no Forte de Copacabana e muito espantada com as conversas na mesa, imagine você a situação: um bando de mulheres se reunem em nome de Jane Austen, Colin Firth, Richard Armitage, Matthew Mcfadyen! Resultado: conversas e altas gargalhadas!
Essas fotos fazem parte de meu álbum virtual no Flickr e também faz parte de uma comunidade também no mesmo site: Jane Austen in Your Narrative World, onde os fãs de Austen tiram fotos com a bonequinha nos lugares mais inusitados. Eu vi algumas pessoas do exterior postarem lá, mas sou ainda a única brasileira.
Por favor meninas que possuem a Action Figure de Austen aqui vai me apelo: mostre um pouco do Brasil ao lado de Jane!! 🙂

Você conhece o Kindle?

O Kindle ou Amazon Kindle é um leitor de e-books, foi lançado em novembro de 2007 nos Estados Unidos pela Amazon.com. O Kindle, ainda sem nome aqui no Brasil, pode ser chamado de um leitor de textos digitais e se assemelha ao formato de um livro, pois seu display (tela) é similar à página de um livro. A proposta é diminuir os preços dos livros, oferecendo um download no próprio site da amazon, pois o cliente paga pelo download e imediatamente pode ler os livros, evitando assim as despesas de entrega e principalmente do corte de árvores. Outro ponto positivo é que o cliente também pode comprar e baixar revistas, jornais e ler outras midias digitais – blogs, sites, etc. O chato da notícia é que o kindle não é para qualquer um: 359,00 dólares no site. Veja aqui alguns vídeos sobre o produto.

A amazon oferece a obra completa de Jane Austen (8 volumes) por menos de 1 dólar: Love and Friendship, Lady Susan, Northanger Abbey, Sense and Sensibility, Pride and Prejudice, Mansfield Park, Emma, and Persuasion.

O site oferece mais de 207 mil itens relacionados ao kindle, desde estojos, capas, revistas, jornais e é claro: livros (dos clássicos até os atuais).

Curiosamente a amazon oferece os dois modelos de estojo abaixo com o nome de Jane Austen.

A figura da esquerda em batik azul e a da direita com sapinhos (o que será que deu na pessoa ao associar sapinhos com Jane)!! Confesso que gostei mais de um modelo em couro vermelho. E também da opção de adesivo de florzinhas rosas para proteger o kindle. 🙂

Vamos às compras?

PARTE 1

Conforme o prometido, aqui vão algumas informações sobre como adquirir o livro da Genilda Azerêdo: ‘Jane Austen, Adaptação e Ironia: uma introdução’. Segundo a autora, o livro está disponível para venda na Casa do Livro (Editora UFPB) no Campus da Universidade em João Pessoa. Contato somente por telefone ou e-mail: (83) 3216 7327 – livrariacasadolivro@gmail.com

Eu tenho uma amiga que mora em Jampa (como é chamada pelos nativos) e ela também é fã de Austen e correu lá para comprar seu exemplar. Segundo Lilia, o livro custa R$ 12,00 e só havia mais 3 exemplares na prateleira. Se por acaso vocês tiverem dificuldades para comprar me avisem pois a Lilia se prontificou a comprar e enviar pelos correios caso a livraria da universidade não ofereça este serviço.

PARTE 2

A Livraria da Travessa (já mencionada no post: Livros da Jane à preço de banana) possui um bom acervo das obras de Jane! Há duas semanas eu encontrei este livro (já visto na Amazon.com) por apenas R$ 16,49!! Trata-se de um livro de bonecos de papel publicado em 1997. Eu realizei a compra, entretando recebi a cópia que veio faltando justamente os bonecos, as roupinhas estavam todas lá. Estou aguardando o envio do novo livro completo. Gostaria de acrescentar que a representante da Livraria me atendeu muito bem, tanto por e-mail quanto por telefone. Quando eu receber publico aqui! Veje bem, a promoção parece ter encerrado pois no site da livraria está por R$ 23,90 e o prazo de entrega de 50 dias, já que alguns exemplares com defeito tiveram que ser recolhidos. Mas é bom enviar uma pergunta ao depto. de vendas se a espera é 50 dias mesmo, pois quando comprei os livros da Editora Wordsworth, no site estava com um prazo de 50 dias sendo que eu os encontrei na loja!

PARTE 3

Eu recebi há alguns dias um e-mail da Becca do Jane Austen Centre na cidade de Bath/UK com diversas promoções em sua lojinha virtual, veja abaixo algumas sugestões. Vale à pena lembrar que a libra está por cerca de R$ 3,44.

O que me chamou a atenção nos lencinhos foi que os bordados começam com as minhas iniciais, custam 3,99 libras.

Caderneta de anotações, tamanho A6 – está na promoção por 1,99 Libra.

Para você personalisar os seus livros com esta folha de rosto, o pacote vem com 20 folhas no tamanho 7.5 x 8cm, e custa 2,99 libras.

Cartões postais diversos 0,99.

Papel de parede de Heather Laurence

First of all, I would like to thank Heather for the afternoon chat on internet and to use her plate and images here! Thanks dear!!

***

Hoje tive a felicidade de conhecer on-line a Heather M. Laurence que me permitiu reproduzir aqui no blog sua idade de papel de parede para computadores.

Segue abaixo as informações traduzidas a partir do blog de Heather (GimletBlog):
Ackermann’s Repository of Arts, Literature, Fashions, Manufactures, &c. foi uma das mais requintadas publicações mensais disponíveis durante o período compreendido entre a era Georgiana e Regência. Publicada por Rudolph Ackermann em Londres entre 1809 e 1829, cada publicação mensal compreendia duas fashion plates (imagens em papel especial) além de outras ilustrações e artigos sobre tópicos variados. Algumas edições incluíram moldes de bordado e amostras de tecido, os quais serviram de inspiração na criacão de roupas da época da Regência e o estilo de vida vistos nas adaptações para o cinema e tv dos livros de Austen. Essas delicadas aquarelas e adoráveis vestimentas continuam a inspirar e deleitar todos nós hoje em dia!
Para comemorar 0s 200 anos do Ackermann’s Repository, o website Solitary Elegance disponibilizará um novo papel de parede para computadores todos os meses de 2009: contendo as ilustrações de 1809 e uma citação das cartas de Jane Austen. Divirta-se!!

Mês de Janeiro

Vamos começar o ano como muitos homens e mulheres elegantes faziam: passando a temporada de inverno (hemisfério norte) participando de uma atividade animada ou alguma diversão na cidade, quer seja em Londres, Bath ou outro lugar da moda. Com o calendário completamente lotado de concertos, teatro, bailes e outras conexões sociais, uma vestimenta apropriada e na moda era essencial.
Na figura acima, à esquerda a imagem de uma vestido para noite – primeira publicação de moda feita pelo Ackermann’s Repository em janeiro de 1809. A imagem à direita é também de um vestido para noite de janeiro de 1815.
Conheça um pouco mais sobre Heather M. Laurence:

Através de contato por e-mail e g-talk pude conhecer um pouco mais de Heather. Como descrevo abaixo:

Heather morea em Seattle nos Estados Unidos, com sua família (marido, dois filohos e dois gatinhos). Além de possuir o seu próprio website sobre Jane Austen, Heather também faz parte do AustenBlog. Você poderá ler em um post antigo de seu blog como Heather começou a blogar: aqui.

Bem, Heather me contou que em 2005 começou o website meio que por acidente: ela possuía uma coleção dos livros de Jane Austen ilustrados por C.E. Brock (lindas aquarelas) e no Fórum Pemberly (fórum de discussões), descobriu que sua coleção de livros contêm a coleção completa de ilustrações de Brock. Nem todas os livros publicados com as ilustrações de Brock possuem a coleção completa. Em seguida, Heather tirou algumas fotos das ilustrações para que os outros membros do fórum pudessem vê-las e depois colocou-as em uma página pessoal na internet. As ilustrações receberam várias visitas e após um ano Heather criou o Solitary Elegance. Nessa época, começou a produção de Northanger Abbey (2006-2007) e uma pequena página que Heather criou sobre as adaptações de Northanger Abbey começou também a receber muitas visitas também. De modo que até o primeiro semestre de 2008, Heather publicou sobre as novidades da filmagem.

Durante o tempo de filmagem de Northagner Abbey e a transmissão em todo o mundo, a página sobre as adaptações cresceram a cada dia. No entanto, as galeria do site contendo as ilustrações de Brock também são muito populares, sendo que Heather as considera o principal foco do Solitary Elegance.

Em 2009, Heather decidiu comemorar o aniversário de 200 anos do Ackermann’s Repository adicionando à galeria as imagens cotendo citações de Austen. Os papéis de parede apresentarão os anos de 1809 a 1816, de modo que será possível ver os vestidos ou tipos de vestidos que Jane Austen pode ter visto ou até inspirado seus vestidos!

Ilustrações de Charles Edmund (“C.E.”) Brock

Com certeza as aquarelas merecem vários posts aqui no Jane Austen Club e por isso preferi fazer separadamente. Se a curiosidade for grande, 🙂 visite o site de Heather clicando na figura abaixo:

Confissões de uma adolescente

Corrigindo… à pedido de Irena, segue abaixo dois links para contato com ela:
Que Jane Austen conquista todos que a lêem isso não temos dúvida, não é verdade?
Há alguns dias eu conheci a jovem Irena Freitas na internet e por compartilharmos o mesmo gosto por Austen, acabamos ficando amigas! Para minha surpresa, Irena desenha Austen em seu moleskine ou onde mais lhe der na cabeça! Eu conheci os desenhos de Irena no Flickr e resolvi publicar no blog a arte de uma jovem que também é apaixonada por Jane Austen! Irena gentilmente concedeu a entrevista abaixo e o direito de usar suas imagens aqui no blog. Detalhes sobre os desenhos abaixo. Nesta pequena entrevista, Irena demonstrou ser uma jovem muito esclarecida e apaixonada pelo que faz!
Perfil:
Irena Freitas tem 17 anos, mora em Manaus/AM e pretende cursar jornalismo na UFAM.

Jane Austen tomando chá com Napoleão. Esta ilustração originalmente foi desenhada em papel e depois transferida para o computador onde Irena pintou.

Perguntas:

Como conheceu Jane Austen?

Na verdade é uma história meio longa. Eu já tinha ouvido falar nela e nas suas principais obras, e até já tinha assistido uns filmes baseados nos livros (mesmo que meio que sem saber). Mas só foi no início de 2006, quando assisti a última versão para o cinema de “Orgulho & Preconceito” que realmente tive vontade de ler um livro dela. Li e gostei, porém foi só isso. No final do mesmo ano lembro que a minha professora de Inglês na época pediu para que nós escolhêssemos alguma pessoa influente de alguma forma na língua inglesa para nós fazermos uma pequena apresentação oral sobre ela. Desse modo, escolhi a Jane Austen, sem nenhum motivo aparente. Mas então quando fui fazer uma pesquisa sobre a vida e obras de Jane Austen algo que me chamou a atenção: ela tinha mania de escrever atrás de uma porta que rangia e não deixava ninguém vê-la escrevendo os livros. E eu simplesmente achei aquela a coisa mais engraçada do mundo, porque sempre julguei que eu era única pessoa do universo que tinha aquela mania. Depois daquilo eu meio que quis saber tudo sobre Jane Austen, e minha “pequena apresentação” para aula de Inglês durou duas horas e meia e deixei todo mundo da sala com vontade de ler Jane Austen também.


Já leu os livros dela? Quais?
Já li todos os livros, inclusive os trabalhos menores, tanto em português quanto em inglês. Devo ter mil cópias diferentes de cada livro espalhado pelo meu quarto! 🙂

Qual (is) o(s) seu(s) favorito(s)?
Nem sei dizer! Gosto de vários de maneira diferente, mas acho que meus favoritos são “Emma”, “Orgulho & Preconceito” e “Persuasão”.

Qual foi o motivo que te levou a desenhar Jane? Você se inspirou em quem/imagem?
Eu tenho essa tendência de desenhar pessoas célebres que já morreram, J! Mas acho que o que me levou a desenhar a Jane foi o fato de toda hora eu mentalmente me imaginar tendo altas conversas com ela ou coisas do tipo (meio obsessivo, eu sei).
Você já fez curso na área de desenho?
Uma vez, aos nove anos, eu tentei. Mas a aula me encheu o saco logo no primeiro mês. Nunca consegui criar disciplina para essas coisas.

O que você diria para os jovens da sua idade que ainda não conhecem a obra de Jane?
Eu acho que as pessoas deveriam para de encarar Jane Austen só como algum tipo de clássico da literatura inglesa. Porque, apesar de todos os seus livros se passarem no século XIX, os temas que eles abordam e, principalmente, a forma que ela aborda esses temas é muito atual, mesmo que isso seja algo meio piegas a se dizer. Se tirarmos todo essa tecnologia a verdade é que do século XIX pra esse novo milênio pouquíssima coisa mudou quando se trata de relacionamentos, e sobre isso Jane Austen soube falar melhor do que ninguém. Não é pra menos que suas obras ainda sejam tão populares atualmente.
* Detalhes sobre as figuras:
Figura 1 (Jane deitada), desenho feito no journal de Irena.
Figura 2 (Jane e um coração), este desenho foi feito sobre uma cópia xérox do livro Orgulho e Preconceito.
Figura 3 (Jane em preto e branco), desenho feito no moleskine.
Figura 4 (Jane em moldura oval), outro desenho feito no moleskine de Irena.

Hollywood sem beijo

Por Genilda Azerêdo*

Orgulho e Preconceito – Hollywood sem beijo**

Sempre que uma nova adaptação de Jane Austen aparece – e esta é a oitava de 1995 para cá – somos induzidos a (mais uma vez) questionar o que há em seus romances, publicados entre 1811 e 1817, que ainda pode atrair a atenção do espectador do século XXI. No caso desta mais recente adaptação, Orgulho e Preconceito, baseada no romance homônimo, a expectativa talvez ainda tenha sido maior, uma vez que se trata do romance mais lido e amado da autora.A própria Jane Austen referiu-se a Elizabeth Bennet, a protagonista do romance, como “uma criatura adorável, como jamais aparecera na literatura (…)”. E confessou: “Não sei como serei capaz de tolerar aqueles que não gostem dela”. De fato, Elizabeth é a mais famosa das protagonistas de Austen, uma personagem que combina inteligência e senso de humor, sensibilidade, vivacidade e rebeldia. Como se sabe, todas as narrativas de Austen constituem pretextos para que suas protagonistas amadureçam emocionalmente, passem de um estado de ignorância a um estado de consciência e conhecimento. No caso de Orgulho e Preconceito, no entanto, tem-se, de início, a impressão (o que não se concretiza), que Lizzy já é madura o suficiente, tornando tal processo esvaziado de função. De modo geral, é o personagem masculino central aquele que contribui para este crescimento emocional e afetivo da heroína. Porém, neste romance, é interessante ver como o processo de conscientização e amadurecimento se dá de forma dupla: ambos Lizzy e Darcy não só vivenciam um processo de aprendizagem, mas gradualmente ensinam um ao outro. Talvez este aspecto seja responsável por fazer deste o mais famoso par amoroso de Austen. E não fosse por outros aspectos do romance, que faz um registro dos costumes e valores da sociedade pré-vitoriana, e uma crítica social contundente à dependência que aquela mulher tinha do casamento, como único meio de sobrevivência (material e emocional), bem como aos efeitos decorrentes dos conflitos entre classes sociais, da hipocrisia e da aparência, só a história de Lizzy e Darcy já justificaria uma adaptação.O título do romance já se oferece como primeira possibilidade de compreensão da narrativa: se Darcy é imediatamente considerado por todos como orgulhoso e arrogante, Lizzy (embora se considere lúcida) não se contém em seus pré-julgamentos em relação a ele. Mas a associação não se dá deste modo único: Lizzy também tem seu orgulho abalado (lembremo-nos de uma fala sua, quando diz, “eu poderia até perdoar sua vaidade, se ele não tivesse ferido a minha”); por outro lado, o pré-conceito inicial que Darcy tem em relação à família de Lizzy vai aos poucos se materializando, de modo que o “orgulho” e o “preconceito” do título não ocupam posições estáveis, mas ambíguas. Na verdade, estabilidade é uma palavra que não combina com Jane Austen. Embora suas narrativas sejam “limitadas” a um universo principalmente feminino e doméstico, e suas temáticas focalizem a importância do casamento como único meio de sobrevivência e estabilidade para a mulher, a questão é tratada de forma tensa, a ponto de fazer com que Lizzy recuse a proposta de casamento de Mr. Collins e a primeira proposta de Darcy, algo até certo ponto inconcebível, quando pensamos na realidade de penúria que a espera. Ou seja, ao mesmo tempo em que a narrativa revela a centralidade do casamento e a importância de uma vida familiar estável naquele tipo de sociedade, ela também mostra representações variadas de casamento, além de sugerir que algo maior – além da conveniência e sobrevivência material – deve fundamentar a escolha e a decisão, ao menos, dos pares centrais.Orgulho e Preconceito já foi adaptado anteriormente, inclusive mais de uma vez. Como filme, há uma versão de 1940. Como série da BBC/A&E, foi adaptado em 1979 e em 1995 (esta, embora série, foi filmada em película). Esta mais recente adaptação (2005; dir. Joe Wright, com roteiro de Deborah Moggach) traz uma diferença bastante significativa em relação às outras adaptações de Austen: uma ênfase maior na visualidade do meio rural (animais e trabalhadores rurais são mostrados), com o propósito de não apenas situar a história no countryside inglês pré-industrial, mas de indiciar esse meio como contexto comercial e econômico daquele grupo social.No início do filme, acompanhamos Elizabeth (que caminha com um livro na mão) pelos arredores da casa, e depois pelo seu interior. À medida que nos familiarizamos com sua casa e sua família, já nos damos conta da cumplicidade existente entre ela e Jane, de um lado, e entre ela e o pai, de outro. Esta cumplicidade é relevante para traçar limites entre duas formas de se relacionar com o mundo: uma altamente pragmática, que visa uma sobrevivência imediata (representada principalmente pela mãe e pelas filhas mais novas); outra mais racional e equilibrada, porque também fundamentada na sensibilidade.A cumplicidade entre essas duas irmãs mais velhas será dramatizada no decorrer do filme, como, por exemplo, numa cena no quarto, mais especificamente na cama, antes de dormirem, em que apenas seus rostos ficam à mostra, e elas conversam como confidentes e grandes companheiras. Essa amizade de irmãs, neste filme, se coaduna com o tratamento da questão não só em Razão e Sensibilidade (uma narrativa essencialmente de irmãs), mas também na adaptação de Mansfield Park (com o título, no Brasil, de Palácio das Ilusões).

Ao contrário de outras adaptações de Austen, em Orgulho e Preconceito as músicas e as danças são festivas e alegres, algo que se alinha com certa leveza da narrativa (em oposição, por exemplo, às narrativas de Razão e Sensibilidade, Persuasão ou Palácio das Ilusões). O ritmo da música (e, conseqüentemente, da dança), no entanto, muda quando Lizzy e Darcy dançam. O contraste com as danças anteriores fica explícito. O ritmo mais lento possibilita que conversem; a câmera se demora nos dois, já que precisam ser revelados (não só um ao outro, mas ao espectador). Por um momento, inclusive, cria-se a ilusão de que apenas os dois rodopiam no salão, o que mostra a função da dança como ritual erótico.De modo geral, ainda que em determinados momentos haja exagero (Mr. Collins, por exemplo, soa caricatural), o filme consegue refletir temáticas relevantes da narrativa de Austen; consegue, ainda, em determinadas cenas, uma tonalidade de humor e ironia característica da autora.

No entanto, na tentativa de atrair um público ávido por histórias de amor (e a narrativa romântica é mais facilmente adaptável – ou transferível para a tela – que a crítica social, principalmente quando consideramos o estilo altamente irônico de Austen), esta adaptação também acaba por se definir como “hollywoodiana”, principalmente no tratamento que dá à relação entre Lizzy e Darcy.Para ilustrar a ênfase na relação romântica, tomemos como exemplo as duas cenas em que Darcy se declara a Lizzy. Em Austen, é comum o narrador fazer uso de narração sumária, ou do discurso indireto, exatamente como estratégias para a criação de um distanciamento, para a quebra ou diluição da emoção, em momentos de grande densidade dramática. É o caso no que diz respeito ao desenvolvimento gradual da relação afetiva entre Lizzy e Darcy. Mas não só isso. No romance, na primeira vez em que Darcy declara seu amor a Lizzy, eles estão dentro de casa. No filme, como era de se esperar, há não só a dramatização do diálogo (“showing” em vez de “telling”) e o deslocamento espacial, na medida em que a cena acontece ao ar livre, mas também a utilização de um contexto de trovões e chuva forte, além de uma música que adensa a carga (melo)dramática da situação, o que acaba culminando num imenso clichê romântico.A segunda cena, quando os mal-entendidos entre eles já foram esclarecidos, e Darcy novamente renova seu sentimento por Lizzy, também chama a atenção em termos de construção visual. Aqui, como no romance, o encontro se dá ao ar livre. No entanto, diferentemente do romance, o encontro entre eles se dá de madrugada, algo impensável para aquele contexto pré-vitoriano, principalmente quando consideramos os personagens envolvidos (protagonistas, e, portanto, guiados por certas regras de conduta e racionalidade). É claro que, mais uma vez, a utilização desse espaço acentua a carga dramática (tornando-a romântica) da situação e cria um deslocamento em relação ao contexto de Austen.

A fotografia nesta cena – marcadamente escura, nebulosa, uma escuridão inclusive acentuada pelas vestimentas escuras de ambos – acaba por remeter a um contexto posterior, vitoriano, sendo bem mais adequada aos arroubos e romantismo das irmãs Brontës, por exemplo, que a contenção de Austen. Esses recortes servem para mostrar a escolha ideológica por trás da adaptação. Se, como diz Dudley Andrew, “adaptação é apropriação de significado de um texto anterior” (e um texto pode ter significados variados, ficando a critério do cineasta e roteirista dar maior visibilidade a um ou a outro), fica evidente que a escolha empreendida, neste caso, tentou conciliar a crítica social de Austen à história pessoal de Lizzy e Darcy; porém, ao romantizar (principalmente em termos visuais) a narrativa privada, o filme perdeu a chance de, por exemplo, aprofundar as relações inseparáveis entre o público e o privado em Austen. No entanto, talvez como certo consolo, o final do filme acaba por resgatar, mais uma vez, a tonalidade contida de Austen, através da ausência do beijo e da conclusão do filme sem a cena do(s) casamento(s). De modo que talvez a melhor definição para esta adaptação seja “Hollywood sem beijo”.
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* A prof. Dra. Genilda Azerêdo é professora do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas da Universidade Federal da Paraíba, onde atua nos cursos de Graduação e Pós-Graduação em Letras. É mestre em Literatura Anglo Americana (Dissertação sobre Virginia Wolf) e Doutroa em Literaturas de Língua Inglesa (com tese sobre as relações entre literatura e cinema, especificamente as adaptações de Obras de Jane Auten).

** Este artigo foi gentilmente cedido pela amiga Genilda Azerêdo, tendo sido publicado inicialmente em revista acadêmica e no blog Correio das Artes. Originalmente, o artigo não possui as imagens acima, sendo de minha responsabilidade adição das mesmas.
*** Posteriormente publicarei mais sobre as pesquisas e trabalho de Genilda Azerêdo, aguardem!

Nova Coleção da Cambridge

A Editora Cambridge lançará agora no início do ano uma nova coleção de livros de capa dura da Jane Austen: The Cambridge Edition of the Works of Jane Austen 9 volume HB set.
Serão 9 livros com comentários dos mais respeitados acadêmicos como Peter Sabor, Barbara Benedict, Dorothy McMillan, Jane Todd, Linda Bree, Richard Cronin e John Wiltshire.
Esta versão moderna, composta por 9 volumes: os seis livros publicados (Sense and Sensibility, Pride and Prejudice, Mansfield Park, Emma, Northanger Abbey and Persuasion), acompanhados de por dois manuscritos de Jane, escritos em sua adolescência. Cada livro é editado por renomados estudiosos de Austen e inclui informações a respeito das circunstâncias de criação e publicação dos trabalhos, assim como as críticas recebidas na época, além de notas textuais e explicativas. O conjunto de livros oferece também artigos sobre a vida, trabalho e sobre a época de Jane.

Conteúdo

– Juvenília editado por Peter Sabor;

– Northanger Abbey editado por Barbara Benedict and Deirdre Le Faye;

– Sense and Sensibility editado por Edward Copeland;
– Pride and Prejudice editado por John Wiltshire;
– Emma editado por Richard Cronin and Dorothy McMillan;

– Persuasion editado por Janet Todd and Antje Blank;

– Manuscritos editados por Janet Todd and Linda Bree;

– Jane Austen em contexto editado por Janet Todd.

Após todas essas novidades … infelizmente tenho que lhes dizer que os livros apesar não lançados oficialmente, no site da Cambridge está por 800,00 dólares ou 475,00 libras (já com desconto no site da amazon.uk). A previsão de lançamento segundo o site da amazon.uk é para 31 de janeiro.

Não coloquei a capa aqui neste post porque a capa que está no site é a antiga.

Falando de Cambridge, aproveito o post para agradecer ao meu amigo Marcelo – representante da Cambridge em Minas Gerais pela linda agenda (com citações diárias no rodapé).