Jane Austen: 250 anos da porta para dentro

Entrevista com a Adriana Sales (presidente da JASBRA)

Texto: LauraMachado

Ilustração: Greg

16 de Dezembro de 2025

A romancista nasceu no ano de 1775 e durante a vida publicou obras que relatavam com precisão a vida e costumes da classe média inglesa.

Durante os doze meses do ano a pequena vila de Chawton, no sudoeste da Inglaterra, recebe viajantes de todo o mundo que desejam, essencialmente, visitar uma antiga casa de estilo gregoriano. É certeza que muitas casas como aquela estão espalhadas pelo país, mas o que atrai o público àquela locação em específico diz respeito a uma longínqua moradora. Ninguém menos que Jane Austen.

Nascida a 250 anos – no dia 16 de dezembro de 1775 – na cidade de Winchester, Jane foi a penúltima de oito irmãos. Seu pai, George Austen, estudou na prestigiosa St. John’s College, em Oxford, e veio a se tornar reverendo na cidade de Steventon, onde a família Austen viveu até o patriarca se aposentar. A mãe de Jane, Cassandra Leigh, vinha de uma família de boa condição financeira. Foi descrita como uma mulher esperta, que já escrevia versinhos aos seis anos de idade. Da união de George e Cassandra, nasceram James, George, Edward, Henry, Cassandra, Francis, Jane e Charles.

Únicas meninas entre os tantos filhos homens, Jane e Cassandra criaram, ainda na infância, uma ligação que duraria a vida toda. Juntas, estudaram em um internato só para garotas, tiveram aulas de piano e de

desenho e, ao longo da vida, trocaram uma quantidade substancial de cartas. Nenhuma delas se casou. Quando Jane faleceu, aos 41 anos, em

1817, as irmãs morava juntas, exatamente na casa de Chawton.

A “Casa de Jane Austen”, como foi batizada, funciona atualmente como um museu da vida da romancista. Repleto de edições iniciais de suas obras, joias, obras de arte e móveis (incluindo a pequena mesinha, na qual Jane escreveu seus romances, afirmam os biógrafos), remonta o estilo de vida inglês e, é claro, de Jane. O lugar onde ela viveu seus últimos anos, junto a mãe, a irmã e uma amiga da família, é porta de entrada para entender sua realidade e suas obras.

OS ROMANCES DE AUSTEN

A família Austen muito valorizava o conhecimento. Como consequência disso, Jane Austen teve contato com os livros desde cedo. Ainda que não seja possível determinar quando começou a escrever, sabe-se que ela criava histórias desde jovem e, na vida adulta, se dedicou efetivamente à escrita e publicação de romances.

No ano de 1811, Henry Austen passou a auxiliar a irmã quase como um agente literário e conseguiu um acordo para que a obra Razão e sensibilidade fosse publicada pelo editor Thomas Egerton. Sob o pseudônimo de “A Lady”, ou “Uma senhorita”, o livro foi bem recebido, com a primeira tiragem vendendo completamente em cerca de dois anos.

Em 1813, foi a vez de Orgulho e preconceito ser publicada pela mesma editora, assim como uma nova edição de Razão e sensibilidade. A partir desse momento, Jane consolidou-se como escritora no mercado editorial, ainda que não fosse um dos grandes nomes da literatura.

De acordo com a doutora em Estudos Linguísticos e fundadora do Jane Austen Sociedade do Brasil, Adriana Sales, a autora de Razão e sensibilidade passou a assinar os próprios livros apenas depois de um pedido vindo direto do príncipe regente George IV. Adriana explicou à revista Pernambuco que o príncipe havia lido as obras de Austen e chegou a convidá-la para um chá, quando diretamente sugeriu que em sua próxima publicação, ela a dedicasse a si. “Os pesquisadores dizem

que Jane Austen colocou a contragosto, porque não concordava com a gastança e as coisas que o príncipe fazia, mas no quarto livro ela assina

com seu nome e tem certa notoriedade, ainda que não seja como a fama que tem hoje”, contou.

A fama que Jane acumulou com o passar dos anos, inclusive, muito se dá pela forma verossímil como ela relata as relações sociais de seu tempo. De maneira geral, todos os seus livros – Razão e sensibilidade, Orgulho e preconceito, Mansfield Park, Emma, A Abadia de Northanger e Persuasão são as obras finalizadas e publicadas em vida pela autora, que também escreveu Sanditon, Lady Susan e Os Watsons – acompanham uma protagonista feminina que vive uma história de amor. Acreditar, contudo, que a literatura de Austen se resume ao romance é uma visão superficial.

Em entrevista à revista Cult em 2017, a pesquisadora e autora do livro J ane Austen, the secret radical, Helena Kelly, afirmou: “As pessoas não estão erradas em considerá-la uma grande autora de histórias de amor – mesmo que algumas de suas tramas sejam um pouco perturbadoras para os dias atuais, como casamentos entre primos ou homens apaixonados por meninas de 13 anos. Mas acredito que os romances de Austen podem ser políticos e românticos, essas duas características não são excludentes”.

Talvez uma pessoa sem conhecimento sobre os livros de Jane Austen pegue um exemplar de Orgulho e Preconceito, por exemplo, esperando se encantar com as provocações que levam ao amor entre Elizabeth Bennet e Mrs. Darcy e, provavelmente, esse objetivo será atingido. Para além de uma boa narrativa de paixão, naquelas páginas a escritora tratou com perspicácia sobre a realidade das mulheres do século XIX, que só eram vistas como parte integral da sociedade ao se casarem. O casamento, como um todo, é uma instituição que recebe alfinetadas por meio de seus personagens em todas as suas histórias.

A frase de abertura de Orgulho e preconceito é um exemplo da sagacidade de Austen sobre o meio em que vive: “É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro, possuidor de uma grande fortuna, deve estar em busca de uma esposa”.

Através de histórias que se concentram em narrar conversas entre personagens e essencialmente mostrar retratos de vida dos

personagens, Jane foi capaz de criar textos em que as convenções sociais são postas em questão. Como uma mulher solteira vivendo no interior da Inglaterra do século XIX, ela se debruçou sobre o que vivia e observava ao seu redor. A vida particular foi seu objeto de pesquisa durante a carreira na literatura e foram as sutilezas desse trabalho que lhe conferiram o reconhecimento que possui hoje.

“A Jane Austen seguia a cartilha do tempo em que viveu, então podemos chamá-la de conservadora, porém ela organizou mentalmente e transbordou em forma de escrita, um olhar muito aguçado para o comportamento humano. Ela inova e rompe as barreiras da cultura e dos costumes da sua época ao escrever sobre o cotidiano, sobre a vida das pessoas comuns, principalmente da porta para dentro de casa”, evidencia Adriana Sales.

Em Persuasão, a narrativa de Austen acompanha Anne Elliot, que foi pedida em casamento por Frederick Wentworth, um oficial da Marinha com condição social inferior. Mesmo o amando e desejando unir-se a ele, decide recusar o convite e escutar os conselhos de seu pai. Oito anos depois, eles voltam a se encontrar e, desta vez, o pai de Anne está perdendo a fortuna, enquanto Wentworth subiu de patente e acumulou riquezas. Nessa obra, a escritora encara a hierarquia social inglesa e questiona diretamente os conselhos dos mais velhos (representado pelo pai de Anne, um homem orgulhoso e vaidoso que acredita ser o dono da razão).

Ao criar o personagem de Frederick Wentworth, Jane mostrava estar antenada com o mundo ao seu redor, como bem descreve a tradutora e jornalista Julia Romeu no prefácio de Persuasão, parte da coleção Mulheres na Literatura da Folha de S. Paulo:

“O declínio financeiro de um baronete e a ascensão social de um oficial da Marinha é um tema quase revolucionário para um livro de Jane Austen. Na época que Persuasão foi escrito, a ideia de que todos os homens são iguais surgira recentemente, e era muito difícil se movimentar pelas rígidas classes que dividiam a sociedade inglesa. […]

Mesmo de seu cantinho sossegado, Jane Austen não podia deixar de ouvir os ecos da revolução americana e da Revolução Francesa”.

Outra obra considerada madura e importante a ser analisada é Mansfield Park. Publicada pela primeira vez em 1814, a narrativa se concentra na personagem Fanny Price, que é descrita por leitores como a protagonista mais fraca e “apagada” de Jane. Mesmo assim, esse romance traz o tema da escravidão como questão importante.

“Notei referências muito frequentes e óbvias à escravidão em Mansfield Park. Qualquer pessoa que soubesse ler na época sabia que Lord Mansfield era presidente do Supremo Tribunal inglês, e que contribuiu imensamente para a abolição do tráfico de escravos. Seria impossível não fazer a ligação. Além disso, a Sra. Norris, vilã da história, teve o nome inspirado em Robert Norris, um infame traficante de escravos. Eu já estava convencida de que havia ligações com o tema no romance, e muitos críticos já haviam apontado isso, mas quando eu me foquei em encontrar essas referências, me pareceu clara a crítica de Austen à escravidão”, compartilhou Helena Kelly à Cult.

JANE AUSTEN HOJE

Mesmo tendo escrito sobre a realidade de famílias da Inglaterra do século XIX, as narrativas criadas por Austen conquistaram admiradores ao redor do mundo. No Brasil não foi diferente.

Adriana Sales, por exemplo, se apaixonou pelos livros durante a graduação em Letras na UFMG, e trilhou uma carreira entrelaçada com o estudo sobre a escritora. Tanto seu doutorado quanto o pós-doutorado (que está em curso) buscam analisar aspectos da obra de Jane Austen.

Adriana também participa de eventos sobre a escritora, realiza exposições e encontros com leitores pelo Brasil, já traduziu alguns de seus livros e administra desde 2008 a página “J ane Austen Brasil”.

“Eu acredito que acontece um movimento cíclico de interesse com escritores que viveram há mais de 200 anos. Com a criação da Casa de Jane Austen, em 1940, começou a existir uma peregrinação em volta desses lugares e no meio dos anos 1990 os livros começaram a ser adaptados. Isso criou mais interesse pelas obras”, explica Sales. “Foi

justamente quando eu criei o blog que as pessoas começaram a ter interesse novamente, e aí a gente já tinha internet para conectar

pessoas de várias partes do mundo. O mercado editorial brasileiro começou a seguir também esse padrão, publicar novas traduções. Hoje, se eu não me engano, temos mais ou menos 20 tradutores de Orgulho e Preconceito”, acrescenta.

Aos 24 anos, a designer Carol Duarte é uma das jovens leitoras de Jane Austen. Mesmo com mais de 200 separando ambas, ela explica que se tornou admiradora da obra justamente por se identificar com os personagens.

“A obra de Jane Austen fala sobre sentimentos, conflitos e escolhas que ainda fazem parte da nossa vida. Além disso, o olhar crítico e irônico dela sobre a sociedade da época também se mantém bastante atual. Os personagens são humanos, imperfeitos e muito relacionáveis, o que faz com que a gente crie uma conexão com eles. É como se, em cada livro, a gente se reconhecesse um pouco”, avalia.

Além dos livros, Carol também é fã das adaptações para o cinema de Orgulho e preconceito (2005) e Emma (2020), obras amadas por muitos e que várias vezes foram portas de entrada para a obra literária de Jane Austen.

Estrelado pelos atores britânicos Keira Knightley e Matthew Macfadyen, Orgulho e preconceito pode ser considerada uma das adaptações de maior sucesso dos anos 2000. Recontando a história de Elizabeth e Darcy nas telonas, uma geração inteira de adolescentes e jovens adultos se encantou com o romance publicado em 1813. É prova concreta de que, ainda que escrito a tantos anos, as relações sociais entre personagens se perpetuaram e seguem, ao menos em parte, atuais.

Entre o conservador e o progressista, está Jane Austen. Em seus escritos não pregou mudanças ou revoluções de ideias, não protestou em praça pública ou criou personagens completamente disruptivos das morais e costumes de seu tempo. O que Jane fez, e aí está seu mérito, foi revelar com bastante precisão, como a vida privada acontecia. Como se utilizasse uma lupa, escancarou as portas das casas de seus vizinhos a fim de contar histórias que fossem verossímeis e enxergou a verdadeira face das relações.

Emma, Elizabeth, Anne, Catherine, Elinor, Marianne e Fanny são protagonistas que representam de maneira fiel o que significa ser uma mulher na Inglaterra do século XIX, fadada a respeitar os desejos do pai, esperar um pedido para dançar e lutar a fim de conquistar um marido, já que apenas assim poderia viver uma vida sem julgamentos.

Talvez o seu ato mais revolucionário, de fato, tenha sido o de escrever. Assim como suas heroínas, Jane Austen viveu em um tempo em que a educação formal era negada às meninas e que o trabalho era algo imperdoável. Jane ter se tornado escritora não foi motivo de orgulho para a família, que mesmo possuindo uma visão mais aberta às intelectualidades, seguia os moldes da época.

Em um trecho de Mansfield Park, Austen escreveu: “Dê a uma garota uma educação e a apresente adequadamente ao mundo, e é muito provável que ela tenha os meios para se dar bem, sem depender de mais ninguém”.

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#janeaustenlives – Programação de Julho

Prezados leitores e companheiros de jornada! Nossas #janeaustenlives estão de volta! Vejam a programação no cartaz e organizem suas agendas! Lembrem-se: os encontros serão às terças sempre às 19:00 (horário de Brasília), na nossa página no Instagram @janeaustenbrasil E depois serão salvos no Youtube Jane Austen Sociedade do Brasil.

Nossos convidados e convidadas deste mês irão nos presentear com palestras sobre suas pesquisas mais recentes e/ou projetos atuais! Sejam todos bem-vindos!

Podcasts no nosso canal no Youtube – Jane Austen Sociedade do Brasil

Agora temos uma playlist chamada Podcasts, dentro do canal Jane Austen Sociedade do Brasil, para abrigar entrevistas.O mercado editorial sempre foi muito limitado para as escritoras. Hoje em dia temos mais mulheres escrevendo, publicando e aparecendo no universo da literatura, mas esse espaço é recente. Agora imagine a situação há mais de dois séculos atrás? Pois foi nesse contexto hostil à participação feminina que deflorou uma das escritoras mais influentes da história, a inglesa Jane Austen. Autora de clássicos como Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade, suas obras marcaram um novo tipo de romance. E neste mês, lembramos os 200 anos de morte de Jane Austen. Ouça a entrevista com a Presidente da JASBRA, sigla para Jane Austen sociedade do Brasil, Adriana Sales, que também é doutoranda em estudos linguísticos pela UFMG.

Bordado brasileiro na colcha em homenagem à Jane Austen

A Jane Austen’s House Museum divulgou inúmeros bordados que farão parte da colcha em homenagem à Jane Austen. No ano passado, fui convidada para participar como representante da Jane Austen Sociedade do Brasil e me senti muito honrada em contribuir com essa homenagem! Vejam a tradução da publicação onde o museu citou a JASBRA:

“É um prazer incluir a Jane Austen Sociedade do Brasil, que contribuiu com a moda regencial, incluindo as cores brasileiras no design do bordado.”

jasbra quilt

Para visualizar os demais bordados publicados pelo Museu, clique aqui.

Projeto Colcha de Retalhos Jane Austen

Projeto Colcha de Retalhos 01

Ao longo de 2017, como parte das celebrações do museu, pelo Bicentenário do Legado de Jane Austen, houve uma grande atividade entre as bordadeiras locais e do resto do mundo, trabalhando para produzir uma colcha coletiva da comunidade austeniana. A colcha foi financiada através de uma bolsa da Heritage Lottery e inspirada no trabalho de patchwork, criado por Jane, sua mãe e irmã, exibido no Museu, após sua recente restauração. Cada retalho da colcha foi individualmente projetado e criado por representantes de mais de quarenta grupos [sobre Jane Austen], em todo o mundo, incluindo grupos na América do Norte, Austrália, Paquistão e Brasil, bem como na vila de Chawton. Cada retalho explorará um tema diferente de Jane Austen, que quando combinados, formarão um patchwork de histórias, narrando a vida, o trabalho e o legado da escritora; e à medida que o Outono se aproxima, também se aproxima o momento em que estes retalhos – tão significativos, retornarão para Chawton.

No início da Primavera, a Casa Museu Jane Austen recrutou a designer de colchas, com residência em Brighton, Elizabeth Betts, como nossa designer da colcha, supervisionando a produção final dos sessenta retalhos da colcha, criados individualmente.

Ao longo dos próximos meses, Liz e eu [Lucy Bailey] estaremos atualizando, semanalmente, sobre o progresso do projeto da colcha, que ainda inclui: oficinas de patchwork, bibliotecas locais, centros de mesa, palestras e muito mais!

Lucy Bailey, Supervisora do Projeto

Projeto Colcha de Retalhos 05

Quando você descobriu seu interesse em Jane Austen?
Meu interesse em Austen se desenvolveu na adolescência, quando, de repente, os garotos já não eram mais um incômodo, mas potenciais interesses amorosos. Meu melhor amigo e eu costumávamos assistir as adaptações de Austen obsessivamente. Minha amiga Saskia e eu também passamos um fim de semana em Bath, no Baile da Regência, onde fizemos nossos próprios vestidos, e a parte mais emocionante do evento, foi ver os oficiais, andando por Bath e correndo atrás deles como Lydia e Kitty. Como posso me explicar – nós tínhamos dezenove anos!

O que você mais gosta sobre o trabalho na Casa Museu Jane Austen?
Eu gosto de estar no campo. No fundo, eu sou uma garota do interior e gosto de sair, pela porta do escritório, e encontrar ar fresco e verde.

Em sua opinião, qual é o aspecto mais emocionante do projeto da colcha?
A parte mais emocionante do projeto, para mim, é a mistura de grupos. Adoro o fato de que participam do projeto, não apenas especialistas em Austen, mas crianças da escola, bordadeiras profissionais, pessoas que nunca bordaram antes e grupos ao redor do mundo.

Elizabeth Betts, Designer da Colcha

Projeto Colcha de Retalhos 06

Quando você descobriu seu interesse em Jane Austen?
Oh, eu gostaria de poder dizer algo inteligente, mas tudo começou com a adaptação da BBC, em 1995, de Orgulho & Preconceito. Eu tinha terminado o 2º grau e adorava ler, no entanto, eu não estava interessada em ler os textos para as provas, então eu lia, principalmente, novelas da década de 1950. Eu caí de cabeça e me apaixonei pelas histórias, os personagens, os cenários – simplesmente tudo. Lizzie foi o modelo perfeito para uma adolescente: atenciosa, inteligente e direta e, mesmo agora, se eu sair para uma longa caminhada, gosto de pensar que caminhar fará com que meus olhos pareçam mais brilhantes! Depois disso, consumi tudo o que ela escreveu e, ainda hoje, tenho meus clássicos da editora Pinguin em casa. Eles estão meio desgastados, mas nunca os abandonarei. No entanto, como designer de estampas, estou de olho em uma bela coleção da Penguin Clothbound Classics.

O que você mais gosta sobre o trabalho na Casa Museu Jane Austen?
A Casa nos passa um sentimento encantador e, toda vez que eu a visito, me sinto privilegiada por estar lá. Eu amo sua história e ela realmente ganha vida, quando você conhece a conexão que um lugar tem com um tempo e uma pessoa específicos. Como designer e mulher, a combinação da escrita de Jane Austen, com sua vida doméstica, o que se esperava dela e o comportamento das mulheres na época, nunca deixa de me inspirar.

Em sua opinião, qual é o aspecto mais emocionante do projeto da colcha?
Foi satisfatório fazer a transição do projeto, de um conceito a algo que agora tem um plano, para que seja levado adiante. A escala do projeto e o nível de entusiasmo de todos os envolvidos fazem com que eu mal possa esperar para ver a colcha acabada.

Participação do Brasil no Projeto

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Como a presidente da JASBRA, Adriana Zardini, já havia informado anteriormente, pelo Instagram, o Brasil está participando do Projeto Colcha de Retalhos Jane Austen. A própria Adriana, mostrando seus dotes também com a agulha, trabalhou no retalho, que será enviado para Chawton e que comporá a colcha, do projeto.

Nós, da JASBRA, estamos muito orgulhosos de poder enviar um pedacinho de nosso trabalho, eu escolhi as cores da bandeira do Brasil, para homenagear a Jane Austen, e faz parte de um projeto, chamado Jane Austen Quilt, que a Chawton House está comandando”, revelou Adriana, em 25 de setembro.

Confiram mais sobre o retalho brasileiro, que fará parte do projeto oficial da Casa Museu Jane Austen no Instagram da JASBRA!

Tradução e Texto: Pollyana Coura
Fonte: jane-austens-house-museum

Um Pedaço da Inglaterra em Valparaíso

Um pedaço da Inglaterra em Valparaíso 01

Acredito que todo o fã de Literatura segue buscando pistas dos escritores e livros que admira, em todos os lugares do mundo. Em minha viagem de 2016, eu tive o privilégio de seguir um roteiro “austeniano”, na Inglaterra. Desta vez, em minha viagem para o Chile, nada mais natural do que visitar as casas de Pablo Neruda, em Santiago e Valparaíso. Mas não é que a janeite em mim conseguiu encontrar rastros de Jane Austen, mesmo na litorânea e colorida Valparaíso?

Ainda no Brasil, enquanto planejava minha viagem, aperfeiçoando trajetos, traçando roteiros e escolhendo onde ficar, me chamou a atenção um hotelzinho em Valparaíso, listado na seleção do site Booking, chamado Brighton. Todo bom austeniano sabe que Brighton, além de ser uma cidade de veraneio famosa na época de Jane Austen – a cidade era uma das favoritas do Príncipe Regente na época, sendo bastante visitada e favorecida pela corte -, também foi ponto de partida da fuga dos personagens Wickham e Lydia Bennet, no livro Orgulho e Preconceito. Nem preciso explicar que o hotel já tinha toda minha atenção, né?

Assim, em seguida busquei o site do hotel, para procurar mais informações. Eu já sabia que Valparaíso, uma cidade chilena fundada há mais de 500 anos, tivera forte presença das comunidades inglesa, alemã e italiana, em sua História, mas um pedacinho de mim queria acreditar que o nome do hotel tinha, de algum modo, relação com Jane Austen.

Entrando no site do hotel (http://brighton.cl/) para minha feliz e grande surpresa, descobri que todos os quartos do estabelecimento tinham nomes de escritores ingleses e, entre eles, Jane Austen! Com vistas para o mar tínhamos: Virginia Woolf, Jane Austen, Agatha Christie e William Shakespeare. Com vistas para cidade, Emily Brontë, Oscar Wilde, Charles Dickens e George Elliot. E com vista para os famosos cerros, Daphne Du Maurier.

Continuei pesquisando a página do hotel, para saber mais do lugar onde pretendia me hospedar, mas interiormente eu já sabia que já me decidira! Infelizmente o hotel é bastante procurado – o que se justifica pelo seu belo edifício, situado ao lado de um dos mais famosos pontos turísticos da cidade: o Passeio Atkinson – e só havia disponível o quarto George Elliot. Sem demora eu reservei o quarto.

Durante minha estadia, na 2ª quinzena de setembro, eu procurei saber quem havia roubado reservado o quarto Jane Austen, e descobri que um [sortudo] casal italiano, visitando o Chile, tinha ficado no MEU quarto. Para minha sorte, eles deixaram a cidade antes de mim e, com a aquiescência das camareiras, eu tive a oportunidade de conhecer o quarto. E tirar fotos!

Posso dizer que o quarto Jane Austen é o melhor quarto do hotel. Bastante amplo, o quarto, com cama de casal, papel de parede florido e móveis delicados, fica no último andar e tem janelas tanto com vista para cidade, quanto com vistas para a baía. Enquanto eu andava pelo quarto, já ficava imaginando minha estadia ali, em minha próxima visita à cidade. Nem sei se isto vai acontecer, mas não custa sonhar, certo?

No meu último dia no hotel, enquanto fechava minha conta, perguntei aos funcionários sobre o nome do hotel e a razão por trás dos quartos terem nomes de escritores ingleses. A funcionária Kátia, bastante simpática, me informou que o hotel pertencia a uma colombiana e um chileno, os dois já velhos, mas disse não saber a razão por trás do nome do hotel. Bem, na minha cabeça, eu forjei a história de que os donos, a colombiana e o chileno, certamente um casal apaixonado, escolheram o nome do hotel e os nomes dos quartos devido ao seu amor e admiração pela Literatura Inglesa. E, claro, o Jane Austen – o melhor quarto do hotel – tinha este nome, por ser o da escritora preferida do casal. Não sei se esta versão é a verdadeira, mas esta é a que mais me agrada.

Então, assim acaba meu conto, em Brighton, digo, Valparaíso! E pra quem for para cidade, não deixem de dar uma olhadinha no hotel, que é bem charmoso. Quem sabe um de vocês não consegue se hospedar com Jane Austen?

Texto e Imagens: Pollyana Coura

Mr. Bennet nos Deixa! – Morre aos 80 anos, o ator Benjamin Whitrow

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Mr. Bennet nos Deixa! – Morre aos 80 anos, o ator Benjamin Whitrow

Morreu em 28 de setembro de 2017, o ator Benjamin John Whitrow, 80 anos, nascido em 17 de fevereiro de 1937.

“Benjamin Whitrow nunca teve uma atuação ruim”, disse Laurence Olivier, que empregou o ator em sua companhia de Teatro Nacional, na Old Vic, por sete anos no final da década de 1960.

Como ator, Whitrow possuía uma racionalidade controlada, uma surpreendente quietude no palco e a capacidade, ocasional, de surpreender o público com uma explosão controlada ou um intenso olhar fixo. Alto e esbelto, com uma bela voz, Whitrow era um mestre em sua profissão e, como tal, um luxo como ator coadjuvante.

Ele pode ser melhor lembrado por seu papel como o resoluto e conciliador Sr. Bennet, na famosa série da BBC TV, Pride and Prejudice (1995), com Jennifer Ehle como Elizabeth e Colin Firth, alçado ao estrelato, como o Sr. Darcy; a quietude hilária do personagem de Whitrow fazia par com a escandalosa e cacofônica Sra. Bennet, de Alison Steadman.

Tranquilo e reservado como ator, ele foi mais aberto em sua vida privada, embora nunca para se autopromover. No entanto, Whitrow despertou o interesse público, quando surgiu a notícia de que havia tido um filho com a atriz Celia Imrie, que não quis se casar com ele, após se separar de sua esposa, Catherine Cook, uma enfermeira, com quem ele se casou em 1972, e com quem manteve uma boa relação até o fim de sua vida.

Em sua casa, no sul de Wimbledon, Londres, Whitrow era um colecionador de livros, que amava orquídeas selvagens, golfe e jogos de baralho. O ator deixa filhos, Hannah, Tom e Angus, além de quatro netos.

Fonte: theguardian
Tradução e Adaptação: Pollyana Coura

 

Ode ao Mr. Darcy

Um dia desses minha filha Isabella me mostrou uma música composta em homenagem ao Mr. Darcy (Colin Firth)!

Versão ao vivo aqui.

Letras em inglês aqui.

Já temos Darcy e Lizzie escalados para a novela Orgulho e Paixão

A notícia que causou mais burburinho hoje foi a divulgação do Thiago Lacerda como Darcy e Nathália Dill como Elizabeta (???). Ontem a globo já havia divulgado a participação da Nathália, mas não havia esclarecimento sobre qual personagem seria.

A Pollyana Coura (Jasbra) providenciou logo uma imagem para o nosso post!

orgulho e paixao

Confira a notícia completa aqui.

Jane Austen notícias em blogs e sites

Como o tempo por aqui pelas bandas de Minas Gerais anda bem corrido, eu decidi publicar algumas notícias sobre Jane Austen na forma de sugestões de leitura:

Tradução do artigo original em espanhol (El País): Jane Austen casamento e dinheiro.  por Aloma Rodrígues.

Resenha Orgulho e Preconceito e HQ por Eu Astronauta.

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Resenha de Jane Austen Roubou meu namorado por Anelise Besson.