Why we love Jane Austen?

Descobri recentemente um projeto da Penguin chamado ‘Penguin Classics on Air’, é claro que há uma seção sobre Jane Austen. Os detalhes eu descreverei logo abaixo. Na página deste projeto estão disponíveis diversos programas em áudio sobre: as irmãs Bronte, Elizabeth Gaskell, entre outros. Vale à pena conferir! O projeto Penguin Classics on Air faz parte de um maior de projetos divididos em seções como: The Screening Room, The Reading Room, e Publisher’s Office.
Para minha surpresa, descobri na seção The Screening Room um vídeo sobre o livro ‘The story of Ferdinand’, lembrei-me imediatamente do livrinho (acho que até com a mesma capa) chamado O touro Ferdinando! Oh… que saudades daquele livrinho! Mesmo sem saber ler e escrever eu já brincava de escolinha (fingindo ser professora) e usava o livro como material didático!  Fico imaginando onde foi parar! O livro pertencia a um dos meus irmãos bem mais velhos que eu, e quando ele se casou provavelmente levou-o consigo.
Os programas sobre Austen foram divididos em três partes. Na primeira, Elda Rotor da Penguin Classics entrevista Juliette Wells sobre o fenômeno Austenmania, o que significa o termo ‘Janeite’, a etiqueta na época de Jane e ainda sobre Orgulho e Preconceito e Zumbis…
Na segunda parte, Alan Walker, apresenta aos ouvintes ‘Excellent Women’ de Barbara Pym na seção “Reading the Classics from A to Z.” E na última parte, Stephen Morrison, editor chefe da Penguin Books, fala sobre as páginas iniciais de Orgulho e Preconceito neste segmento chamado ‘First Pages’.
Os programas são todos em inglês, sendo o primeiro o mais longo de todos!

http://cdn-akm.vmixcore.com/core-flash/PlaylistPlayer/PlaylistPlayer.swf

Austen Power

Michael J. Fressola fala da exposição no The Morgan Library & Museum (veja aqui o post que fiz) em um artigo para um jornal de Staten Island (um dos grades boroughs de Nova York). O artigo começa assim: A economia deve melhorar, a campanha no Afganistão deve dar resultados, a tecnologia verde (ou preocupação com o planeta) deve conter as mudanças climáticas, as redes de televisão devem sobrevivem. Quem sabe…
Mas de uma coisa estou certo: teremos mais Jane Austen no futuro. Mais e mais… Austen, assim como Dickens e Shakespeare e outros autores, são um recurso renovável sem fim.
Seus livros ainda são comprados, lidos e amados. Parecem ser indispensáveis para o cinema e a televisão contemporâneos: eles são refeitos, revisados e estão sempre lançando novas versões.
Michael menciona que nos últimos quinze anos, desde Razão e Sensibilidade (1995) são realizados filmes e séries com bastatne êxito, inclusive até cita a versão indiana Bride and Prejudice.
Além dos filmes e séries para tv, Michael também menciona os mash-ups: Pride and Prejudice and Zombies, Sense and Sensibility with Sea-monsters e os sucessos como The Jane Austen Book Club, Bridget Jones’s Diary.
Falando de fatos mais concretos, Michael sugere uma visita ao the Morgan Library & Museum para todos verem de perto as cartas e manuscritos de Austen.  Diz também que mesmo nos domingos à tarde e nos dias chuvosos (considerados dias incomuns para uma visita) encontramos a galeria do Morgan cheia de admiradores de Austen, de todas as idades, gêneros e raças.
As paredes estão cheias de ilustrações e quadrinhos, mapas e edições raras dos livros de Austen. Além de ilustrações hilárias de Isabel Bishop (prometo fazer um post sobre ela).  Michael encerra o artigo falando das maravilhas da exposição e deixa uma pergunta: Quem você convidaria para uma festa se a convidada de honra fosse Jane Austen? O autor sugere que de um leque de oportunidades Freud seria uma idéia interessante! Mas concorda que Fran Leibowitz é a melhor resposta – ela tentaria ficar com Jane só para ela! E você o que acha?
Um pouco mais sobre a exposição da The Morgan Library:
Créditos das fotos: Annie Sciacca – NYnews

O Clube de Leitura de Jane Austen – em português?

Eu descobri recentemente uma criação de duas supostas capas para o livro O Clube de Leitura de Jane Austen, que seria traduzido e publicado pela Editora Palavra. No entanto, ainda não recebi retorno do designer Nuno Moreira nem da editora… Será que desistiram de publicar o livro? já que a capa foi criada entre 2006/2007…

Mansfield Park – análise dos personagens

Hoje apresento uma pequena introdução que fiz para a edição de Mansfield Park, versão bilingue, publicada pela Editora Landmark. Para ler o texto, é só clicar no arquivo abaixo e ampliar a tela se necessário.
O texto é curtinho, mas faço algumas considerações sobre Edmund Bertram e Fanny Price (personagens principais). Espero que gostem!

Livros para download

Pessoal, acabo de descobri que um site canadense http://www.arquive.org/  disponibiliza obras raras para download, consulte aqui a página de Jane Austen. Existem muitos itens para download,  todos os que eu li são livros de domínio público, publicados há mais de 100 anos.
O único entrave é que a conexão de download é muito lenta, então tenha paciência.
Para fazer um teste fiz um download de The Story of Jane Austen’s Life, vejam como o livro está bem conservado!
Detalhe da capa
Caligrafia de Austen – carta enviada à irmà Cassandra

Pump Room – Bath
Existem outras opções de mídias para fazer download: pdf, kindle, etc…

Jane Austen no seu celular

A Nokia oferece aos seus clientes uma opção de leitura de Northanger Abbey no celular. Basta fazer um cadastro no site Ovi Store e receber o conteúdo gratuitamente. Porém, por falta de sorte, não consegui receber o texto de Austen no meu celular (Nokia 7100 Super Nova), recebi uma mensagem dizendo que esse tipo de arquivo não estava disponível para o meu celular. Infelizmente!
Se alguém conseguir baixar o arquivo, por favor, me avise!
Tentei fazer um download free de um curso de francês para testar, vamos ver se vai dar certo!

Jane Austen arruinou minha vida

Jane Austen ruined my life – Beth Pattillo
Texto de Helena Sanada (co-fundadora do Jasbra)
Sinopse
O livro tem uma leitura leve e agradável ao estilo de uma comédia romântica. O Inglês é de fácil compreensão mesmo para quem não está acostumado a ler neste idioma.
Conta a estória de Emma Grant, uma professora universitária americana, filha de um pastor, que sempre pautou sua vida nos ensinamentos paternos de boa conduta. Casada com um professor universitário teve uma reviravolta em sua vida quando se viu traída pelo marido com uma colega de trabalho.
Emma parte para a Inglaterra para curar seu coração ferido e para encontrar as cartas perdidas de Jane Austen que se ela soube se encontram em poder de uma velha viúva reclusa. Logo em sua chegada à Inglaterra ela reencontra um amigo que irá ajudá-la a percorrer os caminhos de Austen – de Steventon para Bath e Lymes Regis, cumprindo uma série de tarefas que lhe são dadas pela viúva
Sobre a autora:
O amor de Beth Pattillo por Jane Austen nasceu quando ela estudou na Universidade de London, Westfield College, por um glorioso semestre. Sua paixão rapidamente se tornou uma obsessão, nos vinte anos seguintes ela fez viagens regulares à Inglaterra. Quando não está sonhando com a vida “do outro lado do Atlântico”, Pattillo vive em Nashville, Tennessee, com seu marido e dois filhos.

Detalhes:
288 páginas
10,19 dólares
à venda na Amazon

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* Helena procurou não colocar spoilers para não estragar a leitura de ninguém.

Como você resolve um problema como Jane Austen?

Crédito: Theo Westenberg
Como você resolve um problema como Jane Austen?
Por Deirdre Foley-Mendelssohn
(publicado no site do The New Yorker em 23 de novembro de 2009)
Ela é a perfeita garota na classe: empertigada, mas popular; recatada nos modos, mas amada pelos outros; possuidora de uma inteligência secreta. Ela me deixa verde de inveja. Ela é Jane Austen.
Como qualquer Abelha Rainha, ela tem o seu séquito de admiradores, que a imitam com devoção servil (Veja o desfile de imitadores em seu rastro, como “The Jane Austen Companion to Life”, que será lançado em breve, ou “Captain Wentworth’s Persuasion” ou o vindouro e insinuante “Pride/Prejudice: A Novel of Mr. Darcy, Elizabeth Bennet, and Their Other Loves”, que, como uma confiável fofoca de colégio, insinua escandalosamente que algumas personagens podem ter andado fazendo algumas coisas indecentes atrás das arquibancadas).
Quando eu vi pela primeira vez o sucesso de vendas “Pride and Prejudice and Zombies”, a combinação me pareceu divertidamente contraditória. Mas eu comecei a ver como ela se encaixa profundamente: o marco parece imortal. Na verdade, eles a estão ressuscitando agora mesmo numa exposição sobre Jane Austen na Morgan Library and Museum, que vai até 14 de março.
Será o seu particular equilíbrio; sua impecável retidão moral; seu decente, porém sensual vestuário cheio de laços? O que explica essa paixão, essa obsessão permanente? Bem, existem livros para isso também. Talvez o mais sério seja “A Truth Universally Acknowledged: 33 Great Writers on Why We Read Jane Austen” lançado esse mês e que traz Amy Heckerling de “As Patricinhas de Beverly Hills” ao lado de Eudora Welty, e inclui a classificação de Jay McInerney das heroínas de Austen pelo nível de atratividade, como se elas tivessem saído de “Meninas Malvadas”.
Posso dizer alguma coisa a meu favor? Infelizmente, não. Pertencendo às massas admiradoras, posso apenas repetir as palavras de E. M. Forster, que bradou “Eu sou um fã de Jane Austen e, portanto, levemente imbecil diante de tudo relacionado a Jane Austen… Eu leio e releio, com a boca aberta e a mente fechada.”
 
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Tradução de Mariana Fonseca para o Jasbra.

O que Jane Austen faria?

Parece título de livro, mas não… é um texto que a Mariana Fonseca (membro do JASBRA) traduziu de um artigo do Wall Street Journal.

O Que Jane Faria?

Como uma solteirona do século XIX serve como guia moral no mundo de hoje
por James Collins
(publicado no site do Wall Street Journal em 14 de novembro de 2009)
Jane Austen é muito divertida. Suas personagens são vívidas. O equilíbrio de suas sentenças é perfeito. Seus enredos são bastante bons – pelo menos, eles mantêm você lendo. No entanto, escrever romances brilhantes não era o objetivo principal de Jane Austen: O que era mais importante para ela era fornecer instrução moral.
Em sua essência, os livros de Austen são trabalhos morais. “Abadia de Northanger” é na verdade sobre a educação moral de Catherine Morland: Ela aprende que o mundo não funciona de acordo com os princípios de um romance gótico. Como o título indica, “Razão e Sensibilidade” é um conto moral: É a história do autocontrole de Elinor e do comodismo de Marianne. O evento central tanto em “Orgulho e Preconceito” quanto em “Emma” é a descoberta de cada heroína sobre sua própria fraqueza moral. “Mansfield Park” trata de todo tipo de questão moral, da decência no envolvimento com o teatro amador até as conseqüências do abandono do marido por um outro homem. A premissa de “Persuasão” é a de que Anne Elliot um dia sacrificou sua felicidade por cumprir o seu dever e obedecer a orientação de sua guia moral, Lady Russell. Assuntos relativos à moral não são apenas refletidos nos maiores temas dos livros, entretanto: Eles são universais. Até mesmo o menor ato ou o mais breve diálogo ou a mera descrição da maneira de vestir de uma personagem é carregado de conteúdo moral.
Os leitores de hoje tendem a apreciar Austen apesar de seu didatismo e, não, por causa dele. Ela pode ser positivamente pedante e isso é um obstáculo. O leitor contemporâneo que ama Jane Austen quase pula as partes moralistas e diz a si mesmo que elas não contam realmente. É possível ignorar esse aspecto de seu trabalho, assim como é possível discutir uma pintura religiosa sem qualquer referência à intenção religiosa do artista. Mas isso parece absurdo: Ignorar a preocupação central de uma escritora é uma estranha forma de tentar apreciá-la e entendê-la.
A questão é, então, como conciliar o moralismo de Austen com a sensibilidade moderna. Para discursar sobre esse problema, seria conveniente se pudéssemos encontrar alguém com essa sensibilidade moderna que realmente lê Austen por sua instrução moral (em adição ao prazer literário que ela proporciona). Que conveniente termos à nossa disposição alguém que se encaixa nessa descrição: eu.
Eu acho que ler Jane Austen me ajuda a elucidar escolhas éticas, a descobrir um meio de viver com integridade no mundo corrupto e até a adotar o tom e a maneira adequados ao lidar com os outros. Seu moralismo e a mentalidade moderna não estão, de fato, em oposição direta, como é tão freqüentemente suposto.
Dizer que alguém valoriza a instrução moral de Austen pode provocar ceticismo porque, afinal, ela era uma solteirona vivendo na Inglaterra provinciana há 200 anos. Mas nossos mundos não são tão diferentes. Nós vemos as personagens de Austen – vaidosas, egoístas, ingênuas, compassivas – em nossas vidas todos os dias. O tempo e a localização dela são, na verdade, uma vantagem. Em seu mundo circunscrito, os problemas da vida podem ser examinados com uma precisão mais aguçada.
Austen viveu na divisão das eras augustana do século XVIII e romântica do século XIX. No nosso tempo, quase toda canção, propaganda ou filme é baseado em princípios românticos. Não importa o quanto apreciemos as “felicidades da vida doméstica”, como Austen coloca em “Persuasão”, ainda sentimos o enorme impulso romântico para fazer alguma coisa mais heróica ou intensa. Ao invés de estarmos aproveitando um bom jantar enquanto conversamos com amigos, nós deveríamos estar lá fora forjando a consciência de nossa raça na oficina de nossa alma, ou algo assim. Eu realmente não quero forjar a consciência da minha raça, mas, ao mesmo tempo, não quero perder tudo o que o Romantismo oferece. É aí que entra Austen, pois ela é uma augustana familiarizada com o Romantismo, o que a torna mais útil do que um escritor moderno para nos ajudar a encarar o desafio romântico. Só ela pode, com credibilidade, mostrar a nós que é possível ter moderação e sentimentos profundos, bons jantares e boa poesia.
Quais são, então, os valores que Austen nos ensinaria? Palavras e frases carregadas de valor aparecem a todo momento em sua obra, freqüentemente aos montes: auto-conhecimento, generosidade, humildade, elegância, decência, constância, contentamento, bom entendimento, opinião correta, conhecimento de mundo, coração cálido, estabilidade, observação, moderação, candura, sensibilidade ao que é cordial e amável.
A instrução moral de Austen aponta para uma vida mais moral – em que “moral” se refere não apenas a princípios corretos, mas à conduta em geral. O sistema de valores de Austen pode ser tido como uma esfera com camadas. O centro poderia ser chamado de “moralidade”, a camada seguinte seria a “emoção” e, finalmente, a superfície, “conduta”. Moralidade consiste nos princípios fundamentais: auto-conhecimento, generosidade, humildade, compaixão, integridade.
A ênfase que Austen dá à ordem e ao decoro pode parecer seca e rígida. Mas qualquer um que leia “Mansfield Park” sentirá o mesmo alívio de Fanny diante da mudança da estrondosa desordem da casa de sua família em Portsmouth para a ordem da mansão. Da mesma forma, a consideração de Austen pelo autocontrole, especialmente expressa em “Razão e Sensibilidade”, pode parecer dura, mas é preciso lembrar como a autora claramente vê o sentimentalismo de Marianne com grande compaixão. Austen não está defendendo a supressão dos sentimentos – apesar de seu irrepreensível comportamento, Elinor é submetida a grandes sofrimentos e sente cada um deles profundamente. O que Austen está dizendo, como um psicólogo moderno pode recomendar, é que se deve evitar a desintegração da própria personalidade. Emoções são construídas sobre a fundação de nossa moralidade: um coração adorável, sensibilidade a tudo o que é amável. A conduta, por outro lado, tem a ver com comportamento, com o modo como trabalhamos no mundo: boa educação, maneiras suaves. Certamente ainda é necessário ter modelos de bom senso e conduta honrada expostos a nós.
Como a moralidade, a emoção e a conduta podem ajudar alguém a viver no mundo? Como deveriam ser as relações entre as pessoas e o mundo? Deve-se rejeitar o mundo inteiramente como corrupto e mercenário e hipócrita e superficial? Ou há um outro caminho, em que se podem manter a integridade e a sensibilidade, mas viver no mundo também? W. H. Auden colocou bem o problema quando escreveu:
“Será que a vida só oferece duas alternativas: ‘Você pode ser feliz, saudável, atraente, sociável, um bom amante e um bom pai, mas com a condição de que não seja curioso demais sobre a vida. Por outro lado, você pode ser sensível, consciente do que está acontecendo ao seu redor, mas, nesse caso, você não deve esperar ser feliz, ou bem sucedido no amor ou em casa com qualquer companhia. Existem dois mundos e você não pode pertencer a ambos.’”
De fato, Austen está perguntando se a vida oferece apenas as duas alternativas de “Razão e Sensibilidade” e podemos simpatizar com seu grito de desespero, pois quando o dilema é colocado da maneira como ele o faz, as duas parecem inconciliáveis.
Austen vem a nosso resgate, entretanto, visto que ela consegue se ajustar entre “Razão e Sensibilidade”, rejeitando os excessos de ambas. Sua postura agrada porque a combinação de moralidade, emoção e conduta proporciona um modo de vida que permite estar no mundo e desfrutar dos benefícios da sensibilidade também. Austen não escreve sobre boêmios e rebeldes; ela não quer mudar seu mundo – “ela não mudaria um fio de cabelo na cabeça de ninguém ou moveria um tijolo” como Virginia Woolf escreveu. Suas simpáticas personagens participam plenamente de sua sociedade e aceitam as convenções dela, e ainda têm corações e mentes perfeitamente bons. Bom senso não precisa estar em guerra com a sensibilidade.
Ironia não é apenas o modo de expressão característico de Austen: É seu modo característico de pensamento. A ironia de Austen reflete um perfeito entendimento de todos os meios pelos quais o mundo é ordinário e a crença de que, apesar de não podermos lutar contra isso, podemos, pelo menos, separamo-nos disso. Em suas sentenças irônicas, há movimento com estabilidade. Ela se move em direção ao objeto de suas críticas, e então se afasta dele, e aí proporciona um bom retrato no final. Essa movimentação rítmica serve como um ideal tanto para a aceitação quanto para a rejeição dos meios do mundo ordinário enquanto se mantém o equilíbrio.
A ironia das personagens de Austen também fornece àqueles de nós que acreditam no decoro uma forma de lidar com os hipócritas. Elinor Dashwood de “Razão e Sensibilidade” é raramente irônica, mas ela nos serve como um bom exemplo. Lembre da conversa quando o odioso John Dashwood, que havia traído a promessa feita no leito de morte patriarcal de ajudar suas meias-irmãs, sugere a Elinor que a Sra. Jennings lhes deixará uma herança. Elinor responde, “De fato, irmão, sua preocupação pelo nosso bem-estar e prosperidade o levam muito longe”. Faltam a John Dashwood generosidade e integridade. Elinor o insulta, mas ela o faz da maneira mais cortês possível.
Se alguém quiser argumentar que a moralidade de Austen é útil para uma pessoa que vive nos dias de hoje, precisará lidar com três casos difíceis. Primeiro, há a objeção de Fanny ao teatro amador em “Mansfield Park”. Então, em “Razão e Sensibilidade” há a recusa de Elinor a lutar pelo homem que ela ama, Edward Ferrars, quando ela sabe que ele está oficialmente comprometido com Lucy Steele, uma mulher que “unia a insinceridade à ignorância”. Finalmente, há o reconhecimento de Anne Eliot em “Persuasão” de que ela fez a coisa certa seguindo os ditames de Lady Russel para recusar o Capitão Wentworth, mesmo que isso tenha levado a anos de penúria sem amor para ambos. Nos três casos, Austen defende uma moralidade que parece quase absurda em sua rigidez. Qual é o grande problema com o teatro? Sustentar o princípio de honra vale a pena quando ele resulta em relacionamentos ruins e arrependimento? E que tipo de sistema de valores coloca a obediência antes do amor?
Tavez a rigidez de Austen seja muito antiquada, mas qualquer um pode encontrar mérito nos conceitos de honra, dever e obediência. Essas cordas ficaram tão frouxas que não há nada errado em apertá-las com uma leitura indulgente desse aspecto de Austen; elas afrouxarão novamente logo.
Para encerrar rapidamente os casos de Elinor e Anne, direi apenas que suas ações devem ser vistas no contexto de suas próprias crenças sinceras. A lição é de que às vezes é certo sacrificar alguma coisa que queremos pelo bem de nossa consciência.
Com Fanny Price quase parece que Austen decidiu criar uma personagem que não tem nem boas maneiras nem personalidade, mas é simplesmente moralidade crua. Ela é famosa por desagradar os leitores, mas suas ações e atitudes podem ser justificadas. Apesar de toda sua timidez, ela tem coragem de verdade. Ela se opõe aos outros quando eles querem que ela participe da peça e ela até resiste ao terrível ataque de fúria de Sir Thomas quando ela recusa a proposta de casamento de Crawford. É raramente reconhecido que Fanny está correta. O perigo da encenação é que ela deixa jovens homens e mulheres juntos em um ambiente com grande carga sexual e, de fato, eles realmente acabam levados ao resultado que Fanny temia: Henry Crawford e Maria Rushworth escapam juntos. Então Fanny não está simplesmente aderindo a uma regra arbitrária e tola sobre a decência ou não do teatro amador, ela está tentando evitar uma condição que realmente termina causando dor de verdade.
Os princípios de Jane Austen são de valor transcendente, eles não são “pedantes” e seus romances ilustram e defendem um modo de viver no mundo que é ético, sensível e prático. O melhor representante para o mérito da aproximação de Austen da vida é, entretanto, a própria Austen. O reflexo da primeira sentença de “Orgulho e Preconceito” pode ser vislumbrado sob ela. “É uma verdade universalmente reconhecida que uma mulher solteira com pouco dinheiro deve estar à procura de um marido.” Não há nada irônico nisso: No tempo de Austen essa realmente era uma verdade universal. A condição de Austen como uma mulher solteira sem dinheiro e já não tão jovem era, como ela coloca na descrição da Srta. Bates em “Emma”, estar “na pior situação do mundo para ter a simpatia das pessoas”. Como essa frase indica, entretanto, Austen era capaz de olhar para a própria situação friamente, claramente e sem auto-comiseração. Os romances carregam a estabilidade, o equilíbrio, a indulgência e o humor de sua criadora. Ao lê-los, a pessoa é envolvida na personalidade dela, a personalidade que podemos desejar adotar para nós mesmos, pois parece esclarecer muitos dos costumes, problemas e outras coisas da vida

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James Collins é escritor e editor, cujo primeiro romance, “Beginner’s Greek”, foi lançado esse ano. Esse texto foi adaptado de “A Truth Universally Acknowledged”, uma antologia de ensaios sobre o porquê de lermos Jane Austen, publicada no início dessa semana pela Random House.

Loja Virtual da Biblioteca Britânica

A Biblioteca Briânica também possui uma lojinha virtual onde podemos comprar diversos livros e outros objetos relacionados a Austen. Vejam como são lindos esses livros abaixo:

Emma e Persuasão

Cartas de Jane Austen
Agendas e diário
Vida no campo – silhuetas feitas pelo sobrinho Jane: James Edward Austen-Leigh
Cartão postal e caneca com as ilustrações de James Edward.