Nova edição da Revista Literausten

Para o presente número da Revista LiterAusten  apresentamos um poema em homenagem a Jane Austen, escrito por Lúcia Leão, e, em seguida, um artigo traduzido pelas alunas do Ensino Médio do CEFET-MG – Campus Timóteo, sob orientação de Adriana Sales Zardini e Marcelle Santos Vieira Salles. Também apresentamos a tradução de um artigo muito interessante a respeito do relacionamento entre Tom Lefroy e Jane Austen, escrito, em inglês, pela Joan Ray (JASNA).  Além dos dois artigos traduzidos, apresentamos também o artigo de Larissa França, que traz uma análise sobre a descrição dos personagens Austen em duas: Orgulho e Preconceito e Persuasão. A partir desta edição, serão publicados artigos, ensaios e demais trabalhos sobre escrita de autoria feminina e todo o universo de pesquisas que retratem essa temática.

Vejam os títulos das publicações desta edição:

JANE’S HAPPY ENDINGS (Lúcia Leão)

JANE AUSTEN, HANNAH MORE E O DRAMA DA EDUCAÇÃO  (Jane Baron Nardin, Vitória Martins de Souza e Maria Clara Coura)

O ROMANCE UNILATERAL DE JANE AUSTEN E TOM LEFROY (Joan Klingel Ray e Adriana Sales Zardini)

A [IN]DESCRIÇÃO DE JANE AUSTEN (Larissa Pereira de França)

O HORROR OCULTO NOS ROMANCES DE AMOR DE JANE AUSTEN

Mikaella Clements[1]

Tradução: Jane Andrade (JASBRA)

Existe uma lenda urbana, que persegue os Departamentos de Inglês pelo mundo, que versa sobre Charlotte Brönte condenando Jane Austen. Segundo a lenda, ela teria dito, “Jane Austen retrata um belíssimo jardim. Saia pelo portão e nós lhe mostraremos o mundo.”

Apesar da história não ser totalmente verdadeira, ela é baseada nos comentários feitos por Charlote Brönte em uma carta ao crítico literário G.H.Lewes. Ainda assim, os comentários de Charllote são indelicados, mas não tão impactantes. Na verdade, ela escreve que “os jardins de Austen são cuidadosamente cercados e muito bem cultivados”, em oposição ao “campo aberto…. ar fresco”, pelos quais a própria Brönte anseia. De qualquer maneira, para os críticos de Austen, a censura de Brönte parece conter algumas pitadas de verdade. A fama de Austen e seu sucesso junto aos seus pares não impediu que ela, ainda assim, fosse vista por muitos como uma escritora afetada, conservadora, interessada apenas em salas de estar e gafes sociais. Todavia, coisas ruins acontecem nos romances de Austen, e as ameaças são muito reais – Lydia titubeando perigosamente, à beira da ruína, Marianne negligente com sua própria reputação – mas elas não são, na superfície, ou para os desavisados, sombrias. O humor habilidoso de Austen, seus diálogos incisivos que nos permitem rir de todos os personagens e, acima de tudo o seu amor permanente pelos finais felizes, de certa maneira, fazem com que não seja necessário para nós, leitores, nos preocuparmos demais com o mundo além do portão.

Mas será que isso significa que não há nada a que temer nos jardins maravilhosamente cultivados, ou nas luxuosas propriedades rurais, retratados por Austen? Eu me pergunto sobre os quartos naquela casa e tudo que fica escondido atrás de suas portas fechadas, as sombras que os personagens de Austen projetam. Uma inquietação subterrânea cintila e some em uma existência tremeluzente e incerta, que está presente na charmosa e descomplicada felicidade de Emma e no frescor do adorado Orgulho e Preconceito. No âmago das críticas sociais otimistas de Austen, existe um centro de medo, arrepiante e ameaçador, profundamente enraizado, que antecipa os modernos gêneros de terror e seus temas. Não é necessário pisar fora do portão; o grito vem de dentro da casa.

Notícias recentes de que logo haverá uma nova adaptação de Orgulho e Preconceito provocaram resmungos e gozações sutis, que podemos facilmente resumir como: mais uma? Mas os produtores da nova série, já conhecidos pelo seriado Poldark daBBC, um drama inquietante sobre um soldado britânico que retorna para casa depois de lutar na Guerra de Independência dos Estados Unidos, anunciaram que esta será uma adaptação “mais sombria”, com o objetivo de trazer à tona a “inteligência sombria de Austen – brilhante sim, mas cintilante como o granito.”

E há muito em Orgulho e Preconceito para discutir. Para mim, sempre foi um romance sobre dinheiro e poder tanto quanto sobre amor; talvez o mais certo seja dizer que Orgulho e Preconceito é um romance sobre desejo. Não é coincidência o fato de que o termo que Mr. Darcy mais usa ao se referir a Elizabeth Bennett não seja “amor” mas sim “perigo”; há um sentimento de medo presente ali, medo das consequências desastrosas que o desejo, especialmente o desejo impróprio, pode trazer – e na verdade traz, quando Lydia e Mr. Wickham fogem juntos.

Também não é coincidência que a obra Orgulho e Preconceito, com a conveniente adição do termo “e Zumbis”, tenha iniciado a mania de modernização dos clássicos com temáticas de terror mais explícitas. Ao falar ao New York Times em 2009, o Professor Brad Pasanek disse: “Os personagens… estão frequentemente rodeados por pessoas que não são totalmente humanas, são como máquinas que repetem as mesmas coisas indefinidamente. Todos aqueles personagens se embaralham, entrando e saindo das cenas, sempre frustrando os protagonistas. A paisagem lotada de pessoas é, no entanto, estranha e ameaçadora. O que há de errado com aquelas pessoas?  Elas não dançam bem, apenas se movem em movimentos desajeitados. Oh, eles estão vindo para cá!” É engraçado imaginar Elizabeth Bennet lutando contra zumbis, mas como Pasanek, eu não acho que seja necessário procurar em versões atualizadas para encontrar as linhas do horror presentes no trabalho de Austen.

Há outro tipo de monstro se escondendo na alegre, quase frívola obra Emma – que inspirou o filme “As Patricinhas de Beverly Hills”- a história de uma jovem perfeitamente elegível para casar-se que, no entanto, se delicia em formar novos casais, enquanto ela própria permanece em casa com seu pai dependente. Seu pai,  Mr. Woodhouse, é tratado por ela e pelos outros personagens como se fosse meramente um estressado adorável, alguém que precisa ser constantemente guiado e cuidado, sempre tratado pela jovem com amor e respeito inquestionáveis. É relativamente fácil seguir a linha cômica e afetuosa do personagem, mas, se você se permitir, por um momento, abstrair-se dessa cumplicidade, Mr. Woodhouse se tornará subitamente grotesco.

Em incontáveis momentos ao longo do romance, Mr. Woodhouse constrói sua presença opressiva e claustrofóbica, aprisionando primeiramente Emma, a seguir, Mr. Knightley e, eventualmente, o leitor, dentro de sua casa cuidadosamente monitorada. “O que faz meu querido pai ser tão adorado por todos é seu coração afetuoso”, reflete Emma, mas Mr. Woodhouse não parece nada mais do que uma armadilha amorosa assexuada. Apesar de não ter poderes sobrenaturais, de todo modo existem nele características vampirescas, já que Mr. Woodhouse “gosta de todos os corpos com que se acostuma, mas detesta separar-se deles.” Ele tem uma necessidade pegajosa e parasitária de manter as pessoas por perto. Ele é aquela coisa feia no canto, sugando a energia das pessoas só para se manter aquecido.

Temos aqui um vilão que sempre vai conseguir o que quer, o romance sugere isso, porque, na realidade, ninguém se dispõe a reconhecê-lo como tal.”

Ao longo de todo o romance, Mr. Woodhouse se irrita com praticamente tudo: festas de casamento, casamento, comida, janelas abertas, chuva, neve, ventanias, poças, crianças, cavalos, cocheiros, carruagens, pousadas, muitas visitas, poucas visitas, andar muito, andar pouco. Essa lista é apenas parcial. O que começa como um capricho engraçado, se torna algo sufocante; Mr. Woodhouse não permite que seus hóspedes comam tudo que escolhem, deseja desesperadamente forçar para que todos comam mingau como prato principal, e, até mesmo quando Emma, ao deixar seus convidados sozinhos com seu pai, ‘providencia um farto  jantar…ela desejou saber se eles puderam comê-lo.” Sua necessidade de amor e afeto é patológica, mas ele deixa seus convidados e ele mesmo, à mingua. No final de uma releitura recente de Emma, eu só conseguia murmurar “Eu te odeio,” sempre que ele aparecia, com nojo, como se tivesse me deparado com alguma coisa apodrecendo.

Pior de tudo, não há como escapar de Mr. Woodhouse: para terem direito a um final feliz, Emma e Mr. Knightley são obrigados a concordar em morar com ele em Hartfield. Fica até difícil imaginar Mr. Knightely, tão resoluto, tranquilo e confiante curvando-se aos ditames de Mr. Woodhouse; mas Emma, tão alegre e voluntariosa, já está totalmente dominada por ele. Temos aqui um vilão que sempre vai conseguir o que quer, o romance sugere isso, porque, na realidade, ninguém se dispõe a reconhecê-lo como tal.

Fanny Price, a menosprezada heroína de Mansfield Park, parece, em contraste, cercada de vilões por todos os lados. Criada com desprezo como a parente pobre da família rica, humilhada e abusada, Fanny triunfa, eventualmente, por pura obra do acaso, quando os personagens ao seu redor começam lentamente a compreender o valor da sua mansidão e de sua serena bondade cristã. Ela é um personagem difícil de amar; não é inteligente como Elizabeth nem tampouco divertida como Emma. Durante um longo tempo, eu li Fanny como um exercício de paciência, um testemunho de firmeza de propósito. Mas Austen já havia escrito um personagem que é calmo e paciente e bom e ainda assim muito amado: Elinor Dashwood de Razão e Sensibilidade, que é passiva, mas firme, decente mas segura de seu próprio coração. Pelo que sei, não existem grandes campanhas anti-Elinor. Mas os leitores odeiam Fanny: sua submissão, sua passividade. Durante muitos anos eu a desculpei, apesar do sentimento inquietante que tomava conta de mim toda vez que eu relia o romance. Mas, na verdade – porque odiamos Fanny Price? O que há de errado com ela?

“O horror de Jane Austen é de ambiguidade inquietante e desconforto permanente.”

Mansfield Park é um romance mais sombrio, mais preocupante do que o restante da obra de Austen – Pam Perkins, crítica literária, o descreveu como o “patinho feio” de Austen. O romance poderia muito facilmente ser confundido com uma obra Gótica; uma heroína inocente, cercada por poderosos marcadores do patriarcado, com perigosas forças sociais pesando sobre ela. Mas Austen não se interessa particularmente pela estética gótica. Northanger Abbey, sua sátira gótica afetuosa, mostra que ela se diverte muito com a estrutura e temas do gênero para levá-lo muito a sério. Na obra de Austen, os quartos e vilões ameaçadores da ficção gótica são melodramáticos demais para serem verdadeiramente assustadores.

Quando a própria Jane Austen se propõe a ser assustadora, ela o faz de uma maneira bem diferente. O horror presente em sua obra é de ambiguidade inquietante e desconforto permanente, como acontece no caso de Mr. Woodhouse, que não é tão malvado assim, até que o sentimento de horror e aversão, que ele desperta como ninguém, se repete, até tornar-se insuportável. Mais do que qualquer outro romancista do século XVIII, Austen tinha um olhar para as micro agressões: seus romances detectam ansiedades que se manifestam constantemente até que um aborrecimento superficial se torna repugnância e então, por fim, medo.

A mansidão de Fanny Price tem o seu próprio núcleo de pavor. Cercada por estruturas de violência e poder patriarcais, Fanny Price consegue vencer sem se esforçar, sem tentar fazer ninguém mudar de ideia. Ela vence por meio do sofrimento; apenas suporta as regras frias e o sistema abusivo do jogo que os Bertrams jogam. Ela permite que eles a tratem terrivelmente até que ela tenha sido testada o suficiente para merecer Edmund. Ela se submete totalmente, jogando de acordo com as regras impostas. Mas isso não significa que ela não esteja jogando.

O pior de tudo é que Fanny teve oportunidade de sair. Henry Crawford é um dos homens mais ambíguos criados por Austen, ele não tem o coração sincero dos heróis da escritora, mas não é um libertino deliberadamente cruel como Wickham. Porém, quando ele persegue Fanny, oferecendo-lhe um gosto pelo mundo exterior, de forma invasiva, ela o bane. O seu final feliz – expresso pelo seu casamento com Edmund Bertram – acontece quando ela aceita as mesmas estruturas de poder que a aprisionaram.

Maria Bertram, passeando por onde deveria ser um jardim aprazível, compreende o quanto está prisioneira: “Sim, com certeza, o sol brilha e o parque parece muito alegre. Mas, infelizmente, aquele portão de ferro me dá uma sensação de prisão e sofrimento. ‘Eu não posso sair’, como dissera o pássaro… Mr. Rushworth está demorando demais para buscar essa chave!”

Eu não posso sair. Mas Fanny Price não quer sair. Quando os portões do romance se fecham, ela está presa lá dentro, e nós também.


[1] Mikaella Clements, escritora australiana, atualmente radicada em Berlim. Ela publicou no BuzzFeed, The Lifted Brow, Catapult, e Overland Literary Journal, dentre outros. Você pode encontrá-la no Twitter @mikclements.

CONTRIBUIÇÕES DO FANDOM DIGITAL DE JANE AUSTEN PARA A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO ACERCA DA ESCRITORA

Já está disponível para download e leitura o artigo que escrevi para o 2o Simpósio Internacional Subjetividade e Cultura Digital sobre o fandom digital de Jane Austen aqui no Brasil. O meu artigo começa na página 416 do arquivo. Esse artigo faz parte da minha pesquisa do doutorado em estudos linguísticos na UFMG, vocês podem acessar a tese aqui.

Quinta edição da Revista Literausten

É com muita satisfação que terminamos o ano de 2019 com a publicação de mais uma edição da Revista Literausten! Desta vez, contamos com a colaboração dos alunos da disciplina “Jane Austen, Crítica Literária e Cultura Popular”, oferecida na Universidade de São Paulo – USP, Departamento de Letras Modernas, pela Dra Maria Clara Pivato Biajoli no primeiro semestre de 2019.

Segundo Maria Clara Biajoli, são apresentados “três artigos sobre Razão e Sensibilidade, um sobre Lady Susan, um sobre Emma e um sobre Amor e Amizade, os quais abordam temáticas diferentes mas que dialogam com o tema geral do curso e com a proposta de trazer um olhar crítico e questionador para a obra de Austen – e, no caso específico do artigo de Débora Spacini Nakanishi, sobre adaptações. São trabalhos acadêmicos de qualidade, apoiados em bibliografia especializada e que contribuem com o desenvolvimento da pesquisa sobre Austen no Brasil. As alunas – graduadas, mestrandas e doutorandas – estão de parabéns pelos resultados e merecem esse espaço de divulgação científica que a LiterAusten fica feliz de propor.

ADAPTANDO UM “HERÓI’ DE AUSTEN: TRÊS VERSÕES DE EDWARD FERRARS – Débora Spacini Nakanishi

A INSTITUIÇÃO FAMILIAR EM RAZÃO E SENSIBILIDADE – Beatriz Rodrigues Ramos

EMMA WOODHOUSE E A AUTORIDADE FEMININA EM CHEQUE – Gabriele Cristina Borges de Morais

Lições para uma vida – Milene de Almeida Silva

RAZÃO E SENSIBILIDADE: RESSIGNIFICAÇÕES LINGUÍSTICAS NA NARRATIVA Dayse Paulino de Ataide

“THE FEMALES OF THE FAMILY ARE UNITED AGAINST ME”: LADY SUSAN EM PRIMEIRAS IMPRESSÕES – Yuriko Bezerra Lima Yogi

Revista Literausten Edição 03

Queridos leitores, é com muita satisfação que anuncio a publicação da terceira edição da revista Literausten! Os textos e artigos são super interessantes! Espero que gostem!

Vejam os assuntos tratados nessa edição. Para baixar o arquivo em pdf, basta acessar a página da revista, clicando aqui.

capa literausten

ENSAIO

  • ORGULHO E PAIXÃO: PRIMEIRAS IMPRESSÕES (Flávia Luciene A. O. Lima e Luana Oliveira Lima)

 

RESENHA

  • ESCRITOS DA JUVENTUDE, ESCRITOS DA VIDA ADULTA: A IMPORTÂNCIA DA JUVENILIA PARA SE ENTENDER JANE AUSTEN (Maria Clara Pivato Biajoli)

 

ARTIGOS

  • THE LIZZIE BENNET DIARIES: umA ADAPTAÇÃO DE ORGULHO E PRECONCEITO PARA O SÉCULO XXI EM FORMATO DE WEBSÉRIE  (Daiane da Silva Lourenço)
  • JANE AUSTEN NO SÉCULO XXI: CONVERGÊNCIA TECNOLÓGICA, RUPTURAS E PERMANÊNCIAS NA WEB SÉRIE THE LIZZIE BENNET DIARIES (Giovana Montes Celinski)
  • ORGULHO E PRECONCEITO: A MULHER INGLESA E O MATRIMÔNIO (1797- 1813 (Natália Cristiane Oliveira dos Santos e Nency Netaly Gomes Furlan)

Sociabilidade, Sentimento e Formação: sobre as mulheres em Hume e em Jane Austen

intro

A Revista Enunciação acabou de publicar um artigo de autoria de Marcos Balieiro com o título: ‘Sociabilidade, Sentimento e Formação: sobre as mulheres em Hume e em Jane Austen’.

CAPA-V.2-N.2

Resumo:

Trata-se de comparar as perspectivas de Jane Austen e David Hume acerca da relação entre literatura e sociabilidade, especialmente no que diz respeito à formação do caráter das mulheres. Com isso, é possível mostrar que a literatura de Austen é pensada, em ampla medida, como resposta à maneira como a filosofia das luzes britânicas concebia a natureza e o caráter femininos, além de implicar uma recusa bastante contundente da tradição da galanteria.

Para ler o artigo completo, clique aqui.

Segunda Edição da Revista LiterAusten

Para começar bem o ano de 2018 uma ótima notícia: a 2a edição da Revista LiteraAusten (revista da Jane Austen Sociedade do Brasil) acaba de ser publicada!

Nessa edição foram publicados os seguintes textos:

  • Amor e mito (Lúcia Helena Galvão Maya)
  • Jane Austen circulando no Brasil no século XIX (Adriana dos Santos Sales)
  • Quem ri por último, ri melhor: a paródia póstuma de Jane Austen (Kathia Brienza Badini Marulli)
  • O poder do casting (Moira Biachi, Schirlei Rickli, Luciana Araújo)
  • Estética da recepção em sala de aula: Jane Austen, filme e obras em análise (Rosiane Maria Gusberti Franke)

Clique aqui para ter acesso ao pdf ou na imagem abaixo.

Ou clique aqui para ler a edição anterior.

literausten número 2, segundo semestre de 2017

 

 

Publique seu artigo na LITERAUSTEN!

literausten

Foi prorrogado para o dia 30 de novembro de 2017 o envio de artigos e resenhas relacionados à escritora Jane Austen.

Mais informações: https://janeaustenbrasil.com.br/literausten/normas-para-publicacao/

Projeto Colcha de Retalhos Jane Austen

Projeto Colcha de Retalhos 01

Ao longo de 2017, como parte das celebrações do museu, pelo Bicentenário do Legado de Jane Austen, houve uma grande atividade entre as bordadeiras locais e do resto do mundo, trabalhando para produzir uma colcha coletiva da comunidade austeniana. A colcha foi financiada através de uma bolsa da Heritage Lottery e inspirada no trabalho de patchwork, criado por Jane, sua mãe e irmã, exibido no Museu, após sua recente restauração. Cada retalho da colcha foi individualmente projetado e criado por representantes de mais de quarenta grupos [sobre Jane Austen], em todo o mundo, incluindo grupos na América do Norte, Austrália, Paquistão e Brasil, bem como na vila de Chawton. Cada retalho explorará um tema diferente de Jane Austen, que quando combinados, formarão um patchwork de histórias, narrando a vida, o trabalho e o legado da escritora; e à medida que o Outono se aproxima, também se aproxima o momento em que estes retalhos – tão significativos, retornarão para Chawton.

No início da Primavera, a Casa Museu Jane Austen recrutou a designer de colchas, com residência em Brighton, Elizabeth Betts, como nossa designer da colcha, supervisionando a produção final dos sessenta retalhos da colcha, criados individualmente.

Ao longo dos próximos meses, Liz e eu [Lucy Bailey] estaremos atualizando, semanalmente, sobre o progresso do projeto da colcha, que ainda inclui: oficinas de patchwork, bibliotecas locais, centros de mesa, palestras e muito mais!

Lucy Bailey, Supervisora do Projeto

Projeto Colcha de Retalhos 05

Quando você descobriu seu interesse em Jane Austen?
Meu interesse em Austen se desenvolveu na adolescência, quando, de repente, os garotos já não eram mais um incômodo, mas potenciais interesses amorosos. Meu melhor amigo e eu costumávamos assistir as adaptações de Austen obsessivamente. Minha amiga Saskia e eu também passamos um fim de semana em Bath, no Baile da Regência, onde fizemos nossos próprios vestidos, e a parte mais emocionante do evento, foi ver os oficiais, andando por Bath e correndo atrás deles como Lydia e Kitty. Como posso me explicar – nós tínhamos dezenove anos!

O que você mais gosta sobre o trabalho na Casa Museu Jane Austen?
Eu gosto de estar no campo. No fundo, eu sou uma garota do interior e gosto de sair, pela porta do escritório, e encontrar ar fresco e verde.

Em sua opinião, qual é o aspecto mais emocionante do projeto da colcha?
A parte mais emocionante do projeto, para mim, é a mistura de grupos. Adoro o fato de que participam do projeto, não apenas especialistas em Austen, mas crianças da escola, bordadeiras profissionais, pessoas que nunca bordaram antes e grupos ao redor do mundo.

Elizabeth Betts, Designer da Colcha

Projeto Colcha de Retalhos 06

Quando você descobriu seu interesse em Jane Austen?
Oh, eu gostaria de poder dizer algo inteligente, mas tudo começou com a adaptação da BBC, em 1995, de Orgulho & Preconceito. Eu tinha terminado o 2º grau e adorava ler, no entanto, eu não estava interessada em ler os textos para as provas, então eu lia, principalmente, novelas da década de 1950. Eu caí de cabeça e me apaixonei pelas histórias, os personagens, os cenários – simplesmente tudo. Lizzie foi o modelo perfeito para uma adolescente: atenciosa, inteligente e direta e, mesmo agora, se eu sair para uma longa caminhada, gosto de pensar que caminhar fará com que meus olhos pareçam mais brilhantes! Depois disso, consumi tudo o que ela escreveu e, ainda hoje, tenho meus clássicos da editora Pinguin em casa. Eles estão meio desgastados, mas nunca os abandonarei. No entanto, como designer de estampas, estou de olho em uma bela coleção da Penguin Clothbound Classics.

O que você mais gosta sobre o trabalho na Casa Museu Jane Austen?
A Casa nos passa um sentimento encantador e, toda vez que eu a visito, me sinto privilegiada por estar lá. Eu amo sua história e ela realmente ganha vida, quando você conhece a conexão que um lugar tem com um tempo e uma pessoa específicos. Como designer e mulher, a combinação da escrita de Jane Austen, com sua vida doméstica, o que se esperava dela e o comportamento das mulheres na época, nunca deixa de me inspirar.

Em sua opinião, qual é o aspecto mais emocionante do projeto da colcha?
Foi satisfatório fazer a transição do projeto, de um conceito a algo que agora tem um plano, para que seja levado adiante. A escala do projeto e o nível de entusiasmo de todos os envolvidos fazem com que eu mal possa esperar para ver a colcha acabada.

Participação do Brasil no Projeto

Projeto Colcha de Retalhos 07

Como a presidente da JASBRA, Adriana Zardini, já havia informado anteriormente, pelo Instagram, o Brasil está participando do Projeto Colcha de Retalhos Jane Austen. A própria Adriana, mostrando seus dotes também com a agulha, trabalhou no retalho, que será enviado para Chawton e que comporá a colcha, do projeto.

Nós, da JASBRA, estamos muito orgulhosos de poder enviar um pedacinho de nosso trabalho, eu escolhi as cores da bandeira do Brasil, para homenagear a Jane Austen, e faz parte de um projeto, chamado Jane Austen Quilt, que a Chawton House está comandando”, revelou Adriana, em 25 de setembro.

Confiram mais sobre o retalho brasileiro, que fará parte do projeto oficial da Casa Museu Jane Austen no Instagram da JASBRA!

Tradução e Texto: Pollyana Coura
Fonte: jane-austens-house-museum

Mr. Bennet nos Deixa! – Morre aos 80 anos, o ator Benjamin Whitrow

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Mr. Bennet nos Deixa! – Morre aos 80 anos, o ator Benjamin Whitrow

Morreu em 28 de setembro de 2017, o ator Benjamin John Whitrow, 80 anos, nascido em 17 de fevereiro de 1937.

“Benjamin Whitrow nunca teve uma atuação ruim”, disse Laurence Olivier, que empregou o ator em sua companhia de Teatro Nacional, na Old Vic, por sete anos no final da década de 1960.

Como ator, Whitrow possuía uma racionalidade controlada, uma surpreendente quietude no palco e a capacidade, ocasional, de surpreender o público com uma explosão controlada ou um intenso olhar fixo. Alto e esbelto, com uma bela voz, Whitrow era um mestre em sua profissão e, como tal, um luxo como ator coadjuvante.

Ele pode ser melhor lembrado por seu papel como o resoluto e conciliador Sr. Bennet, na famosa série da BBC TV, Pride and Prejudice (1995), com Jennifer Ehle como Elizabeth e Colin Firth, alçado ao estrelato, como o Sr. Darcy; a quietude hilária do personagem de Whitrow fazia par com a escandalosa e cacofônica Sra. Bennet, de Alison Steadman.

Tranquilo e reservado como ator, ele foi mais aberto em sua vida privada, embora nunca para se autopromover. No entanto, Whitrow despertou o interesse público, quando surgiu a notícia de que havia tido um filho com a atriz Celia Imrie, que não quis se casar com ele, após se separar de sua esposa, Catherine Cook, uma enfermeira, com quem ele se casou em 1972, e com quem manteve uma boa relação até o fim de sua vida.

Em sua casa, no sul de Wimbledon, Londres, Whitrow era um colecionador de livros, que amava orquídeas selvagens, golfe e jogos de baralho. O ator deixa filhos, Hannah, Tom e Angus, além de quatro netos.

Fonte: theguardian
Tradução e Adaptação: Pollyana Coura