Ivo Barroso discute sua tradução ‘Razão e Sentimento’

O vídeo, gentilmente cedido pela Editora Nova Fronteira, está disponível no canal Jane Austen Brasil no Youtube! Neste vídeo, o escritor e tradutor Ivo Barroso discute suas escolhas de palavras ao traduzir o título de ‘Sense and Sensibility’ para ‘Razão e Sentimento’ em português brasileiro. Confiram abaixo:

Para mais publicações sobre o Ivo Barroso, clique aqui.

Box Editora Nova Fronteira – lançamento!

A Nova Fronteira lança box com as grandes obras de Jane Austen

Para minha total felicidade, a editora me presenteou com esse box maravilhoso!! Vejam como é lindo!!

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Orgulho e preconceito, Razão e sentimento e Emma são os títulos escolhidos para compor a obra

Em homenagem ao bicentenário de morte de Jane Austen, a Nova Fronteira está lançando um box com três dos mais importantes livros da escritora: Orgulho e preconceito, traduzido pelo prestigiado Lúcio Cardoso, Razão e sentimento e Emma, com a requintada tradução do poeta Ivo Barroso.

Além de ser um dos maiores nomes da literatura inglesa, Jane Austen é também considerada um símbolo do feminismo, pelas mensagens que propagava em seus romances em pleno século XIX: noções de igualdade de gêneros, liberdade de expressão e conscientização quanto à posição das mulheres na sociedade.

Ficha técnica:

ISBN: 9788520938140

Formato: 15,5x23cm

Nº de páginas: 1.208

Preço sugerido: R$129,90 (confira nas livrarias abaixo, se há promoções)

Os livros estão em pré-venda nas livrarias

Amazon

Livraria da Travessa

Livraria Cultura

Nova Fronteira no Facebook

 

 

Trecho de Razão e Sentimento

Está disponível no site da Editora LPM, e disponibilizo logo abaixo, um trecho do recém lançado livro Razão e Sentimento, traduzido por Rodrigo Breunig. O arquivo contém uma introdução escrita por Rodrigo, que é mestre em Letras e algumas páginas do primeiro capítulo. Confira!

Sentimento ou Sensibilidade – parte 1

O tradutor Ivo Barroso defende o título Razão e Sentimento para sua tradução de Sense and Sensibility:

Traduzi dois livros de Jane Austen: Emma e Sense and Sensibility, e neste último, que aliás foi o meu primeiro, tive um pequeno problema de tradução… com o título. Ele exprime uma perfeita dicotomia com o agravante de encerrar uma aliteração. A hipótese imediata para os preguiçosos seria Senso e Sensibilidade, preservando assim o paragramatismo. Mas “senso” em português não é o mesmo que “sense” em inglês, e a alternativa bom senso deita por terra a aliteração. Por outro lado, “sensibility” não tinha para Jane Austen o sentido moderno de sensibilidade, equivalente a suscetibilidade, refinamento dos sentidos. Ela o emprega mais na acepção de sensível, de pessoa desprendida, que demonstra bons sentimentos. Eu me havia decidido por “sentimento” para o “sensibility”, mas faltava resolver o “sense”. De repente, afastei a obrigatoriedade da aliteração ao me lembrar que Pride and Prejudice também obedecia ao esquema(dicotomia+aliteração), e fora traduzido brilhantemente em português por Orgulho e Preconceito, mantendo a dicotomia mas ignorando a aliteração, tudo em proveito daquela forte oposição vocabular. Foi assim que cheguei ao Razão e Sentimento. Mas, e você, como faria? 

Fonte: Gaveta do Ivo 

Veja aqui mais posts sobre o tradutor.

Como percebemos na fala do Ivo Barroso, a escolha por Razão e Sentimento foi uma opção pessoal do tradutor. Não trato aqui de uma discussão a respeito do melhor título para a obra, apenas tento colocar a opinião de duas pessoas pois muitos estão acostumados com a título Razão e Sensibilidade por causa do filme de 1995.

Aguardem amanhã a parte 2. 

A Sensibilidade de Ivo Barroso

Olá pessoal, meu nome é Elaine Rodrigues. Sou uma das janeites do Rio de Janeiro. E sou jasbrete desde a fundação da Jasbra, em 2009. 
Recentemente estive num evento, uma sessão de bate-papo e autógrafos, onde o tradutor Ivo Barroso lançava sua 3ª edição da obra “O Corvo e suas traduções” pela editora Leya. A noite era da poesia de Allan Poe, mas eu não me contive: tive que me lembrar da prosa de Jane Austen, já que ele, o Ivo, foi um dos responsáveis pela sua obra ser lida aqui no Brasil. 
Ivo Barroso (1929 -) é poeta e tradutor. Traduziu da nossa querida escritora, Emma e Sense & Sensibilty. E não apenas a traduz, como também é admirador e estudioso de suas obras. Escreveu prefácios para Orgulho e Preconceito, Persuasão e Abadia de Northanger da L&PM Pocket, com consistente pesquisa e eloquente concisão, que parecem ser bem mais que só prefácios. É possível ver também sua admiração por Austen em sua defesa apaixonada no que diz respeito à atual e crescente gama de follow-ups e mashups da autora. Ele critica o oportunismo e a impropriedade de algumas publicações que tentam imitar, sequenciar ou mesmo fazer referência às tramas austenianas. 

Vejam os prefácios da L&PM e outros artigos no blog do Ivo.

 

Bom, quanto ao meu encontro com o tradutor, foi muito rápido, mas bem importante pra uma janeite curiosa como eu. Ainda na fila dos autógrafos, meti na cabeça que iria tirar uma dúvida: sempre quis saber por que a tradução dele de Sense and Sensibility, assim como a da Dinah Silveira de Queiroz em 1940, para a Livraria José Olympio Editora, distinguia-se das outras. Como sabem, ele traduz como Razão e Sentimento (Nova Fronteira, 1982). Essa foi a primeira edição que li da obra, peguei na biblioteca da minha escola, e já havia visto o filme de 1995 com a Emma Thompson, então estranhei o título. Mas, deixando de falácias e indo ao que interessa, eis aí minha “entrevista” 😉 com Ivo Barroso na íntegra: 
Elaine: Ivo, eu sei que a noite é do Poe, mas eu tenho uma curiosidade sobre um outro trabalho seu. O senhor traduziu Sense & Sensibility de Jane Austen como Razão e Sentimento. Tem algum motivo em especial para ter usado o termo ‘sentimento’ e não o ‘sensibilidade’, como em geral os outros tradutores da obra fazem? 
Ivo: Sensibility na época de Austen tinha um cunho mais psicológico: referia-se ao estado de quem era sentimental, de quem se guiava apenas pelos sentimentos. Hoje é usado mais genericamente, mas no tempo dela era assim. Depois veio o filme com a Emma Thompson e colocaram sensibilidade, aí todos usaram assim.
Elaine: (cara de quem descobriu a pólvora)
Elaine: Ééé, o senhor gosta do livro? (dããã)
Ivo: Se eu gosto?! Eu traduzi o livro. (sorriso de velhinho fofotinha um cunho mais psicológico: referia-se ao estado de quem era sentimental, de quem se guiava apenas pelos sentimentos. Hoje é usado mais genericamente, mas no tempo dela era assim. Depois veio o filme com a Emma Thompson e colocaram sensibilidade, aí todos usaram assim.
Elaine: (cara de quem descobriu a pólvora)
Elaine: Ééé, o senhor gosta do livro? (dããã)
Ivo: Se eu gosto?! Eu traduzi o livro. (sorriso de velhinho fofotinha um cunho mais psicológico: referia-se ao estado de quem era sentimental, de quem se guiava apenas pelos sentimentos. Hoje é usado mais genericamente, mas no tempo dela era assim. Depois veio o filme com a Emma Thompson e colocaram sensibilidade, aí todos usaram assim.
Elaine: (cara de quem descobriu a pólvora)
Elaine: Ééé, o senhor gosta do livro? (dããã)
Ivo: Se eu gosto?! Eu traduzi o livro. (sorriso de velhinho fofo
tinha um cunho mais psicológicotinha um cunho mais psicológico: referia-se ao estado de quem era sentimental, de quem se guiava apenas pelos sentimentos. Hoje é usado mais genericamente, mas no tempo dela era assim. Depois veio o filme com a Emma Thompson e colocaram sensibilidade, aí todos usaram assim.
Elaine: (cara de quem descobriu a pólvora)
Elaine: Ééé, o senhor gosta do livro? (dããã)
Ivo: Se eu gosto?! Eu traduzi o livro. (sorriso de velhinho fofo
, referia-se à qualidade daquela pessoa que tem bons sentimentos, que é sensível. Hoje é usado mais genericamente, mas no tempo dela era assim. Depois veio o filme com a Emma Thompson e colocaram sensibilidade, aí todos usaram assim.Hoje é usado mais genericamente, como estado de quem é sentimental, de quem se deixa levar pelos arroubos do sentimento, mas no tempo dela era assim. Depois veio o filme com a Emma Thompson e colocaram “sensibilidade”, aí todos usaram essa forma.
Elaine: Hummmm.. Errr… E o senhor gosta desse livro de Austen? (dããã ;p)
Ivo: Se eu gosto?! Eu traduzi o livro! (sorriso de velhinho fofo)
Há mais detalhes da explicação de Ivo para a tradução do título em seu blogue, inclusive ele explica porque não mateve a aliteração do inglês (Sense-Sensibility) como os portugueses “tentaram” fazer com seu Sensibilidade e Bom Senso. 
Bom, não é bem uma entrevista, mas matou minha curiosidade e talvez interesse a vocês que tanto gostam de S&S.
Abs!
Elaine
Vejam aí o autógrafo que recebi (o livro era pra minha irmã, mas pedi pra ele incluir meu nome e dividiremos a preciosidade). 
 Ivo Barroso publicou um post a respeito da edição comemorativa de Razão e Sentimento, clique aqui e leia o artigo completo.