Gazeta de Longbourn Apresenta: Novelas Inacabadas

– De maneira alguma, meu caro senhor, de maneira alguma – exclamou o sr. Parker impaciente. – Pelo contrário, asseguro-lhe. É a ideia geral, mas um equívoco. Isso pode se aplicar aos lugares desenvolvidos, superpovoados como Brighton ou Worthing ou Eastbourne, mas não a um vilarejo como Sanditon, impedido por suas dimensões de sofrer quaisquer males da civilização; ao passo que o crescimento do lugar, as edificações, as sementeiras, a demanda por tudo e a segura existência das melhores companhias (dessas famílias regulares, sólidas e reservadas dotadas de nobreza e caráter que são uma bênção em qualquer parte) estimulam o trabalho dos pobres e difundem o conforto e o desenvolvimento de toda a sorte entre eles. Não, meu caro senhor, asseguro-lhe que Sanditon não é um lugar…

– Não quis dizer que não haja exceções em algum lugar em particular – respondeu o sr. Heywood -, só penso que a nossa costa está repleta deles. Mas não seria melhor levar o senhor…

– Nossa costa está repleta! – repetiu o sr. Parker. – Talvez nesse ponto não possamos de todo discordar. Pelo menos já há o bastante. Nossa costa já está muito explorada. Não precisa de mais. Atende ao gosto e às finanças de cada um. E essa boa gente que está tentando ampliar o número das estações balneárias, na minha opinião, insiste num exagero e em breve se verá vítima de seus próprios cálculos falaciosos. Um lugar como Sanditon, senhor, posso dizer que foi sonhado, foi exigido. A natureza selecionou-o, indicou-o em caracteres maiúsculos. A brisa mais pura e suave da costa, tida como tal, banhos excelentes, areia fina e firme, águas profundas a dez metros da praia, sem lama, sem ervas, sem pedras escorregadias. Nunca houve um lugar mais claramente projetado pela natureza para ser o balneário de enfermos, o verdadeiro lugar de que milhares de pessoas estavam à procura! À mais conveniente distância de Londres! Um quilômetro e meio mais perto do que Eastbourne. Imagine apenas, senhor, a vantagem de economizar toda essa distância numa longa viagem. Mas Brinshore, senhor, na qual acredito esteja pensando, as tentativas de dois ou três especuladores em Brinshore no ano passado de promover aquele mesquinho povoado, situado como está entre um charco estagnado, uma charneca árida e as constantes emanações de um brejo de algas putrefatas, não pode resultar em nada a não ser em decepção. E, em nome do bom senso, Brinshore poderia ser recomendável? Um ar muitíssimo insalubre, estradas sabidamente detestáveis, água suja sem igual, sendo impossível ter-se uma boa chávena de chá num raio de cinco quilômetros em redor. E, quanto ao solo, é tão gelado e infértil que nem consegue produzir um repolho que seja. Confie em mim, senhor, que esta é uma descrição a mais fiel de Brinshore, sem o mínimo grau de exagero, e se o senhor ouviu falar dela de modo diverso…

Trabalhos mais maduros de Jane Austen, os dois romances que foram publicados nessa edição – Sandition e Os Watsons são inéditos no Brasil. E eram inéditos para mim também, que os conhecia de nome, mas nunca os tinha tido em mãos.

Talvez seja um tanto estranho ir atrás de ler uma obra que não tem final, cujo desenvolvimento, de uma forma geral, está incompleto. Como uma leitora amante de tudo o que Austen escreveu, contudo, não poderia me furtar a esse comichão de conhecer tudo o que ela escreveu, independente de ela ter terminado ou não.

Os Watsons começa o volume. A bela, gentil e delicada Emma Watson retorna para casa depois de anos sob a guarda de uma tia rica – agora que esta se casou, não a quer mais e onde antes havia a expectativa de terminar como uma herdeira (numa seqüência parecida com a de Frank Churchill), agora ela é apenas mais uma irmã entre outras quatro de uma família pobre com um pai hipocondríaco.

A despeito disso, sua beleza consegue chamar a atenção de Lorde Osborne, o principal membro da sociedade local. E isso é mais ou menos tudo.

São apenas dois capítulos e confesso que eles me deixaram com a impressão de um dos romances góticos com que a própria Austen tanto brinca em A Abadia de Northanger. A irmã mais velha que serve de primeira anfitriã para Emma, Elisabeth, não me inspirou muita confiança e pelo que sabemos das outras duas irmãs; tampouco elas parecem particularmente boa companhia. Lorde Osborne é meio que uma nulidade, mas isso é o de menos – segundo se conta, os planos da escritora eram de juntar Emma com o pároco da propriedade dos Osborne e não com o próprio lorde.

Só que temos tão pouco de Mr. Howard, o pároco – que mal abre a boca e faz qualquer ação muito digna de nota – que não dá para prever exatamente como esse relacionamento vai acontecer.

Some-se a isso o fato de que no planejamento original, Mr. Watson morre e Emma fica à mercê do irmão mais velho e da cunhada, que têm uma boa renda, mas não são exatamente generosos.

Há muito, muito pouco para perceber como a coisa toda se desenvolveria, mas esses dois capítulos têm seus momentos. Tom Musgrove é um cafajeste cômico, Lorde Osborne é profundamente antissocial (de uma maneira bem mais esquisita que a de Mr. Darcy) e tenho a impressão de que entre esses dois personagens, muitas situações de ridículo para Austen escaramuçar poderiam se seguir.

Emma, por outro lado, me faz pensar muito em Anne, de Persuasão, com sua bondade e delicadeza inatas – especialmente na cena em que faz a alegria do pequeno Charles no baile que abre o livro.

Diz-se que Austen teria começado o livro em sua época morando em Bath, abandonando-o quando da morte do pai, uma vez que a situação de sua protagonista tornara-se dolorosamente parecida com a sua.

Sandition, por outro lado, teria sido a última obra em que ela trabalhou, tendo sido abandonada por causa da doença e subsequente morte da autora. É mais bem acabada que Os Watsons – além de ter mais capítulos (onze), a história parece mais polida, mais focada na verve de humor habitual de Austen. A protagonista do romance, Charlotte, parece-me mais simpática e humana que Emma, com uma aguçada percepção da sociedade ao seu redor e uma boa disposição para rir-se inclusive da própria situação.

Sandition é um balneário à beira mar que está começando a crescer como destino de férias graças aos investimentos de Mr. Parker e Lady Denham. Ainda há muito caminho até que o local se torne ‘da moda’ – que é a grande ambição dos dois – mas é um local agradável, com uma geografia privilegiada e Charlotte parece contente com sua visita ao local. De uma forma geral, contudo, o resort é mais um ideal do que realmente aquilo que desejam seus investidores.

O elenco de personagens vai do bonachão e prestativo Mr. Parker, aos seus irmãos absurdamente hipocondríacos (e esse parece ser um tema algo recorrente a partir de Emma), à inteligente e mesquinha Lady Denham e seu sobrinho um tanto maluco de ler romances, Sir Edward – que decidiu ter aptidão para ser vilão gótico e aspira a se tornar o infame Lovelace, de Clarissa.

A história tem um ritmo rápido e um foco interessante em questões de comunicação e propaganda – o resort tem por principal promoção o boca a boca, seja o pessoal, seja por cartas, há algumas confusões por conta desses diálogos epistolares. Infelizmente, o livro termina exatamente quando o herói da história, o irmão mais novo e enérgico dos Parker, Mr. Sidney, chega – e pelo que sabemos dele das cartas de Mr. Parker, tenho a impressão que ele e Charlotte se dariam muito bem.

As duas narrativas são interessantes – não apenas pela forma como podemos entrever o processo de escrita de Austen, mas também pelo potencial que ambas possuem. Outros autores, inclusive da própria família da autora, escreveram continuações e fiquei razoavelmente curiosa para encontrá-las.

Até lá, nos fica a tarefa de tentar imaginar por nós mesmos como elas avançariam – um exercício bastante agradável entre uma releitura e outra dos romances acabados de Austen…

Encontro Mineiro – JASBRA-MG

Para dar início ao nosso planejamento do Encontro Nacional no 2o semestre deste ano, nós aqui da JASBRA-MG iremos realizar um encontro no próximo dia 07 às 14:30 na livraria Mineiriana. Na ocasião teremos o prazer de discutir algumas questões do livro Mansfield Park e também planejarmos o Encontro Nacional.

Sejam todos bem vindos!

Encontrados fragmentos escondidos de Jane Austen que podem estar ligados à Mansfield Park

De acordo com informações da BBC News. Assista ao vídeo abaixo:




Segundo o site Literatortura:

Conservadores do Museu da Jane Austen, em Chawton, na Inglaterra, encontraram um trecho inédito supostamente escrito pelo punho da autora. Nunca antes descoberto, o manuscrito passou 150 anos preso a uma carta para Jane Austen de seu sobrinho, o reverendo James Austen-Leigh, dentro de uma primeira edição das memórias da escritora.



Um grupo de pesquisadores da West Dean College, conseguindo desgrudar o fragmento, decifrou as seguintes palavras: “…grande propriedade preservada – onde quer que seja… queria ser  absolvido do Supersticioso… do Papismo… onde quer que novos estivessem para ser… compostos a fim de preencher e conectar os Serviços… com um espírito verdadeiro.”.
Já na frente do texto, um sermão de Austen-Leigh, lia-se: “Os homens podem cairem um hábito de repetir as palavras de nossas Orações de cor, talvez sem entendê-las completamente – com certeza sem sentir completamente sua força e significado integrais.”.
Apesar de confusos, para especialistas, os fragmentos ecoariam uma passagem do capítulo 34 de “Mansfield Park”na qual as personagens de Henry Crawford, Fanny Price e Edmund Bertram discutem o sermão deste último, e talvez até elucidem a indagação de Crawford: “Muitas vezes fico pensando como a oração deve ser lida, e desejando poder lê-la eu mesmo.”.Levanta-se também a hipótese de que a própria Jane, além de influenciado as ideias da família, tenha escrito os sermões do sobrinho, que, tsc, tsc, escreveu: “Essa é a escrita, mas não as palavras, da autora Jane Austen, minha tia” – nem me fale da violação de propriedade intelectual.
Pertençam a quem pertençam, as palavras serão expostas ainda este ano na Casa-Museu Jane Austen, última morada da famosa escritora.
Veja uma publicação da BBC aqui.

Sorteio Bicentenário de Mansfield Park!

Prezados leitores, em 2012 tive o prazer de trabalhar com a Editora Martin Claret e ajudar a escolher cores de capas e escrever todos os resumos das contracapas, além, é claro, de traduzir Emma.
Para comemorar o Bicentenário de Mansifeld Park e em parceria com a editora Martin Claret, começam hoje e vai até o dia 08 de junho as participações para o sorteio de 2 livros Mansfield Park, tradução de Alda Porto. 
Até o FITZwilliam Darcy, vulgo Fitz, quis participar do convite para o sorteio! 
Meninos são muito bem vindos, apesar do convite sedutor do gato Fitz! 🙂 
Para participar vocês deverão deixar nome e email de contato! Não será permitida a participação duplicada.
O resultado do sorteio será publicado aqqui no blog da JASBRA no dia 09 de junho! Fiquem atentos! Os vencedores terão 05 dias para enviar os dados de correspondência! 

Vejam os detalhes dessa coleção da Martin Claret: cores vibrantes, capítulos com o 1o parágrafo com a letra de Jane Austen e as flores das capas são todas em dourado!

Jane na Copa? Faça parte do Team Austen!

Sim, prezados leitores! Jane Austen, mocinha faceira que é, resolveu dar um pontapé inicial e nos prestigiar com uma aparição em pleno Estádio do Mineirão (Belo Horizonte)! 
Para celebrar esse momento festivo que é a Copa do Mundo, a JASBRA resolveu vender (por tempo MUITO limitado) camisetas em homenagem à Copa do Mundo 2014. As vendas ocorrerão entre os dias 27 de maio a 02 de junho, e somente serão encaminhadas pelos correios após confirmação de pagamento. Fiquem atentos! 

Vejam como está linda a illustração do meu aluno Tiago Calado!

Camiseta pronta! 

Medidas das camisetas:

Malha PV (poliester viscose):

Modelo Baby Look
Tamanho GG – 88 cm (busto)

Modelo Padrão
Tamanho P – 94 cm (busto)
Tamanho M – 106 cm (busto)
Tamanho G – 112 cm (busto)

Como funcionarão as vendas:

Sistema de pré-venda, ou seja, você tem que garantir sua reserva e pagamento até o dia 02 de junho para que receba sua camiseta! Clique aqui e preencha seu formulário.

Edmund Bertram e Fanny Price – Bicentenário de Mansfield Park

O que vocês acham dos personagens principais 
de Mansfield Park?
Leia abaixo um breve estudo que realizei em 2010 na ocasião do lançamento da minha tradução Mansfield Park – Editora Landmark.

Bicentenário de Mansfield Park!

Neste mês de maio, Mansfield Park comemora 200 anos! Mesmo um pouco atrasada começarei uma série de posts em comemoração ao livro!

Nós da JASBRA faríamos um Encontro Nacional aqui em Belo Horizonte agora em maio, porém, por causa da Copa e diversos impedimentos, decidimos realizar o encontro no segundo semestre. Data e local a serem confirmados! Aguardem!

Gazeta de Longbourn Apresenta: Lady Susan

Não consigo me decidir em relação a nada tão sério quanto um matrimônio, sobretudo porque no presente momento não estou precisando de dinheiro, e talvez, antes da morte do velho cavalheiro, o enlace me trouxesse muito poucas vantagens.

A primeira vez que li Lady Susan foi em francês, num pocket que me foi presenteado pela Claire, do Jane Austen Lost in France. Algum tempo depois, quando comprei a edição comentada de Persuasão da Zahar, encontrei uma tradução aparentemente inédita desse romance epistolar muitas vezes esquecido da Austen.

É interessante que quando se falam nos romances da autora inglesa, Lady Susan é muitas vezes esquecido. Isso ocorre talvez porque a um só tempo, esse romance epistolar não se encaixa na chamada Juvenilia, embora tenha sido escrito quando Austen ainda era uma adolescente, tampouco está par a par com os livros mais conhecidos.

Se fosse para resumir Lady Susan em uma palavra eu diria ‘cínico’. Em certa medida, ela me faz pensar no famoso As Ligações Perigosas, de Choderlos de Laclos – até mesmo pelo formato de ambos, onde a história é contada através de cartas.

Como já disse antes, Lady Susan é muito diferente das outras obras da autora. Não é uma comédia de maneiras, ou um romance edificante e inspirador. Do meu ponto de vista, me parece um estudo de personagem – uma personagem maquiavelicamente inteligente, manipuladora, sem qualquer tipo de compaixão ou empatia, nem mesmo para com a própria filha.

Onde quer que vá, Lady Susan convida escândalo. Sua beleza e inteligência a tornam irresistível para os homens. Sendo uma viúva, ela não precisa parar no flerte ou nas promessas de casamento como uma donzela – fica implícito quando conta de suas aventuras com um cavalheiro casado que ela fez mais que seduzi-lo com palavras.

O grande problema de Lady Susan, o que a torna uma vilã execrável, não é que ela tenha uma vida sexual ativa – ele foi publicado quase meio século após a morte da autora, talvez porque se tivesse saído ainda à época de Austen, teria ele mesmo provocado um escândalo. Não, não é um problema que se desvincule do estereótipo de protagonista romântica querendo casar por amor. A questão é sua relação com a filha, Frederica.

O abuso emocional que Frederica sofre nas mãos da mãe é para revirar o estômago. Lady Susan diz com todas as letras que é completamente indiferente à filha, exceto, talvez, para encontrar defeitos. Pela descrição que a mãe faz dela, temos a impressão de que Frederica é uma ratinha, absolutamente sem graça, sem vontade ou brilho. É uma impressão diferente das cartas de Mrs. Vernon, a tia, que a enxerga como uma menina doce, mas extremamente tímida, subjugada pelo bullying da própria mãe.

Lady Susan tem dois objetivos de vida: casar a filha com qualquer idiota que tenha dinheiro e casar-se ela própria com um marido rico. Para Frederica ela quer um idiota porque assim será mais fácil de controlar a filha, o genro (e não há muitos escrúpulos ou preocupações em seduzir esse aqui também…) e a bolsa. Para si, ela talvez prefira alguém mais jovem e vigoroso, contanto que seja manipulável.

Austen constrói todo esse drama de forma quase leve, predominantemente no tom irresponsável e arrogante de Lady Susan. A hipocrisia social e das relações familiares é o tema predominante, mas tudo parece estranhamente ausente de julgamentos – a despeito das missivas de Mrs. Vernon, a venenosa Lady Susan parece sempre conseguir se safar com graça e ainda por cima.

Os leitores habituais de Austen provavelmente estranharão a forma como as coisas acontecem aqui, mas Lady Susan é mais que uma simples curiosidade no currículo da autora. Não é a história em si que importa, mas sim os personagens (por isso que chamei de estudo de caráter), brilhantemente elaborados, e as questões morais trazidas por eles.

Trabalho da Design Samanta Coan com temática Jane Austen

A Design mineira Samanta Coan produziu como trabalho de final de curso um kit Jane Austen com o seu livro favorito: Orgulho e Preconceito! Já conheço Samanta há bastante tempo, mas só agora vi o trabalho (produto final) em seu portifólio digital! O kit foi um projeto de conclusão do curso de Design e ainda não está à venda.  Vejam como ficou lindo!

Maiores detalhes clique aqui

Dois super lançamentos em português!

Luciana Darce, já se antecipou e publicou lá na página da JASBRA no Facebook, porém, como nem todos os leitores deste blog participam do nosso grupo por lá, resolvi publicar a notícia por aqui também. 
A livraria Cultura está lançando dois livros:

JUVENILIA 

é um livro duplo com escritos de Jane Austen e Charlotte Bronte, possui 472 páginas, tradução de Julia Romeu. Não há menção de quais livros da Juvenília fazem parte deste volume. Há apenas uma sinopse no site e está em pré-venda. Clique aqui para ter acesso ao livro. Publicação da Cia das Letras/Penguin. 

À primeira vista, Jane Austen e Charlotte Brontë parecem radicalmente opostas. Austen representa a elegância e a proporção neoclássica, parodiando excessos literários e criticando as fraquezas humanas. Brontë, por sua vez, imprime em sua escrita toda a paixão e a extravagância do espírito romântico, não raro com forte influência da fantasia. Numa época em que a literatura popular era considerada perigosa para a mente das jovens, a erudição precoce, a originalidade e a liberdade de espírito aproximam essas duas autoras. Ambas tinham como personagens centrais mulheres, sendo responsáveis pelos retratos mais marcantes de lealdade e dedicação feminina da literatura inglesa. E ambas constroem as suas heroínas como produtos do condicionamento feminino da época, cujas expectativas sociais eram muito restritas. Austen e Brontë tiveram uma produção bastante fértil na juventude, reunida neste livro, a qual parece encontrar uma espécie de equilíbrio no conflito entre a moral individual e social, criando heroínas complexas que se destacam por sua coragem e independência.
Trata-se de uma biografia de Jane Austen, com 224 páginas, escrita por Catherine Reef. Publicação da Editora Nova Século, com tradução de Katia Hanna. Essa biografia é mais recente e não tenho ainda no meu acervo, mesmo em inglês, portanto, eu não tenho como fazer qualquer comentário sobre a publicação. Entretanto, há que se lembrar que a autora deste livro é responsável por outras biografias e possui bastante livros publicados na área. Também vai para o meu carrinho de compras! Clique aqui para ter acesso ao livro.
Uma biografia contundente, perspicaz e divertida como uma legítima obra de Jane Austen, a vida revelada da escritora mais importante do século XIX. Embora seja uma das escritoras mais amadas de todos os tempos, Jane Austen ainda é uma figura de grande mistério. Seria ela a gentil e doce tia Jane? Ou uma moça de língua afiada, ardilosa, como sugere sua escrita? Como passava seus dias? E, se ela nunca alcançou o mesmo final feliz de suas personagens, teria ao menos encontrado o amor verdadeiro? Ambientando sua narrativa no contexto da aristocracia inglesa do século XIX, Catherine Reef extrai informações de cartas escritas por Austen para conceber um relato íntimo da vida e dos sentimentos da escritora. A narrativa inclui detalhes dos seis fascinantes romances publicados pela escritora.