Primeiras impressões de Orgulho e Preconceito

Já foi explicando que o post é polêmico pois se trata de uma opinião. A Carla Bitelli do Blog Homem Nerd fez um post confessando sua nerdice aguda: Austen!
Carla discorre sobre a séries de 1980 e 1995 e o filme de 2005. Sem intenção de magoar as opiniões dos meus queridos leitores e amigos, coloco que post que Carla fez no Homem Nerd na íntegra. Ao lado vocês poderão votar qual é a sua versão favorita de Orgulho e Preconceito. Como só estamos falando de três versões, não colocarei as outras na votação, ok?

Peço também que coloquem suas opiniões respondendo abaixo. Mas por favor: respeitem as opiniões dos outros. Com vocês as opiniões de Carla:

Na série de 1980, temos uma Elizabeth Bennet muito irônica e nada agressiva pela atriz Elizabeth Garvie. De início essa leitura da personagem foi chocante para mim, pois havia me acostumado com a agressividade dela presente no filme de 2005. Mas logo compreendi que, como outros personagens (sendo o Mr. Collins o campeão), há várias formas de se interpretar os diálogos de Austen.

Uma característica engraçada dessa série é o posicionamento de câmera superconvencional, que faz lembrar novelas hispano-latinas. Algumas atuações também colaboram para isso, especialmente a de David Rintoul (Darcy), repleta de viradas de cabeça repentinas e olhares intensos.

Já na série de 1995, vemos um Darcy interpretado por Colin Firth com mais detalhes que o comum (mesmo porque a própria série nos apresenta cenas além das apontadas por Austen), o que o torna o melhor Darcy das três adaptações, apesar de pecar em momentos-chave.


Considerando que o próprio personagem não é tão profundo nem tão complexo quanto gostaríamos de acreditar, é quase natural que a maioria dos atores sejam bem-sucedidos em sua interpretação. [Antes que alguém reclame, eu amo o Darcy, ok?] A interpretação de Matthew Macfadyen, no filme de 2005, é, na minha opinião, a mais tocante das três, apesar de não ser a melhor.


Das Elizabeths, a que menos me convenceu foi Jennifer Ehle (1995). Ela não é nem agressiva e divertida como a Lizzie de Keira Knightley (2005), nem doce e irônica como a Lizzie de Elizabeth Garvie (1980). Especialmente nos diálogos em que essas características definem a personagem, Ehle não parece se entregar completamente – a recusa do pedido de casamento, as conversas quando em Pemberley e a discussão com Lady Catherine.

O problema, na minha opinião, imperdoável da série de 1995 é o seguinte: nesses momentos-chave, os diálogos não foram fiéis à obra de Austen. Longe de mim ser purista em relação a adaptações (pois não sou!). Mas no caso a troca não favoreceu, já que os diálogos novos nem de longe têm a força dos originais. E mais uma coisa que também não gostei: nesses mesmos diálogos, justo neles, faltou atuação e tudo ficou morno.

A parte boa dessa mesma série, que simplesmente adorei, foi a inclusão de cenas que eram apenas narradas em outras adaptações, por serem trechos de cartas. A infância de Darcy e Wickham, a descoberta pelo cavalheiro do casal fugitivo… As cenas ajudam a compor o personagem Darcy, a entregar mais de seus sentimentos ao espectador, a humanizá-lo mais.

Sobre a Jane, acho curioso o conceito de beleza de quem fez o casting: aparentemente, basta ser loira para ser bonita. É o caso das Janes de 1995 e 2005. Vale observar que a de 1995, por Susannah Harker, é horrorosa, nem de longe bonita, e a doçura de ingenuidade da personagem também não foram bem transpostas à tela. Já a de 2005, por Rosamund Pike, consegue reunir essas características. A campeã, no entanto, é a de 1980, Sabina Franklyin, cuja doçura realmente lhe dá beleza.

As outras personagens são desenvolvidas sem muitos problemas. Lydia é a jovem-problema (perfeita nas três versões), Mary é a CDF clichê (o filme de 2005 suaviza a personagem em relação às séries, que a colocam como uma garota feia e chata; achei isso bem legal) e Kitty é irrelevante; Mrs. Bennet e a mãe desesperada e sem noção e Mr. Bennet é o pai desinteressado. Família típica. 😉

A Charlotte Lucas da série de 1980, tenho que confessar, é a minha preferida. Ela é delicada e divertida, sem forçar a barra no racionalismo antirromântico dela. No entanto, o Mr. Collins dessa série é tão tão ridículo (bonachão, total vergonha alheia) que minha preferência muda para o filme, em que o casal combina.

Mas, pra mim, a qualidade da adaptação se define no segundo pedido de casamento de Darcy, em que há a entrega total dele e, finalmente, a submissão (não nos sentidos negativo ou sexual da palavra) dela.

Qual é o resultado do “embate” final?

Pra mim, a série de 1995 é derrotada sem esforço, e a dúvida fica entre a série de 1980 e o filme de 2005. Eu voto pelo filme… Nada como um amanhecer com um Darcy daqueles.

O objetivo desse post é discutir as adaptações. Não queremos ofender ninguém por terem opiniões diferentes, nosso objetivo é gerar discussões frutíferas que poderão ter continuidade no fórum de discussões do JASBRA.

* Texto gentilmente cedido por Carla Bitelli do Homem Nerd

** As opiniões relatadas aqui não são necessariamente as opiniões do JASBRA.

Que tal se transformar em um personagem de Austen?

Quem nunca se imaginou dentro de um romance de Jane Austen?

A empresa britânica GettingPersonal criou uma maneira de tornar essa experiência real para os apaixonados pelos livros clássicos, como Orgulho e Preconceito, Alice no País das Maravilhas e Robin Hood, etc… Os livros foram idealizados para presente e são personalizados de acordo com o gosto do cliente, que pode escolher qual de seus amigos interpretará cada papel.
O livro custa em torno de R$ 57,00 porém a editora não faz entregas no Brasil. (para variar, né?)
Passada a decepção, vamos aos detalhes?

A capa é bonitinha cheia de bonnets! 🙂 A autoria é de Jane Austen e a da pessoa que idealizou o projeto. Ai caimos na velha questão onde termina o escritor e começa o leitor? Como o texto é de domínio público (em inglês) podem fazer o que quiser com ele? Bem, eu continuei a ler e observar as figuras do livro e até uma certa boa intenção ao se fazer isso com um clássico: homeangem uma amiga ou casal de amigos – fãs de Austen.

Vejam o detalhe: By Jane Austen e Você!!

Você tem a opção de mudar os nomes dos personagens e substituí-los por amigos, se for o caso. Um… começo a ter visões, imaginem: Mr. Darcy convida Miss Zardini…

Além do nome da Jane Austen a pessoa que encomendar o livro também sai como co-autor(a). Maldade! Só porque trocou o nome dos personagens, já é autor?

Observem os detalhes do capítulo 4, por exemplo: os nomes dos personagens está mudado.

Há ainda a opção de fazer uma dedicatória para dar de presente. No caso abaixo, a ‘co-autora’ Danielle fez uma dedicatória para um casal de amigos: Louisa e Alex.

Como a moda hoje em dia é apropriar de tudo o que Austen escrever e transformar em algo rentável, essa idéia é a menos grotesca por se tratar de um presente/homenagem (refiro-me aos livros Orgulho e Preconceito e Zumbis, e Razão e Sensibilidade e os Monstros do Mar).

Edições Brasileiras não reeditadas

Essa semana conheci a Bruna Benvegnù designer de algumas capas da Editora Zahar. Bruna chegou a fazer 5 capas para os livros de Jane Austen para a Editora Francisco Alves. No entanto, para minha tristeza e demais fãs de Austen, segundo Bruna a editora desistiu dos layouts e parece que o plano de reedição dos livros não foi para frente. 😦
Vejam como seria uma bela coleção:

Capas reproduzidas sob autorização de Bruna Benvegnù.

Ps. Não consegui retorno da editora sobre a reedição dos livros.

Jane Austen em Alemão

Há algum tempo eu conheci uma coleção alemã dos livros de Austen através do blog da Noemi Bragança. Na época eu havia lhe pedido que me enviasse as fotos dos livros, já no blog só era possível ver o box. Como promessa é dívida, a Noemi acabou me enviando as fotos dos livros e me disse que misteriosamente o Razão e Sensibilidade resolveu desaparecer, justo na hora que ela estava tirando as fotos. 🙂

Adorei a caixa dos livros, e as capas! Ah… as capas! São de encher os olhos! Mas como não sei quse nada de alemão, me resta contemplar as belíssimas capas.

Com vocês Jane Austen em alemão:

Persuasão e Mansfield Park

A Abadia de Northanger – Emma – Orgulho e Preconceito

Noemi, só falta agora você nos contar como foi ler Jane Austen em alemão!!

Avaliação de Orgulho e Preconceito e Zumbis

O livro de Seth parece que está ganhando um novo público a cada dia, e recebeu até uma nova edição em capa dura e desenhos coloridos. Difícil de analisar… Portanto, vou citar um post do Dr. Albee que apresenta considerações importantes sobre o livro!

Vejam como são espantosas essas ilustrações, a última dá até dó…

Dr. Albee faz uma avaliação muito interessante do livro e começa dizendo que não se trata de uma criação meramente incidental, fruto de um gênio. Vejamos alguns comentários:
“Na capa de trás, é dito que Grahame-Smith “uma vez freqüentou um curso de literatura inglesa”. Sempre desconfio desse tipo de falsa modéstia. É como se quisessem me dizer que o resultado final do trabalho foi mais fruto de inspiração ou genialidade do que de estudo e conhecimento e pesquisa. Smith pode até querer diminuir a importância do curso colocando-o como um evento no passado, que aconteceu “uma vez”, dando até a impressão de mero “acidente”. Mas não me convenceu. Ele conhece muito bem a estrutura narrativa do romance, assim como também conhece as estruturas sintáticas e vocabulares do inglês da época. Ele estudou bastante a obra pra poder escrever esse mix de Austen com zumbis. Há muito mais de transpiração no livro do que de inspiração. E isso tanto no sentido positivo como negativo.”

Sobre a junção dos dois enredos: orgulho e preconceito + zumbis, Dr. Albee diz:

“a prometida junção dos dois enredos nunca se dá em nível mais profundo. As lutas são sempre periféricas ao enredo que realmente interessa e, diga-se de passagem, bem poucas. São páginas e páginas e páginas sem zumbi algum. Austen é muito mais forte do que Smith; ele escolheu páreo duro pra brincar, e, pra mim, não se deu bem. A trama dos zumbis funciona como adendo numa história que já foi magistralmente narrada pela inglesa.”

Existem algumas partes engraçadas que merecem ser mencionadas:
“O livro tem algumas partes engraçadinhas e um trocadilho entre as várias significações possíveis da palavra “ball” me fez rir alto a ponto de ter de interromper a leitura por alguns segundos pra enxugar umas lagriminhas. “Ball” pode ser “baile”, “bala” (munição), e, “bola”, que, claro, pode ser tanto o objeto pra se brincar quanto ter conotação sexual. O autor faz trocadilhos com vários dos significados e um deles foi o que me fez rir alto. Em Pemberley, após um incidente com zumbis, no qual Darcy aniquilara um bando deles com seu mosquete, ele diz a Lizzy algo como “My balls are entirely at your disposal, Miss Bennet”. Assim, fora do contexto vocabular e estilístico a coisa fica sem graça, mas o efeito disso no tom formal dos diálogos é realmente hilariante. Fico imaginando como um tradutor captaria tal polissemia.”
Por último, vale à pena mencionar a observação do Dr. Albee que sugere que o Autor Seth Grahame-Smith é mais moralista que a própria Jane (que viveu há dois séculos atrás), quando se trata do triste fim de Wickham e Lydia:
“Wickham e Lydia são castigados pela imprudência e mal-comportamento. Ele é deixado paraplégico por Mr. Darcy e Lydia é obrigada a viver com um marido que defeca nas calças quando contrariado (e ela o ama mesmo assim). Até é cômico e de acordo com a proposta do romance, mas quem disse que a comédia não pode ter a função de punir supostos desvios sociais e morais?”


Prof. Dr. Albee é professor de inglês/literatura com doutorado em dramaturgia norte-americana pela USP. Possui um blog chamado: Blog do Albino Incoerente.

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Leia um pouco mais sobre Zumbis na literatura você encontra no Meia Palavra.

Orgulho e Preconceito Versão Mangá


Por indicação da proprietária do Shoujo Café descobri um mangá de Orgulho e Preconceito. Apresento abaixo os comentários e imagens gentilmente cedidos por Valéria.
Curiosidade: Orgulho e Preconceito em japonês é Kouman to Henken (高慢と偏見).
Valéria comenta que “embora o Darcy do mangá não seja inspirado no Colin Firth, o que é uma pena, o visual do mangá é inspirado na série da BBC, com Lizzie vestindo inclusive alguns dos figurinos daquela versão. Há a famosa cena da camisa molhada e outras que apareceram na série da BBC”.

Lindas capas de Orgulho e Preconceito

Por indicação de minha amiga Elaine Valente descobri essa linda capa de Orgulho e Preconceito – lançamento da Editora Penguin! Vejam como é linda!

A ilustração foi feita por Ruben Toledo (muito conhecido no mundo da moda)! Ruben é pintor, ilustrador e escultor, já desenhou de tudo: desde vitrines e murais até frascos de perfumes e estátuas de premiação. Os desenhos de Ruben já apareceram em revistas como Vogue, Harper’s Bazaar e Visionaire. Agora ele está usando seu talento para fazer lindas capas de livros: por enquanto fez três capas dos livros mais amadas da literatura: Orgulho e Preconceito, A Letra Escarlate e O Morro dos Ventos Uivantes. Conheça um pouco mais sobre as ilustrações de Ruben Toledo aqui.
Interessante observar nesta capa de Orgulho e Preconceito é a rejeição de
Darcy, e vejam como ele pisa na cauda do vestido de Lizzie! 🙂
O livro ainda indisponível no Brasil, custa 10,88 dólares na Amazon.
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Essa outra capa eu descobri navegando na internet, é da White Books. A ilustração foi feita por um artista japonês chamado Kazuko Nomoto. Esta edição é mesmo uma preciosidade: papel acid free, capa dura e marcador de páginas! Veja mais capas desta coleção aqui.

O livro ainda não é vendido no Brasil, custa 22,00 dólares no site da Amazon.

Austen Versão Indiana

Existem duas versões de Bollywood de livros de Jane Austen. Uma versão moderninha de Orgulho e Preconceito recebeu o nome: Bride and Prejudice. Para quem ainda não conhece, não se trata de uma adaptação fiel ao livro de Austen, e sim mais uma super produção indiana! Vale à pena assistir para dar boas risadas e também para tentar descobrir quem são os personagens de Austen no meio de tantos atores!

Veja o trailler abaixo, preste atenção no Mr. Collins (esse ator de barba)- precisava ser tão caricato?

Existe também uma versão de Razão e Sensibilidade, de nome bastante difícil: Kandukondain Kandukondain. O filme recebeu o título “I have found it” nos EUA. Eu ainda não assisti, mas quando tiver um tempinho vou tentar seguir os episódios no youtube. Se algum leitor do blog já assistiu deixe aqui suas impressões, por favor!


Vale à pena conferir o site do wikipedia e ver qual ator faz cada personagem:

Mammootty as Bala (Colonel Brandon from Sense and Sensibility)
Ajith as Manohar (Edward Ferrars )
Tabu as Sowmya (Elinor Dashwood)
Aishwarya Rai as Meenakshi (Marianne Dashwood )
Abbas as Srikanth (John Willoughby) …

O baile promovido por fã – mais detalhes

Olá pessoal, resolvi postar algumas screenshots do vídeo que postei ontem sobre o baile promovido por Sandy Lerner.

Sandy diz que escolheu os atores Elizabeth Garvie e David Rintoul porque considera a produção da BBC de 1980 a sua favorita adaptação de Orgulho e Preconceito. Abaixo mostro o antes e depois dos atores.

Elizabeth Garvie em Orgulho e Preconceito – 1980

Elizabeth Garvie no baile promovido por Sandy – 2009

David Rintoul em Orgulho e Preconceito – 1980

David Rintoul no baile promovido por Sandy – 2009

Elizabeth, Sandy e David

Sandy diz no vídeo que no baile também estiveram presentes Richard Knight e sua família, sendo ele descendente direto de Jane Austen.

Richard Knight

Abaixo, Sandy dançando com Mr. Darcy (David Rintoul)

Fã Milionária Promove um Baile

No site da emissora inglesa BBC está disponível o vídeo em que entrevistaram a Sandy Lerner, a milionária co-fundadora da Cisco Systems, que alugou a propriedade Chawton House, dos seus donos os Knight (nome sugestivo, não?), por 100 anos, com a intenção de restaurar a mansão e transformá-la em uma biblioteca especializada em escritoras.
A entrevista aconteceu durante o baile de gala em Chawton House, dado pela milionária, no último dia 3 de julho, em comemoração ao bicentenário da chegada da escritora Jane Austen no povoado.
Dentre os convidados, dois, em especial, abrilhantaram ainda mais o evento, sendo eles os interpretes do famoso casal literário, Mr. Darcy e Elizabeth Bennet, da série de 1980 da BBC: David Rintoul e Elizabeth Garvie. Quem nos dera participar de tal baile! Só podemos elogiar a iniciativa de Sandy Lerner, pois está usando seu dinheiro em prol da cultura e da sociedade.

Elizabeth Garvie (Lizzy Bennet – 1980)

David Rintoul (Mr. Darcy – 1980)
Para assistir o vídeo, clique aqui.
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Contribuiu com este post: Pollyana Coura