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Happy Birthday Jane!
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Texto traduzido e gentilmente cedido por Valéria Fernandes do Shoujo-Cafe
Por Richard Allen Greene, CNNLondres, Inglaterra (CNN) – É uma verdade universalmente reconhecida – ou quase – que Jane Austen, a autora de “Orgulho e Preconceito,” morreu de uma rara doença chamada mal de Addison, que tira do corpo a capacidade de produzir hormônios fundamentais. Katherine White não acredita nisso.White, ela mesma portadora do mal de Addison, estudou as próprias cartas de Austen e as de seus parentes e amigos, e concluiu que os sintomas chave não batem com aqueles conhecidos da doença. A doença – uma falência das supra-renais – era desconhecida nos dias de Austen, tendo primeiro sido identificada quarenta anos depois da sua morte aos 41 anos em 1817.Foi um médico chamado Zachary Cope quem primeiro propôs que o mal de Addison tinha matado Austen – uma novelista muito amada e cujas comédias de costumes continuam vendendo vigorosamente e inspirando filmes como aqueles com Keira Knightley, Donald Sutherland, Kate Winslet e Hugh Grant. (Para não mencionar as homenagens como a inspirada em Bollywood “Bride and Prejudice” e o inesperado bestseller deste ano “Pride and Prejudice ans Zombies”.)O artigo de Cope, publicado no British Medical Journal de 1964, atraiu a atenção de White cerca de dois anos atrás. “Quando eu li o sumário que Zachary Cope tinha feito dos sintomas, eu pensei, bem, não está correto,” White contou para a CNN.Ela concentrou sua atenção em um comentário que Austen fez em uma carta para um amigo menos de dois meses antes de sua morte: “Minha cabeça está sempre clara, e eu raramente sinto alguma dor.” Isto não é o que as vítimas do mal de Addison costumam dizer normalmente, White diz. “As pessoas costumam ter dores de cabeça intensas e sentem-se como se estivessem com uma ressaca infernal,” ela diz.Santa Elizabeth da Trindade, que morreu de Addison em 1906, comparou seu próprio sofrimento com o da crucificação, White observou. Pacientes também costumam ter dificuldade em lembrar palavras, e costumam ter dificuldades para falar, insônia e confusão mental. Austen, ao contrário, ditou um poema cômico de 24 linhas para sua irmã menos de 48 horas antes de morrer.White não é a primeira a questionar a teoria de que o mal de Addison teria matado Austen. A biógrafa britânica Claire Tomalin sugeriu em 1997 que um linfoma era o culpado. White também considera esta teoria improvável. Ela suspeita que a resposta é muito mais simples: tuberculose.Tomalin “estava ainda pensando em doenças do primeiro mundo. Ela sugeriu linfoma por conselho dos médicos,” White argumenta. “Se você pensa sobre a tuberculose, que era comum nos dias de Jane Austen, estatisticamente falando, a causa da morte mais razoável era a tuberculose contraída através de leite não pausterizado do que uma condição obscura como o linfoma,” White diz.O biógrafo de Austen, John Halperin, não tem certeza do que matou Austen – mas o que quer que seja, ela afetou sua escrita conforme sua vida foi chegando ao fim, ele diz. Seu último romance completo, “Persuasão,” é “bem mais triste e madura do que qualquer uma das outras,” ele diz. “Nós temos a sensação de que decisões adiadas nunca retornam. Este sentimento é muito claro em “Persuação”.” O tom é muito triste, mesmo que a heroína se case com o homem que ela ama no final,” Halperin diz. Na verdade, as anotações de Austen mostram que ela considerou um outro final, no qual a heroína não se casava com o homem amado.Halperin acredita que Austen morreu do mal de Addison, ele disse, embora ele aponte que sua biografia, “The Life of Jane Austen,” foi publicada em 1984, e que desde então houve muito avanço nas pesquisas sobre a doença. White, que é cientista social, não médica, é a coordenadora do Addison’s Disease Self-Help Group um grupo de apoio clínico no Reino Unido. Ela publicou um artigo esta semana no jornal de Medical Humanities expondo o seu caso.O artigo, “Jane Austen and Addison’s Disease: an unconvincing diagnosis,” admite que alguns dos sintomas de Austen eram consistentes com insuficiência adrenal, e salienta que não pode conhecer todas as dores de Austen, porque sua irmã Cassandra editou ou destruiu muitas das cartas de Jane. Mas Kenneth Burman, um especialista em endocrinologia no Washington Hospital Center em Washington, acha que os argumentos de White são plausíveis.Assim como White, ele especula que Austen pode ter sofrido por anos de alguma doença que afetou suas supra-renais, mas que a causa da morte era outra. “É possível que ela sofresse de uma insuficiência crônica nas supra-renais e que a causa de sua morte foi uma infecção secundária como a tuberculose,” ele diz.Ele também duvida que Austen tinha um linfoma, que tende a produzir aumento dos gânglios linfáticos no pescoço, inchaço no estômago por causa do aumento do fígado e baço, e as ânsias de sal – nenhum dos quais foram documentados em dias de final de Austen. “Eu concordo completamente” que é simplesmente estatisticamente mais provável que a romancista tenha tido tuberculose do que linfoma, ele disse. Mas, ele é cauteloso, nós nunca saberemos ao certo.“Diagnóstico retrospectivo é sempre muito especulativo,” ele disse. “É impossível saber com certeza.” Ou como a própria Austen escreveu, “Raramente, muito raramente, a verdade completa se dá a conhecer a qualquer ser humano, é raro que alguma coisa não esteja um pouco disfarçada, ou equivocada.”
A notícia já tinha saído Jornal de Guardian e hoje foi traduzida pelo Jornal Estadão:
Novos dados levam a crer que a autora de Orgulho e Preconceito tenha morrido com um linfoma, e não de problemas renais decorrentes do Mal de AddisonEm suas tramas sedutoramente cômicas, Jane Austen costumava ridicularizar os personagens que viviam preocupados com sua saúde. Portanto, a romancista ficaria perplexa – mas talvez achasse divertido – ao descobrir que, quase 200 anos após a sua morte, a natureza exata da misteriosa doença que a acometeu no final acabou se tornando objeto de uma fascinação literária permanente.Uma recente análise dos sintomas que ela apresentou, divulgada neste início de dezembro, sugeriu que a autora de Orgulho e Preconceito pode ter morrido prematuramente de tuberculose transmitida pelo gado. O que se afirma é que um exame da correspondência e das lembranças da sua família provam que ela não foi, como supunham médicos especialistas, vítima do mal de Addison (atrofia da glândula supre-renal). A vida privada de Jane Austen ainda intriga seus leitores modernos, enquanto médicos e biógrafos há mais de 40 anos discutem a causa precisa da sua morte, em 1817. Escrevendo na revista inglesa Medical Humanities, Katherine White, do grupo de autoajuda de doentes que sofrem do mal de Addison, ofereceu algumas evidências com o fim de liquidar com uma das mais amplamente aceitas teorias médicas sobre a morte de Jane Austen. “Jane Austen morreu aos 41 anos, deixando seu sétimo romance, Sanditon, inacabado”, diz ela. “Embora Jane tenha sobrevivido a muitos dos seus pares na Inglaterra no período da Regência (quatro das suas cunhadas morreram por causa de complicações pós-parto), a causa da morte de Jane continua aberta a especulações póstumas.”Na sua juventude e em grande parte da vida adulta, Jane Austen tinha uma constituição relativamente robusta. Ainda adolescente, escreveu seu primeiro romance cômico, satírico, Love and Friendship (Amor e Amizade), em que os protagonistas zombam constantemente da sua compassiva debilidade emocional. Em maio de 1817, Jane foi para Winchester, Hampshire, sul da Inglaterra, em busca de auxilio médico, mas morreu na cidade dois meses depois. Como lembra um dos muitos websites literários dedicados à sua vida e obra, “Jane Austen morreu na madrugada de sexta-feira de 18 de julho de 1817, a cabeça recostada num travesseiro no regaço de Cassandra; sua irmã manteve-se de vigília ao seu lado durante toda a noite.”Katherine White escreve que “em 1964, o médico Sir Zachary Cope propôs que o mal de Addison tuberculoso poderia explicar sua deterioração, que a deixava prostrada no leito, o seu tom da pele insólito, seus ataques de bílis, as dores reumáticas e a ausência de sinais mais específicos da doença”. Por outro lado, em 1997, Claire Tomalin, que faz parte do grupo mais recente de biógrafos de Jane Austen, sugeriu que um linfoma se ajustaria mais aos sintomas reportados da romancista. Katherine White concorda que o diagnóstico do médico Zachary Cope pode estar correto mas observa que “muitas pessoas que sofrem do mal de Addison costumam ficar mentalmente confusas, sentem dores generalizadas, perdem peso e apetite. Nenhum desses sintomas aparecem nas cartas de Jane Austen”. Tradução de Terezinha Martino
O post de hoje é uma sugestão da Poliana! thanks dear!
Só de assistir a exibição on line da exposição na Morgan Library, já se percebe ser uma experiência única entrar em contato com o universo de Austen, mais ainda poder ver de perto seus manuscritos, ler suas cartas pessoais, conhecer, enfim, seus pensamentos e como ela percebia o mundo ao seu redor.Como bem observou um dos entrevistados, no vídeo dedicado à exposição, até mesmo uma lista de compras de Austen deve ser interessante de ler, pois mesmo suas cartas pessoais, seus comentários, conselhos, pensamentos, tudo o que ela escrevia, à irmã Cassandra e à sobrinha Fanny, em especial, eram de uma profundidade e uma perspicácia quanto ao comportamento e sentimentos humanos que mereceriam ser publicados, tal qual uma obra literária propriamente dita. E isso o que mais me impressionou, ao assistir on line a exposição.Também, não há quem não ressalte a inteligência e a elegância de Austen, o que se pode ver até mesmo por sua caligrafia.É de tirar o fôlego, enfim. E só digo que gostaria imensamente de ter sido um dos privilegiados que puderam efetivamente pegar os manuscritos de Jane e lê-los, para sentir – usando as palavras de um desses privilegiados – a experiência de escrevê-los, transportando-se, pois, para o corpo, a visão e a percepção de Austen.
Assista ao vídeo The Divine Jane – reflections on Austen:
Friday, November 20, 7 p.m.
Family Program – Winter Family Day Celebration
Sunday, December 6, 2–5 p.m.
Lecture – A preview of MASTERPIECE Classic’s Emma
Wednesday, January 20, 2010, 6:30 p.m.
Film – Pride and Prejudice
Sunday, January 24, 2010, 2 p.m.
Lecture – From Gothic to Graphic: Adapting Jane Austen Novels
Tuesday, January 26, 2010, 6:30 p.m.
Reading Jane Austen
Pride and Prejudice – Wednesday, January 27, 2010, 3–4:30 p.m.
Emma – Wednesday, February 10, 2010
Persuasion – Wednesday, February 24, 2010
Film
Sense and Sensibility – Friday, February 12, 2010, 7 p.m.
Gallery Talk
A Woman’s Wit: Jane Austen’s Life and Legacy
Friday, February 26, 2010, 7 p.m.
O bracelete acima está à venda por 65,95 dólares em uma loja virtual chamada: Aquinas & More Catholics Goods.
Um pequeno trecho da terceira prece de Jane foi gravado neste bracelete: “Teach us.. that we may feel the importance of every day, of every hour, as it passes.” (Pray III by Jane Austen)
Tradução: “Nos ensine.. que devemos perceber a importância de cada dia, cada hora, à medida que o tempo passa.” (Prece III – Jane Austen)
No original a frase completa escrita por Jane está assim:
“Teach us almighty father, to consider this solemn truth, as we should do, that we may feel the importance of every day, and every hour as it passes…”
Criada em um lar cristão, Jane não era formada em teologia, mas todos os ensinamentos que aprendeu com o pai e irmãos pastores foram importantes para que ela desenvolvesse um profundo conhecimento e respeito pelo cristianismo e valores cristãos. Como mencionei no post anterior, Jane era religiosa e tinha muita fé. Adorava os sermões do Bispo de Londres, Thomas Sherlock, como se observa nesta passagem em uma de suas cartas: “I am very fond of Sherlock’s Sermons, prefer them to almost any“. Tradução: “Tenho bastante afeição pelos sermões de Sherlock, prefiro estes do que qualquer outro”.
Concluo este post testificando a religiosidade de Austen, com com uma citação de Helen Lefroy, uma parenta indireta de Jane Austen:
“Throughout her life Jane Austen had been guided by Christian principles, and she accepted the church’s teaching without question. Her faith is implicit in all her writing: the virtues of a disciplined life, a caring relationship between husband and wife, and their duty to give children a moral and loving upbringing, are reflected in her letters and in her novels [and of course in her prayers]. At her death she expected to appear before God and be judged.” (Lefroy, 1997: p.75)
Tradução: “Ao longo de sua vida, Jane Austen foi guiada por princípios Cristãos, e ela aceitou os ensinamentos da Igreja sem questionamentos. Sua fé está implícita em todos seus escritos: as virtudes de uma vida disciplinada, uma relação atenciosa entre o marido e esposa, e o dever dos pais para que as crianças tenham uma educação moral e amorosa, estão refletidos em suas cartas e romances [e claro em suas orações dela]. Quando morreu esperava estar na presença de Deus e ser julgada.”
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Nota: encontrei pouca coisa sobre a Helen Lefroy: uma foto que pertence ao JASNA (ela é a senhora de cabelos grisalhos).
Referência:
LEFROY, Helen. Jane Austen. Thrupp, Stroud, Goucestershire: Sutton Publishing, 1997.