“Começo por avisar todos os leitores que este post contém SPOILERS.Quem estiver a pensar ler o livro e não quiser saber o final, NÃO LEIA este post…
“Mr. Darcy, Vampyre” de Amanda Grange vem no espírito dos inúmeros volumes inspirados por “Pride and Prejudice” de Jane Austen, alguns deles escritos pela própria.
A verdade é que as aventuras e desventuras de Lizzie e Darcy alimentam a imaginação de milhares de pessoas – mulheres, na sua maioria 😉 – há décadas.
Pride and Prejudice tornou-se num verdadeiro filão de fanfiction profissional e podemos encontrar todo o tipo de histórias, recordo, a título de exemplo:
Mr. Darcy Takes a Wife de Linda Berdoll
Mr. and Mrs. Fitzwilliam Darcy de Sharon Lathan
Mr. Darcy’s Diary um Amanda Grange e outro de Maya Slater
Mr. Darcy’s Dream de Elizabeth Aston
Pride and Prejudice and Zombies de Jane Austen e Seth Grahame-Smith
…
Podia ficar aqui o resto da noite a escrever livros e autores porque a quantidade de sequelas, adaptações, remakes e palhaçadas é verdadeiramente extensa!
O facto da história ser efectivamente original é uma mais valia quando comparada com os recentes e muito preguiçosos “Pride and Prejudice and Zombies” ou “Sense and Sensability and Sea Monsters” (este último não li, porém, pelo que vi, segue as linhas do P&P&Z), mas a verdade é que isso não é suficiente para fazer de um livro um bom livro.
Sendo uma fã de P&P e de Vampiros, parece quase impossível este livro não me ter agradado, mas a verdade é essa.
Um Darcy de personalidade alterada, que passa o tempo todo escondendo-se de Lizzie e resistindo as suas timidas tentativas de sedução não era bem a personagem vampirica que tinha em mente.
Grange fez mentalmente uma lista de locais a visitar, encheu uns quantos palacetes, castelos e casarões com vampiros meio distraídos e muito pouco discretos (incluindo um tio Conde Polidori que vive num velho castelo nos Alpes; talvez os Cárpatos fossem um pouco fora de mão para serem visitados numa lua-de-mel) e faz Lizzie andar a passear rapidamente, num casamento por consumar, por uma Europa onde até aparece a Lady Catherine e a sua enferma Anne, quase a picar o ponto para garantir que tinha um pouco mais de 200 páginas.
Resumindo: Darcy é vampiro, tem medo de consumar o casamento porque alguém lhe disse no dia da cerimónia que, se calhar, sexo é capaz de ser um método, alternativo à dentada, para transformar alguém em vampiro e por isso, decide viajar pelos seus amigos vampiros da Europa para validar essa ideia, uma vez que não quer ver Lizzie transformada em vampira (sabe-se lá porquê! se gosta tanto dela, vivam os dois para sempre).
Entretanto, são perseguidos não se sabe bem porquê ou por quem, as dicas do vampirismo de Darcy são mais que muitas, mas Lizzie não dá conta de nada (incluindo as transformações nocturnas em morcego), e quando finalmente surge a revelação, vem associada a uma possibilidade de converter a “maldição” e de voltar a ser mortal.
Em vez de oferecer a Lizzie a vida eterna, Darcy decide descer a umas grutas por baixo de uns templos que ficam mesmo ali ao lado de uma das cabanas de caça que este possui quase a cada esquina e, num estranho e muito mal “amanhado” ritual com muito pouco rito, deixa de ser vampiro e passa a viver com Lizzie como mortal.
As limitações das famílias de vampiros chegam quase a ser hilariantes, como o caso de Darcy que fica transparente (!?) durante o nascer e o pôr do sol (isto levanta alguns problemas no que toca à mais recente adaptação do P&P no cinema, para quem se lembra da cena final!).
Já para não dizer que, de repente, Lizzie passou a ter uma beleza avassaladora para toda a gente quando antes era só engraçada. O que diriam eles de Jane, referida por TODOS em P&P como sendo a mais bela das irmãs…
É impressão minha ou estes finais estão cada vez piores!?…
Não sei se vai ser publicado por cá (Portugal), mas entretanto sairá outro com a mesma premissa – Mr. Darcy é ou será transformado em vampiro – em Dezembro: “Vampire Darcy’s Hunger: A Pride and Prejudice Adaptation”. Este adaptation faz com que este esteja talvez demasiado próximo do P&P&Z, o que me preocupa um pouco no que toca à originalidade…”
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