Jasbra Clube de Leitura

Prezados leitores, temos a satisfação de convidá-los para o nosso clube de leitura. Nossa temporada de leitura começa com o primeiro livro que Jane enviou para publicação (embora não tenho sido o primeiro a ser publicado). Nossa intenção é acompanhar o desenvolvimento artístico de Jane começando pelo primeiro que ela considerou pronto para publicação. Não vamos começar com Razão e Sensibilidade, pois apesar desse livro ter sido escrito no mesmo período de A Abadia de Northanger, a autora fez alterações e deu seu trabalho por concluído em 1811. Explicações dadas, agora é hora de detalhar nosso calendário! Vamos realizar discussões semanais, o prazo final será sempre o domingo:
DEZEMBRO
06 – Capítulos 01 a 04
13 – Capítulos 05 a 08
20 – Capítulos 09 a 12
27 – Capítulos 13 a 16
JANEIRO
03 – Capítulos 17 a 20
10 – Capítulos 21 a 24
17 – Capítulos 25 a 28
24 – Capítulos 29 a 31
31 – Discussão final
Como faltam duas semanas para as começarmos as discussões, aqueles que ainda não possuem o livro terão tempo de comprá-lo ou procurá-lo em uma biblioteca! Além disso, faremos um sorteio do livro, na semana que vem. Aguardem o post com os detalhes!
O mais importante: para participar do clube de leitura, você deve se inscrever no Jasbra Groups aqui.
Se tiver dúvidas deixe um recado ou envie um e-mail para adriana@jasbra.com.br

Raquel de Queiróz e a tradução de Mansfield Park

O texto abaixo é uma contribuição de Ana Maria Almeida – co-fundadora do Jane Austen Sociedade do Brasil e é baseado no artigo acadêmico a respeito das traduções realizadas por Raquel de Queiróz.

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Jane Austen é merecidamente reconhecida como uma das mais célebres escritoras inglesas. Sua obra foi traduzida em vários países ao redor do mundo e recebeu diversas adaptações para o cinema, o teatro e a TV, tornando a escritora ainda mais famosa. Pessoas das mais diversas culturas, línguas e credos reverenciam seus livros e mantém aceso o interesse por tudo o que lhes dizem respeito.
Os fãs brasileiros de Jane Austen podem contar com traduções feitas para o português de suas seis principais obras. Contudo, há tempos que alguns destes livros andam ausentes das prateleiras de livrarias e sebos brasileiros. Recentemente, algumas editoras brasileiras vêm se ocupando com novas publicações da obra de Jane Austen. Resta-nos esperar que também se faça uma tradução para os livros da fase “Juvenilha”, ainda inéditos em publicações no Brasil. Este torna-se, portanto, um momento propício para uma reflexão sobre o árduo ofício da tradução.
Existe uma famosa frase que diz ser a História “filha de seu tempo”, ou seja, a escrita da história é um produto da vivência daqueles que a escrevem e do período no qual estes estão inseridos. O mesmo pode ser dito em relação às traduções literárias. Estas também são “filhas de seu tempo”. É uma ilusão acreditar que as traduções literárias são, puramente, versões literais de uma dada obra, reescritas em outros idiomas. Traduções literais podem parecer, à primeira vista, a forma ideal para uma tradução. Contudo, isso não é possível. Cada idioma possui suas peculiaridades, e, por vezes, estas são incompreensíveis quando transportadas para outros idiomas. Além disso, existem expressões idiomáticas que são culturalmente entendidas por uma dada sociedade, mas se tornam incompreensíveis quando traduzidas para outra língua, o que implica também em culturas diversas, ou seja, estrangeiras. Outro aspecto importante não pode ser relevado ao tratarmos de traduções: as escolhas particulares realizadas pelo tradutor diante do texto original.
Em trabalho acadêmico realizado por estudantes do bacharelado em Letras da Faculdade Federal de Juiz de Fora (UFJF) foi analisada a tradução de Raquel de Queiroz para o livro Mansfield Park, da escritora Jane Austen. Além de seu próprio trabalho como escritora, Raquel de Queiroz realizou diversas traduções. Mansfield Park, publicado no Brasil no ano de 1942, foi seu 4º. trabalho de tradução (sendo 47 no total). De acordo com o artigo “Raquel de Queiroz e a tradução na década de 40 do século XX”, escrito por Priscilla Pellegrino de Oliveira e Maria Clara Castellões de Oliveira, a tradução de Mansfied Park, possui implicações próprias da época em que foi produzida, e escolhas estilísticas que, de certo modo, interferem no texto original escrito pela escritora inglesa.
Tal tradução se deu no âmbito do Estado Novo, período autoritário do Governo Vargas, em que os meios de comunicação – entre eles, o meio editorial – eram fortemente controlados pelo Estado. Entre as diversas traduções realizadas por Queiroz observa-se a preponderância de obras com temática feminina, além de muitas obras escritas por mulheres. Algo que não deixa de refletir o momento de conquistas femininas no governo Vargas, com destaque para o direito da mulher ao voto. Não obstante, Fanny Price, a protagonista de Mansfield Park, ser considerada a mais submissa das protagonistas austeanas.
Segundo Priscilla Pellegrino e Maria Clara Castellões, ao trazer o romance de Austen para a língua portuguesa, Raquel de Queiroz utilizou-se de “estrangeirismos”, ou seja, conservou determinados termos de língua inglesa, como os títulos Sir, Mr e Gentleman, assim como também deixou, em alguns momentos, trechos inteiros sem tradução, sem sequer criar notas de rodapé. Todavia, na maior parte do texto, Queiroz optou por uma tradução que fizesse com que o texto parecesse ter sido produzido originalmente em língua portuguesa. Esta escolha implicou, por vezes, na substituição de expressões próprias da língua inglesa por expressões próprias da língua portuguesa, no intuito de proporcionar maior fluência aos leitores brasileiros. Em outros momentos, frases inteiras foram suprimidas na tradução. Um bom exemplo é a frase she could not to be thankful (algo como ela não poderia fazer coisa alguma senão agradecer), que foi traduzida simplesmente por: ficou agradecida.
A conclusão é que Raquel de Queiroz optou por fazer uma tradução mais idiomática do que literal. Nas palavras das autoras do artigo aqui comentado, Queiroz “forneceu ao público-leitor uma visão do estilo da autora britânica que não condiz com aquele que é percebido quando o texto é lido em seu original em língua inglesa”. Entretanto, nada disso diminui os méritos que de tal tradução, que ajudou milhares de leitores não familiarizados com a língua inglesa a terem acesso a mais uma das obras de Jane Austen. Se as adaptações feitas por Raquel de Queiroz alteraram o sentido de algumas frases, elas de modo algum alteram o sentido original da obra. A essência do texto manteve-se inalterada, sem maiores prejuízos para o leitor brasileiro.
Voltando às nossas considerações iniciais, podemos dizer que o tradutor se torna, também, um pouco pai do texto traduzido, deixando sua própria marca em algo que, apesar de não lhe pertencer originalmente, possui muito de si próprio.
(Para conferir o artigo “Raquel de Queiroz e a tradução na década de 40 do século XX” de autoria de Priscilla Pellegrino de Oliviera e Maria Clara Castellões de Oliveira ver o artigo completo)
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Faz-se necessário observar que os comentários aqui publicados em nenhum momento tiveram a intenção de denegrir a imagem da nossa querida Raquel de Queiróz, nossa intenção é incentivar a discussão em torno de Austen e suas obras.

Imagens de Bath

Outra coisinha interessante que descobri no site da Biblioteca Britânica foi algumas imagens de Bath, cidade que Jane conhecia e citou em dois livros: Persuasão e A Abadia de Northanger.

The Pump Room, Bath

General View of Bath
Milsom Street, Bath
Bath, The Hot Baths

A Ball in the Rooms, Bath
Great Poulteney Street, Bath
Bath Oliver Biscuits Advertisement, 1884

Loja Virtual da Biblioteca Britânica

A Biblioteca Briânica também possui uma lojinha virtual onde podemos comprar diversos livros e outros objetos relacionados a Austen. Vejam como são lindos esses livros abaixo:

Emma e Persuasão

Cartas de Jane Austen
Agendas e diário
Vida no campo – silhuetas feitas pelo sobrinho Jane: James Edward Austen-Leigh
Cartão postal e caneca com as ilustrações de James Edward.

A História da Inglaterra – Biblioteca Britânica

A Biblioteca Britânica disponibiliza um livro de Jane Austen para visualização e impressão do Fac-Símile do original, além do leitor poder acompanhar a leitura em áudio. The History of England foi escrito por Jane Austen em sua adolescência e a autora alerta o leitor que se trata de uma visão parcial, preconceito de uma historiadora ignorante (irônica não?).
Abaixo algumas imagens disponbilizadas pelo site:
Páginas 1 e 2

Se Jane Austen tivesse um computador

Joan Wickersham escreveu um artigo bem humorado sobre o que Jane Austen faria se tivesse um computador. Bem, ele começa o artigo com a célebre frase: é uma verdade universalmente reconhecida que um escritor entediado e curioso ocasionalmente digitará seu nome no box de pesquisa do site amazon.com, e decidida a fazer isso em uma solitária tarde, acaba descobrindo resultados excessivamente divertidos.
Jane certamente se sentiria gratificada ao ver que não somente seus seis livros publicados, mas também a juvenília e fragmentos de um romance que ela estava escrevendo estão disponíveis em múltiplas edições.
Ao perceber que no site da amazon existe uma tag onde é possível ver o que os outros leitores andam comprando quando compras os livros dela. Talvez ela pense que irá encontrar autores de sua época como Fielding, Sterne, Mrs. Radcliffe. Mas não… ela encontra algo como: Mr. Darcy Takes a Wife. Finalmente descobre que há mais de 275 livros entre continuaçòes, paródias, etc. Além é claro, dos DVDS, que ela faz o download de alguns. Jane assisti Colin Firth tentou esfriar sua paixão por Lizzy mergulhando em um lago e saindo com camisa molhada e quase mostrando tudo. Além é claro do filme de 2005, onde Keira Knightley e Matthew Macfadyen, como Elizabeth e Darcy, se beijam vestindo apenas pijamas. Jane percebe que seus personagens agora possuem atitudes modernas e poucas peças de roupas.
 O autor continua descrevendo as maravilhas que Jane encontra no site/internet até chegar ao famoso Orgulho e Preconceito e Zumbis, que ela logo coloca no carrinho de compras.
O artigo é engraçado e toca em uma questão interessante: na época de Austen, as pessoas jamais sonharam com tantos avanços tecnológicos. Será que ela gostaria de viver em um mundo assim? Será que se adaptaria como Elizabeth Bennet da versão Lost in Austen?

O livro dos livros perdidos

Por sugestão de um professor leitor da Revista Nova Escola, me interessei pelo título do livro: O livros dos livros perdidos – uma história das grandes obras que você nunca vai ler. Fiquei curiosa e comprei o livro! Para minha surpresa, a capa vem com o subtítulo – uma história das grandes obras que você nunca vai ler – com a letra da Jane Austen! Faz mais de um ano que vi a indicação desse professor, anotei o nome do livro para compras futuras. Comprei sem a intenção de encontrar algo relacionado à Austen e para minha segunda surpresa o livro tem um capítulo sobre ela!
São apenas sete apenas onde Stuart Kelly fala sobre algumas críticas positivas que Jane recebeu de Margaret Drabble, Sue Gaisford e Sir Walter Scott.
Em seguida, o autor passa a falar das publicações dos livros de Austen e apresenta algumas linhas sobre algumas trabalhos da juvenília:  Jack e Alice, A Bela Cassandra, Henry e Eliza, A História da Inglaterra, Lady Susan, The Watsons e Sandition.
Já no final do capítulo Stuart menciona um esboço escrito por Austen chamado “Plano de um romance, de acordo com sugestões de vários lugares”. Segundo o autor, “ela nunca teve a intenção de escrevê-lo; o ‘plano’ em si mesmo era suficiente para demonstrar a tolice de seus críticos“. Austen também inclui alguns enredos enviados para ela por James Stanier Clarke, o bibliotecário do Princípe Regente. Jane se correspondeu com Clarke ao dedicar Emma ao Príncipe Regente. Não vou discorrer sobre todo o texto de Stuart aqui, mas resumo o final do capítulo dizendo que o autor menciona as sugestões de Clarke e as respostas de Jane – que a propósito é “gloriosamente mordaz e ousadamente sincera“.
Stuart conclui o capítulo de maneira muito irônica: “Se alguma vez existiu um livro de cuja total e verdadeira perda podemos nos alegrar, ele certamente é: As magníficas aventuras e intrigantes romances da Casa de Saxe-Coburgo, de Jane Auste”. p. 309
O livro é composto por diversos capítulos sobre autores diversos, por questão de tempo, vou colocar aqui a lista dos autores em forma de imagem (clique na imagem abaixo para conseguir ler):
Descrição do livro:

Em O livro dos livros perdidos, Stuart Kelly revela trabalhos desaparecidos de autores famosos e conta fascinantes histórias reais por trás de livros que não foram publicados por terem sido destruídos, extraviados, interrompidos pela morte do autor ou simplesmente nunca começados. O que realmente aconteceu com o segundo romance de Sylvia Plath? E qual seria o monstruoso segredo contido nas memórias de Lord Byron que levou seu editor a queimar o manuscrito? Essas são algumas das perguntas respondidas por Kelly nesta pesquisa fascinante.

Editora: Record
Autor: STUART KELLY
Ano: 2007
Edição: 1
Número de páginas: 434
Acabamento: Brochura
Formato: Médio

Lançamento para fevereiro

Talking About Jane Austen in Baghdad: The True Story of an Unlikely Friendship tem previsão para chegar à Livraria Cultura no final de fevereiro de 2010. Ainda sem sinopse, o site da livraria apresenta apenas detalhes técnicos:
Autores: BEE ROWLATT & MAY WITWIT
Número de páginas: 384

Novos lançamentos em DVD

Acabo de receber um recado da Lara Silbigier – gerente de comunicação da Lon On, editora que lançou a série Orgulho e Preconceito (1995) em DVD.
Lara agradece por tantos elogios feitos ao box da série e responde algumas observações que deixei no site da livraria cultura.
Explico:
Eu comentei que o texto da ficha do produto é um tanto diferente dos personagens criados por Jane. Sobre a descrição dos personagens na sinopse Lara justifica que a mesma foi feita mantendo-se o mais fiel possível à descrição usada no material de divulgação da BBC.
Eu chamei a atenção para a presença do senhor calvo na imagem inferior da capa do dvd. Em resposta, Lara disse que em relação à foto, também se trata do material fornecido pela BBC. Sim, o personagem é um figurante, mas era a foto em que a Jennifer Ehle aparecia melhor e, por isso, foi escolhida.
Uma ótima novidade é que a LonOn vai lançar em 2010 outros boxes de séries da BBC, alguns em High Definition:
Emma 2009
Sense and Sensibility 2008
Crime and Punishement (?)
Lara, colocou-se à disposição para conversamos sobre essa e outras séries da BBC.
Eu gostaria de aproveitar esse post e sugerir que vocês escrevam uma lista das séries que gostariam de ver em DVD aqui no Brasil! Confesso que é com grande alegria que farei essa lista! Já estava passando da hora de termos acesso às séries em português e por um preço acessível, não é mesmo?

Resultado do sorteio do livro Catharine

Atenção Lidia Camargo, você foi sorteada e receberá o livro Catherine! Parabéns!
Para recebê-lo deverá entrar em contato até o dia 20/11, é só enviar um e-mail para adriana@jasbra.com.br