Sorteio Bicentenário de Mansfield Park!

Prezados leitores, em 2012 tive o prazer de trabalhar com a Editora Martin Claret e ajudar a escolher cores de capas e escrever todos os resumos das contracapas, além, é claro, de traduzir Emma.
Para comemorar o Bicentenário de Mansifeld Park e em parceria com a editora Martin Claret, começam hoje e vai até o dia 08 de junho as participações para o sorteio de 2 livros Mansfield Park, tradução de Alda Porto. 
Até o FITZwilliam Darcy, vulgo Fitz, quis participar do convite para o sorteio! 
Meninos são muito bem vindos, apesar do convite sedutor do gato Fitz! 🙂 
Para participar vocês deverão deixar nome e email de contato! Não será permitida a participação duplicada.
O resultado do sorteio será publicado aqqui no blog da JASBRA no dia 09 de junho! Fiquem atentos! Os vencedores terão 05 dias para enviar os dados de correspondência! 

Vejam os detalhes dessa coleção da Martin Claret: cores vibrantes, capítulos com o 1o parágrafo com a letra de Jane Austen e as flores das capas são todas em dourado!

Jane na Copa? Faça parte do Team Austen!

Sim, prezados leitores! Jane Austen, mocinha faceira que é, resolveu dar um pontapé inicial e nos prestigiar com uma aparição em pleno Estádio do Mineirão (Belo Horizonte)! 
Para celebrar esse momento festivo que é a Copa do Mundo, a JASBRA resolveu vender (por tempo MUITO limitado) camisetas em homenagem à Copa do Mundo 2014. As vendas ocorrerão entre os dias 27 de maio a 02 de junho, e somente serão encaminhadas pelos correios após confirmação de pagamento. Fiquem atentos! 

Vejam como está linda a illustração do meu aluno Tiago Calado!

Camiseta pronta! 

Medidas das camisetas:

Malha PV (poliester viscose):

Modelo Baby Look
Tamanho GG – 88 cm (busto)

Modelo Padrão
Tamanho P – 94 cm (busto)
Tamanho M – 106 cm (busto)
Tamanho G – 112 cm (busto)

Como funcionarão as vendas:

Sistema de pré-venda, ou seja, você tem que garantir sua reserva e pagamento até o dia 02 de junho para que receba sua camiseta! Clique aqui e preencha seu formulário.

Edmund Bertram e Fanny Price – Bicentenário de Mansfield Park

O que vocês acham dos personagens principais 
de Mansfield Park?
Leia abaixo um breve estudo que realizei em 2010 na ocasião do lançamento da minha tradução Mansfield Park – Editora Landmark.

Bicentenário de Mansfield Park!

Neste mês de maio, Mansfield Park comemora 200 anos! Mesmo um pouco atrasada começarei uma série de posts em comemoração ao livro!

Nós da JASBRA faríamos um Encontro Nacional aqui em Belo Horizonte agora em maio, porém, por causa da Copa e diversos impedimentos, decidimos realizar o encontro no segundo semestre. Data e local a serem confirmados! Aguardem!

Gazeta de Longbourn Apresenta: Lady Susan

Não consigo me decidir em relação a nada tão sério quanto um matrimônio, sobretudo porque no presente momento não estou precisando de dinheiro, e talvez, antes da morte do velho cavalheiro, o enlace me trouxesse muito poucas vantagens.

A primeira vez que li Lady Susan foi em francês, num pocket que me foi presenteado pela Claire, do Jane Austen Lost in France. Algum tempo depois, quando comprei a edição comentada de Persuasão da Zahar, encontrei uma tradução aparentemente inédita desse romance epistolar muitas vezes esquecido da Austen.

É interessante que quando se falam nos romances da autora inglesa, Lady Susan é muitas vezes esquecido. Isso ocorre talvez porque a um só tempo, esse romance epistolar não se encaixa na chamada Juvenilia, embora tenha sido escrito quando Austen ainda era uma adolescente, tampouco está par a par com os livros mais conhecidos.

Se fosse para resumir Lady Susan em uma palavra eu diria ‘cínico’. Em certa medida, ela me faz pensar no famoso As Ligações Perigosas, de Choderlos de Laclos – até mesmo pelo formato de ambos, onde a história é contada através de cartas.

Como já disse antes, Lady Susan é muito diferente das outras obras da autora. Não é uma comédia de maneiras, ou um romance edificante e inspirador. Do meu ponto de vista, me parece um estudo de personagem – uma personagem maquiavelicamente inteligente, manipuladora, sem qualquer tipo de compaixão ou empatia, nem mesmo para com a própria filha.

Onde quer que vá, Lady Susan convida escândalo. Sua beleza e inteligência a tornam irresistível para os homens. Sendo uma viúva, ela não precisa parar no flerte ou nas promessas de casamento como uma donzela – fica implícito quando conta de suas aventuras com um cavalheiro casado que ela fez mais que seduzi-lo com palavras.

O grande problema de Lady Susan, o que a torna uma vilã execrável, não é que ela tenha uma vida sexual ativa – ele foi publicado quase meio século após a morte da autora, talvez porque se tivesse saído ainda à época de Austen, teria ele mesmo provocado um escândalo. Não, não é um problema que se desvincule do estereótipo de protagonista romântica querendo casar por amor. A questão é sua relação com a filha, Frederica.

O abuso emocional que Frederica sofre nas mãos da mãe é para revirar o estômago. Lady Susan diz com todas as letras que é completamente indiferente à filha, exceto, talvez, para encontrar defeitos. Pela descrição que a mãe faz dela, temos a impressão de que Frederica é uma ratinha, absolutamente sem graça, sem vontade ou brilho. É uma impressão diferente das cartas de Mrs. Vernon, a tia, que a enxerga como uma menina doce, mas extremamente tímida, subjugada pelo bullying da própria mãe.

Lady Susan tem dois objetivos de vida: casar a filha com qualquer idiota que tenha dinheiro e casar-se ela própria com um marido rico. Para Frederica ela quer um idiota porque assim será mais fácil de controlar a filha, o genro (e não há muitos escrúpulos ou preocupações em seduzir esse aqui também…) e a bolsa. Para si, ela talvez prefira alguém mais jovem e vigoroso, contanto que seja manipulável.

Austen constrói todo esse drama de forma quase leve, predominantemente no tom irresponsável e arrogante de Lady Susan. A hipocrisia social e das relações familiares é o tema predominante, mas tudo parece estranhamente ausente de julgamentos – a despeito das missivas de Mrs. Vernon, a venenosa Lady Susan parece sempre conseguir se safar com graça e ainda por cima.

Os leitores habituais de Austen provavelmente estranharão a forma como as coisas acontecem aqui, mas Lady Susan é mais que uma simples curiosidade no currículo da autora. Não é a história em si que importa, mas sim os personagens (por isso que chamei de estudo de caráter), brilhantemente elaborados, e as questões morais trazidas por eles.

Trabalho da Design Samanta Coan com temática Jane Austen

A Design mineira Samanta Coan produziu como trabalho de final de curso um kit Jane Austen com o seu livro favorito: Orgulho e Preconceito! Já conheço Samanta há bastante tempo, mas só agora vi o trabalho (produto final) em seu portifólio digital! O kit foi um projeto de conclusão do curso de Design e ainda não está à venda.  Vejam como ficou lindo!

Maiores detalhes clique aqui

Dois super lançamentos em português!

Luciana Darce, já se antecipou e publicou lá na página da JASBRA no Facebook, porém, como nem todos os leitores deste blog participam do nosso grupo por lá, resolvi publicar a notícia por aqui também. 
A livraria Cultura está lançando dois livros:

JUVENILIA 

é um livro duplo com escritos de Jane Austen e Charlotte Bronte, possui 472 páginas, tradução de Julia Romeu. Não há menção de quais livros da Juvenília fazem parte deste volume. Há apenas uma sinopse no site e está em pré-venda. Clique aqui para ter acesso ao livro. Publicação da Cia das Letras/Penguin. 

À primeira vista, Jane Austen e Charlotte Brontë parecem radicalmente opostas. Austen representa a elegância e a proporção neoclássica, parodiando excessos literários e criticando as fraquezas humanas. Brontë, por sua vez, imprime em sua escrita toda a paixão e a extravagância do espírito romântico, não raro com forte influência da fantasia. Numa época em que a literatura popular era considerada perigosa para a mente das jovens, a erudição precoce, a originalidade e a liberdade de espírito aproximam essas duas autoras. Ambas tinham como personagens centrais mulheres, sendo responsáveis pelos retratos mais marcantes de lealdade e dedicação feminina da literatura inglesa. E ambas constroem as suas heroínas como produtos do condicionamento feminino da época, cujas expectativas sociais eram muito restritas. Austen e Brontë tiveram uma produção bastante fértil na juventude, reunida neste livro, a qual parece encontrar uma espécie de equilíbrio no conflito entre a moral individual e social, criando heroínas complexas que se destacam por sua coragem e independência.
Trata-se de uma biografia de Jane Austen, com 224 páginas, escrita por Catherine Reef. Publicação da Editora Nova Século, com tradução de Katia Hanna. Essa biografia é mais recente e não tenho ainda no meu acervo, mesmo em inglês, portanto, eu não tenho como fazer qualquer comentário sobre a publicação. Entretanto, há que se lembrar que a autora deste livro é responsável por outras biografias e possui bastante livros publicados na área. Também vai para o meu carrinho de compras! Clique aqui para ter acesso ao livro.
Uma biografia contundente, perspicaz e divertida como uma legítima obra de Jane Austen, a vida revelada da escritora mais importante do século XIX. Embora seja uma das escritoras mais amadas de todos os tempos, Jane Austen ainda é uma figura de grande mistério. Seria ela a gentil e doce tia Jane? Ou uma moça de língua afiada, ardilosa, como sugere sua escrita? Como passava seus dias? E, se ela nunca alcançou o mesmo final feliz de suas personagens, teria ao menos encontrado o amor verdadeiro? Ambientando sua narrativa no contexto da aristocracia inglesa do século XIX, Catherine Reef extrai informações de cartas escritas por Austen para conceber um relato íntimo da vida e dos sentimentos da escritora. A narrativa inclui detalhes dos seis fascinantes romances publicados pela escritora.

Gazeta de Longbourn Apresenta: A Truth Universally Acknowledged

A erudite collection of essays considers Jane Austen’s lasting influence and popularity in literary circles as well as her work’s reflection of humanity, in an anthology that includes pieces by such writers as Virginia Woolf, C. S. Lewis and E. M. Forster.

Fazia tempo que eu andava atrás desse livro, acho que praticamente desde de sua publicação, ainda que eu tenha demorado um bocado para consegui-lo… A sinopse pode ser resumida pelo subtítulo: trinta e três ensaios de autores consagrados e outros menos conhecidos (pelo menos aqui no Brasil) falando sobre Jane Austen e sua obra.

Gosto muito de crítica literária e tenho vários livros de ensaio nesse estilo – e não apenas sobre Jane Austen. Nem sempre, contudo, são volumes que acrescentam alguma coisa ao nosso conhecimento – há muitos volumes que servem mais como curiosidade biográfica. A Truth Universally Acknowledged foi assim uma grata surpresa, não apenas pela qualidade dos debates a que se propõem os autores, mas também pela regularidade dos ensaios, que são todos muito bons ou excelentes.

Há nomes que são conhecidos da crítica, como Harold Bloom e Virginia Woolf e outros que me pegaram desprevenida, como C. S. Lewis, o autor de As Crônicas de Nárnia. Há reflexões e novas interpretações de personagens e situações presentes em todos romances (o que é também algo surpreendente, visto que na maioria das vezes povo só se concentra em Orgulho e Preconceito), e também relatos autobiográficos que revelam a importância de Austen na vida desses autores. Fala-se dos livros, mas também dos filmes e séries, e dos leitores e fãs.

Eu já conhecia alguns dos ensaios presentes na coletânea de outras leituras – o capítulo de Bloom sobre Persuasão, por exemplo, está em O Cânone Ocidental. Creio que com alguma paciência seja possível encontrar a maioria dos ensaios em outros livros ou até na própria internet. A idéia de compilá-los, contudo, num único lugar, certamente ajuda na hora de buscar um volume de referência. E A Truth Universally Acknowledged é uma obra de referência por excelência, que todo janeite tem de ter na biblioteca para ler e reler sempre que possível.


A Coruja

Austequila – novo blog

Prezados leitores, sei que estou em falta com todos vocês por causa da escassez de notícias no blog e publicações periódicas. No momento, devido aos compromissos de trabalho e disciplinas que tenho que cursar no doutorado, estou bastante atarefada e me sobra pouquíssimo tempo para os posts. Peço que me desculpem! Espero em breve poder publicar coisas interessantes e com uma frequência maior!
Hoje, eu gostaria de destacar um novo blog chamado Austequila – overdose de Jane Austen… e loucuras! – que a leitora Stephanie Savalla gentimente me informou! Thanks my dear! 

Stephanie promete trazer tiradas divertidas com frases adaptadas ou inventadas, como se fosse a própria Jane Austen quem as pronunciou ou escreveu. Confira abaixo:

Stephanie é tão apaixonada por Austen que até tatuou o nome da escritora em seu braço! Isso sim é que é amor!! 

Sucesso com seu blog Stephanie! 

Gazeta de Longbourn Apresenta: Mansfield Park

Deixe que outras penas se ocupem com culpa e miséria.

Esse ano comemoramos o bicentenário de publicação de mais uma obra da tia Jane e claro que eu não poderia deixar de falar sobre o assunto. Mansfield Park não é meu livro favorito dos romances de Austen, mas depois de muitas leituras e releituras e debates, acho que hoje consigo entender melhor e gostar mais de Fanny Price.

Mansfield Park é talvez o mais próximo de um conto de fadas que Austen chegou: Fanny Price é acolhida pelos tios ricos, ainda criança, para tirar um pouco do peso dos pais pobres. Levada para a majestosa Mansfield, é criada lado a lado com os primos, embora sempre lembrada de que não faz parte originalmente daquele mundo.

Há uma tia fazendo as vezes de madrasta má, duas primas para serem as meio-irmãs da Cinderela e até um príncipe encantado (que pode ou não vir acompanhado do cavalo branco). As semelhanças, contudo, terminam por aí.

Fanny não é exatamente uma princesa levada pelas correntes, completamente desarmada e pronta para ser levada no cavalo branco. Ela tem uma saúde delicada e é um tanto indefesa frente a Mrs. Norris (que é sem dúvida a mais detestável de todas as personagens criadas pelo gênio austeniano) – mas ainda assim, Fanny não é boba, nem se deixa convencer daquilo que acredita não ser certo. Ela é constante, nunca desvia de seus princípios, não importa o tipo de pressão que receba. Em termos de caráter, comparado com todos os outros personagens da história, ela é certamente admirável.

Mas essa força é também sua principal fraqueza – ao menos a meu ver. Tenho às vezes a impressão de que Austen a fez perfeita demais e que no alto de sua fortitude moral, Fanny está sempre julgando e desdenhando as escolhas dos outros. Para ser bastante sincera, só consigo simpatizar com Fanny a partir do momento em que a vemos ao lado do irmão, William, porque só então ela parece descer de seu pedestal de retitude.

Demorei um tanto mais a gostar de Edmund, que faz as vezes de mocinho. Há dois motivos para isso: primeiro, Edmund, como primo de Fanny e tendo crescido ao lado dela, enxerga-a inicialmente como uma irmã e sua mudança de sentimentos me soa um tanto brusca; segundo porque em comparação com o arrojado e charmoso Henry Crawford, Edmund não é exatamente material para príncipe encantado.

Mas aí está a grande sacada de Austen, que é a forma como ela brinca com as nossas expectativas. Mansfield Park tem toda a estrutura do conto de fadas, mas a resolução da história está longe de seguir o padrão. Fanny escolhe não o final de princesa ambiguamente ‘felizes para sempre’ (e príncipes de contos de fadas me dão arrepios de desgosto e desconfiança), mas sim a vida real, o companheirismo, o conforto daquilo que já lhe é familiar.

Partindo dessa premissa, na minha quarta ou quinta releitura do livro (perdi a conta a essas alturas), sou capaz de simpatizar bem mais com Fanny do que quando tive meu primeiro contato com ela. Ainda não é meu título favorito dos romances de Austen, mas aprendi a gostar dele.