Encontro Nacional de Natal da JASBRA


Este ano temos mais um motivo para celebrar a data de nascimento de Jane Austen: celebraremos 235 anos de nascimento da escritora! Além disso, faremos nosso encontro de Natal! Desta vez, faremos um encontro nacional dividido por regiões do Brasil. Na região sudeste, devido ao grande número de participantes faremos por cidades. Vejam os detalhes abaixo:
Cada região/cidade ficará responsável pelo encontro, sendo que algumas pessoas foram eleitas para representarem e organizarem os encontros. Preste atenção nas datas e qualquer dúvida sobre como entrar em contato com a sua regional, envie um email para adriana@jasbra.com.br

11 de dezembro
Belo Horizonte – Detalhes: às 14:00 Café Benza Deus
Porto Alegre – Detalhes: às 17:00 Café do Theatro São Pedro
18 de dezembro
Rio de Janeiro – local a confirmar
São Paulo – local a confirmar
Data a ser confirmada
Região Nordeste – local a confirmar
Região Centro-Oeste – local a confirmar
Região Norte – local a confirmar

Jane Austen não sabia escrever?

Após ler várias vezes as mensagens do google alerta e também após receber um aviso por e-mail das amigas Raquel Oliveira e Luciana Campelo, resolvi escrever sobre uma notícia que a mídia (inclusive brasileira) resolveu espalhar na internet como se fosse o achado do século. 
Vejam as manchetes das nossas digníssimas mídias brasileiras, que só copiaram o que saiu na AFP (Fonte de notícias internacionais):
Este é o pior, pois utiliza uma imagem da PBS (rede de TV), como se fosse a faculdade de Oxford ou algo parecido…. – Escritora Jane Austen era péssima em ortografia”, diz especialista de Oxford (Correio do Povo)

Manchetes internacionais:

Jane Austen’s notes ‘messy’ (Stuff da Nova Zelândia)

Pride, prejudice and poor punctuation (The Guardian do Reino Unido)

Este último ao menos citou os exemplos da fala da pesquisadora que estudou mais de 1000 manuscritos de Austen. Farei meu comentário a seguir. Porém, eu gostaria de falar um pouco sobre a função da pesquisa acadêmica antes!

Em defesa da pesquisa acadêmica

Muitas pessoas, acham que as pesquisas acadêmicas são unanimidades e fatos consumados. Ora, a ciência não é exata! Quando uma pesquisadora da Faculdade de Letras, em 1998, pesquisou a utilização de cê e ocê pelos mineiros da capital, ela apenas estava fazendo um levantamento dos usos destas palavras para substituir a palavra você. Jânia Marinho chegou a conclusão de que muitos universitários usavam ‘cê’ (Cê vai lá em casa hoje), enquanto as pessoas com um nível escolar inferior usavam mais ‘ocê’ (Ocê é de Belo Horizonte?). Nem por isso a pesquisadora quis dizer que quem usava/usa estas variações de palavras é analfabeto ou iletrado. A pesquisa serviu para clarear algumas coisas, mas sequer afirmar que todos os unviersitários dizem assim ou assado. Entendem agora, qual é o objetivo de uma pesquisa acadêmica? É mostrar a realidade daquele determinado momento, espaço pesquisado. A pesquisa acadêmica não faz generalizações se se concentra apenas em um grupo pesquisado.
Para conhecer uma pesquisa de doutorado de Edenize Ponzo Peres, orientada por Júnia Marinho, a respeito ‘O Uso de Você, Ocê e Cê em Belo Horizonte: Um Estudo em Tempo Aparente e em Tempo Real’ clique aqui – no banco de dados de teses e dissertações da UFMG.
O trabalho de Kathryn Sutherland
A pesquisa da Professora Kathryn Sutherland da Faculdade de Língua e Literatura da Universidade de Oxford. Para quem não conhece Kathryn, ela é autora de Jane Austen’s Textual Lives (2005)
Leia aqui uma resenha do livro, escrita por Laurie Kaplan para o JASNA News em 2007.
Leia aqui o artigo completa da Oxford University: Austen’s famous style may not be hers after all
Discussão sobre a pesquisa de Kathryn
Abaixo, vocês poderão ler alguns trechos que traduzi do artigo publicado pela Oxford University.
A verdade universalmente reconhecida – A prosa polida de Emma e Persuasão foi produto da intervenção de um editor, descobre uma pesquisadora da Universidade de Oxford.
Minha pergunta: alguém, mesmo nos tempos de Austen, publica um livro sem revisão ou sem autorização do editor?

A pesquisa de Kathryn Sutherland foi baseada em um estudo de 1100 páginas manuscritas por Jane Austen, ainda não publicadas.Estes manuscritos fazem parte da herança que Cassandra Austen (irmã da escritora) deixou em 1845. A professora Sutherland afirmou: “É amplamente difundido que Austen tinha um estilo perfeito – seu irmão Henry, em uma fase muito conhecida, disse, em 1818: “Tudo foi editado por Austen” e muitos estudiosos compartilham esta visão ainda hoje. Após a leitura dos manuscritos, Kathyn pode perceber que toda essa perefeição na existia. “Pude perceber muitos erros, correções e até manchas. Ela passou por cima de muitas regras de escrita da língua inglesa. Especialmente em Emma e Persuasão, podemos ver que a pontuação tão cuidadosa não estava presente nos manuscritos.”
Minha pergunta: Estão acusando Austen de escrever manuscritos e deixá-los com marcas de correção e sujeiras de tinta? Ora, naquela época o papel custava caro, não se faziam bolas de papel e simplesmente as jogavam no lixo só porque erraram uma linha do texto. E se este manuscrito conter apenas a primeira de algumas versões? Só eu sei o quanto sofri  ao traduzir Mansfield Park, porque recebi a versão de 1814 (só fiquei sabendo disso após o livro ser publicado), sendo que a atual corrigida e modificada por Jane Austen e Chapman é a de 1816.  

A professora Sutherland acrescenta: “Isto sugere que alguém esteve bastante envolvido no processo de edição que houve até a versão final (a impressa) dos livros. Além de cartas entre o John Murray II (dono da editora) e o editor William Gifford, onde o John salientava a necessidade de correção nos escritos de Austen. John Murray II, que também publicou obras de Byron, publicou os livros de Austen nos últimos dois anos da carreira de apenas 7 anos de livros publicados de Austen, tendo publicado: Emma, a segunda edição de Mansfield Park (1816) e Persuasão. A professora Sutherland explica: “Razão e Sensibilidade, Orgulho e Preconceito e a primeira edição de Mansfield Park (1814) não foram publicações de Murray e foram previamente vistas por alguns críticos como exemplos de péssima escrita – na realidade, o estilo de escrita destes romances ficam muito próximos dos manuscritos de Austen!”
Ao estudar os manuscritos não publicados de Austen pela primeira vez, ofereceu uma oportunidade para a Professora Sutherland ficar mais íntima dos talentos da escritora. Sutherland diz: “os manuscritos de Austen revelam que ela era uma escritora inovadora e que gostava de experimentar, constantemente tentando novas coisas, demonstrando que ela era muito melhor em diálogos e conversas do que no estilo descritivo“. “Além de tudo, ela é uma romancista cujo siginificantes efeitos podem ser observados em diálogos e representações dramáticas dos personagens através da fala. Os manuscritos estão sem parágrafos, fazendo com diferentes falas se misturem umas às outras; palavras sublinhadas e uso aleatório de letras maiúsculas nos dão a direção de que são palavras ou frasese que deveriam ser falas.”… “Certamente estes manuscritos mostram uma outra face de Austen, bem diferente da que vimos e lemos nos livros publicados.”
Isto então a torna menos gênio do que é?” – pergunta a professora Kathryn e em seguida ela mesmo responde: “Eu creio que não, de fato, isso a torna ainda mais interessante, e muito mais moderna e inventiva do que pensávamos.” “O estilo de austen é muito mais íntimo e relaxado, tende mais para o lado da conversa.” … “Sua pontuação é muito mais desleixada, muito parecida com a que os nossos alunos fazem e insistimos para que eles não o façam.”…. “Jane usava letras maiúsculas e sublinhava palavras que ela achava importante, de uma maneira que nos aproxima mais da linguagem falada do que a da impressa.”
A Edição Digital de Jane Austen publica on-line os Manuscritos da Ficção de Austen, até então não publicados, e disponibiliza gratuitamente para qualquer pesquisador ou pessoa interessada.
Minha pergunta: Onde nossos queridos jornalistas de plantão estavam onde apenas republicaram uma notícia pela metade? Isso só demonstra que eles nem sequer tentaram entender o estudo sobre Austen, apenas retransmitiram, ou, se estivessem no Twitter, apenas retuitaram sem sequer levar à sério a questão.
Austen seria aprovada se vivesse no século XXI?
Certamente não… nem ela, nem os reis da Europa ou estudiosos do século XIX. E se pensarmos no ENEM? Também não, pelo simples fato de que esta prova não é só uma prova de múltipla escolha, cobra também uma redação. O aluno que pretende fazer Enem deve estar preparado para responder questões contemporâneas e multdisciplinares e não apenas questões gramatiqueiras. As questões desta prova não são objetivas, são perguntas elaboradas que exigem reflexão e raciocínio, assuntos que não são ensinados em nossas escolas, pois nossos alunos estão ‘programados’ para responder questões simples e as respostas são facilmente decoradas pela leitura de livros.  
A minha indignação é sobre como as pessoas fazem muito barulho por nada! O estudo da professora Kathryn Sutherland em nada desqualifica a obra de Austen, pelo contrário, mostra que para se chegar à um livro publicado é preciso muita revisão. Além disso, a maioria das pessoas em 1817 eram analfabetas ou não possuíam letramento o suficiente para ler livros; então os livros de Austen eram lidos em voz alta, por aqueles que podiam ler (vemos isso nos filmes e séries de tv), sendo assim, para a maioria de seus fãs daquela época, a ortografia não era importante.

*Leia aqui o texto indignado de Vic Sanborn (Jane Austen’s World) sobre esta questão.
** Também estamos discutindo o assunto lá no Fórum JASBRA.
*** O link para os manuscritos estão disponíveis aqui (post publicado em maio deste ano)

Jane Austen e Ciência Cognitiva

This is a bilingual post – Este é um post bilíngue

Jane Austen and the Cognitive Sciente – read the full article here.

O tema da palestra da professora Lisa Zunshine é sobre: Jane Austen e Ciência Cognitiva
“Jane Austen sabe que conhecemos a confusão que Emma faz sobre as intenções de Mr. Elton em relação a Harriet”
Você sabe disso? Como? Por quê? Estas são perguntas que tanto a ciência quanto a literatura estão contemplando. A professora Lisa Zunshine da Universidade de Kentucky especula sobre como Austen e outros gigantes da literatura experimentaram níveis diferentes de “profunda intersubjetividade”, possivelmente usando a capacidade de leitura de nossas mentes. Profunda intersubjetividade é o processo que ocorre quando as pessoas percebem não apenas a consciência das outras, mas também as possíveis reações das pessoas em relação à consciência dos outros, desde significado dos gestos, expressões faciais e o olhar. 
Para ler o artigo completo, em inglês, clique aqui.

Três Vezes Austen

Passeando pelo site Submarino fiquei surpresa ao encontrar a pré-venda de três livros de Jane Austen em um único volume. As obras escolhidas foram: Razão e Sensibilidade, Orgulho e Preconceito, e, Persuasão.

Observando o site da editora responsável pela publicação, a Editora Matin Claret, percebi que ainda não foi realizado o lançamento oficial, mas, não é necessário se preocupar já que não somente o Submarino como outros sites de vendas online estão realizando a pré-venda ,dado que o lançamento já está próximo.

Lembrando que a mesma editora possui os três romances de Jane Austen publicados também em edições separadas.

Os preços são acessíveis e estão ao alcance do grande público. agora é escolher a melhor opção e fazer uma boa leitura das maravilhosas obras de Jane Austen. Boa Leitura!

O que Jane faria?

Ontem seria mais uma manhã de trabalho na Faculdade de Direito da UFMG se não fosse o imprevisto. Eis que eu entro no elevador rumo ao nono andar, para lecionar inglês, quando o elevador cheio de mulheres para subitamente entre o quarto e quinto andares.
A princípio tentamos fazer contato com os seguranças do prédio, porém foi em vão… Tivemos a ideia de ligar para o corpo de bombeiros e no final das contas foi uma espera de mais de 1 hora! Bem, não criei este post para falar de falhas técnicas no elevador, não é mesmo?
Já estávamos por lá há mais de 20 minutos quando do nada eu soltei a seguinte frase: “O que Jane Austen faria?” Obviamente num grupo de 14 mulheres, muitas conheciam a obra de Austen, até mesmo as estudantes de francês (minoria). Daí foi um pulinho para elas falarem que há uma sociedade sobre Jane Austen aqui no Brasil, etc… Coincidentemente eu estava com minha bolsa da JASBRA (II Encontro Nacional) e muitas disseram que gostariam de entrar para o grupo de mineiras! Bem, espera que algumas delas leiam este post e sintam-se bem vindas ao grupo!
Respondendo à pergunta: O que Jane faria se ficasse presa em um elevador? Ora… resposta fácil, falaria sobre literatura!
Tá vendo? Até no elevador com defeito dá para falar de Jane Austen! 🙂
Prédios da Faculdade de Direito UFMG (o meu é este com janelinhas bem miúdas) – crédito da foto aqui
Depois que saímos do elevador, fui tomar um ar na varanda do prédio (terceiro andar) e vi as árvores abarrotadas de flores, preciso levar minha câmera na próxima aula!

Jane Austen nas moedas britânicas

Moeda comemorativa de Florence Nightingale

Rosi (via orkut) me avisou hoje que estão fazendo uma pesquisa para ver quais serão as novas imagens das moedas britânicas! E nossa querida Jane Austen está entre elas. Trata-se de uma coleção de moedas comemorativas com diversos famosos ingleses.
Para votar na escritora basta marcar sua opção e digitar o e-mail para ser notificado assim que os resultados forem apurados. A votação vai até o dia 31 de julho de 2010 e é qualquer pessoa pode votar, não sendo n ecessário ser britânico.

Veja que já está nesta coleção:

Sir Winston Churchill
Queen Elizabeth I
Bobby Moore Queen Victoria
Charles Darwin
Sir Isaac Newton
Isambard Kingdom Brunel
William Shakespeare
Robert Falcon Scott
Florence Nightingale
Charles Dickens
Admiral Lord Horatio Nelson
Queen Elizabeth the Queen Mother
Captain James Cook
Sir Alexander Fleming
Diana, Princess of Wales
Sir Edward Elgar
1st Viscount Montgomery
King Henry VIII
Sir Christopher Wren
Sir Francis Drake
John Constable
Oliver Cromwell
Sir Alexander Graham Bell

Caderno de Resumos II Encontro da JASBRA

Para ver o caderno de resumos em tela cheia é só clicar no cantinho da apresentação.
Aproveito a oportunidade para agradecer à todos que estão cooperando para que este II Encontro Nacional da JASBRA seja um sucesso! Muito obrigada!

JASBRA na UFRJ

Olá pessoal,
estive no Rio de Janeiro, na semana passada, para apresentar um relato de experiência sobre o uso pedagógico dos fóruns de discussão. Como estamos utilizando um fórum para discussão dos livros de Austen, resolvi apresentar a nossa proposta. Meu trabalho foi apresentado durante o III Seminário de Estudos em Linguagem, Educação e Tecnologia (III Seminário LingNet), realizado nos dias 27 e 28 de maio, na Faculdade de Letras da UFRJ.
O título da comunicação: Uma proposta de discussão literária on-line: relato de experiência do Jasbra (Jane Austen Sociedade do Brasil)
O resumo:
A proposta deste trabalho é apresentar um relato de experiência a respeito do uso de fóruns para a discussão de literatura. Inicialmente serão realizadas algumas considerações a respeito do uso de fóruns como ferramenta pedagógica e suas vantagens para tutores e participantes. Será apresentado um projeto de discussão de literatura da JASBRA (Jane Austen Sociedade do Brasil) que tem como objetivo analisar e discutir os livros da autora inglesa Jane Austen e propiciar aprendizagem colaborativa em rede. Trata-se de um projeto iniciado pela autora deste trabalho com um grupo de pessoas interessadas em discutir a obra de Jane Austen, caracterizado por ser um ambiente informal de aprendizagem, onde qualquer pessoa interessada pode participar desde estudantes de Letras, donas de casa, executivos e profissionais de outras áreas. Do ponto de vista pedagógico, os fóruns de discussão podem ser utilizados como elementos de organização do estudo de determinado tema ou texto, como espaços de socialização e fortalecimento de relações sociais, entre outros. Finalmente, serão apresentadas as conclusões até o momento e possíveis sugestões para profissionais da educação.

Algumas imagens do evento:

 

The Jane Austen Digital Library

A notícia foi publicada no AustenProse por Laurel Ann e divulgo aqui um resumo:

The Jane Austen Digital Library (Biblioteca Jane Austen Digital) é um site criado por Kristin Whitman, uma estudante de Mestrado em Ciência da Informação da  Rutgers University, inclui uma coleção de recursos gratuitos da internet a respeito de Jane Austen, suas obras, vida e impacto sócio-cultural. Na página principal onde há um mecanismo de busca contém: os livros de Austen em formato digital, textos sobre análises críticas e uma lista de blogs a respeito da autora.

Leia o restante do post de Laurel Ann aqui.

Manuscritos de Jane Austen na Internet

Queridos leitores, quero lhes pedir desculpas por ficar tanto tempo sem postar notícias aqui no blog. Explico: estive no Rio de Janeiro, de 27 a 29 de maio, para o Seminário Lingnet da UFRJ e praticamente fiquei sem conexão com a internet. O seminário foi muito produto e promete contar maiores detalhes em um outro post, ok?
A dica de hoje é um sobre um post que a Biblioteca Florestan Fernandes da Ciências Humanas da USP publicou:
Quem pesquisa literatura inglesa ou mesmo a presença de mulheres na literatura pode agora contar com uma fonte interessante: o site Jane Austen Fiction’s Manuscripts, que oferece acesso gratuito aos escritos originais desta proeminente autora inglesa.
Pelo site, é possível a consulta aos manuscritos no formato de fac-símile puro (como um arquivo de imagem), no formato texto, que apresenta a imagem do original mais uma transcrição do que está escrito na página em destaque, e também a nota explicativa sobre o arquivo visualizado.

Quero aproveitar a oportunidade e agradecer ao blog da USP por divulgar o link da JASBRA por lá.