Vamos às compras?

PARTE 1

Conforme o prometido, aqui vão algumas informações sobre como adquirir o livro da Genilda Azerêdo: ‘Jane Austen, Adaptação e Ironia: uma introdução’. Segundo a autora, o livro está disponível para venda na Casa do Livro (Editora UFPB) no Campus da Universidade em João Pessoa. Contato somente por telefone ou e-mail: (83) 3216 7327 – livrariacasadolivro@gmail.com

Eu tenho uma amiga que mora em Jampa (como é chamada pelos nativos) e ela também é fã de Austen e correu lá para comprar seu exemplar. Segundo Lilia, o livro custa R$ 12,00 e só havia mais 3 exemplares na prateleira. Se por acaso vocês tiverem dificuldades para comprar me avisem pois a Lilia se prontificou a comprar e enviar pelos correios caso a livraria da universidade não ofereça este serviço.

PARTE 2

A Livraria da Travessa (já mencionada no post: Livros da Jane à preço de banana) possui um bom acervo das obras de Jane! Há duas semanas eu encontrei este livro (já visto na Amazon.com) por apenas R$ 16,49!! Trata-se de um livro de bonecos de papel publicado em 1997. Eu realizei a compra, entretando recebi a cópia que veio faltando justamente os bonecos, as roupinhas estavam todas lá. Estou aguardando o envio do novo livro completo. Gostaria de acrescentar que a representante da Livraria me atendeu muito bem, tanto por e-mail quanto por telefone. Quando eu receber publico aqui! Veje bem, a promoção parece ter encerrado pois no site da livraria está por R$ 23,90 e o prazo de entrega de 50 dias, já que alguns exemplares com defeito tiveram que ser recolhidos. Mas é bom enviar uma pergunta ao depto. de vendas se a espera é 50 dias mesmo, pois quando comprei os livros da Editora Wordsworth, no site estava com um prazo de 50 dias sendo que eu os encontrei na loja!

PARTE 3

Eu recebi há alguns dias um e-mail da Becca do Jane Austen Centre na cidade de Bath/UK com diversas promoções em sua lojinha virtual, veja abaixo algumas sugestões. Vale à pena lembrar que a libra está por cerca de R$ 3,44.

O que me chamou a atenção nos lencinhos foi que os bordados começam com as minhas iniciais, custam 3,99 libras.

Caderneta de anotações, tamanho A6 – está na promoção por 1,99 Libra.

Para você personalisar os seus livros com esta folha de rosto, o pacote vem com 20 folhas no tamanho 7.5 x 8cm, e custa 2,99 libras.

Cartões postais diversos 0,99.

Papel de parede de Heather Laurence

First of all, I would like to thank Heather for the afternoon chat on internet and to use her plate and images here! Thanks dear!!

***

Hoje tive a felicidade de conhecer on-line a Heather M. Laurence que me permitiu reproduzir aqui no blog sua idade de papel de parede para computadores.

Segue abaixo as informações traduzidas a partir do blog de Heather (GimletBlog):
Ackermann’s Repository of Arts, Literature, Fashions, Manufactures, &c. foi uma das mais requintadas publicações mensais disponíveis durante o período compreendido entre a era Georgiana e Regência. Publicada por Rudolph Ackermann em Londres entre 1809 e 1829, cada publicação mensal compreendia duas fashion plates (imagens em papel especial) além de outras ilustrações e artigos sobre tópicos variados. Algumas edições incluíram moldes de bordado e amostras de tecido, os quais serviram de inspiração na criacão de roupas da época da Regência e o estilo de vida vistos nas adaptações para o cinema e tv dos livros de Austen. Essas delicadas aquarelas e adoráveis vestimentas continuam a inspirar e deleitar todos nós hoje em dia!
Para comemorar 0s 200 anos do Ackermann’s Repository, o website Solitary Elegance disponibilizará um novo papel de parede para computadores todos os meses de 2009: contendo as ilustrações de 1809 e uma citação das cartas de Jane Austen. Divirta-se!!

Mês de Janeiro

Vamos começar o ano como muitos homens e mulheres elegantes faziam: passando a temporada de inverno (hemisfério norte) participando de uma atividade animada ou alguma diversão na cidade, quer seja em Londres, Bath ou outro lugar da moda. Com o calendário completamente lotado de concertos, teatro, bailes e outras conexões sociais, uma vestimenta apropriada e na moda era essencial.
Na figura acima, à esquerda a imagem de uma vestido para noite – primeira publicação de moda feita pelo Ackermann’s Repository em janeiro de 1809. A imagem à direita é também de um vestido para noite de janeiro de 1815.
Conheça um pouco mais sobre Heather M. Laurence:

Através de contato por e-mail e g-talk pude conhecer um pouco mais de Heather. Como descrevo abaixo:

Heather morea em Seattle nos Estados Unidos, com sua família (marido, dois filohos e dois gatinhos). Além de possuir o seu próprio website sobre Jane Austen, Heather também faz parte do AustenBlog. Você poderá ler em um post antigo de seu blog como Heather começou a blogar: aqui.

Bem, Heather me contou que em 2005 começou o website meio que por acidente: ela possuía uma coleção dos livros de Jane Austen ilustrados por C.E. Brock (lindas aquarelas) e no Fórum Pemberly (fórum de discussões), descobriu que sua coleção de livros contêm a coleção completa de ilustrações de Brock. Nem todas os livros publicados com as ilustrações de Brock possuem a coleção completa. Em seguida, Heather tirou algumas fotos das ilustrações para que os outros membros do fórum pudessem vê-las e depois colocou-as em uma página pessoal na internet. As ilustrações receberam várias visitas e após um ano Heather criou o Solitary Elegance. Nessa época, começou a produção de Northanger Abbey (2006-2007) e uma pequena página que Heather criou sobre as adaptações de Northanger Abbey começou também a receber muitas visitas também. De modo que até o primeiro semestre de 2008, Heather publicou sobre as novidades da filmagem.

Durante o tempo de filmagem de Northagner Abbey e a transmissão em todo o mundo, a página sobre as adaptações cresceram a cada dia. No entanto, as galeria do site contendo as ilustrações de Brock também são muito populares, sendo que Heather as considera o principal foco do Solitary Elegance.

Em 2009, Heather decidiu comemorar o aniversário de 200 anos do Ackermann’s Repository adicionando à galeria as imagens cotendo citações de Austen. Os papéis de parede apresentarão os anos de 1809 a 1816, de modo que será possível ver os vestidos ou tipos de vestidos que Jane Austen pode ter visto ou até inspirado seus vestidos!

Ilustrações de Charles Edmund (“C.E.”) Brock

Com certeza as aquarelas merecem vários posts aqui no Jane Austen Club e por isso preferi fazer separadamente. Se a curiosidade for grande, 🙂 visite o site de Heather clicando na figura abaixo:

Abadia de Northanger em quadrinhos

A Graphic Classics publicou recentemente o Gothic Classics, uma coleção de vários autores que caracteriza em quadrinhos adaptações como Abadia de Northanger e Mistérios de Udolpho (livro citado em Abadia de Northanger). Abadia de Northanger foi adapatado por Trina Robbins e Anne Timmons, e Os mistérios de Udolpho foi adaptado por Antonella Caputo e Carlo Vergara.

Outro item que me chamou a atenção foi a ilustração de um poema raro de Jane Austen, no entanto não é citado o nome do poema, só comprando para se ter uma idéia. Ai que surge o impasse pois o volume custa 10,00 dólares, mas a taxa de entrega é de 14 dólares. Comprar ou não comprar! Se alguém se animar a comprar não se esqueça de avisar aqui no Jane Austen Club.

O volume contém os seguintes títulos:

Gothic ClassicsGraphic Classics Volume Fourteen

– JANE AUSTEN – Northanger Abbey
A naïve girl comes of age in the gothic parody adapted by Trina Robbins and illustrated by Anne Timmons

– ANNE RADCLIFFE – The Mysteries of Udolpho

Romance, terror and intrigue in the archetypal gothic novel adapted by Antonella Caputo and illustrated by Carlo Vergara

– J. SHERIDAN LE FANU – Carmilla
An immortal female vampire claims her victims in the precursor to Dracula adapted by Rod Lott and illustrated by Lisa K. Weber

– EDGAR ALLAN POE – The Oval Portrait
A story of artistic obsession illustrated by Malaysian artist Leong Wan Kok

– MYLA JO CLOSSER – At the Gate

A canine ghost story illustrated by Trots and Bonnie creator Shary Flenniken

Plus a rare poem by Jane Austen, illustrated by Molly Kiely

• With a dramatic cover painting by Lisa K. Weber

Abaixo uma ilustração das páginas de Abadia de Northanger:

Yes! Nos temos Fanfics!

Minhas amigas orkuteiras resolveram escrever fanfics (ou ficção criada por fãs) a partir dos livros de Austen! Já faz muito tempo que elas começaram a escrever no orkut e a comunidade está sempre com novidades a cada dia!
Como a comunidade foi crescendo e muita gente começou a escrever suas fanfics, elas resolveram criar o Jane Austen Fanfics. Vale à pena conferir o site e a comunidade! No momento estamos nos organizando para colocar tudo direito no ar – faço parte da equipe de atualização do site, e em breve tudo estará completo!

Como não poderia deixar de divulgar aqui, uma outra amiga também tem um blog sobre fanfics! A Cristina me enviou ontem mesmo o convite para visitar sua página no wordpress: Razão e Sensibilidade. O blog de Cristina também é novinho, mas ela já escreveu muitas fanfics!

Outra novidade é que se vocês quiserem linkar meu blog ao de vocês, podem usar o banner abaixo (ficará sempre na barra lateral direita), criado por outra amiga: a Tonks de Romances in Pink (que também criou a logo do Jane Austen Fanfics)!

Espero que vocês gostem das novidades!!

Confissões de uma adolescente

Corrigindo… à pedido de Irena, segue abaixo dois links para contato com ela:
Que Jane Austen conquista todos que a lêem isso não temos dúvida, não é verdade?
Há alguns dias eu conheci a jovem Irena Freitas na internet e por compartilharmos o mesmo gosto por Austen, acabamos ficando amigas! Para minha surpresa, Irena desenha Austen em seu moleskine ou onde mais lhe der na cabeça! Eu conheci os desenhos de Irena no Flickr e resolvi publicar no blog a arte de uma jovem que também é apaixonada por Jane Austen! Irena gentilmente concedeu a entrevista abaixo e o direito de usar suas imagens aqui no blog. Detalhes sobre os desenhos abaixo. Nesta pequena entrevista, Irena demonstrou ser uma jovem muito esclarecida e apaixonada pelo que faz!
Perfil:
Irena Freitas tem 17 anos, mora em Manaus/AM e pretende cursar jornalismo na UFAM.

Jane Austen tomando chá com Napoleão. Esta ilustração originalmente foi desenhada em papel e depois transferida para o computador onde Irena pintou.

Perguntas:

Como conheceu Jane Austen?

Na verdade é uma história meio longa. Eu já tinha ouvido falar nela e nas suas principais obras, e até já tinha assistido uns filmes baseados nos livros (mesmo que meio que sem saber). Mas só foi no início de 2006, quando assisti a última versão para o cinema de “Orgulho & Preconceito” que realmente tive vontade de ler um livro dela. Li e gostei, porém foi só isso. No final do mesmo ano lembro que a minha professora de Inglês na época pediu para que nós escolhêssemos alguma pessoa influente de alguma forma na língua inglesa para nós fazermos uma pequena apresentação oral sobre ela. Desse modo, escolhi a Jane Austen, sem nenhum motivo aparente. Mas então quando fui fazer uma pesquisa sobre a vida e obras de Jane Austen algo que me chamou a atenção: ela tinha mania de escrever atrás de uma porta que rangia e não deixava ninguém vê-la escrevendo os livros. E eu simplesmente achei aquela a coisa mais engraçada do mundo, porque sempre julguei que eu era única pessoa do universo que tinha aquela mania. Depois daquilo eu meio que quis saber tudo sobre Jane Austen, e minha “pequena apresentação” para aula de Inglês durou duas horas e meia e deixei todo mundo da sala com vontade de ler Jane Austen também.


Já leu os livros dela? Quais?
Já li todos os livros, inclusive os trabalhos menores, tanto em português quanto em inglês. Devo ter mil cópias diferentes de cada livro espalhado pelo meu quarto! 🙂

Qual (is) o(s) seu(s) favorito(s)?
Nem sei dizer! Gosto de vários de maneira diferente, mas acho que meus favoritos são “Emma”, “Orgulho & Preconceito” e “Persuasão”.

Qual foi o motivo que te levou a desenhar Jane? Você se inspirou em quem/imagem?
Eu tenho essa tendência de desenhar pessoas célebres que já morreram, J! Mas acho que o que me levou a desenhar a Jane foi o fato de toda hora eu mentalmente me imaginar tendo altas conversas com ela ou coisas do tipo (meio obsessivo, eu sei).
Você já fez curso na área de desenho?
Uma vez, aos nove anos, eu tentei. Mas a aula me encheu o saco logo no primeiro mês. Nunca consegui criar disciplina para essas coisas.

O que você diria para os jovens da sua idade que ainda não conhecem a obra de Jane?
Eu acho que as pessoas deveriam para de encarar Jane Austen só como algum tipo de clássico da literatura inglesa. Porque, apesar de todos os seus livros se passarem no século XIX, os temas que eles abordam e, principalmente, a forma que ela aborda esses temas é muito atual, mesmo que isso seja algo meio piegas a se dizer. Se tirarmos todo essa tecnologia a verdade é que do século XIX pra esse novo milênio pouquíssima coisa mudou quando se trata de relacionamentos, e sobre isso Jane Austen soube falar melhor do que ninguém. Não é pra menos que suas obras ainda sejam tão populares atualmente.
* Detalhes sobre as figuras:
Figura 1 (Jane deitada), desenho feito no journal de Irena.
Figura 2 (Jane e um coração), este desenho foi feito sobre uma cópia xérox do livro Orgulho e Preconceito.
Figura 3 (Jane em preto e branco), desenho feito no moleskine.
Figura 4 (Jane em moldura oval), outro desenho feito no moleskine de Irena.

Jane Austen, Adaptação e Ironia

Queridos Leitores, e eis que em uma bela manhã de sábado eu recebo através dos correios um envelope vindo de João Pessoa/PB!!
Para minha felicidade, a prof. Genilda Azerêdo me enviou seu livro ‘Jane Austen, Adaptação e Ironia: uma introdução’! Fiquei maravilhada, igual criança em noite de Natal! Quando abri o livro ainda fiquei mais surpresa: uma dedicatória de Genilda! Segundo a autora, quem se interessar pelo livro, pode encomendá-lo à Casa doLivro – Editora da UFPB / João Pessoa. Ou se tiver alguma dúvida, deixe seu recado aqui no blog que enviarei à Genilda.
O livro contém :

– Apresentação
– Prefácio
– Capítulo 1: Jane Austen: a razão do meu afeto
– Capítulo 2: Emma: “Uma heroína que não será amada”
– Capítulo 3: Jane Auten, adaptação e ironia: leitura introdutória de Emma
– Capítulo 4: Distinções de classe e ironia: a adaptação inglesa de Emma
– Capítulo 5: Emma e Patricinhas de Bervely Hills: relações irônicas
– Capítulo 6: O diário de Bridget Jones e as Primeiras Impressões de Jane Austen
– Capítulo 7: Jane Auten, quality television and irony: a reading of Emma and Persuasion
Pelo que vocês podem ler acima, tenho muito material para leitura e deleite nos próximos dias!!
Obrigada pelo mimo Genilda!!

Hollywood sem beijo

Por Genilda Azerêdo*

Orgulho e Preconceito – Hollywood sem beijo**

Sempre que uma nova adaptação de Jane Austen aparece – e esta é a oitava de 1995 para cá – somos induzidos a (mais uma vez) questionar o que há em seus romances, publicados entre 1811 e 1817, que ainda pode atrair a atenção do espectador do século XXI. No caso desta mais recente adaptação, Orgulho e Preconceito, baseada no romance homônimo, a expectativa talvez ainda tenha sido maior, uma vez que se trata do romance mais lido e amado da autora.A própria Jane Austen referiu-se a Elizabeth Bennet, a protagonista do romance, como “uma criatura adorável, como jamais aparecera na literatura (…)”. E confessou: “Não sei como serei capaz de tolerar aqueles que não gostem dela”. De fato, Elizabeth é a mais famosa das protagonistas de Austen, uma personagem que combina inteligência e senso de humor, sensibilidade, vivacidade e rebeldia. Como se sabe, todas as narrativas de Austen constituem pretextos para que suas protagonistas amadureçam emocionalmente, passem de um estado de ignorância a um estado de consciência e conhecimento. No caso de Orgulho e Preconceito, no entanto, tem-se, de início, a impressão (o que não se concretiza), que Lizzy já é madura o suficiente, tornando tal processo esvaziado de função. De modo geral, é o personagem masculino central aquele que contribui para este crescimento emocional e afetivo da heroína. Porém, neste romance, é interessante ver como o processo de conscientização e amadurecimento se dá de forma dupla: ambos Lizzy e Darcy não só vivenciam um processo de aprendizagem, mas gradualmente ensinam um ao outro. Talvez este aspecto seja responsável por fazer deste o mais famoso par amoroso de Austen. E não fosse por outros aspectos do romance, que faz um registro dos costumes e valores da sociedade pré-vitoriana, e uma crítica social contundente à dependência que aquela mulher tinha do casamento, como único meio de sobrevivência (material e emocional), bem como aos efeitos decorrentes dos conflitos entre classes sociais, da hipocrisia e da aparência, só a história de Lizzy e Darcy já justificaria uma adaptação.O título do romance já se oferece como primeira possibilidade de compreensão da narrativa: se Darcy é imediatamente considerado por todos como orgulhoso e arrogante, Lizzy (embora se considere lúcida) não se contém em seus pré-julgamentos em relação a ele. Mas a associação não se dá deste modo único: Lizzy também tem seu orgulho abalado (lembremo-nos de uma fala sua, quando diz, “eu poderia até perdoar sua vaidade, se ele não tivesse ferido a minha”); por outro lado, o pré-conceito inicial que Darcy tem em relação à família de Lizzy vai aos poucos se materializando, de modo que o “orgulho” e o “preconceito” do título não ocupam posições estáveis, mas ambíguas. Na verdade, estabilidade é uma palavra que não combina com Jane Austen. Embora suas narrativas sejam “limitadas” a um universo principalmente feminino e doméstico, e suas temáticas focalizem a importância do casamento como único meio de sobrevivência e estabilidade para a mulher, a questão é tratada de forma tensa, a ponto de fazer com que Lizzy recuse a proposta de casamento de Mr. Collins e a primeira proposta de Darcy, algo até certo ponto inconcebível, quando pensamos na realidade de penúria que a espera. Ou seja, ao mesmo tempo em que a narrativa revela a centralidade do casamento e a importância de uma vida familiar estável naquele tipo de sociedade, ela também mostra representações variadas de casamento, além de sugerir que algo maior – além da conveniência e sobrevivência material – deve fundamentar a escolha e a decisão, ao menos, dos pares centrais.Orgulho e Preconceito já foi adaptado anteriormente, inclusive mais de uma vez. Como filme, há uma versão de 1940. Como série da BBC/A&E, foi adaptado em 1979 e em 1995 (esta, embora série, foi filmada em película). Esta mais recente adaptação (2005; dir. Joe Wright, com roteiro de Deborah Moggach) traz uma diferença bastante significativa em relação às outras adaptações de Austen: uma ênfase maior na visualidade do meio rural (animais e trabalhadores rurais são mostrados), com o propósito de não apenas situar a história no countryside inglês pré-industrial, mas de indiciar esse meio como contexto comercial e econômico daquele grupo social.No início do filme, acompanhamos Elizabeth (que caminha com um livro na mão) pelos arredores da casa, e depois pelo seu interior. À medida que nos familiarizamos com sua casa e sua família, já nos damos conta da cumplicidade existente entre ela e Jane, de um lado, e entre ela e o pai, de outro. Esta cumplicidade é relevante para traçar limites entre duas formas de se relacionar com o mundo: uma altamente pragmática, que visa uma sobrevivência imediata (representada principalmente pela mãe e pelas filhas mais novas); outra mais racional e equilibrada, porque também fundamentada na sensibilidade.A cumplicidade entre essas duas irmãs mais velhas será dramatizada no decorrer do filme, como, por exemplo, numa cena no quarto, mais especificamente na cama, antes de dormirem, em que apenas seus rostos ficam à mostra, e elas conversam como confidentes e grandes companheiras. Essa amizade de irmãs, neste filme, se coaduna com o tratamento da questão não só em Razão e Sensibilidade (uma narrativa essencialmente de irmãs), mas também na adaptação de Mansfield Park (com o título, no Brasil, de Palácio das Ilusões).

Ao contrário de outras adaptações de Austen, em Orgulho e Preconceito as músicas e as danças são festivas e alegres, algo que se alinha com certa leveza da narrativa (em oposição, por exemplo, às narrativas de Razão e Sensibilidade, Persuasão ou Palácio das Ilusões). O ritmo da música (e, conseqüentemente, da dança), no entanto, muda quando Lizzy e Darcy dançam. O contraste com as danças anteriores fica explícito. O ritmo mais lento possibilita que conversem; a câmera se demora nos dois, já que precisam ser revelados (não só um ao outro, mas ao espectador). Por um momento, inclusive, cria-se a ilusão de que apenas os dois rodopiam no salão, o que mostra a função da dança como ritual erótico.De modo geral, ainda que em determinados momentos haja exagero (Mr. Collins, por exemplo, soa caricatural), o filme consegue refletir temáticas relevantes da narrativa de Austen; consegue, ainda, em determinadas cenas, uma tonalidade de humor e ironia característica da autora.

No entanto, na tentativa de atrair um público ávido por histórias de amor (e a narrativa romântica é mais facilmente adaptável – ou transferível para a tela – que a crítica social, principalmente quando consideramos o estilo altamente irônico de Austen), esta adaptação também acaba por se definir como “hollywoodiana”, principalmente no tratamento que dá à relação entre Lizzy e Darcy.Para ilustrar a ênfase na relação romântica, tomemos como exemplo as duas cenas em que Darcy se declara a Lizzy. Em Austen, é comum o narrador fazer uso de narração sumária, ou do discurso indireto, exatamente como estratégias para a criação de um distanciamento, para a quebra ou diluição da emoção, em momentos de grande densidade dramática. É o caso no que diz respeito ao desenvolvimento gradual da relação afetiva entre Lizzy e Darcy. Mas não só isso. No romance, na primeira vez em que Darcy declara seu amor a Lizzy, eles estão dentro de casa. No filme, como era de se esperar, há não só a dramatização do diálogo (“showing” em vez de “telling”) e o deslocamento espacial, na medida em que a cena acontece ao ar livre, mas também a utilização de um contexto de trovões e chuva forte, além de uma música que adensa a carga (melo)dramática da situação, o que acaba culminando num imenso clichê romântico.A segunda cena, quando os mal-entendidos entre eles já foram esclarecidos, e Darcy novamente renova seu sentimento por Lizzy, também chama a atenção em termos de construção visual. Aqui, como no romance, o encontro se dá ao ar livre. No entanto, diferentemente do romance, o encontro entre eles se dá de madrugada, algo impensável para aquele contexto pré-vitoriano, principalmente quando consideramos os personagens envolvidos (protagonistas, e, portanto, guiados por certas regras de conduta e racionalidade). É claro que, mais uma vez, a utilização desse espaço acentua a carga dramática (tornando-a romântica) da situação e cria um deslocamento em relação ao contexto de Austen.

A fotografia nesta cena – marcadamente escura, nebulosa, uma escuridão inclusive acentuada pelas vestimentas escuras de ambos – acaba por remeter a um contexto posterior, vitoriano, sendo bem mais adequada aos arroubos e romantismo das irmãs Brontës, por exemplo, que a contenção de Austen. Esses recortes servem para mostrar a escolha ideológica por trás da adaptação. Se, como diz Dudley Andrew, “adaptação é apropriação de significado de um texto anterior” (e um texto pode ter significados variados, ficando a critério do cineasta e roteirista dar maior visibilidade a um ou a outro), fica evidente que a escolha empreendida, neste caso, tentou conciliar a crítica social de Austen à história pessoal de Lizzy e Darcy; porém, ao romantizar (principalmente em termos visuais) a narrativa privada, o filme perdeu a chance de, por exemplo, aprofundar as relações inseparáveis entre o público e o privado em Austen. No entanto, talvez como certo consolo, o final do filme acaba por resgatar, mais uma vez, a tonalidade contida de Austen, através da ausência do beijo e da conclusão do filme sem a cena do(s) casamento(s). De modo que talvez a melhor definição para esta adaptação seja “Hollywood sem beijo”.
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* A prof. Dra. Genilda Azerêdo é professora do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas da Universidade Federal da Paraíba, onde atua nos cursos de Graduação e Pós-Graduação em Letras. É mestre em Literatura Anglo Americana (Dissertação sobre Virginia Wolf) e Doutroa em Literaturas de Língua Inglesa (com tese sobre as relações entre literatura e cinema, especificamente as adaptações de Obras de Jane Auten).

** Este artigo foi gentilmente cedido pela amiga Genilda Azerêdo, tendo sido publicado inicialmente em revista acadêmica e no blog Correio das Artes. Originalmente, o artigo não possui as imagens acima, sendo de minha responsabilidade adição das mesmas.
*** Posteriormente publicarei mais sobre as pesquisas e trabalho de Genilda Azerêdo, aguardem!

Direitos Autorais

No mês passado a UFRJ promoveu um evento para discussão da revisão de leis autorais no Brasil, e contou com apoio do Ministério da Cultura. Leia mais aqui.

Além disso, em São Paulo foi escrita uma ‘Carta de São Paulo pelo Acesso a Bens Culturais’:

Nós acadêmicos, artistas, escritores, professores, editores e membros da sociedade civil abaixo assinados, movidos pela convicção quanto à necessidade de promover a universalização do acesso a obras literárias, artísticas e científicas e conscientes da necessidade de proteção dos direitos autorais contra usos comerciais indevidos, tornamos público alguns consensos quanto à necessidade de reforma da lei de direito autoral.

Leia aqui o restante do documento e assine!

Jane em Quadrinhos

Em uma das comunidades do Orkut que participo a Lina anunciou que a Marvel Comics pretende lançar Orgulho e Preconceito em quadrinhos!! Não deixe de ler mais sobre esse assunto no Live Jornal da Lina.

Hoje é dia do Leitor!

Hoje é dia do leitor e aproveito para fazer uma homeangem à minha filha Isabella! Em 2007 houve um evento aqui na praça da liberdade de doação de livros! Claro que fomos lá participar: várias editoras dando livros de graça, inclusive alguns autores mineiros lançando livros! Agora todos os anos esse evento se repete no mês de setembro! Ótima iniciativa para divulgar os livros e lançar novos escritores!
Na ocasião, eu ganhei um livro chamado ‘Primeira vez’ e a Isabella logo correu, se sentou no meio-fio da praça e começou a folear o livro junto com os primos. O resultado? uma fotográfa do do Jornal Estado de Minas viu a cena e logo tirou a foto! E nem imaginei… somente no final do mês o jornal publica em meia página a fota acima com o título: Graça na Praça! Infelizmente a reportagem não está disponível on-line, somente para assinantes do jornal.
Isabella desde muito pequena se interessa por livros e leitura, começou a aprender a escrever antes da escola, copiando as embalagens de bonecas e as caixinhas de sapato. Muito fofa!
Hoje já possui uma prateleira separada para os seus livros e faço questão de comprar alguns adequados para sua idade!
Eu costumo brincar com a Isa dizendo (dependo do livro que estou lendo) que hoje à noite eu vou viajar para Paris, Índia, Inglaterra, etc… Ela fica curiosa como posso dormir e viajar! Digo que é nos livros que posso conhecer esse lugares aparentemente tão longes para uma criança de 6 anos!
Vamos todos celebrar o dia do leitor com um livro! Afinal, “ler dar asas à imaginação”!