Entrevista para o site Na Savassi

O Bruno Fonseca, do site Na Savassi (região aqui de Belo Horizonte) me entrevistou ontem por telefone e publicou hoje no site!

Tradutora de Jane Austen realiza palestra na Praça da Liberdade nesta sexta

Autora de obras mundialmente famosas como Orgulho e Preconceito, que ganhou ainda mais popularidade com o filme de Joe Wrigh,t de 2005, Jane Austen é tema de palestra nesta sexta (23), na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, na Praça da Liberdade.
O naSavassi conversou com a presidente da Jane Austen Sociedade do Brasil, Adriana Sales Zardini, que irá realizar a palestra. A professora de inglês e também tradutora de obras de Jane Austen conta qual a relação da escritora inglesa com a realidade das mulheres da época e porque seus livros permanecem tão atuais.
Interessado? As inscrições para a palestra, que acontece às 15h, podem ser feitas pelo telefone (31) 3269-1232 ou no e-mail referencia.sub@cultura.mg.gov.br.
O tema da palestra é a questão social da mulher com base nas obras de Jane Austen. Que questão social é essa? O que os livros trazem da realidade das mulheres?
Se você acompanhar a situação das personagens nas obras da Jane Austen você percebe retratos da época e da realidade das mulheres naquela sociedade. Quando ela escreveu, a palavra feminismo sequer existia, mas ela pode ser considerada uma das primeiras feministas a partir do momento que dá visibilidade à situação da mulher, ainda que não seja rebelde, ela simplesmente vê o cotidiano e construir os personagens.
Retrato de Jane Austen em aquarela feito pela irmã, 
Cassandra Austen, em 1810.
Ela também sofreu com a situação das mulheres na época?
Claro, ela sofreu com o preconceito e teve de publicar seus dois primeiros livros com assinatura By a lady (por uma mulher). Jane era filha de um pastor que, apesar da família não ser rica, considerava vergonhoso uma mulher trabalhar. Só depois que ela alcançou  popularidade passou a publicar com o próprio nome. Para você ter uma ideia, mesmo com o sucesso que alcançou durante a vida, na base da sua lápide está escrito “filha do reverendo”. Só depois de muitos anos que incluíram uma dedicatória em ouro.
Por que ela alcançou esse sucesso se havia outras mulheres escritoras? O que Jane Austen tem de especial?
Ela rompe com o estilo de literatura que mantinha a figura do personagem “herói faz-tudo”. A Jane desconstrói essa figura e cria personagens às vezes orgulhosos e antipáticos ou então desinteressantes, um anti-herói. Você se pergunta: “poxa, esse é o personagem principal?” Além disso, ela pega de três a quatro famílias do interior da Inglaterra e monta todo o mote da história com esses personagens. Mas o mais especial, na minha opinião, é que ela fala de coisas que viveu, que presenciou.
Museu de Jane Austen em Chawton, na Inglaterra, na casa onde a escritora passou
 seus últimos anos de vida.
Por que as mulheres e também os homens ainda se interessam pelas obras de Jane Austen? O que permanece atual?
Independentemente da sociedade – brasileira, inglesa, francesa – e da época, as pessoas têm características que a gente reconhece no dia-a-dia. Quem nunca teve uma tia fofoqueira ou uma pessoa da família que quer casar os filhos com bons partidos?
Qual livro você recomenda como primeira leitura para quem nunca leu Jane Austen? E depois?
Primeiro o Orgulho e Preconceito, por causa da popularidade, fácil acesso e também pelas versões em filme e na série de TV de 1995 que eu considero insubstituível. Depois Emma, que é uma história divertida, vivaz. Em seguida, Abadia de Northanger, com uma personagem adolescente. Persuasão seria o quarto e depois Mansfield Park e Razão e Sensibilidade por último, pois são livros mais pesados de uma Jane Austen mais séria.
Qual o seu preferido?
O que mais gosto é Persuasão, pois é um livro sobre espera. A personagem se apaixona muito jovem, mas é induzida a não se casar porque é um rapaz pobre. É uma espera muito longa até quando eles se reencontra e o que me chama atenção são as sutilezas na narrativa e a preciosidade da carta que o personagem principal escreve.
Imagem do filme Orgulho e Preconceito, de 2005, 
com Keira Knightley no papel da protagonista.
Jane Austen é uma literatura difícil?
Não é difícil, mas ajuda muito ter uma edição com boas notas de rodapé porque ajudam a contextualizar com os valores da sociedade da época. Por exemplo, o tipo de carruagem, quantas rodas tinha, já diz do nível financeiro do personagem.
Você traduziu livros da Jane Austen. Quais?
Traduzi Mansfield Park e Razão e Sensibilidade fiel, pela editora Landmark e está em processo de revisão para ser lançado até maio o Emma, pela Martin Claret.
Como funciona a Jane Austen Sociedade do Brasil? Como participar?
A sociedade tem regionais em vários estados: Rio Grande do Sul, Pernambuco, Paraíba, Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal, Amazonas, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Em Minas, são cerca de 10 a 15 membros, nos encontramos a cada dois meses em média, geralmente na Savassi. As pessoas têm de 15 a 70 anos. Em janeiro de 2013 iremos receber em Minas um encontro nacional comemorando os 200 anos de lançamento de Orgulho e Preconceito. Temos um e-mail adriana@jasbra.com.br e o site http://www.janeaustenbrasil.com.br/.

Direitos Autorais

No mês passado a UFRJ promoveu um evento para discussão da revisão de leis autorais no Brasil, e contou com apoio do Ministério da Cultura. Leia mais aqui.

Além disso, em São Paulo foi escrita uma ‘Carta de São Paulo pelo Acesso a Bens Culturais’:

Nós acadêmicos, artistas, escritores, professores, editores e membros da sociedade civil abaixo assinados, movidos pela convicção quanto à necessidade de promover a universalização do acesso a obras literárias, artísticas e científicas e conscientes da necessidade de proteção dos direitos autorais contra usos comerciais indevidos, tornamos público alguns consensos quanto à necessidade de reforma da lei de direito autoral.

Leia aqui o restante do documento e assine!