Autor: Adriana Sales
Lançamentos
Segundo a Revista O Grito!, dia 26 de fevereiro a editora Abril lançará nas bancas a sua coleção de clássicos da literatura, que somará ao todo 35 livros. Segundo o site da editora Abril, todos os livros terão capa dura, revestimento em tecido e acabamento nobre. A coleção começa com Crime e Castigo, do escritor russo Dostoiévski, sendo que Jane Austen também se fará presente com Orgulho e Preconceito (tradução de Lúcio Cardoso). Para maiores informações clique aqui.
Segundo o site da Livraria Cultura, o DVD duplo da série Emma será lançado no dia 26 deste mês, pelo valor de R$49,90. Um pequeno vídeo da série pode ser assistido no site da editora Log On. Outra novidade é o relançamento do DVD da série Orgulho e Preconceito, previsto para o dia 1º. de março.
Jane Austen UnScripted
Conforme dica da Adriana Zardini, o site Azcentral.com informa que está em cartaz no ASU Kerr Cultural Center, em Scottsdale (Estados Unidos), a produção Jane Austen UnScripted, do grupo teatral Impro Theatre. Trata-se de uma montagem ao estilo do programa de TV Whose Line Is It Anyway, onde os atores fazem improvisações sobre um tema dado na hora. No caso de Jane Austen UnScripted, alguém da plateia sugere um tema e os atores improvisam diálogos imitando o estilo dos romances da escritora inglesa, mas tudo com muito humor.
Segundo o co-diretor Paul Rogan, “trata-se de um grupo repleto de pessoas brilhantes, muitos deles são acadêmicos que se divertem recriando um estilo literário”. Parte da atração exercida pelo espetáculo está no amor que muito leitores nutrem por Jane Austen, assim como pelo fato da montagem ter um forte apelo feminino, visto que o mundo da comédia e da literatura são predominantemente masculinos. “Eu digo que isso é o meu tributo às atrizes que fazem improvisações e que geralmente são deixadas de lado. É uma história sobre mulheres”, afirma Paul Rogan.
Duas vezes Mr. Darcy
Teremos mais três Mr. Darcy
Why we love Jane Austen?
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Por que razão Jane Austen é lida até hoje?
Macfadyen em Private Lives
Segundo informação da Adriana Zardini, está em cartaz no Theatre Royal Bath desde o dia 10 deste mês, a peça Private Lives do dramaturgo, ator e compositor inglês Noël Coward (1899-1973). Estrelada por nada mais nada menos do que Matthew Macfadyen, mais conhecido por aqui pela sua atuação como Mr. Darcy no filme Orgulho e Preconceito (2005), e também pela atriz Kim Cattrall, de Sex and the City, a peça fala sobre o casal Elyot e Amanda que, após cinco anos de divórcio, reencontram-se no sul da França, ambos casados e em lua-de-mel com seus novos companheiros. O reencontro inesperado reacende a antiga paixão de Elyot e Amanda, que se unem novamente sem medo do que isso possa acarretar. Dirigida por Richard Eyre, a peça fica em cartaz em Bath até o dia 20 de fevereiro, e depois vai para o Vaudeville Theatre, em Londres.
Em entrevista ao jornal Telegraph, Macfadyen afirmou que “Coward era extremamente perceptivo com relação ao casamento e ao sexo. Aquele lance do desejo sexual co-existir com a incapacidade de ser feliz é uma experiência universal. Ele mostra como aquelas frustrações mesquinhas podem se tornar opressoras: as pessoas perdem a noção do porquê queriam ficar juntas no início por estarem ocupadas com brigas e em ficarem gritando umas com as outras”. Ao ser perguntado a respeito das semelhanças entre a peça e a sua vida particular – ele conheceu sua atual esposa, Keeley Hawes, na série Spooks, naquela época casada com o cartunista Spencer McCallum – Macfadyen afirma: “eu não relaciono esse aspecto da história à minha vida, sinceramente. É uma questão perfeitamente válida, mas não passou pela minha cabeça”.
Durante a entrevista, o ator também falou sobre a época em que fez Orgulho e Preconceito: “todas as irmãs Bennet estavam se divertindo muito. Era tudo muito aconchegante. Então, eu deveria aparecer lá e ficar emburrado por alguns dias e depois cair fora de novo! E o fato da minha mulher estar grávida na época não ajudou muito, mas eu gostaria de ter curtido mais”.
Bem humorado, Macfadyen termina a entrevista falando sobre a nova versão cinematográfica de Robin Hood, dirigida por Ridley Scott, onde fará o papel do Xerife de Nottingham: “apaguem Alan Rickman das suas cabeças. Esse Xerife de Nottingham é um idiota que está em busca de ouro e que quer se meter nas calcinhas de Maid Marian. Estou com uma peruca idiota, de barba, com cara de camponês e ridículo. Que maravilha!”
O Feminismo em A Abadia de Northanger
O artigo O Feminismo em A Abadia de Northanger de Austen, indicado pela Adriana Zardini, foi publicado originalmente em inglês no periódico online Artifacts, da Universidade do Missouri, Estados Unidos. Escrito por Sara Whitecotton, o texto identifica o pensamento feminista dentro da obra A Abadia de Northanger, de Jane Austen. Whitecotton relaciona o romance às ideias da escritora inglesa Mary Wollstonecraft (1759-1797) considerada pioneira do feminismo por ter escrito Uma Defesa dos Direitos da Mulher (1790). A obra é uma reposta ao médico e escritor moralista escocês Dr. John Gregory (1724-1773), que escreveu O Legado de Um Pai Para Suas Filhas (1761), um tratado sobre a educação feminina. Abaixo, segue a tradução que fiz do artigo:
O Feminismo em A Abadia de Northanger de Austen
Em Uma Defesa dos Direitos da Mulher, Mary Wollstonecraft responde à obra O Legado de Um Pai Para Suas Filhas, do Dr. John Gregory, onde é discutida a sua visão sobre o comportamento adequado que uma mulher deve apresentar. As ideias de Wollstonecraft ecoam na visão de Austen de que as mulheres são indivíduos com capacidades intelectuais e criativas iguais as dos homens. Tanto em A Abadia de Northanger como em Uma Defesa dos Direitos da Mulher, as duas autoras questionam costumes sociais convencionais e afirmam que as mulheres devem agir racionalmente por elas mesmas, em vez de tentar simplesmente agradar ao sexo oposto.
O romance A Abadia de Northanger de Austen não é explicitamente descrito como feminista, mas ao retratar Catherine, Austen questiona o tipo feminino ideal na literatura. A individualidade de Catherine manifesta-se na primeira página do romance, onde Austen descreve a personagem principal como sendo tudo, menos uma heroína. “Catherine gostava de todas as brincadeiras de meninos, e tinha grande preferência pelo cricket… aos prazeres mais heróicos da infância, como cuidar de um arganaz, alimentar um canário, ou regar flores” (Austen 5). A extraordinária consciência de si que o romance possui fica patente na sátira que faz das banalidades da literatura gótica convencional, enfatizando que Catherine não é uma típica heroína e que Austen rejeita o conformismo feminino. Embora Catherine pareça muito diferente das outras heroínas de Austen por não ser especialmente inteligente, ela demonstra ter um bom discernimento em vários momentos do romance. Por não gostar de John Thorpe, Catherine mostra que pode pensar por si mesma e que não irá sucumbir às pressões sociais para se unir a ele. Catherine também acredita que casar por dinheiro é uma prática revoltante. Por ser tão comum em sua época, tal atitude também mostra que Catherine tem capacidade de formar as suas próprias opiniões, rejeitando as convenções aristocráticas por acreditar estarem erradas. Esta habilidade revela-se por si mesma quando Catherine recusa-se a entrar na mesma carruagem de Thorpe e seu irmão. Ela não permite ser manipulada e mostra verdadeiras características de uma heroína ao afirmar “se eu não pude ser persuadida a fazer o que considerava errado, eu nunca serei levada a fazê-lo” (Austen 68). Ao retratar Catherine como uma personagem não-convencional, Austen rejeita os costumes sociais convencionais para as mulheres e tenta modificá-los através de seus escritos.
A mensagem imprescindível em defesa da racionalidade das mulheres torna-se evidente em A Abadia de Northanger através da sátira do louvor à estupidez feminina. A voz do narrador serve como plataforma onde Austen pode apresentar o seu ponto de vista. Embora o narrador pareça concordar com a visão de outros autores de que as mulheres devem esconder a sua inteligência, as afirmações no romance significam exatamente o oposto de suas palavras. A famosa citação “uma mulher, especialmente se ela tem o infortúnio de saber alguma coisa, deve esconder o que sabe o quanto puder” (Austen 76) é evidente que não reflete o que Austen realmente pensava. Ao dizer coisas como estas, Austen zomba de outros autores que realmente acreditavam em tais bobagens. A escritora diretamente mostra isso quando afirma “as vantagens da tolice natural em uma bela garota já foram mostradas pela importante pena de uma autora” (Austen 76). Austen diminui os conselhos que as mulheres recebiam de homens como o Dr. John Gregory e afirma que as mulheres deveriam usar seus cérebros. Além disso, ao retratar a senhora Allen como uma mulher materialista e estúpida, Austen só faz ridicularizar mais ainda esse tipo de mulher. A senhora Allen é o perfeito retrato da esposa submissa e dependente que os homens aconselhavam as mulheres a se tornarem. A sua “mente vazia e a incapacidade para pensar” (Austen 40) permite que ela interaja com o sexo oposto com a habilidade “de administrar a vaidade dos outros” (Austen 76). Homens como Henry Tilney deleitavam-se com a ignorância porque permitia a eles que mostrassem seus conhecimentos ensinando às mulheres ingênuas. A visão de Austen sobre as capacidades intelectuais das mulheres em A Abadia de Northanger são ainda enfatizadas por Mary Wollstonecraft em Uma Defesa dos Direitos da Mulher.
Pelo fato do texto de Mary Wollstonecraft não ser em forma de romance como o de Austen, ela tem o poder de dizer exatamente o que pensa em resposta à obra de Gregory, O Legado de Um Pai Para Suas Filhas. Fazendo uso de sua própria voz e não a de um narrador, Wollstonecraft reprova o conselho de Gregory de que as mulheres deveriam ser “cautelosas ao demonstrarem… bom senso” (Gregory 221). Como Austen, Wollstonecraft acredita nas capacidades intelectuais das mulheres para pensar, assim como no seu direito de exercê-las. Ela também rejeita muitas convenções aristocráticas que privam as mulheres de agirem como elas gostam, tais como “o decoro serve para suplantar a natureza e banir toda simplicidade e variedade de caráter que não fizerem parte do mundo feminino”. Sem dúvida, o argumento mais convincente de Wollstonecraft que coincide com o d’A Abadia de Northanger é o de que a mulher não deveria fazer todas as vontades fúteis dos homens. Gregory afirma que certos homens talvez “vejam com olhos ciumentos e malignos uma mulher com muitos talentos e uma inteligência desenvolvida” (Gregory 221), no entanto, “um homem com um verdadeiro caráter e integridade é muito superior a essas baixezas” (Gregory 221). Wollstonecraft argumenta que se homens sem reais qualidades comportam-se dessa maneira, não há razão para as mulheres não demonstrarem seus dotes intelectuais diante de “tolos, ou homens… que não têm muito do que reclamar” (Wollstonecraft 224). Em vez de sempre tentar agradar aos homens, as mulheres devem falar e agir como desejarem, e um homem digno não deixará de amá-las pelo simples fato de pensarem. As ideias de Wollstonecraft ecoam na visão de Austen de que as mulheres não precisam constantemente agir de maneira diferente para cada tipo de pessoa, “isso seria bom se elas fossem somente companhias agradáveis ou razoáveis” (Wollstonecraft 225).
Tanto Wollstonecraft como Austen sustentavam pontos de vista incomuns para mulheres de sua época. Para elas, o comportamento apropriado para uma mulher parecia ilógico e exaustivo. Ambas argumentavam a favor das capacidades racionais das mulheres e acreditavam fortemente que elas tinham o direito de exercê-las. Austen usa em A Abadia de Northanger técnicas literárias, como caracterização e ponto de vista com o intuito de enfatizar suas ideias, enquanto que Wollstonecraft usa a sua própria voz. A despeito dos meios que as duas autoras utilizam para demonstrar suas opiniões, ambas opõem fortemente o conformismo feminino às normas sociais e acreditam que as mulheres são iguais aos homens em suas capacidades intelectivas.
Obras citadas:
Austen, Jane. Northanger Abbey. Ed. Susan Fraiman. New York: W.W. Norton & Company, 2004. 5-174.
Gregory, Dr. John. “From A Father’s Legacy to His Daughters.” Northanger Abbey. Ed. Susan Fraiman. New York: W.W. Norton & Company, 2004. 220-222.
Wollstonecraft, Mary. “From A Vindication of the Rights of Woman.” Northanger Abbey. Ed. Susan Fraiman. New York: W.W. Norton & Company, 2004. 222-225.

















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