E-book gratuito: Jane Austen em Portugal

Hoje é dia mundial do livro e a Biblioteca Nacional de Portugal está oferecendo donwload gratuito de seis e-books, entre eles o livro organizado por Rogério Miguel Puga ‘Jane Austen em Portugal: (con)textos’. Eu comprei o livro no ano passado e recomendo! Há inúmeros artigos sobre análises da recepção de Jane Austen em Portugal e o universo de fãs. Corre lá porque o  download gratuito é até às 24 horas!

 portugal

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Conferência Jane Austen Superstar

Devido às homenagens pelo bicentenário da morte da escritora, 2017 tem sido um ano rico em eventos dedicados à inglesa Jane Austen. Encontros de fãs, palestras acadêmicas, seminários e mais se multiplicam pelos quatro cantos do mundo, como forma de celebração ao trabalho da escritora e seu legado.

Entre os países de língua portuguesa, em junho, foi realizado no Brasil, na capital mineira, o “VI Encontro Nacional da Jane Austen Sociedade do Brasil“, promovido pela JASBRA, e nos dias 11 e 12 de dezembro, aconteceu na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, Portugal, a conferência “Jane Austen Superstar”.

A conferência portuguesa ofereceu um programa extenso e variado (o programa está disponível para download aqui), com debates e palestras, contando com a participação da brasileira Maria Clara Pivato Biajoli, Doutora em Teoria e História Literária, pela UNICAMP.

Confira abaixo, um apanhado da conferência realizada em Portugal, escrito pela Dra. Maria Clara, exclusivamente para JASBRA.

A conferência dessa semana, na Universidade Católica de Lisboa, tinha uma proposta interessante de abrir, para análise, tanto as raízes de Austen nos séculos XVIII e XIX, sua ironia, estilo, tópicos abordados, etc., quanto o seu impacto na formação da literatura moderna e atual – justificando o título da conferência, o que torna Austen uma popstar atual?

Jane Austen Superstar 2
Maria Clara Pivato Biajoli (Foto Divulgação)

As apresentações abordaram tópicos bastante interessantes, como o uso dos textos de Austen para a formação do léxico do Oxford English Dictionary, a sua relação com a filosofia moral, as traduções da década de 1815-20, para o francês e as traduções da década de 1940, para Portugal, diversas análises sobre adaptações, seriados, zumbis, fanfiction, The Austen Project, etc.

Com a exceção de mim mesma e de outra pesquisadora da UFRGS, a doutoranda Deborah Simionato, todos os apresentadores eram portugueses, o que nos mostra como os nossos irmãos (e irmãs, já que a grande maioria era mulher) desse lado do Atlântico estão produzindo pesquisas muito interessantes e no nosso idioma, o que torna esses trabalhos muito mais acessíveis aos brasileiros!

Gostaria de destacar a palestra de encerramento do Professor Álvaro Pina, que leu, com muito cuidado e sensibilidade, algumas passagens estratégicas de Emma, Orgulho & Preconceito e Persuasão, analisando o tecer da narrativa de Austen, mostrando como ela convoca seus leitores à preencherem lacunas ou “dicas” durante a leitura. De forma geral, foram dois dias intensos, que só provaram como Austen é extremamente complexa e como, mesmo depois de 200 anos de sua morte e aproximadamente 100 anos de sua descoberta pela crítica literária, há ainda muito a se debater.

Imagens: janeaustesuperstar
Introdução: Pollyana Coura
Texto: Maria Clara Pivato Biajoli

Bicentenário de Orgulho e Preconceito

Prezados leitores, é com muito prazer que lhes informo que já estavamos organizando o 4o Encontro Nacional da JASBRA e as publicações para celebrarmos o Bicentenário de Orgulho e Preconceito!
Faremos uma parceria com as blogueiras do Jane Austen em Portugal, além de outras novidades que iremos publicar ao longo desses meses.
O 4o Encontro Nacional da JASBRA será no ano que vem, provavelmente no final de janeiro – aniversário de publicação do livro. Aguardem as novidades.
Enquanto isso, acabo de fechar uma parceria com a Florence Minowa, do Japão, a brilhante ilustradora cedeu para a JASBRA o uso das imagens relativas à Austen. Vejam que maravilha! 

Janeites ao Redor do Mundo

Para quem não sabe, minha carreira como representante da JASBRA cá em Pernambuco começou quando a Adriana Zardini me pediu que recebesse a Terry Hubener, membro e representante da JASNA na Flórida. A família da Terry é aqui do Recife e ela estava vindo para encontrá-los e, se possível, visitar também uma turma de leitores de Austen no Brasil.

Receber e conhecer a Terry foi um enorme prazer. E, aparentemente, me deu também um gosto por ser relações públicas, porque quando estava terminando de providenciar tudo o que precisava para a viagem, escrevi para a Adriana e perguntei se ela conhecia alguém da comunidade francesa de janeites.

Ela me colocou em contato com a Claire, do Jane Austen Lost in France, e começamos a trocar algumas mensagens e assim fechei meu primeiro compromisso oficial em Paris: encontrar a Claire, passear, e no entretempo trocar informações sobre nossos respectivos grupos e idolatrar a querida Jane.

O encontro foi marcado para o dia seguinte à nossa chegada, na frente da livraria Shakespeare and Co. e vamos todos concordar que a coisa já começou muito bem a partir desse preciso ponto.


A Claire estava lá nos esperando com uma sacola imensa de presentes e bastante preparada para passar a tarde batendo perna conosco. Dizer que nosso passeio foi uma delícia é redundante. Que a conversa – num misto de inglês, francês e português – foi ininterrupta e que voltei pra casa ligeiramente rouca também é quase um pleonasmo. Eu já nem sou tagarela, imagine quando encontro alguém predisposto a dividir as mesmas paixões que eu?

Após apresentações, abraços, trocas de presentes e demonstrações de boa vontade, pegamos um ônibus para nos enfiar pelos bairros mais afastados e menos turísticos de Paris, atrás de nosso objetivo do dia: uma rua chamada Darcy.

Pois é, existe em Paris uma rua chamada Darcy.

A Claire também não conhecia esse ponto tão peculiar de sua cidade e nos usou como desculpa para ir até lá. Uma excelente desculpa, vamos concordar…

Conversa vai, conversa vem, qual a sua heroína favorita, por qual mocinho você se derrete, quando-onde-porque Austen, outros vícios literários, volta para Austen, clube do livro, debate, assim e assado, chegamos ao nosso destino.


Não existe nada demais na rue Darcy, a não ser que você conte a Companhia de Água. É uma rua pela qual você passa quase despercebida que ela está lá, pequena, numa área residencial. Como a Claire bem observou, pessoal que nos viu tirando fotos deve ter ficado espantado – fomos, muito provavelmente, as primeiras pessoas que foram lá para fazer isso.

E tirar fotos nós fizemos… com todas as placas de ambos os lados da rua. Eu até me abracei com um dos postes no caminho, com cara de maluca, ao mesmo tempo que ríamos como se não houvesse amanhã.


Depois disso, a Claire nos convidou para a casa dela, onde tivemos o prazer de conhecer outras duas pessoas do grupo, a Anne e a Lila. A essa altura eu acho que nem tínhamos mais muita consciência de que em que língua estávamos nos comunicando – o importante é que havia comunicação e muitos risos e também conversa séria. Foi um intercâmbio – e um dia – absolutamente maravilhoso.


Para terminar, vamos agora dar um pulinho em Lisboa.

Ao chegarmos em Portugal, também já estávamos de encontro marcado com a Paula, do Jane Austen Portugal. Ficamos de nos encontrar perto do hotel onde estávamos hospedadas, logo de manhã cedo, porque, segundo nossa cicerone, teríamos um dia inteiro de passeio pela frente.

Não fazíamos idéia, contudo, do que realmente a Paula nos estava aprontando.

Primeira surpresa foi quando ela nos colocou no carro – porque pensei que íamos pegar o metrô ou mesmo ir andando para onde quer que ela queria nos levar – afinal, estávamos no centro histórico de Lisboa. Mas, tudo bem, sem problemas, toca pra frente.

Começamos uma conversa animada (e que conversa dessas não foi animada?), e eu ia silenciosamente tentando adivinhar para onde estávamos indo. Subimos e descemos Lisboa. E, oi? Saímos da cidade? Hum, talvez haja um desvio, ou um retorno que ela tenha de pegar e… peraí, estamos na auto-estrada!

A essa altura eu já chegara à conclusão de que estava sendo seqüestrada e nem podia avisar nada para a Carol, que estava sentada do lado de trás, sem me fazer perceber por nossa seqüestradora… então continuei a conversa (que estava muito boa e eu não via razão para interromper) e comecei a prestar atenção nas placas.

Depois da terceira placa com o mesmo nome, eu finalmente perguntei à Paula: “estamos indo para Sintra, não é?”.

Sim, esse era exatamente nosso destino. De acordo com nossa seqüestradora/cicerone/guia turística, Sintra era um vilarejo romântico, tanto na arquitetura como na sensação passada a seus visitantes, tendo encantado diversos escritores britânicos – incluindo aí o sedutor Lorde Byron – sendo assim o local perfeito para fazermos nosso encontro.


Eu gostaria de ser seqüestrada mais vezes se fosse para ter um dia como o que tivemos em Sintra… O vilarejo é realmente encantador – fizemos uma bela caminhada até o Palácio da Pena, um lugar tão diferente e tão lindo que, não sei, dá uma sensação de paz, de absoluto contentamento com o resto do mundo.


O Parque e Palácio da Pena foram obra do rei D. Fernando II, marido de D. Maria II, filha do nosso Dom Pedro I. Servia como residência de verão para a família real e tudo o que poderia haver de belo, de agradável aos olhos – vitrais, pinturas, meu deus, as paredes de cada sala que entramos… – tem lá. É muito diferente dos palácios que visitamos na França, como Versalhes e Fontainebleau, onde o amor à ostentação é quase opressivo. O Palácio da Pena é estranhamente… aconchegante. Tanto que a certa altura da visita eu já estava perguntando quando podia me mudar…

O quê? Sonhar não custa nada, oras!

Do Palácio da Pena seguimos para o Castelo dos Mouros, uma fortaleza medieval do período de dominação árabe da Península Ibérica. Após andarmos um pouco pelas muralhas, voltamos a descer para a cidade e depois de um almoço delicioso de bacalhau (a semana que passamos em Portugal fizemos uma dieta de bacalhau…), fizemos um passeio de charrete pelas ruelas de Sintra, subindo e descendo entre casas e jardins maravilhosos.


Nessa brincadeira a Paula ainda nos apresentou a um manjar divino: uma sobremesa típica das bandas de lá chamada ‘travesseiro’, que eu tanto elogiei para minha mãe que ela providenciou a receita e está planejando fazê-los essa semana.

Espero que eles fiquem iguais aos que experimentamos em Sintra.

Enfim, depois de toda essa farra, voltamos a Lisboa com ainda mais assunto do que tínhamos conversado na ida (porque nosso assunto aparentemente nunca se acaba…) e passamos pela livraria Bertrand onde se realizam os encontros da turma do Jane Austen Portugal.


Na véspera de voltarmos, a Paula nos pegou de novo para tomar um legítimo chá inglês no centro de Lisboa ^^ Nessa ocasião eu acabei dando uma entrevista para ela, ganhamos mais presentes e fizemos ela prometer que viria em alguma ocasião para o Brasil, quando poderíamos paparicá-la tanto quanto ela nos paparicou.


Aliás, o convite é extensivo a todos, tanto do Jane Austen Lost in France quanto do Jane Austen Portugal quanto para quaisquer outros fãs de Austen pelo mundo que venham parar do meu lado aqui no Brasil: terei o mais prazer em recebê-los todos, com a mesma gentileza e carinho com que nos receberam.

Resta agora apenas agradecer pela oportunidade de ter conhecido esse povo maravilhoso, pelos mimos, presentes, pela companhia, pela paciência e pela conversa sempre maravilhosa. Espero ter oportunidade de reencontrar vocês, meninas! MUITO OBRIGADA!

Jane Austen Portugal

Nesse feriado de Natal tive o prazer de conhecer a Clara, dona do Jane Austen Portugal (blog recém criado sobre a nossa escritora favorita!). Clara está publicando diversos assuntos muito interessantes! Vale à pena colocá-lo nos favoritos e passar por lá para ler mais sobre Jane Austen em língua portuguesa!
Clara também está em nosso Clube de Leitura e certamente fará com que nossas discussões sejam bastante frutíferas! Seja bem-vinda Clara!