Gazeta de Longbourn Apresenta: Captain Wentworth’s Diary

“Você não deveria ter me pedido para dançar,” ela disse suavemente, quando nós tomamos nossos lugares. “Nós não fomos apresentados ainda.”

“Então porque você aceitou?” eu perguntei.

Ela corou, e eu pensei que, apesar de ela não ter a beleza marcante de Miss Elliot, ela era extremamente bonita, com seus traços delicados e olhos escuros.

“Eu mal sei, a não ser que seja porque eu tenho tão poucas oportunidades de dançar que não posso ignorar uma,” ela disse.

Todo mundo já deve saber a essas alturas que Persuasão é meu romance favorito dos escritos por Jane Austen – se é para suspirar por algum mocinho, que ele use dragonas e tenha ar de pirata. Wentworth é meu herói favorito e é claro que eu estava ansiosa por chegar nesse volume.

A história começa bem antes da narrativa oficial de Persuasão, com aqueles famosos (e dolorosos) eventos de ‘oito anos atrás’, quando tudo começou entre a jovem Anne e o recém nomeado capitão Frederick.

Sempre admirei Wentworth porque ele é um homem que veio do nada, sem qualquer fortuna ou ligações, e que cresceu por seu próprio esforço e mérito – sem, contudo, perder de vista o que era realmente importante. Se por vezes ele pode parecer um pouco arrogante e até cruel, devemos levar em consideração o desapontamento que ele sofreu quando Anne terminou o noivado entre eles – uma ferida que nunca cicatrizou, a despeito da distância e do tempo, que só pode ser esquecida de verdade diante da renovada admiração e reabertura das possibilidades entre os dois.

Já expus extensamente sobre o assunto do Capitão quando fiz a análise do livro de Austen. Sendo assim, vamos logo ao que interessa hoje.

Embora eu não diga que Captain Wentworth’s Diary seja ruim, sinto que falta a ele alguma coisa para que você acredite estar diante do verdadeiro capitão. Gosto da forma como a Grange escreve e o livro teve seus bons momentos, mas volta e meia eu me pegava surpresa com a imaturidade do Wentworth que ela escreve.

Frederick é um homem ferido, sim, mas nunca um moleque mimado e imaturo – e é dessa forma que ele soa em alguns momentos, especialmente no começo.

Sempre acreditei que Frederick e Anne eram dos casais mais passionais da tia Jane, mas que o amor deles começara de forma quase… espiritual, um verdadeiro encontro de mentes e almas. E não é isso que acontece aqui, a ligação inicial entre os dois não me convenceu de todo e Wentworth parece deixar Anne mais com o ego que o coração partido.

A narrativa melhora uma vez que chegamos ao reencontro ‘oito anos depois’. Temos então o capitão mais maduro, mais crível, mais próximo da voz com que Austen originalmente o dotou. E é claro que não há como não se derreter a partir do momento em que ele decide que seu objetivo deve ser reconquistar Anne (para então descobrir que, de fato, nunca a perdeu).

Eu me diverti mais lendo Mr. Knightley’s Diary, não vou negar. Mas ainda assim, este volume da série que a Grange escreve com os diários dos heróis austenianos é uma leitura agradável para uma sessão da tarde.

* Lu Darce (JASBRA-PE) gosta tanto de uniformes quando Lydia Bennet, embora prefira a marinha à milícia. Ela provavelmente se comportaria de forma tão vergonhosa quanto Lydia se o grupo de capitães de Persuasão aparecesse em sua cidade. Esse e outros segredos não tão secretos, vocês podem encontrar em Coruja em Teto de Zinco Quente.

Acessórios inspirados na Era Vitoriana

Ontem eu recebi um email da Elo7 sobre alguns produtos inspirados na Era Vitoriana. O site de vendas de produtos artesanais traz uma matéria sobre Steampunk – admiradores do estilo vitoriano.

Para visitar a Lojinha Miss Hide (anelzinho camafeu).

Para visitar a Lojinha Grife Martírio (punhos em renda)

Para visitar a Lojinha Little Travelling Shop (anelzinho em formato de xícara)

Edições de Jane Austen em grego

A Ifigeneia Souli do Jane Austen’s Greek Fan Club (no Facebook) postou uma linda foto de uma edição de Orgulho e Preconceito em grego! Vejam como é bela esta capa! Pelo que pude descobrir esta edição é da DeAgostini (editora italiana que publica em diversos países, inclusive Brasil).

Conheça um pouco mais sobre este grupo através dos posts que escrevi, clique aqui para lê-los.

Curiosidades:
English ———– Grego
Jane Austen  (Τζέιν Όστεν)
Sense and Sensibility (Λογική και ευαισθησία)
Pride and Prejudice (Περηφάνια και προκατάληψη)
Mansfield Park (Μάνσφιλντ Παρκ)
Emma (Έμμα)
Northanger Abbey (Το Αββαείο του Νορθάνγκερ)
Persuasion (Πειθώ)

Seleção de algumas capas que encontrei:

 Persuasion
 Pride and Prejudice
 Emma
 Sense and Sensibility

 Uma capa que me chamou a atenção foi a edição de Catharine (ΚΑΘΡΙΝ). Leia aqui (em grego) maiores detalhes sobre este livro. Dica o google tradutor sempre ajuda nestas horas! 🙂

Conheça outras capas publicadas na Grécia clicando aqui.

Janeite visita a Inglaterra

A Márcia Molinaro (JASBRA-RJ) acaba de atualizar suas fotos da viagem que fez à Europa.

Márcia fez questão de visitar os pontos turísticos e mostrar para nós. Apresento abaixo alguns momentos de mais uma Janeite brasileira na Inglaterra.

 Márcia não se conteve e abraço logo do ‘nosso’ Mr. Darcy/Colin Firth (Museu Madame Tussauds) em Londres. Fiquei com uma dúvida… Como não conheço a Márcia pessoalmente, fiquei sem saber se o Colin é tão alto assim ou ele estava em um pedestal…

 Márcia e amiga visitarem Bath e lógico que fizeram umas comprinhas no Jane Austen Centre

Parada obrigatório para todo visitante do Jane Austen Centre: uma fotinha com o Mr. Martin Salter!

Edições Francesas da Editions 10/18

Claire Saim nos presenteia com as belíssimas capas da Editora Editions 10/18. Vejam como são lindas!

Orgulho e preconceito foi traduzido porValentine Leconte e Charlotte Pressoir
Com prefácio de Virginia Woolf

Emma foi traduzido por Josette Salesse-Lavergne 

Razão e Sensibilidade foi traduzido por Jean Privat 
 
Veja em detalhes:das capas

Livros à venda na Amazon

Visite também o site da editora.

Sentimento ou Sensibilidade – parte 1

O tradutor Ivo Barroso defende o título Razão e Sentimento para sua tradução de Sense and Sensibility:

Traduzi dois livros de Jane Austen: Emma e Sense and Sensibility, e neste último, que aliás foi o meu primeiro, tive um pequeno problema de tradução… com o título. Ele exprime uma perfeita dicotomia com o agravante de encerrar uma aliteração. A hipótese imediata para os preguiçosos seria Senso e Sensibilidade, preservando assim o paragramatismo. Mas “senso” em português não é o mesmo que “sense” em inglês, e a alternativa bom senso deita por terra a aliteração. Por outro lado, “sensibility” não tinha para Jane Austen o sentido moderno de sensibilidade, equivalente a suscetibilidade, refinamento dos sentidos. Ela o emprega mais na acepção de sensível, de pessoa desprendida, que demonstra bons sentimentos. Eu me havia decidido por “sentimento” para o “sensibility”, mas faltava resolver o “sense”. De repente, afastei a obrigatoriedade da aliteração ao me lembrar que Pride and Prejudice também obedecia ao esquema(dicotomia+aliteração), e fora traduzido brilhantemente em português por Orgulho e Preconceito, mantendo a dicotomia mas ignorando a aliteração, tudo em proveito daquela forte oposição vocabular. Foi assim que cheguei ao Razão e Sentimento. Mas, e você, como faria? 

Fonte: Gaveta do Ivo 

Veja aqui mais posts sobre o tradutor.

Como percebemos na fala do Ivo Barroso, a escolha por Razão e Sentimento foi uma opção pessoal do tradutor. Não trato aqui de uma discussão a respeito do melhor título para a obra, apenas tento colocar a opinião de duas pessoas pois muitos estão acostumados com a título Razão e Sensibilidade por causa do filme de 1995.

Aguardem amanhã a parte 2. 

The Jane Austen Marriage Manual

Eu descobri este livro recentemente e estou publicando aqui no blog como lançamento. A capa acima é da Editora Macmillan USA e vocês poderão comprá-lo aqui (site da Barnes and Noble).

A capa abaixo é da Editora Hodder & Stoughton e vocês podem comprá-lo aqui (site da Amazon).

O livro tem resenhas positivas no site da Laurel  Ann (AustenProse), Goodreads e The Bookosaur.

Jane Austen na Austrália

Está à venda no site australiano Gumtree um kit com os seis principais livros de Austen e um box com 3 DVDS (Mansfield Park, Northanger Abbey e Emma 1997).

O kit custa 30 dólares australianos e podem ser adquiridos aqui.

Como o valor da postagem da Austrália para o Brasil deve ser uma fortuna, eu nem ousei verificar quanto seria. O que mais me chamou a atenção foram as lombadas dos livros. Mas não tive condições de procurar as capas pois o vendendor não disponibilizou a editora.  Uma lástima!

Razão e Sentimento da LPM

Diretamente da página da LPM no Facebook, uma ótima notícia! Mais tradução da editora e uma belíssima capa!  Confira aqui as demais capa que a LPM publicará. 

A editora já publicou A Abadia de Northanger, Persuasão e Orgulho e Preconceito, veja os livros aqui.

As edições francesas de Jane Austen

Enquanto a Claire Saim não me envia as capas de seus livros em francês, eu vou publicar uma dica que ela me enviou:
Les Éditions Françaises de Jane Austen from 1815 to 2007
As edições francesas de Jane Austen de 1815 até 2007

A história das edições francesas de Jane Austen desde 1815, fornece informação importante sobre a recepção do escritora em França. Na França ela é apresentada como uma escritora ‘sentimental’, avaliada principalmente pelo público feminino o que pode ser explicado pela péssima qualidade das edições francesas nos século XIX e XX. 
(Ou seja – grifo meu – as traduções não eram boas porque eram voltadas para o público feminino? – não entendi…)
Claire ainda nos informa que muitas destas traduções ofereceram uma imagem distorcidad da obra de Jane Austen. A revolução no mercado editorial só começou no final do século XX quando Jane foi redescoberta e a editora Bourgois passou a publicar textos acadêmicos sobre a escritora. Porém, a escritora ainda é substimada quando se trata de traduções francesas.
Bem, parece que problemas editoriais existem em todos os lugares, não é mesmo?