Austen no Modern Library & Museum

Retrato idealizado de Jane Austen (anônimo do século XIX)
Art Tattler é uma página que apresenta imagens das principais exposições que ocorrem nos museus dos Estados Unidos. Há, inclusive, uma parte dedicada ao Morgan Library & Museum, onde ocorre atualmente a exposição A Woman’s Wit: Jane Austen’s Life and Legacy, já comentada aqui no blog. Abaixo, algumas imagens que selecionei da exposição:

Cena de Orgulho e Preconceito, por Isabel Bishop (1902-1988)
Retrato de Mrs. Q, pintado pelo poeta inglês William Blake (1757-1827). Quando Jane Austen viu o retrato em Londres, disse que era exatamente assim que imaginava Jane, a irmã de Elizabeth Bennet em Orgulho e Preconceito
Carta de Jane para sua irmã Cassandra, datada de 2 de junho de 1799

Carta de Jane para Cassandra, em 2 de junho de 1799

Carta de Jane para Cassandra, com data de 8-9 de fevereiro de 1807. Repare que, para economizar papel, Jane escrevia verticalmente por cima do que já havia escrito.

Escrita pela própria Jane Austen em 1817, a lista acima mostra os lucros obtidos através de seus romances

Carta de Cassanda para a sobrinha Fanny Knight falando sobre a morte de Jane, datada de 20 de julho de 1817: “Perdi um tesouro, uma irmã e amiga como nunca mais voltarei a ter”

Austen na série Bloom’s Modern Critical Interpretations


A coleção Bloom’s Modern Critical Interpretations, editada pelo crítico norte-americano Harold Bloom, é uma série com mais de cem volumes que reúne artigos de crítica literária onde são abordadas as grandes obras da literatura ocidental, indo desde a Ilíada, Édipo Rei, Beowulf, Hamlet, Dom Quixote, passando por David Copperfield, Drácula, A Balada do Velho Marinheiro, e chegando a obras contemporâneas como Som e Fúria, O Apanhador no Campo de Centeio, O Senhor dos Anéis, On the Road, e várias outras. Dentro dessa enorme variedade, foi reservado espaço para três obras de Jane Austen: Orgulho e Preconceito, Emma e Persuasão, cada um com uma introdução escrita pelo próprio Harold Bloom e com artigos que abordam diferentes aspectos de cada obra.



Anne Elliot e Rosalinda

O volume que tenho em mãos é o de Persuasão. O texto da introdução contida neste volume foi publicado originalmente no livro O Cânone Ocidental, lançado no Brasil pela editora Objetiva. Nela, destaco a comparação que Bloom faz entre a personagem Anne Elliot de Jane Austen, com a personagem Rosalinda, da peça Como Gostais, de Shakespeare:

“Anne Elliot é para a obra de Austen o que Rosalinda de Como Gostais é para a de Shakespeare: o personagem quase alcança a mestria de perspectiva que apenas a romancista ou o dramaturgo têm acesso, para que toda qualidade dramática do romance ou da peça não seja perdida”.

E complementa:

“(…) até mais do que Hamlet ou Falstaff, que Elizabeth Bennet, ou do que Fanny Price em Mansfield Park, Rosalinda e Anne Elliot possuem praticamente o equilíbrio completo, quase capazes de enxergar tudo o que acontece em torno da peça e do romance (…)”

Abaixo, seguem os títulos e os respectivos autores dos artigos presentes no livro:

Anne Elliot, Cuja Palavra Não Tinha Muito Valor, por Stuart M. Tave

Persuasão: formas de alienação, por A. Walton Litz

O Dote de Anne Elliot: Reflexões sobre o Final de Persuasão, por Gene W. Ruoff

O Pessimismo Radical de Persuasão, por Julia Prewitt Brown

A Natureza do Caráter em Persuasão, por Susan Morgan

No Meio: Persuasão, por Tony Tanner

Persuasão: “O Tom Anti-Feudal dos Dias Atuais”, por Claudia L. Johnson

Persuasão: A Patologia do Dia-a-Dia, por John Wiltshire

Perdido em um Livro: Persuasão de Jane Austen, por Adela Pinch

Sátira, sensibilidade e inovação em Jane Austen: Persuasão e as obras menores, por Claude Rawson.



Os livros podem ser adquiridos no site da Amazon.

Jane Austen House Slideshow

O canal PBS colocou em sua página um slideshow que apresenta várias fotos de Chawton House (foto acima), casa em que Jane Austen viveu seus últimos oito anos de vida. Lá, Jane revisou Orgulho e Preconceito, Razão e Sensibilidade e A Abadia de Northanger; foi lá, também, que escreveu Mansfield Park, Emma e Persuasão. Transformada em museu em 1947, a casa encontra-se cuidadosamente preservada, abrigando objetos pessoais, livros, documentos e pinturas referentes a Jane e sua família.

Abaixo, selecionei algumas imagens presentes no slideshow, que pode ser visto aqui:

Quem entra na casa de Jane Austen, a primeira coisa que vê é esta sala com mobília original e uma piano similar ao seu.
Mesinha onde Jane escrevia seus romances

Primeira edição de Emma

Colcha feita por Jane, sua irmã Cassandra e sua mãe

Cozinha de Chawton House, aberta pela primeira vez à visitação em 2009

Jane e sua irmã Cassandra receberam estas duas cruzes de presente de seu irmão Charles.

Henry Rice: Historiador de Jane Austen

Dia 23, o Times Online publicou um artigo sobre o historiador Henry Rice, falecido no dia 14 de janeiro. Descendente do irmão de Jane Austen, Edward Austen, Rice era profundo conhecedor da história de sua família e dedicou parte de sua vida a provar a autenticidade do “Retrato Rice”, pintura a óleo que retrataria Jane em sua adolescência.

Abaixo, segue a tradução que fiz do artigo. Para ler o original, basta clicar aqui.


Henry Rice: Historiador de Jane Austen


Henry Rice, descendente direto do irmão de Jane Austen, Edward, era um historiador incansável da família. Suas pesquisas eram altamente produtivas, mas também lhe acarretaram muitas controvérsias que remetem há muitos anos. Em 1973, ele herdou um retrato a óleo de corpo inteiro, que durante muito tempo acreditou-se ser o retrato de Jane Austen na adolescência. Mas se a imagem trata-se realmente da romancista, o assunto ainda é discutido até hoje.


Rice não se aprofundou na controvérsia e durante 35 anos de sua vida dedicou-se a provar a autenticidade do quadro que, se for comprovado, será a única pintura a óleo da escritora.


Filho de Edward e Marcella Rice de Dane Court, próxima a Broadstairs, Kent, Henry John Bernard Rice foi educado nas redondezas, na St. Peter’s Court School, depois em Eton e no Trinity College, Cambridge. Desqualificado para o serviço militar, a princípio se juntou ao banqueiro Morgan Grenfell e depois ao International Harvester, o gigante industrial criado por J.P. Morgan. Sua carreira como fazendeiro começou em 1957 quando assumiu uma das fazendas da família em Everden, próximo a Dover, e quatro anos depois mudou-se para Swanton Farm, Dover, que somava 1000 dos 3500 acres do arrendamento da família.


Em 1973, depois da morte de seu pai, mudou-se para Dane Court, onde a família viveu por mais de 150 anos e onde o famoso “Retrato Rice” pairou sobre a lareira da sala de visitas por longos anos. A família de Rice, que acredita que a pintura data de 1789, tomou posse do retrato em 1883; originalmente o mesmo pertencia ao Coronel Thomas Austen, primo de Jane Austen.

Henry Rice teve uma carreira de sucesso como fazendeiro, tornando-se uma figura proeminente e inovadora na National Farmer’s Union. Depois de uma visita à Holanda, tornou-se um dos primeiros fazendeiros britânicos a cultivar o pântano de sal como terra produtiva. As suas plantações de aspargo e cenoura eram cultivadas sem colocar em risco a integridade do pântano. Ele também fundou a East Kent Cereal Growers, uma das primeiras cooperativas de fazendas da Grã Bretanha.


Em 1975, Rice vendeu a propriedade da família e se mudou para Guernsei, com tempo de sobra para se aprofundar na história da família antes de retornar à Inglaterra em 1983.





No que diz respeito ao retrato, foi um período difícil. Em 1932, a National Portrait Gallery ficou suficientemente impressionada pela origem do retrato Austen-Rice, sendo que o diretor Sir Henry Hake, encorajado por outro ramo da família, tentou comprar a pintura do avô de Rice, Henry E.H. Rice, que optou, no entanto, por manter o retrato com a família. Mas depois da guerra, opiniões divergentes começaram a surgir, começando em 1948, com a declaração de R.W. Chapman de que “não poderia ser Jane Austen” na pintura, porque o estilo das roupas da adolescente remetiam a “meados de 1805 (quando Jane tinha 30 anos) ou mais”. Como principal especialista da época, Chapman prendeu a atenção do publico. Outras dúvidas surgiram quanto ao estilo do penteado, que parecia pertencer a uma época mais antiga, e se era a Jane Austen escritora ou meramente outra garota com o mesmo nome, e em 1973 o comitê da Jane Austen Society, mostrando embaraço diante da família, fez uso do informativo anual da sociedade para dar apoio a Chapman, acrescentando que a garota na pintura poderia muito bem ser uma prima de Jane Austen com o mesmo nome. Apenas no informativo anual da sociedade em 1974 essa ideia foi refutada.

Então, para o prejuízo considerável de Henry Rice, tanto emocional como financeiro, teve início o longo e turbulento processo de defesa da integridade do retrato, um caminho cheio de afirmações e contra-afirmações. Originalmente chamado de “o Retrato Zoffany”, após minucioso exame e a descoberta de seu monograma, o retrato foi atribuído novamente a Ozias Humphry. Entretanto, por associação, e em reconhecimento à vitória de Henry Rice, passou a se chamar “o Retrato Rice”.


Em 2007, o Retrato Rice foi a leilão em Nova York, na Christie’s, que, em seu catálogo, apoiava a atribuição e falava da sua “impecável” procedência: “o fato de ter sido considerado um retrato de Jane Austen pelos membros de sua própria família, que remete ao ano de sua morte, dá enorme credibilidade à identificação da pessoa como Jane Austen”.


No entanto, não conseguiu alcançar a reserva de $400,000-800,000, provavelmente por causa da controvérsia em torno da identidade do retrato, e a venda foi cancelada.


A National Portrait Gallery continua a ter reservas com relação à identificação. Jacob Simon, o curador chefe da NPG e diretor representante, disse: “poucas pinturas foram exploradas com tanto detalhe e, mesmo assim, não há consenso sobre a identidade da garota retratada. Continuamos a acreditar que os traços estilísticos do retrato e o colorista do carimbo que está no reverso da tela – que é a única peça incontestável da principal evidência associada ao retrato – sugerem uma data em torno de 1802-06, quando Jane Austen seria uma mulher com trinta e poucos anos e não a adolescente retratada aqui”.


No entanto, a opinião da NPG não é aceita por todos. A moldura, o revestimento e a parte de trás da tela são frequentemente escrutinadas com uma avançada iluminação digital em um laboratório em Paris, um exame que deverá revelar se há ou não evidência que aponte para a data e identidade do retrato. Tecnologia Lumiere é o laboratório que recentemente afirmou ter encontrado uma impressão digital de Leonardo da Vinci em uma pintura que se acreditava ter sua origem na Alemanha do século XIX.


Outra ambição não foi cumprida: a criação de um Jane Austen Centre, uma instituição para abrigar uma biblioteca, facilitar a acomodação e a pesquisa para o estudo da vida, da família e da obra de Jane Austen. Para essa finalidade, durante o ano de 1989, Rice reuniu suporte financeiro com a intenção de comprar um arrendamento em Chawton House, Hampshire, uma bela construção elizabetana. Perto de Chawton House, que pertenceu a Edward Austen, irmão de Jane Austen, fica Chawton Cottage, onde a mãe de Jane Austen e suas duas filhas fixaram residência em 1809 e onde Jane terminou seus três últimos romances. A oferta de Rice não foi aceita e depois de uma busca infrutífera por outras localidades ele desistiu do projeto para se dedicar ao retrato, um ato, como ele percebeu, de devoção familiar, que reverberava profundamente seu próprio senso pessoal de honra.


Rice foi casado três vezes, historiador de Jane Austen, nasceu em 7 de setembro de 1928. Morreu em 14 de janeiro de 2010, aos 81 anos.

Twitter Party

Conforme sugestão da Luana M.M., hoje, por ocasião da estreia da nova versão de Emma nos EUA, haverá uma Twitter Party promovida pelo canal PBS. A festa irá ocorrer ao longo do primeiro episódio, que irá ao ar às 21 horas, no horário dos EUA e à meia-noite no horário do Brasil. Estarão presentes pessoas ligadas ao canal PBS e especialistas em Jane Austen, como a Laurel Ann Natress, do Austenprose, a Vic, do Jane Austen World e a Kali Papas, do StrangeGirl.com. Aqueles que desejarem participar devem acessar o Tweetgrid do canal ou procurar diretamente por @pbs, @masterpiecepbs. Ao enviar uma mensagem usar sempre a tag #emma_pbs. Abaixo, o convite que está na página da PBS:

Vídeo Jane Austen’s Letters (PBS)

O canal PBS colocou no You Tube um vídeo onde Clara Drummond, curadora assistente de manuscritos históricos e literários do Morgan Library & Museum, aparece explicando a técnica utilizada por Jane Austen ao escrever suas cartas. É interessante observar o quanto Jane aproveitava cada centímetro do papel, pois o mesmo era considerado artigo de luxo na época.

Atores ingleses que brilharam no Golden Globe

Como foi dito no post anterior, eu (Elaine) e Lilia dos Anjos iremos cuidar do blog enquanto a Adriana tira suas mais que merecidas férias. Aproveito para deixar aqui o meu agradecimento pelo convite e pela confiança depositada.

Começo falando sobre o post do blog Jane Austen Today, que destaca a presença dos atores britânicos no Golden Globe, ocorrido no dia 17 de janeiro último. Detalhe: todos eles já trabalharam em alguma adaptação dos romances de Jane Austen para a televisão ou para o cinema e, apesar de terem saído da premiação de mãos vazias, esbanjaram charme e elegância. Vamos a eles:


Sally Hawkins, a Anne Elliot de Persuasão 2007.

Colin Firth, o eterno Mr. Darcy de Orgulho e Preconceito de 1995, acompanhado de sua esposa Livia. O ator foi indicado pelo seu papel em A Single Man.

Caret Mulligan, que fez os papéis de Kitty Bennet (Orgulho e Preconceito, 2005) e Isabella Thorpe (Abadia de Northanger, 2007), apareceu em companhia de sua mãe. A atriz foi indicada pelo seu papel em An Education.

Kate Winslet (Marianne Dashwood, de Razão e Sensibilidade, 1995) entregou o prêmio de melhor ator para Jeff Bridges, pela sua atuação em Crazy Heart.

Emily Blunt que, apesar de não ter atuado em nenhuma adaptação, possui alguma relação com a obra de Jane Austen: trabalhou junto com Anne Hathaway (Becoming Jane) em O Diabo Veste Prada, e ainda fez o papel de Prudie em O Clube de Leitura de Jane Austen. A atriz foi indicada pela sua atuação em Young Victoria.

Comunicado importante!

A partir de hoje, os posts do blog serão responsabilidade da Elaine Valente e as respostas aos comentários ficarão por conta da Lilia dos Anjos. Vou sair de férias por duas semanas e gostaria de dizer-lhes que o blog ficará em ótimas mãos! Elaine e Lilia são membros do Jasbra e certamente contribuirão muito!
See you later! A Presto! Hasta la vista! À bientôt! Sehen Sie Sie später!

Neve em Bath… um raro prazer!

Rebecca do Jane Austen Centre in Bath disponibilizou algumas fotos da neve em Bath. Esse acontecimento é algo muito raro de se ver na cidade, que apesar do inverno rigoroso não costuma ter nevascas.
Vejam como estava tudo tão lindo! Agora a neve já deve estar derretida. Como diz a Becca: “Bath in the snow – such a rare delight!”

Queen’s Street
Agora já fui devidamente apresentada ao sorridente senhor das fotos que publiquei no post sobre Jane Austen Regency Awards! Seu nome é Martin e pelo visto, faça sol ou faça chuva (neve  no caso), ele está sempre sorridente!

Thanks dear Becca to share with us such interesting photos!

Emma 2009 em português!

Acabo de receber um e-mail do Depto. de Marketing da Logon informando que Emma (com legendas em português), produzido pela BBC, estará à venda no mercado brasileiro em março!
Excelente notícia, não acham?
Outra boa notícia é que em março eles também lançarão Oliver Twister de Charles Dickens (com legendas em português), também da BBC!
Abaixo as capas da BBC, creio que a Logon fará algo parecido:
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Para quem não sabe, a Logon lançou no ano passado um Digipack (box) da Série Orgulho e Preconceito (1995), publicado aqui.