Jane Austen: 250 anos da porta para dentro

Entrevista com a Adriana Sales (presidente da JASBRA)

Texto: LauraMachado

Ilustração: Greg

16 de Dezembro de 2025

A romancista nasceu no ano de 1775 e durante a vida publicou obras que relatavam com precisão a vida e costumes da classe média inglesa.

Durante os doze meses do ano a pequena vila de Chawton, no sudoeste da Inglaterra, recebe viajantes de todo o mundo que desejam, essencialmente, visitar uma antiga casa de estilo gregoriano. É certeza que muitas casas como aquela estão espalhadas pelo país, mas o que atrai o público àquela locação em específico diz respeito a uma longínqua moradora. Ninguém menos que Jane Austen.

Nascida a 250 anos – no dia 16 de dezembro de 1775 – na cidade de Winchester, Jane foi a penúltima de oito irmãos. Seu pai, George Austen, estudou na prestigiosa St. John’s College, em Oxford, e veio a se tornar reverendo na cidade de Steventon, onde a família Austen viveu até o patriarca se aposentar. A mãe de Jane, Cassandra Leigh, vinha de uma família de boa condição financeira. Foi descrita como uma mulher esperta, que já escrevia versinhos aos seis anos de idade. Da união de George e Cassandra, nasceram James, George, Edward, Henry, Cassandra, Francis, Jane e Charles.

Únicas meninas entre os tantos filhos homens, Jane e Cassandra criaram, ainda na infância, uma ligação que duraria a vida toda. Juntas, estudaram em um internato só para garotas, tiveram aulas de piano e de

desenho e, ao longo da vida, trocaram uma quantidade substancial de cartas. Nenhuma delas se casou. Quando Jane faleceu, aos 41 anos, em

1817, as irmãs morava juntas, exatamente na casa de Chawton.

A “Casa de Jane Austen”, como foi batizada, funciona atualmente como um museu da vida da romancista. Repleto de edições iniciais de suas obras, joias, obras de arte e móveis (incluindo a pequena mesinha, na qual Jane escreveu seus romances, afirmam os biógrafos), remonta o estilo de vida inglês e, é claro, de Jane. O lugar onde ela viveu seus últimos anos, junto a mãe, a irmã e uma amiga da família, é porta de entrada para entender sua realidade e suas obras.

OS ROMANCES DE AUSTEN

A família Austen muito valorizava o conhecimento. Como consequência disso, Jane Austen teve contato com os livros desde cedo. Ainda que não seja possível determinar quando começou a escrever, sabe-se que ela criava histórias desde jovem e, na vida adulta, se dedicou efetivamente à escrita e publicação de romances.

No ano de 1811, Henry Austen passou a auxiliar a irmã quase como um agente literário e conseguiu um acordo para que a obra Razão e sensibilidade fosse publicada pelo editor Thomas Egerton. Sob o pseudônimo de “A Lady”, ou “Uma senhorita”, o livro foi bem recebido, com a primeira tiragem vendendo completamente em cerca de dois anos.

Em 1813, foi a vez de Orgulho e preconceito ser publicada pela mesma editora, assim como uma nova edição de Razão e sensibilidade. A partir desse momento, Jane consolidou-se como escritora no mercado editorial, ainda que não fosse um dos grandes nomes da literatura.

De acordo com a doutora em Estudos Linguísticos e fundadora do Jane Austen Sociedade do Brasil, Adriana Sales, a autora de Razão e sensibilidade passou a assinar os próprios livros apenas depois de um pedido vindo direto do príncipe regente George IV. Adriana explicou à revista Pernambuco que o príncipe havia lido as obras de Austen e chegou a convidá-la para um chá, quando diretamente sugeriu que em sua próxima publicação, ela a dedicasse a si. “Os pesquisadores dizem

que Jane Austen colocou a contragosto, porque não concordava com a gastança e as coisas que o príncipe fazia, mas no quarto livro ela assina

com seu nome e tem certa notoriedade, ainda que não seja como a fama que tem hoje”, contou.

A fama que Jane acumulou com o passar dos anos, inclusive, muito se dá pela forma verossímil como ela relata as relações sociais de seu tempo. De maneira geral, todos os seus livros – Razão e sensibilidade, Orgulho e preconceito, Mansfield Park, Emma, A Abadia de Northanger e Persuasão são as obras finalizadas e publicadas em vida pela autora, que também escreveu Sanditon, Lady Susan e Os Watsons – acompanham uma protagonista feminina que vive uma história de amor. Acreditar, contudo, que a literatura de Austen se resume ao romance é uma visão superficial.

Em entrevista à revista Cult em 2017, a pesquisadora e autora do livro J ane Austen, the secret radical, Helena Kelly, afirmou: “As pessoas não estão erradas em considerá-la uma grande autora de histórias de amor – mesmo que algumas de suas tramas sejam um pouco perturbadoras para os dias atuais, como casamentos entre primos ou homens apaixonados por meninas de 13 anos. Mas acredito que os romances de Austen podem ser políticos e românticos, essas duas características não são excludentes”.

Talvez uma pessoa sem conhecimento sobre os livros de Jane Austen pegue um exemplar de Orgulho e Preconceito, por exemplo, esperando se encantar com as provocações que levam ao amor entre Elizabeth Bennet e Mrs. Darcy e, provavelmente, esse objetivo será atingido. Para além de uma boa narrativa de paixão, naquelas páginas a escritora tratou com perspicácia sobre a realidade das mulheres do século XIX, que só eram vistas como parte integral da sociedade ao se casarem. O casamento, como um todo, é uma instituição que recebe alfinetadas por meio de seus personagens em todas as suas histórias.

A frase de abertura de Orgulho e preconceito é um exemplo da sagacidade de Austen sobre o meio em que vive: “É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro, possuidor de uma grande fortuna, deve estar em busca de uma esposa”.

Através de histórias que se concentram em narrar conversas entre personagens e essencialmente mostrar retratos de vida dos

personagens, Jane foi capaz de criar textos em que as convenções sociais são postas em questão. Como uma mulher solteira vivendo no interior da Inglaterra do século XIX, ela se debruçou sobre o que vivia e observava ao seu redor. A vida particular foi seu objeto de pesquisa durante a carreira na literatura e foram as sutilezas desse trabalho que lhe conferiram o reconhecimento que possui hoje.

“A Jane Austen seguia a cartilha do tempo em que viveu, então podemos chamá-la de conservadora, porém ela organizou mentalmente e transbordou em forma de escrita, um olhar muito aguçado para o comportamento humano. Ela inova e rompe as barreiras da cultura e dos costumes da sua época ao escrever sobre o cotidiano, sobre a vida das pessoas comuns, principalmente da porta para dentro de casa”, evidencia Adriana Sales.

Em Persuasão, a narrativa de Austen acompanha Anne Elliot, que foi pedida em casamento por Frederick Wentworth, um oficial da Marinha com condição social inferior. Mesmo o amando e desejando unir-se a ele, decide recusar o convite e escutar os conselhos de seu pai. Oito anos depois, eles voltam a se encontrar e, desta vez, o pai de Anne está perdendo a fortuna, enquanto Wentworth subiu de patente e acumulou riquezas. Nessa obra, a escritora encara a hierarquia social inglesa e questiona diretamente os conselhos dos mais velhos (representado pelo pai de Anne, um homem orgulhoso e vaidoso que acredita ser o dono da razão).

Ao criar o personagem de Frederick Wentworth, Jane mostrava estar antenada com o mundo ao seu redor, como bem descreve a tradutora e jornalista Julia Romeu no prefácio de Persuasão, parte da coleção Mulheres na Literatura da Folha de S. Paulo:

“O declínio financeiro de um baronete e a ascensão social de um oficial da Marinha é um tema quase revolucionário para um livro de Jane Austen. Na época que Persuasão foi escrito, a ideia de que todos os homens são iguais surgira recentemente, e era muito difícil se movimentar pelas rígidas classes que dividiam a sociedade inglesa. […]

Mesmo de seu cantinho sossegado, Jane Austen não podia deixar de ouvir os ecos da revolução americana e da Revolução Francesa”.

Outra obra considerada madura e importante a ser analisada é Mansfield Park. Publicada pela primeira vez em 1814, a narrativa se concentra na personagem Fanny Price, que é descrita por leitores como a protagonista mais fraca e “apagada” de Jane. Mesmo assim, esse romance traz o tema da escravidão como questão importante.

“Notei referências muito frequentes e óbvias à escravidão em Mansfield Park. Qualquer pessoa que soubesse ler na época sabia que Lord Mansfield era presidente do Supremo Tribunal inglês, e que contribuiu imensamente para a abolição do tráfico de escravos. Seria impossível não fazer a ligação. Além disso, a Sra. Norris, vilã da história, teve o nome inspirado em Robert Norris, um infame traficante de escravos. Eu já estava convencida de que havia ligações com o tema no romance, e muitos críticos já haviam apontado isso, mas quando eu me foquei em encontrar essas referências, me pareceu clara a crítica de Austen à escravidão”, compartilhou Helena Kelly à Cult.

JANE AUSTEN HOJE

Mesmo tendo escrito sobre a realidade de famílias da Inglaterra do século XIX, as narrativas criadas por Austen conquistaram admiradores ao redor do mundo. No Brasil não foi diferente.

Adriana Sales, por exemplo, se apaixonou pelos livros durante a graduação em Letras na UFMG, e trilhou uma carreira entrelaçada com o estudo sobre a escritora. Tanto seu doutorado quanto o pós-doutorado (que está em curso) buscam analisar aspectos da obra de Jane Austen.

Adriana também participa de eventos sobre a escritora, realiza exposições e encontros com leitores pelo Brasil, já traduziu alguns de seus livros e administra desde 2008 a página “J ane Austen Brasil”.

“Eu acredito que acontece um movimento cíclico de interesse com escritores que viveram há mais de 200 anos. Com a criação da Casa de Jane Austen, em 1940, começou a existir uma peregrinação em volta desses lugares e no meio dos anos 1990 os livros começaram a ser adaptados. Isso criou mais interesse pelas obras”, explica Sales. “Foi

justamente quando eu criei o blog que as pessoas começaram a ter interesse novamente, e aí a gente já tinha internet para conectar

pessoas de várias partes do mundo. O mercado editorial brasileiro começou a seguir também esse padrão, publicar novas traduções. Hoje, se eu não me engano, temos mais ou menos 20 tradutores de Orgulho e Preconceito”, acrescenta.

Aos 24 anos, a designer Carol Duarte é uma das jovens leitoras de Jane Austen. Mesmo com mais de 200 separando ambas, ela explica que se tornou admiradora da obra justamente por se identificar com os personagens.

“A obra de Jane Austen fala sobre sentimentos, conflitos e escolhas que ainda fazem parte da nossa vida. Além disso, o olhar crítico e irônico dela sobre a sociedade da época também se mantém bastante atual. Os personagens são humanos, imperfeitos e muito relacionáveis, o que faz com que a gente crie uma conexão com eles. É como se, em cada livro, a gente se reconhecesse um pouco”, avalia.

Além dos livros, Carol também é fã das adaptações para o cinema de Orgulho e preconceito (2005) e Emma (2020), obras amadas por muitos e que várias vezes foram portas de entrada para a obra literária de Jane Austen.

Estrelado pelos atores britânicos Keira Knightley e Matthew Macfadyen, Orgulho e preconceito pode ser considerada uma das adaptações de maior sucesso dos anos 2000. Recontando a história de Elizabeth e Darcy nas telonas, uma geração inteira de adolescentes e jovens adultos se encantou com o romance publicado em 1813. É prova concreta de que, ainda que escrito a tantos anos, as relações sociais entre personagens se perpetuaram e seguem, ao menos em parte, atuais.

Entre o conservador e o progressista, está Jane Austen. Em seus escritos não pregou mudanças ou revoluções de ideias, não protestou em praça pública ou criou personagens completamente disruptivos das morais e costumes de seu tempo. O que Jane fez, e aí está seu mérito, foi revelar com bastante precisão, como a vida privada acontecia. Como se utilizasse uma lupa, escancarou as portas das casas de seus vizinhos a fim de contar histórias que fossem verossímeis e enxergou a verdadeira face das relações.

Emma, Elizabeth, Anne, Catherine, Elinor, Marianne e Fanny são protagonistas que representam de maneira fiel o que significa ser uma mulher na Inglaterra do século XIX, fadada a respeitar os desejos do pai, esperar um pedido para dançar e lutar a fim de conquistar um marido, já que apenas assim poderia viver uma vida sem julgamentos.

Talvez o seu ato mais revolucionário, de fato, tenha sido o de escrever. Assim como suas heroínas, Jane Austen viveu em um tempo em que a educação formal era negada às meninas e que o trabalho era algo imperdoável. Jane ter se tornado escritora não foi motivo de orgulho para a família, que mesmo possuindo uma visão mais aberta às intelectualidades, seguia os moldes da época.

Em um trecho de Mansfield Park, Austen escreveu: “Dê a uma garota uma educação e a apresente adequadamente ao mundo, e é muito provável que ela tenha os meios para se dar bem, sem depender de mais ninguém”.

TAGS:

Jane Austen     romance     Inglaterra     Adriana Sales

Copyright. Companhia Editora de Pernambuco – CEPE. Link:  https://pernambucorevista.com.br/secoes/reportagem/jane-austen-250-anos-da-porta-para-dentro

Inscrições abertas para ouvintes – 1º Colóquio Jane Austen Brasil – 18 anos de leituras e pesquisas

📚 Inscrições abertas para ouvintes
1º Colóquio Jane Austen Brasil – 18 anos de leituras e pesquisas

Estão abertas as inscrições para ouvintes do 1º Colóquio Jane Austen Brasil, evento on-line e gratuito, realizado em parceria entre a Jane Austen Sociedade do Brasil, o CEFET-MG e a UFRGS.

Para se inscrever, basta preencher o formulário.

O colóquio celebra os 18 anos da Jane Austen Brasil e reunirá pesquisadores, palestrantes e comunicadores para discutir a obra de Jane Austen, suas recepções e desdobramentos contemporâneos.

📌 Evento on-line | Gratuito
📌 Dias 23 e 24 de fevereiro

📝 Inscrições para apresentações de trabalhos abertas até 06/02 clique aqui.
👉 Link na bio

✨ Participe, acompanhe as palestras e celebre conosco essa trajetória de leituras, pesquisas e encontros.

Inscrições abertas para ouvintes – 1o Colóquio Jane Austen Brasil

Inscrições abertas para ouvintes

1º Colóquio Jane Austen Brasil – 18 anos de leituras e pesquisas

Estão abertas as inscrições para ouvintes do 1º Colóquio Jane Austen Brasil, evento on-line e gratuito, que celebra os 18 anos da Jane Austen Brasil.

O colóquio é uma realização da Jane Austen Sociedade do Brasil, em parceria com o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e acontecerá nos dias 23 e 24 de fevereiro, nos turnos da tarde e da noite.

A programação reunirá palestras e comunicações dedicadas à obra de Jane Austen, suas recepções, traduções e desdobramentos contemporâneos, promovendo o diálogo entre pesquisadores, estudantes e o público interessado.

🔹 Evento on-line
🔹 Participação gratuita

📝 Inscrições para apresentações de trabalhos (palestras e comunicações) abertas até 06/02/2026, clique aqui.

👉 Inscreva-se como ouvinte: neste formulário.

18 anos da Jane Austen Brasil

Em 23 de fevereiro de 2008, nascia a Jane Austen Brasil, iniciativa pioneira criada por Adriana Sales, atual presidente da Jane Austen Sociedade do Brasil. Em um momento em que não havia sequer uma entrada sobre Jane Austen em língua portuguesa na Wikipédia, Adriana criou a primeira página inteiramente dedicada à autora em português na internet, abrindo caminho para leitores, fãs e pesquisadores no Brasil.

Desde então, a Jane Austen Brasil construiu uma trajetória sólida e diversa, acompanhando as transformações do meio digital e passando por diferentes plataformas: site, Orkut, blog, Facebook, Twitter/X, YouTube, entre outras redes. Ao longo desses 18 anos, formou-se uma comunidade ativa e plural, unindo leitura, pesquisa, divulgação científica e paixão literária.

Paralelamente a essa história, Adriana Sales consolidou uma trajetória acadêmica de destaque: tornou-se doutora em Estudos Linguísticos pela UFMG, com pesquisa dedicada aos fãs de Jane Austen; realizou curso sobre a autora em Oxford; participou de inúmeros congressos nacionais e internacionais; e publicou artigos e capítulos de livros em diferentes línguas, contribuindo significativamente para os estudos austenianos no Brasil e no exterior.

Atualmente, Adriana é professora do curso de Letras do CEFET-MG, onde desenvolve e orienta pesquisas de iniciação científica em áreas como direito e literatura, design do livro, tradução, recepção literária, entre outras interfaces interdisciplinares.

Para celebrar essa trajetória de 18 anos de leituras e pesquisas, a Jane Austen Brasil, em parceria com o CEFET-MG e a UFRGS, realizará, nos dias 23 e 24 de fevereiro, o 1º Colóquio Jane Austen Brasil, com atividades nos turnos da tarde e da noite, marcando um momento de encontro, reflexão e confraternização dessa história coletiva.

📌 Inscrições para comunicações e palestras abertas até 06/02/2026, clique aqui.

📌 Inscrições para ouvintes: em breve!
📌 Evento on-line e gratuito

Uma celebração do legado de Jane Austen e de tudo o que foi construído, ao longo de 18 anos, por meio da leitura, da pesquisa e do diálogo.

1º Colóquio Jane Austen Brasil –  18 anos de leituras e pesquisas

Primeira Circular

Chamada para Trabalhos – 1º Colóquio Jane Austen Brasil –  18 anos de leituras e pesquisas

Prezada(o) pesquisadora(or),

É com grande satisfação que a Jane Austen Brasil, em parceria com o CEFET-MG e a UFRGS, convida pesquisadoras(es), docentes, estudantes e interessadas(os) nos estudos literários e demais áreas do conhecimento para participar do 1º Colóquio Jane Austen Brasil – 18 anos de leituras e pesquisas, a ser realizado em formato on-line, no mês de fevereiro entre os dias 23 e 24, turnos tarde e noite. O evento será gratuito.

Este colóquio tem como principal motivação a celebração dos 18 anos de criação da Jane Austen Brasil, marco que simboliza a consolidação de uma trajetória dedicada à promoção da leitura, ao incentivo à pesquisa acadêmica e ao fortalecimento do diálogo entre universidade, leitores e comunidade cultural. Ao longo dessas quase duas décadas, a Jane Austen Brasil tem se constituído como espaço de circulação de saberes, encontros interinstitucionais e valorização dos estudos austenianos no país.

O evento consistirá em palestras e comunicações e contará com uma chamada para trabalhos. As palestras serão proferidas por pesquisadoras(es) que possuam, no mínimo, o título de mestre, enquanto as comunicações estarão abertas a estudantes de graduação e graduados, das mais diversas áreas do conhecimento, interessados em apresentar pesquisas, reflexões e experiências relacionadas à obra de Jane Austen e a seus desdobramentos críticos, culturais e pedagógicos.

O colóquio tem como objetivo reunir pesquisadoras(es) de diferentes instituições e áreas, promovendo o intercâmbio acadêmico e a reflexão sobre a permanência, a atualidade e a diversidade de abordagens críticas em torno da obra de Jane Austen, contemplando temas como estudos literários, recepção, tradução, edição, ensino, intermedialidade, história do livro e cultura literária.

Será uma honra contar com sua participação neste momento comemorativo e reflexivo, que celebra não apenas os 18 anos da Jane Austen Brasil, mas também o compromisso contínuo com a pesquisa, a leitura crítica e o diálogo acadêmico.

A inscrição para trabalhos deverá ser feita por meio de um formulário disponível em: https://forms.gle/2ErsesQKoMyxW8Hc6

Prazos de submissão: 06/02/2025.

Cordialmente,

Dra. Adriana dos Santos Sales (CEFET-MG)

Dra. Sandra Sirangelo Maggio (UFRGS)

Maiores informações: https://janeaustenbrasil.com.br/1o-coloquio-jane-austen-brasil/

Celebrando os 250 anos de Jane Austen de Norte a Sul do Brasil – 9º Encontro Nacional da JASBRA

A Jane Austen Sociedade do Brasil (JASBRA) tem a satisfação de anunciar o 9º Encontro Nacional, em celebração aos 250 anos de nascimento de Jane Austen. O evento ocorrerá entre os dias 15 e 17 de dezembro de 2025 e reunirá pesquisadores do Brasil e do exterior em uma programação abrangente dedicada ao estudo e à apreciação da obra austeniana.

Ao longo dos três dias, serão realizadas palestras, mesas-redondas e debates, distribuídos nos três turnos, com transmissão integral pelo canal oficial da JASBRA no YouTube. Trata-se de uma oportunidade singular para o público acompanhar discussões atualizadas sobre literatura, crítica, recepção e diálogos contemporâneos com o legado de Jane Austen.

O evento é organizado por Adriana Sales (JASBRA / CEFET-MG) e Sandra Maggio (UFRGS), com o apoio institucional do CEFET-MG e da UFRGS.

Em breve, disponibilizaremos uma prévia da programação e, posteriormente, a programação completa, juntamente com a abertura das inscrições para ouvintes.

A JASBRA convida o público a participar deste encontro nacional e a celebrar, conosco, a perenidade da obra de Jane Austen e sua presença viva na cultura brasileira — de Norte a Sul do país.

#JaneAustenBrasil #JaneAusten #JaneAustenSociedadeDoBrasil #JaneAustenSocietyOfBrazil #JASBRA #JaneAusten250 #JaneAusten250Brasil #JaneAusten250Brazil #janeaustenday #janeaustendaybrazil #janeaustendaybrasil

Circuito nacional de comemorações pelos 250 anos de Jane Austen

Um dos eventos em comemoração a uma das autoras mais marcantes da literatura inglesa, vai ser realizado neste sábado na capital do Brasil

Post original AQUI

A comemoração dos 250 anos de Jane Austen é relevante para leitores de todo o mundo, inclusive para os brasileiros. Segundo Adriana dos Santos Sales, presidente da Jane Austen Sociedade do Brasil (Jane Austen Society of Brazil), o país conta com inúmeras pesquisas sobre a autora inglesa e uma quantidade crescente de fãs. Para celebrar a vida e a obra de Jane, que nasceu em 16 de dezembro de 1775, foram organizados chás comemorativos em 21 cidades, incluindo o evento em Brasília, neste sábado, na Confeitaria Mineira, localizada no Noroeste.

A ideia inicial era realizar o encontro somente em Belo Horizonte (Minas Gerais), como afirmou Adriana, que além de presidente da sociedade, também é professora do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG). Mas, à medida que ela foi divulgando o chá, as pessoas começaram a se movimentar e pediram que o evento chegasse a outras cidades. “E essa descentralização só foi pensada justamente porque nem todo mundo pode viajar para um único lugar onde aconteceria um evento”, destacou. Por isso, ela buscou reunir participantes em cada região.

O evento no Distrito Federal será um dos primeiros dessa série comemorativa. A organização no DF é feita pela doutoranda Marcela Faria e pela servidora pública Jane Andrade. “Eu acredito que Brasília seja um ponto central do país, por ser a capital, e também uma cidade com pessoas bastante interessadas em literatura”, comentou. Ela observou que existem movimentos literários na região, como grupos de leitura em livrarias e discussões semanais para todos os gostos. O chá previsto para sábado vem agregar a esse cenário. “É um evento que vai trazer à tona esse interesse de participar novamente dos grupos de leitura, dos grupos de amigas. Eu tenho amigas que fiz por causa da Jane Austen há 20 anos, desde o filme de 2005”, considerou.

Ela acrescentou que Brasília, assim como outras cidades que receberão o evento, já está com as inscrições esgotadas devido ao grande número de interessados. A programação contará com um encontro de fãs e uma breve apresentação sobre quem foi Jane Austen, conduzida por Marcela. As atividades previstas incluem bate-papos com perguntas simples, como “qual é o seu livro favorito?”, “personagem favorito?”, entre outras. Como o evento ocorrerá em uma casa de chás, o espaço oferecerá comidas durante o encontro.

Para ela, a literatura, de modo geral, abre portas para outros universos, autores e livros. Além disso, Adriana acredita que essa movimentação de acadêmicos, leitores e admiradores das obras atemporais de Jane Austen gera novas amizades em favor da literatura. “Comemorar Jane Austen não é apenas celebrar um símbolo da literatura inglesa, mas também um símbolo de resistência, de uma mulher que pensa por si só”, apontou.

Palestras sobre a autora

Adriana contou que também será realizado o 9º Encontro “250 anos de Jane Austen – De Norte a Sul” — que acontecerá de 15 a 17 de dezembro de forma online, para todo o Brasil. Serão três dias de palestras nos turnos da manhã, tarde e noite, com pesquisadores brasileiros e alguns internacionais. “É um evento gratuito para celebrar a vida e a obra de Jane Austen e será exibido no canal Jane Austen Sociedade do Brasil no YouTube.” AQUI.

Chamada de resumos para GT – Jane Austen no Brasil: leitura, tradução e circulação de textos

Convite especial para pesquisadoras e pesquisadores!

O GT 21 – Jane Austen no Brasil: leitura, tradução e circulação de textos está com envio de resumos aberto até 27/10 aqui neste link.

O grupo integra o XIV Seminário Nacional sobre Ensino de Língua Materna, Estrangeira e de Literaturas (SELIMEL) e propõe discutir como a obra de Jane Austen circula, é traduzida, adaptada e reinterpretada no contexto brasileiro — da crítica acadêmica às mídias contemporâneas, passando por leitores, tradutores e criadores.

As coordenadoras do GT são:
– Adriana Sales (JASBRA / CEFET-MG)
– Bianca Rossato (IFSUL – Gravataí)
– Lilia dos Anjos (PMJP – SEDEC)

Envio de resumos até 27/10
Mais informações e link para submissão no QR Code da imagem.

Venha fazer parte dessa conversa sobre Austen no Brasil, suas traduções, leituras e reinvenções! 💕

Resumo do GT 21 – Jane Austen no Brasil: leitura, tradução e circulação de textos

A presença de Jane Austen no Brasil oferece um rico campo para analisar obras literárias que se adaptam e circulam em contextos culturais distintos do original. Desde as primeiras traduções na década de 1940 até versões contemporâneas, a recepção de Austen evidencia não apenas o apreço por sua crítica social e ironia, mas também a relevância de seus textos para debates sobre gênero e classe na sociedade. As traduções brasileiras buscam conciliar fidelidade linguística e adequação cultural, produzindo textos que dialogam com leitores locais, demonstrando o papel ativo da tradução na mediação entre culturas e a criação de novas experiências de leitura.

Além da tradução, a produção cultural inspirada em Austen no Brasil revela múltiplas formas de circulação de seus textos. A transposição de Orgulho e Preconceito para o cordel e de Razão e Sensibilidade para os quadrinhos, exemplificam a adaptação da narrativa clássica a suportes culturais locais, transformando o romance em uma experiência oral e visual, enquanto adaptações teatrais e musicais reinterpretam suas histórias para o palco, explorando a dimensão performativa da literatura. Por sua vez, a telenovela Orgulho e Paixão demonstra a capacidade de Austen de atravessar mídias, conectando enredos do século XIX a temas contemporâneos, reafirmando a relevância de seus romances na cultura popular e midiática brasileira.

A circulação de Austen também se manifesta no crescimento da crítica acadêmica, que investiga a modernidade de seus textos, sua influência em diferentes formas de circulação na cultura popular e a maneira como seus temas — o papel das mulheres, casamento, mobilidade social e relações de poder — ressoam globalmente. Esse processo evidencia práticas leitoras diversificadas, em que o público brasileiro não apenas consome traduções e adaptações, mas participa da reinvenção desses textos, contribuindo para a produção de significados novos e contextualmente situados.

Assim, a trajetória de Jane Austen no Brasil exemplifica como textos literários circulam entre diferentes suportes, desde livros impressos até mídias digitais e performativas, e como práticas leitoras se articulam com processos de tradução, adaptação e apropriação cultural. A análise desse fenômeno permite compreender a literatura como um campo dinâmico de produção e circulação, em que a obra de uma autora se transforma em objeto de estudo, entretenimento e inspiração criativa em um contexto não anglófono, destacando a dimensão global da circulação literária contemporânea.

Dessa forma, a experiência brasileira com a autora ilustra a articulação entre leitura, produção, tradução e circulação de textos literários e não literários em múltiplos suportes, reforçando a pertinência de estudar práticas leitoras e adaptação cultural como parte integrante da recepção literária transnacional.

Nesse horizonte, convidamos trabalhos que investiguem diferentes aspectos da presença de Jane Austen no Brasil, considerando práticas de leitura, traduções, adaptações e recriações em variados suportes. O objetivo é ampliar o debate sobre como sua obra continua a inspirar práticas leitoras, experiências estéticas e processos criativos, reafirmando a atualidade e a força de seus textos na cultura literária e midiática contemporânea.

Palavras-chave: Jane Austen; Traduções literárias; Adaptações culturais; Práticas leitoras; Circulação de textos; Recepção literária no Brasil.

Exposição 250 anos de Jane Austen em Belo Horizonte

A exposição “250 anos de Jane Austen” celebra o legado da escritora inglesa que marcou a literatura mundial. As primeiras edições brasileiras de Jane Austen são o ponto de partida da mostra, que convida o público a mergulhar no universo da autora. Reunido ao longo de 25 anos pela professora Adriana Sales, o acervo apresenta preciosidades, como edições raras, versões em línguas estrangeiras (espanhol, francês, italiano e alemão) e belas edições especiais em inglês. A mostra também apresenta diferentes formas de recriação da obra de Austen, como quadrinhos, fanfictions e literatura de cordel, além de estudos acadêmicos que destacam sua atualidade. Para os fãs de cinema e cultura pop, há ainda filmes em DVD, bonecas e acessórios que aproximam a escritora de novas gerações. A curadoria é assinada por Adriana dos Santos Sales, presidente da Jane Austen Sociedade do Brasil, docente do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais. A exposição acontece de 8 de setembro a 30 de outubro de 2025 na Biblioteca Pública Luiz de Bessa na Praça da Liberdade, 21 – em Belo Horizonte, confirmando a permanência e o legado da autora.

Palestra: Onde o passado e o presente se encontram: 250 anos de Jane Austen

✨ Convite Especial ✨

No dia 09 de outubro, às 20h, Belo Horizonte recebe a 13ª Noite Mineira de Museus e Bibliotecas — e você é nosso convidado(a)!

Em comemoração aos 250 anos de Jane Austen, apresentarei a palestra: “Onde o passado e o presente se encontram: 250 anos de Jane Austen”, no Teatro da Biblioteca Pública de Minas Gerais (Praça da Liberdade, 21).
🎟 Para participar, basta acessar o QR Code nesta publicação e garantir seu ingresso.

A noite será ainda mais especial com um sarau em homenagem aos 90 anos da escritora mineira Adélia Prado — que celebra aniversário no mesmo dia que eu, @drixsales! 🎉

E não para por aí: após a palestra, teremos uma visita guiada à exposição “250 anos de Jane Austen”, que ficará aberta até 30 de outubro, de 9h às 17h.
A mostra reúne peças do meu próprio acervo, organizadas com muito carinho. 💐

📚✨ Uma noite para celebrar a literatura, a memória e a força das palavras. Não perca!