Razão e Sensibilidade (série de tv) 1971 – Parte 1/2

Este post faz parte da série de posts em comemoração aos 200 anos de Razão e Sensibilidade.
Conforme o cronograma que apresentei anteriormente, hoje é dia do meu primeiro post programado. Porém, esta será uma postagem dupla. Este primeiro post apresentará uma ficha técnica da série e o segundo post apresentará minhas impressões sobre a obra.
Parte 1 – Ficha Técnica

Ficha Técnica:

Direção: David Giles
Roteiro: Denis Constanduros
Ano de exibição da série: 1971
Ano de lançamento do DVD: 2009
Número de episódios: 04
Distribuição: BBC, Warner
Duração: 178 minutos
Áudio: inglês
Legendas: inglês (opção closed caption)
Onde comprar:
Amazon – $ 8,49 (em dólares + taxa de envio)
Laserland – R$ 59,00 (em reais, no site não há referência sobre taxa de envio)

Personagens/Atores:

Elinor Dashwood – Joanna David
Mrs. Dashwood – Isabel Dean
Edward Ferrars – Robin Ellis
John Willoughby – Clive Francis
Marianne Dashwood – Ciaran Madden
Colonel Brandon – Richard Owens
Mrs. Jennings – Patricia Routledge
Charlotte Palmer – Jo Kendall
John Middleton – Michael Aldridge

Lady Middleton – Sheila Ballantine
Mary – Esme Church
Rodgers – Peter Laird
Palmer – David Strong
Robert Ferrars – David Belcher
Steele – Frances Cuka
Master of Ceremonies – Mischa De La Motte
Fanny Dashwood – Kay Gallie
John Dashwood – Milton Johns
Nancy Steele – Maggie Jones
Doctor Harris – Clifford Parrish

Fonte: IMDB

Leia a Parte 2 – Resenha aqui

Peço desculpas aos leitores por não poder apresentar uma foto da DVD que possuo pois tive alguns problemas técnicos com a minha câmera. Assim que for possível eu publicarei, ok?

Jane Austen na Páscoa

Sob o comando de Luciana Darce, o próximo encontro em Recife (este convite é extensivo aos moradores das regiões vizinhas) será no dia 17 de abril às 13:00.
Programação:
O encontro vai começar com a exibição do filme Razão e Sensibilidade, passando depois para o debate do livro, alguns sorteios e para encerrar teremos o  coelho secreto. Todos podem participar, contanto que levem seu ovo de chocolate número 15 – o sorteio será feito na hora.

Data: 17/04 a partir das 13:00
Local: Livraria Saraiva do Shopping Recife

Conversas sobre Jane Austen em Bagdá‏

Segundo o blog Beco Cultural, a Editora Reler publicará o livro Talking about Jane Austen em Bagdhdad (Conversando sobre Jane Austen em Bagdá), escrito por Bee Rowlatt e May Witwit, ainda neste semestre.
De acordo com o site da Reler Editora:
May é uma iraquiana de origem suni-xiita que mora em Bagdá, se esquiva dos tiros antes do café da manhã, regateia sapatos de salto alto nos bazares bombardeados e foge dos bloqueios para encontrar suas alunas nas aulas sobre Jane Austen.
Ela também é uma falante compulsiva e fumante inveterada, além de conferencista em inglês.
Bee, entretanto, é uma londrina, mãe de três meninas, que luta contra a catapora dos filhos, foge dos encontros da Associação de Pais e Professores e faz acrobacias entre o trabalho e a família; isso quando não se vê discutindo com o marido que, se não está viajando, deixa suas meias espalhadas pela casa.
May e Bee não deveriam ter nada em comum, mas quando um simples email as une, elas descobrem uma amizade que supera todas as suas diferenças de cultura, religião e idade.
Conversando sobre Jane Austen em Bagdá é a história de duas mulheres que partilham risos e choros, e trocam confidências, sonhos e medos.
Entre as granadas explodindo, elas fofocam, brincam e contam segredos. E também traçam um plano engenhoso para ajudar May a escapar dos bombardeios, em Bagdá…

Bate papo com Blake e Hattie

No dia 09 de abirl (19:00 – 22:00 horário local)
Localização Jane Austen’s House Museum

Os casal (noivos) de atores Blake Ritson (Edmund em Mansfield Park, Mr Elton em Emma) and Hattie Morahan (Elinor em Razão e Sensibilidade) farão uma palestra a respeito de suas experiências como atores das adaptações para a TV dos livros de Jane Austen. Além disso, eles também responderào às perguntas da platéia.
Tickets: a partir de £17.50
Para quem mora na Inglaterra e está há alguns minutos/horas de Chawton deverá ser um prazer escutar os dois jovens atores.
***
Obrigada pela dica, Luana Musmanno!

Revista Jane Austen

Prezados leitores e amigos,

 

no próximo mês trabalharemos na primeira edição da Revista Jane Austen. Em janeiro passado, eu avisei aqui no blog algumas novidades para 2011, e entre elas estava previsto o lançamento de um/uma jornal/revista. Como comemorarmos o aniversário de 3 anos do blog e estamos entrando no nosso quarto ano de atividades, nada mais natural do que celebrar, não é mesmo?  Como este blog (anteriormente chamado de Jane Austen Club) foi primeiro a publicar exclusivamente sobre Jane Austen em língua portuguesa aqui no Brasil (e em outros países de língua portuguesa, pela pesquisa que fiz na época), lançaremos uma Revista dedicada à Jane Austen em língua  portuguesa. Assim como nossas amigas de Portugal tiveram a excelente ideia de criar a Revista Jane Austen Portugal, vamos nos juntar às  portuguesas e lançaremos a Revista Jane Austen aqui no Brasil.  Aguardem as próximas notícias, ok?

Jane Austen por Luciana Darce – Parte 6/6

Monstros, vampiros, zumbis e outros mash-ups 
Talvez alguns de vocês venham acompanhando uma tendência que tem ganhado até bastante força nos últimos anos: os mashups – gênero em que um texto já consagrado é reescrito, podendo continuar as aventuras do original, modificá-lo quase que completamente ou contar histórias anteriores ao mesmo. O termo originalmente se aplicava à informática, depois passou à música e agora veio para a literatura.
O conceito parece bastante parecido com o que entendemos por “fanfics”, não é verdade? Bem, ao menos na minha opinião, mashups são fanfics. Como os textos originais já caíram no domínio público, existe uma facilidade na publicação – especialmente porque você já conta com um grande e conhecido nome por trás de você como “co-autor”.
Basta uma visita rápida à livraria – ou digitar o nome de Austen na Amazon – que você descobre que tia Jane tem sido algo como uma… favorita nesse meio. Nós podemos encontrar dos diários dos personagens masculinos de cada uma de suas obras até títulos como o já traduzido (e resenhado aqui no Coruja) Orgulho e Preconceito e Zumbis.
Conversando com algumas pessoas, eu cheguei à conclusão de que os fãs de Austen se dividem em suas opiniões sobre o assunto. Há quem diga que isso é um abuso, um absurdo, uma afronta à obra original. E há aqueles que são… indiferentes.
Não, eu não encontrei absolutamente uma única alma que dissesse que preferia os mashups aos originais. O que significa que a humanidade ainda tem salvação.
Eu acho o seguinte… os mashups – como as adaptações para TV e cinema – são válidos; especialmente como uma porta de entrada, um chamariz para que gerações mais novas conheçam esses autores clássicos.
Fãs mais sensíveis de Austen provavelmente vão torcer o nariz para os zumbis incorporados por Graham-Smith e os monstros do mar de Winters. Aqueles com um senso de humor um tanto quanto bizarro poderão até vibrar com as discussões envolvendo mosquetes, katanas e estilos de luta. Mas não importa muito, o resultado final será o mesmo: Jane Austen está na moda.
Como diz o ditado, “falem mal, mas falem de mim”.
E isso é muito válido. Como disse há pouco, essas obras, com uma pincelada mais pop acabam por servir como uma porta de entrada para os incautos (hohoho), que olham para aquela capa chamativa, se interessam, lêem, ficam curiosos, vão atrás dos livros originais e, quando percebem, já viraram fãs.
Vamos encarar a verdade: como eu já disse uns parágrafos atrás, esses mashups são fanfics publicadas – uma vez que não existe o problema dos direitos autorais – e, como fanfics, podem ser bons ou ruins e podem atender a todo tipo de gosto e expectativa.
Não é algo ruim per si, diferente do que alguns fãs mais extremistas possam dizer. Pelo contrário: somos capazes de encontrar muita coisa interessante no meio da onda de assalto de mashups nas livrarias.
Eu gostei de Orgulho e Preconceito e Zumbis; mas torci o nariz para Razão e Sensibilidade e Monstros do Mar pela simples razão de que este último se leva a sério demais, quando a proposta do projeto é irreverente.
Alguns dos Diários de Amanda Granger que li – Mr. Darcy, Mr. Knightley e Capitão Wentworth – têm passagens deliciosas, mostrando a história que já conhecemos pela perspectiva dos heróis masculinos de Austen. Em compensação, Mr. Darcy, vampyre da mesma autora, foi uma decepção.
Na verdade, eu já li muita fanfic superior a alguns desses mashups, com a vantagem de poder lê-los de graça…
Ok, este foi um comentário cretino.
Mas é verdade. Há muitos bons autores por aí, se vocês procurarem, com excelentes histórias, respeitando a essência dos personagens, e deixando um gostinho de quero mais na boca da gente. Especialmente quando eles têm como “calço” uma co-autora do quilate de Miss Austen.
Bem, vejo aqui que chegamos ao final de mais um dos projetos do “meu autor, meu herói” do Coruja. Ao fim e ao cabo, depois de tudo que eu escrevi, espero que tenham se interessado e que tirem suas próprias conclusões do feito.
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Leia aqui a resenha de Orgulho e Preconceito e Zumbis, escrita por Luciana Darce.
Leia aqui a resenha de Razão e Sensibilidade e os Monstros Marinhos, escrita por Luciana Darce.
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Este é último post da série Jane Austen escrito por Luciana. Se você perdeu os primeiros acompanhe abaixo: 
Parte 1 – Introdução

Parte 3 – O trabalho dignifica o homem

Parte 4 – O estilo de Austen

Jane Austen por Luciana Darce – Parte 5/6

A biblioteca de Austen

Vamos começar hoje de onde paramos no último tópico: a questão da educação como um dos temas centrais que perpassa toda a obra de Austen – especialmente de um ponto de vista ético-moral.
Boas maneiras e dever para com a sociedade são expressões muitas vezes utilizadas em seus romances e caracterizam o código moral interposto pela autora. Na verdade, todas as personagens de Austen passam por um processo de educação, de “iluminação”, pelo sentido de ascensão moral.
Nós temos, por exemplo, Marianne, em Razão e Sensibilidade em seu reconhecimento da necessidade de temperança; Catherine, em Northanger Abbey, compreendendo que o mundo não é um romance gótico e que ela não deve sair fazendo suposições nem enfiando o nariz onde não é chamada e, Emma, no livro homônimo, dando-se conta de que não é nenhuma mestre das marionetes e que as pessoas ao seu redor não estão ali colocadas para seu deleite pessoal.
Não esqueçamos também Elizabeth Bennet, que revê em Orgulho e Preconceito toda a sua conduta, seus preconceitos em relação a Darcy e Wickham, sua visão de mundo restrita – e ela mesma o admite:

Por assim dizer, as heroínas de Austen passam por sua própria “jornada do herói” (perdoe-me Campbell, pelo uso frouxo que faço de suas teorias) – elas precisam evoluir moralmente, reconhecendo o erro de seus julgamentos e amadurecendo para o mundo.

– De que modo desprezível agi! – exclamou. – Eu, que me orgulhava de meu discernimento! Eu, que me congratulava por minhas habilidades! Que tantas vezes desdenhei a generosa candura de minha irmã e gratifiquei minha vaidade com desconfianças inúteis ou censuráveis! Como é humilhante esta descoberta! Mas como é merecida esta humilhação! Estivesse eu apaixonada e não poderia estar mais desgraçadamente cega! Mas foi a vaidade, e não o amor, a minha insensatez. Lisonjeada com a preferência de um e ofendida com o desprezo do outro, pouco depois de nos conhecermos, alimentei em relação a ambos o fascínio e a ignorância e abandonei a razão. Até este momento, eu não me conhecia.

Ao final das contas, devemos lembrar que praticamente todas elas são muito jovens – exceto por Anne, que está às portas de tornar-se uma balzaquiana – com idades variando entre dezessete e vinte e dois anos. Se, para a época, essa era uma boa idade para se casar e começar uma família, não é exatamente uma idade em que somos lá muito sábios ou cautelosos.
Pelo contrário, a marca da juventude é impetuosidade de corpo e espírito, impressionabilidade, e o início da descoberta de que há um mundo lá fora. E a gente tem de levar umas pancadas na cabeça antes de nos tocarmos que as coisas nem sempre são aquilo que parecem.
Nem tanto assim mudou em duzentos anos, não é verdade?
Essa jornada pela qual passam nossos heróis e heroínas austenianos são também um mundo literário à parte. Na verdade, nós poderíamos montar uma biblioteca só com os livros citados, satirizados ou homenageados nos romances de Jane Austen.
Como já falei em um tópico anterior, os livros que Austen coloca seus personagens para ler são também um indicativo da época em que eles se passam – como os pesquisadores mais aficcionados são capazes de indicar. De cabeça e sem dar uma colada nos livros, eu posso citar de imediato Ann Radcliffe em Northanger (óbvio) e Byron e Scott em Persuasão.
Aliás, o capitão Wentworth me parece muito byroniano em algumas acepções…
Talvez vocês se lembrem, lá da primeira parte deste especial, que falei sobre Plan of a Novel, manuscrito de 1816 em que Austen demonstra sua verve para o humor e para ironizar o que havia de ridículo – inclusive na literatura de sua época.
Suas primeiras obras foram, em muitos pontos, experimentos – o uso de clichês literários bastante em voga à época, estereótipos dos chamados “romances de sensibilidade”, os quais ela subvertia completamente.
Um dos mais deliciosos e divertidos exemplos que encontrei dessa característica de subversão foi em Lesley Castle, outro dos excertos da Juvenilia:

Perhaps you may flatter me so far as to be surprised that one of whom I speak with so little affection should be my particular freind; but to tell you the truth, our freindship arose rather from Caprice on her side than Esteem on mine. We spent two or three days together with a Lady in Berkshire with whom we both happened to be connected. — During our visit, the Weather being remarkably bad, and our party particularly stupid, she was so good as to conceive a violent partiality for me, which very soon settled in a downright Freindship, and ended in an established correspondence. She is probably by this time as tired of me, as I am of her; but as she is too polite and I am too civil to say so, our letters are still as frequent and affectionate as ever, and our Attachment as firm and sincere as when it first commenced.

Sou a única a morrer de rir aqui com a completa falta de sentido desta carta? “Ela estará provavelmente tão cansada de mim quanto eu dela; mas como ela é muito polida e eu, muito civil, para dizê-lo, nossas cartas continuam tão freqüentes e cheias de afeição como sempre…” – poderíamos passar o dia aqui tirando dessa única frase várias e várias considerações e ainda assim, não iríamos exaurir o tema.
Assim é que agora, vou deixá-los para tirar suas próprias conclusões. Já falei e fiz propaganda o suficiente para que tenham ao menos uma idéia do que o esperam e um vislumbre da genialidade de Austen – especialmente a se considerar que ela foi uma autora, mulher, num mundo e século ainda dominados por homens.
Apenas para terminar esse especial, na próxima e última parte, vamos dar uma pincelada sobre essa nova moda de misturar clássicos com o sobrenatural – e dá-lhe vampiros, lobisomens, múmias, zumbis, krakens, fantasmas… (continua no post seguinte)

Jane Austen por Luciana Darce – Parte 4/6

É engraçado que, se você for para a ponta do lápis com os livros de Austen, vai perceber que eles têm um cronograma quase perfeito. Você pode se localizar temporalmente, numa seqüência de acontecimentos bastante lógica – um detalhismo que parece se contrapor à pouquíssima descrição física que ela faz.
Há inúmeros artigos de estudiosos que montam esses calendários dia-a-dia, alguns devotando uma enorme atenção até a descobrir a exata época em que cada história se passaria, fazendo cálculos que envolvem o ano em que ela começou a escrever tal história, o ano em que a história foi publicada – tendo assim passado por uma última revisão – para depois sair catando no calendário quando nessa margem houve páscoa em março ou abril; quando o livro que determinado personagem aparece segurando foi popular, vasculhando a parca correspondência que foi preservada pela família (que preferiu queimar a maior parte) e assim por diante.
E tem gente que diz que eu sou maníaca e perfeccionista…
O único romance, contudo, que realmente tem uma data absolutamente certa trazida no próprio bojo da história é Persuasão, assunto, aliás, sobre o qual já tratamos num dos capítulos anteriores desse especial.
E, se vocês prestarem muita, muita atenção nas histórias, vão perceber que em quase todos os seus romances (exceto pela Abadia de Northanger), incluindo aqueles que compõem a chamada Juvenilia, alguma coisa muito ruim sempre acontece nas terças-feiras.
Sério, as terças de Austen são malditas – geralmente elas terminam com o herói/heroína sofrendo uma grande decepção/humilhação ou golpe violento em sua dignidade.
A essa altura, vocês já devem estar se perguntando onde quero chegar com tudo isso… bem, o que estou tentando mostrar é exatamente o nível de detalhismo quase obsessivo que Austen demonstrou em sua obra, a ponto de muitos de seus livros terem passado mais tempo sendo revisados do que sendo escritos.
Embora não tenha viajado muito, Jane Austen baseava-se em almanaques para descrever lugares em que não tinha estado; o tempo de duração de uma viagem, entre as localidades mostradas em suas histórias; demorando-se em detalhes como as estações, colocando seus personagens para lerem livros ‘da moda’ ou preocupando-se com o estilo de vestidos de acordo com o que estava se usando em Londres, criando assim um universo bastante sólido, bastante crível em suas minúcias.
Essa é apenas uma das muitas características que fazem do estilo mesmo de Austen algo que se reconhece de pronto e que não é tão facilmente imitado.
Por outro lado, as descrições dos ambientes físicos estão quase ausentes nas narrativas – na contramão de outros autores da época, tal como Ann Radcliffe. Austen não se preocupa em criar uma ambientação propriamente dita e, quando o faz – como na Abadia de Northanger – é justamente para ironizar as novelas góticas, tão em voga em sua época. Lembremos, afinal, que estamos em pleno romantismo, na Inglaterra do maior expoente deste movimento: o temível e sombrio Lorde Byron – o tipo de homem contra quem mamãe nos alertou.
Em outras palavras… Tudo bem, os jardins de Pemberley são magníficos, mas vejam que ela não demora muito para descrever os pormenores da arquitetura, seu estilo (clássico, neo-clássico, sombrio, cheio de gárgulas, etc, etc, etc), ou sobre como tempestades assomam ao horizonte, mas sim as impressões que a propriedade provoca em Elizabeth.
Em vez de se concentrar na ambientação propriamente dita, Austen vai nos descrever pormenorizadamente a psique de seus personagens – como no perfil que ela traça das irmãs Dashwood, ao início de Razão e Sensibilidade:
Elinor, a filha mais velha, cujo conselho foi tão eficiente, possuía uma força de entendimento e uma frieza de julgamento que a qualificavam, embora tivesse apenas dezenove anos, para ser a conselheira da mãe, e lhe permitiam com freqüência opor-se, para proveito de todos, àquela impaciência de espírito da sra. Dashwood que em geral a levava a cometer imprudências. Tinha um excelente coração, um temperamento afetuoso e sentimentos fortes; mas sabia como governá-los.


(…)
As habilidades de Marianne eram, sob muitos aspectos, bastante semelhantes às de Elinor. Era sensível e inteligente, mas intensa em tudo: suas angústias, suas alegrias não tinham limites. Era generosa, agradável, interessante, era tudo, menos prudente

Ao final das contas, eu diria que Jane Austen tem um pé mais firme no realismo do que no romantismo e, se eu fosse pensar num autor cujo estilo me fizesse lembrar dela… eu diria Machado de Assis.
Muita gente pensa em Austen como contemporânea das irmãs Brönte, comparando-a ainda com Charles Dickens. Só que é o seguinte, jovem padawan: Brönte e Dickens pertencem à literatura vitoriana, tendo publicado depois da morte de Austen. Eles ainda seguem o romantismo da virada do século, mas já começam a demonstrar as características do romance psicológico que dará o tom do século XX.
Vejam bem, não sou uma estudante de literatura, nem uma crítica e tampouco estudo teoria literária (a não ser como hobby e se o escritor é Eco…), mas as diferenças de que falo saltam aos olhos e mesmo quem não é especialista no assunto é capaz de perceber.
Vou explicar o que penso, em linguagem cinematográfica… ou talvez fotográfica, não sei bem ao certo… mas acho que vocês entenderão do que estou falando…
O caso é que uma história escrita/que se passe na era vitoriana teria uma fotografia mais escura, trabalhando bastante o jogo de luz e sombras. Seus personagens são, geralmente, personagens “sujos” – são trabalhadores, pessoas do povo. O tom do romance gótico, que alcança seu ápice no Morro dos Ventos Uivantes, divide a cena com autores de veia mais realista, com crianças cobertas de fuligem e acostumadas à vida dura do início da Revolução Industrial, comuns em Dickens.
São histórias mais violentas – essa, afinal, foi a época que produziu Jack, o estripador! – com as ruas de Londres tomadas pelos fogs, a neblina natural característica da cidade somada à fumaça das fábricas ao princípio da Revolução Industrial.
Agora… se você conhece as obras de Jane Austen – e já assistiu algum dos filmes/séries baseados nelas… eu preciso dizer que é bem o oposto disso? Fotografia clara, ambientes amplos, temas bucólicos. E, se Dickens retrata o cotidiano urbano, Austen pinta em cores vivas o ambiente da pequena nobreza rural.
Talvez possamos dizer que Austen ainda se insere no contexto do romantismo por seus “finais felizes”, por tudo terminar com mocinha e mocinho superando todos os obstáculos num belo casamento – finais estes não tão em voga no romance moderno. Ainda assim, ela se diferencia de outros escritores seus contemporâneos pelo uso da ironia, (que é, na minha opinião, o que a aproxima do estilo do nosso Machado) e do discurso indireto, de forma a melhor explorar os pensamentos d seus personagens.
O sarcasmo de Austen pode ser tanto sutil quanto explícito; mas não falha. Ela explora com pena cortante uma sociedade de idiossincrasias, hipócrita ao extremo, não poupando nem mesmo seus protagonistas. É uma Caroline Bingley, criada para ser uma dama e que se perde em inveja, ciúme e comentários mesquinhos; é uma Emma Woodhouse, que em sua vaidade, acaba por magoar pessoas a quem devia apenas compaixão.
Austen compõem um retrato de um mundo de vaidades, de orgulho, preconceito, paixões exacerbadas – um mundo este que, a julgar por seu ponto de vista e pela evolução de suas personagens, só pode ser temperado com educação.

Mr. Darcy Vampyre por Valéria Fernandes

Minha amiga Valéria (Shoujo Café) escreveu uma resenha sobre o livro Mr. Darcy – Vampyre, leia aqui.
Obrigada por compartilhar Valéria!

Jane Austen’s Podcasts

This is a bilingual post. Este é um post bilíngue.

Acabo de descobrir um site muito interessante com uma série de podcasts do Professor Jerram Barrs (Convenat Seminar) sobre Jane Austen. Os arquivos em áudio estão em língua inglesa e pode-se fazer o download. Muito interessante! Confiram a lista abaixo:
I’ve just found a very interesting website with a series of podcasts from Professor Jerram  Barrs (Convenat Seminar) about Jane Austen. The audio files are in english and you cand download them. See the list below: