Estereótipos literários: Austen como pioneira do chic lit?

Olá leitores!

Recordo que há alguns anos, uma amiga muito inocentemente me questionou: “Aqui, estes livros da Jane Austen que você gosta de ler, são no estilo daqueles romances de banca, certo? Tipo… Sabrina, Bárbara, Samantha?”

Confesso que naquele fatídico momento, me deu uma vontade louca de dar um murro na cara dela, mas como ela é uma amiga muito especial e devido ao carinho que dedico à nossa amizade, sorri de volta e respondi delicadamente (entre os dentes, é claro!) que ela estava redondamente enganada.

Em referência ainda, aos estereótipos literários que as pessoas insistem em conferir à obra de Austen, o blog Baiana da Baviera trouxe um artigo interessante, o qual recomendamos a leitura e reflexão. O título da referida publicação já é instigante:

Jane Austen: mãe do chic lit?

O conteúdo explora que, apesar das obras austenianas agradarem predominantemente o universo feminino – assim como a maior parte do estilo chic lit o faz -, ainda assim seus livros se destacam por abordar temas delicados àquela época, como a negligência aos direitos civis das mulheres, a falta de poder de escolha feminina quanto aos relacionamentos amorosos, choques nos encontros entre classes, escândalos familiares, entre outros tópicos relevantes que versam as tramas construídas por Austen.

Particularmente, creio que Austen não deve ser classificada num gênero chic lit. Longe de ser um preconceito ao estilo ou não observância da suposição de que ela pudesse desejar sua obra emergindo um alcance popular à época. Acima disso, me valho da plena convicção de que Austen sempre quis dizer muito mais em seus contextos imaginários do que insistem em reparar, a maior parte daqueles que adoram esteriotipar sua obra. Austen caprichava nos diálogos, lançava mão de uma linguagem clara e clássica e ironizava como nenhum outro escritor fora capaz de fazer até hoje.

Jane Austen é sim um cânone literário, ao passo que o chic lit volta sua ambição à prateleira comercializável e não à moldura clássica.

Sorry chic lit, mas em Austen, você é apenas uma referência e não um enquadramento.

Jane Sorridente

Marcelle Vieira Salles

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