Muito orgulho, nenhum preconceito

Por indicação da Andréia Almeida encontrei uma publicação no blog da Cia das Letras sobre Orgulho e Preconceito, escrito por Alexandre Barbosa de Souza:
Do outro lado do Canal da Mancha, em 1827, Stendhal escrevia no prefácio de seu primeiro romance, Armance:
“Em 1760, era preciso graça, espírito e não muito humor, nem muita honra para ganhar o favor do senhor e da senhora. É preciso economia, trabalho obstinado, firmeza e ausência de qualquer ilusão para tirar partido da máquina a vapor. Essa é a diferença entre o século que acabou em 1789 e o que começou por volta de 1815.”
De fato, como observou Antonio Candido em “O personagem de ficção”, se o romance do século XVIII eram basicamente histórias complexas sobre personagens simples, na virada para o século XIX, e depois para este que passou, o que veremos são histórias de enredo relativamente simples, com personagens complexas. Elizabeth Bennet, a heroína de Orgulho e preconceito, é talvez a primeira dessas personagens complexas. Também Mary McCarthy, na famosa entrevista à Paris Review, conta que dividia os romancistas modernos em duas colunas: “razão” e “sensibilidade” — e se incluía, ao lado de Jane Austen, na primeira coluna. Essa “ausência de ilusão” parece ser a clave de toda a prosa de ficção bem escrita desde então no Ocidente.
Do ponto de vista da fatura do texto, trata-se de uma muito bem dosada têmpera de três elementos: narrador onisciente, cartas e diálogos. O narrador não interfere, e apenas no último capítulo se declara nominalmente um “eu”, num longo período, ironizando a mãe das cinco Bennet girls. A julgar pelo tom cômico, epigramático, isso bem podia ter sido escrito hoje em dia:
“Eu gostaria de poder dizer, em benefício de sua família, que a realização de seu mais profundo desejo de casar tantas filhas tivera efeito tão feliz a ponto de torná-la uma mulher razoável, afável e bem informada pelo resto da vida; mas pode ter sido sorte do marido, que talvez não soubesse apreciar uma felicidade doméstica tão incomum, que ela ainda fosse eventualmente nervosa e invariavelmente fútil.”
Quando me propuseram traduzir Pride and prejudice, aceitei na mesma hora. Primeiro, porque o senhor Bennet — espirituoso e bonachão — me lembrava muito o meu falecido pai (Darcy se refere ao dele, também falecido, como “meu excelente pai”); segundo, porque minha única outra experiência de tradução de obra do século XIX havia sido o Moby Dick, o grande romance americano. Além do mais, era uma oportunidade de me colocar na estante ao lado do genial Lucio Cardoso, que havia traduzido, em 1940, o romance de Austen para a editora José Olympio: o primeiro volume da coleção Fogos Cruzados era a tradução que eu lera ainda adolescente, onde eu tinha tudo anotado a lápis. Mas meu principal motivo, no entanto, era a sensação de que Lucio Cardoso teria deixado de lado algumas especificidades dos personagens de Austen: no original, o senhor Collins era ainda mais ridículo e retórico; Lady Catherine devia soar mais solene e imperativa; a declaração de Darcy podia ser mais intempestiva, a carta, mais elevada — mas, sobretudo, a senhora e o senhor Bennet precisavam de mais humor no tratamento, e Lizzy era obrigatoriamente mais moderna, direta e sagaz.
O fato é que quando me perguntavam o que eu estava fazendo, naqueles três meses de trabalho em que praticamente não saí de casa, eu respondia com orgulho — “Traduzindo a Jane Austen” — e só recebia da parte dos meus amigos o preconceito que este livro enfrenta desde sua publicação em 1813. Só encontrei a devida admiração entre minhas amigas mulheres e amigos gays, que se dispuseram inclusive a ler as mais de quarenta cartas traduzidas, antes da entrega do serviço.

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Alexandre Barbosa de Souza é tradutor e autor dos livros Livro de poemas (Giordano, 1992), Viagem a Cuba (Hedra, 1999), XXX (Dolle Hond, Amsterdã, 2003), Azul escuro(Hedra, 2004) e do infantojuvenil Autobiografia de um super-herói (Hedra, 2003).

Café, livros e famosos

O slogan do site The Carte Noire Readers é: For a more seductive coffee break! Fiquei sabendo da novidade lá Republic of Pemberley via Facebook. A marca de café The Carte Noire fez uma parceria com a Penguin Books e decidiu convidar atores de peso para a leitura de trechos das obras publicadas pela editora. Resultado: trabalho bem feito!
A sugestão é a para aquelas (les) que não conseguem resistir a um boa passagem de Razão e Sensibilidade ou a Joseph Fienes (ator inglês, conhecido pelo seu trabalho como Shakespeare em Shakespeare in love).  🙂
Não como copiar o vídeo aqui para o blog, então para assití-lo é só clicar aqui.

Deixe também minha sugestão: O ator Dan Stevens (Edward Ferrars – Sense and Sensibility 2008) também faz leituras de trechos de obras literárias, entre elas: The picture of Dorian Gray, Saving Caravaggio e Ressurection. Clique aqui para ir até a página das leituras de Dan Stevens.
Também muito interessantes são as leituras do atores Greg Wise (John Willoughby – Sense and Sensibility 1995): Persuasion, North and South e Sons and Lovers. Clique aqui para assistí-las.
O ator Dominic West também faz as leituras de: Pride and Prejudice, entres outros. Clique aqui para assistí-las.

Pride and Prejudice – Edição de Luxo

No ano passado eu comprei a edição de luxo de Orgulho e Preconceito da Penguin Classics. A capa é muito bonita e as orelhas do livro foram ilustradas também (conforme mostrarei nas imagens abaixo). Porém, ao receber o livro percebi que ele veio com defeito de fabricação, tentei entrar em contato com a Fnac por diversas vezes e só hoje recebo a notícia que eles farão a troca do livro após eu enviá-lo para a livraria. Detalhe: mais de um mês após a compra do livro! Vamos ver se eles devolvem uma edição decente.

Mas agora vamos falar do livro, vejam como é lindo!
Frente – capa extendida
Verso – capa extendida
Detalhes
Introdução
Ruben Toledo, o ilustrador, nasceu em Cuba em 1961, fez diversas ilustrações para as revistas Vogue, Harpers’ Bazar, The New Yorker, Visionaire, Paper, Interview e The New York Times, entre outras capanhas publicitárias. Ruben Toledo é casado com a desinger Isabel Toledo, cujo vestido foi escolhido por Michelle Obama na posse do presidente Barack Obama.
Agora os defeitos…
Vejam como as folhas estão irregulares, parecem dentinhos pontiagudos!