Para ler: Austenland

A música começara, os casais iniciando os movimentos, mas Mr. Nobley fez uma pausa para segurar o braço de Jane e sussurrar, “Jane Erstwhile, se eu nunca mais tivesse de falar com outro ser humano além de você, eu morreria um homem feliz. Gostaria que essas pessoas, a música, a comida e todas as bobagens desaparecessem e nos deixassem sozinhos. Eu nunca canso de observá-la ou escutá-la.” Ele respirou. “Pronto. Este cumprimento foi de propósito. Eu juro que nunca irei cumprimentá-la à toa novamente”.

A boca de Jane estava seca. Tudo o que ela conseguiu dizer em resposta foi: “Mas… mas certamente você não considera banir toda a comida.”

Ele considerou aquilo para então concordar com a cabeça. “Certo. A comida fica. Faremos um piquenique.”

Confesso que não estava esperando muita coisa desse livro – na verdade, ele só passou à frente na minha lista de prioridades porque vi a notícia de que seria lançado um filme ano que vem inspirado nele, e isso me deixou curiosa: uma vez que Stephanie Meyer é a produtora do filme, fiquei pensando que o Mr. Darcy dessa história talvez brilhasse no escuro.

Ainda assim, a forma como comecei esse volume é interessante… eu estava lendo Assombrações do Recife Velho de Gilberto Freyre e, embora o livro fosse maravilhoso, chegou um certo ponto em que me toquei de que (1)todo mundo tinha ido dormir, (2)uma tempestade furiosa lá fora estava fazendo janelas e portas balançarem criando barulhos estranhos e, (3)de uma forma geral, a qualquer minuto apareceria uma alma penada como as que assombravam os casarões que Freyre descrevia.

Destarte, antes que minha imaginação hiperativa produzisse algum fantasma ou eu entrasse num surto histérico ou coisa parecida, larguei Freyre e peguei o próximo livro da pilha junto à minha cabeceira. Minha idéia era começar a ler alguma coisa açucarada e bobinha que me relaxasse o suficiente para que o Boca de Ouro não aparecesse em meus sonhos.

Devia ser umas dez da noite quando comecei o livro… e a cada página virada eu dizia ‘só mais uma depois vou dormir’ ou ‘ainda é cedo, mais um capítulo’ e quando vi eram quatro da manhã: em duas horas eu tinha de estar pronta para sair para o escritório, mas eu não estava nem aí, sorrindo com um sorriso besta de quem foi para o sétimo céu e voltou.

Pois é… Austenland é o tipo de livro que faz você perder completamente a noção da hora e não larga até terminar – e quando termina quer começar tudo de novo enquanto arruma as malas para passar uma temporada no bendito resort também.

Ok, então… Jane Hayes tem um vício: Mr. Darcy. Mas não qualquer Mr. Darcy e sim o interpretado por Colin Firth na série de 95. Toda vez que Lizzie e Darcy trocam aquele olhar por cima do piano, depois que ela socorre Georgiana, Jane derrete-se em seu sofá.

Essa obsessão, contudo, chegou a um ponto que Jane continuamente se sabota em seus relacionamentos – os homens que encontra em sua vida real estão aquém de sua própria intensidade romântica e têm o grande, enorme defeito de não serem Mr. Darcy.

Jane reconhece isso e está disposta a mudar e deixar de lado todos os seus sonhos austenianos para trás e embarcar na ‘realidade’, quando recebe um inesperado legado no testamento da tia-avó: uma viagem de três semanas para um resort inglês no qual os hóspedes mergulham completamente num mundo criado pelos livros de Austen.

Não estou brincando, é uma imersão total MESMO.

Agora, antes que vocês comecem a fazer fila e perguntar onde providenciar as reservas, tentem se lembrar das inúmeras restrições às mulheres da época – e que Jane percebe muito bem ao longo de sua estadia em Austenland.

Você começa tendo de entregar todos os aparatos tecnológicos e roupas modernas que possui, incluindo aí as roupas de baixo. É obrigado a aprender um tanto de etiqueta da época e depois despachado para o seio de uma família de atores, que dali por diante representará sua própria família.

Assim, Jane vai passar três semanas com os tios ingleses que estão hospedando Miss Charming, Coronel Andrews e Mr. Nobley. Para completar, temos um jardineiro bonitão chamado Theodore (nome verdadeiro: Martin) e uma penca de situações farsescas emulando cenas de todos romances de Austen.

Como não podia deixar de ser, no momento em que Jane jura que vai desistir dos homens em geral – e daqueles que usam casaca, em particular – ela passa a ser disputada pelo jardineiro e por Mr. Nobley, que faz as vezes de Mr. Darcy à perfeição.

Mas onde termina fantasia e começa a realidade? Como você pode acreditar em sentimentos surgidos enquanto estava atuando? E, afinal de contas, você estava realmente atuando o tempo inteiro?

Austenland é uma história leve, gostosa de ler, que em nenhum momento subestima a capacidade de seu leitor. Surpreendeu-me da melhor forma possível. Considerando que vai ter filme, eu não duvidaria da possibilidade de vermos esse título sair em português por aqui. Seria uma excelente pedida.

* Lu Darce (JASBRA-PE) está no momento se empanturrando de chocolate para compensar sua frustração com o fato de que não conseguiu fazer reservas em algum resort paradisíaco para viver as aventuras literárias de que tanto gosta. Ela nem fazia tanta questão que fosse em Austenland, ficando bem feliz se a despachassem para Nova Zelândia, a fim de visitar Valfenda. Essa e outras frustrações, vocês podem encontrar no Coruja em Teto de Zinco Quente.

Para ler: Jane and the Unpleasantness at Scargrave Manor

“Quando uma jovem de mais beleza que posses tem o bom senso de ganhar a afeição de um cavalheiro mais velho, um viúvo de alta classe e circunstâncias cômodas, é geralmente observado que a união é inteligente para ambos. A dama alcança aquela posição na vida à qual seus amigos podem invejar e felicitá-la, enquanto o cavalheiro ganha para sua idade avançada toda a juventude, bom humor e beleza que ela pode oferecer. Ele é declarado o melhor e mais generoso dos homens; ela é geralmente reconhecida como um anjo totalmente merecedora de sua boa sorte. A maturidade e experiência de mundo dele podem estabilizar a impulsividade dela, enquanto a inteligência e charme gentil dela facilitariam as responsabilidades decorrentes de sua posição. Com paciência, bom humor e delicadeza de ambos os lados, um nível tolerável de felicidade pode ser alcançada.

Quando, porém, o cavalheiro mais velho morre repentinamente de uma queixa gástrica, deixando à sua esposa de três meses uma propriedade considerável, dividida entre ela e seu herdeiro; e quando o herdeiro em questão ofende o decoro com as suas atenções para a viúva!…

O tom de comentário social poderá rapidamente tornar-se rancoroso.”

Janeites de todo o mundo, preparai-vos para revelações bombásticas! Sabem aquelas cartas perdidas escritas por Jane Austen, aquelas que todo mundo diz que foram destruídas por seus parentes para preservar sua memória e privacidade? Elas foram encontradas e revelam uma incrível nova faceta de nossa escritora favorita: além de uma grande estudiosa do caráter humano em seus romances, Jane também utilizava esses conhecimentos para atuar como detetive amadora!

Ou, pelo menos, essa é a premissa inicial do livro de que vou falar para você hoje…

Jane and the Unpleasantness at Scargrave Manor é o primeiro volume da série Jane Austen Mysteries, escrita por Stephanie Barron – o décimo primeiro está previsto para ser lançado agora no segundo semestre – e como já fica óbvio do título, é uma história centrada na própria Jane e não em algum de seus personagens.

É uma história, como observa a própria Barron, sobre Jane antes dela se tornar Austen.

Tudo começa quando Isobel Payne, condessa de Scargrave, convida Jane para visitá-la pouco após o fiasco com Mr. Bigg-Wither. Para quem não se lembra desse evento na biografia dela, Bigg-Wither era conhecido da família Austen e pediu Jane em casamento, que o aceitou num dia para então desfazer o noivado no dia seguinte.

Isobel se casou recentemente com o Conde de Scargrave e voltou recentemente de lua-de-mel. Para se congratular por sua bela e jovem noiva – afinal, não tem graça você ter uma esposa com a metade da sua idade se não pode mostrá-la para os outros – o Conde decidiu dar uma grande festa. Até aí, tudo bem… o problema começa quando, após fazer um brinde à Isobel no meio do baile, o conde tem uma síncope e, poucas horas depois, bate as botas.

Não demora para que a condessa viúva comece a receber cartas ameaçadoras que a acusam de adultério com Lorde Fitzroy Payne, sobrinho e herdeiro do conde, bem como de assassinato.

Temendo o escândalo, Isobel pede ajuda à amiga, de forma que Jane assume o papel de detetive para tentar descobrir o que realmente está por trás da morte do conde.

Confesso que, a princípio, estranhei um pouco a história. Quando li a introdução falando das ‘cartas perdidas’, levei um grande susto e, quando a ação propriamente dita começou, contada na voz de Jane através das ditas cartas, quase a larguei de lado. Sinto uma certa desconfiança para com livros escritos em primeira pessoa, porque não é todo autor que sabe escrever com a voz do personagem, sem confundir com a sua própria.

Mas, como além de ser uma fã de romances policiais, tinha ficado curiosa com a premissa do livro, persisti… e posso dizer que fui bem recompensada.

Barron consegue dar o tom da época; ela faz uma grande reconstituição de fatos e você percebe que é alguém que pesquisou e que entende do assunto. A situação da Jane como detetive, a despeito de todas as restrições postas às mulheres da época, é crível.

Esse é um ponto que me interessava por conta da minha formação – a questão do sistema legal inglês do período. Não existia polícia e os magistrados eram os grandes proprietários que distribuíam justiça de acordo com sua boa-vontade. A bem da verdade, ainda hoje a Inglaterra não tem uma legislação codificada, nem mesmo uma constituição (a despeito de que o nascimento do constitucionalismo se dê com a Magna Carta).

Como debater common law e civil law não está no tópico do dia, vou parar por aqui antes que me empolgue…

O caso é que, nesse contexto, era bastante lógico que se você quisesse ver um crime resolvido, procurasse um detetive particular. Para Isobel, que não queria ter de lidar com o escândalo que toda a situação provocaria independente de sua inocência, apelar para a amiga, que sabia ser uma pessoa inteligente e observadora e que, de uma forma ou de outra, já estava envolvida na história, fazia bastante sentido.

Melhor que isso é que Barron consegue realmente dar voz a Jane – e não apenas porque você é capaz de reconhecer nos indivíduos com quem a futura escritora cruza em Scargrave Manor ecos das personagens mais famosas de seus livros. Além da questão da linguagem, a personalidade de Austen é muito viva, sagaz. A Jane Austen que Stephanie Barron tem como personagem é exatamente a Jane Austen que imagino em minha mente.

Se tudo isso não tivesse me convencido a gostar do livro, Lorde Harold Trowbridge o teria feito. Não dá para falar muito sobre ele sem entregar parte da história, mas, embora tenha começado o livro detestando-o, terminei tendo-o como um dos meus personagens favoritos.

Por motivos que não consigo explicar, fiquei imaginando ele dando uma de Hercule Poirot (mas infinitamente mais charmoso), explicando que “tudo são as células cinzentas, mon ami, tudo são as células cinzentas…

Fiquei feliz da vida em saber que ele está nos outros livros também – um motivo a mais para partir para o segundo volume em breve. Até lá, vou esperar que mais alguém leia e aí trocamos figurinhas, certo?

* Lu Darce acha que tem parentesco com Mr. Darcy e quer ver se lucra com isso leiloando seu irmão. Os interessados devem procurá-la no Coruja em Teto de Zinco Quente para maiores negociações.

Adaptação de Austenland, de Shannon Hale

Olá, pessoal, Lu Darce aqui de novo…

Estava pesquisando algumas coisas para escrever a resenha desse mês (já está quase pronta…) quando me deparei com a notícia de que o romance Austenland, de Shannon Hale será adaptado para o cinema.

A história gira em torno de Jane Hayes, fã de Austen e obcecada por Mr. Darcy de tal forma, que sua paixão pelo personagem está afundando sua vida amorosa, uma vez que homem algum pode se comparar a ele. Aí entra na história uma tia rica que dá a ela de presente uma viagem para um resort inglês que reproduz o mundo criado dos romances de Austen.

Aí incluindo um Mr. Darcy para chamar de seu…

De alguma forma, a sinopse do livro me lembrou a premissa de Lost in Austen, mas como ainda não o li, não posso falar muito mais sobre o assunto. O elenco é encabeçado por Keri Russell, J.J. Feild e Bret McKenzie, com Stephanie Meyer, a autora da série Crepúsculo estreando como produtora.

Tive um pensamento cretino agora… mas vou ficar calada. Já sei contudo que mês que vem passarei Austenland para frente na minha lista de resenhas…

Fonte: Enchanted Serenity of Period Films

Para ler: Prom and Prejudice

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“É uma verdade universalmente aceita que uma garota solteira de alto nível na Academia Longbourn deve estar querendo um par para o Baile.”
Olá, pessoal! Aqui quem vos escreve é a Luciana Darce e a partir de hoje estarei assinando uma ‘coluna’ aqui no JASBRA de resenhas de livros que tenham algo a ver com Austen – continuações, mash-ups, inspirações e o que mais cair em minhas mãos. Para começar vamos com o Prom and Prejudice, de Elizabeth Eulberg.
Li esse livro após me ter caído em mãos o Lonely Hearts Club, da mesma autora. Como achei o Lonely Hearts muito interessante, bem gostoso de ler mesmo, pesquisei a bibliografia da Eulberg e quando vi a sinopse de Prom and Prejudice, não tive dúvidas: precisava lê-lo.
Então… Elizabeth Bennet é um prodígio musical, a ponto de conseguir uma bolsa para estudar na tradicional e elitista Loungbourn, uma escola só para garotas, irmã de Pemberley, só para garotos, onde estuda Will Darcy, filho de um conhecido e poderoso advogado. Lizzie e Will acabarão por se cruzar em virtude de suas amizades em comum – ela é a melhor amiga de Jane, com quem divide um quarto e ele é o melhor amigo de Charles, que é louco por Jane.
Obviamente que num primeiro contato, faíscas vão saltar, porque Will tem ojeriza a bolsistas e Lizzie detesta os narizes empoados dos colegas – com exceção de Jane, claro.
À primeira vista, confesso que me senti meio perdida. Parecia que tinham me jogado o roteiro de High School Musical ou de algum episódio de Gossip Girl – estranhamente, eu ficava tendo flashs de Anne Hathaway em O Diário da Princesa. A certa altura, contudo, deixei as convenções de lado (incluindo o choque que tive com “William”. Sério? William?!) e tratei simplesmente de me divertir.
Prom and Prejudice, no final das contas, não deve ser lido como uma releitura moderna do clássico de Austen, mas como uma história que se mantém por si só, e que usa os mesmos arquétipos de Lizzie e Mr. Darcy. Em essência, temos o espírito dos dois personagens, seu crescimento através da superação de preconceitos e orgulho – mas se perde um tanto da crítica social e do humor ferino original. Afinal, o que dizer de um Orgulho e Preconceito sem o ridículo de Mrs. Bennet e a leniência de Mr. Bennet, substituídos por pais adoráveis, com Lizzie como filha única?
Na verdade, ‘adorável’ é uma palavra bastante apta para descrever a maior parte do elenco do livro, incluindo aí até o Collins (tive vontade de dar uns tapinhas amigáveis no ombro do pobre rapaz e desejar sinceramente que ele tivesse mais sorte da próxima vez). Senti alguma simpatia até pela Caroline – embora tenha rolado de rir com os comentários ácidos de Lizzie sobre os hábitos de leitura da outra moça.
“Ela [Caroline] pretendia se mostrar interessada em ‘Grandes Expectativas’. Mas, após dez minutos, suas próprias expectativas obviamente não tinham sido alcançadas, e jogou o livro de lado.”
A despeito de qualquer coisa, porém, há dois motivos pelos quais vale MUITO à pena ler esse livro: a cena em que Lizzie dá um soco no Wickham (SIM!!!! Go, go, Lizzie!) e o final, que não apenas foi fofo, mas também me pegou de surpresa, fugindo do clichê.
Enfim, Prom and Prejudice é completamente despido do senso crítico do original. Seus personagens são adolescentes e estão longe dos mesmos dilemas e profundidade de suas contrapartes mais velhas e, conseqüentemente, mais maduras. Ele é o que chamo de leitura ‘Sessão da Tarde’ – e não ficaria deslocado como um musical da Disney -: serve bem ao seu propósito de divertir, que é, ao final seu propósito.
* Lu Darce é colaboradora do JASBRA, organizadora do Clube de Leitura de Jane Austen em Recife, traça de livros e vive quase que para escrever resenhas, que publica em seu blog, o Coruja em Teto de Zinco Quente.

III Encontro Regional – JASBRA PE

Luciana Darce, representante da JASBRA no Recife nos envia este lindo convite para o III Encontro Regional da JASBRA-PE! O encontro será dia 21 de agosto às 14:00 na Livraria Saraiva – Shopping Recife e irá discutir Orgulho e Preconceito.

 

Parabéns pela organização de mais um evento maravilhoso meninas pernambucanas!

III Encontro Nacional da JASBRA – Votação

Pessoal, é com muito prazer que eu anuncio o III Encontro Nacional da JASBRA! Desta vez o encontro será no Recife e contamos com a participação de todos vocês! Para que as meninas de Pernambuco se organizem e possam nos receber é preciso fazer um levantamento de quem tem interesse em ir e em qual data. Vocês poderão votar até o dia 05 de Junho.
Quem tiver interesse deverá votar em uma das datas abaixo:
12 a 16 de Outubro (Feriado do dia das crianças)
ou
12 a 15 de Novembro (Feriado da Proclamação da República)
A votação deverá ser feita impreterivelmente no formulário abaixo.
Obrigada,
Adriana e Luciana Darce (JASBRA-PE)

Encontro de páscoa da JASBRA – Pernambuco

A Luciana Darce, representante da JASBRA em Pernambuco, é responsável pela organização dos encontros na região. Abaixo o relato com fotos do encontro:
“Em abril, na semana antes da páscoa, o pessoal da JASBRA/Pernambuco se reuniu na Livraria Saraiva para seu II Encontro Regional, a fim de comentar o livro Razão e Sensibilidade.
O pessoal foi chegando aos pouquinhos, enquanto organizávamos a sala, e não demorou para que todo mundo se enturmasse. A Adriana deu tanto meu nome no blog enquanto falava do evento que o pessoal nem precisava ser apresentado – era eu dizendo ‘Luciana’ e eles completando o nome…
Claro que antes de fazer qualquer outra coisa, tiramos a foto oficial com toda a turma que estava reunida – cortesia da Luana, que já é nossa fotógrafa em todos os eventos que comparece com a mãe, a Lu Campelo.
Depois disso, fizemos nossa sessão de cinema, com direito a coca-cola e pão-de-queijo. Da próxima vez, quem sabe, não levamos um chá?
Hehehe…
Após assistirmos o filme, tivemos ainda uma pequena surpresa: a apresentação de uma esquete com uma cena entre Lucy e Elinor (não sei como chegamos ao final da cena entre tantos risos… precisamos treinar mais essas atrizes…)

O QUE ACONTECEU…
Lucy: Sei que está muito surpresa, e devo dizer que isso não me espanta. Mas se eu ousasse contar-lhe tudo, não ficaria muito surpresa. A senhora Ferrars certamente não é nada para mim hoje… mas a hora pode chegar… quando chegará é algo que dependerá dela… em que, talvez, estejamos ligadas muito intimamente.
Elinor: Deus do céu! O que quer dizer com isso? Conhece o senhor Robert Ferrars? Isso é possível?
Lucy: Não, não o senhor Robert Ferrars, nunca o vi na vida, mas… o seu irmão mais velho.
Elinor: O.O
O QUE GOSTARÍAMOS QUE TIVESSE ACONTECIDO
Lucy: (coquete) Edward é meu.
Elinor: (abre e fecha a boca antes de recuperar o controle) Mas vá ser amiga-da-onça assim em Bath, viu… Mas não tem problema, querida, no final do livro, o mocinho sempre fica com a heroína, e é óbvio que sendo a boa bisca que você é, você não tem qualquer chance de ser heroína.
Lucy: O.O

A idéia da esquete era introduzir o debate que se seguiu: o que vocês mudariam na história? Ou será que introduzir mudanças nos comportamentos e reações dos personagens acabaria por impedi-los de chegar a um final feliz?
E claro que, sendo vésperas de páscoa, não podíamos deixar passar a data em branco… e ao debate seguiram-se sorteios e o tão esperado coelho secreto!

Todo mundo participou, sendo dando idéias, sendo lançando novos questionamentos e interpretações. Passamos uma tarde inteira assim, de uma até seis da tarde – uma tarde deliciosa, produtiva e divertida, que todos querem repetir.
E que será repetida, com certeza! Terminamos o encontro já marcando o próximo, que terá por tema Orgulho e Preconceito. A data certa ainda está por determinar, mas como temos feito nossas reuniões de quatro em quatro meses, é certo que será em agosto.
Além disso, tivemos o anúncio oficial de que… O III ENCONTRO NACIONAL DO JASBRA SERÁ NO RECIFE!!! SIM!!!!
Em nome de todo o grupo, quero dizer que estamos felicíssimos em recebê-los e já estamos com mil e um esquemas no forno para lhes mostrar nossa cidade, enquanto vivemos novamente a delícia de conversar e debater com outros janeites como nós sobre nossa autora favorita!
Então… tratem de começar a se organizar para poder vir! No segundo semestre, Jane Austen vai para a Veneza Brasileira. Até lá pessoal!
Luciana Darce”
Mais fotos do evento:

Agradecimento à Editora LPM

Luciana Darce, representante da JASBRA em Recife nos avisa que a Editora LPM publicou nosso encontro Regional no Recife na página deles. Muito obrigada pela divulgação LPM! 🙂

Jane Austen na Páscoa

Sob o comando de Luciana Darce, o próximo encontro em Recife (este convite é extensivo aos moradores das regiões vizinhas) será no dia 17 de abril às 13:00.
Programação:
O encontro vai começar com a exibição do filme Razão e Sensibilidade, passando depois para o debate do livro, alguns sorteios e para encerrar teremos o  coelho secreto. Todos podem participar, contanto que levem seu ovo de chocolate número 15 – o sorteio será feito na hora.

Data: 17/04 a partir das 13:00
Local: Livraria Saraiva do Shopping Recife

Jane Austen por Luciana Darce – Parte 6/6

Monstros, vampiros, zumbis e outros mash-ups 
Talvez alguns de vocês venham acompanhando uma tendência que tem ganhado até bastante força nos últimos anos: os mashups – gênero em que um texto já consagrado é reescrito, podendo continuar as aventuras do original, modificá-lo quase que completamente ou contar histórias anteriores ao mesmo. O termo originalmente se aplicava à informática, depois passou à música e agora veio para a literatura.
O conceito parece bastante parecido com o que entendemos por “fanfics”, não é verdade? Bem, ao menos na minha opinião, mashups são fanfics. Como os textos originais já caíram no domínio público, existe uma facilidade na publicação – especialmente porque você já conta com um grande e conhecido nome por trás de você como “co-autor”.
Basta uma visita rápida à livraria – ou digitar o nome de Austen na Amazon – que você descobre que tia Jane tem sido algo como uma… favorita nesse meio. Nós podemos encontrar dos diários dos personagens masculinos de cada uma de suas obras até títulos como o já traduzido (e resenhado aqui no Coruja) Orgulho e Preconceito e Zumbis.
Conversando com algumas pessoas, eu cheguei à conclusão de que os fãs de Austen se dividem em suas opiniões sobre o assunto. Há quem diga que isso é um abuso, um absurdo, uma afronta à obra original. E há aqueles que são… indiferentes.
Não, eu não encontrei absolutamente uma única alma que dissesse que preferia os mashups aos originais. O que significa que a humanidade ainda tem salvação.
Eu acho o seguinte… os mashups – como as adaptações para TV e cinema – são válidos; especialmente como uma porta de entrada, um chamariz para que gerações mais novas conheçam esses autores clássicos.
Fãs mais sensíveis de Austen provavelmente vão torcer o nariz para os zumbis incorporados por Graham-Smith e os monstros do mar de Winters. Aqueles com um senso de humor um tanto quanto bizarro poderão até vibrar com as discussões envolvendo mosquetes, katanas e estilos de luta. Mas não importa muito, o resultado final será o mesmo: Jane Austen está na moda.
Como diz o ditado, “falem mal, mas falem de mim”.
E isso é muito válido. Como disse há pouco, essas obras, com uma pincelada mais pop acabam por servir como uma porta de entrada para os incautos (hohoho), que olham para aquela capa chamativa, se interessam, lêem, ficam curiosos, vão atrás dos livros originais e, quando percebem, já viraram fãs.
Vamos encarar a verdade: como eu já disse uns parágrafos atrás, esses mashups são fanfics publicadas – uma vez que não existe o problema dos direitos autorais – e, como fanfics, podem ser bons ou ruins e podem atender a todo tipo de gosto e expectativa.
Não é algo ruim per si, diferente do que alguns fãs mais extremistas possam dizer. Pelo contrário: somos capazes de encontrar muita coisa interessante no meio da onda de assalto de mashups nas livrarias.
Eu gostei de Orgulho e Preconceito e Zumbis; mas torci o nariz para Razão e Sensibilidade e Monstros do Mar pela simples razão de que este último se leva a sério demais, quando a proposta do projeto é irreverente.
Alguns dos Diários de Amanda Granger que li – Mr. Darcy, Mr. Knightley e Capitão Wentworth – têm passagens deliciosas, mostrando a história que já conhecemos pela perspectiva dos heróis masculinos de Austen. Em compensação, Mr. Darcy, vampyre da mesma autora, foi uma decepção.
Na verdade, eu já li muita fanfic superior a alguns desses mashups, com a vantagem de poder lê-los de graça…
Ok, este foi um comentário cretino.
Mas é verdade. Há muitos bons autores por aí, se vocês procurarem, com excelentes histórias, respeitando a essência dos personagens, e deixando um gostinho de quero mais na boca da gente. Especialmente quando eles têm como “calço” uma co-autora do quilate de Miss Austen.
Bem, vejo aqui que chegamos ao final de mais um dos projetos do “meu autor, meu herói” do Coruja. Ao fim e ao cabo, depois de tudo que eu escrevi, espero que tenham se interessado e que tirem suas próprias conclusões do feito.
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Leia aqui a resenha de Orgulho e Preconceito e Zumbis, escrita por Luciana Darce.
Leia aqui a resenha de Razão e Sensibilidade e os Monstros Marinhos, escrita por Luciana Darce.
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Este é último post da série Jane Austen escrito por Luciana. Se você perdeu os primeiros acompanhe abaixo: 
Parte 1 – Introdução

Parte 3 – O trabalho dignifica o homem

Parte 4 – O estilo de Austen