Domingos – Guilherme de Paula – Jane Austen e a Filosofia

Estou inaugurando uma nova coluna aos domingos: Jane Austen e os Rapazes. O objetivo é oferecer aos leitores deste blog uma visão masculina das obras de Austen.

Com vocês: Guilherme de Paula

Guilherme é mineiro, e tive o prazer de conhecê-lo durante o IV Encontro Nacional da JASBRA.
Jane Austen e a Filosofia 
uma perspectiva de Orgulho e Preconceito
Filosofia e literatura são muito próximas. Uma é arte, e a outra se ocupa de, dentre outras coisas, investigar o que é a arte. As duas utilizam a palavra como matéria prima. Na filosofia, a palavra lapidada pode servir como arma, enquanto na literatura, a palavra lapidada reluz e poderá ser apreciada. Trabalhando as palavras, por excelência a filosofia implica o diálogo, enquanto a literatura pode ser um exercício solitário, algo de si para si. Claro que essas definições não possuem nada de rígido, podendo, não raramente, possuir pontos de interseção.
Lançando um olhar retrospectivo, percebemos que a filosofia foi muito importante para o movimento feminista. Alguns filósofos emblemáticos são Mary Wollstonecraft no sec XVIII,John Stuart Mill no sec XIX, Simone de Beauvoir no sec XX, e Judith Butler no sec XXI. É a aplicação da palavra como arma, típica dos filósofos. Mas será que é exclusiva deles? É possível também fazer o mesmo utilizando como meio a literatura? Na tentativa de estabelecer uma relação entre essas duas formas de lapidar as palavras, esse texto estabelecerá um paralelo entre a escritora Jane Austen e a filósofa Mary Wollstonecraft, para mostrar que a literatura também pode ser uma forma de desafiar o status quo (quando não é um ato solitário).
Mary Wollstonecraft escreveu, em 1792, A Vindication of the Rights of Woman, um texto em que ela defende a educação das mulheres como forma de moldá-las. Se elas recebessem uma educação da forma como os homens recebiam, elas poderiam ser mais do que enfeites dentro de uma sociedade. “Eu tenho uma profunda convicção de que as mulheres não são fracas e miseráveis (naturalmente), mas forçadas a se tornarem assim, especialmente por um falso sistema de educação, que é o resultado de livros escritos por homens que estavam mais ansiosos por formarem amantes seduzidas do que mulheres racionais”, escreve ela. Essa é uma posição legítima e muito corajosa, principalmente em uma época em que muitos usavam a própria filosofia para manter as mulheres em sua condição de inferioridade. Rousseau, por exemplo, escreve em seu famoso Emílio que as mulheres têm de ser passivas e fracas e são feitas somente para agradar aos homens. Outro exemplo é Kant, que escreve em seu texto Observações Sobre o Sentimento do Belo e do Sublime, que as mulheres têm de ser belas e se preocuparem somente com o que é belo, preservando suas qualidades de doçura e benevolência, pois elas possuem uma racionalidade fraca, muito inferior àquela dos homens. Já os homens devem se preocupar com o sublime, atentando para seus princípios e seus deveres, pois sua racionalidade é desenvolvida. Wollstonecraft, Rousseau e Kant estão muito próximos. Os textos mencionados anteriormente mencionados são de 1792, 1762 e 1764, respectivamente. Percebemos que a filosofia se constrói na dialética, se apresentando como um campo de batalhas em que o objetivo é obter uma conclusão, que poderá ser ulteriormente refutada. Daí a impossibilidade de se construir filosofia sozinho. Um interlocutor é necessário. Mas onde Jane Austen se encaixa nisso tudo?

Jane Austen, em 1797, escreveu seus rascunhos para a obra Primeiras Impressões, que futuramente foi nomeada Orgulho e Preconceito.  A obra é uma ilustração dessa dicotomia “machismo x feminismo” vivida na filosofia. Austen mostra com detalhes como era a condição da mulher, que tinha de, dentre outras coisas, lidar com casamentos arranjados, casar para ter uma posição ou ver as propriedades da família herdadas somente pelos homens. Elizabeth Bennet pode ser vista como uma heroína, que desafia o contexto opressor em que vive, recusa arranjos de casamento e não desiste de se casar com quem ela escolhe para si, Fitzwilliam Darcy. Austen também nos mostra a sofrível condição de outras personagens, como a mãe de Elizabeth (Mrs Bennet), que, durante todo o livro vive as agruras de ter tido cinco filhas mulheres e nenhum homem para herdar as propriedades. A impressão que se tem é que ela é uma tola e histérica. Mas se fizermos uma análise para além das aparências, perceberemos que como deveria ser desesperador criar cinco filhas numa família que não possuíam status, numa sociedade em que a mulher ascendia socialmente somente através de casamentos. Além disso, Mrs Bennet era ridicularizada pelo marido e pelas próprias filhas. Há ainda muitas mulheres em condições terríveis no livro. Um dos casos mais exemplares é o de Charlotte Lucas. Essa mulher é apresentada por Austen já com vinte e sete anos e temerosa de se tornar um fardo para sua família. Beleza não devia ser o seu forte. Essa somatória de circunstâncias a leva a se casar com William Collins, homem ridicularizado por todos e rejeitado por Ellizabeth. É como se a autora estivesse denunciando a condição da mulher, constantemente subjugada e aparentemente sem saídas. A literatura de Austen pode ser lida como um grito, que se faz ouvir através da fina ironia que amarra a história. Se Wollstonecraft gritou para o mundo que a educação estragava as mulheres, Austen o fez através de uma alegoria. Uma se valeu da filosofia, enquanto a outra se valeu da literatura, e as duas se valeram da palavra.
Há muito tempo se sabe que a palavra tem poder. A palavra enfeitiça. Os Maoris, os primitivos Neozelandeses, enfeitiçavam seu povo com a palavra. Relatos antropológicos mostram que as pessoas matavam umas às outras apenas enfeitiçando. Podemos trazer essas noções para nosso tempo, imaginando quantos homens e mulheres não leram as obras de Austen e Wollstonecraft, e se sentiram enfeitiçados, de forma positiva, para contestaram o status quo. É a palavra sendo usada de formas distintas na filosofia e na literatura para corroborar o feminismo. Devemos ter essas questões em mente ao ler obras como essas e nos transportar no tempo, enxergando o contexto da época, e não somente realizando uma leitura anacrônica dos fatos.  Assim, perceberemos que filosofia e literatura muitas vezes se misturam sim, as duas possuindo muitos pontos de interseção.


Conheça os outros posts da Coluna de Domingos: Guia do Romance.  

Sábados – Uma rosa em homenagem a Orgulho e Preconceito

Como alguns de vocês leitores já devem ter visto o meu post na nossa página no facebook, descobri ao ler o blog da Laurel Ann (AustenProse) que a empresa especializada em flores lá no Reino Unido – Harkness – acaba de lançar uma flor em homenagem ao bicentenário de Orgulho e Preconceito! Eu achei linda, e vocês? Vejam os detalhes abaixo: 

Pride and Prejudice
  • Family: Floribunda
  • Star Rating: 5
  • Scent Rating: 4
  • Flower Diameter: 8cm
  • Petals: 35
  • Flowers Per Cluster: 7-11
  • Plant Size: H90cm x W60cm
  • Colour: Pale Peach

Sábados – Bath continua linda – Lucienne Soares

A nossa querida Lucienne Soares (JASBRA-RJ) acaba de voltar da Inglaterra, cheia de novidades e promete contar tudinho para nós em breve, aqui mesmo nessa coluna! 🙂 
Lucienne nos envia uma foto dela em Bath ao lado do recepcionista do Jane Austen Centre. Ao ver a foto olhei de novo para ver se não estava vendo coisas, pois Mr. Martin Salter não estava na porta do museu como de costume. Martin, é um querido! Quando visitei Bath no ano passado ele tirou fotos comigo e minha filha, depois que eu já estava dentro da lojinha correu lá e meu deu uma foto dele com a Amanda Vickery e ainda por cima autografada! 🙂
Mas creio que este senhor (até o momento não consegui o nome dele) representa bem o espírito do Jane Austen Centre! 

Sextas – Jane Austen Irônica – Mr. Wickham parte 2

Hoje é dia da Coluna das sextas-feiras: Jane Austen Irônica!


A imagem acima faz parte de uma resposta à uma cartinha enviada para a coluna Cartas para Jane Austen!

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envie-nos suas ideias: adriana@jasbra.com.br 

Sextas – Jane Austen Irônica – Mr. Wickham parte 1

Hoje é dia da Coluna das sextas-feiras: Jane Austen Irônica!

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Sextas – Jane Austen Irônica – O casal Palmer

Hoje é dia da Coluna das sextas-feiras: Jane Austen Irônica!


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Quintas – Cartas para Madame Austen

Hoje é dia da Coluna das quintas-feiras: Cartas para Madame Austen! 

A coluna de hoje está especial porque conta com a participação de Kitty Bennet, Jane Bennet e Anne Elliot! Kitty com certeza irá supreender muitos leitores! Aguardo a opinião de vocês! 

Cartas para madame austen edição 06 maio de 2013 from Adriana Zardini

E você, gostou da ideia? Participe! 
Envie suas cartas aqui! Totalmente confidencial!

Leia aqui as outras publicações desta coluna.

Quartas – Minha história com Jane Austen: Cláudia Mota

Prezados leitores, hoje é dia da Coluna das quartas-feiras: Minha história com Jane Austen! 
Com vocês: Cláudia Mota


Descobri a Jane Austen, através do filme “Orgulho e Preconceito”, quando assisti o filme fiquei encantada com a história, as personagens e principalmente com Mr. Darcy!!!!  E a partir deste dia fui buscar mais informações sobre a escritora e descobri  o mundo maravilhoso de Austen, com sua riqueza de detalhes do cotidiano  vivido na  época, as pitadas de humor e ironia retradas em seus livros  e o mais importante, o Amor… então, iniciei a minha coleção, comprando livros e filmes pela internet (ainda falta muita coisa!!!!), e até hoje não consigo parar de ler e reler seus livros, em especial Orgulho e Preconceito… não tenho como negar que esse é o meu favorito dentre as preciosidades que Jane Austen nos presenteou.


Veja a raridade que a Cláudia possui: uma edição em DVD de Palácio das Ilusões – Mansfield Park (1999)!

Para ler as outras publicações desta coluna, clique aqui.

Terças: Indicações de Livros – A Jane Austen Daydream

Scott Southard acaba de lançar seu livro: A Jane Austen Daydream, publicado pela Madison Street Publishing

Leia aqui uma sinopse do livro:

All her heroines find love in the end–but is there love waiting for Jane?

Jane Austen spends her days writing and matchmaking in the small countryside village of Steventon, until a ball at Godmersham Park propels her into a new world where she yearns for a romance of her own. But whether her heart will settle on a young lawyer, a clever Reverend, a wealthy childhood friend, or a mysterious stranger is anyone’s guess.

Written in the style of Jane herself, this novel ponders the question faced by many devoted readers over the years–did she ever find love? Weaving fact with fiction, it re-imagines her life, using her own stories to fill in the gaps left by history and showing that all of us–to a greater or lesser degree–are head over heels for Jane.

Conheça um pouco mais sobre o livro aqui.
Conheça aqui o blog de Scott.
O livro está à venda na Amazon, por 14,95 (impresso) e apenas 3,99 (ebook)!

Terças – Livros não convencionais e artigos de papelaria

Após uma indicação da Rosangela Neres, acabei me lembrando que não publiquei aqui no blog uma indicação de uma série de fofurinhas todas relacionadas à Austen. São artigos de papelaria, alguns que eu já conhecia e inclusive já publiquei aqui no blog há alguns anos. Mas não custa nada divulgá-los, não é mesmo? Tenho o Jane Austen Mini Journal (Illustrated) abaixo! 🙂 

new InsightBookReader(‘single’, ‘9780307951717’, ‘Jane-a-Day’, ‘Potter%20Style’, ‘0’, ”, ‘http://www.randomhouse.com/cgi-bin/buy_landing.php?isbn=9780307951717’);
From the Desk of Jane Austen (100 cartões postais) – 20 dólares


Jane Austen Note Cards – Pride and Prejudice – 10,80 dólares


Jane Austen Note Cards – 12 dólares 


Jane Austen Birthday Book – 9,99 dólares


Jane Austen Puzzle – 14,95 dólares 


Jane Austen Journal – 10,95 dólares 



Jane Austen Address Book – 8,00 dólares


Jane Austen Mini Journal (Illustrated) – 8,00 dólares 

Jane-a-Day (journal) – 16,99 dólares

Great Authors Note Cards – 13,95 dólares