Bate-volta de Londres a Winchester, antiga capital real da Inglaterra

O artigo publicado pelo Jornal Estadão vale à pena ser lido, principalmente, por aqueles que desejam conhecer um pouco mais sobre a cidade onde Austen viveu seus últimos dias de vida.

“.. Enquanto nossa turnê atravessava a extremidade leste e depois voltava para a porta principal oeste, ouvimos mais duas histórias. Primeiro, a da romancista Jane AustenEla morreu em 1817 em Winchester durante o tratamento médico que fez em sua casa, nas proximidades de Chawton. Seu túmulo é marcado por uma tábua de ardósia preta que fala da “benevolência de seu coração, da doçura de seu temperamento e das extraordinárias doações de sua mente”. Mas logo após sua morte, notou-se que nem uma das palavras se referia às suas realizações literárias. Uma placa de latão foi adicionada em 1872, uma “framboesa gigante” para aqueles que omitiram essas palavras do tributo na ardósia preta, disse Weeks. Em 1900, um vitral foi instalado acima dos dois marcadores.”

As obras de Austen como guia de orietação para a vida

Jane Austen Education (William Deresiewicz) – livro já comentando aqui no blog.

Por indicação da leitora deste blog, Luiza, acabo de ler um artido publicado no Estadão, com o seguinte título:

A literatura como orientação da vida

A partir de Jane Austen e de Montaigne, duas obras publicadas nos Estados Unidos investem na ideia de que livros e autores podem fazer, no dia a dia, as vezes de guias da própria existência

 

Quando o ensaio e o romance surgiram como formas literárias populares na Europa do século 17, os leitores procuraram neles a orientação espiritual e prática que até então encontravam em obras mais notoriamente filosóficas, como o Eclesiastes e as Meditações de Marco Aurélio. Samuel Richardson, romancista do século 17, tinha certamente plena consciência disso quando extraiu dos próprios romances “sentimentos morais e edificantes, máximas, advertências e reflexões”, como os definiu, publicando-os em um volume separado.
O desejo de destilar sabedoria da literatura continua existindo, embora com a tendência contemporânea à autoajuda. É o caso de A Jane Austen Education, de William Deresiewicz, e How to Live, de Sarah Bakewell. Ambas as obras se baseiam em textos literários conhecidos para mostrar como o leitor pode aprender a viver melhor, embora os enfoques dos autores sejam bem diferentes quanto ao seu propósito.
Ph.D. pela Universidade Colúmbia e membro do corpo docente de Yale, Deresiewicz é um destacado polemista que expõe (tomando emprestado o título do seu tão discutido ensaio de 2008 publicado na revista American Scholar, de uma sociedade acadêmica americana) “as desvantagens de uma educação elitista”. Nele, o autor afirma que Yale e outras escolas do mesmo calibre “esqueceram que a verdadeira finalidade da educação é formar mentes e não carreiras”, e observa que, hoje, elas não têm lugar para os pesquisadores e as mentes inquiridoras que, outrora, as instituições de ensino privilegiavam. Em outras palavras, ele não hesita em descrever o declínio que está na base de tantas análises contemporâneas sobre formação, educação, moral e a própria juventude. 
Assim como o seu ensaio, A Jane Austen Education pode ser entendido como a afirmação de uma missão. Em parte, ele repudia o elitismo e a arrogância intelectual que já levaram o jovem Deresiewicz a preferir Conrad e Joyce a Austen e Charlotte Brontë, preferência que ele abandonou quando a sabedoria dos romances de Austen venceu seu esnobismo obtuso. Embora de início menosprezasse a escritora, a leitura de Emma representou uma descoberta; por exemplo, ele constata que o romance expõe as provocações do personagem do título à idosa Miss Bates, como algo cruel e não espirituoso no sentido de cômico (moral: ser arguto e arrogante não é necessariamente uma coisa boa). 
Transformado por essa leitura, Deresiewicz encontra em cada obra de Austen uma lição de vida, às vezes banal. Aprendemos mais quando estamos errados do que quando certos (Orgulho e Preconceito). E finalmente: ter riquezas, poder e carisma pessoal não é garantia de felicidade (Mansfield Park).

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Fonte: Jornal Estadão
Texto de: Jenny Davidson
Traduzido por: Anna Capovilla